Sempre que alguma mulher emagrece repentinamente penso logo "ou está apaixonada ou está chateada com o namorado/marido". Pode ser um preconceito, pode ser uma teoria disparatada, podem atirar-me ovos e tomates podres e dizer "não tem nada a ver". Ok. Mas vou continuar a achar.
Mas a minha experiência e o que vejo nas pessoas que me rodeiam diz-me isto: a felicidade conjugal engorda. Ninguém consegue manter apertado o botão daquelas calças mais justas depois de mil e um jantares românticos, a partilhar o spaghetti, qual Dama e Vagabundo; depois de idas ao cinema com quilos de pipocas e litros de Coca-cola à mistura; fugas ao fim-de-semana de puro descanso e amor. Até o ginásio fica muitas vezes para segundo plano, porque a manta e o sofá começam a chamar para um programa de mimo, no quentinho, em frente à televisão.
No lado oposto desta descrição, as desavenças ou os problemas que surjam no casal são um verdadeiro queima-gorduras. Quem é que pensa em chocolates, quando anda a estranhar aquelas reuniões tardias dele? Quem é que pensa em devorar uma pizza, à frente da televisão, quando anda preocupado com as contas por pagar e o salário em atraso?
Há uns tempos, li que a Marisa Cruz tinha emagrecido não sei quantos quilos em dois ou três dias, e cortado radicalmente o cabelo. Pensei para mim "hmmm... não me parece coisa boa, mas espero estar enganada". Não estava. Hoje, a acreditar nas revistas, o casamento com o João Pinto chegou ao fim. Não conheço nem um nem outro, mas fico sempre triste quando um casamento termina, porque, como romântica que sou, gosto de acreditar que os casamentos são para todo o sempre.
Contudo, o que me deixa mais intrigada nisto tudo é pensar que existam ainda tantas mulheres que só começam a pensar no corpo e no aspecto físico quando as coisas dão para o torto. É vê-las a correr para o ginásio, para as massagens, para a manicura, para o cabeleireiro, para o cirurgião plástico, para o shopping. É vê-las passar duma copa A para uma copa D, com orgulho. É vê-las reduzir o tamanho da saia. É vê-las exibir as novas madeixas loiras.
Porquê? Porquê? Sempre achei que uma mulher devia ter cuidado sempre. Devemos gostar do que vemos no espelho quer tenhamos ou não alguém ao nosso lado. Não é até uma prova de amor? Um "gosto de ti, por isso quero que me vejas no meu melhor e não em modo desleixada".
Lembro-me de ter 20 anos, estar em casa à espera dum namorado, e a minha mãe afirmar "já não gostas dele." Perguntei porquê. "Nem te arranjaste. Até do perfume te esqueceste, não sei se já reparaste". Ri-me. Era verdade. Não tinha posto o perfume, como sempre fazia. E sim, já não estava apaixonada. Porque para mim gostar de alguém é, para além de tudo o resto, querer mostrar-lhe o melhor de nós sempre, e não apenas mais tarde, quando for para dizer "olha o que perdeste! estou óptima!" ;)






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