Que este é
o nosso dia, já todas sabemos.
A razão de ser do mesmo, podem encontrar em mil lugares, como
aqui. Por isso, não pretendo dar uma lição de História já repetida e aprendida.
Se o mesmo dia faz sentido, se será discriminação positiva ou não, também será um debate interessante que poderão acompanhar nalguns outros blogs, como
aqui.
O que este dia representa, conselhos para as mulheres, dicas para os homens nos mimarem, ideias de programas para hoje também andarão a ser divulgados um pouco por toda a internet.
Mais que História, debate sobre as razões de ser do dia ou conselhos para o mesmo, aquilo em que hoje mais penso é o que significará educar uma mulher nos dias de hoje. Tendo eu crescido numa família maioritariamente de mulheres, sempre me imaginei também eu, um dia, mãe de meninas. Tendo crescido com uma irmã mais nova, com primas muito próximas, com um avô que morreu quando tinha apenas 6 anos e outro, quando tinha 17, acabei por me aproximar mais das mulheres da família. Aprendi a dar conselhos no feminino, apenas, a ouvir somente relatos femininos... resumindo, aprendi tudo da perspectiva da mulher.
Talvez por isso, quando, em casa, damos por nós a imaginar um futuro com filhos, é normal eu sugerir apenas nomes femininos, porque isso sempre foi o natural para mim. Quanto a ele, crescido numa família maioritariamente masculina, imagina-se apenas com filhos. E começámos, assim,
um debate sobre as diferenças entre educar um filho ou uma filha.
Eu sempre achei que o crescimento feminino era mais fácil, talvez porque era o único que conhecia. Via as mulheres como seres sensíveis, românticos, sonhadores, tímidos e cheios de inseguranças, cuja função dos pais seria bastante simples: dar força, segurança e amor, muito amor. Em compensação, via os homens como seres estranhos, que ficavam, a dada altura, com pêlos faciais espalhados, voz estranhamente grossa, que começavam a andar em grupo, a arrotar, fumar, beber e a gozar com tudo para ficarem bem vistos junto dos amigos. A função dos pais seria complicada: para mim, os rapazes, por norma, ouviam apenas os amigos e faziam o contrário do que os pais sugerissem.
Ele dizia-me que isso era
antes. E que
agora os papéis tinham sido invertidos. Na opinião dele, as novas mulheres são agora quem tem que dar o primeiro passo em tudo. São as conquistadoras, as que escolhem quem querem, as que vestem roupa provocadora e que mandam mensagens aos rapazes escolhidos. Entende ele que, hoje em dia, são as mulheres que começam a fumar, a beber e sair à noite mais cedo. E que os rapazes, hoje em dia, são mais sensíveis, sonhadores, tímidos e cheios de inseguranças. Diz-me que, por tudo isso,
se vai sentir mais seguro com um filho em casa.
Ora, quando, há algumas semanas atrás, fomos sair à noite com amigos, ele dizia-me ao ouvido
"repara bem à volta e vê se não são as miúdas que estão vestidas de forma provocadora, a beber, a fumar e com ar mais confiante que os rapazes da idade delas". Eu dizia que não, não, impossível. Até que comecei a reparar melhor. E saiu-me um
"talvez". Talvez realmente os papéis se tenham invertido.
Não sei o que se passou, mas
algures nesta luta pela emancipação e igualdade entre sexos, parece-me que, realmente, os lugares se terão invertido um pouco e temos, agora, mulheres mais decididas, mais seguras de si.
Mulheres que sabem o que querem e quem querem. Mulheres que não precisam de ser tratadas com especial força ou segurança. Mulheres que não precisam dum determinado dia internacional que as lembre, porque não se sentem inferiorizadas. Mulheres menos sonhadoras, mais práticas e realistas. Mulheres destemidas.
A verdade é que vai ser diferente educar uma mulher nos dias de hoje. Não se trata de educar uma futura princesa (como a minha mãe tantas vezes me dizia), mas de educar uma mulher que pode vir a ser a futura Primeira-Ministra. Se os papéis se inverteram? Sim. Se vai ser mais difícil educar uma mulher nos dias que se aproximam? Acredito que sim. No entanto, continuo a sentir que é um desafio que era capaz de enfrentar com todo o prazer. Mais tímidas ou decididas, sonhadoras ou realistas, é esta maneira de pensar que compreendo e acho-nos a nós, mulheres, fascinantes. Por isso, fazendo ou não sentido, sendo ou não discriminação positiva, eu gosto de festejar o Dia e quero dizê-lo a todas as mulheres que me lêem:
tenham um dia muito feliz!
PS: Queridas amigas com meninas - D., I., e B. - força com as vossas futuras Primeira-Ministra, Nobel da Medicina, C.E.O. de uma grande multinacional, _______ (preencher com o que quiserem). Pode não ser a tarefa mais fácil, mas vai valer a pena. E têm sempre aqui a tia para vos ajudar. Sempre.