segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A mulher que se cansou de ser feliz

Foi amor à primeira vista. Trocaram olhares e ambos souberam.
Foi daqueles amores tão avassaladores que o resto do mundo deixou de existir. Daqueles amores que sugam tudo para dentro de si. E passaram a existir apenas os dois.
Ela era sonhadora. Ele prático. Cada um completava o outro.
Ela adorava música. Ele adorava ouvi-la falar dessa paixão. Muitos concertos viveram, só os dois.
Ela tinha inseguranças. Ânsias. Dúvidas. E tormentos. Ela dava-lhe força. E adorava poder protegê-la e reconfortá-la.
Ela era uma artista. Mostrou-lhe um mundo novo. Ele mergulhou nesse mundo. E viveram anos isolados de tudo e todos, nesse mundo só deles.
Até ao dia que ela conheceu outro como ela.
Um sonhador. Idealista. Inconformado.
Era músico.
Inseguro. Cheio de ânsias. Dúvidas. E tormentos, também. Uma alma atormentada.
Era um artista. Sem dinheiro. Sem futuro definido.
Conversaram os dois e nenhum deles tinha respostas. E ela sentiu-se tão tranquila, naquele momento... Estava cansada de se sentir preenchida. A sua cara-metade ocupava muito espaço e a relação era demasiado feliz. Ela estava realmente tão cansada... Aquela felicidade vinha há muito a deixá-la exausta! Ela sentia-se melhor no seu mundo de tormentos, inseguranças, ânsias e dúvidas. Queria chorar e dramatizar tudo. Estava farta de risos, e alegria, sentia-se claustrofóbica.
"Adeus. Vou embora."
"Vais embora? Achas que vais ser feliz assim?"
"Não. Eu nunca hei-de ser feliz. Mas ao menos ele percebe-me. É tão infeliz como eu...!"

domingo, 13 de janeiro de 2013

Patrão fora...

... Dia calmo na loja.
Os únicos insultos em casa, durante o jogo, foram o ladrar dela*.
Só mulheres a assistir a jogos tem destas coisas: dá para falar dos equipamentos, das dores que aquele jogador deve estar a sentir porque se magoou, da namorada que este jogador tem, do frio que deve estar no estádio, do Verão que nunca mais chega, do cabelo do Jorge Jesus, do corte de cabelo que lhe ia ficar melhor... "E por falar nisso o que achas do meu corte de cabelo?, achas que devia fazer madeixas?, tens falado com a X?, olha foi golo!, não tenho falado e tu?, ela está mais magra, olha foi outro golo!, adoro ver futebol, também eu, já foste à zara? ainda não, mas a french connection está com uns saldos óptimos, tenho que ir lá contigo, gooolo!, estou a adorar este jogo, também eu, vê só se já começou a casa dos segredos."

*Eu, Malty. Para que fique registado que sou mais benfiquista que a minha dona.

A melhor forma de acordar

Sempre tive um acordar e um adormecer relativamente fáceis e sem grandes histórias para contar. No entanto, vou recordar-me sempre duma amiga minha que uma vez adormeceu ao meu lado em cima do Mac, enquanto escrevia, ou outra amiga minha que adormeceu enquanto conversávamos - só reparei que dormia, porque começou a dizer frases sem nexo como "fechei os olhos, porque está muito fumo", quando estávamos no quarto!
Quanto a maus acordares, nada bate a minha irmã que, em pequena, chegava a dar pontapés a quem insistisse para que saísse da cama. Continuava de olhos fechados, mas os pés tratavam de defender o sono a todo o custo, de modo automático.
Agora a melhor forma de acordar, para mim, é sempre com música. Aqui em casa descobrimos o cantor que há em nós logo pela manhazinha. Dão-se grandes concertos, com a água do chuveiro como público e as colunas do ipod a passarem a melodia e o ritmo, no fundo. E assim se começa logo um grande dia.

Grammys 2013

Dia 10 de Fevereiro vamos conhecer os vencedores. Até lá, sabemos que os nomeados são (assinalei alguns dos meus preferidos):

Gravação do Ano
"Lonely Boy" - The Black Keys (adoro a música e o videoclip)
"Stronger (What Doesn't Kill You)" - Kelly Clarkson
"We Are Young" - Fun. com Janelle Monáe
"Somebody That I Used to Know" - Gotye com Kimbra (que já não consigo ouvir!!!)
"Thinkin Bout You" - Frank Ocean
"We Are Never Ever Getting Back Together" - Taylor Swift

Álbum do Ano
El Camino - The Black Keys 
Some Nights - Fun.
Babel - Mumford & Sons
Channel Orange - Frank Ocean
Blunderbuss - Jack White

Canção do Ano
"The A Team" - Ed Sheeran
"Adorn" - Miguel
"Call Me Maybe" - Carly Rae Jepsen 
"Stronger (What Doesn't Kill You)" - Kelly Clarkson
"We Are Young" - Fun. com Janelle Monáe

Revelação do Ano
Alabama Shakes 
Fun.
Hunter Hayes
The Lumineers
Frank Ocean

Melhor Performance Pop por Artista a Solo
"Set Fire To The Rain [live]" - Adele
"Stronger (What Doesn't Kill You)" - Kelly Clarkson
"Call Me Maybe" - Carly Rae Jepsen
"Wide Awake" - Katy Perry
"Where Have You Been" - Rihanna

Melhor Performance Pop por um Duo ou Banda
"Shake It Out" - Florence & the Machine
"We Are Young" - Fun. com Janelle Monáe
"Somebody That I Used To Know" - Gotye com Kimbra
"Sexy And I Know It" - LMFAO
"Payphone" - Maroon 5 & Wiz Khalifa

Melhor Álbum Pop
Stronger - Kelly Clarkson
Ceremonials - Florence & the Machine 
Some Nights - Fun.
Overexposed - Maroon 5
The Truth About Love - Pink

Melhor Gravação de Música de Dança/Eletrónica
"Levels" - Avicii 
"Let's Go" - Calvin Harris com Ne-yo
"Bangarang" - Skrillex com Sirah
"Don't You Worry Child" - Swedish House Mafia com John Martin
"I Can't Live Without You" - Al Walser

Melhor Álbum de Música de Dança/Eletrónica
Wonderland - Steve Aoki
Don't Think - The Chemical Brothers
Album Title Goes Here - Deadmau5
Fire & Ice - Kaskade
Bangarang - Skrillex

Melhor Performance Rock
"Hold On" - Alabama Shakes
"Lonely Boy" - The Black Keys
"Charlie Brown" - Coldplay
"I Will Wait" - Mumford & Sons
"We Take Care Of Our Own" - Bruce Springsteen

Melhor Performance Hard Rock/Metal
"I'm Alive" - Anthrax
"Love Bites (So Do I)" - Halestorm
"Blood Brothers" - Iron Maiden
"Ghost Walking" - Lamb Of God
"No Reflection" - Marilyn Manson
"Whose Life (Is It Anyways?)" - Megadeth

Melhor Canção Rock
"Freedom At 21" - Jack White
"I Will Wait" - Mumford & Sons
"Lonely Boy" - The Black Keys 
"Madness" - Muse
"We Take Care Of Our Own" - Bruce Springsteen

Melhor Álbum Rock
El Camino - The Black Keys
Mylo Xyloto - Coldplay 
The 2nd Law - Muse
Wrecking Ball - Bruce Springsteen
Blunderbuss - Jack White

Melhor Álbum de Música Alternativa
The Idler Wheel Is Wiser... - Fiona Apple
Biophilia - Björk
Making Mirrors - Gotye
Hurry Up, We're Dreaming - M83
Bad As Me - Tom Waits

Melhor Performance R&B
"Thank You" - Estelle
"Gonna Be Alright (f.t.b.)" - Robert Glasper Experiment com Ledisi
"I Want You" - Luke James
"Adorn" - Miguel
"Climax" - Usher

Melhor Canção R&B
"Adorn" - Miguel
"Beautiful Surprise" - Tamia
"Heart Attack" - Trey Songz
"Pray For Me" - Anthony Hamilton
"Refill" - Elle Varner

Melhor Álbum Urbano Contemporâneo
Fortune - Chris Brown
Kaleidoscope Dream - Miguel
Channel Orange - Frank Ocean

Melhor Álbum R&B
Black Radio - Robert Glasper Experiment
Back To Love - Anthony Hamilton
Write Me Back - R. Kelly
Beautiful Surprise - Tamia
Open Invitation - Tyrese

Melhor Performance Rap
"Hyfr (Hell Ya ... Right)" - Drake com Lil' Wayne
"Niggas In Paris" - Jay-z & Kanye West
"Daughters" - Nas
"Mercy" - Kanye West com Big Sean, Pusha T & 2 Chainz
"I Do" - Young Jeezy com Jay-Z & André 3000

Melhor Canção Rap
"Daughters" - Nas
"Lotus Flower Bomb" - Wale com Miguel
"Mercy" - Kanye West com Big Sean, Pusha T & 2 Chainz
"The Motto" - Drake com Lil' Wayne
"Niggas In Paris" - Jay-Z & Kanye West
"Young, Wild & Free" - Snoop Dogg & Wiz Khalifa com Bruno Mars

Melhor Álbum Rap
Take Care - Drake
Food & Liquor II: The Great American Rap Album, Pt. 1 - Lupe Fiasco
Life Is Good - Nas
Undun - The Roots
God Forgives, I Don't - Rick Ross
Based On A T.r.u. Story - 2 Chainz

Produtor do Ano
Dan Auerbach
Jeff Bhasker
Diplo
Markus Dravs
Salaam Remi

Melhor Vídeo em formato curto
"Houdini" - Foster The People
"No Church in the Wild" - Jay-Z & Kanye West
"Bad Girls" - M.I.A.
"We Found Love" - Rihanna com Calvin Harris
"Run Boy Run" - Woodkid

Melhor Vídeo em formato longo
"Big Easy Express" - Mumford and Sons
"Bring Me Home" - Sade
"Radio Music Society" - Esperanza Spalding
"Get Along" - Tegan & Sara
"From the Sky Down" - U2

sábado, 12 de janeiro de 2013

O sem-abrigo e o fiel amigo


Pelos vistos, começou na Sic. A primeira reportagem sobre este sem-abrigo, que não aceitou várias casas porque não podia levar o seu cão consigo, surtiu um efeito inexplicável, numa altura em que o país anda triste, pessimista e parece ter deixado de sorrir e acreditar. Os telefonemas sucediam-se, os emails, as cartas. Todos queriam oferecer ajuda. A Sic transmitiu segunda reportagem (podem ver ambas no site da Sic, eu própria já vi, entretanto).
Nas redes sociais, enquanto uns insistiam em debater os tais vídeos com os desejos consumistas (e aqui enfio o barrete, upsss), outros avançaram. Viram a esperança, a possibilidade duma vida melhor e concentraram-se no desejo de ajudar os outros. E isto comove-me, porque faz-me acreditar que afinal ainda temos todos dentro de nós um coração gigante, que só precisa de um motivo para bater por algo melhor.
Li no blog do Homem sem blogue, que por sua vez leu na Mama de Peep-Toe, esta ideia inspiradora de os ajudarmos. Eu fiquei rendida. E com vontade de acreditar que realmente, tal como escrevi no post anterior, é possível encontrarmos nós (e o Senhor Mário, e o seu fiel amigo Tom) um final feliz. Quero acreditar nisso. Vamos acreditar juntos?

Guia para um final feliz*

Para esta viagem, vai precisar de colocar na sua mala:
Um jovem bipolar saído de uma instituição psiquiátrica e sem grandes aptidões sociais, que apenas quer recuperar o seu casamento;
Uma jovem viúva a recuperar do grande desgosto da sua vida e com a a pior fama do bairro;
Um casal que vive um casamento de fachada;
Um amigo doido com a mania que é advogado e que está sempre a fugir da instituição;
Um pai que usa as apostas no futebol e as superstições exageradas para se aproximar do filho;
Uma ex mulher apanhada em flagrante no chuveiro com outro.

No ipod, tenha por favor Steve Wonder, Alabama Shakes, Bob Dylan & Johnny Cash, Jessie J ou Metallica.

Conselhos de viagem:
Leve calçado confortável, porque vai ter vontade de correr, saltar, e dançar.
Aconselha-se ainda roupa leve, porque o clima poderá aquecer.
E lenços de papel, porque poderá chorar um pouco.

Não precisa de mapa. Sente-se no seu lugar e aproveite a viagem. Garanto que encontrará o final feliz. E sairá inspirado. :)




*"Silver Linings Playbook", no original, estreou ontem em Portugal e está nomeado para sete Óscares. Deixou-me com a lagriminha no canto do olho e a acreditar em finais felizes. A cena da dança da péssima, mas ainda me fez gostar mais.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Se o apanhassem na cama com outra..

... ou com outro...
Também tinham esta reacção tão descontraída?


Adorei o vídeo, principalmente porque o George Clooney parece ter um óptimo sentido de humor e nem se importa de partilhar a cama com... o marido da Cindy Crawford! Apesar de não ser um dos meus actores preferidos, fez-me rir.

Acho é que ninguém conseguia ficar tão apático perante um cenário destes. Foi do álcool? Ok, mas para mim o álcool nunca - ou jamé, como diria o outro - serviria de desculpa. Só fazemos bêbedos o que queremos fazer sóbrios.

Das lavandarias

Fui há uns tempos a esta lavandaria/ café, mas apenas tomar café com amigos.
E hoje estava a ler no site da Visão a descrição deste sítio e comecei a pensar num fenómeno que nunca se propagou no nosso país: as lavandarias em que somos nós que pomos a roupa na máquina de lavar e ficamos à espera que fique pronta para depois irmos secá-la na outra máquina. É um cenário tão típico dos filmes americanos! E cá nunca pegou.
Será porque lá as máquinas são mais caras e as pessoas não compram? Será que os apartamentos são mais pequenos e não têm sequer espaço para uma máquina de lavar a roupa? Ou será simplesmente que é mais eficiente ir lavar a roupa à lavandaria da esquina que sair à noite, em termos de engates?
A verdade é que já vimos inúmeras vezes, em filmes, a típica cena "girl-meets-boy" nesse tipo de cenário.
Por cá, parece que estes sítios são praticamente inexistentes. E foi talvez por isso que quando ali me sentei a tomar café, dei por mim inconscientemente a olhar fixamente para as máquinas de lavar à espera que ali se proporcionasse um cenário para um romance. Já disse aqui que sou uma voyeur quando estou em espaços públicos, não já? Adoro observar os outros. Mas infelizmente só assisti a trocas de olhares entre dois utilizadores das máquinas. Fraquinhos!

Pergunta polémica

Sei que vou fazer uma pergunta politicamente incorrecta, mas....
O que acham pior:
i) querer juntar dinheiro para comprar uma mala que custa 2.500€?; ou
ii) ter um filho com poucos meses e querer ter coragem para ir viajar/passear duas ou três semanas e deixá-lo (e gastar com certeza mais de 2.500€)?

Eu disse que ia ser politicamente incorrecta.
A minha pergunta surge, porque ultimamente não consigo perceber ou antecipar as polémicas. Diria que a segunda resposta pudesse causar mais celeuma que a primeira, sinceramente! Ninguém acha estranho um homem juntar dinheiro para comprar um carro. Ou para comprar um Iphone 1, e depois o 2, e o 3, e o 4, e depois o 5. Ou uma Montblanc, e outra, e outra. Mas se for uma mulher a assumir que quer um acessório caro é fútil. Nem que se mate a trabalhar todos os dias... Por outro lado, querer viajar muito e gastar nas viagens já é normal e socialmente bem aceite. Nem que se deixe um recém-nascido sozinho.
Não estou a fazer juízos de valores. Só não percebo é porque é que as pessoas escolheram, dos exemplos que dei, apenas o ponto i) para criticar. Tenho a certeza que há uns anos teriam criticado o ii). É sinal que a sociedade está a mudar. Só não sei em que sentido.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ainda sobre a polémica

Com os jornais a noticiarem isto e isto e isto, com as páginas criadas no facebook (aquiaqui e ainda aqui) e todas as críticas, só me resta constatar que:
1. Há muito ódio por destilar. Muita gente que precisa de criticar à força toda tudo o que pode, talvez porque se sente frustrada ou triste, ou porque não tem a vida que desejava. Obviamente que também não tenho a vida que desejava, mas sou feliz na mesma, com dias melhores ou piores... E prefiro perder o meu tempo a gostar do que me rodeia, do que a odiar. Nunca perdi tempo com ódios.
2. Assusta-me o fenómeno da crítica massificada. Em dois segundos milhares de pessoas estão a criticar em uníssono o mesmo vídeo, sem muitas vezes pararem para pensar "é mesmo isto que acho ou estou a seguir apenas os comentários dos outros?". É que sinto que muitas vezes se descontextualizam totalmente as declarações e passa-se a comentar apenas com base em... comentários! É um ciclo vicioso perigoso, porque afasta a crítica do objecto criticado e retira toda a objectividade.
3. Os bloggers em causa explicam quais são os seus desejos pessoais para 2013. E repito: pessoais! Quantos de nós não pedimos já, no nosso íntimo, uns Louboutins, uma Chanel, uma gabardina da Burberry, uma Birkin, um BMW, um apartamento junto ao mar, um barco, uma conta bancária recheada? Sonhar não está sujeito a impostos, certo? E é a ambição que nos faz mexer todos os dias. Além disso, basta ver a quantidade de pessoas que joga no Euromilhões!!! E não me venham dizer que é para comprarem livros e ajudarem os pobrezinhos.
4. Uma das críticas mais frequentes é: "com tanto desemprego, como é que estas pessoas podem ser tão fúteis?". E o que acho é que, se há desemprego, tentem arranjar emprego, pensem em ideias de negócios, mexam-se... Quem tem emprego, tem que hibernar até a crise passar, é? Se as pessoas em questão trabalham e têm o seu salário, o que temos a ver com a gestão dos mesmos salários? Nada, certo?
5. Por fim, a minha sugestão é a seguinte: é dito por dois dos bloggers que querem regressar ao essencial e pedem, portanto, menos. Mas o que é certo é que todos os blogs de moda actuais apelam ao consumismo. Talvez esteja na hora de moderar um pouco esse apelo e tentar adequar a moda ao período de crise que vivemos, sugerindo reutilização de peças de roupa, ou publicitando mais marcas portuguesas e lojas de roupa em segunda mão, etc. Blogs de moda vão ser sempre blogs de moda, mas assim passava a haver uma maior identificação por parte dos leitores e um ódio mais controlado. Digo eu.

Ser vs Parecer

A minha mãe dizia muitas vezes, quando eu era mais nova, a seguinte expressão: "à mulher de César não basta ser". E eu não percebia nada. "Não basta ser mulher dele? A relação está mal e precisa de trabalhar pelo casamento, é? Ou será que não é reconhecida pela sociedade por aquilo que ela é enquanto ser individual e apenas por ser mulher de quem é?", pensava.
Até que um dia lhe perguntei o que queria dizer, afinal, aquela expressão.
Explicou-me algo como: "quer dizer que muitas vezes não basta sermos aquilo que somos ou que sabemos que realmente nos define. Se toda a gente tem uma ideia diferente de nós é porque andamos certamente a fazer um mau marketing."
E surgiu-me isto hoje pela polémica que se instalou à volta dos Vídeos da campanha da Samsung retirados e comentários nos blogs e porque muitas críticas me parecem um pouco injustas.
Toda a vida me disseram que eu transmitia a imagem duma pessoa simpática e sem manias. Habituei-me a ouvir essas características e associá-las a mim, até acreditar que era realmente assim. Isto apesar de saber que tenho as minhas pancas, assuntos em que tenho a mania que sou a maior e dias em que não me apetece rir para ninguém. No entanto, parece que acabei por passar essa imagem a algumas pessoas, para o bem e para o mal (sim, porque profissionalmente a humildade não é, de todo, uma boa característica, no meio em que me encontro... NADA!!!).
Ora, nos antípodas deste meu exemplo, tive casos de colegas que eu própria rotulava como "fúteis" ou "tias" e que, quando conheci bem, retirei mentalmente todas estas características. Pessoas que, por andarem com as costas mais direitas e ar confiante ou altivo, por terem pronúncias mais vincadas, ou até por utilizarem determinadas expressões eram vistas como pertencentes a uma elite, eram vistas como inacessíveis e convencidas sem o ser, de todo.
Aconteceu-me começar a falar com uma colega, que via como de uma classe social elevadíssima, e rapidamente perceber que eu estava, afinal, totalmente errada. Vivia numa casa integralmente mobilada no Ikea, adorava comprar nas lojas dos chineses e a única marca de que era cliente assídua era a H&M. Provou ser uma pessoa com inseguranças como qualquer outra, poupada, ambiciosa e que apenas queria o que todos queremos: encontrar alguém para ser feliz ao seu lado, e ser profissionalmente bem sucedida. Era estudiosa, aplicada, dedicada, foi tendo sucesso profissional e sempre merecido. No entanto, algumas pessoas viam-nos juntas e vinham perguntar-me: "ela só veste roupa caríssima, não?" ou "é uma tia, não é?" e eu achava piada, porque aquela já não era, de todo, a pessoa que eu conhecia.
Quero com isto dizer que não devemos julgar ninguém pela pronúncia afectada. Pelo semblante carregado. Postura confiante. Ou pelo uso de determinadas expressões que, por norma, se atribuem a classes sociais altas. Porque, pela minha experiência, não quer dizer absolutamente NADA: nem que a pessoa em causa de facto pertença a qualquer elite, nem que, pertencendo, a pessoa seja pior só por isso.
Eu tenho as minhas manias e não são poucas. Gosto de coisas boas como qualquer pessoa. Mas sei que passo um ar de pessoa simples e descontraída. Sei que há aí muitas tias escondidas e cheia de manias de grandeza debaixo dum ar, à primeira vista, humilde. Tal como pessoas normalíssimas e descontraídas, simpáticas e acessíveis escondidas debaixo de uns "tipo", "tá a ver?" ou duma mala Louis Vuitton. Temos é que as conhecer para perceber que são mais do que aquilo que parecem.

Encontrei o tal

Ontem vinha no avião, a atravessar as nuvens, com os clássicos sintomas do stress: as mãos a transpirar, a cara a ferver... um nervoso miudinho... Tentava concentrar-me na respiração e descontrair... Até que comecei a reparar nele.
Um sorriso fácil. Afável. Descontraído.
Começou a contar histórias sobre as suas inúmeras viagens: Canadá, Brasil, França... "Tenho mais de 600 horas de voo. À vontade."
E cada vez o achava mais interessante.
"É casado?", perguntei, cheia de lata.
"Já fui."
"Então tem uma mulher mais nova, diga lá. Aposto que é esse o segredo da sua energia", afirmei cada vez mais descarada. Queria percebê-lo.
"Ahah, não. Não tenho mulher. Gosto de viajar e tirar fotografias. Ando sempre com a máquina atrás."
E eu não conseguia deixar de pensar: "ele é o tal!! É ele!!!"
Porque tenho a certeza que ele ia fazer o estilo.... da minha avó.
Disse-me que tinha 89 anos, mas claramente a idade do Bilhete de Identidade não reflectia aquela juventude de espírito. Apetecia-me pedir-lhe o número de telemóvel e marcar-lhe um blind date com a minha avó, mas contive-me. Talvez daqui a quinze dias o encontre novamente lá em cima, nas alturas, com o seu sorriso fácil. As suas histórias. E mil viagens.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Oferecem-se iphones

Há uns tempos, o meu telemóvel pessoal, de marca Blackberry, modelo Bold 8900, caiu de cabeça em cima de paralelo e "faleceu", achava eu, com a tenra idade de dois anos e meio. Fiquei triste, disse umas palavras finais, um discurso a enfatizar as suas qualidades e tratei do funeral. Ainda mal refeita da tristeza, e a atravessar o período do luto, peguei num Nokia E51 que tinha em casa, troquei o cartão e retomei um telemóvel com pouco mais de dois anos, mas ainda em bom estado.
Ora, subitamente, apercebi-me do seguinte fenómeno: não só desci na "hierarquia social" dos gadgets, como diria até que neste momento fui banida da "sociedade gadgetiana" e me encontro a viver à margem da mesma. É com surpresa que reparo que, em dois anos e pouco, passei de ser uma pessoa com um telemóvel dito "normal" para uma pessoa atípica, com um telemóvel pré-histórico. "Que telemóvel é esse?", perguntam-me com desdém frequentemente.
Em qualquer mesa que me sento, o meu Nokiazinho amoroso sente-se envergonhado e pede abrigo, perante a hegemonia de Iphones 4 e 5, que rapidamente dominaram o mundo dos telemóveis. Sente-se excluído, não fala a língua dos BBM, WhatsApp, Viber, Imessage, etc. É como se, de repente, fosse uma personagem de um filme mudo em que ninguém o entende.
O que aconteceu nestes dois anos, minha gente? O meu BB estava afinal em coma e encontra-se em recuperação. Mas quando acordar, vou ter que lhe contar que o mundo mudou. E que devem andar a vender Iphones num canto qualquer que ainda não descobri.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A melhor hospedeira do mundo

Odeio andar de avião.

E notícias como estas - pilotos exigem investigação à política de segurança da Ryanair - com um voo marcado para amanhã deixam-me sempre com um friozinho no estômago.
Apanhei um susto num voo Natal - Lisboa, há quase 8 anos e, desde então, não há meio de controlar as mãos geladas e transpiradas, o sangue a subir à cabeça e aquele aperto gigante na barriga.
Quando entro num avião, olho para as hospedeiras e penso sempre que eu ia ser a pior hospedeira do mundo. De cada vez que houvesse uma turbulência, se estivesse a servir bebidas ou comidas, tenho a certeza que ia gritar "Para que é que é quer comer agora? Não vê que vamos morrer??!". Se me chamassem a pedir água, ia levar whisky ou um gin, dar um copo ao passageiro e outro para mim e dizer qualquer coisa como "vamos mas é beber um copo, que esta turbulência não é normal e temos todos que relaxar!!!". Na parte da demonstração das medidas de segurança, ia ser, no entanto, a hospedeira mais dedicada do mundo: "tu aí, no número 56C!! Estás a rir-te do quê?? Quero ver se te ris quando isto cair.... E tu aí no 22H, anda aqui repetir o que eu fiz!! A partir de agora toda a gente atenta!! Isto é sério!!"

Cabeleireiros/ hair stylists*

... Porque é nunca ouvem o que dizemos?
Pedi para acertar a franja, porque gosto de a usar mais curta que o resto do cabelo.
Saí de lá assim (ver foto).
E eu sei que a rapariga do lado é gira e está com ar feliz, mas em mim o corte resulta "apenas" numa cara de cachorro abandonado e semi-cego, porque não tenho visão raio-X e não consigo ver através do cabelo.
Além disso, como já sei que me detesto ver de franja (reflexo de anos, em criança, com o cabelo assim), essa era exactamente umas das minhas resoluções para 2013 ("não a cortar outra vez") e já foi por água abaixo...
Será que o facto de ter sido contra a minha vontade conta? Espero que sim. É que nisto das resoluções sou muito supersticiosa e acho que são mesmo para ser levadas a sério.
Agora quero ver como vou para uma reunião que tenho à tarde. Vão achar que tenho tiques nervosos, de certeza, porque vou passar o tempo todo a mexer neste bicho estranho.
Aiii..
Inspira. Expira.

*Sim, porque quando chegam ao topo da carreira deixam de se intitular como "cabeleireiros". ;)