terça-feira, 12 de março de 2013

Detesto trocar de depiladora*

*I.e., de mulher que depila, atenção. Não estou a falar de máquinas. :)
(Post inspirado neste, da 100manias)

Ando há meses em sessões de fotodepilação. Bem sei que dizem que o laser é mais rápido e eficaz, mas a fotodepilação também tem tido bons resultados, até ao momento, e é bastante mais em conta. Adorei a depiladora que me calhou até hoje, falei-lhe da minha vida, trocámos confidências, demos conselhos mútuos, rimos, sorrimos juntas. Tudo isto comigo despida. Criou-se uma relação!

E não é que hoje cheguei lá ao centro feliz e contente, e vi que me trocaram a depiladora?! Fiquei a olhar a minha antiga, entre duas portas, cabisbaixa, e a chamá-la em pensamentos - "Amigaaaa!". Ainda perguntei se não dava para trocar, mas disseram-me apenas "a técnica vai para uma acção de formação, tenho que ser eu hoje".

Detesto isto. Ter que repetir a conversa desde o início, ganhar confiança. E ver uma desconhecida com uma máquina capaz de queimar pelos direccionada para as minhas partes mais queridas. Lá tentei fazer conversa:
- Como é que sabe que o pelo já está queimado?
- Sabe os rabinhos dos porcos? Enroladinhos?
- Sim...
- É assim que ficam os pelos queimados. Eu tenho que ver se os seus estão assim.
Pelo menos fez-me rir.
"Amigaaa", lá lhe disse em pensamentos, na despedida.
É que uma pessoa sente mesmo que tem ali uma amiga, depois duma hora na conversa, praticamente nua, deitada numa maca a ver alguém queimar-nos voluntariamente.

Encontro de terceiro grau

Peguei no telemóvel e escrevi-lhe uma mensagem: "Adivinha com quem tivemos agora um encontro de terceiro grau".
Resposta: "Não faço ideia. Já agora, o que é encontro de terceiro grau?".

R., envio-te por aqui as duas respostas.
Quanto à primeira, a resposta é: vimos o Tommy!
Quanto à segunda, a resposta está aqui. Desconhecia que existiam tantos graus, mas já agora aprendemos todos.

Ora, e quem é o Tommy?, perguntam vocês.
Pois bem: o Tommy é o namorado-não-aceite-pela-família da minha cadela. É o primeiro amor dela. E foi quem lhe tirou a virgindade, à revelia da sua dona, que corria tresloucada atrás da pequena canídea apaixonada.
Corria o ano de 2011, quando a minha cadela, naquela-altura-do-ano-em-que-os-animais-procuram-o-amor-sem-olhar-para trás, decidiu fugir para viver um grande amor. Eu estava a passeá-la com trela, mas a loucura foi tanta que se abanou até não poder mais (como que a antecipar um futuro Harlem Shake), e conseguiu livrar-se das amarras que a prendiam às convenções morais e sociais, vulgo trela.
Fugiu encosta abaixo com o seu primeiro amor, o Sol ia já alto.
Eu gritei, corri, gritei, corri, chorei, gritei, chorei.
Fiz mil telefonemas. Chamei reforços.
A cadela tinha desaparecido sem deixar rasto.
Até que um rapaz com aspecto duvidoso, tufos de madeixas loiras espalhados pela farta cabeleira preta, casaco laranja, jeans gastos, em cima duma mota de pista, me chamou:
- Chavala! Estás à procura duma cadela?
Olhei à volta. Era para mim.
- Sim...
- Tem calma, chavala. Eu sei onde ela está.
- Então?
Sequei as lágrimas.
- Segue-me.
Meti-me no carro, segui aquela mota verde, um pouco assustada. Parou. Chamou-me. Abri o vidro.
- Não é aquela? Está com o Tommy.
Olhei. Uma colina com vista para o rio. Os dois namorados, ali a amar-se em pleno dia.
A minha cadela acabou por ir ao veterinário ser analisada e, felizmente, aquele amor não teve sequelas.
Quanto ao rapaz com aspecto duvidoso transformado em herói, decidi ir depois procurá-lo e agradecer-lhe. Lá o encontrei (as pessoas conheceram dali logo, pela descrição).
- Olá! Queria dar-lhe uma recompensa por me ter avisado onde a cadela estava.
Agarrei na carteira e estava preparada para lhe dar 100€.
- Hey, oh chavala! Fiz a minha obrigação... Essa agora... Não posso aceitar nada por só ter feito a minha obrigação!

Conclusões: O primeiro amor causa sempre estragos. Nunca mais julgo ninguém pelo simples facto de ser um homem moreno com tufos de madeixas amarelas, usar casaco laranja e dizer "chaaavaala". E, por fim, apesar de não adorar a palavra, fiquei a saber que passo por "chavala", o que não me desagradou de todo.
Quanto à minha cadela, continua "in love", mas o próximo amor há-de ser arranjado pela família e, de preferência, há-de ser escolhido um par de boas linhagens. Lamento separar dois apaixonados, mas...

Já fui uma adolescente estúpida. Só não existia o Justin.

Numa altura em que todos falam do Justin Bieber em Portugal e das inúmeras fãs acampadas à porta do Pavilhão Atlântico, algumas até com 6 tatuagens, como partilhei na página do Facebook do blog, lembrei-me da minha adolescência. (De referir ainda que estas notícias coincidem também com a minha mudança de casa, pelo que o facto de ter encontrado diários meus antigos ajudou a este avivar da memória.)

Pois bem: aos 11 anos, dancei o primeiro slow. Ele era escuteiro, loiro e de olhos azuis como um anjo, e dançámos ao som da Celine Dion. Fiquei apaixonada. Escrevi cerca de vinte mil páginas em Diários sobre ele. Resultado? Contei aos meus pais, que não disseram nada. Apenas nunca me deixaram, por coincidência, ir para os escuteiros...

Aos 12 anos fiz mais 3 furos nas orelhas, para além dos 2 que já tinha. Peguei nas minhas melhores amigas e lá fomos nós a uma ourivesaria concretizar o meu ideal de beleza. Quando cheguei a casa, com 2 furos numa orelha e 3 na outra, os meus pais não me deram nenhum sermão. Não sei se perceberam que eu continuava a ser uma totó marrona estudiosa e bem comportada, e que aquilo era apenas uma tentativa frustrada de ser rebelde. E verdade seja dita que, passado um ou dois anos, já não usava os brincos e os furos acabaram por fechar.

Aos 16 anos, dei a primeira passa num cigarro. E apanhei a primeira bebedeira com rum e Coca-Cola. Contei na altura aos meus pais que tinha fumado e bebido e, mais uma vez, ouviram apenas e nada disseram. Acho que aconteceu o mesmo que tinha acontecido aos 12 anos. Resultado? Nunca mais consegui cheirar rum. E nunca mais fumei.

Quando acabei o liceu, nas férias de Verão, fiz um piercing no umbigo, com uma grande amiga minha e irmã a apoiar a minha loucura. Cheguei a casa, super orgulhosa da minha façanha e, ao ver primos e avó em casa, não resisti e mostrei-lhes. "Porque é que fizeste isso a ti própria?" foram os comentários que ouvi, com voz de pena. Mais uma vez, ninguém me resmungou. Pareceram só achar feio. Julgo que os motivos para o silêncio total foi novamente o mesmo. Resultado? Não uso o piercing há cerca de 6 ou 7 anos.

A minha conclusão disto tudo é que, apesar de não ser mãe ainda, me parece que a melhor forma de se ajudar um adolescente a passar por estas fases de paixões, descobertas e rebeldia será ouvi-los com atenção, não julgar e tentar conversar de forma aberta, sem grandes proibições ou imposições. Imagino que seja difícil ou quase impossível, mas do alto da minha total inexperiência nesse campo, digo, contudo, como filha, que foi assim que comigo resultou sempre. Loucuras? Passaram todas. E com estragos mínimos, acredito. Hoje em dia servem apenas para me rir do meu parvo eu adolescente.

Por isso, pais das Beliebers, não fiquem nervosos. Estes amores da adolescência acabam mais rápido que os namoros da Marta Leite Castro.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Constatação irrelevante

Reparei hoje que o meu carro tem tantos kms como o meu blog tem visualizações.
Quererá dizer alguma coisa, como quando deixamos cair um objecto significa que estão a pensar em nós, ou como quando nos cai uma pestana significa que podemos pedir um desejo?
Se não quer dizer alguma coisa, podem inventar, também serve. ;)

Não lido bem com a nudez?

A minha mãe toca à campaínha. Abro a porta.
Beijinho.
Entra.
- Estás sozinha? Onde está o ...?
- Não, ele está ali dentro a vestir-se. Saiu agora do banho.
Chamo-o.
- Já estás pronto?
A porta abre-se.
- Oláa!
Olho para ele. Está de boxers. Apenas. Todo sorridente.
- VESTE-TE!!, grito-lhe, enquanto o empurro e fecho a porta.
A minha mãe a rir-se. Ele a resmungar.
De tarde, ele comenta comigo que não percebe o meu pudor.
- Estava como ando na praia. A tua mãe já me viu tantas vezes.
- Mas isto não é praia. Estávamos todos vestidos e tu nú.
- Nú?? Estava de boxers.
- É o mesmo que nú. Vê-se tudo.
- Que complexada. Então eu não tenho problemas e tu tens?
- Acho que fica mal andares assim. Não tens 10 anos, não és um miúdo.
- Mas qual é o problema?
- É feio. Gostavas que fosse abraçar o teu pai em lingerie?
- Oh.
- É como ando na praia!
- Mas na praia não o abraças.
- Mas abraçava agora, com saudades. Ah e até ia só de cuequinhas abraçá-lo.
- Tu não fazes topless.
- Passo a fazer.
- Cala-te. Tens um problema com a nudez.
Juro que não tenho. Simplesmente não me parece natural andarmos em lingerie junto de alguém que não a pessoa com quem dormimos... (ou amigas, ok)
Como é com vocês? Partilham deste meu problema ponto de vista?

Profecias

Tenho uma familiar que, a dada altura da vida, optou por mudar de religião. Não sei bem os motivos que a levaram a desligar-se da religião Católica, mas sei que, dum momento para o outro, começou a falar no "pastor" e das reuniões de Domingo à tarde.
Deixou de festejar o Natal, a Páscoa e passou a participar nesses dias de forma mais ausente e desligada. Se, até há uns anos, era muito participativa e interessada na ceia de Natal, por exemplo, agora parece estar apenas a analisar-nos, como quem analisa um estudo científico, ao longe. Confesso que não adoro a forma como nos olha, mas sei que respeita as nossas crenças e isso é o mais importante.
No entanto, no meio disto tudo, começou a brindar-nos com alguns comentários um bocado desagradáveis. Uma vez, disse-me "já te despediste da avó? Ela não vai durar muito, o Pastor disse-me". Apetecia-me mandar o Pastor para um sítio pouco simpático, mas o momento era de dor e pedi-lhe apenas para guardar os comentários para si mesma.
Graças a Deus (para mim), Alá, aos anjos, aos médicos ou a quem quer que seja, a minha avó aguentou-se bem e há-de durar muitos e muitos anos. Só que aquela frase deixou-me a pensar principalmente pela forma cega como essa minha familiar acreditou na palavra do dito Pastor.
Ultimamente, acrescentou que sabe de várias profecias. Partilhou algumas comigo, que fiz o favor de apontar e guardar.
Por isso, querido Pastor da treta, tens, só para que não te esqueças, nove meses para que a A. arranje um namorado jornalista, se case, tenha gémeos e abra uma empresa. Caso contrário, quero ver como te safas desta também. É que da minha avó, já sei que vieste dizer que afinal querias dizer que não ia durar muito a dor. A dor. Nós é que percebemos mal. Pois foi, pois foi.
Tenho aqui cinco ou seis profecias tuas, aldrabão Pastor. Já erraste duas. Vamos lá ver o resto.
Nove meses... Quero ver como te safas.

domingo, 10 de março de 2013

Mandas tu ou mando eu?

A disputa do poder entre os casais é, muitas vezes, um jogo das cadeiras, em que cada um dos dois jogadores espera conseguir ganhar. Aqui em casa, somos os dois um pouco competitivos e, talvez por isso, damos por nós discretamente a olhar para a cadeira e a disputar o seu único lugar.
Por norma, ninguém se zanga, vamo-nos sentando alternadamente e cedemos até o lugar de forma educada.
Por norma é assim. Mas há excepções.
E a maior excepção que me vem muitas e muitas vezes à memória teve lugar numa viagem que era suposto ter sido a viagem mais romântica das nossas vidas.
Ora, viajámos para Buenos Aires, eu cheia de imagens românticas na cabeça dos dois a dançarmos apaixonadamente o tango, ele a sonhar com o Maradona e com a Bombonera. Quando lá chegámos, tudo o que eu tinha imaginado da cidade correspondia à realidade. Uma cidade feita de cor e magia, urbana, dinâmica, onde se respirava cultura, cheia de gente bonita, boa comida e boa música. Com a minha prima que lá vivia e outra amiga nossa, viajámos e aproveitámos para conhecer todos os bairros, desde o S. Telmo, a Palermo, à Boca... Tentámos viver como argentinos, comer nos sítios deles, sair nos sítios deles e ser mais locais que estrangeiros, muito graças à minha prima, que nos ia dando as melhores dicas.
No último dia, a minha prima tinha uma surpresa preparada: íamos dançar o tango com ela, que estava há um ano a ter aulas numa escola. Lá fomos então nós, eu com coraçõezinhos desenhados nos olhos, toda pirosa e lamechas, a agarrar-lhe a mão com força, da emoção. Quando chegámos, o professor tratou logo de gritar: "hoje quem lidera é o homem!". Ri-me e não levei a sério. Dancei muitos anos e estava preparada para ser um pouco "bossy" nessa matéria. Até que a música começou. Começámos a imitar os passos dos professores e eu sempre a comandar. Ele ia-me puxando, mas eu achava que era mais qualificada e então fazia ainda mais força nos passos.
De repente, ele larga-me "não ouviste?? o homem manda!!!".
Olhei para ele e vi um homem das cavernas. Só faltava a saia de pele de leopardo e uma moca na mão para ser mais primitivo.
- Ouviste??!! Eu mando!!!
Os corações fictícios dos meus olhos foram despedaçados.
- Estás a falar a sério?
- Sim. Hoje mando eu.
Deixei-o mandar. O melhor de tudo? A dança saiu na perfeição, sem erros, sem pés calcados. Ainda hoje me rio a lembrar-me disto. Realmente, às vezes custa ceder o poder, mas é preciso fazê-lo. E a dinâmica do casal funciona mil vezes melhor assim. Claro que ele me atirou dez mil vezes à cara o bem que dança e o bem que fiz em tê-lo deixado comandar. Mas ter alguém é mandar umas vezes e ceder noutras, certo? E a verdade é que acho que qualquer mulher gosta de ser mandada, por vezes.
E aí em casa, quem manda? ;)

"Vale zero"

Ontem contei que a minha mãe era muito engraçada sem se aperceber que é, ou sem sequer se esforçar.
Depois dos comentários com que nos brindou à mesa, o telefone tocou. Atendeu, um pouco intrigada por não conhecer o número. Nós não ouvíamos o que diziam do outro lado, mas ouvíamos a minha mãe:
- Olhe, vou ser muito sincera: para mim, vale zero. Zero.
-... 
- Desculpe, mas pediu-me o meu testemunho e estou a dá-lo.
- ...
- A sério? Quase todos os testemunhos são positivos? Até gostava de ouvi-los.
- ....
- Não estou a duvidar. Só gostava de saber o que há para dizer de bom. Fiquei curiosa, porque não imagino que elogio possam ter feito àquilo. Eu não encontro nada.
- ...
-Oh... Não faltei ao respeito. Ligou-me para saber qual foi o meu feedback e eu estou a dá-lo.
- ...
- Mas se é a minha opinião, então não hei-de dizer que, para mim, vale zero?
- ...
- Não concordo. Até lhe digo mais: para mim, ainda fiquei pior depois de utilizar. Acho que estava melhor antes. Aquilo seca a pele, cheira mal. Não vale mesmo nada.
- ...
- Só estou a responder-lhe. Zero. Vale zero. Pode escrever tudo o que disse. Não aconselharia a ninguém.
- ...
- Pronto, ainda bem para os outros. Mas agora ligou-me a mim e isto é a MINHA opinião.
- ...
- Ok. Boa tarde.
- ...
- Adeus.
Desligou. Inspirou. Olhou para nós e apercebeu-se que tínhamos ouvido a conversa toda. Meia atrapalhada, disse-nos:
- Então não é que caí no erro de comprar aquele creme Xpto que andam a anunciar como sendo miraculoso e como tirando rugas, manchas, tudo, tudo? Foi uma porcaria, não faz nada, seca a pele e ainda cheira mal. Detestei. Ligam-me a perguntar a minha opinião. Vocês sabem que eu não gosto de dizer mal, mas também não sei mentir. Se querem saber a minha opinião e detestei, vou dizer o quê? Não percebo... Ainda ficaram chateados comigo por dizer a verdade!
Olhei para a minha mãe e lembrei-me da minha avó, mãe dela. Às vezes, quando vai lá a casa e a comida não está tão boa como de costume, por exemplo, se lhe perguntamos, ela é capaz de responder "realmente hoje não gosto, nem me apetece comer". Só que é tão sincera que é impossível alguém chatear-se. Ela é incapaz de mentir e adoro isso nela.
- Mamã, sabes perfeitamente a quem saíste nisso de dizeres tudo o que pensas, não sabes?
- Pois sei... E acho que não fui a única a herdar isto.
Pois não. Feliz ou infelizmente, sei que também herdei o mesmo gene. Não me queiram dar prendas de que não goste para me testar. Sou mesmo estúpida transparente e não consigo disfarçar e fingir que gostei. Mas, pelos vistos, é hereditário. Que fazer? ;)

sábado, 9 de março de 2013

Sou um monstro

Ontem fui a um concerto em que deram umas gerberas lindas à entrada por ser Dia da Mulher. Eu aceitei a minha e andava toda pirosa e feliz com a que me tinha calhado - uma gerbera cor-de-rosa gigante e muito perfeitinha. A meio do concerto, pousei-a e pus-me a pé.
Quando reparei, uma miúda que estava atrás de mim apoderou-se da minha flor linda e perfeita e deu-a à mãe. "Guarda-a", ouvi-a dizer, muito baixinho, talvez para eu não ouvir.
Pensei "para miúda, miúda e meia". Virei-me para trás, com o sorriso que consegui arranjar na altura e disse, simpaticamente: "olha que a flor é minha".
A miúda tinha três, ainda para mais!
Amuou e devolveu-ma logo.
Hoje contei, à hora de almoço, que tinha "lutado" contra uma criança e que me sentia um monstro. Pensei que iam todos insultar-me. Afinal, a resposta da minha mãe, com ar meio pensativo e introspectivo, foi de rir:
- As crianças são a melhor coisa do mundo... Mas nem todas. Algumas não são.
Depois, estávamos a falar do concerto e a minha mãe saiu-se com outra, com o mesmo ar pensativo, de quem nem se está a aperceber que está a verbalizar os pensamentos:
- Esse era desmontar a cara toda e distribuí-la outra vez.
Acho que a minha mãe não se apercebe da piada que tem. A sério que acho.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dúvida existencial #7

Imaginem que têm o apelido "Dias". (excepto os que têm mesmo, esses não precisam de imaginar, claro!)
Quais seriam os nomes próprios que não poriam aos seus filhos?
....
Vá, não é difícil. Pensem um bocado.
...
Já está?
Pronto.
É que não percebo como é possível conhecer um Rodolfo com esse apelido.
Com tantos nomes próprios disponíveis, aqueles pais tinham que escolher um dos poucos que terminam em "fo"? É que podia ser António, Miguel, Rui, Pedro. Mas Rodolfo Dias? Não é mau de mais? Coitado do rapaz.

11 perguntas e respostas

Cíntia desafiou-me para um questionário.
Ora, eu - que sou como o Marty Mcfly*, do "Back to the Future" e detesto que me chamem "medricas" - tratei logo de responder. Aqui vão as minhas respostas.

1. Que estilo de música ouves mais?
Podia dar a resposta mais rápida expectável que seria "oiço de tudo um pouco, depende da disposição", mas seria mentira. Ultimamente, o que mais oiço é Phoenix, Two Door Cinema Club, Twin Shadow, Cat Power, Arcade Fire, Bombay Bicycle Club, Efterklang, Bloc Party, The National, Chairlift, Foster the People, Friendy Fires... E gosto sempre de conhecer boa música nova, por isso, se tiverem sugestões, enviem-mas, por favor, que sou toda ouvidos!


2. Sentes-te realizada profissionalmente?
Adoro o que faço. Gostava de receber mais? Adorava. Mas estou na área que gosto, sem dúvida. Quanto às restantes áreas que me atraem, como o cinema, música, alguns desportos ou a própria escrita, encaixo-os na minha vida a título de hobbies.

3. Cumpriste todos os objectivos que estabeleceste para ti própria até hoje?
Ainda não, nem estou sequer perto de os cumprir. São tantos! Da clássica triologia livro-árvore-filho, por exemplo, nem um. Mas espero ter tempo para cumprir todos os objectivos. Estou optimista, pelo menos!

4. O que é que ainda não fizeste que gostavas de fazer?
Os três pontos de cima, por exemplo. Um, porque implica imaginação e talento, outro porque implica pensarmos na natureza e o último, porque implica deixarmos cá parte de nós e deve ser a maior realização pessoal deste mundo.

5. Carne ou peixe?
No dia-a-dia acabo por comer mais carne, mas nada me dá mais prazer que um bom peixe grelhado ou uma bela duma mariscada. Principalmente se for com boa companhia, junto ao mar e acompanhado de vinho branco.

6. Qual é a tua viagem de sonho?
Adorava fazer o Transiberiano. Não é a minha única viagem de sonho, porque tenho por (triste) hábito sonhar muito, mas é a primeira que me ocorre.

7. Algum filme que te tenha marcado particularmente?
O "Before Sunrise", de 1995, sem dúvida. Pela idade que tinha, pelos diálogos riquíssimos, pela história de amor e por aquele final em aberto... Cresci a sonhar em encontrar alguém como o Jesse, com que conseguisse ficar horas seguidas a conversar. Mas durante anos não sabia sequer o nome do filme. Só mais tarde, quando comentei com alguém que havia um filme que estava há anos na minha memória e não sabia o nome, esse alguém disse-me o nome e acrescentou "vai haver agora continuação". Houve. E o melhor de tudo? Este ano vamos ter o final da história, pelos vistos. O "Before Midnight" está prestes a estrear e estou realmente ansiosa.

8. Preferes um jantar romântico ou uma saída à noite?
Jantar! Jantar! Jantar! Nem hesito. Gosto de uma saída à noite, mas não troco um bom jantar, uma boa conversa e umas gargalhadas por uma saída. A menos que dê para conciliar tudo. :)

9. Frio ou calor?
Calor. Sou uma pessoa de calor. Detesto chuva, frio, vento, o Inverno. Adorava viver num país tropical, onde fosse Verão o ano todo.

10. Se um dia fores mãe de um rapaz, que nome escolherias? (não podes pensar só no feminino :P)
Pergunta difícil e que ainda não sei responder. Gosto de muitos nomes e ainda não tenho um preferido. Gosto de nomes compridos, fortes e, de preferência, com alguma História, mas prefiro não me vincular já a nenhum, não vá um dia atirarem-me este post à cara - salvo seja.

11. Cabelo curto ou comprido?
Nas mulheres, comprido. Nos homens, o suficiente para podermos brincar com ele (cabelo). ;)

(Não vou desafiar mais bloggers a fazê-lo, mas se algum daqueles a quem lancei há uns meses o desafio quiser repetir, gostava muito de ler as vossas respostas!)

*deixo-vos com o Marty, no Back to the Future.

Nós, mulheres

Que este é o nosso dia, já todas sabemos.
A razão de ser do mesmo, podem encontrar em mil lugares, como aqui. Por isso, não pretendo dar uma lição de História já repetida e aprendida.
Se o mesmo dia faz sentido, se será discriminação positiva ou não, também será um debate interessante que poderão acompanhar nalguns outros blogs, como aqui.
O que este dia representa, conselhos para as mulheres, dicas para os homens nos mimarem, ideias de programas para hoje também andarão a ser divulgados um pouco por toda a internet.
Mais que História, debate sobre as razões de ser do dia ou conselhos para o mesmo, aquilo em que hoje mais penso é o que significará educar uma mulher nos dias de hoje. Tendo eu crescido numa família maioritariamente de mulheres, sempre me imaginei também eu, um dia, mãe de meninas. Tendo crescido com uma irmã mais nova, com primas muito próximas, com um avô que morreu quando tinha apenas 6 anos e outro, quando tinha 17, acabei por me aproximar mais das mulheres da família. Aprendi a dar conselhos no feminino, apenas, a ouvir somente relatos femininos... resumindo, aprendi tudo da perspectiva da mulher.
Talvez por isso, quando, em casa, damos por nós a imaginar um futuro com filhos, é normal eu sugerir apenas nomes femininos, porque isso sempre foi o natural para mim. Quanto a ele, crescido numa família maioritariamente masculina, imagina-se apenas com filhos. E começámos, assim, um debate sobre as diferenças entre educar um filho ou uma filha.
Eu sempre achei que o crescimento feminino era mais fácil, talvez porque era o único que conhecia. Via as mulheres como seres sensíveis, românticos, sonhadores, tímidos e cheios de inseguranças, cuja função dos pais seria bastante simples: dar força, segurança e amor, muito amor. Em compensação, via os homens como seres estranhos, que ficavam, a dada altura, com pêlos faciais espalhados, voz estranhamente grossa, que começavam a andar em grupo, a arrotar, fumar, beber e a gozar com tudo para ficarem bem vistos junto dos amigos. A função dos pais seria complicada: para mim, os rapazes, por norma, ouviam apenas os amigos e faziam o contrário do que os pais sugerissem.
Ele dizia-me que isso era antes. E que agora os papéis tinham sido invertidos. Na opinião dele, as novas mulheres são agora quem tem que dar o primeiro passo em tudo. São as conquistadoras, as que escolhem quem querem, as que vestem roupa provocadora e que mandam mensagens aos rapazes escolhidos. Entende ele que, hoje em dia, são as mulheres que começam a fumar, a beber e sair à noite mais cedo. E que os rapazes, hoje em dia, são mais sensíveis, sonhadores, tímidos e cheios de inseguranças. Diz-me que, por tudo isso, se vai sentir mais seguro com um filho em casa.
Ora, quando, há algumas semanas atrás, fomos sair à noite com amigos, ele dizia-me ao ouvido "repara bem à volta e vê se não são as miúdas que estão vestidas de forma provocadora, a beber, a fumar e com ar mais confiante que os rapazes da idade delas". Eu dizia que não, não, impossível. Até que comecei a reparar melhor. E saiu-me um "talvez". Talvez realmente os papéis se tenham invertido.
Não sei o que se passou, mas algures nesta luta pela emancipação e igualdade entre sexos, parece-me que, realmente, os lugares se terão invertido um pouco e temos, agora, mulheres mais decididas, mais seguras de si. Mulheres que sabem o que querem e quem querem. Mulheres que não precisam de ser tratadas com especial força ou segurança. Mulheres que não precisam dum determinado dia internacional que as lembre, porque não se sentem inferiorizadas. Mulheres menos sonhadoras, mais práticas e realistas. Mulheres destemidas.
A verdade é que vai ser diferente educar uma mulher nos dias de hoje. Não se trata de educar uma futura princesa (como a minha mãe tantas vezes me dizia), mas de educar uma mulher que pode vir a ser a futura Primeira-Ministra. Se os papéis se inverteram? Sim. Se vai ser mais difícil educar uma mulher nos dias que se aproximam? Acredito que sim. No entanto, continuo a sentir que é um desafio que era capaz de enfrentar com todo o prazer. Mais tímidas ou decididas, sonhadoras ou realistas, é esta maneira de pensar que compreendo e acho-nos a nós, mulheres, fascinantes. Por isso, fazendo ou não sentido, sendo ou não discriminação positiva, eu gosto de festejar o Dia e quero dizê-lo a todas as mulheres que me lêem: tenham um dia muito feliz!

PS: Queridas amigas com meninas - D., I., e B. - força com as vossas futuras Primeira-Ministra, Nobel da Medicina, C.E.O. de uma grande multinacional, _______ (preencher com o que quiserem). Pode não ser a tarefa mais fácil, mas vai valer a pena. E têm sempre aqui a tia para vos ajudar. Sempre.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Falar ao telefone

Quando era mais nova, era um acontecimento. O telefone de casa tocava, atendia e, se era para mim, fechava a porta da sala e era capaz de ficar horas a falar com as minhas amigas (primeiro) ou namorados (depois).
Era um acontecimento. Conversava-se sobre o dia, sobre a semana, sobre os sentimentos, sobre a escola, sobre os nossos sonhos. Era capaz de ficar horas ao telefone.
Com o primeiro telemóvel, comecei a habituar-me a falar no quarto, à noite, até ser hora de dormir. Mais uma vez, conversava-se sobre o dia, a semana, os sentimentos, a escola e sonhos. Muitas horas passei eu ao telemóvel. O meu pai começou a brincar comigo e a dizer que eu devia ser accionista da companhia telefónica - e ainda hoje diz, mas agora tem menos motivos para usar a piada.
O que é certo é que, à medida que os anos foram passando, comecei a cansar-me de falar tanto tempo seguido ao telefone. O facto de ter que usar o telefone em trabalho, durante o dia, também terá contribuído para isso, acredito. De qualquer maneira, acontece-me frequentemente, nos últimos anos, ficar entediada com um telefonema e apetecer-me desligar ao fim duns minutos. Não é por mal, mas é a mais pura realidade.
A minha mãe já se chateou comigo algumas vezes. Diz-me que sou a pessoa menos apelativa do mundo ao telefone e que nem pareço a mesma pessoa que sou ao vivo. Chateia-se porque atiro só uns monossílabos, porque a despacho ou porque tenho sempre pressa. Mas o que acontece é que me canso fisicamente da posição de ter o telemóvel encostado ao ouvido. Faz-me impressão o calor do mesmo. E começo a concentrar-me noutras coisas que vão acontecendo à minha volta.
Com a idade, comecei a gostar de usar o telemóvel para marcar programas, dar recados, actualizar amizades, tirar dúvidas de trabalho ou para utilizar alguns serviços. Longas conversas prefiro ter ao vivo. Acho que não há nada como conversar olhos nos olhos, contagiar e sermos contagiados por um sorriso, fazer caretas, tocar no braço duma amiga que está triste, dar um beijinho mais repenicado....
Entretanto, quanto escrevia este post, recebi um telefonema da minha mãe - por momentos até pensei que estivesse a ler o que escrevo. No final, do telefonema:
- Pronto, filha, um beijinho. Até amanhã.
- Até amanhã.
- E um beijinho? Não mandas?
- Beijinho!!!!
- Pareço que tenho que te arrancar as coisas.... Nem ias mandar beijinhos...
- Oh isto é um telefone! Queres um beijinho, metes-te no carro e vens ter comigo.
- É muito longe.
- Pois. Mas é onde os verdadeiros beijinhos estão. Aqui não vale nada, isto é um telefonema.
- E não queres falar com a tua mãe ao telefone? Nunca estamos juntas, como é que ia saber de ti?
- Pronto. Toma lá mil beijos!!! Xau...
- beijinho, filha. Beijinho.
A minha mãe é uma beijoqueira. Não sei a quem saí assim mais poupada nisto dos beijos. E nos telefonemas.

A compatibilidade de sermos incompatíveis

Somos muito diferentes um do outro na maior parte das coisas.
Ele é temerário.
Eu sou mais medricas sensata.
Ele diz tudo o que pensa, sem papas na língua, às vezes parece procurar confrontos.
Eu digo o que penso, mas evito discussões ao máximo.
Ele passa por pessoa mal-educada com uma personalidade muito forte.
Eu passo por calma.
Ele é o insensível racional.
Eu sou a sonhadora.
Ele é o prático.
Eu sou a perfeccionista.
Ele detesta o conceito de festivais e concertos, apesar de adorar música.
Eu acho que a música se vive nos festivais e concertos.
À primeira vista, podíamos chocar de forma irreversível. Mas o que tem acontecido, ao longo dos anos, é que vamos encaixando e vamo-nos completando.
Há uns dias, em plena mudança de casa, ele começou a resmungar com qualquer coisa, talvez porque queria despachar tudo e eu estava a tentar que tudo ficasse perfeito, com mais calma. Ele estava tão tão chato e resmungão que fui para a cama a pensar - confesso - "raio de homem, como é que o aturo". Acho que todos os casais passam por isto, às vezes. No dia seguinte, já me tinha esquecido daquele episódio de falta de paciência dele, até porque as brigas entre nós costumam durar o tempo da briga, apenas. No final das frases, é normal rirmo-nos e fazemos automaticamente as pazes. Um ou outro dá sempre o braço a torcer e a coisa morre logo ali. No entanto, neste caso, ele apareceu no dia a seguir directo das compras.
- Passei no Pingo Doce.
- Ok.
- Trouxe umas coisas para ti.
- Obrigada! O que trouxeste? Acho que não precisava de nada.
- Trouxe-te um chocolate que sei que adoras. E esta revista, que também sei que lês.
- Oh... Que bom!!
Comi o chocolate, sem pensar. Só passado uns minutos me lembrei da briga do dia anterior:
- Espera aí. Já percebi. Estás a compensar-me por teres sido parvo ontem?
- Não...
- Estás, estás!! Confessa!! Estás!
- Oh... Caí em mim... Foi só isso..., disse, meio envergonhado e a custar-lhe a admitir. Depois riu-se. Fogo, já me conheces.
Claro que conheço. E também não terá sido coincidência insistir comigo para irmos a um concerto de que eu tinha falado. E também não terá sido coincidência dizer-me, baixinho, ao ouvido, depois à noitinha:
- Amanhã tinha outro um jantar com os alemães. Já disse que não ia.
- Porquê? Vai!
- Não, quero jantar contigo.
E isto é, para mim, sermos compatíveis no meio de toda a nossa incompatibilidade.

Felicidade é...

Sendo eu um mix confuso de optimismo e saudosismo incurável, ingredientes aos que se juntam umas pitadas de insatisfação permanente, é nas pequenas coisas que vou sentindo que aproveito a vida e encontro a felicidade. Como já disse aqui, vivo permanentemente com saudades de tudo e, segundo me dizem, repito demasiadas vezes frases que começam por "tenho saudades". São quase sempre pequenas coisas. Mas a verdade é que é nessas pequenas coisas que encontro o meu equilíbrio e me permito ser feliz.
Foi talvez por isso que, quando descobri o Felicidário, fiquei logo fã. E agora vou praticamente todos os dias lá espreitar. O Felicidário acaba por ir de encontro ao que defendo: procurar ser feliz em cada pequeno gesto que praticamos.
O ano passado, no aniversário dos meus trinta anos, uma vez que era prática comum no sítio em que trabalhava darem o dia livre, fiz uma lista de trinta coisas que me faziam feliz e prometi a mim mesma realizá-las a todas. O dia foi, assim, passado a concretizar trinta pequenos gestos de felicidade. Exemplos? Ir à praia (tive sorte, estava um dia óptimo), molhar os pés no mar, correr, almoçar numa esplanada junto à praia, estar com os amigos, namorar, ver um bom filme, comer pipocas... tudo num dia. Este ano vou ter mais um ponto na minha lista, mas já começo a planear o que quero fazer. São gestos, apenas isso. Mas não é, afinal, a felicidade feita disto?