sábado, 31 de agosto de 2013

Banhistas

Estava aqui a ver uma reportagem no telejornal em que, pela milésima vez, o jornalista foi para a praia entrevistar as pessoas que lá andavam. As perguntas deviam ser as mesmas que ouvimos todos os anos, desde que existe televisão, praia e mar. Só algo me chamou a atenção, desta vez: nunca tinha reparado que todos os entrevistados são apelidados, na legenda, como "banhistas". Ana Silva - banhista. Rui Pereira - banhista. Paula Costa - banhista. Deve ser o sítio mais democrático que existe: não há profissões, títulos, idade ou formalismos. São todos um e só nome. Todos "banhistas", sem descriminação. Um dia também quero ser entrevistada na praia só para fazer parte desse corpo homogéneo de gente. Também quero ser... "banhista", sem mais. A vida seria tão mais simples se fosse assim todo o ano...

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O piropo e o assédio sexual

A acreditar nas notícias, encontra-se em discussão, no Bloco de Esquerda, a possibilidade de, futuramente, serem apresentadas propostas de alterações legislativas no sentido de "interditar esta forma de expressão" chamada piropo. Esta notícia suscitou-me curiosidade. É que, quando dentro dos limites do bom senso e da educação, acho que muitas vezes até sabe bem ouvir um "oh princesa" ou até um mais rústico "és toda boa". Os piropos ja fazem parte da cultura portuguesa e encontram-se muitas vezes verdadeiros poetas e românticos a habitar nos andaimes das obras, e não só. Já ouvi frases maravilhosas (dirigidas a mim ou dirigidas a outras mulheres), e dignas de entrar para os compêndios dedicados à matéria.

Mulheres que me lêem: um piropo pode fazer rir e alegrar-nos o dia mais cinzento, ou estou enganada? Sentem-se incomodadas com os piropos que ouvem na rua? Se sim, que tipo de piropos deveria então ser proibido?

Eu não acredito em signos

... Mas eles existem. E hoje uma amiga viu isto, lembrou-se de mim e mandou-me então o meu horóscopo do dia. E agora? Sinceramente parece-me um sinal. Nem acredito nesta coisa de signos, mas o texto parece feito especificamente para mim, que sou Peixes e tenho que tomar decisões hoje... que caraças! Calma? Qual calma?

Digam olá ao Cooper

Lembram-se do malogrado teste do Cooper? Quando falei dele aqui a primeira vez, tinha acabado de ler os resultados da avaliação física do ginásio. Como era a primeira vez que fazia a avaliação, e como o professor não tinha perdido dois minutos a explicar-me com detalhe os exames ou respectivos resultados, li os valores que me foram apresentados sem perceber grande coisa. Sabia que dizia "muito fraco" à frente deste teste, especificamente, sabia que era algo lamentável, mas nem associava o nome à corrida no tapete que tinha feito. Só depois, quando voltei ao ginásio, pedi ao tal professor que me explicasse tudo, porque para mim grande parte dos nomes eram Chinês. Quanto ao tal teste de Cooper, por exemplo, fiquei a saber que era um teste que consistia em avaliar a distância que conseguimos correr em 12 minutos. A verdade é que, durante a avaliação, tinha ido para o tapete sem saber bem qual era o objectivo daquilo, por isso não me tinha esforçado muito. Lembro-me de estar a correr devagarinho, enquanto via televisão, sem saber sequer quanto tempo é que ia estar ali no tapete, e sem saber concretamente o que é que estava a ser avaliado naquele momento: ritmo cardíaco?, íamos treinar a resistência?... Devo ter corrido para aí 1,5kms, no total. Mas ontem foi dia de nova avaliação e, depois de perceber os exercícios, a motivação já era outra... e eu queria fazer justiça!

Assim, posso dizer, com o peito cheio de orgulho, que, tal como tinha garantido, ajustei finalmente contas com o tal Cooper. Não sou vingativa, mas sou justiceira. E sabia que o meu resultado tinha sido uma vergonha, por isso tinha que limpar a minha imagem. Nem que fosse só para provar a mim mesma que era capaz de melhor. Fiz 2,36kms no teste, o que já não será "muito fraco". Pode não ser "espectacular", ou "uau! excelente, és a maior", mas já não me envergonha. Já fizeram o teste? Quanto vos deu? Se não fizeram, experimentem e depois contem-me, sim? Sei que, para quem estiver habituado a correr, - e corra a sério - este resultado que aqui apresento está a milhas de ser brilhante, mas não se inibam: podem humilhar-me à vontade e falar dos vossos valores. Sempre se gera uma competição saudável!...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Máquina do tempo

Ninguém tem, porventura, uma máquina do tempo por aí estacionada, que não esteja a precisar neste momento, e que me possa emprestar? Só preciso de a utilizar meia dúzia de horas, prometo que não me excito com a viagem nem me perco no destino. Tenho carta de condução categoria B e dou uns toques de mota. Deve dar, certo? Tenho um bocadinho de medo de andar de avião, mas ando na mesma. E não enjoo em alto mar. Espero preencher os requisitos necessários. Ahh, prometo também devolver a máquina tal e qual a deixei, e até passo um paninho de cozinha e um detergente no fim, para a deixar bonita e bem cheirosa, se for preciso.

Ah - esperem - preciso de explicar o porquê do pedido? Pronto, pronto, eu explico: tenho uma decisão a tomar, uma resposta que tem que ser dada até amanhã. E tenho a cabeça num oito. O coração a mil à hora. Até perdi o apetite - e eu nuuuuunca perco o apetite, nuuuuuunca, nunca, por isso estão a ver o quão grave é. E dava-me jeito uma viagem rápida (duas ou três horas devem ser suficientes) até 2015 ou 2016 para perceber se, tomada esta decisão num sentido, vou estar feliz nessa altura. Podem emprestar-me, então? Sim? Sim? Vá, imaginem o Gato das Botas do Shrek versão mulher. É ela que vos pede encarecidamente.

Quanto custa a distância?

Esqueçam a tristeza, a solidão, as saudades. O que hoje quero perguntar é algo racional e objectivo: qual é o valor pelo qual aceitariam trabalhar longe da pessoa com quem estão?

Todos estamos rodeados por amigos ou familiares que emigraram. Eu posso dizer, por exemplo, que neste momento tenho a minha irmã longe de mim (e o que custa...). Amigas noutras cidades do país. Amigos espalhados pelo continente africano. Outros espalhados pela Europa. Outros a viver no outro lado do mundo. E o que levou cada um deles a viajar, e a aceitar propostas de emprego tão longe de tudo e todos? A ambição. A vontade de crescer e progredir na carreira. O querer ganhar mais. A certeza de que poderiam amealhar algum dinheiro no presente, para dessa forma, permitir um futuro melhor.

Só que, em muitos casos, não é o casal que vai. Em muitos casos, vai apenas um dos dois, aquele que é mais ambicioso ou aquele que está mais desesperado por não conseguir arranjar um emprego à altura das suas qualificações na cidade em que vivem. E, quando finalmente recebe uma proposta tentadora a quilómetros da cara-metade, qual é a primeira coisa que faz? Contas. Faz contas à vida: o salário que irá auferir no novo destino; a qualidade de vida que será proporcionada; as funções que se irá desempenhar... No final, se tudo for superior àquilo que se tem cá, aceita. Discutem previamente a dois, mas o outro não irá prendê-lo a uma vida que parece votada ao vazio profissional - "vai! é melhor para a tua carreira!", diz quem fica, com o coração apertado e um nó na garganta.

Mas afinal... Quanto custa a distância? Qual é o valor, em termos comparativos, a partir do qual devemos aceitar viver longe de quem mais gostamos? Por mil euros a mais devemos aceitar viver a três horas de distância? E por três mil euros a mais, podemos aceitar viver a seis horas de avião? E por cinco mil euros a mais, podemos aceitar viver a doze horas de avião? Afinal, se pensarmos bem, parece que a distância tem um valor. Cada quilómetro longe significa um euro a mais.

Só depois surge o derradeiro problema: e a relação? Será que, com tantas contas envolvidas, a relação sairá valorizada? Infelizmente, parece-me que não... E evoluirá de forma inversamente proporcional à conta bancária dos dois. Já disse aqui tudo o que penso sobre relações à distância. Sei que a ideia de "amor e uma cabana" funcionará para poucos - o dinheiro é importante e essencial para se programar a uma vida a dois e o nascimento dos filhos -, mas, por outro lado, acredito que a ideia de "duas camas separadas por um bilhete de avião, unidas apenas pelo Skype e uma conta bancária recheada" também fará poucos casais profundamente felizes.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Uma choradeira no ginásio

Cheguei agora a casa do ginásio. Estive a correr quase uma hora. A meio já chorava. E as outras mulheres ao meu lado também. Perguntam vocês:
- Porquê?! O esforço foi assim tão grande??
- Correram até ao limite das vossas forças?
- Choraram de desânimo por não terem conseguido atingir os vossos objectivos de corrida?
- Ah já sei, lesionaram-se??

Infelizmente (ou felizmente, no que à última questão diz respeito), a resposta não se prende com ambições no âmbito desportivo. A resposta é simples: estava a dar o "Antes do Amanhecer" na Fox Movies. E pelos vistos não sou a única fã número um, porque éramos três ou quatro mulheres alinhadas de riso em riste, mais suspiros e lagriminha a cada cinco minutos...

Romantismo vs bens

Há dias, durante um jantar com uns amigos, a conversa adoptou, sem que nada o fizesse prever, um tom mais sério, e abordou-se o casamento e os regimes de bens existentes: a comunhão de adquiridos, a comunhão geral e a separação. E dei por mim a defender o último, no qual, resumidamente, os bens de cada um - presentes ou adquiridos no futuro - mantêm-se próprios, podendo cada um dispor deles livremente. Os meus argumentos foram, basicamente, que, dessa forma, cada um dos membros do casal poderá arriscar nos negócios, tornar-se empreendedor, representar empresas, etc, porque nunca afectará a pessoa com que se casou (que nunca será notificada pelas Finanças, por exemplo, por dívidas das empresas da sua cara-metade). Defendi ainda ser mais romântico restringir o casamento ao amor, e deixar as questões patrimoniais fora da equação, até porque seria sempre menos um assunto susceptível de gerar discussão. Enquanto dizia isto, tive um vislumbre, do outro lado da mesa, da minha amiga a torcer o nariz. Eu sei que ela pode estar a ler isto neste momento, e a dizer, de forma convicta, "não torci nada!", mas eu vi (com estes olhos que a terra há-de comer) um narizinho a contorcer-se em desaprovação. Não vale a pena negar. Pode ter sido inadvertido e não propositado. Mas ele estava lá. Sei que, mesmo não me tendo interrompido, esta minha amiga defende o contrário de mim - que romantismo é, no fundo, "o-que-é-meu-é-teu-e-o-que-é-teu-é-meu". Sei que é a favor das contas comuns no casal. Sei que é a favor da confiança mútua e na comunhão de amor e bens. E o nariz apenas denunciou uma convicção dela.

E isto deixou-me a pensar. A conversa evoluiu entretanto para outros assuntos e não foi desenvolvido o tema. Mas, dentro de mim, gerou-se toda uma discussão interna, desde então. Afinal o que é o romantismo na gestão de bens do casal? É partilhar tudo? É fechar os olhos e deixar que cada um utilize indiscriminadamente a conta bancária comum, independentemente do salário que cada um tem? Compreendo esta visão. Traduz confiança na outra pessoa. Um projecto a dois. No entanto, para mim, que não gosto de lidar com dinheiro, o regime de separação no casamento sempre simbolizou uma lufada de ar fresco. Sempre vi como uma declaração de "não se discutirá nunca dinheiro, porque o que cada um recebe, o que cada um faz, o que cada um perde, é apenas seu". Não existirá nunca o fantasma do euro a flutuar sobre o casal, qual nuvem aterrorizadora. Se um dos membros do casal quer ir às compras e perder a cabeça, que o faça. Se o outro quer jogar tudo no Euromilhões, que jogue. Se um receber uma herança milionária, parabéns, é sua. Cabe-lhe a si decidir partilhar com o seu amado ou não. E isto, para mim, é romantismo. Sei que a minha opinião não é a mais comum. Por aquilo que vou falando com amigos, sei que estou em minoria. Quero, portanto, saber a vossa opinião: o romantismo traduz-se em quê, no que ao dinheiro do casal diz respeito? Digam-me. Acham que se deve partilhar tudo ou não?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O jogo incendiário das condolências

Assisti à polémica que sucedeu à morte do economista e professor universitário António Borges vs morte dos três bombeiros em serviço, no combate às chamas, com bastante perplexidade. Primeiro, porque me pareceu um assunto demasiado sério e demasiado delicado para ser tratado com tamanha leviandade - e de forma quase macabra -, nas redes sociais. Depois, porque o assunto rapidamente se revelou tratar-se de um falso problema e vazio de conteúdo.

Ora, a história conta-se resumidamente assim: após a morte do seu amigo e colega António Borges, vítima de cancro do pâncreas, o nosso Presidente da República utilizou a página oficial da Presidência no Facebook para apresentar as condolências aos familiares daquele. Até aqui, nada a apontar, pois trata-se de um procedimento normal atendendo às tristes circunstâncias. O pior veio logo depois: um grupo de cidadãos, estranhando a ausência de igual apresentação pública de condolências após a morte dos três bombeiros, decidiu agir. E decidiu agir como? Escrevendo uma carta ao Presidente da República e à comunicação social em que demonstrava o seu desagrado pela ausência de semelhante apresentação de condolências, respeitando assim a memória de tais bombeiros? Apresentando as suas condolências nos seus próprios murais do Facebook, e apelando a que todos fizessem o mesmo? Pois... não foi este o plano encontrado. O tal grupo de cidadãos optou por entrar num (infeliz, no meu entendimento) jogo de condolências em que, fazendo tábua rasa sobre a solenidade do momento, sobre a consternação e tristeza dos familiares tanto do António Borges, como dos bombeiros, invadiu o Facebook da Presidência com centenas de mensagens repetidas: "as minhas sinceras condolências aos familiares dos bombeiros falecidos". Compreendo que, com o calor do momento, tenha parecido uma ideia brilhante. Muitas vezes só raciocinamos mais tarde, com o distanciamento necessário. Só que, mantendo a metáfora do jogo, o mesmo deveria ter terminado por "game over" a partir do momento em que o assessor de Cavaco Silva veio garantir que as condolências haviam chegado directamente a cada corpo dos bombeiros, embora não de forma pública - “a Presidência da República entende que esta é a forma correcta de proceder, com a discrição e a seriedade que a situação humanitária reclama”. O próprio comandante dos Bombeiros Voluntários de Alcabideche, José Palha, confirmou que o Presidente lhe fez chegar as condolências através de um assessor, que "fez várias chamadas" até conseguir falar com o comandante.

Imagino que, embalados por este jogo das condolências, os tais profissionais da indignação (o nome não é meu, retirei daqui) tenham preferido fazer "ouvidos de mercador" e continuar a sua cruzada no mural do Facebook da Presidência da República. A dada altura, a acreditar nas notícias, já eram mais de quatro mil mensagens. Mas para quê...? Não estava sanado o problema? As condolências tinham sido apresentadas. A forma é assim tão mais essencial que o conteúdo? Havia alguma necessidade de continuar o jogo mórbido das condolências, mesmo depois da comunicação dos assessores e do comandante dos Bombeiros?... Parece-me que não.

Monopólio facebookiano

Dizia-me uma amiga minha há dias: "sabes, acho que vou apagar a X do meu Facebook. Já não aguento abrir aquilo e ver fotografias dela em todas as posições possíveis e cada fotografia pior que a outra. Ela não tem noção que, ainda por cima, não é naaada fotogénica?". Passado outros dias alguém me diz "vou apagar o X. Cansei-me de ler as considerações futebolísticas dele". Passado mais um tempo, alguém comenta "não suporto a Y. Todos os dias põe mil comentários e mil fotografias e corações sobre o namorado e o quão apaixonados estão! Não há pachorra".

Afinal o que suportamos ou gostamos de ver nas redes sociais? Quanto a mim, posso adiantar que gosto de aprender. Gosto de ver partilhadas notícias. Fotografias de sítios novos que ainda não conheço. Comentários sobre a actualidade. Gosto de ver fotografias de datas importantes e acompanhar a evolução dos meus amigos. O que menos gosto é, um pouco da linha dos meus amigos, do monopólio de alguns. Pessoas que têm opiniões e pensamentos profundos tudo e têm necessidade de a partilhar a cada segundo que passa. Pessoas que citam frases como quem respira. Pessoas que só não tiram fotografias na casa-de-banho, porque devem ter as mãos ocupadas para pegar no telemóvel. Calma, pessoas. O mundo não acaba amanhã. Vão ter muitas opiniões ainda para dar e fotos para partilhar. Ok? Os vossos amigos agradecem...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Meninos, a Monica está livre!

Os jornais de hoje avançam a notícia: Monica Bellucci, uma das mulheres mais cobiçadas de todo o mundo (ou não quisessem quase todas as mulheres ser iguais a ela, e não quisessem todos os homens, por seu turno, tê-la) está livre e desempedida, após catorze anos de casamento com o actor francês Vincent Cassel, de onde resultaram duas filhas. E porque é que fiquei surpreendida? Porque tinha para mim que estes dois, com o seu casamento aberto, assumido publicamente junto da comunicação social, e ainda residência habitual no Rio de Janeiro, tinham encontrado a fórmula para uma relação eterna e feliz: amor, muito amor (entre o casal e até terceiros), e tudo bem regado a caipirinhas e bossanova. Esta forma de encarar o casamento, apesar de parecer estranha para a maioria das pessoas, parecia resultar para ambos, com a Monica a assumir em público que não esperava do seu marido fidelidade, mas sim confiança, respeito, lealdade e elegância. Para a actriz, paixão seria algo fácil de obter até do pior homem. Já uma relação profunda, com confiança, respeito, e com a certeza de que a outra pessoa estaria sempre ali para tudo, isso sim seria uma relação única e a manter. Mais: tal seria mais importante que a fidelidade sexual, que nesse caso, tornar-se-ia totalmente dispensável.

Bem, de qualquer das maneiras, antes que os homens que me lêem comecem a salivar e a pensar "grande ideia! Vou já sugerir isto à minha namorada/ amiga colorida/ mulher", calma, muita calma... Como vêem, parecia uma ideia muito avançada para a época, iluminada e até vencedora, mas... surpresa!!, não resulta... Nem para uma das mulheres mais espectaculares do Planeta Terra - quem é que poderia querer traí-la, além do mais? Por isso, meus queridos homens que me lêem, parece-me mais provável arranjarem o número de telemóvel da Monica - ela mesma - e marcarem um cafezinho com ela, que convencerem as vossas caras-metades a alinhar numa festa destas chamada "relacionamento aberto"... Posto este aviso, se, mesmo assim, continuarem a querer muito muito aderir a algo do estilo, e vos der jeito conhecer os argumentos utilizados na altura, podem lê-los aqui. Não respondo, no entanto, pelos estalos ou gritos com que vão ser brindados após a apresentação da proposta.

E se, um dia, um desconhecido...?

...Te sugerir, sem mais nem menos, um mini "makeover"?

Pois bem... Ontem, sem que nada o fizesse prever, comecei a notar uns olhares estranhos no masculino a virem na minha direcção. Ok, não dum total desconhecido (como diz o título), mas duma pessoa recém-apresentada, o que acho que vai dar praticamente ao mesmo. Só que não eram aqueles olhares com um toque de galanteio que muitas vezes os homens lançam, sem sequer disfarçar, mas sim um olhar de dúvida ao melhor estilo algo-não-está-bem-ali. Senti-me a ser avaliada, mas com a certeza que a avaliação não estava a ser positiva. Não foi a melhor sensação do mundo, portanto. A dada altura, diz-me ele:"permita-me que lhe empreste estes óculos. [eram os tradicionais Aviator, da Ray-ban, eu própria tenho uns antigos em casa] Use estes em vez dos seus. Hmmm... Agora, sim". Perguntei se os meus tinham algo de errado. "Digamos que não lhe fazem justiça. Não os use mais". Guardei os meus óculos de sol adorados e estimados, ao estilo cat eye, e tentei fazer o sorriso mais rasgado que aquele ataque ao meu ego permitiu.

Vim para casa a pensar que realmente a moda feminina é, na maioria dos casos, feita para agradar apenas e só a nós, mulheres. Sei que o tema não é novidade, mas experimentem perguntar aos homens que quiserem se gostam de ver uma mulher com:
- óculos de sol com grandes armações ou um toque exótico;
- jumpsuits ou, em português, as jardineiras/ macacões;
- peças com corte masculino (calçado incluído);
- cabelos curtos;
- ombros pronunciados ou volumes em geral.
Aposto que vão receber, como resposta, um unânime "Nãaaaaao!!". De qualquer maneira, ignoramos esta resposta e continuamos convictas que a razão está do nosso lado, não é? Nós, mulheres, temos o gosto mais apurado. Temos a noção do chique, do que tem classe. Eles, por seu turno, são básicos e só querem ver o corpo da mulher em roupas justas e decotadas. Não têm noção de moda, por isso nem merecem ser ouvidos. Mas a resposta será assim tão simples, afinal...? Será que realmente estamos mais evoluídas que eles? Ou será que estamos a levar, isso sim, o conceito de moda para um patamar em que usamos roupa que nem sequer nos embeleza ou nos faz justiça?

domingo, 25 de agosto de 2013

Deixa-te levar

Sempre que o fim-de-semana se começa a aproximar, começo a fazer mil e um planos. "O que há para fazer? Até onde vamos? Terei tempo para correr? Marco algum jantar?", etc. Não consigo evitar fazê-lo, preciso de preencher o tempo com programas giros, e sinto que estou a desperdiçar a vida toda se fico um minuto parada. Eu sei que é um exagero, mas, ou estou meeeesmo cansada da semana, ou então é como se tivesse bichos carpinteiros - fico ansiosa por acção e não aguento um minuto parada. O problema é que esta ânsia por agitação nem sempre é partilhada. E então alguém tem que ceder. Este fim-de-semana calhou-me a mim. Tinha mil ideias de coisas giras para fazer, mas pensei que realmente estava na hora de deixar o rapaz descansar dos meus programas todos. Assim, não marquei nada, à excepção de um jantar na Sexta. Pensei "alguma coisa gira há-de surgir depois". Conclusão? Um fim-de-semana que pareceu um carrossel. Foi pior a emenda que o soneto. Não parámos. Quando demos por ela, estávamos a velejar no Sábado. A voar por cima das ondas, que nos agitavam como uma pequena casca de noz indefesa. Eu agarrada às cordas a rezar para não ficar ali no mar com os peixinhos, com rajadas de vinte e nove nós (no momento aquilo pareceu-me um temporal saído dum filme de terror, apesar de, em terra, o mar me ter parecido uma piscina). Acabámos o dia num inesperado jantar com pessoas com idade para serem nossos pais, e a iniciá-los no gin (acho que gostaram mais que nós, tal era o entusiasmo com que queriam repetir). Sem que nada o fizesse prever, chegámos a casa às quatro da manhã. Hoje, acordámos cedinho e lá voltámos para o meio do mar. Fomos sacudidos outra vez. Salpicados de sal, primeiro. Encharcados depois. Senti o meu estômago revirado. Mas a emoção compensou. No fim, descobrimos um sítio com pizzas óptimas, que me soube pela vida, e que mais uma vez não fazia ideia que existia. Foram dois dias, mas juro que me pareceu uma semana. O meu estômago ainda não voltou ao sítio, mas valeu a pena. De qualquer maneira, tenho para mim que, depois desta agitação totalmente não planeada, depois desta falta de sono e doses elevadas de adrenalina, alguém me há-de pedir para voltarmos para os meus programas calminhos e mais seguros. Vamos ver...

sábado, 24 de agosto de 2013

Espero não ser a nova Professora Bambo...

Estava aqui na dúvida se contava ou não. Por um lado, não tem interesse nenhum, se não se concretizar. Por outro lado, pode salvar vidas, se tiver sido uma premonição. A pensar na segunda - e mesmo com probabilidade de 0,0000001% de vir a acontecer - decidi contar-vos na mesma. Por isso aqui vai: I had a dream! Mas enquanto o outro sonhava com uma vida melhor, eu - um ser infinitamente pior - tenho sonhos duma vida... pior! Ora "mas então que charada é essa?", perguntam vocês. Simples: esta noite tive um pesadelo que espero não ser premonitório. Sonhei que estava a passear pelo Estádio Universitário quando, de repente, a terra começou a tremer e, com o susto, as pessoas todas desataram a correr em pânico e em direcções opostas. Passado uns breves segundos, no entanto, tudo acalmou e a terra parou outra vez. As pessoas acalmaram também, ainda com caras de assustadas e a tremer de medo - eu incluída, claro. Só que, apenas dois ou três minutos depois, a terra voltou a agitar-se, em fúria. As pessoas voltaram a correr. A gritar. Ouviam-se ordens contrárias - "para dentro do ginásio!"; "para a rua!"; "debaixo das árvores!". Tenho a imagem da desordem bem presente, ainda.

Eu estava em pânico. No entanto, não sei por que carga-de-água, só me lembro de me ocorrer o pensamento mais estúpido do mundo, face às circunstâncias: "a parte boa de ir tudo abaixo, é que vai ser bom para o sector da construção". E acordei.

Agora, das duas, três: ou sou a nova Professora Bambo e cuidado quem andar por essa zona! Ou simplesmente ando a ver filmes a mais. Ahh... ou enlouqueci de vez. Aposto mais na segunda. Mas, por via das dúvidas, evitem essa zona hoje e amanhã, sim? Nunca se sabe... ;)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"Os homossexuais não devem casar-se, porque não se vêem durante o sexo."

Hoje parece o dia das frases bombásticas, não? De qualquer maneira, mais uma vez, a frase que dá título ao post não é minha, mas devido ao carácter insólito, tive vontade de a analisar aqui. A frase é da deputada mexicana do Estado de Puebla, Ana María Jiménez Ortiz, e foi proferida no âmbito de uma discussão sobre a possibilidade de alargar o direito ao casamento a indivíduos do mesmo sexo, tema esse que foi também alvo de aceso debate em Portugal, muito recentemente. Após muitas críticas, a deputada já veio defender-se dizendo que a frase agora citada foi erroneamente retirada do contexto. Talvez seja verdade, não sei. O que sei foi aquilo que li, entre outros sítios, aqui. Não conheço o percurso da deputada, nem todos os ideais que defende. Sei apenas, tal como as notícias nos informam, que a deputada sustenta que os homossexuais não se devem casar por não se olharem enquanto estão a fazer o amor, uma vez que apenas com contacto visual se consegue uma verdadeira união entre as duas pessoas durante o... "bem bom". E diz basear a sua opinião em estudos científicos. Podem ver no link acima o vídeo dela e tirar as vossas próprias conclusões.

Quanto a mim, fiquei mesmo curiosa com as suas palavras. Por isso, aproveito para rezar que a D. Ana María seja seguidora deste blog e me possa esclarecer algumas dúvidas. Se estiver com pressa, pode responder só "SIM" ou "NÃO", que eu não levo a mal. A sério... Aqui vão elas:
1. E os cegos? Podem casar-se, mesmo que sejam heterossexuais?
2. E os heterossexuais que apagam a luz ou gostam de fazer o amor no escurinho? Têm que passar a ligar as luzes, certo? Escuridão é coisa do Belzebu?
3. E se os homossexuais arranjarem posições em que se possam ver e trocar uns olhares no calor do momento? D. Ana María, esta hipótese não é tão rebuscada quanto isso, e parece-me ser de autorizar o matrimónio nestes casos de esforçado contorcionismo amoroso.
4. Por fim, pelas suas palavras, deduzo que tudo que fuja do tradicional missionário seja também de fazer o casal arder para a eternidade no Inferno, certo? Não autoriza nem umas posições mais marotas em que os olhos não se cruzem durante uns segundos? D. Ana María, pense nesta pergunta com carinho.
Aguardo as suas respostas com ansiedade.
E olhos bem abertos.
Ok, retiro a última frase. Não leve a mal, D. Ana María, sim? Nós, os Portugueses temos a mania que temos piada. E olhe que este tema era dado a mil e um trocadilhos...

"Os meus pais são os melhores cirurgiões do mundo"

A esta hora já todos devem saber que a Rita Pereira participou no novo programa da Tvi chamado "Dança com as Estrelas". Eu é que ando maluca com o "Game of Thrones" - e não tem havido televisão aqui em casa, na última semana e meia, para além da série -, por isso, ando a leste de todos os programas que têm passado na televisão. Mas uma amiga minha já me tinham falado numa certa dança da Rita, em que teria mostrado um corpo espectacular. Sim, porque nós mulheres perdemos mais tempo a comentar mulheres que homens, que se há-de fazer? Sabia da tal prestação, mas a verdade é que só decidi ver a dança após esta e ainda esta notícias do Correio da Manhã. E o que vi no vídeo da dança? Vi uma Rita Pereira cheia de "salero", com uns ares de Beyoncé, cheia de confiança. E foi impossível não gostar e não ficar a babar-me por um corpo igual. Se fez cirurgias? Nem pensei nisso. Gostei de a ver, e o resto não me interessou, nem estive a analisar pormenorizadamente. E acho, muito sinceramente, que tampouco interessou a mais alguém se fez ou não alguma cirurgia.

Só depois destas rápidas considerações - e de ter ido limpar a baba - é que resolvi ver o vídeo que a Rita fez em resposta àquela primeira notícia das cirurgias. E fiquei mesmo desiludida. Pareceu-me ser uma oportunidade totalmente desperdiçada de brilhar e até de servir de exemplo às outras mulheres (a ser verdade que não fez qualquer retoque). Uma oportunidade tão desperdiçada... Porquê?
1. Porque vi uma Rita ansiosa, com uns risinhos nervosos, a falar aceleradamente, sem grande coerência ou piada.
2. Porque vi uma Rita demasiado preocupada em desmentir uma notícia tão inocente como esta da cirurgia, o que me fez logo pensar "então, e todas as notícias que saíram até hoje? Se não foram desmentidas, significa que foram todas verdade, correcto?".
3. Porque vi uma Rita tãaaaao repetitiva, a desperdiçar com repetições a ideia (até engraçada) de os-meus-pais-é-que-são-os-melhores-cirurgiões-do-mundo (a parte do "são professores" era escusada, por exemplo, só confundiu o discurso).
4. Porque vi uma Rita a desperdiçar a oportunidade de se tornar porta-estandarte duma vida saudável, com comentários que nada acrescentaram e que só caíram na redundância (por exemplo, não tem tempo para fazer uma cirurgia de duas horas, porque está a gravar, mas tem tempo para treinar afincadamente).
5. Porque vi uma Rita com ares de bairro (nem vou falar das argolas gigantes, porque é uma questão de estilo), a rir ironicamente, a gesticular exageradamente, a repetir-se (mandou não sei quantas vezes beijos aos pais), com perguntas para o ar, e mais risos despropositados no final.

A ser verdade que nunca fez qualquer cirurgia (que duvido, mas adiante...), a Rita tinha aqui uma oportunidade de ouro para servir de exemplo a todos aqueles que, como eu, têm tantas vezes preguiça de fazer desporto. A Rita tinha aqui uma oportunidade para nos incentivar, para nos demonstrar que o desporto compensa, que o esforço pode trazer frutos e que um estilo de vida saudável é tudo o que é necessário para garantir um corpo de sonho. O vídeo da Rita poderia ter sido utilizado por personal trainers por todo o país - "vêem? Este corpo consegue-se com suor e esforço. Toca a trabalhar!". O vídeo da Rita poderia ter sido utilizado por tantas jovens (e menos jovens) que precisam de motivação antes de sair para o ginásio, ou antes de fechar a boca e decidir não comer porcarias. A ser verdade que nunca fez qualquer cirurgia, a Rita poderia ter-nos inspirado a todos. Assim... Inspirou-me apenas a mim a escrever estas linhas. Eu disse que foi um desperdício...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Por causa do Game of Thrones...

1... Ainda não vi o Gaiola Dourada, de que todos falam (e muito bem). Não vi o The Bling Ring, da minha adorada Coppola. Tampouco sei se tenho forças para ir ver o jOBS hoje.

2... Não li mais nenhum livro ou revistas à noite. Tenho os livros e revistas a acumularem-se numa pilha, na mesinha de cabeceira, e a transformarem-se numa miniatura da muralha da China, aos poucos e poucos.

3... Ando a dormir menos horas, pois fico colada à televisão todas as noites, a ver os episódios seguidos, à ordem de dois por dia. O que vale é que o moreno do Verão disfarça as olheiras. Nem tudo é mau...

4... Ganhei uma paixãozinha platónica pelo Robb Stark e pela sua voz anasalada, num misto de fofinha e sexy, ao melhor estilo Dave Matthews Band. Sempre que ele fala ou aparece algum grande plano da cara dele, dou por mim a dar suspiros e risinhos de adolescente, que logo terminam com um safanão ou beliscão do meu "partner in crime".

5... Já começo a perceber a febre que comecei por questionar aqui.

6... Ganhei uma paixãozinha platónica pelo Robb Stark. Auuch!... Ai já tinha dito?

7... Estou a ficar com os braços todos beliscados.

Onde estavas há 10 anos atrás?

22 de Agosto de 2013. 22 de Agosto, já. O tic-tac na minha cabeça começa. Tic... Tac.... Tic... Tac... É como se tivessem virado dentro do meu cérebro uma micro ampulheta de areia, porque já sinto o tempo a escassear. Falta um mês ainda para o final do Verão, mas já ando nostálgica a vê-lo como sendo parte do passado. As lojas começam a apresentar-nos os trapinhos para o Outono. As ruas começam a ficar mais habitadas. O trânsito começa a aumentar. E dou por mim transportada para outros Verões. Dou por mim a fazer o balanço do Verão de 2012. De 2010. De 2006. De 2004. Até chegar 2003. 2003... Já passaram dez anos! E onde estava eu nessa altura em meados de Agosto? Onde estava o meu eu jovem e despreocupado? Lembro-me de Vilamoura. Das praias durante o dia e dos velhinhos e extintos Klube e Casa do Castelo à noite. Eu, a minha irmã e duas amigas nossas, também irmãs. Que bom que era estarmos as quatro! Todos os momentos sabiam às melhores férias de sempre - e não seriam mesmo? Tenho uma imagem tão nítida nossa a dançar que quase consigo sentir-me lá outra vez. A ouvir esta música já com uma década (como-é-que-é-possível)?:

Lembram-se da música? E lembro-me também dum jovem arruivado, meio sardento, com ar de ser mais novo, nos abordar, com ar confiante, ao som desta música e dizer algo como "Ouves a música? Se quiseres, eu também tenho muito amor para dar". Tratava-se de uma Madre Teresa de Calcutá versão noctívaga e bailarina, a vestir calças, e com um hálito mais alcoolizado, portanto. Espero que tenha dado todo esse amor que tinha para dar. Seria um desperdício tanto amor ficar por espalhar. Quanto a nós as quatro, ficámos com a memória. Não do Verão de 69, que canta o Bryan Adams. Mas do Verão de 2003. Que foi tão especial que só podia culminar com o conhecer algumas das pessoas mais espectaculares que já conheci. Grupo de pessoas esse de onde havia de sair, mais tarde, "aquela" pessoa. Afinal, sempre havia muito amor para dar nesse Verão...

Deixa-me escrever a história da tua vida.

"Já tive mulheres de todas as cores,
De várias idades, de muitos amores.
Com umas até certo tempo fiquei.
Pra outras apenas um pouco me dei.
Já tive mulheres do tipo atrevida,
Do tipo acanhada, do tipo vivida.
Casada carente, solteira feliz.
Já tive donzela e até meretriz.
Mulheres cabeça e desequilibradas.
Mulheres confusas, de guerra e de paz"

Com certeza quase todos conhecem estas palavras, que são parte da letra desta música do brasileiro Martinho da Vila. A música chama-se - como não poderia deixar de ser - "Mulheres", e conta a história dum D. Juan que andou a espalhar o seu charme junto de mulheres de todas as faixas etárias, raças, maneiras de ser e estados civis. Este D. Juan começa por nos contar a sua vasta experiência no amor, descrevendo todo o tipo de mulheres com que se envolveu ao longo da sua vida. Até que, a dada altura, assume que em todas procurava, afinal, a felicidade. E termina assumindo que, por muita felicidade que tenha procurado, a pessoa que mais feliz o fez foi aquela a quem canta agora a música, e que é aquela por quem está completamente apaixonado. Não sabemos se é correspondido, mas pela forma confiante com o que o diz, diria que sim. A música termina bem, termina duma forma romântica, portanto, ao contrário do que estes versos que aqui mostro poderiam deixar antever.

Ora, eu tenho um amigo que é nitidamente a versão portuguesa do autor desta música. Só que é a versão portuguesa do autor ainda na fase da conquista, isto é, antes de encontrar a mulher da sua vida. Já não é um jovem de 18 anos - é da minha idade -, mas continua constantemente a conquistar e a apresentar-nos "amigas" diferentes. E dou por mim tantas vezes a pensar o quanto gostaria que ele encontrasse alguém para "assentar"....! O Cupido que há em mim já viu até mil e uma opções, mas, infelizmente, a seta ainda não o acertou. Por isso, ao invés de continuar a sonhar com a princesa encantada dele, dei por mim, no outro dia, a imaginar como seria escrever a história de vida dele. A pensar o quanto todos poderíamos aprender sobre a mente masculina e também sobre as mulheres. Sim, porque ele desenvolveu mil e uma estratégias para as conquistar e a verdade é que até parece que resultam em 99% dos casos. Pormenores como falar dum futuro a dois. Apresentar amigos. Elogiar muito. Ouvir mais e falar menos. Chamar nomes carinhosos, sem medo. São tudo pormenores que, segundo nos conta, resultam praticamente sempre. Às vezes gostava de me sentar com ele e escrever a vida dele, qual diário. Saber o que pensa quando conhece alguém novo. Saber se ainda sente borboletas no primeiro beijo. Saber se ainda é surpreendido nas conversas. Saber o que procura em cada uma delas. Saber se sente um vazio na vida dele ou se se sente feliz. Sei que o homem é um animal de caça, mas não é um animal de família também? Não fará falta, no final do dia, alguém que esteja lá sempre?...

Já me disseram que ele é o mais feliz dos homens, e que a história passada para o papel não teria interesse nenhum, porque seria apenas uma repetição de conquistas. Eu não acredito. Acredito que, tal como na música do Martinho da Vila, ele anda "apenas" a procurar a felicidade. Acredito que se quer apaixonar. Ser surpreendido. Sentir outra vez as borboletas. Dar a mão a alguém. E acredito que se sente sozinho muuuuuuuuitas vezes. E com um vazio dentro dele. Acredito que os mulherengos procuram, a partir duma certa idade, já não alguém para passar a noite, mas alguém para passar a vida. Concordam comigo, ou será uma versão demasiado romântica dos factos?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Tatuagens

Não tenho nada contra tatuagens. Não tenho nada contra uma ou outra tatuagem discreta e bonita. Nunca fiz, mas não repugna nada que alguém tenha. E até consigo achar uma ou outra engraçada, sim. No entanto, esta recente generalização, massificação até, das tatuagens já me cansa. Hoje estava a ver o vídeo do David Beckham para a nova campanha da H&M (aqui), vídeo esse até realizado pelo respeitado Guy Richtie, quando dei por mim a pensar "quando é que o álbum de fotografias, a parede de casa e os diários deixaram de ser suficientes? Quando é que passou a ser mais lógico espetar os nossos pensamentos, frases preferidas e caras da família... no corpo, com agulhas?". Não sei. O que sei é que já me fartei de ver jogadores de futebol e basquetebol (principalmente) cheios de Nossas Senhoras e outras variantes religiosas, cheios de frases a apelar a alguma sabedoria, cheios de caras recortadas e desenhos tribais espalhados pelo corpo. Já me cansei daquele manto de tinta. Uma pele limpa não é muito mais bonita? Além disso, parece-me que já deixou há muito de ser uma forma de mostrar ao mundo olhem-bem-isto-é-o-que-sinto-o-que-penso-e-o-que-sou. Passou simplesmente a ser M.O.D.A. Moda. Ter tatuagens já não simboliza ai-que-sou-tão-rebelde-e-luto-contra-o-sistema. Simboliza apenas, para quem as faz, que é parte do tal sistema. E talvez tenha sido nesse momento que me cansei definitivamente da moda das tatuagens. Se não, veja-se que até algumas das actuais bloggers de moda famosas além-fronteiras, mesmo com estilos mais conservadores, já aderiram à "febre da tinta":
A italiana Veronica, do The Fashion Fruit, escolheu tatuar nas costas aquilo que me parece ser uma borboleta. 
Esta tatuagem do mapa-mundo da também italiana Chiara, do The Blonde Salad, é das poucas a que acho alguma, porque dá para esconder com as pulseiras ou relógio.
A espanhola Alexandra, do Lovely Pepa, não devia ter folhas à mão, por isso escreveu no pulso algum recado para não se esquecer depois.
Mais tatuagens da Chiara. O laço na nuca é o pior, para mim. E lá estão as frases outra vez... Tantas frases... Ele é braço, ele é antebraço. Tudo menos escrevê-las numa folha, isso é que não.
Já estas tatuagens gosto mais, porque pelo menos estão em sítios discretos. Não cansam tanto.
E vocês, gostam de tatuagens? Já fizeram? Eram capazes de fazer? Ou já se cansaram, como eu?

Olha-me nos olhos.

Durante as férias, houve um jantar com um casal amigo que me marcou particularmente por três grandes motivos (não necessariamente por esta ordem de importância): descobri que o amor era também saber ler no olhar um do outro, aprendi a olhar sempre para o chão e percebi que sou um bebé a comer comer comida muito picante. Fomos jantar a um restaurante mexicano (típica comida do Algarve, não é?) e, a dada altura, assisto a este seguinte diálogo entre eles:
- Oh não!
- ...
- É o que eu estou a pensar?
- O que é que estás a pensar?
- Já percebi tudo a olhar para os teus olhos.
- Percebeste o quê?
- Percebi tudo. Fizeste "o" olhar.
- Que olhar?
- "O" olhar.
- Oh...
- Não disfarces. Onde é que elas estão?
(Eu estava atordoada com aquela troca de palavras. Decidi interromper) - Desculpem lá, mas... Quem são elas?
- Ele viu baratas aqui no restaurante. E está a tentar disfarçar.
Fiquei sem reacção. Eles tinham "o" olhar das baratas? Quantos olhares teriam, se chegavam ao ponto de ter "o" olhar das baratas?
- Viste mesmo baratas?
- Vi... Tentei disfarçar, mas parece que não consegui.
- Sabes que já te conheço.
Eu nem queria saber das baratas. Queria saber dos olhares. Naquele momento, podia ser atacada por um exército de baratas que nada me faria sair dali a não a resposta à minha pergunta: quantos olhares havia? Perguntei-lhes, preocupada. Desataram a rir.
- Não são muitos, não te assustes.
- Simplesmente, ela tem fobia a baratas.
- E na nossa lua-de-mel apanhámos alguns restaurantes com baratas!
- Por isso, quando ela me vê a olhar à volta, para o chão do restaurante, já sabe aquilo que procuro.
- Ah... Por momentos, pensei que lessem a mente um do outro, ou qualquer coisa do estilo.
- Ahaha ainda não.
Passado uns minutos, algo voltou, no entanto, a acontecer entre eles. Olharam-se. Sorriram. Ficaram naquilo uns segundos, a fitar-se. A sorrir. E beijaram-se, assim do nada. Eles podem tentar negá-lo a vida toda, que já não adianta. Aqueles dois falam entre si com o olhar. E a verdade? É lindo de assistir. E sonho com o dia em que consiga fazer o mesmo...

Pelo menos ajudem-me. Preciso da vossa ajuda.*

Há uns tempos, apanhei uma promoção que me pareceu logo para lá de espectacular num desses sites de promoções, por isso comprei logo um pacote de depilação definitiva que incluía 10 sessões em 5 zonas à escolha. 10 sessões! Em 5 zonas! Achei que as minhas preces tinham sido ouvidas. Já há muito que desejava ver-me livre destas malfadadas e inestéticas pelugens, há muito que sonhava com o dia em que me libertaria da opressão mensal da cera e da sua dor. Sim, há muito que imaginava para mim um mundo melhor, mais macio e indolor. Marquei imediatamente a primeira sessão, através do telefone, e, passado uns dias, lá fui para uma das mil clínicas Biothecare que existem espalhadas por esse Portugal fora. E que bom que foi. A dor da depilação estava lá na mesma, a cada luz e calor direccionado aos pêlos, mas era uma dor promissora, amiga. Era uma dor que me dizia, gentilmente: "aguenta-me agora e nunca mais terás que levar comigo". Era a dor que me traria a felicidade eterna. E, qual masoquista em grau avançado, sorri perante ela.

A cada sessão de depilação - definitiva, repito - eu saía mais feliz. Em casa, tomava banho e notava que a minha pele estava cada vez mais lisinha. Os pêlos iam abandonando o meu corpo e este ia ficando qual árvore sem folhas, em pleno Inverno. E que bem que se estava no Inverno! Seis sessões depois, já ia para o ginásio de mangas cavas, toda contente porque podia levantar os braços à vontade - as minhas axilas eram mais lisinhas que o peito do Cristiano Ronaldo... e nem tinha que me sujeitar à tirania da cera! A minha confiança ia aumentando de sessão para sessão, ao reparar que já não tinha quase nada. Quando as férias chegaram, lá andava eu de bikini a passear pela praia, mais confiante que nunca, e sem medo de ser traída por nenhuma pelugem mais curiosa por ver o mundo. No final da 8a sessão, já praticamente não tinha pêlos. Eu era uma pessoa feliz.

Só que não é para falar sobre a minha felicidade que vos escrevo, como o título deste post certamente indiciará. Escrevo porque esta história não terminou ali. Voltei a fazer mais uma ou outra sessão e regressei depois à minha vida, sem ter que me sujeitar mais a ceras, gilettes ou outros métodos depilatórios. Até que, este Verão, estava eu de bikini a apanhar um sol junto ao mar, quando reparo nas minhas pernas - os pêlos, esses malandros malditos, tinham voltado. E na pior altura possível! Porquê, meus pequenos, porquê? Porque é que não esperaram pelo fim do Verão? Enfim... Entretanto, aproveitei esta semana a minha consulta de dermatologia anual e perguntei à médica que tipo de depilação definitiva me aconselhava, já que a minha só tinha durado uns meses. Esta disse-me primeiro a frase assustadora que não queremos ouvir: "não existem depilações definitivas, existem depilações que retardam o nascimento do pêlo". Mas depois lá acrescentou que aquilo que eu tinha feito - depilação a luz pulsada - não era tão eficaz como o Laser Alexandrite, por exemplo. E que era este método que me aconselhava.

Por isso, queridas (e queridos, porque isto da depilação é unissexo, certo?) leitoras/es: já alguém experimentou este tipo de depilação? Se sim, onde fazem? Estão satisfeitos? Recomendam? Eu sei... São muitas dúvidas... Desculpem-me. Mas hoje é daqueles dias em que pensei que talvez isto de ter um blog sirva para alguma coisa. Antecipadamente grata pela vossa ajuda. :)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Fazes-me andar nas nuvens.

Estavas abandonado na prateleira. Em saldos. Bem baratinho. Até me pareceste engraçado. Mas sempre ouvi dizer que "quando a esmola é muita o pobre desconfia". Por isso, primeiro fiz o que me competia - desconfiei. Duvidei. Questionei. Peguei em ti com um certo desdém. "Ora deixa cá ver bem. De certeza que ao perto não é o que parece ao longe"... Pensei na regra da distância - ao longe tudo é bonito, o que interessa é ver junto a nós. Mas, feito teimoso, continuavas com bom aspecto, junto a mim. Toquei. Gostei do toque. Experimentei. Assentavas como uma luva. Não magoavas, encaixavas bem. Quis mais. Andei contigo algum tempo. Continuava a gostar de ti. Vi-nos ao espelho, um só. Gostei do que vi reflectido. Bastava. Decidi oficializar. Levei-te até à caixa. O pior que podia acontecer? Anular o negócio e devolver-te. Não aconteceu. Desde aquele dia de Julho na Zara nunca mais me apeteceu largar-te. És confortável. Fazes-me andar nas nuvens. Não me canso de ti. E gosto de ti especialmente à noite. Foste baratinho, mas sabes que mais? Até ao momento o barato ainda não saiu caro. Estou viciada em ti, meu par de sandálias. Espero que aguentes bem o uso que ainda te quero dar.



Vai ser já hoje?

Não gosto de medos. Fobias. Traumas. Não gosto deles. Tal como ninguém gosta, certo? Irrita-me ter medo. Irrita-me sentir as mãos geladas, a transpirar, e sentir um aperto na barriga gigante, como se umas mãos invisíveis me asfixiassem em torno do estômago, de cada vez que entro num avião. Mas entro na mesma, tento rir-me perante o medo que sinto. Sai um riso amarelo e tremido, pois sai. Mas entro no avião e sigo com ele, céu fora. "O medo está em mim, o medo não existe, o medo não é real. O real é esta viagem de sonho e vou fazê-la", digo a mim mesma. Irritou-me ter sentido durante algum tempo as pernas instáveis, a tremer, de cada vez que via uma mota a passar. Já caí duma e sei o que dói. Mas voltei a andar. "Se houver justiça no mundo, ninguém cai duas vezes duma mota. Já tive a minha dose", repeti a mim mesma. E fui, agarrada ao mundo das probabilidades, que nem sequer domino, mas que nesse dia era meu amigo inseparável. Até o medo desaparecer outra vez. Operações? Anestesias gerais? O apertozinho na barriga. Mas siga. "A medicina evoluiu tanto, há que confiar nos médicos" é a lengalenga dita até à exaustão. Medos... Temos medo de tanta coisa... Eu já tive estes medos. Há quem tenha de animais. De alturas. De multidões. De espaços apertados. Mas temos medo do quê, afinal? Do avião? Da mota? Da sala de cirurgia? Dos animais? Das alturas? Das multidões? Dos espaços apertados? Não... Temos medo de não acordar. Medo da morte. E porque temos medo da morte? Uma vez li que o medo que temos não é da morte, mas do que ainda queremos viver. Do que temos pendente aqui. Do que queremos concretizar. Das palavras que temos por dizer. Dos beijos por dar. Dos abraços por sentir. Das viagens por fazer. Das cartas por escrever. Da marca que queremos deixar. Mas porquê adiar? Por que não viver já hoje...?

Kate, podemos ser amigas?

Querida Kate,

Catherine Middleton, Duquesa de Cambridge. Mais conhecida por Kate. Por isso, permite-me que te trate assim, ok? E desculpa-me a língua em que me dirijo a ti, mas aproveito desde já para avisar que tens ali um botão do lado direito (o que diz "Translate") que irá traduzir este texto para a tua língua materna, ok? Peço também desculpa pelo tom coloquial com que te trato - o tratamento por "tu", e sem "Altezas Reais" ou "V. Exa." para trás e para a frente -, mas somos da mesma idade e acho que não faria sentido, não é? Por isso, adiante... Kate... Kate, minha querida. Andava há que tempos para te escrever, mas o tempo foi passando e ia sempre adiando. Perdi a oportunidade de te felicitar pelo noivado. Pelo casamento. Pelo anúncio da gravidez. E, agora, pelo nascimento do pequeno George. Perdi todos esses felizes acontecimentos. Mas não estive ausente, não penses isso - assisti a todos estes acontecimentos da primeira fila! E por "primeira fila" deve entender-se que estive sempre à frente da televisão, das revistas ou até do computador a acompanhar cada passo que ias dando. E sempre te vi radiante, airosa, sorridente, simples e com a tua expressão de felicidade contagiante. Sempre pensei "ora aqui está alguém com que, à primeira vista, me identifico e de quem podia ser amiga". Criamos muitas fantasias deste lado, sabes? Não te conhecemos de lado nenhum, nunca fomos apresentadas, mas temos tendência a gerar uma percepção das pessoas com base em fotografias ou pequenos vídeos. E o mais engraçado é que mal te ouvi falar até hoje! Nem nunca li nada escrito por ti... Mesmo assim, concluí que sei como és, estou convencida que te tracei uma personalidade. Sou um pouco ridícula, pensarás tu. Mas que se há-de fazer? Convenci-me que te conhecia... E sabes que mais? Concluí que gosto da tua maneira de ser.

Ora, mas como te estava a dizer há pouco, fui sempre adiando o dia em que te escreveria esta carta. Até que ontem, ao deparar-me com as fotografias oficiais de apresentação do teu pequeno George, decidi que não podia esperar mais. Tu, Kate, não podias esperar mais. Tinhas que ler isto. E o que te quero dizer? Quero dizer-te, antes de mais, que adorei as fotografias. Adorei que tivesses escolhido o teu próprio pai para as tirar - e não um fotógrafo profissional conceituado, de renome. Adorei que se tivessem deitado na relva, tu, o William, o George e até os cães - Lupo e Tilly, um cocker spaniel e um golden retriever, duas raças tão comuns - de forma descontraída e sorridente, sem grandes formalismos. Dizem os entendidos que o lugar escolhido - os Jardins de Berkshire - fazem lembrar as fotografias do teu marido em bebé, com os pais Diana e Charles, nos longínquos jardins da Government House, em Auckland, Nova Zelândia. Feliz coincidência ou fonte de inspiração? Eu direi que não há coincidências...

Adorei também que tivesses escolhido um vestido de uma marca acessível - não muito conhecida em Portugal, mas que dá pelo nome de Seraphine, -  e que até pode ser comprado online aqui. O vestido custa a módica quantia de 46 libras (em euros, serão 53€) e faz-nos pensar que, afinal, todas nós podemos ter o look duma verdadeira princesa, pois ele está apenas a 46 libras de distância... Outro pormenor que gostei muito foi o facto de nem te teres dado ao trabalho de pintar as unhas. Não deves saber, mas também eu sou uma verdadeira adepta das unhas o mais naturais e práticas possível. E gostei de ver que nisso és como eu. Adorei também que, mais uma vez, mantivesses a maquilhagem sóbria, com destaque apenas para o eyeliner subtil dos olhos. Uma vez li que os maquilhavas assim, porque, quando conheceste o William, usavas dessa maneira e ele te elogiou bastante os olhos. Li que quiseste manter o estilo e continuar a maquilhar-te tu mesma, porque sabias que era assim que o William - agora teu marido e pai do teu filho - gostava. E que desculpa mais romântica e desconcertante que esta poderá haver? Adorei ainda as mangas dobradas do William, num toque de descontração que se assemelha a qualquer família num final dum dia de trabalho.

Sei que os críticos dizem que as fotos carecem de qualidade técnica; sei que criticaram o tratamento da luz; sei que não gostaram do facto de, numa das fotos, um cão ter o nariz cortado, mas... que se lixem os críticos, não é? A mim, conquistaram-me. Achei luminosas, gostei do registo de proximidade e do ar descontraída. Vê lá tu, Kate, que eu, que nunca fui muito dada a piqueniques, penso até já em partilhar uma toalha na relva com vocês, quando quiserem vir até Portugal. Gostas da ideia? É que gostava de vos convidar a vir cá passar uns dias, com o George. E tragam o Lupo e o Tilly, porque podem brincar com a minha cadela. Ofereço-vos desde já a minha casa. Venham todos, Kate. A sério... Levo-os a conhecer os recantos mais bonitos de Portugal. Tiramos umas fotografias. Trocamos uns vestidos entre nós, se a confiança chegar a tal. Secamos o cabelo uma à outra (quero saber que produtos usas para ter esse cabelo tão brilhante, dizes-me? Temos um corte e cor de cabelo parecido, mas o meu não tem esse brilho....). Esquecemos a manicura. Dás-me conselhos de maternidade. Falamos de viagens... Essas coisas. Combinado? Diz-me depois quando vêm, para preparar tudo. Sei que vão gostar!

Aguardo notícias tuas.

Beijos,
Tua amiga (se o quiseres) Pippa.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Quero ser uma Maria vai com as outras. E falar da Judite. Posso??

Todos falam. Todos comentam. E eu também quero. Posso? Também quero falar - ainda que muuuuuiito atrasada, eu sei, mas só vi hoje com calma - da entrevista feita pela Judite Sousa ao Lorenzo Carvalho. Pois bem... A entrevista começa com uma pequena peça introdutória já a denunciar o estilo seguido posteriormente pela jornalista: a música de fundo escolhida é "Money, Money, Money", dos Abba (tãaaao subtil), e surge-nos primeiro um Lorenzo a sacar uns piões num Ferrari, e depois um grande plano do seu peito tatuado, junto da Pamela Anderson, enquanto o rodapé nos explica quem é o entrevistado de hoje "Lorenzo Carvalho - Milionário famoso pelas festas de luxo e pela paixão pela Ferrari". Vemos depois o Lorenzo a conduzir outro Ferrari, numa pista. E, por fim, as filas de jovens a tentarem entrar na discoteca onde celebrou o seu aniversário. Ouvimos também dizer que é piloto da Ferrari, que paga cerca de um milhão de euros para participar em cada corrida e que desembolsou largas centenas de milhares de euros "para ter convidadas à altura" na sua festa de aniversário. Ficamos ainda a saber que aspira entrar para a Fórmula 1, que a família tem negócios na área das pedras preciosas, que é extravagante e que desistiu de estudar aos 16 anos "apenas porque sim".

Estas são algumas frases da entrevista que me marcaram particularmente, pelo tom inquisitório da mesma (marcado a negrito):

Judite Sousa - Lorenzo, você tem noção de que estas imagens, que são reais, num país que está a atravessar um momento particularmente difícil nos últimos... quase quarenta anos... talvez o período mais difícil... causem alguma estupefacção e surpresa às pessoas? (...) Quem é você??
Lorenzo - (...) Com essas imagens que apareceu parece até que sou uma pessoa fútil, mas graças a Deus quem me conhece sabe que eu tenho muitos princípios de vida. (...) Queria corrigir: eu não paguei à Pamela Anderson, eu simplesmente convidei (...), paguei o bilhete, paguei a estadia...

- Familiares seus morreram em circunstâncias trágicas... (...)
L - Acidentes...
J, acelerada - Foram assassinados??
- Não... absolutamente....

J - Não se vê como pessoa fútil. Mas tem noção que qualquer pessoa, seja de que idade for, seja de que sexo for, seja de que origem for, vê a imagem de uma pessoa fútil?(...)
L - (resposta vaga em que aborda viagens e cultura)
J decide avançar e prefere comentar, isso sim, os acessórios de Lorenzo - (...) Você deve ter um relógio que... não sei... deve custar uns cinquenta mil euros. Você tem uma cruz de diamantes ao pescoço. Você está carregado de milhões de euros! Como é que você acha que as pessoas olham para si?

L - As pessoas quando me conhecem, as pessoas, os meus amigos, as pessoas que vão me conhecendo no dia-a-dia entendem que eu, na real, eu dou muito mais valor a uma boa amizade, uma amizade verdadeira, que é muito mais difícil de arrumar que vários milhões de euros. É....
J interrompe - Mas você é um verdadeiro consumista. Olha-se para si e percebe-se isso.
- Eu sou consumista como todas as pessoas que gostam das coisas boas. Quem pode ter - graças a Deus - uma qualidade de vida diferente, (...) vai querer uma coisa boa.

- (...) E fico chateado também por não poder ajudar todas as pessoas. (...)
J, nitidamente sem ter ligado àquela frase - Porque é que você não ajuda as pessoas que lhe pedem ajuda? (...)
- (...) Ajudo tudo o que eu posso ajudar e que me toca no meu coração e que eu possa fazer de sincero. (...). Tem uma empresa aqui em Portugal que realiza os sonhos das crianças em fase terminal (...) Eu realizo os sonhos das crianças (...) uma vez por mês. (...) Quero ter a possibilidade de ver as crianças - principalmente em fase terminal...
J, a interromper outra vez - Lorenzo, eu tenho dificuldade em perceber uma coisa... (...) Porque é que você não intervém no plano social (...)?
- Eu penso em contribuir. E eu acho que eu, já de estar em Portugal e fazer as minhas empresas e dar mais lugares de trabalho, ajudar algumas pessoas que eu ajudo, ajudar as crianças que eu já ajudo, eu acho que já estou contribuindo e fazendo mais do que a minha parte, e eu faço isso com o coração e vou continuar fazendo. (...)
J, mais uma vez, nitidamente sem ter ouvido uma palavra, ou a fingir que não ouviu - Não acha uma atitude egoísta? Da parte de quem tem muito?

- O dinheiro dá felicidade?
- O dinheiro dá felicidade, mas se você não tiver com quem gastar o seu dinheiro de sincero, ele não vale nada para mim.

- A vida não é rodada somente em volta a um dinheiro. (...) Tem vários valores que pelo menos eu dou muito mais valor que ao próprio dinheiro: a honestidade, a palavra...
J interrompe-o novamente e decide alterar de forma brusca o assunto - Você é muito excêntrico, você tem o corpo todo tatuado.

O Lorenzo corrige ainda e diz que não quer ser piloto da Fórmula 1, nem paga para participar nas corridas - são os patrocinadores que pagam.

Há anos que comento com as pessoas que me são mais próximas - especialmente com a minha mãe -, o quanto admiro o estilo da Judite no que ao vestuário e acessórios diz respeito. Acho-a uma senhora a vestir. E suspiro quando vejo as suas malas Chanel. Os seus botins Louboutins. Os seus vestidos Gucci. Etecetra, etcetra e tal. Porque posso não falar de moda aqui no blog, nem ser nenhuma entendida na matéria, mas, como qualquer mulher que se preze, gosto de ler sobre o tema (é sempre um doce para os olhos), e vou encontrando sempre na Judite os últimos modelos saídos das colecções, quer seja nos acessórios, quer seja nos próprios trapinhos. Mas sempre pensei "ok, é porque pode, o dinheiro é dela, faz o que entender". E custou-me mesmo ver alguém que sempre se vestiu melhor que qualquer mulher comum criticar tão duramente outro alguém apenas por ser... rico. Sei que já muita tinta correu sobre este assunto, e que o que aqui escrevo são apenas mais míseras achas a juntar a uma gigante fogueira, mas não resisti. Atenção: o Lorenzo não parece nenhuma inteligência rara. Não fala muito bem. Engasga-se todo. Diz aqueles lugares-comuns que todos os brasileiros dizem, há que assumi-lo. Algumas frases parecem só para "inglês ver". Não me convenceu com aquilo da Terra dos Sonhos, pois atrapalhou-se muito. Não sabia sequer qual era o seu sonho de vida. Não se soube vender, em resumo. E tenho a certeza que ninguém iria ficar a gostar particularmente dele, ou a achá-lo um supra-sumo se a entrevista fosse bem conduzida, sinceramente. Ou seja, se fizessem a entrevista de forma isenta, desapaixonada e o deixassem a falar sozinho algum tempo, tenho a certeza que poucos ficariam a adorar o Lorenzo. Iam achá-lo bom rapaz - ok - mas realmente excêntrico, e ninguém iria perder mais um minuto a falar dele ou defendê-lo. Com a atitude inquisitória da Judite Sousa, no entanto, gerou-se um manto de gente a sair em defesa dele. Era desnecessário. Foi desnecessário. Cada pergunta. Cada tom. Cada interrupção. Cada comentário acusador.

Move like Jagger

Há pessoas que carregam um fardo com elas desde sempre. Ou porque têm um gémeo e vão ter que ouvir toda a vida - "ohh são iguais!!". Ou porque têm determinado nome ou apelido que será sempre dado a trocadilhos - "Julieta? E onde anda o teu Romeu?", ou ainda "Chamas-te Adão? E já encontraste a tua Eva?". Ou porque têm certa característica de nascença que é dada a comentários -"esta madeixa branca é natural?". Ou porque são da família de alguém conhecido -"diz-me: como é ser sobrinha dum Ministro?". Ou porque... são parecidos com alguém famoso. São cópias de carne de osso. Já conheci alguns duns primeiros casos. E vivenciei de perto o que era estar constantemente a receber os mesmos comentários, até ao ponto em que as palavras perderam todo o significado e a resposta sai sempre mecanizada e com um sorriso forçado, tal é o cansaço de ouvir sempre o mesmo.

Estas férias, no entanto, conheci finalmente um exemplar do último caso - um sósia de alguém famoso. E, sem pensar duas vezes, dei por mim a fazer o mesmo que toooooda a gente faz - a comentar também, como se tivesse sido a primeira pessoa a descobri-lo.
- Já alguém lhe disse que é extremamente parecido com o Mick Jagger?
- Ohh! That's the story of my life! [notem bem a resposta pronta, e na língua materna do sósia]
- A sério?
- Yes! Nem imagina as vezes que me dizem isso...
- Mas a sua mãe tem alguma coisa a dizer sobre isso? É possível que...?
- Ahahah! [gargalhadas teatrais] Não, a minha mãe sempre viveu em Portugal e nunca conheceu o Mick [reparem na familiaridade - "Mick", sem mais]. Mas sabe... Uma vez estava a jantar em casa duns amigos, em Londres. E calhou de o Mick estar também nesse jantar. A dada altura, não resisti e fui falar com ele. Disse-lhe "You know... everyone in Portugal says that we are very similar".
- E então??
- E ele ficou mais sério. Fitou-me. De cima abaixo. E respondeu-me "well... I can see why..." Depois acrescentou, muito solene "Now please tell me: who's your mother?". Ahahah!
- Ahah. [ri-me também, mas confesso que senti que estava a assistir a uma peça de teatro já apresentada vezes sem conta]
Na noite seguinte, lá o vimos novamente muito compenetrado a dançar, sozinho, talvez à espera que o abordassem mais uma vez com aquele comentário. Comentário esse que o surpreendia tanto quanto a sua cara de surpresa, estudada anos a fio em frente ao espelho, permitia demonstrar: zero. Essa era a história da vida dele. E parecia já habituado a vivê-la assim.

Há pessoas que carregam um fardo com elas desde sempre. E para sempre. E acabam por habituar-se a ouvir o mesmo toda a vida, qual banda sonora riscada, sempre em "repeat". Felizmente, quanto a mim -à excepção duma personagem dos Morangos, mas só durou uma temporada, felizmente - nunca me associaram a ninguém. Também não tenho irmã gémea. Não tenho nome próprio dado a trocadilhos. Não tenho características de nascença dadas a comentários. Ou familiares conhecidos. E ainda bem...

E vocês, inserem-se nalguma destas características? Há algum comentário que tenham que ouvir toda a vida, constantemente?

domingo, 18 de agosto de 2013

Lógicas da batata (ou da bola)

- Vamos à missa?
- Já sabes que não acredito em nada disso... Rezar para quê? As nossas palavras não vão mudar nada!

- Quanto está o jogo? [estava 1-1, soube depois]
- Shiiiu!!
- Shiu?
(Em surdina) - Sim, há aqui portistas e pode dar azar falar no campeonato!!
- Oh... Como se uma palavra dita por mim mudasse o destino do jogo. Oh vê...  Não vai mudar nada: campeonato. Campeonato. Campeonato. Campeonato. Campeonato.
(dez minutos depois)
- Quanto está?
- Eu disse-te para não dizeres a palavra. Estragaste tudo.

Ou seja:
1- Rezar? Nãaa. Disparate. Nada do que possamos dizer/ pedir muda alguma coisa. As nossas palavras são totalmente vãs!!
2- Dizer "campeonato" ao pé de portistas no primeiro dia do campeonato? NEM PENSAR!! Posso mudar todo o destino do mundo. Ok... É realmente lógico. ;)

sábado, 17 de agosto de 2013

Gerês report

Gerês. Palco deste fim-de-semana. Mais concretamente, Barragem da Caniçada, zona conhecida nos últimos tempos por albergar a família Aveiro e alguns papparazzi, em busca da melhor fotografia do nosso Ronaldo com a sua amada Irina. No entanto, a barragem é muito mais que paisagem de fundo do romance do nosso conterrâneo mais famoso além-fronteiras. A barragem é mais um lugar paradisíaco que o nosso país nos oferece. E que privilegiados somos! Se até há duas semanas atrás me perdia pelas falésias do Algarve, praias quase inalcançáveis com areia tão fina que quase se mistura com a nossa pele; se até há uma semana era o Alentejo que me maravilhava com as suas planícies a perder de vista, casas brancas, arrozais, praias onde o rio e o mar se tornam um só, cegonhas e pratos impossíveis de resistir; hoje é a vez do Minho revelar os seus segredos, entre montes e vales, encostas verdes, e rios, e lagoas, e nascentes... Já disse o quanto gosto deste país, não já? Digo-o outra vez. De norte a sul, do centro até ao litoral. Que bem que se está por aqui...
(e pela alegria com que alguém se atirou logo à água, acho que não sou a única a achá-lo ;) )

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tenho sonhos para dar e vender*

Estava a ler este texto sobre a (surpreendente, no mínimo!) possibilidade de o Ben Stiller vir a ser nomeado para os Oscars e decidi ir espreitar o trailer do seu próximo filme "The secret life of Walter Mitty". O trailer é apelativo, tem uma óptima fotografia, apresenta-nos um Ben Stiller que parece mais maduro e contido (finalmente, já não havia paciência para tantas caretas), e realmente despertou-me a curiosidade para o ver. Lá terei que esperar até ao final do ano.

No entanto, aquilo que me deixou mais a pensar nem foi isto do Ben Stiller, até porque nem conheço o rapaz de lado nenhum, e - apesar de embirrar com ele -, só lhe desejo o melhor (se é que se pode desejar o melhor a um desconhecido). O que me deixou a pensar foi a mensagem que retirei dali, sobre pessoas que vivem afogadas em sonhos, a querer fazer isto e aquilo, a sonhar com esta viagem, em conhecer determinado sítio; a sonhar com o dia em que vão poder ousar, avançar, fazer. Pessoas, em resumo, que vivem cheias de sonhos, mas que não avançam pelo medos e pelos "se". Pessoas que constroem muros à sua volta e não se permitem ser felizes... Até ao dia. Quando o dia chega, deixam tudo para trás, esquecem medos e dúvidas e apenas vão. Vão realizar tudo aquilo que sempre existiu apenas nas suas cabeças.

E a verdade é que escrevo isto, porque às vezes tenho medo de ser eu própria uma dessas pessoas cheias de hesitações. Tenho mesmo. Mas preciso de sentir esse medo para saltar. Avançar. Sempre que tenho medo de estar parada, dou um passo. Foi assim com este blog, por exemplo. Adorava escrever, mas nunca o fazia, por isso tinha medo de acabar por morrer sem ter escrito uma linha. Avancei e comecei para aqui a debitar umas parvoíces. É assim com as férias que vou marcando. Quando começo a achar que existe a possibilidade de morrer sem conhecer determinado sítio, encho-me de força, perco o amor ao dinheiro, e marco. E vai sendo assim com quase tudo. O medo de morrer sem ter experimentado isto ou aquilo faz-me sempre dar o passo em frente. Por isso, como explicar que, de cada vez que vejo um filme destes (neste caso, apenas o trailer), por exemplo, me dê esta vontade de pegar numa mochila gigante e na máquina fotográfica, e ir viajar mundo fora? Parece que ainda tenho tanto, tanto para viver... Sou só eu assim? Sempre com esta angústia de não viver tudo enquanto é tempo? Sou só eu que tenho medo que o tempo não chegue para realizar todos os meus sonhos? Tenho quase a certeza que não.

*E vendo baratinho, que isto com a crise...

Acho que me convenceram.

post de hoje é sobre séries de televisão. E a propósito do tema, há uma história que me vem muitas vezes à memória e que marcou, em simultâneo, o início da minha actual relação. Ali entre 2007 e 2008, eu (e mais alguns milhares de mulheres?) andava completamente fascinada com a Grey's Anatomy, e acima de tudo com a relação entre a Meredith e o McDreamy (quantas de nós não lhe sussurrámos: "esquece essa depressiva indecisa, escolhe-me a mim!!"?). E andava tão fascinada que tinha até o tema da série como toque de telemóvel, e tinha o cuidado de não combinar nada em dia de episódio novo. Tão fascinada que sonhava encontrar - também eu - o meu McDreamy, já que este estava ali do outro lado do mundo agarrado àquela miúda sem sal, sem expressão e sem o mínimo de piada ("o que é viste nela?", perguntava-lhe a cada episódio... sem resposta).

Por outro lado, no final de 2007 e início de 2008 era solteira e boa rapariga. Solteira e decidida a só avançar com alguém se decidisse que era "o tal". Solteira e decidida a viver uma história de amor típica de filme. Tinha que encontrar alguém com os olhos e o cabelo dum McDreamy, o corpo dum Brad Pitt, a voz dum Caleb Followill, o sentido de humor dum Jerry Seinfeld, a inteligência dum Stephen Hawking, e por aí adiante... Nada exigente, portanto. Nesses entretantos, um certo amigo (de há muito) andava a tentar combinar alguma coisa, mas acontecia que o convite coincidia quase sempre com o dia em que a série passava. Andávamos mesmo desencontrados. Até que um dia, recebo uma mensagem no telemóvel que diz apenas "vai à caixa do correio". Assim fiz. O que encontro? Uma caixa com os episódios todos da "minha" série. E um cartão - "vê lá se despachas a porcaria da série de uma vez por todas para não teres mais desculpas para me dar". Escusado será dizer onde acabou esta história: eu despachei os episódios todos em dois dias e fui então ter com aquele que revelou ser o meu McDreamy de carne de osso.

Ficámos juntos, como se percebeu, e algo que sempre esteve praticamente subentendido foi que não veríamos essa maldita série juntos - ele tem uma aversão qualquer à série, não sei bem porquê. Assim, as séries que fomos vendo em conjunto nunca foram muitas, e pouco variou entre Modern Family, How I met your motherThe Middle e ainda o Sex and the city. Nestas férias, no entanto, quis saber, junto dos meus casais de amigos, que séries é que viam eles em conjunto, pois tenho a nítida sensação que sempre insisti para que víssemos séries mais "de mulheres". E achei interessante que uma resposta coincidiu em dois casais, e com o mesmo incontido entusiasmo: "Game of Thrones" (!!), disseram. Mais: um amigo nosso não largou nunca um dos livros da saga na praia... Quis saber mais, quis perceber o entusiasmo e fui pesquisar: encontrei um reino de fantasia, dragões, mortos-vivos, irmãos gémeos que se envolvem sexualmente, lutas pelo poder, pessoas decapitadas, lutas, mais fantasia. Pensei "isto não é para mim, gosto de séries reais e com sentido de humor". Mas algo me deixou a pensar. E esse algo foi a nota de 9,4 dada no site do Imdb. Repito: nove vírgula quatro! Tudo bem que podem ser só fanáticos a votar, mas mesmo assim é uma nota considerável... Li ainda sobre o sucesso dos livros e da série. Sobre o orçamento milionário. Li as críticas a comparar com o Senhor dos Anéis, e a dar clara vantagem a esta nova série...

Conclusão: pensei de mim para mim que, enquanto fã assumida da saga Star Wars e das histórias do Tolkien, deveria dar uma oportunidade a esta nova série. E vi ontem. Só um episódio?, perguntam vocês. Três. Tive que ver três seguidos. Cada episódio tem quase uma hora, mas passa a correr e é viciante. Adormeci às três da manhã. E acho que já percebi algum do fascínio em torno da série. Alguém segue? Vale a pena continuar a ver?

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Ela usa. Queres comprar também?

Uma estratégia que é utilizada frequentemente pelas vendedoras das lojas para nos impulsionarem a comprar - e acreditem que já ouvi muitas frases, pois costumo ser um alvo fácil - é dizerem-nos "olhe que esta peça está a vender muito!", ou então "não quer comprar? Anda tudo maluco com isto", ou outras variantes. Sinceramente, comigo tem sempre o efeito contrário e acaba por me tirar toda a vontade de comprar. "Então se toda a gente tem, quero ver outra coisa, por favor." Já bastavam os uniformes no colégio, não é?

Houve, no entanto, um episódio deste estilo que me marcou especialmente e de que me recordo amiúde. Eu tinha uma festa qualquer, o vestido estava escolhido, mas precisava dum soutien diferente daqueles que tinha, porque o vestido era decotado dos lados. Fui a uma loja de lingerie com uma amiga, pusemo-nos a pesquisar o que existia e, quando nos decidimos a experimentar, pedimos ajuda à funcionária.
- Tem este modelo tamanho x?
- Tenho, querida. Dê-me um momento, por favor.
- Obrigada.
- Aqui está! Escolheu bem o soutien, sabe? Está a vender-se muito bem, este modelo.
- Hmm...
- E já viu este também? Mas este é para datas especiais. É todo alcochoado. Faz um decote muito muito bonito. Quem adora e só compra este é a menina X.
- Hmm...
- Filha do Dr Y, sabe?
- Sim, sei.
- Quem gosta muito do que escolheu é a Z. A actriz, está a ver? Comprou logo as cores todas.

Aquilo começou a fazer-me confusão. Não haverá nenhuma regra de sigilo profissional para estas pessoas, como existe para os padres e médicos?? Escusado será dizer que não comprei nada. Não sou ninguém importante, mas com a facilidade com que as informações lhe saíam, o mais provável era, no dia seguinte, já todas as clientes saberem qual era a minha cor preferida de lingerie, número e preferências de roupa interior. Dispenso, obrigada. Quanto à Z, serviu para ficar a saber que até tem bom gosto. ;)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pergunta rápida

Hoje estive parada no trânsito uns minutos. E coincidiu estar parada exactamente à porta dum... motel. Um dessees móteis conhecidos essencialmente por se ir para lá fazer o amor e pagar à hora. Nesse entretanto, saíram e entraram carros só com uma pessoa dentro. A minha dúvida é: haverá alguém que goste tanto de si que é capaz de pagar para ir para um motel... "fazer amor" consigo mesmo? O narcisismo e amor próprio chegarão a esse ponto?

(Afinal eram duas dúvidas, peço perdão)

A casa dele é mais arrumada que a minha.

Ontem fui conhecer a casa dum vizinho (amigo nosso) que mora num apartamento exactamente igual, mas noutro andar. Ele já lá tinha ido e tinha-me dito maravilhas, por isso quando insistiu para que fosse também, lá acedi em menos dum piscar de olhos. Mal entrei, fiquei encandeada. Sabem a sensação de entrar dentro duma revista de decoração? Foi a sensação que tive. Não havia um prato à vista em cima da mesa de jantar. Uma almofada no sofá fora do sítio. Uma peça de roupa à vista no quarto. Ou uma migalhinha a dar um ar da sua graça perdida em cima da banca da cozinha. Nada. Tudo brilhava. E brilhava à meia luz, que isto das casas das revistas de decoração tem sempre outro charme e suavidade. Tudo parecia gritar "fotografa-me, vá, estou aqui para isso", ou "cheira-me, ora vê lá que cheirinho a baunilha e sais de banho tenho". Mostrou-nos entrada, sala, casa-de-banho. E o quarto dele. Abriu o armário da roupa - tudo dividido por cores e devidamente pendurado. Senti-me um farrapo. Nem eu, que sou mulher, tenho a roupa assim tão impecavelmente exposta!!

Até que mostrou a cozinha. E abriu o frigorífico. Vazio. Abriu a despensa. Vazia. Explicou-nos que raramente fazia refeições em casa. Mais: explicou-nos que passava pouquíssimo tempo em casa, com um sorriso que me soou a tristeza. "Vida de solteiro, sabem como é!", acrescentou, tentando sorrir ainda mais. E a meia luz tornou-se uma penumbra. O brilho tornou-se em solidão. E até o cheirinho me pareceu, de repente, ser afinal a vazio. A casa não estava impecável - estava apenas vazia, sem uma mão feminina que a desarrumasse, e arrumasse outra vez, e tirasse novamente do sítio, e arranjasse. Uma mão que a aquecesse aquela casa. Que desfizesse aqueles lençóis de hotel. Que atirasse revistas para o chão. E depois pegasse outra vez. Uma mão feminina que ligasse aquela aparelhagem e pedisse para dançar. Uma presença feminina que fizesse uma marca no sofá, em frente à televisão. Que pedisse um ombro. E chorasse. E risse. E abraçasse. Uma presença que tirasse as almofadas do sítio. Deixasse cair cabelos no chão. Marcasse os tapetes com os seus saltos. E com os seus pés. Quatro pés a desarrumar.

Viemos embora. Entrámos em casa. Olhei para o chão. E nunca gostei tanto de ver quatro pés (e quatro patinhas, diga-se) a passearem e a desarrumarem tudo à sua passagem. As casas são para desarrumar. E arrumar. E desarrumar outra vez. As casas são para viver. Posso não ter uma casa de revista de decoração. Mas tenho uma casa cheia de coração.

Vamos fazer nudismo?*

- Vamos dar uma volta pela praia? Estou farta de estar deitada.
- E o teu livro...?
- Já acabei.
- Ok. Vamos lá. Aproveitamos e damos um mergulho.
- Sim! A água parece óptima.
E lá demos o nosso passeio pela praia, essa prática comum, lado-a-lado com o ler um livro, besuntar-nos de protector solar, jogar raquetas, dar uns mergulhos, ou simplesmente ficar a ver quem passa (há que admitir que 90% dedica-se maioritariamente a esta). A meio do passeio deparámo-nos com umas rochas que iam até ao mar, formando um muro que separava a praia onde estávamos da praia que existia depois.
- Avançamos?
- Sim, vamos ver que tal é a praia a seguir.

A praia a seguir parecia o paraíso: estava praticamente vazia, a areia era branca e fina, e tinha apenas uma ou outra toalha a pintar de cor aquele branco imenso. Ao longe, um duo de senhoras jogava raquetas. No mar, um senhor nadava bruços de forma muito compenetrada.
- Adoro esta praia! Amanhã temos que vir é para esta, não achas?
- Por mim, vimos.

Continuámos. Respirava-se paz. Cheirava-se a maresia. Ouvia-se apenas o bater das ondas. Lentas. Constantes. Ora preguiçosas. Ora enraivecidas. O duo feminino com as raquetas estava cada vez mais perto. Mas nem esta presença destoava da imagem de brancura e harmonia que os meus olhos viam e absorviam, maravilhados. Até que me apercebi que algo estava mal. Faltava cor. Faltava a cor das suas roupas!
- Oh... Eles estão todos... nus! Já reparaste?
- Pois estão. Então não viste que toda a gente nas toalhas está assim? É uma praia de nudistas. E o nadador aqui do lado também está nu.

Virei-me para a direita para ver o mar. Infelizmente, temo nunca mais esquecer esta imagem em toda a minha vida. Qual Mitch no Baywatch, a sair das águas agitadas de Los Angeles, o nosso "nadador"sexagenário saía em câmara lenta do mar. No entanto, se na série era a água e as mamas da Pamela que se agitavam, nesta imagem era todo o corpo do nadador - e sublinhe-se bem o todo. E o pior é que preferia não ter visto, mas fiquei fixada - a mente humana tem destas incongruências. Mais à frente, as duas mulheres, nos seus cinquenta anos, também jogavam em câmara lenta. Vi que uma tinha uma tatuagem de algo indecifrável, com ares de vegetação artística, nas costas, já meio apagada pelo tempo. Estava a reparar na tatuagem quando a bola fugiu, e foi a correr apanhá-la. E foi ver aquele perfil, outrora firme e sensual, agora apenas caído, a mover-se em ondas, como o mar.
- Isto é horrível. Parece um lar em que todos perderam as roupas.
- Mas pelo menos parecem todos muito felizes...
- O que é que estás a fazer?
- A tirar os calções. Em Roma, sê Romano.
- Está quieto.
- Nãao, tem que ser. E tu tens que tirar também. Pelo menos a parte de cima. Tem que ser. É uma ofensa para estas pessoas estares vestida. Já devias saber.

Não sei onde é que ele leu o "Manual de Boas Maneiras aplicado a Praia de Nudistas", porque já não é a primeira vez que me diz isto. Mas tão-pouco pensei nisso. Tirei dois micro-segundos a parte de cima do bikini, só para o calar. Eu já estou farta de saber que ele não tem pudores nenhuns, por isso, naquele momento, só queria mesmo que deixasse de insistir. Viemos embora. Passámos as rochas. Voltámos à "civilização". Até que vejo duas miúdas a jogarem raquetas. Em topless. Estas, sim, já com corpos firmes e pós-bisturis. Uma delas tinha também uma tatuagem no fundo das costas. E também um motivo "herbal" qualquer. Ele fixou-se naqueles movimentos como eu me fixei no nadador, uns minutos antes. Mas pelos motivos opostos, claro. Quanto a mim, naquele momento, não conseguia deixar de pensar que não tinha passado umas rochas. Tinha passado, isso sim, um portal do tempo. E estas duas amigas de corpos perfeitos e costas tatuadas iam ficar iguais às duas mulheres que tínhamos acabado de ver. Olhei-as, seguindo o olhar dele, com uma certa nostalgia por elas. Pensei na (rápida) passagem no tempo. E em como também eu vou ficar como as senhoras da praia depois das rochas. Pensamentos relativamente profundos, portanto. Até que ele me interrompe:

- Estás a pensar o mesmo que eu?
- Em que pensas?
- Que aquela exagerou no silicone. Assim não gosto.

Adoro estes momentos de (zero) sintonia. Mas é por isso que gosto dele. Põe-me os pés na terra.

- Pois exagerou. Daqui a um ano estão todas caídas.
- Quis pôr todo o stock que havia na clínica, agora deve estar arrependida.

E lá continuámos o passeio.


*Só me lembrei depois que também já tinha contado uma história muito parecida aqui. Acho que estou a ficar repetitiva. Ou então é a minha própria vida que se repete...

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Não acredito em imitações*

Não gosto de imitações. Por isso, evito comprar tudo o que não seja original. Claro que já fiz os meus disparates (lembras-te, D., das nossas pseudo-Chanel branquinhas iguais, compradas há mil anos a uma senhora que as vendia descaradamente em frente a uma loja oficial da marca?), mas cheguei à conclusão que não faz sentido usar materiais fracos e com ar rasca, só porque parecem de determinada marca. É desprestigiar completamente a marca. E parece-me uma falta de bom senso usar algo que afinal é uma porcaria quando podemos utilizar materiais melhores, com design próprio e a preços acessíveis. Por isso, decidi que a minha regra seria sempre esta: ou tenho dinheiro e compro determinado produto de marca X, ou, se não tenho, não compro ou então compro um mais barato da marca Y. Aplico a regra aos óculos - em que o essencial é acima de tudo uma boa lente. À roupa. Aos sapatos. E acessórios. Se tenho dinheiro, posso dar-me ao luxo de comprar aquela mala, por exemplo. Se não tenho, não compro ou uso as que tenho. Tão simples quanto isso.

Pois então andava há uns tempos a piscar o olho a uma Pashli, do designer Phillip Lim, em fase de arrebatado amor platónico ("quero-te muito, adoro tudo em ti, mas infelizmente acho que nunca hás-de ser minha"). Sabia que tinha tudo a ver comigo e que podíamos ser muito felizes juntas, mas algo estava entre nós, e esse algo começava por "e", terminava em "s" e tinha "uro" no meio. Até que vi recentemente (aqui) que afinal podemos comprar, a partir de Setembro, nas lojas da marca "Target" a versão mini por 35 dólares (!!). E feita por quem? Pelo próprio Phillip. Pelo que, sendo assim, deixa de ser considerado imitação, certo? Sendo assim, concedo autorização a mim mesma para me permitir tal namoro. Alguém vai aos EUA nessa altura?...


*Este post é fútil, aviso já. Se não gostarem, voltem amanhã de manhã. Digam-se só algo, antes de saírem daqui, por favor: por acaso não vão aos EUA a partir de Setembro?