domingo, 31 de março de 2013

Empire state of friendship

Março de 2003. O mundo parava com o ultimato que o Bush fazia ao Iraque e os olhos todos estavam colocados sobre os Estados Unidos da América, de onde os discursos vinham. Alheias a tudo, no entanto, um grupo de amigas portuguesas subia ao Empire State Building, conhecia o MoMa, passeava por Times Square, o visitava o Museu de História Natural e decidia se ia ver o Fantasma da Opera à Broadway. Enquanto o mundo discutia o desarmamento ou a legitimidade dos Estados Unidos para tal exigência, aquele pequeno grupo de amigas apagava as 21 velas do bolo de uma delas no meio de irlandeses mal refeitos do St Patrick's Day. Enquanto as famílias lhes ligavam, preocupadas com o número anormal de polícias que viam nas ruas - através das reportagens transmitidas na televisão - aquele grupo de amigas ignorava tal agitação e sentia apenas que estava a viver o melhor tempo das suas vidas. Tinham apenas 20, 21 anos e passeavam, maravilhadas, pela "selva de betão onde os sonhos são feitos", como diz a música. O mundo era delas.

Hoje, tantos anos depois, vejo as fotografias daquele grupo de amigas, tão jovens e sonhadoras, e penso que o mundo pode não ser nosso, mas estas amigas mantive-as. Vejo-me a apagar as velas do meu bolo de aniversário, tão bebé, tão ingénua e orgulho-me por ter tido a sabedoria e maturidade para escolher bem as amigas, pelo menos.

Partilhámos horas e horas de música, de horas de ensaio sem fim (meu Deus), e risos, e risos, e tantas (demasiadas?) noites de festa, e viagens. Mas partilhámos também estudo, e livros, e apontamentos, e resumos, e exames. Partilhámos o nervosismo das vésperas e quase sempre o sucesso (uff) do depois. Partilhámos desabafos, sonhos, algumas lágrimas, e depois risos novamente, porque as amigas são para todas as ocasiões.

Hoje, dia de Páscoa, é a vez da R. soprar as (x) velas do seu bolo - não se deve relevar a idade duma mulher. R., não tiveste a sorte de o fazer do outro lado do oceano, mas sei que tens ao teu lado rios de amor. O trocadilho não é puro exercício de retórica: acredito que tens ao teu lado pessoas que te adoram, e que adoram as mil facetas que tens, desde a dona de casa perfeita e responsável até ao teu lado mais divertido e maluco. Um beijo enorme de parabéns a ti e um beijinho às restantes mosqueteiras musicais, à E. e I. Feliz viagem aquela em que, mais que as memórias da mesma, ganhámos um novo membro para aquele que viria a ser depois um quinteto.

Boa Páscoa!!

Já desejei na página do Facebook (aqui), mas agora desejo por aqui: uma óptima Páscoa para todos!!!

Que tradições têm as vossas famílias neste dia?

sábado, 30 de março de 2013

Rapidinha de fim-de-semana

Não sei por que carga de água foi, mas ontem acabámos a jantar num restaurante asiático - daqueles que tentam abarcar em si toda a grandiosidade do continente asiático... mas acabam por ter basicamente comida chinesa. Apesar da minha reticência inicial, acabei por gostar da noite. Gostei de conhecer o "Ya", o dono (será que se escreve assim?) e o empregado sempre com piadinhas fáceis (típico). No entanto, o melhor da noite, para mim, foi um diálogo entre um parzinho a que assisti ao meu lado (sou muito voyeur, culpada!):
- Não comes a soja?
- Não.
- Mas não gostas do sabor?
- Não...
- É que não tem quase sabor.
- Arghh... Sabes o que foi? Desde que soube aquela história do Chinês que fechou ao lado de minha casa, porque encontraram cães e gatos no frigorífico, deixei de conseguir comer.
- Hmmm...
- É por isso.
- Mas então não devias era comer carne, não achas?
- Não. É que agora também não sei se isto é soja ou se são umas ervas quaisquer que encontraram.
- (silêncio)
- ...
- Mas alguma vez gostaste de soja? Antes de fecharem esse Chinês comias soja?
- Não. Nunca gostei.
- (silêncio)
- ...
Tenho a sensação que aqueles dois não acabaram a noite a amar-se loucamente. Temo até que nunca mais se tenham visto.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Está quase...

E já começo a sentir-me ansiosa. Quero conhecer o teu sorriso. Quero conhecer a tua voz. Quero dar-te a mão. Quero contar-te histórias. Quero ouvir-te. E quero saber quem és tu, afinal. Tu, que jogas connosco o jogo das escondidas. Que dás pontapés e te agitas. Que pareces ter pressa de viver, mas nunca mais vens. Tu, que ainda não nasceste, mas já és carne e osso. E quilos de felicidade. Tu, que ainda não nasceste e já estás para sempre condenada. Tens o futuro já traçado. Vais ser feliz. Tão feliz. Estás para sempre condenada. Foste feita de amor. Daqueles amores que parecem só existir nas histórias escritas. Nos livros a ganhar pó. Daqueles amores que duram décadas mesmo quando os amantes são jovens ainda sem rugas. Foste feita de amor. E amizade. Partilha. Sorrisos. E sonhos. Foste feita dum daqueles amores que servem de exemplo aos que se seguem. Estás condenada a ser feliz, Ana. Podes escolher ser o que quiseres. Mas nunca vais poder fugir disso.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Guardo para sempre os meus beijinhos

Há as pessoas sensíveis. Há as pessoas mais práticas, mais racionais. Há os lamechas e sentimentais. Há aqueles que nunca choram, nem que o mundo caia. E depois há os durões, mas que têm um coração de manteiga, e que são sempre uma surpresa óptima. Vivo rodeada de algumas pessoas assim e confesso que adoro conhecer aquele cantinho que se derrete. Adoro a sensação de saber que encontrei as palavras certas para o sorriso de orelha a orelha aparecer.

O meu pai é uma dessas pessoas. Ultimamente até disfarça menos, mas cresci a vê-lo desempenhar de forma exímia o papel de pai-galinha versão autoritária. Exigente, rigoroso e capaz de mandar dois berros. Quando o via sorrir e fechar os olhos "à chinezinho", de tanto rir, era uma vitória. Sempre foi meigo, mas demonstrava-o através dos gestos, não através de palavras muito queridas ou através de sorrisinhos. Sempre foi presente e muito dedicado, mas sempre com expressão mais séria e severa. Há, portanto, algumas palavras simples que, vindas dele, me tocam num sítio mais profundo que quaisquer outras palavras ditas por qualquer outra pessoa no mundo. É como se fosse a pessoa que mais na vida preciso que tenha orgulho em mim e goste de mim - não o escondo.

Ora, a propósito do post do Dia do Pai, recebi um email dele que me deixou de olhos humedecidos. As palavras são simples e dirão pouco ou nada a quem ler, mas deixaram-me emocionada como só as palavras dum pai nos podem deixar. Foram elas:
Adorei.
Serei sempre assim.
Um beijinho muito grande, como aqueles (muitos) que encontrámos na praia, naquelas horas que passámos a procurá-los, e que muitos foram os que ficaram para sempre nossos.

E não sei se me emocionei com os beijinhos ou se emocionei por me lembrar das horas que realmente obriguei o meu pai a passar junto a mim, todos os verões, porque eu queria, por tudo, ter a maior colecção de conchinhas do mar de sempre. Queria fazer colares, e pulseiras, e brincos, e quadros com as conchinhas do mar. Nunca fiz nada, só as juntava. Mas, ano após ano, o meu pai lá me seguia, sem questionar, tarde após tarde, para junto do mar, sentava-se junto a mim e ajudava-me a juntar a maior colecção de beijinhos de sempre.
Beijinhos do mar (não sei se é o nome "oficial", mas
sempre chamei assim estas conchinhas)

O Sócrates é...

Complete a frase supra da forma que entender.

Vamos jogar este jogo? Sim?
Nunca fiz nenhum post aberto, e lembrei-me que podia ser hoje.
É que já lhe chamei tantas coisas nos últimos anos que fiquei sem palavras para falar sobre o tema...
Completem a frase do título da forma que entenderem, os comentários não são moderados, são vocês que mandam.


PS: B., também podes completar com declarações românticas. Já sei que, contra tudo e todos, o amas. Eu perdoo-te. Como disse no post anterior, sinto-me capaz de perdoar tudo às pessoas de que gosto. ;)

Até onde eram capazes de perdoar?

O Papa Francisco escolheu o perdão como tema para a celebração do seu primeiro Angelus. Segundo ele, tudo pode ser perdoado, "somos nós que nos cansamos de pedir perdão".

Religião à parte, dei por mim a pensar: até onde seria eu capaz de perdoar alguém? Em relação a pessoas que me dizem pouco, é difícil responder, porque, não significando muito para mim, também não iria significar muito um eventual afastamento. Imagino que seria difícil desculpar qualquer coisa de forma leviana. No entanto, quando se fala de pessoas mais próximas, o caso muda de figura. A verdade é que não imagino a minha vida sem as pessoas que fazem parte dela, sem as pessoas que me são mais queridas. E julgo que a minha capacidade de desculpar relativamente a este núcleo de pessoas não teria, portanto, praticamente limites.

Talvez por isso mesmo, há uns tempos, quando uma pessoa comentava comigo que as mulheres, por norma, são desleais entre si, disse-lhe prontamente que não concordava.
- Mas eras capaz de pôr as tuas mãos no fogo pelas tuas amigas?
- Sim, sem pensar duas vezes.
- De certeza? Olha que não devias.
- Mas sou.
- Porquê? As mulheres são desleais.
- Porque confio nas amigas que tenho. E até podia queimar-me, não sei, mas gostar de alguém é acreditar que isso não acontecia, certo?

Podia queimar-me, é verdade. Podiam ser desleais comigo. E quem diz as amigas, diz o homem dos meus sonhos ou até família. Podiam ser desleais. Podiam magoar-me e errar. Mas acho que se me pedissem desculpa de forma sentida, ia sempre desculpar. Podia afectar os meus sentimentos, podia ficar triste, desiludida e mais fria por uns tempos, mas o perdão ia ser sentido. Não sei se é falta de personalidade, ou se é demasiada crença nos outros, mas acredito piamente que estou rodeada de pessoas fenomenais, leais e de confiança. Confio cegamente neles. E, se um dia me magoassem e pedissem perdão, gosto de acreditar que conseguiria desculpar. O complicado seria desculpar o que fizeram a quem me é mais querido, pois tenho tendência para fazer minhas as dores dos outros.

E vocês, eram capazes de perdoar qualquer coisa? Quais seriam os vossos limites?

quarta-feira, 27 de março de 2013

Criei um monstro

Cheguei a casa. Entrei na sala, a disposição dos móveis estava alterada. De notar que ontem estivemos mais de três horas a alterar os móveis e a furar paredes, por isso não fazia sentido esta nova alteração.
Ele no sofá, a ver futebol e a sorrir-me, como quem está ansioso por partilhar algo.
- Notas alguma diferença na sala?
- Noto! O que fizeste?
- Reparei que a televisão não estava centrada na sala e cheguei o móvel para a esquerda.
(Atenção que eu é que costumo ser chamada de maníaca da simetria! Ele chateia-se por eu andar com a fita métrica e lápis atrás, a medir e a marcar tudo com cuidado - diz que sou demasiado perfeccionista e que temos que ser mais práticos.)
- Reparaste? Tu?
- Oh. Tu ontem comentaste isso e hoje não me conseguia concentrar a ver televisão, só reparava nisso.
Lindo. Lindo.
Estou orgulhosa do pequeno monstro da simetria que criei. Muito orgulhosa.
Vou ter com quem partilhar a minha fita métrica e lápis. Um orgulho, é o que é.

O sexo dos anjos

Vi ontem na internet, por indicação duma leitora, a reportagem da Tvi designada "O sexo dos anjos" e que se debruça sobre o despertar da sexualidade (em sentido lato) na adolescência. Entrevistam-se alguns jovens, uma psicóloga, um cirurgião plástico, pais e professores e aborda-se uma adolescência muito diferente da minha, pois, apesar de toda a informação já disponível, fui uma adolescente mais concentrada na escola e nas amigas que propriamente nos rapazes. Adorava sair com as minhas amigas e falávamos de rapazes, mas por curiosidade; debatíamos paixões, mas essencialmente platónicas; contávamos as nossas experiências, mas sempre com o namorado, pois nunca fomos de "curtir".

A reportagem revelou, por isso, uma adolescência nova para mim, apesar de não terem passado assim tantos anos desde que vivi a minha. Começa com um grupo de cinco amigas a arranjar-se numa Sexta à noite (até aí, igual). Vamos acompanhamos o início da sua saída: arranjam-se em frente ao espelho, com baton, lápis preto, pó, blush, unhas pintadas. No corpo, têm vestidos justos e curtos, grandes decotes. Aí começa a diferença principal, pois vivi uma adolescência "envergonhada" em termos de indumentária - tapava-nos todas muito. Nos pés, grandes saltos. Dizem estar cientes das roupas provocantes que têm vestidas. Referem as redes sociais: há quem as aborde para tomar um café, há quem as aborde apenas porque quer algo mais ou aqueles as querem apenas levar para a cama. Vão para um bar. Depois para outro. Dançam como quem tem plena consciência do seu corpo, realçado pelas roupas justas que escolheram. Sorriem. "Há animais que dançam para começar o acasalamento", diz a mais extrovertida do grupo, acrescentando, no entanto, que dançam apenas umas para as outras. Outra do grupo, até aí em silêncio, acrescenta ainda que um homem tem que saber dar prazer. Ora aí está uma frase em que o meu eu-adolescente jamais pensaria. Penso que estas adolescentes estão a anos-luz do que eu alguma vez fui na mesma idade.

De seguida, conhecemos Ana Carolina, 15 anos, Brasileira, vive em Portugal há um ano, em Palmela.
"Eu passo muita maquilhagem", conta-nos, justificando perante nós e perante si mesma o que a levou a ser gozada pelos colegas. Actualmente, faz publicidade a automóveis, por exemplo, mesmo não tendo idade para tirar a carta. Maquilhagem? 15 anos? Mil anos-luz da minha adolescência.

Pelo meio, discute-se a recente capa da Vogue com uma menina de 10 anos, completamente produzida e maquilhada. Não será nova demais?

Passamos para uma turma do 9.º ano, na Charneca da Caparica, onde os alunos aprendem mais sobre é um dos métodos contraceptivos masculinos, o preservativo. "As unhas podem rasgar os preservativos", explica a professora. De seguida, esclarece os mitos relacionados com o tema. Gosto da abordagem da professora, simples e descomplexada. Parece-me que se adequa perfeitamente à nova realidade destes jovens adolescentes.

Posto isto, uma breve análise sobre as redes sociais: fotos e vídeos íntimos. De acordo com o projecto "Aventura Social", 15% dos jovens estiveram envolvidos em provocações com recurso a novas tecnologias, um número assustador, no mínimo.

A imagem altera-se e conhecemos ainda a Patrícia Ribeiro, uma jovem que vai submeter-se a uma mamoplastia de aumento. "Gosto de sair e de... agradar". Concorda que vai ficar mais atraente, pois "ter um peito bonito é algo que agrada aos homens". O Dr. Ibérico Nogueira explica o fenómeno e diz que, em última análise, é a procura pela felicidade que as faz submeter-se à cirurgia. Fico a pensar que cada vez mais vemos jovens de 18 anos já com silicone e confesso que me faz alguma confusão, nessa idade, já pensarem tanto em agradar, não a si mesmas, mas aos homens.

Por fim, numa escola, os alunos de 14 e 15 anos falam da aparência, das músicas que ouvem, da beleza e da sexualidade. Fala-se também numa falsa igualdade entre os sexos: os rapazes podem ter muitas namoradas (são "chefes"), as raparigas não podem ter muitos namorados ("galdérias"). O contrário também acontece: eles são esquisitos, se têm poucas namoradas, mas elas vão ser vistas como "puras". Acho a análise engraçada, mas precoce, tendo em conta a idade que têm os ditos analistas.

No fim da reportagem, fiquei com a sensação de que estamos perante uma nova adolescência bastante mais consciente da sua sexualidade, uma adolescência mais precoce e "adultizada". Os tabus e as inibições parecem ter diminuído imenso desde o "meu tempo". No entanto, julgo que a esta reportagem faltará "o dia seguinte". Como ficarão todos estes jovens no dia a seguir a envolverem-se com alguém "só porque sim"? Ficará o sentimento de culpa? A solidão? Ser jovem sempre foi difícil. Mas temo que, com esta nova sexualidade tão precoce, as emoções e os sentimentos não acompanhem o corpo. Temo que, no dia seguinte, as emoções e as inseguranças típicas dos adolescentes venham ao de cima e que estes adolescentes se transformem crianças a precisar, afinal, de carinho. Ser jovem é difícil. Assim parece-me que será ainda mais...

Gosto de ti, Sofia - parte II

A Sofia Vergara foi ao programa da Ellen. Não sei se o programa é recente ou não, mas eu só o vi na Sic Mulher ontem. E apesar de, geralmente, fazer zapping mal vejo a Ellen - não costumo achar muita piada - ontem estavam a anunciar que a Sofia ia lá e decidi esperar uns minutos. Ainda bem que o fiz. O problema das mulheres muito bonitas e com corpos deslumbrantes é que, na maioria das vezes, habituaram-se a ser apenas um corpo e uma cara e descuraram o resto. Não se sabem rir delas mesmas, porque pouco há para rir. Habituaram-se a ter todos os homens atrás. Todas as mulheres desconfiadas. E todas as caras a voltarem-se quando passam.

No entanto, por algum motivo, a Sofia parece fazer-nos esquecer do bonita que é. Mais que reparar no corpo que tem, faz-me rir. Acho piada à forma como goza com assuntos que, por norma, as pessoas bonitas não gozariam. Assume que gosta do corpo que tem, mas fá-lo duma forma tão descontraída e descomplexada que desarma qualquer um. Leiam este diálogo e digam lá se não parece impossível vindo duma mulher como ela:

- Ficaste triste por não teres recebido o Globo de Ouro?
- Não. Eu já tenho os meus dois Globos de Ouro. Ia ficar mal com três.

- Quem se diverte mais, as loiras ou as morenas?
- As mulheres com mamas grandes.

Por norma, veríamos um homem vestido de mulher, com voz esganiçada, a ter este tipo de discurso. A Sofia consegue, todavia, ser a caricatura dela mesma. Gosto mesmo muito. Adoro pessoas que se sabem rir delas mesmas. Sejam bonitos ou feios, gordos ou magros, altos ou baixos. Diria que é das melhores qualidades que se pode ter.

terça-feira, 26 de março de 2013

Não digas... é pecado

Cresci com uma frase a acompanhar-me: "não se pode dizer palavras feias, é pecado". E eu, que até andei num colégio católico e fui sempre muito religiosa, ia cumprindo. Nunca dizia palavrões. Nunca. Não dizia mal de ninguém. Era pecado. Não se gozava com ninguém. Era pecado. Cresci assim e lembro-me de me confessar ao padre e dizer algo como "apeteceu-me responder torto no colégio", cheia de medo de arder para sempre nas profundezas do inferno, por tamanha transgressão.

Naquela altura, qualquer coisa era pecado para mim. Sei que não é típico da minha geração, da cidade em que nasci, nem tampouco do meio em que estava inserida - porque os meus pais não são católicos praticantes - mas eu auto-impunha-me esta disciplina rigorosa. Lembro-me que contava tudo ao padre (o que ele se deve ter rido à minha custa): "hoje olhei para a professora e pensei que ela estava mesmo gorda; vi um filme na televisão em eles davam beijos e viram-se as mamas dela; ando muito gulosa; não ajudei em casa; às vezes penso em palavras feias". Ou seja, os palavrões estavam no mesmo saco dos restantes pecados. E o pior é que o padre que me ouvia acenava, apenas, e chegou até a adormecer a meio da confissão. Não me ensinava grande coisa e eu saía de lá sempre igual.

Quando cresci, deixei de ter esta visão tão redutora do que era certo e errado. E começou a sair-me um "m..." a conduzir, por exemplo. A primeira vez que o disse junto da minha família, a minha irmã ficou escandalizada. De vez em quando sai-me uma palavra ou outra, mas se fizer um balanço geral, concluo que disse poucas vezes palavrões, durante toda a vida. Mas disse poucos palavrões, não porque ache pecado, hoje em dia, mas simplesmente porque não tem a ver comigo. No entanto, algumas das pessoas mais próximas de mim têm discursos cheios de calão e são das pessoas que mais me fazem rir, porque acabam por ter um vocabulário mais extenso e rico. Contam uma piada e utilizam o português todo, insultam alguém com todas as letras, e logo a seguir conseguem falar com educação, formalidade e delicadeza nos momentos próprios.

Já não vejo as coisas da forma redutora do "não digas que é pecado". Pelo contrário: apesar de ter um discurso muito certinho, acho piada a quem fale de forma contrária à minha. E vocês, que relação têm com os palavrões?

Miminhos

Ligaram-me dum número que não conhecia.
- Estou?
- Olá. (...) Queremos oferecer-lhe uma limpeza de pele e uma maquilhagem.
Fui bem educada pelos meus pais e aprendi que os presentes se aceitam e agradecem. Como a cultura popular nos ensina ainda que "a cavalo dado não se olha o dente", sorri, aceitei a marquei data. A data foi hoje. A hora escolhida foi a hora do almoço.

Claro que não há almoços grátis e o objectivo deste presente era dar-me a conhecer os produtos da marca (é a Clarins - mas não recebo por dizer este nome, ok?). Mas a verdade é que sou fã da marca há anos, por isso, na prática ia apenas receber um miminho duma das minhas marcas de produtos de beleza preferidas (e onde já deixei muito dinheiro, verdade seja dita), não ia propriamente vender a alma ao Diabo.

Lá fui para o El Corte Ingles, de cara lavada. À minha espera, tinha mil produtos que me sorriam e faziam sorrir de volta. Sentei-me. Fechei os olhos e deixei-me mimar. Limpeza, esfoliação (que não fazia há mil anos, para aí), tónico, máscara (fiquei cómica ao ponto duma velhinha passar e gritar "eu, que sou velha, é que precisava disso!!"), sérum, contorno de olhos, hidratação, BBcream. Não sei se a ordem foi esta, porque estava de olhos fechados, mas soube-me pela vida, ao ponto de me ter assustado quando olhei no fim para o relógio e vi que já passava das 14 horas.

Fiquei ainda saber que a minha pele, apesar de não ser seca, "come tudo num instante", o que apenas vem demonstrar que toda eu sou uma gulosa do piorio. No fim, fui ainda maquilhada de forma muito simples (apenas máscara de olhos, pó e baton) e senti-me mesmo uma princesa, ao ver-me ao espelho. Se pudesse, trazia a maquilhadora para casa, para repetir isto todas as manhãs. (suspiro).

Agora vão perguntar-me se, no fim disto tudo, comprei todos os produtos utilizados e deixei lá na marca um balúrdio, certo? Pois... hmmm... trouxe, sim. O pessoal do marketing destas marcas sabem aliciar-nos: oferecem-nos uns miminhos e queremos sentir-nos assim mais vezes, por isso queremos trazer os produtos connosco. Mas o irónico? Não trouxe para mim. Trouxe para o homem da casa, que foge dos cremes como o Diabo da cruz e eu quero iniciá-lo na hidratação (dito assim, soa a uma seita qualquer maluca, não soa?). Shhhiu. Não lhe digam nada, que é surpresa. ;)

Telempatia*

Ontem, ao contar a história da minha amiga V., expliquei que sentimos logo empatia mal nos conhecemos e que, talvez por isso, fomos ficando amigas ao longo dos anos, mesmo sem nos termos voltado a encontrar - apenas aconteceu três anos mais tarde. E o que é engraçado é que, agora que a conheço bem, percebo que ela tem realmente um 6.º sentido muito apurado e consegue sempre perceber, nos primeiros minutos, como é que a pessoa que está do outro lado é. Não sei se terá a ver com o facto de ser psicóloga, mas até hoje acertou sempre nas análises de personalidade que partilhou comigo.

Hoje, mesmo não sendo eu dotada da capacidade de análise que a V. tem, quero relatar novos casos de empatia recém sentidos, por pessoas a quem só conheço as palavras, nada mais, e quero também aventurar-me nas análises de personalidade. Na primeira parte, estou a roubar deliberadamente a ideia do Eduardo, no seu post de hoje (nem lhe pedi autorização, mas espero que me permita a ousadia). Na segunda parte, estou a (tentar) inovar. Pois então vamos lá a isto.

1. O Eduardo, do Romântico à Forca (ou não tivesse eu roubado a ideia dele). Tem sempre uma piada na ponta da língua e a verdade é que basta ver o nome dele nos comentários e já dou por mim a rir. Posso estar muito enganada, mas imagino que seja aquela pessoa que, à primeira vista, goza com tudo e parece levar as coisas na desportiva, mas que, na verdade se preocupa bastante com os outros e é afinal um marido dedicado e muito presente. Por norma, as pessoas que não se levam a sério são uma surpresa positiva, porque são sempre melhores do que querem dar a entender. Foi fácil sentir empatia, porque tem um sentido de humor super apurado, e conjuga-o com uma escrita impecável.

2. A Carolina, do Alguém que me cale. Diz que tem 23 anos. Pela maneira como escreve, eu dava-lhe mais. Fala do trabalho, do chefe tirano, do casamento que está prestes a acontecer, fala de forma apaixonada (mas sem sinal de lamechice, pois a Carolina parece ser muito prática) do namorado, fala de forma atenciosa do futuro sogro, fala da mãe, fala do futuro e das preocupações. A Carolina parece despachada e parece ser aquela pessoa que diz logo o que pensa sem grandes contemplações. Acho fácil sentirmos logo empatia por ela, porque assemelha-se àquela amiga que todos gostávamos de ter.

3. O Bruno, do Homem sem blogue. Consegue falar sobre tudo. E quando digo tudo, quero dizer que já pensei se ele não pegará no Dicionário, todos os dias, atirará o dedo à sorte para uma palavra e se não escreverá quatro parágrafos sobre essa palavra. Porque a verdade é que consegue desenvolver de forma exímia qualquer assunto, num verdadeiro Prós e Contras blogosférico. Não sei como tem tantas ideias, o blog não pára há quase um ano e os posts parecem pipocas a estalar quentinhas! Diz que é jornalista. Eu não sei como lhe sobram tantas ideias, depois dum dia a escrever. É daqueles casos em que só pode ser "natural" nele - nasceu para escrever. Deve ser aquele amigo que ganha os debates todos.

4. A Suricatte. Fala do seu MorMeu e das filhas com uma ternura tão grande, tão grande, que imagino que seja a amiga-mamã, aquela amiga a quem pedimos conselhos sobre tudo, com quem nos abrimos e que nos faz um bem imenso à alma.

5. At last but not least, o Ricardo, d'O Arrumadinho. Não comenta muito outros blogs, mas quando o faz, demonstra um lado diferente do que é exposto no blog dele: um lado mais engraçado, com sentido de humor e mais relaxado. Acaba por ser um pouco de tudo o que escrevi nos pontos anteriores: consegue discutir qualquer tema (sendo que, ultimamente, tenho gostado muito de ler o que escreve sobre assuntos mais "sérios", como a política e a sociedade) numa escrita impecável e fluida, parece ainda ter um lado apaixonado e ternurento, sabe cozinhar, adora o lado bom da vida (viagens, restaurantes, concertos, música, cinema, livros,...), é um desportista nato, gosta de correr e tem há pouco o Manolo, um cão que parece um castiço. Deve ser aquele amigo tão completo que os restantes agradecem o facto de já estar casado - é menos concorrência.

PS: Queria também falar na 100manias. Dizer que me consegue fazer rir às gargalhadas. Que é super leal e amiga do amigo. Só que, neste caso, a empatia que sinto é real e não se fica pelo blog, por isso não seria justo - a análise que faria seria com total conhecimento de causa, ao contrário dos outros casos. ;)

* De acordo com o "Eduardicionário":
(tele- + empatia) 

s. f. Forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa que se encontra à distância ou que não se conhece pessoalmente.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Amigas (im)prováveis

Brasil, 2005. Primeiro, Maceió. Depois Porto Galinhas, com visita a Recife e Olinda. Por fim, Pipa e Natal. Quinze dias que tinham tudo para ser perfeitos. E foram: estava com duas grandes amigas no paraíso, não podia pedir muito mais. Praia, banhos na lama, sky bunda, passeios de barco, snorkeling, viagens de buggy nas dunas, festas na praia, festas em ilhas privadas, caipirinhas, caipifrutas, muito marisco (na altura baratíssimo), muito Sol. As fotos dessas férias comprovam a alegria que sentíamos. Mas, mais que o bronzeado - que durou quinze dias -, mais que as compras ou as fotografias, ganhei algo especial.

Mantive as amigas que tinha e ganhei outra. A V. viajava com outro grupo, mas começámos a falar a meio da viagem, já não sei bem como. Tínhamos um autocarro que nos transportava de cidade para cidade e a conversa lá surgiu. No final da primeira semana, já éramos todos amigos. No final da segunda, inseparáveis. Mas o melhor foi que, após essas férias e mesmo com 300 e tal quilómetros a separar-nos, fomos mantendo o contacto: primeiro o Messenger, depois o telemóvel. Íamos contando tudo uma à outra, apesar de não nos vermos presencialmente nunca.

O engraçado? Três anos depois, encontrávamo-nos novamente no aeroporto da Portela para rumar a Cabo Verde, juntamente com a minha irmã. Amigas como se nos víssemos todos os dias! Uma semana em que comemorámos os aniversários das duas (em datas muito próximas). A Ilha do Sal pode não ser tão interessante como o Brasil, mas é a pouco mais de três horas de Portugal, as viagens têm preços mais acessíveis, a temperatura é quente quase todo o ano, a água é quentinha e a areia branca.

Lá estivemos quase uma semana a conhecer o cemitério dos búzios, as crateras vulcânicas com piscinas de sal natural, a Buracona, o Pirata, entre outras atracções. No fim, despedimo-nos e foi cada uma para a sua cidade. Até que o destino quis que, passado uns meses, vivêssemos na mesma cidade (eu fui para lá trabalhar) e passámos a estar mais vezes juntas, como as amigas ditas "normais". No ano seguinte, nova viagem para o outro lado do Atlântico, dessa vez as duas a rirmo-nos por termos tido coragem de marcar, um ano antes, no aeroporto da Portela sem nos conhecermos propriamente nos termos comuns. Acho que o que nos uniu foi esse lado meio maluco de acreditar plenamente nas pessoas e que é possível sentir logo empatia por alguém, e o gosto enorme por viagens.

Hoje a minha amiga V. está novamente do outro lado do Atlântico a comemorar o aniversário, de volta ao Brasil, mas agora no Rio. Invejo-lhe a sorte e tenho pena de não a ter acompanhado este ano. De qualquer maneira, sei que havemos de viajar juntas muitas mais vezes. E apagar juntas mais velas.
Desejo-te um aniversário muito feliz, V.!! E vai pensando no próximo destino...
Fui buscar esta foto ao fundo do baú. Tem 8 anos, já. Sinto-me velha. 

A minha dieta

Há um ano, depois de entrar nos trinta e de ver fotografias minhas na praia, de bikini, com apenas vinte anos, dei por mim a pensar que, por muito que a balança não tivesse acusado grandes variações aos longo dos anos, o que era certo é que eu tinha vindo a pesar mais e mais, de forma discreta e progressiva. Se, ao entrar na faculdade, pesava uns 56 kgs, doze anos depois pesava 63 kgs. Foi tão subtil que nem fui dando por isso. A verdade é que a minha roupa dessa altura (skinny jeans incluídas) ainda me servem, por isso fui dizendo a mim mesma que estava sempre igual. Mas não estava. E as fotografias que encontrei diziam-me isso mesmo. Na altura, fazia imenso desporto: dançava, ia ao ginásio, jogava ténis, nadava aos fins-de-semana, fazia abdominais em casa, andava muito a pé. E ao ver as fotografias fico irritada, e apetece-me gritar à miudinha tímida da foto: "Tens um corpo perfeito!! Endireita as costas e ganha confiança!!". Sim, porque não tinha noção da barriga lisinha que tinha e achava-me gorda e mal feita, nessa altura. Estúpida e mal agradecida.

Pois então, há um ano, depois de perceber que, se continuasse assim, ia chegar aos quarenta anos com 70 kgs (!!), decidi que ia consultar uma nutricionista e mudar para sempre os meus hábitos de alimentação. Tinha lido no blog da Maçã que esta tinha ido recentemente a uma nutricionista e que estava super contente, porque, sem passar fome nem medicamentos, tinha emagrecido realmente pela primeira vez na vida. Teceu-lhe mil elogios e eu fiquei super curiosa, por isso lá lhe mandei email ou mensagem no Facebook (já não tenho a certeza) a pedir o contacto da tal nutricionista. Foi-me prontamente facultado e, uma semana depois, lá estava eu a visitar a Dra Mariana Abecasis.Tudo o que tinha lido no blog da Maçã confirmei. Encontrei uma nutricionista que, além de lindíssima, simpática e acessível, se tornou quase uma amiga e uma confidente. Fazia-me bem ir às consultas, saía de lá cheia de força de vontade e motivação. Falámos em pequenas alterações de hábitos, muito simples, que podiam fazer toda a diferença. Fizeram. Fui lá umas seis vezes, tendo sido a última em Setembro. Pelo meio, ainda aconteceu, por coincidência, encontrarmo-nos duas vezes no supermercado ao pé do meu escritório, ambas na secção dos legumes. Parecia que era fiscalização dos meus hábitos! Foi de rir. Em Setembro, pesava menos uns kgs, mas - mais que isso - tinha os níveis todos alterados, tinha perdido imenso volume e tinha muito menos massa gorda. Mais que os 4kgs a menos, o meu corpo estava dez vezes melhor.

No entanto, um ano depois, reparo que tenho negligenciado estes pequenos truques e esqueci a força de vontade. Este fim-de-semana pesei-me e assustei-me. Até que recordei o que tinha comido: McDonald's na Sexta, pizza Sábado, gelados, chocolates, amêndoas de Páscoa, o "melhor bolo de chocolate do Porto", mais bolos, batatas fritas. Acabou. Acabou. E estou a escrever isto no blog, porque preciso de assumir um compromisso público: estando escrito, sei que vou cumprir. Voltei a lembrar-me de todos os ensinamentos da Dra. Mariana e vou voltar a cumprir. Preciso da vossa força, ok?

E desse lado, mais alguém é um alarve como eu?

domingo, 24 de março de 2013

A tradição ainda é o que era

Diz a tradição que hoje, Dia dos Ramos, os afilhados devem oferecer um ramo aos seus padrinhos. Assim sendo, fui procurar o ramo perfeito para a minha madrinha. Acabei por me decidir por um vaso, sempre dura mais. E a verdade é que estas flores fizeram alguém sorrir hoje, já valeu a pena.
Gosto de manter estas tradições!
E desse lado, também têm ainda estes hábitos? :)

sábado, 23 de março de 2013

Eu ou nós?

Crescemos a aprender o que é a individualidade. Eu quero ser isto quando crescer. Eu quero. Eu posso. Eu. Até que um dia conhecemos alguém. E o "eu" passa, de mansinho, a um "nós". "Onde vamos jantar hoje?". "Achas que vamos ser felizes?". Passamos a ser um plural. O plural que seria, à partida, mais instável, porque há que aprender manter o equilíbrio entre a individualidade de cada um e o bem comum. O que é bom para cada um é bom para o casal? O que é bom para o casal é o ideal para cada um? Decisões. Tentar diminuir o egoísmo que é característico de cada um e assumir uma crescente preocupação pelo outro. Ser adulto é isto, não é? É pensar na outra pessoa, é caminhar a quatro pés, é decidir a duas cabeças e agir a quatro mãos.

E sabem que mais? Gosto de ser adulta. Gosto do conforto do "nós". Sou a única?

(E acrescento que nunca pensei vir a dizer isto.)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Ciúmes

Ele cada vez anda menos ciumento.
Eu sei que ninguém está bem com o que tem, mas irrita-me.
Quase todas as minhas amigas se queixam dos ciúmes da cara-metade e eu penso se terei alguma coisa de errado*.
Espero só que seja sinónimo de "não-faço-asneiras-por-isso-confio-que-também-não-fazes".
Porque, a ser assim, dou o caso por encerrado. ;)

Bom fim-de-semana!!

*Por "errado" quero dizer que penso se estarei mais feia ou gorda e se ele acha que os homens não olham. É que até estou mais magrinha!!

Os homens e a dança

Revi aqui há uns dias o filme Hitch - A cura para o homem comum. Não é um filme hilariante ou brilhante, mas tem momentos engraçados e que marcaram de alguma forma, como a parte em que uma das personagens, um homem baixote e gordinho, começa a dançar e o Hitch, terapeuta do amor, ensina-o que se trata de algo que um homem não pode fazer. Há depois uma cena em que o dito gordinho, um tal de Albert, começa a dizer o que significam os passos:
"Do the Q-tip! Q-tip! Now throw it away! Now what am I doing? I'm makin' a pizza!"
E o Hitch responde-lhe apenas, depois de lhe dar dois estalos na cara: "Don't need no pizza! They got plenty of food there".

Isto para dizer que, de acordo com os entendidos, um homem não deve dançar demasiado. Deve apenas mexer-se com elegância e contenção ao som da música. No entanto, se falarem com qualquer mulher, a maioria vai dizer o contrário: um homem quer-se com ritmo, com capacidade de nos agarrar e arrebatar ao som da música. A questão é que poucos conseguem fazer isso sem cair na pirosice ou no exagero. A questão é que poucos o fazem na proporção certa, com masculinidade e segurança. Nesse filme, por exemplo, um homem só podia dançar horrivelmente mal ou não dançar de todo - e o melhor seria, portanto, não dançar.

Mas... e se for na tal dose certa? Se agarrarem em vocês, vos encostarem ao seu corpo, vos segurarem a nuca com ousadia e mostrarem que podem confiar nele e deixarem-se levar?
Um exemplo de passos de dança que seriam errados, mas que até conquistaram a boazona do filme.
(sim, porque eu prefiro a Amber Valetta à Eva Mendes!!!!!!)

Atraio "pessoas diferentes"*

Toda a vida foi assim. Podia contar mil histórias. Podia contar até mais. Mas vou poupar-vos e contar só duas.

1. O professor de guitarra. Julgo que já disse aqui que, depois de ter tocado piano uns anos, resolvi experimentar aulas de guitarra "para ver que tal" e porque era mais "cool". Além do mais, a minha amiga B. também andava nas aulas, e nem ia custar aprender. Na minha cabeça, ao fim de duas semanas de aulas, íamos estar numa praia, no final do dia, rodeadas de trinta amigos, com uma fogueira, e todos a cantarmos super animados ao som dos acordes das nossas guitarras (tocadas de forma exímia por nós, claro). Na minha cabeça, tocar guitarra era facílimo - era só mexer a mão como quem bate claras em castelo e tocar meia dúzia de acordes alternados. Na minha cabeça, íamos surpreender tudo com o nosso estilo de guitarristas "cool" e descontraídas, e ia ser o Verão mais divertido e espectacular de sempre. Os meus pais foram contagiados pela minha certeza e deram-me logo uma guitarra clássica. Big mistake!
A realidade foi muito diferente. O que aprendemos naquelas aulas foi que as testemunhas de Jeová são enviados da CIA para controlar os nossos passos. As Bíblias nos hotéis têm microfone dentro para nos controlar. Aprendemos também que a CIA planeava colocar localizadores nos telemóveis para seguir todos os nossos passos e controlar o mundo (uhhh). É possível controlar alguém através da mente se olharmos fixamente para o "terceiro olho" - não sejam perversos - que se encontra situado na testa, na zona central. Aprendemos isto tudo e muito mais.
Mas se me perguntarem como se faz um acorde de Sol maior ou um Dó menor na guitarra... Não sei responder, porque para isso não houve tempo, nestas aulas.

2. O dono do restaurante onde vou algumas vezes com os meus pais. No outro dia, apanhou-me sozinha e veio explicar-me algumas coisas que, com certeza, me andavam a passar ao lado, mas que "os jovens têm que saber".
E então o que é que me explicou? Que as previsões de mau tempo para o fim-de-semana que, sucessivamente, ouvimos/lemos, são obra de.... txaraaan!... dos Bancos!! Os Bancos precisam de controlar o consumo e, portanto, pedem ao Instituto de Meteorologia que divulgue sempre mau tempo ao fim-de-semana. Na verdade, nem sempre está mau tempo. Nós é que somos levados a acreditar que sim.
E agora vou terminar com este post para pôr um pouco de protector solar, porque este Sol está a queimar demais. Sim, não acreditem no que lêem. Estão 36.ºC aqui, ok? ;)

*Para não dizer "malucos", que podiam considerar ofensivo. Mas são malucos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ajuda-me, se és homem.

Basta vaguearmos um pouco pela blogosfera e percebemos que o mal é comum: poucos homens ajudam em casa. Poucos dividem as tarefas ou fazem mais para além de comer o que as mulheres lhes dão ou levar o lixo. É uma queixa recorrente nas mulheres: "ando desesperada, ele não faz nada para me ajudar!!"

No meu caso, não me posso queixar muito, mas talvez porque eu própria sempre fui um bocado homem nisso. Nunca fui a verdadeira fada do lar, com grandes pratos todos os dias à mesa, flores recém-cortadas numa jarra no centro da mesa, saborosos sumos de frutas naturais que comprei antecipadamente, sobremesas de cortar a respiração, tudo bonito e pronto para receber a Caras numa sessão familiar. Não. Nunca fui essa mulher. Se já viram as Donas de Casa Desesperadas, eu sou a Susan, digamos assim - para aqueles que nunca viram, é a menos prendada. Talvez por isso, Mr C. (para não chamar sempre "ele", que já me cansa) começou desde cedo a ajudar-me, a dar dicas para o jantar, sugestões ou até a ir ao supermercado.

Atenção: começou desde cedo a ajudar-me, mas não é o homem perfeito. Não! Só cozinhou uma ou duas vezes desde que o conheço (sendo que uma delas até foi registada aqui no blog). Quando arruma a cozinha, tem nojo de tocar no esfregão da loiça. Tem nojo de tocar em pratos de comida, pega com ar de absoluto terror e põe na máquina de lavar a loiça a suster a respiração. E tão-pouco repara se não se varreu ou se não se passou um pano na banca ou na placa do fogão. De qualquer maneira, participa e acompanha-me para onde, quando estou a arrumar ou a cozinhar. Se quero aspirar a casa, pega no aspirador e adianta-se. Sabe lavar a roupa, separar por cores e até já deu uns toques no ferro de engomar. Tudo em regime auto-didacta, sem que eu tenha pedido ou dado dicas. O rapaz até se desenrasca nisso, apesar de também não ser o "fado" do lar.

Agora o que me leva a escrever hoje é querer saber como é nas vossas casas. Contem-me: quem faz o quê? Dividem tarefas? Têm vontade de insultar a sogra, porque não o educou atempadamente? Ou são uns fados do lar? Se sim, como conseguiram? Mais: como é que acham que se consegue pôr um homem a arrumar mais em casa? Quero saber tudo. :)

PS: a ideia é dizerem todos, em uníssono, que os vossos namorados, maridos vos ajudam em tudo, para poder esfregar na cara dele, aqui em casa, que afinal ajuda-me pouquíssimo! ahah

Tiro ou não tiro?

Tenho um sinal na cara desde muito pequena. Já nem reparo nele, quando me vejo ao espelho, porque anda cá há realmente muitos anos. No entanto, há uns tempos, a ouvir alguém falar de sinais perigosos, decidi marcar consulta num determinado dermatologista supostamente para cima de espectacular. Um daqueles médicos tão concorridos que é preciso marcar consulta com séculos de antecedência. Lá fui eu mostrar o meu bebé, para confirmar que estava de saúde e não íamos ter que separar-nos.
- Então o que a traz cá?
- Este sinal.
- O que tem? Não gosta dele?
- Gosto.
- Então porque veio cá?
- Hmmm... Confirmar que não tinha que o tirar.
- Mas se gosta dele, ia tirá-lo porquê?
- Peço desculpa pela minha ignorância, mas tinha ideia que alguns sinais eram perigosos e tinham que ser removidos.
- Esse sinal parece-lhe perigoso?
- Bem... (a tentar conter o riso). Nunca fez nada que eu achasse perigoso.
- Cresceu, mudou a cor, dói-lhe?
- A tudo respondo "não".
- Então é uma porcaria. Pode ficar com ele. E olhe que fica-lhe bem.
Saí de lá num misto de irritação e vontade de rir com a situação. Só que ultimamente dou por mim a pensar nisso novamente. Tenho medo que um dia o sinal cresça e fique feioso, como vemos nalgumas velhinhas. É por isso que ando a pensar tirá-lo.

Se fossem vocês tiravam?
Gostam de ver pessoas com sinais na cara ou acham feio, horrível?

A cultura serve-se à mesa.

Fomos jantar fora com a família dele e falávamos de cultura a propósito de uma determinada prova nacional de cultura geral que se aproximava. Discutíamos o conceito de "cultura geral" e o que era para cada um de nós: para uns, a capacidade de se conseguir debater diferentes temas e áreas do conhecimento com igual destreza, mas dependente de muita leitura de jornais, revistas, livros, e acompanhamento de notícias. Para outros, era a capacidade de debater áreas diferentes das nossa área de estudo, desde as ciências às artes, desporto, geografia ou religião independentemente de terem sido estudadas ou não. Todos concordámos que era um conceito diferente da inteligência, mas que a inteligência fazia a cultura sobressair.

No fim deste pequeno debate, ficámos todos entusiasmados e começámos a testar os conhecimentos uns dos outros, através duma aplicação para o telemóvel com perguntas.
- O que têm em comum Rodrigo de Freitas, Manuel Bernardes, José Falcão e Vergílio Ferreira?
- Qual é a maior ilha do mundo?
- O que têm em comum Franz Kafka, Castro Alves, Álvares de Azevedo e Frédéric Chopin?
- Esta bandeira é de que país?
- E esta?

Empancámos na última bandeira e não havia meio de adivinharmos. Qual seria? Subitamente, os cafés chegaram. Nem me tinha apercebido que já os tínhamos pedido, tamanha era a concentração no jogo. O empregado era novo, vinte e poucos anos. Cara de poucos amigos, costas tortas, talvez cansado do dia.
- Por acaso não sabe que bandeira é esta, pois não?, perguntámos-lhe já desesperados.
- É do Equador, respondeu ele, sempre com ar de mal-encarado.
Pegou no tabuleiro e saiu, sem acrescentar mais nada.

Fomos ver as respostas. Estava certo. Era o Equador. Não é que o raio do rapaz mal-encarado, em dois micro-segundos fez-nos ver a todos o que era cultura? Calou-nos a todos. Desligámos o jogo. Estão a imaginar o "Bom Rebelde"? Para mim, foi um verdadeiro momento Bom Rebelde. Às tantas está mesmo ali escondido um geniozinho. Acho que vamos lá jantar brevemente para o confirmar.

Canção do engate para maiores de 18!

Admirava imenso o António Variações e o facto de ter vivido tão à frente do seu tempo. E sempre gostei muito da voz do Tiago Bettencourt e da interpretação que dá às músicas. Esta versão da "Canção do Engate" que agora junto já me tinha conquistou.
No entanto... (Há sempre um "mas" quando se começa rapidamente com elogios, não é? E este post não é excepção.) Ora, no entanto, parece-me que a dicção do Tiago desta vez não é a melhor, principalmente no refrão, e pode levar a que se entenda a letra da música da forma errada. Se assim não é, expliquem-me porque é que ouvi ontem, no elevador do shopping, uma miúda com ar angelical e ternurento, de mãos dadas com a mãe, a cantar, muito convicta, o seguinte refrão: "Vem-te amor, não é o tempo, nem é o tempo que o faaaaaz! Vem-te amoor, é o momento em que eu me dou, em que te dáaaas".
A mãe, atrapalhada, explicava.
- Maria, é "vem quiúuuuu aaaamor".
- Não é, mamã!! É "veeem-taaaaamoooor"
O elevador ficou suspenso num silêncio mais frágil que uma loja de porcelanas a ser visitada por uma excursão de elefantes. Eu sorria para a miúda, a tentar disfarçar que estava perdida de riso.
- Maria, cantas como eu digo e acabou a conversa.
- Ohhhh. O que tem como eu digo?
- Maria, acabou a conversa!
Vim para casa com a sensação que foi pior a emenda que o soneto. A esta hora estará a miúda a cantar aos gritos na escola a sua versão da versão da Canção do Engate. Boa sorte!! É o que lhe desejo.
E agora se puderem oiçam a versão original da música cantada pelo Variações. Reparem lá na pausa diferente e ponderada que faz no refrão. ;)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Conquistaste-me com um olá

Detesto quando isto acontece: tiramos uns minutos, vamos tomar um café descansadas, a meio do dia. De repente, olhamos e vemos alguém da faculdade, a fazer o mesmo que nós, a tirar uns minutos a meio do dia. Pela segunda vez seguida em pouco tempo.
- Olá, por aqui? Temo-nos visto muitas vezes.
- Hmm... é a segunda, respondi. E logo disse a mim mesma que tenho urgentemente que repensar a minha capacidade de fazer conversa de circunstância.
- Estás boa?
- Sim, obrigada. E contigo, também está tudo bem?
- Sim. Estou a almoçar.
- Às 5h? Grande almoço, saiu-me. "Cala-te! Cala-te! Cala-te!", gritei a mim mesma.
- É. Temos que combinar alguma coisa um dia destes.
- Pois. beijinho
- Beijinho

Perdi a capacidade de fazer conversa de 2 minutos. Totalmente. Perdi-a e não faço ideia onde a meti. Ou se alguma vez a tive realmente. Estava com duas amigas quando o "episódio" - chamemos-lhe assim - ocorreu e dei por mim a constatar que tanto uma como outra são pessoas exímias na arte de conversar com qualquer pessoa. Tanto uma como outra decoram caras e nomes. Sorriem de igual forma quer conheçam bem ou mal quem está do outro lado. Sabem arranjar um tema apropriado de conversa. Sabem sorrir com vontade. (Um dia destes tenho que lhes dizer que acho isto delas.)

Eu? Com a idade perdi a paciência. Mas não gosto de ser assim. Não gosto mesmo. Não gosto de encontrar alguém que não me diz nada e não conseguir forçar os meus lábios a esboçarem um sorriso feliz. Detesto perceber que não estou a sorrir com vontade. Detesto perceber que não consigo soltar uma gargalhada quando não acho grande piada. Até porque adoro estar com pessoas mais efusivas. É uma alegria que nos contagia. Eu só consigo fazer conversa se tiver tempo e souber que a conversa vai ter um princípio, meio e fim. A ideia de ter o tempo contado tira-me a imaginação, a descontracção e a espontaneidade. Passo por alguém na rua e não consigo lembrar-me de mil temas de conversa. Não consigo ser divertida e espectacular. Se me perguntam se tenho novidades, digo sempre "tudo igual" e sigo. A verdade é que penso, de mim para mim: "se quisesses saber o que realmente se passa na minha vida eras meu amigo e já sabias, certo? não ias saber em conversa de rua."

As mulheres, a maquilhagem e os namorados

Estava eu a vaguear por sites de jornalismo reconhecido internacional, quando me deparo com esta notícia: aqui (ok, talvez não seja um site de jornalismo, mas sim um site de uma revista feminina portuguesa... apanharam-me!). De acordo com a mesma, 80% das mulheres não deixa que os namorados as vejam sem maquilhagem.

Para evitar que os namorados as apanhem como vieram ao mundo, isto é, com a cara lavada, diz o mesmo estudo que algumas mulheres acordam sorrateiramente antes dos seus mais-que-tudo e vão colocar um pouco de maquilhagem antes. Acredito que, depois disto, voltarão para a cama no mesmo modo sorrateiro com que saíram e, só então, acordem "oficialmente". A maioria das mulheres sondadas no estudo revela ainda sentir-se nua se não estiver maquilhada e um terço admite até que mesmo para ir ao ginásio não abdica de um pó, um blush ou uma máscara para os olhos.

E achei o estudo interessante, até porque, por coincidência, discuti este assunto no último Sábado.  Estávamos nós a passear a nossa cadela-tosquiada-e-perfumada-mais-dondoca-que-a-dona, eu cheia de sono, cara lavada, sem maquilhagem e encontrámos uma amiga nossa por acaso. Diz-me ela a dada altura:
- Pippa, que vergonha encontrar-vos com esta cara.
- Que cara?
- Estou de cara lavada, nem pus nada antes de sair de casa. Estou com uma cara...
- Eu também estou! Estou completamente solidária.
- Mas em ti não se nota!
- Em ti também não.
- Nota, nota...
- Não nota!
- Em ti é que não se nota nada.
Até que ele, já certamente já cansado de nos ouvir discutir o mesmo tema, tenta calar-nos:
- Em vocês não se nota praticamente a diferença de estarem maquilhadas ou não, ficam quase iguais!
Mas foi pior a emenda que o soneto. A nossa amiga quis detalhes.
- Mas como assim? Explica!
- Primeiro, vocês nunca se maquilham muito. É uma diferença muito subtil. Depois, têm as duas uma pele boa, não se apanha nenhum susto ao ver-vos sem nada. E depois, têm as duas bom aspecto sem nada, não enganam ninguém quando se pintam, no dia-a-dia.
- A sério? Que fixe!
Ela ficou toda derretida. Eu concordava totalmente que ela era naturalmente bonita, por isso só achava estranho ela não ter essa noção.

Passado um pouco despedimo-nos e vínhamos os dois no carro embora.
- Achas mesmo que eu fico bem sem maquilhagem? É que sinto-me nua. (faço parte da maioria, portanto.)
- Claro! Já te disse mil vezes!
(Disse, é verdade. Mas às vezes gosto de me fazer de esquecida.)
- Mas não fico muito mais branca, com os olhos pequeninos, de rato de esgoto?, insisti.
- Não. Ficas quase igual, ficas gira na mesma. És bonita ao acordar. Sempre te disse isso. Nem precisas de te maquilhar, quase, só se for para realçar o bonita que és.

Nesse dia, o mesmo homem conseguiu elevar o ego de duas mulheres, sem saber. É que, passado um bocado, estava a minha amiga a escrever-me:
- Ganhei o dia! Ainda por cima estava deprimida, por isso é que saí de casa.
- Vês? E encontrámo-nos sem combinar nada.

Não admiti na altura, mas o que é certo é que também eu ganhei o dia. É que chamarem-nos bonitas quando estamos com cara de rato de esgoto eleva o espírito a qualquer pessoa! E sim, eu sou daquelas mulheres que chegaram a pôr pó antes de irem ao ginásio. Foi já há uns anos, mas aqui me confesso. Não se repetiu, mas fiz. É que, digam o que disserem, quem é bonita pode ser bonita sem maquilhagem, mas um homem vai ser reparar mais numa mulher se estiver com uma cor saudável (pó e/ou blush), um olhar à BettyBoop (máscara) e uns lábios chamativos (baton). Depois pode gostar dela ao natural, mas reparar nela, no meio dum mar de mulheres... é outra história!

Concordam? Fazem parte da maioria do estudo?

terça-feira, 19 de março de 2013

Estou mais velha, mas menos dinossaura

Depois de mil desabafos sobre ter um telemóvel pre-histórico, em total contra-corrente com a disseminação dos gadgets de ultima geração,... alguém se cansou e decidiu calar-me para sempre. Conseguiram! Nunca mais falo desse tema.

Em compensação, continuarei a falar sobre os milhares de restantes temas! Achavam que se iam livrar assim tão facilmente de mim? Pelo contrário, agora vou ser omnipresente. Muahahah ;)

Obrigada pelas mensagens! Espero do fundo do coração que estejam a ter um dia tão feliz como o meu.

Querido, papá

Como estás?

Está na altura de dar o devido valor ao teu dia. O valor que, infelizmente, nunca dei. E ambos sabemos porquê... Tiveste algum azar com o que aconteceu no teu dia, porque, depois disso, ficaste sempre em segundo plano, não foi? Desculpa. Hoje quero rectificar isso.

Bem, ainda não falei contigo hoje, mas imagino que o teu dia terá começado contigo a acordar cedíssimo, sem sono, e cheio de energia, como é usual. Nunca vi ninguém com um ritmo tão acelerado logo antes das 8h. Aposto que foste já comprar o jornal, o pão quentinho à pastelaria, começaste já a pensar no que farás no fim do dia - se vais jogar ténis ou andar de bicicleta - e preparaste depois o pequeno-almoço. Se a mamã teve sorte, foi brindada com um sumo de laranja natural - ai que saudades que eu tenho de acordar ao som da máquina de fazer sumo, era sinal dum acordar perfeito e fazia-me sonhar com um homem que um dia fosse capaz de me mimar como tu.

Depois, terás ido trabalhar, e lançar o teu charme, e imagino que, no final do dia, vás buscar o bolo que encomendaste para comemorar tudo o que o dia de hoje significa. Vamos jantar juntos e vais contagiar-nos com a tua energia e com a tua necessidade de planear tudo. Quando dermos por ela, durante o jantar, já vamos estar a falar das férias de Verão, tenho a certeza. E vais perguntar, pelo menos dez vezes, se o jantar está bom e se aprovamos o bolo que escolheste. És um bocado monopolizador nas conversas, mas sei que não é por mal, até porque te preocupas connosco.

A verdade é que até te preocupas demasiado connosco e eu cresci a achar que isso era o normal. Passaste tardes sentado ao meu lado a ensinar-me a pintar. "Não saias do risco. Cuidado. Issooo... Agora pinta sempre na mesma direcção. Muito bem!! Cuidado. Isso, olha que beem." Fizeste de mim a pessoa perfeccionista que sou hoje. Sentavas-te comigo a desenhar, a ensinar-me a perspectiva, a ensinar-me a usar os lápis certos, a corrigir cada pequeno detalhe. E contigo ganhei o gosto pelo lápis e pelo desenho. Não segui arquitectura por um triz. Levavas-me contigo para todo o lado. Conversavas comigo como se fosse adulta. E, se estava doente (fui uma criança muito doentinha, não fui? com as malditas crises de bronquite e asma), ficavas toda a noite sentado a olhar para mim. Eu achava aquilo normal. E acreditava que todos os teus pais seriam como tu. Cresci a acreditar que todos os pais conseguiam construir uma cama em madeira para a nossa boneca preferida. Que todos os pais conseguiam pegar num papel e desenhar o que quisessem. Ou construir um pássaro. Ou um avião - sim, fazias magia com uma folha de papel. E cresci contigo a dar-me um beijinho na "covinha do nariz" para dormir, depois de a mamã me ter lido religiosamente alguma história. E eu dormia. "Boa noite", respondia com a minha voz anasalada e cheia de mimo - sim, há gravações da minha voz.

Cresci a chamar-te Pai Herói. A mamã diz que era por causa duma telenovela - até podia ser - mas eu sentia-o como sendo o "teu" nome. Eras o meu Herói. Eras capaz de tudo. De construir aviões. De curar todas as minhas crises de asma. De me fazer sentir invencível. De responder a todas as minhas dúvidas. E ainda hoje confesso que sinto o mesmo - que não há problema que não consigas resolver. Porque, apesar de muitos anos terem passado, algo se mantém: a tua perseverança, capacidade de persuasão e argumentação. Consegues sempre tudo o que queres, e adorava que um dia me dissessem que nisso saí a ti.

E a verdade é que até dizem muitas vezes que saio a ti. Sabias? Dizem que sou perfeccionista como tu. Que sou impossível quando bato numa tecla, porque só desisto quando ganho a discussão. E fisicamente, claro, também comentam. Mas com a nossa cor de pele e cor de olhos era impossível não comparar, certo? Além de que até a "borboleta", aquela marca de nascença, temos iguais. Querias mais semelhança?

Papá. Herói. Meu Pai Herói. Ao longo dos anos, nunca dei o devido valor ao teu dia. Sei disso. Desculpa. Desculpas? Mas sabes que não escolhi nascer neste dia. E não escolhi tirar-te o protagonismo. Sei que dirás que o meu nascimento foi o maior presente que te podia ter dado neste dia, mas essa parte não dependeu de mim. Esta carta e dizer-te o quanto significas para mim dependem. Obrigada por tudo. Tem um óptimo dia!

beijinhos,
a tua filha.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não vale a pena forçar o amor

Faz-me impressão ver a minha pobre cadela com o cio, a arfar contra o braço dele como se não houvesse amanhã, a apaixonar-se a cada dia. Vai daí, quando estávamos em Barcelona, a comemorar o aniversário da B., uma amiga minha, vi este peluche numa loja e não resisti: vai ser o namorado dela!! Trouxe-o, a pensar "pode ser que ela acabe com os seus ímpetos amorosos e se satisfaça com este boneco". Afinal de contas, existem bonecas insufláveis para os homens e brinquedos a pilhas para as mulheres, certo? Pensei ter encontrado um novo conceito - o sex dog.

Apresentei-os. O peluche era quase do tamanho da minha cadela, com bom porte e sobrancelhas fartas, à Álvaro Cunhal. Achei que o amor tinha acontecido.
- Apresento-te o "Terry Cunhal", o teu novo "amigo".
- Como vês, tem um porte másculo e atraente.
O primeiro beijo.
No entanto, correu mal. Ela tentou desfazê-lo logo e arrancar-lhe a cabeça, sem contemplações. Não vai ser desta que vou enriquecer exponencialmente. É que estava a pensar registar a ideia e criar todo um império à volta do conceito dos "sex dogs", "sex cats" e por aí fora, incluindo um canal de televisão tipo "PlayDog Tv"... Vou continuar a pensar em ideias para ser milionária.

Gosto de ti, Sofia

Vi este vídeo da Sofia Vergara (aqui) e fiquei ainda mais fã dela: brinca com a forma do corpo, diz que não pode usar vestidos com riscas horizontais, porque fica enorme, diz que não se sente sexy logo ao acordar, e que só se sente sexy depois de estar toda produzida, com maquilhagem, cabelo arranjado, vestida e calçada. Brinca também com os sapatos que tem e diz que, com sapatos daquele calibre, a produção nem devia mandar-lhe roupa: ficava feliz com aqueles sapatos, só.

Gostei mesmo. Demonstrou ser terra-a-terra, ser a típica vizinha do lado, demonstrou que se mantém humilde, capaz de brincar com ela mesma e sem manias de estrela. Além de ter um corpo fantástico e um sorriso rasgado, é divertida e tem um óptimo sentido de humor. Percebo completamente o fascínio de quase todos os homens por ela. Era a amiga que sinto que muitas mulheres gostavam de ter e a namorada com que muitos homens sonham.

Um presente com significado

Hoje recebi dois presentes de não-aniversário, como fizeram questão de insistir. Sim, porque não faço anos hoje. A pessoa em causa não pode estar comigo no dia de aniversário e, então, decidiu tratar disso antecipadamente. "Mas não é de aniversário - repetia - imagina que hoje é um dia normal! É só uma lembrança".

A lembrança não foi lembrança nenhuma. Pôs-me logo emocionada, porque senti que fui "ouvida". Senti que foi escolhida mesmo para mim, com base naquilo que eu já disse que gostava e com base naquilo que define quem sou. Recebi dois dvds dos meus filmes preferidos de sempre, para poder ver e rever sempre que quiser, enquanto espero que a terceira parte da história estreie entre nós (já estou a dar pistas, por isso, já devem saber qual é). E recebi também um livro da National Geographic, com fotografias lindíssimas e surpreendentes, que marcam a história das reportagens da vida animal. Em dois segundos que folheei o livro já vi fotografias espectaculares. Depois se conseguir coloco aqui alguns exemplos.

E fiquei emocionada, como disse, por sentir que alguém me "compreendeu". Sei que isso é a parte mais difícil quando se compra algo para alguém: pensar na pessoa, pensar no que ela realmente gosta ou em coisas que lhe tocam, que signifiquem algo (de preferência, não gastando muito). Conheço pessoas que conseguem fazer isso de uma forma exímia. Conseguem perder um minuto a pensar na pessoa a quem o presente se destina, conseguem fazer uma caixa com pequenas lembranças que simbolizam algo, por exemplo, e escrever ainda duas notas que simplesmente mudam tudo. E a verdade é que, digam o que disserem, é esse minuto que perderam a pensar em nós que significa tudo.

Uma vez estava a ter uma conversa com ele sobre isso. Eu dizia que os melhores presentes eram os que tinham o tal "significado". Ele dizia que preferia presentes bons a presentes com significado, e que nem sabia o que isso queria dizer. Disse-me que gostava de coisas boas, da marca X, Y ou Z e que mais valia não se inventar para além disso. Não sei se é isso que distingue homens e mulheres, mas sei que vou sempre ficar mais tocada por coisas com significado, sejam caras ou não. Até pode ser só uma fotografia que nem me lembrava de ter tirado, um postal, um cd gravado com músicas especiais. Não é preciso gastar-se nada! E digo-o de forma o mais sincera possível.

Amanhã, dia do Pai, é isso que vou tentar fazer: dar ao meu pai algo baratinho, mas com significado (até porque não ando a nadar em dinheiro neste momento). E espero acertar e fazer o meu pai sorrir. Já comecei a preparar. Amanhã conto, não vá ele ler o blog. :) E vocês, vão dar alguma coisa ao vosso pai amanhã? Se sim, já sabem o quê?

...Como se fosse o teu aniversário

Depois dum fim-de-semana regado com quilogramas de açúcar e descanso, a semana tinha que começar de forma activa. Acordei cedo e decidida a correr 5kms quer chovesse ou a cidade estivesse coberta de neve. Nada me poderia deter.

E assim foi. O resultado? Sinto-me outra. Sinto-me invencível. Se ontem me deitei com mil dúvidas, com a cabeça a trabalhar a um ritmo alucinante e a planear a semana de forma pessimista, hoje acordei com mil respostas. Já peguei no telefone e fiz os telefonemas pendentes, já peguei no computador e adiantei tarefas que estavam atrasadas. Sem dúvida que energia gera energia.

Agora, para o almoço, já estou a salivar por uma miso shiru e um prato cheio de sashimi. Dizem que devemos começar todos os dias como se fosse o nosso aniversário. Hoje foi o que fiz. Talvez porque a verdade é que está quase a ser "o" dia. ;)

Uma boa semana a todos! E por favor não encham o facebook de frases como "oh não, Segunda outra vez". Vai ser Segunda-feira todas as semanas. Para todo o sempre. Habituem-se. Nunca vai mudar. Só resta abraçarem a semana e tentarem ser positivos.

domingo, 17 de março de 2013

Nunca me arrependi de nada

Admiro quem pode dizer que nunca se arrependeu de nada. Admiro quem pode dizer de forma convicta que não mudava nada da sua vida, que tudo foi importante para o crescimento e que foi essencial à sua maneira. Eu mudava muito, se pudesse. Penso muito nos "se"s. Tenho dúvidas. Lembro-me daquele dia e como teria sido se tivesse decidido de outra forma. Lembro-me daquele exame e penso como teria sido se tivesse estudado mais.

Mudava muita coisa, se pudesse voltar atrás. Sei que todos os erros ou escolhas contribuíram para aquilo que sou hoje, mas gostava de ser a mesma pessoa com um percurso mais perfeito, sem falhas.

No entanto, se há algo de que nunca me vou arrepender é de, num certo dia, - depois de meses a pensar num "se" específico, com dúvidas, com saudades, com mil conversas com amigas e com a minha mãe sobre o que era o amor - ter parado com as dúvidas e ter decidido agir. Naquela passagem de ano, no final de 2007, não tinha ainda planos: estávamos, eu e os meus amigos, indecisos entre Salamanca, Santiago, ou ficar por Portugal. Éramos alguns, mas não chegávamos a um consenso. Ele mandou-me mensagem a dizer que gostava de estar comigo à meia-noite. Já bastava de tantos "se" e desencontros. Não queria mais dúvidas: disse-lhe que sim, que podia vir connosco. Acabámos todos juntos a jantar, num restaurante manhoso do lado de lá da fronteira, mas perdidos de riso, a conversar horas seguidas, a brindar ao novo ano e à concretização dos nossos desejos. A meio, devo ter engolido a uva passa e pedido para que o novo ano me trouxesse finalmente sorte no amor. E trouxe. Porquê? Porque não houve mais "se"s, não houve mais dúvidas a pairar-me na cabeça. Não houve mais momentos angustiantes em que ouvia uma música, lembrava-me dele e pensava "será que era ele?". Não houve mais momentos a ver um filme, ouvir uma frase e ficar com o coração apertado a pensar nele. Estávamos ali todos juntos, finalmente, a brindar a 2008. E brindámos também juntos a 2009. E a 2010. A 2011. 2012. E por aí fora. Sem "se", sem mais dúvidas.

E pelo menos disso nunca, nunca me arrependi.

sábado, 16 de março de 2013

Um abraço bem apertado

Como disse no post de manhã, não gosto que me penteiem o cabelo. Também não sou a pessoa mais beijoqueira do mundo. Tampouco sou pessoa de muito contacto físico, de muito toque no interlocutor enquanto falo. Nos antípodas, tenho uma amiga muito expressiva e que me bate nos joelhos enquanto fala, para ver se me desperta o interesse. Já lhe disse para não me bater, porque parece que dá electricidade, mas aquilo faz parte dela e ela esquece-se, e repete.

O meu pai também insiste em bater-me nos braços enquanto fala comigo, ou dar-me pequenas palmadas nas costas quando passo. Electricidade.

A minha mãe às vezes tenta fazer-me festinhas e eu fujo. Diz que tenho alergia a mimos. Não é verdade. Simplesmente, se não estiver "in the mood", não dá. Dá-me... já sabem: electricidade. Se estiver a ler, por exemplo, estou no meu mundo e não tentem aliciar-me para a realidade. Tenho que acabar o capítulo/ artigo/ página/ assunto e só depois regresso à minha existência.

Mas... se há coisa de que nunca prescindi em dias de stress ou de carência foram os abraços. Sou pessoa de abraços. Acalmam-me. Não preciso de mais nada. Ele já sabia: em vésperas de exames, lá ia eu, toda tensa. "Abraço apertado?". E aquilo sumia tudo, como que por magia. A minha irmã, por exemplo, acalma com festinhas no cabelo. Sei que se lhe tocar, vai ficar outra. A minha mãe gosta de massagens nos pés. O meu pai precisa que as filhas lhe dêem mimos, apesar de parecer um durão. Tenho amigas que gostam de festinhas nos braços...

E vocês, têm algum botão mágico para relaxarem num dia de stress?

Não sou vaidosa

Ele dirá o contrário, se ler isto (talvez por eu colocar os cremes todos, religiosamente, de manhã e à noite).
Mas a verdade é que não sou. Mesmo - e acreditam em mim, não acreditam?

Hoje de manhã acordei às 9h30, depois de me ter deitado quase às 4h. E porquê? Porque tinha marcado na veterinária a tosquia da minha cadela. Fiquei lá quase duas horas, sem me custar nada. A vê-la ser tosquiada com os instrumentos próprios do trimming (um tipo de tosquia específica para a raça), a vê-la ser lavada, tosquiada outra vez, penteada, embelezada.

Repito: quase duas horas. Chegou ao fim, paguei 30€. Não me custou e não achei demasiado. Agradeci, disse que adorei o resultado, tirei-lhe estas fotos que agora junto (em baixo) e vim sorridente e orgulhosa, sem uma ponta de sono ou cansaço, passeá-la. Até que dei por mim a pensar: "há quanto tempo não vou a um cabeleireiro? Há quanto tempo não arranjo as unhas? Há quanto tempo não me dou um miminho?"

Pois a resposta foi assustadora. Cortei o cabelo em Janeiro e nunca mais entrei em cabeleireiros, nem vou entrar nos próximos tempos. Detesto perder tempo num cabeleireiro, fico nervosa, irritadiça a ver o tempo a passar - além de que detesto que me penteiem o cabelo. Corto o cabelo duas ou três vezes por ano e são essas as vezes que entro em cabeleireiros (ou vou, excepcionalmente, arranjar-me para alguns casamentos). Faço madeixas uma vez por ano. Nunca arranjo as unhas (só arranjava no meu último emprego, porque tínhamos manicura uma vez por semana que ia lá e não eu tinha, portanto que me deslocar). Não compro roupa há meses. Não faço pedicura desde o Verão. Não faço massagens de drenagem linfática há mais de meio ano, apesar de o meu ortopedista insistir nisso (parti uma perna há uns anos), ou outros tratamentos de qualquer tipo.

Conclusão: gasto mais com cuidados de beleza na minha cadela que comigo! Isto não deve ser muito normal. Até me sinto pouco feminina e com vontade de desatar a "embonecar-me". ;)

Eu, contente com o novo "look".
Como?? Acham que estou igual depois de duas horas na tosquia?
Impossível! Então vejam o "antes", em baixo.
Aqui estou eu no início da tosquia, em modo ovelha.
Estava com ar desleixado, não estava? Por isso, a minha dona, que é um amor, trouxe-me ao "spa".
(sim, vejam o que diz nas letras do meu lado direito)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Dias que podem mudar tudo

Hoje pode ser um deles.

Vou andar o dia todo em viagem, pelo que este post é agendado.
Wish me luck! :)

Os fantasmas dos ex

Há uns dias, estava eu na Fnac, na fila para pagar, olho para trás e... txaran!! A ex do meu bebé (nunca lhe chamo "bebé", mas agora apeteceu-me, porque estou em modo-possessiva). Trocámos um rápido olhar - comigo a fingir que continuava o olhar até um horizonte longínquo, sem a ter nunca visto - e virei-me novamente para a frente. No entanto, reparei que gerei uma onda de entusiasmo atrás de mim, porque comecei a sentir muita agitação, voz e movimento nas minhas costas. Quando reparei, ela já estava ao pé de mim a falar ao telefone e a espreitar de cima a baixo.

"M...!!", pensei. "Nem estou no meu melhor."
Depois repensei "mas ia estar no meu melhor para quê? Quero engatá-la, por acaso?"

É estúpido, isto. Ela é ex. Acabaram mil anos antes de nós começarmos a namorar. Ficou tudo resolvido, sem ódios. Ela cumprimenta-nos. No início ainda lhe ligava a tentar manter uma amizade, mas ele não desenvolveu muito. Ele continua a mandar-lhe mensagem de aniversário, porque eu decorei a data e obrigo-o a escrever. Já aconteceu até escrever eu e enviar-lhe, porque gosto que ele trate bem alguém que o tratou bem também. A história ficou mesmo acabada, sem dramas, e ela também já namora há séculos.

Agora... porque fiquei preocupada com a aparência?
Nós, mulheres, somos seres estranhos.

Naquele momento quis que ela me achasse o máximo, linda e maravilhosa. Mas para quê, Pippa Maria? Quem tem que te achar linda e maravilhosa não é ela. Vai para casa fazer dez flexões por seres estúpida.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Não quero parecer convencida, mas...

...Vou ser. ;)

Trabalhámos juntos, eu e este jovem que hoje evoco, e, se houve alguém com que me incompatibilizei em trabalho, foi com ele. Aquilo não dava. Era impossível. Eu dizia algo, ele tentava completar, para mostrar que também tinha estudado, mesmo que a conversa não fosse com ele. Eu mandava email geral com alguma informação, ele respondia para todos a acrescentar qualquer coisa, de forma a poder ficar com a última palavra.

Era tão, mas tão competitivo que chegámos a descobrir que tinha convidado a pessoa que estava acima de nós para uma conferência, para irem só os dois, e sem ter falado com os restantes. Nós, que até éramos um grupo coeso e estávamos sempre a partilhar informações sobre conferências, pós-graduações ou demais cursos. Descobrimos isto, apenas porque essa pessoa, nosso superior hierárquico, era um pouco para o desbocada e comentou connosco "então o X enviou-me um email a convidar-me para ir àquela conferência? Vocês não vêm também?". Não lhe dissemos nada e esperámos pelo dia da conferência, para confirmarmos se sempre ia. Faltou e disse-nos que estava doente. Foi a gota de água.

Chamei-o à parte, quando regressou da "súbita doença" e tentei chamá-lo à razão e mostrar que tinha sido um egoísta do pior. Explicou que era importante para a tese de mestrado dele, que achou que nós não íamos querer saber e outras desculpas esfarrapadas. A partir daí, admito que comecei a responder-lhe torto e que ele atiçou em mim um monstro tirano que desconhecia. Ele falava e algo em mim accionava. Uma raiva que nunca tinha sentido. Comecei a ter aversão à voz tremida dele. À pronúncia indefinida, que me soava a espanhol com brasileiro e transmontano. Às piadas fora do contexto. Enfim... passei a ver só defeitos. E a tratá-lo cada vez pior.

Resultado? Sem querer ser convencida, repito, descobri a fórmula secreta para que o rapaz se apaixonasse por mim. Começou a seguir-me para todo o lado. Para o café. Para a rua. A sair à mesma hora que eu. Começou a fazer-me truques de magia no elevador. A tocar-me na orelha para tirar uma moeda, como fazem nos filmes. A mandar-me mensagens por tudo e por nada. A mandar emails com poemas. Com músicas. Começou a comentar o meu perfume. A perguntar pelo meu namorado, etc. Até que deixámos de ser colegas de trabalho, com o tempo, deixámos praticamente de falar.

Descobri, portanto, que sou mais sexy no meu modo monstro. Infelizmente, acho que até sou simpática e boazinha, por norma, pelo que esta história nunca mais se repetiu. Será que isto acontece com todos os tiranos? As vítimas acabam por desenvolver fantasias com os seus agressores verbais? Vale a pena pensar nisso...

Os homens e o medo de parecerem "gays"

Uma amiga minha contou-me há uns tempos uma história que me fez pensar. Pois contava-me ela que começou a sair__/namorar__* com um belo rapaz e que, depois duns beijos trocados e duns "amassos", as hormonas começaram a gritar e dormiram juntos em casa dele. A noite em si não interessa nada para o caso, apesar de poder dizer que, pelo sorriso dela, terá corrido tudo bem. Mas o que me fez rir foi a história do dia seguinte.

Ao que parece, a minha amiga levava um pequeno "nécessaire" de prevenção com os seus cremes básicos e maquilhagem para o dia seguinte, não fosse a noite acabar como... acabou por acabar. E estava ela muito contente a limpar o rosto com o tónico e o algodão, quando ele entrou na casa-de-banho e se assustou, pelos vistos. A conversa terá sido mais ou menos assim:
- Tantos cremes e maquilhagem. Hoje é algum dia especial? Tens alguma festa?
- Não... Isto é o que uso todos os dias.
- Todos os dias? Isso tudo? Porquê?
- Porque é preciso. Isto é para lavar a cara, isto é esfoliante, tónico, sérum, hidratante, isto é um roll-on para as olheiras, corrector, protector solar, base, pó, blush, máscara de olhos, sérum para o cabelo e baton hidratante.
- Tens noção que voltei a adormecer enquanto falavas?
- Oh... Não hidratas a pele?
- Para quê? Não sou panel€!$@!
- Não tem nada a ver... Deves hidratar a pele para evitar o aparecimento de rugas.
- Ai sim? Olha para mim. Não faço nada e olha a pele de bebé que tenho.
- Mas isso é agora. Devias prevenir.
- Eu vou ser sempre jovem. Além disso, não tenho tempo.
- Tempo? Viste o tempo que perdi? 5 minutos.
- E gostavas que eu andasse maquilhado?
- Não. Só hidratado.
- Depois queres que comece a hidratar o cabelo, a fazer depilação, a usar baton de cieiro...
- Se o fizesses, não fazias mal nenhum.
- Estás a ver? Vocês mulheres gostam é dos gays.

Ela contava-me isto e eu revia-me neste diálogo, porque tenho em casa alguém igual. Mas qual é o problema dos homens em hidratar a pele? Não pedimos aos nossos homens que sejam diferentes - pedimos apenas que sejam a versão melhorada de si mesmos! E são só 5 minutos por dia...

*pelo tempo a que já dura e pela seriedade, direi "namoro", mas não quero antecipar-me.

Preguiça

Com isto das mudanças e do mau tempo dos últimos tempos deixei de fazer desporto. Não corro há mais de duas semanas. O meu único desporto tem sido carregar malas, sacos e móveis.
As consequências são rápidas: mais preguiça (sim, parece que preguiça gera preguiça), mais gula e, claro, sinto-me mais "mole" e nojenta.
E estou a escrever isto, porque prometi a mim mesma que hoje volto a correr, mas estando escrito e publicado, a pressão é maior. E tenho mesmo que cumprir.
Espero estar a dar força a quem me lê também! É que sinto-me mil vezes melhor depois de fazer desporto, não sei como consegui baldar-me tanto tempo...

PS: se não correr hoje, as pessoas que me conhecem estão autorizadas a dar-me dois estalos quando me virem.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Adoro dias especiais: o novo Papa

Fumo branco. O Papa estava escolhido.
As expectativas. As apostas aumentavam.
A minha mãe ligou-me "o brasileiro acho que não será".
Não foi. Foi um argentino, de Buenos Aires, nascido em 17 de Dezembro de 1936. Jorge, de seu nome.
Mas podia ser chinês. Queniano. Tailandês. Americano.
Papa que é Papa passa a ser de todos. Passa a ser um cidadão do mundo e dos nossos corações.
Eu vi-o, a espreitar, sorridente e dei por mim a chorar. Porquê? Porque sou assim, uma torneira lacrimal. Porque me emociono com dias especiais. Porque sou incapaz de ver uma noiva entrar na igreja e não ficar com um nó na garganta e os olhos embaciados. Porque sou incapaz de ver um bebé recém-nascido e não ficar com o coração apertado. E porque, nestes dias, me deixo levar pela alegria colectiva. Vivo a alegria dos outros como sendo a minha.
Quanto ao Papa, emocionar-me-ia fosse ele preto, branco ou mestiço. Porque aquilo que mexeu comigo ao vê-lo nem foi tanto a pessoa em si escolhida (era, para mim, praticamente desconhecido), mas sim a expectativa e a esperança num futuro melhor.
Sou Católica e fiquei optimista. Muito optimista.
Gostei do facto de se autodenominar "Francisco", sem numerações - típicas da realeza -, gostei que demonstrasse sentido de humor, gostei que fosse jesuíta e que seja sul-americano e antigo professor.
Estou optimista.
Espero que a Igreja se volte a reforçar e que actualize a sua posição perante assuntos delicados como o casamento homossexual, o aborto e a contracepção.
Papa Francisco, conto contigo.

Legos para adultos

A mudança de casa obrigou a procurar novas arrumações/armários para a tralha os nossos pertences. As principais preocupações eram a roupa - habituei-me a ter quatro armários para mim e estava preocupada, porque passo a ter menos armários, agora - e os livros. Tenho dezenas de livros para guardar e gosto de ter tudo organizado. Definimos que seriam essas as nossas duas prioridades.

Ora, a mobília principal já tínhamos, por isso, para desenrascar nestas pequenas necessidades de arrumação, já se sabe a que loja (uma pista: é Sueca...) de mobília lá recorremos.

Quando estávamos a montar aquilo, já em casa, dei por mim a imaginar um Legos gigante. Porque é que não me lembrei eu disto? Sempre adorei legos e gosto de decoração bonita, elegante e acessível. Como é que não me lembrei eu disto? Como? Se voltasse atrás no tempo, dava esta dica a mim mesma: constrói um império de Legos de mobília para adultos. Ah e fiscaliza devidamente a comida que venderes lá, já agora.

Instruções do jogo:
Primeiro passo: começar a encaixar as primeiras peças.
Segundo passo: começar a formar os primeiros quadrados. Reparem na minha ajuda preciosa:
tiro fotografias enquanto o escravo trabalha! ahah
Terceiro passo: terceira fila de quadrados a ganhar forma.
Quarto passo: descansar um pouco. Está quase!
Que dia de cão, estou cheia de dores de costas.

As vantagens de ser invisível*

Mais um filme de adolescentes? Não, o filme parte do pressuposto de que já todos passámos por lá e sabemos o que é ter essa idade, pelo que nem aprofunda os dilemas típicos da idade. Pisca o olho à adolescência e apressa-se a chegar ao essencial: contar a história.

O filme é sobre o quê, afinal? Para mim, é sobre o aprendermos a ter forças para sermos felizes mesmo quando os dados do jogo parecem estar a nosso desfavor. É sobre ter todos os motivos do mundo para se viver apenas com traumas e com fantasmas e, apesar de tudo, procurar, contra todas as probabilidades, um lugar onde nos encaixarmos. É sobre o reaprender a viver. Sobre o amor. Sobre a força. Sobre o poder da amizade. "Aceitamos o amor que pensamos merecer", diz-se a dada altura. E o filme é sobre isso, também - sobre as expectativas que temos dos outros em função da nossa própria ideia de nós mesmos. Sobre o merecermos mais e nem o sabermos.

E a banda sonora? Um best of do rock alternativo dos anos 80 e 90, que vai desde os New Order, Cocteau Twins, Sonic Youth até aos incontornáveis The Smiths, que eram, nessa altura, sinónimo de ser "cool". Mas todos estes grandes se calam com humildade e cedem a passadeira vermelha para ouvir David Bowie e o seu "Heroes", que entoa, mágico, nos meus dois momentos preferidos do filme. "We can be heroes", canta David. E os nossos heróis fecham os olhos, ouvem a letra e a melodia, pela primeira vez. E sentem-se infinitos.

Em suma? Um filme forte, com personagens fortes - suportados por um grande desempenho do trio principal de actores, apesar da tenra idade - e com uma sucessão de frases marcantes. Destaco as cenas do túnel como as mais fortes, talvez por terem sido momentos em que os três pontos fortes do filme se juntaram: os óptimos actores, os diálogos rápidos e bem construídos e a excelente banda sonora.

Gostei muito e aconselho. Espero que gostem também!

* mais aqui
ler ao som disto ;)