quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A primeira vez

10 de Outubro de 1997. Sexta-feira. 14h50. Aula de História.
Uma jovem de 15 anos trincava violentamente o lápis, sem reparar, enquanto acenava com um olhar perdido, fingindo ouvir o professor.
- Estás nervosa?
- Hãan?
- Estás nervosa?, perguntava a amiga, colega de mesa, entredentes, acenando também ao professor.
- Muito. E se eu não souber? Tenho medo de não saber.
- Claro que sabes. Toda a gente sabe.
- Mas eu nunca experimentei.
- Tens a certeza que gostas dele, não tens?
- Acho que sim...
- Olha, ele gosta mesmo de ti. Fala de ti a toda a gente, está sempre a elogiar-te.
- Eu também gosto dele.
- Mas ele gosta MESMO. E é espectacular. Tens sorte. Aproveita.
- Olha, e se correr mal?
- Se correr mal, treinam mais. Hão-de aprender juntos. Agora pára de trincar o lápis, já vai quase em metade. E o lápis não tem culpa.
- Tens razão. Já pousei. Que horas são?
- 15h00.
- Ainda? O tempo hoje não passa. Ai, dá cá o lápis.
Às 15h20 a campainha tocou. Ela desceu as escadas, a tremer. Cabelo ligeiramente esticado. As Levi's 534. Bem justinhas. Será que lhe faziam o 'rabo bom'? Nunca conseguia ver bem ao espelho. Olhou lá para fora. Tinha começado a chover. E ela com aquela camisola rosa tão fina. A mãe bem lhe tinha dito que já não era Verão.
- Ah estás aqui.
- Olá!
- Então sempre queres falar?
- Sim...
- Vamos dar uma volta?
- Está a começar a chover.
- Já viste a gente que aqui está? Gostava de ter mais privacidade.
Começaram a andar. Os amigos ao longe, a sorrir e a torcer por eles, à medida que os viam afastar até desaparecerem de vista e descerem as escadas.
- Já pensaste numa resposta para a pergunta que te fiz?
- Desculpa?
- A pergunta que te fiz na 3a. Disse-te que gostava de ti e que gostava de te conhecer melhor, mas não como amigo.
- blá blá blá.
- blá blá blá.
A partir daquele momento, nenhum dos dois já ouvia nada do que o outro dizia. Eram só palavras que se evaporavam à medida que saíam.
Chovia cada vez mais. O cabelo dela estava a ficar molhado, com umas ondas engraçadas. Ele tinha a camisa colada ao corpo. E as mãos quentes. Que começaram a seguir-lhe as ondas do cabelo. A tocar-lhe no pescoço. Na cara. De repente, sentia os lábios dele a tocar os dela. Estava paralisada. Os lábios não tinham pressa. Continuavam ali e queriam uma resposta. Ela deu-lhe a resposta, a tremer. 'O' beijo. Era isto? De olhos fechados, beijaram-se ali, à chuva. Naquela Sexta-feira de 1997.
Se foi bom? A verdade é que foi péssimo. A ansiedade, o medo do desconhecido, a pressão dos amigos, à espera. O ser subitamente adulta e ter que agir como tal, quando ainda se sentia uma criança.
O primeiro de tudo é sempre assustador. A adolescência é um desafio.
Aquele não foi o primeiro amor dela. Passado pouco mais dum mês já só queria estar com as amigas e partilhar histórias. Mas no final dessa Sexta-feira, chegou a casa e contou, orgulhosa, à mãe:
- Hoje dei o meu primeiro beijo.
- Hmm... mas então vê se tens juízo e se portas bem. Tens que continuar a ser boa aluna!
- Eu sei isso tudo. Só que prometia que te contava quando fosse e contei.
- Dá cá um abraço. Ai és tão pequenina.
- Já não sou, agora.
A mãe sorriu, emocionada. Uma lágrima marota parecia espreitar.
- Estás a chorar?
- Achas? Muda mas é a camisola que eu disse-te que já não estamos no Verão.
- Eu sei. Nunca mais nos podemos esquecer deste dia.
- Sim. 10 de Outubro.
De 1997. Sexta-feira. 15h30. Ela nunca mais se havia de esquecer.
Feliz Dia a todos! Aos comprometidos, aos solteiros, aos apaixonados, aos desiludidos, aos esperançosos, aos descrentes. O amor assume várias formas e feitios. Apenas não desistam. Poucos acertam à primeira ou à segunda tentativa. Apenas não deixem de tentar. Quem já encontrou, continuem sempre apaixonados como no primeiro dia.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O Dia dos Namorados podia ser já hoje

1. Hoje abanou-me (literalmente) o mundo. Mais concretamente, 3.1 na escala de Richter.
2. Perguntei-lhe se não se importava que fosse ao ginásio no final do dia - "não, vai que fazes bem!".
3. Cheguei a casa duas horas e meia depois. Em vez de um "tanto tempo?!" dei de caras com um beijinho repenicado e um sorridente "toma um banho que eu trato do jantar. Ah e fui às compras!".
4. Vou tentar congelar este momento para o poder reviver por muitos e muitos anos. E este sorriso. Passei por um espelho e pareço uma pateta alegre, o sorriso não descola, só se vêem d-e-n-t-e-s!
Só se vêem dentes, eu não disse? Mais concretamente, cinco!
PS: se me estás a ler, acho que exagerei um pouco. O Dia dos Namorados continua a ser amanhã e o que fizeste hoje não é nada que eu não faça sempre, ok? Não te excites ao ler isto. :P

Decisão de risco (literalmente)

Aviso à tripulação: se não viram ainda o filme, não leiam. Pode conter spoilers!

Como partilhei aqui e na página do facebook há dias, apesar de não gostar particularmente de andar de avião, decidi ver o Flight - Decisão de risco.
Sabia que corria o risco de nunca mais ter vontade de entrar num avião, mas outros valores falaram mais alto e decidi ver na mesma. Entre os pontos a favor do filme contavam-se o facto de entrar o Denzel Washington e estar nomeado para os Óscares. Por outro lado, admito que claramente sentia uma certa curiosidade mórbida de ver sabendo que talvez não devesse.
O que é certo é que gostei muito e não me arrependi um único segundo. Gostei realmente da prestação do Denzel, que tanto é credível nos momentos em que a personagem se sente a maior à face da Terra, como nos momentos em que está completamente na 'fossa'. Mais: não consegui antecipar o final nos primeiros minutos (como por vezes acontece, o que tira a piada toda) e passei todo o tempo dividida entre compreender a personagem principal, simpatizar com ela ou simplesmente odiá-la. E gostei dessa divisão de sentimentos que o filme gera em nós - ou, pelo menos, gerou em mim. A história podia, para mim, ser dividida em quatro principais capítulos.
- O primeiro é a a descrição da tragédia e a apresentação das personagens principais. Assistimos ao voo, à tempestade que o avião atravessa, à decisão do piloto de contornar o perigo e, depois, à forma como controla o avião. Acho que aqui a ideia é ficarmos divididos entre a admiração pelo piloto, pela destreza única que demonstra e, em simultâneo, sentirmos um certo desprezo pela forma como se entrega ao álcool, às drogas e às mulheres. Se foi um herói ao comando do avião, é, contudo, um anti-herói nos bastidores, é completamente amoral e revela desprezo por todos os outros que o rodeiam.
- Na segunda parte, temos o desenvolvimento da história, em que assistimos à investigação do acidente e à espiral de decadência em que o piloto vai caindo. Cada vez o vemos mais como um anti-herói, como um dependente, um agarrado e sem salvação. Esperamos que seja apanhado, apesar de uma parte de nós nos dizer que salvou toda aquela gente e que qualquer outro, no seu lugar, não o teria conseguido.
- O terceiro capítulo é a audição. Começamos a antever um final para a história, novos pormenores são revelados. O nosso anti-herói continua a despertar em nós um desprezo cada vez maior pela forma como se deixa levar pelas dependências e não consegue ser mais forte que isso. Não vai ser feita justiça. Antecipamos o final.
- Quarta a última parte: o final. Assistimos à audição e sabemos como vai acabar. Mas sabemos mesmo? O nosso vilão parece atingir o limite. Engole em seco, ainda com o sabor a álcool na boca. Aumenta os tiques faciais. Bebe uns golos de água. Encosta-se atrás, mexe-se na cadeira, finge não ouvir. Estará a ouvir apenas, atento, a voz da razão? A reviravolta. Quem é ele?, perguntam-lhe depois. Quem é afinal o nosso (anti)herói? Chega ao fim do filme e continuamos sem saber. Mas, pelo menos, descobrimos que finalmente ele se sente bem com isso e parece ter encontrado alguma paz. Pelo menos ele descobriu quem é. E isso é suficiente para nos tranquilizar.

Coisas que não gosto

Estar a ver um filme a dois e ele perguntar-me o nome duma actriz.
Não gosto.
Eu actualizo-o sempre das mulheres melhores que andam para aí.
Sai uma Playboy, digo-lhe logo quem foi a capa e vemos os dois, comentamos ou elogiamos (eu geralmente critico algum pormenor, que é para ele perceber que não há mulheres perfeitas. ahah). Gosto de fazer isso.
Há uma actriz qualquer que põe implantes, digo-lhe "viste a não-sei-quantas? Ficou óptima. Grandes mamas." Ou então "estava melhor antes, ficaram tão artificiais?" ou coisas assim.
Criei-lhe o facebook dele há uns anos, quando ele criava anticorpos e achava que não servia para nada.
Lembro-lhe do aniversário da ex, porque acho que lhe fica bem dar-lhe os parabéns e ser querido com alguém que gostou muito dele e o tratou muito bem.
Sou ciumenta, mas nestas coisas não sou. Sinto que, de certa forma, controlo a 'coisa'.
Mas quando pergunta o nome duma actriz, por exemplo, porque é óptima e estamos os dois babados a vê-la no filme... Não sei, rói qualquer coisa cá dentro. Gosto mais de sentir que só vê as mulheres que quero que vejo. É justo, não?
Ontem estávamos a ver uma comédia nova, o "Aguenta-te aos 40", em que entra a Megan Fox. Corpo incrível, olhos verdes, lábios grossos. Ameaça tripla.
- Ai ela está óptima. Isto deve ter sido antes dela ser mãe, comentei.
- É, é engraçada. Quem é?
- Hmmm... É a Chandra Wilson. Decora e vê depois na net, disse-lhe, a tentar conter o riso.
Gosto de ser mazinha, às vezes.
Sou tão quente que tenho que me alimentar de gelo para não entrar em autocombustão.
Yeah! É a primeira vez que pesquisam por mim na net como "Hot Chandra Wilson"!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sexo oral

A propósito do post de manhã, lembrei-me duma história que me dá vontade de rir sempre que penso nela.
Uma amiga minha confidenciava-me que outra amiga nossa passou o 5.º ano a usar erradamente a expressão "sexo oral".
Ora, e erradamente porquê? Porque andava sem pudores a falar de sexo oral com os colegas de turma, como grande entendida na matéria. Sabia perfeitamente o que era e como se fazia, mas não achava grande piada. Ela própria já tinha experimentado, mas não podia repetir, se não, os pais iam ficar chateados. Era demasiado caro!
Um dia, pediram-lhe para descrever com mais pormenores. Um pouco corada, respondeu baixinho, com medo que algum professor ouvisse: "é ligar para aqueles números telefónicos com mulheres do outro lado aos gritos - 'hãaa... hãaaa... hãaaa...'".
ahahah

Engates telefónicos

Eram 07:45.
Estava eu a dormir agarrada à almofada, a sonhar que estava na praia, com certeza com aquele sorriso estúpido de quando estamos a ter bons sonhos.... Toca o meu telemóvel.
"Trrrrim!!"
Olhei para o número, ensonada, apenas com o olho direito aberto. Não conhecia. Atendi na mesma.
- Estou?
- Estou?, uma voz masculina do outro lado. Ahh... desculpe. Acho que marquei mal o número. Queria ligar ao Pedro Monteiro.
- Não tem mal, acontece. Bom dia!
- Desculpe... Bom dia!!
Desliguei, voltei a fechar os olhos, na esperança de poder continuar o sonho onde o tinha interrompido. Aquela praia era bem boa. Caraíbas?
"Pim-pim!" - som de nova mensagem escrita.
Peguei no telemóvel, contrariada.
"Desculpe a ousadia, mas tem uma voz muito simpática. Valeu o engano." - dizia a mensagem.
"Que idiota", pensei, meia a dormir. "Simpática não é nada. Se era para elogiar, ao menos dizia que tinha uma voz sexy. Nunca disseram que tinha uma voz sexy. Gostava de ter! E pelo menos assim ganhava o dia.", pensei, mal disposta. Voltei a fechar os olhos, ansiosa por reencontrar aquela praia. Será que ainda ia dar para dar uns mergulhos naquelas águas transparentes?
"Pim-pim!" - nova mensagem. Já me estava a irritar!
"Já agora, de que zona do país é?".
Apetecia-me responder: "Estava numa praia paradisíaca nas Caraíbas se não me acordasses, estúpido!" Mas depois pensei que ele disse que eu tinha uma voz simpática e não podia desiludi-lo. Além disso, não podemos culpar ninguém de pelo menos tentar, não é? Não ia ser comigo, mas pode ser que a estratégia cole com alguém e que encontre assim a mulher da vida dele. Quem sabe? Pelo menos tenta.
Força, amigo-do-Pedro-Monteiro! Espero que encontres rapidamente a mulher da tua vida. Ah, e quando quiseres engatar alguém, diz que é sexy, não digas que é simpática. Aproveita este conselho de graça, que é só por ser Carnaval. ;)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Sou incoerente, é o que é.

1- Irrita-me assistir a desfiles de Carnaval em Portugal, acho que não faz parte da nossa cultura e que é muito forçado. Tenho pena das mulheres que se predispõem a usar bikinis de lantejoulas reduzidos e saltos de agulha, enquanto desfilam à chuva ou ao granizo e numa calçada em paralelo. Custa-me ver aquelas pernas cheias de veias azuis ou roxas, como quem pede "socorro, abriguem-me, atirem-me cobertores por favor, estou em hipotermia". Também não sou grande amiga de palhaços, demasiada alegria, confettis, música brasileira, etc.
Mas...... todos os anos dou por mim a vestir-me de qualquer coisa ridícula e a alinhar na festa. Por muito que não adore, fico deprimida se vejo a alegria a passar-me ao lado. Incoerente, eu sei.

2- "Ai, o Dia dos Namorados é um dia tão comercial! O amor não se mede por corações vermelhos a dizer 'I love you'. É tão piroso jantar fora nesse dia, tão forçado. Detesto flores. Morrem passado dois dias, é um desperdício!!", são frases que podiam ser ditas por mim. Concluindo, sempre tentei passar a imagem de: "ai sou mesmo fixe e fácil de agradar, sou a mulher ideal".
Mas qual quê? O ano passado acordei toda deprimida, porque estávamos separados por motivos profissionais. Fui trabalhar de trombas, porque todo o mundo estava mais apaixonado que nunca. Só via casais felizes, de mãos dadas, a sorrir. Eu era a única pessoa que estava sozinha nesse dia.
Ia eu a caminho do trabalho, mergulhada nessa depressão, quando ele me ligou:
- Bom dia!!
- Bom dia! Já a trabalhar?
- Sim, e tu?
- Estou a ir para o trabalho. Que dia deprimente. Só casalinhos a apaixonados e a beijarem-se loucamente à minha frente. Que nojo. Deviam proibir os linguados em via pública. Até enjoa. Odeio este dia.
- Que dia?
- Deixa lá. Tu é que fazes bem, nem te lembras. É um dia comercial. Um dia estúpido, disse eu negação.
Cheguei ao escritório, tinha um ramo gigante de girassóis, bombons e um cartão. Fiquei histérica, aos saltos. Liguei-lhe:
- Não acredito!!! Lembraste-te!!
- Claro que sim. Dizes que este dia te mete nojo, mas mete-te nojo é se eu não fizer nada. Já sei como és.
- Sou assim tão incoerente?
- És. O que vale é que eu já te conheço. Agora come lá os bombons, apesar de também não gostares e meter nojo este dia comercial.
- Já foram dois enquanto te ligava.
- Pois... Imagina se gostasses.
E pronto, sou eu. Há mais gente assim desse lado? :)

Teorias parvas

Tenho um amigo que foi, durante muito tempo, apaixonado por uma amiga nossa em comum.
Mas nem era preciso dizer-me para eu constatar o óbvio: quando ela entrava nalgum lado em que ambos estivéssemos, o olhar dele brilhava, o sorriso rasgava e as palavras escasseavam. Ele podia estar a contar-me a história mais engraçada à face da Terra, que quando ela aparecia tudo deixava de importar e ele só conseguia balbuciar umas palavras sem sentido. Foram muitos os momentos em que senti até alguma frustração alheia, porque queria muito que ele lhe mostrasse o quão engraçado era, mas com ela presente ficava sempre anulado. Mantinha-se só em contemplação.
Um dia, na tentativa de lhe arrancar umas palavras, comentei com ele durante um almoço, a despropósito: "a X é lindíssima, não é? Tem a cara mais simétrica que já vi, já reparaste?".
Naquele momento, foi como se tivesse aberto as comportas duma barragem, tal foi a força daquela maré de palavras e desabafos que dali irrompeu. Sim, ela era linda. Mas não só - era a rapariga mais bonita que ele alguma vez tinha visto ao vivo. Mais: ela tinha uma cara tão perfeita que ele não conseguia concentrar-se quando ela estava por perto. E perguntava-me, intrigado:
- Como é que tu consegues? Ela é perfeita. Aqueles olhos rasgados. Aquele sorriso. E, sim, é tão simétrica. Nunca vi nada assim.
- Eu sei. Nem falas quando ela aparece...!
- Pois não. Ela abre a boca para falar e eu só oiço sons abstractos. Fico colado nos dentes dela, nos lábios, no nariz mais perfeito que já vi, naqueles olhos que parece que têm estrelas. E ainda por cima é tão simpática, tão querida, tão envergonhada, tão tímida.
- Estás apanhadinho.
- Não!!... Não tinha coragem de lhe tocar. É perfeita demais. Para tocar, gosto de mulheres menos certinhas e não tão bonitas. Até me ia fazer confusão a...
- A...?
- A fazer... percebes? Era quase pecado. Ela é uma bonequinha. É só para se olhar.
- És maluco.
- Oh... Além disso, aposto contigo o que quiseres que ela só ficou bonita há pouco tempo. Devia ser feia em criança. Devia ter os dentes tortos. Devia usar óculos. E devia ter o cabelo feio. Ela ainda nem sabe que é bonita. É demasiado querida e tímida para quem cresceu gira e a pôr os homens malucos à sua passagem.
Passado uns dias, tive, por coincidência, essa confirmação: ela tinha usado aparelho durante uns 4 anos, porque tinha dentes em cima uns dos outros. Tinha tido acne. E tinha crescido com o cabelo indomável, contou. Partilhei com ele.
- Vês? As minhas teorias nunca falham. Mulher bonita que não é convencida é porque cresceu feia.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Não gosto de andar de avião...

... por isso estou curiosa por saber se assistir ao Flight - Decisão de Risco vai piorar esta fobia ou vai ajudar.
Já me disseram "não vejas, não vejas!!", mas sou como as crianças. E já se sabe o que dizem do fruto proibido.
Além disso, já vi o início e percebi que o acidente não é assim tão grave. Menos mau. Da próxima vez que for de avião, em vez de antecipar um cenário catastrófico com quedas dramáticas, já posso suavizar a fobia e pensar numa queda suave e meiguinha. Que bom!
Quanto ao filme, a minha maior curiosidade é perceber se o Denzel é merecedor do Óscar de melhor actor.
Até já! Depois dou a minha opinião.

Ps: estas imagens que encontrei na net são mesmo tranquilizantes, não são?

Do acordar cedo ao fim-de-semana

Em pequena, eram os desenhos animados.
Depois, era porque os meus pais queriam sair connosco e acordavam-nos cedo.
Quando comecei a trabalhar, era porque queria aproveitar os únicos tempos livres que tinha.
O que é certo é que acordo muitas vezes mais cedo ao Sábado e Domingo que durante a semana. Ou, pelo menos, acordo com menos esforço e sem despertador.
Hoje acordei e estava com uma luta interior: não tinha companhia para ir correr, por isso ia sozinha ou não? A preguiça estava a tentar aliciar-me para o lado negro. Saí na mesma. Peguei na 'bichinha', como chamava a D. Adélia, e fomos as duas correr.
Resultado? A'bichinha' descobriu um irmão separado à nascença. Eu encontrei uma prima minha com que andava a tentar combinar alguma coisa há dias e pusemos a conversa em dia, enquanto passeávamos corríamos. Encontrei uma amiga minha. Apanhei um solzinho bom enquanto passeava corria. Se foi a melhor corrida do mundo? Não. Mas soube tão, mas tão bem.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Lutas de casal

Problema 1: Eu adoro ler na cama. Ele odeia. "A cama é para dormir ou namorar", disse-me já mil vezes.
Solução? Esta:

Um 'tapa-olhos' para ele. Há que ser flexível e saber ceder em ambas as partes, certo?

Problema 2: Eu adoro ver determinado tipo de filmes ou séries. Ele é mais desporto e programas com análise dos jogos.
Solução? Alterna-se.
Há que pensar a dois e não ser sempre egoísta.

Problema 3: Eu gosto de madrugar aos fins-de-semana, como as crianças. Tomar um mega pequeno-almoço, sair de casa, andar de bicicleta, ir à praia. Fazer mil e uma coisas. Ele prefere pôr o sono em dia.
Solução? Toca a acordá-lo. Chega de dormir!!! Que se lixe o sono dele!! Já dormiu o suficiente!! ;)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Querer ser feliz

Numa troca de emails com uma amiga, dizia-me ela "andas bem, não andas? Pareces sempre feliz".
A verdade é que, como toda a gente, tenho dias bons e maus. Dias em que só me apetece chorar (geralmente coincide, surpreendentemente, com a TPM) e ficar em casa com pena de mim própria. E dias em que sinto que estou capaz de dominar o mundo.
Sinceramente, tenho até muitos momentos de tristeza, de nostalgia, de saudades, de introspecção. Sou uma pessoa de saudades, sempre fui. Vivo angustiada por não conseguir agarrar o tempo e saber que, num fechar de olhos, vou ter 80 anos e tudo vão ser memórias. Vivo angustiada, porque quero ser tudo, tenho mil sonhos, tenho mil planos, mas não vou ter mil anos.
No entanto, tenho também em mim uma necessidade de ser feliz. Decidi ser feliz. E acredito que isto é realmente uma decisão que se toma. Nos dias piores, não oiço música triste - escolho a playlist mais animada que tenho e tento mudar o estado de espírito. Nos dias em que quero chorar, choro cinco minutos, limpo as lágrimas e meto mãos à obra. Nos dias em que parece que tudo corre mal, ligo o botão dos sonhos e dos planos e penso nas coisas boas que vou fazer.
Nem sempre é fácil ser feliz. Às vezes custa e é difícil.
Mas acredito que há fórmulas que são quase 100% eficazes e raramente falham - vão sempre elevar o estado de espírito.
Quando tudo parece correr mal, obrigo-me a aplicar uma dessas fórmulas. E que fórmulas são essas? Pode ser o obrigar-me a praticar alguma actividade física (dançar, jogar ténis, correr, andar de bicicleta), mesmo que a vontade seja nula, pode ser um jantar fora, pode ser uma ida ao cinema, um programa com os amigos, pode ser uma ida às compras, um fim-de-semana romântico. Ou pode também ser admitir que preciso dum abraço apertado daqueles que nos esmagam e deixam sem ar, ou admitir que preciso dum beijo. Às vezes basta até pegarmos no telefone e fazermos um telefonema para aquela pessoa que nos anima sempre, ou pode ser enviar uma mensagem mais querida e ter uma resposta que nos derrete. Há pequenas coisas que vão sempre fazer-nos sentir melhor.
Por isso, acho que é uma questão de querermos realmente ser felizes. Se quisermos, tudo o resto vai ser mais fácil. Eu acredito mesmo que sim.

Os homens que odeiam os cães

Ando fula com isto.
A minha cadela, um amorzinho com 7 quilos de existência, anda a ser vítima de bullying por parte dum boxer gay dum vizinho nosso. O boxer e o dono são iguais: ambos atarracados, com olhos demasiado grandes para a cara, orelhas pequeninas e expressão de morcego. Ambos demasiado inchados para o pequeno tamanho que têm. Ambos igualmente irritantes e amedrontados com tudo.
Só para terem uma ideia: o homem veste o boxer de rosinha. Rosinha! É um cão. É um boxer. Rosinha?
E, para piorar, sempre que me vêem a passear com a Malti, ficam os dois cheios de medo e a gritar. Meninas... Tenho uma fox terrier. Ele tem um boxer. É preciso explicar-lhes isso? O cão dele podia desfazer (sentido literal, calma) a minha, se quisesse. Medo?
- Desculpa, podia pôr a trela no seu cão? O meu está assustado. Tem medo que o seu o ataque.
(Notem: é o cão que está assustado. Claro! Adoro estas projecções dos medos do dono no animal).
- Experimente soltá-lo também e deixá-lo brincar com a minha. Eu acho que ele quer é brincar.
- Mas ele está mesmo assustado. Não estás, Baby?
(tento conter um ataque de riso)
- Um canzarrão desses?
- Err.. Nunca põe a trela no seu?
- Não costumo pôr, porque ela obedece e anda sempre ao meu lado. Nem precisa. Mas nós vamos embora. Anda, Malti.
- Obrigado.
E lá fomos.
No dia seguinte, estou novamente a passeá-la ao pé de casa e vejo o gay do Baby (ahah) a ser passeado desta vez por uma mulher.
- É a Malti? Prenda-a por favor! (grita a mulher)
- Ela não faz mal. Vê? Está aqui quietinha.
- Mas olhe que este é o Baby! E ele tem medo que ela o ataque.
- Oh, sinceramente, acho que não é o cão que tem medo.
- Como?? Sabe que é ilegal andar com o cão sem trela?? O Baby tem razão!!
- Olhe, chame a polícia. E já agora, não sei se sabe, mas tem um boxer. Um boxer!

Nota: Vizinhos, se me estão a ler, desculpem lá, mas esta história é ridícula demais para não ser contada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Estarei grávida?*

(Vou só bater três vezes na madeira e volto já.)
Ando há uns dias sem apetite. Eu, que sou o maior alarve e arranjo sempre espaço para mais uns doces.
Ando enjoadinha e com o estômago 'estranho'.
Ando sensível aos cheiros, eu que nem tenho o olfacto mais apurado do mundo.
(Pausa para bater outra vez na madeira.)
Hoje, ao jantar, fomos um japonês que adoro e nem me apeteceu sobremesa.
Não me reconheço!
Espero que não seja nada de mais. Com sorte, é apenas o meu corpo a revoltar-se contra o excesso de chocolate que lhe impingi toda a vida. Se for assim, é bem feita para mim.
Se não, em Novembro tenho que escrever no blog com um(a) mini pippo(a) ao colo.

*Papá e mamã, se me estão a ler, calma! Eu tomo a pílula... isto é só uma brincadeira, não vão ser avós. Smileee!!!

As desavenças conjugais emagrecem

...Ou é impressão minha?
Sempre que alguma mulher emagrece repentinamente penso logo "ou está apaixonada ou está chateada com o namorado/marido". Pode ser um preconceito, pode ser uma teoria disparatada, podem atirar-me ovos e tomates podres e dizer "não tem nada a ver". Ok. Mas vou continuar a achar.
Mas a minha experiência e o que vejo nas pessoas que me rodeiam diz-me isto: a felicidade conjugal engorda. Ninguém consegue manter apertado o botão daquelas calças mais justas depois de mil e um jantares românticos, a partilhar o spaghetti, qual Dama e Vagabundo; depois de idas ao cinema com quilos de pipocas e litros de Coca-cola à mistura; fugas ao fim-de-semana de puro descanso e amor. Até o ginásio fica muitas vezes para segundo plano, porque a manta e o sofá começam a chamar para um programa de mimo, no quentinho, em frente à televisão.
No lado oposto desta descrição, as desavenças ou os problemas que surjam no casal são um verdadeiro queima-gorduras. Quem é que pensa em chocolates, quando anda a estranhar aquelas reuniões tardias dele? Quem é que pensa em devorar uma pizza, à frente da televisão, quando anda preocupado com as contas por pagar e o salário em atraso?
Há uns tempos, li que a Marisa Cruz tinha emagrecido não sei quantos quilos em dois ou três dias, e cortado radicalmente o cabelo. Pensei para mim "hmmm... não me parece coisa boa, mas espero estar enganada". Não estava. Hoje, a acreditar nas revistas, o casamento com o João Pinto chegou ao fim. Não conheço nem um nem outro, mas fico sempre triste quando um casamento termina, porque, como romântica que sou, gosto de acreditar que os casamentos são para todo o sempre.
Contudo, o que me deixa mais intrigada nisto tudo é pensar que existam ainda tantas mulheres que só começam a pensar no corpo e no aspecto físico quando as coisas dão para o torto. É vê-las a correr para o ginásio, para as massagens, para a manicura, para o cabeleireiro, para o cirurgião plástico, para o shopping. É vê-las passar duma copa A para uma copa D, com orgulho. É vê-las reduzir o tamanho da saia. É vê-las exibir as novas madeixas loiras.
Porquê? Porquê? Sempre achei que uma mulher devia ter cuidado sempre. Devemos gostar do que vemos no espelho quer tenhamos ou não alguém ao nosso lado. Não é até uma prova de amor? Um "gosto de ti, por isso quero que me vejas no meu melhor e não em modo desleixada".
Lembro-me de ter 20 anos, estar em casa à espera dum namorado, e a minha mãe afirmar "já não gostas dele." Perguntei porquê. "Nem te arranjaste. Até do perfume te esqueceste, não sei se já reparaste". Ri-me. Era verdade. Não tinha posto o perfume, como sempre fazia. E sim, já não estava apaixonada. Porque para mim gostar de alguém é, para além de tudo o resto, querer mostrar-lhe o melhor de nós sempre, e não apenas mais tarde, quando for para dizer "olha o que perdeste! estou óptima!" ;)