terça-feira, 4 de junho de 2013

Voltar para o ex?

Com certeza muitos já passaram por isto: acaba-se com o/a namorado/a porque as coisas não andam bem. Já só se discute, só se vêem os defeitos um do outro e não já as qualidades. Tudo na outra pessoa irrita, tudo cansa, tudo satura. O que antes era adorável torna-se insuportável. O que era amoroso torna-se horroroso. O que era único torna-se... Acho que perceberam a ideia. O que é certo é que, a dada altura, sem "água vai", o amor e a paixão dão lugar a uma irritaçãozinha que nos faz questionar tudo. A separação. "Preciso de espaço!", diz um deles. O outro dá, mesmo sem entender a súbita e inadiável necessidade. Dá o espaço pedido. Dá uns dias. Dá as chaves de casa. Dá tudo. Desde que as coisas melhorem. Ainda está apaixonado. Passado uns tempos, um livro que ficou perdido lá em casa. "Tens que vir aqui, esqueceste-te do livro". E quem diz livro, diz uma peça de roupa, um cd, um creme ou uma escova do cabelo. "Tens que vir cá". Tem que ser. E o que tem que ser, tem muita força.

Ouve-se o bater da porta. Nada. A insistência. Dentro de casa, o coração bate mais alto que os nós das mãos num contacto repetitivo com a madeira da porta. Abre-se a porta.
- Então? Não ouvias?
- Desculpa, estava ao telefone.
A primeira mentira. Era o nervoso miudinho do reencontro.
- Estás com bom aspecto.
- Também estás.
- Tens ido ao ginásio?
- Tenho. E fui até à praia no fim-de-semana.
- Estás tão moreno. Ficas giro. E não te conhecia essa camisa.
- É nova.
"Então agora que nos afastámos é que anda todo vaidoso?", pensa ela, com uma pontinha de ciúmes.
- E tu mudaste o perfume.
- O outro fazia-me lembrar de ti. De nós.
- Pois... Deixa-me ver esse. Chega aqui.
Aproximam-se. Ele encosta o nariz ao pescoço dela. Deixa-se estar. A sentir aquele perfume, que é só dela. Aquela pele. Tão macia...
- Sai daí. Tira o nariz, diz ela, bruscamente.
Riem-se.
- Oh... Ainda não cheirei bem. Anda cá.

É inevitável. Ainda gostam um do outro. Mas voltar para um ex é sempre difícil. Os problemas de antes? Subsistem. Os stresses não acabaram. E depois da ferida aberta, a relação nunca mais será igual. Depois de vermos o defeito, não nos conseguimos concentrar no resto, na perfeição. O defeito está lá. O namoro não é perfeito. E nem todos conseguem ultrapassar a primeira crise numa relação. Vale a pena? Não valerá? O amor será suficiente para aguentar todos os desencontros? Uns dirão que sim. Outros? Fazem perguntas e esperam as respostas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Long time no see!

As mensagens deste estilo começam sempre iguais. "Oláaa!! Long time no see!!". Leio as primeiras palavras e o que retiro é preocupação da pessoa que me escreve, um desejo imenso de manter a amizade, um desejo imenso de saber tudo sobre mim o mais rapidamente possível, de minimizar o tempo que passou. "Que é feito de ti?? Estás boa? Conta-me tudo!". E eu já estou com um sorriso de orelha a orelha, feliz por ter alguém que é todo ouvidos/olhos do outro lado e está ávido de notícias minhas. Sinto-me importante. Preparo-me para escrever. Hesito apenas para ler o resto da mensagem. "Olha, já decidiste em quem vais votar? Eu faço parte da lista do X.... (...) parece-me um projecto credível (...) pronto para vencer (...) O teu voto é importante!".

Não se faz. E ultimamente este tipo de mensagens/ emails tem sido cada mais frequente. Mas não se faz. Porque, de cada vez, começo a ler e acredito piamente que sou importante para a pessoa que me escreve. Que têm saudades minhas. Saudades minhas, não do meu voto. E sei que as introduções a estes pedidos fazem parte da boa-educação, mas parece-me que seria mais correcto escrever algo, com títulos. Algo deste estilo:
1. Parte introdutória em que é demonstrada a boa educação do requerente, onde este transparece um genuíno desejo de saber tudo sobre o destinatário das suas palavras. Destina-se a criar uma empatia na pessoa que lê e a quebrar o gelo, apenas.
(passar à frente se não lhe interessar): Oláa!! Long time no see! Que é feito de ti? Estás boa? Conta-me tudo!"
2. Pedido propriamente dito. O núcleo da mensagem e o motivo que levou à redacção e envio da mensagem/email. (ler apenas esta parteVota! Vota! Vota! Vota! Vota!
3. Despedida simpática, em que se retoma o espírito amigo e descontraído da parte introdutória, e em que se disfarça que o único objectivo de tantas palavras foi apelar ao voto. Fico à espera de resposta. Vê se dás notícias. Temos que tomar um café um dia destes. beijinhos

Percebo que se tenha que apelar aos votos de alguma forma. Que se tenha que fazer campanha. Mas sinceramente sinto-me defraudada sempre que começo a ler algo deste estilo e depois querem apenas o meu voto. E vale tudo: sms, emails, Facebook, Linkedin. Parecem cogumelos. Juro.

O sonhador que se esqueceu de sonhar

Num espaço de uma hora, aconteceu-me duas vezes. Primeiro, cumprimentei-o a ele, acompanhado da mulher. Ex colega (mais velho) de faculdade, cheguei a ter um leve fraquinho por ele (tinha um ar de nerd a que achava piada, sempre muito penteadinho), mas já não via há séculos. Era um optimista, idealista, um sonhador e eu gostava especialmente do arco-íris que parecia desenhar no céu sempre que falava comigo. Perguntei-lhe como corria a vida, a ele, o eterno sonhador, optimista, idealista, ambicioso, trabalhador.
- Vai correndo.
- Isso nem parece resposta tua. Aposto que estás óptimo e isso é tudo modéstia tua. Não tens que ser modesto comigo!
E sorri para a mulher, à procura de um aceno de concordância, no mínimo. Nada.
- Não, Pippa. Isto não está nada bem. Devo ir trabalhar para fora.
- Oh mas e o bebé? Têm que ir então os três, não é? Para não morrerem de saudades.
- Isto é muito complicado...
Senti um nó na garganta. Ainda tentei desvalorizar as coisas, brincar, animá-los, mas ele estava irreconhecível.
- Um dia destes combinamos e conto-te tudo, ok?
- Sim. Claro.
E despedi-me, com um aperto. Para onde teria ido a força toda dele? Até o sorriso estava apagado.

Continuámos a andar. Metros à frente, encontrei uma antiga colega de trabalho que não via desde que foi para um país qualquer da Europa Central fazer um estágio. Outra personagem confiante, (tão confiante que era facilmente confundida com convencida, até, apesar de não ser) segura de si e sempre com estilo.
- Olá!! Então que é feito de ti? Estás boa??
- Olá! Dentro dos possíveis...
- Como correu o estagio? Deve ter sido uma experiência para a vida!
- Foi muito bom. Mas agora estou a encarar a realidade.
- E o que fazes?
- Nada. Estou no desemprego.
Engoli em seco. Nem tentou durar a pílula como geralmente se faz.
- E tens procurado na net e nos jornais?
- Sim. Mando currículos todos os dias. Não há nada.
O meu coração, ainda não recuperado, voltou a sentir-se apertado.

O que é feito dos optimistas? Sonhadores? Aqueles que nunca desistem? Foram consumidos por isto? Pela falta de trabalho? Pelos salários baixos? Fecharam o sorriso? Não fechem. Não desistam. Não deixem de sonhar e lutar. Está difícil para todos. Mas o segredo é não baixar os braços. Insistir. Hoje. Amanhã. E depois. Até tudo melhorar novamente. Porque vai melhorar. Acredito que sim, mas não quero a última representante dos optimistas...

domingo, 2 de junho de 2013

Ganga style

É tão raro usar jeans desde que terminei o curso - já lá vão mais anos do que quero acreditar - que hoje não consegui deixar de me sentir adolescente outra vez. A verdade é que, mal comecei a trabalhar, uma das normas internas que tínhamos era que não era permitido usar ganga, por isso fui cortando os laços com esse tipo de roupa. Hoje, a dormir em casa dos meus pais, acordei, fui ao armário e vi uma Levi's penduradas a olhar para mim. Resolvi matar saudades. Realmente é mesmo verdade que são das peças de roupa mais intemporais que podemos ter. Oh para mim dez anos mais nova! Não me lembrava como são confortáveis.

sábado, 1 de junho de 2013

O objectivo de ter um blog

Há dias perguntavam-me por que motivo comecei a escrever no blog. Onde é que queria chegar. A verdade é o meu objectivo é apenas e só a escrita, o acto de escrever. O blog é, portanto, um fim em si mesmo. Adoro escrever, adoro o jogo de pegar em palavras e poder criar uma nova ordem, frases novas com palavras já existentes e ao dispor de todos. Como um puzzle com inúmeras possibilidades. Gosto da liberdade de o reconstruir. Deconstruir. E construir outra vez. Gosto de pegar no meu dia e tentar transportá-lo para aqui. Pegar em pensamentos e tentar dar-lhes forma. Gosto do desafio de dar nomes a sentimentos. Gosto de contar histórias. E da possibilidade de eternizar memórias. Gosto de pegar neste peso todo que trago dentro de mim, neste emaranhado de sonhos, histórias, sensações e nostalgias e ir organizando numa folha vazia, como um coleccionador que vai expondo os objectos recolhidos numa vitrina, para nunca os perder de vista. Estas palavras são a minha colecção. São aquilo que vou recolhendo. E o blog é a minha vitrina. Uma vitrina onde, a cada dia, junto um novo objecto à minha colecção. Por vezes volto atrás e espreito outras prateleiras. A verdade é que muitas vezes já nem me lembro do que ali tenho. Mas é bom pensar que está ali exposta cada parte de mim. Cada palavra exposta representa parte do que sou. E é bom afastar-me, olhar o todo, e pensar "sou eu. Esta colecção já ninguém me tira. Posso morrer amanhã, que já deixei uma parte de mim. Insignificante para os outros, mas tão especial para mim. Sou eu. E estou mais leve, porque as minhas palavras saíram de mim e foram descansar para ali." E é tão bom pensar que, em cada dia que passa, terei que me afastar mais... E mais... Porque a colecção vai crescendo.

E é esta a razão: escrever. Apenas e só.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Programa barriga lisa para o vestido.

Encontrei este programa para quatro dias (já com mais dum ano, mas estas coisas devem manter-se sempre actuais... digo eu) que garante menos 12 centímetros de cintura e confesso que até fiquei tentada a experimentar. Tenho um casamento daqui a uma semana e qualquer vestido ficava melhor com uma cinturinha de vespa, com certeza. Só que nunca experimentei estas dietas malucas, não só por não acreditar muito nelas, mas também por nem ter a força de vontade suficiente (a minha eterna gulodice). Lembro-me de ouvir falar em dietas milagrosas, como a dieta da seiva ou da sopa, mas nunca quis saber mais. Porque é que não nasci sem apetite? Ou com um daqueles metabolismos hiper acelerados?... Genética, genética, podias ter sido mais minha amiga.

De qualquer das formas, ainda não comprei o vestido e, com ou sem cinturinha de vespa (aposto mais no SEM), ando à procura dentro de algo deste estilo. Alguém tem sugestões de vestidos bonitos?

Este é da French Connection, a minha marca preferida para vestidos. Tem ali um ligeiro decote, para as maminhas respirarem, mas não mostra praticamente NADA. É mais conservador do que parece. 
Esta é da (muito!!) mais acessível e amiga-da-carteira Zara. Tem umas costas engraçadas, mas de frente não é nada "Wow"! A vantagem é que dá para conjugar de mil maneiras diferentes conforme os acessórios e calçado.
Este também é da Zara. Gosto, mas não sei se será apropriado ir para um casamento assim.
Sempre fui de vestido. O que acham?

Os melhores preliminares.

Ontem desabafei aqui um pouco no calor no momento. Estava fula com ele, mas como não sou mãezinha, não podia dar dois berros ou dar-lhe uma palmada no rabo. Ainda resmunguei, mas depois pareceu-me mais terapêutico escrever aqui no meu cantinho. Pensei que ia ouvir vozes discordantes, como é normal nestes assuntos, mas a verdade é que a maioria das pessoas veio insurgir-se contra o rapaz. Sendo assim, achei que devia defendê-lo um pouco, uma vez que só eu posso fazê-lo aqui.

A verdade é que sempre defendi a divisão de tarefas e sempre foi para mim ponto assente que, um dia que fosse viver com alguém, teríamos que ajudar os dois em casa. E defendia isto, apesar de eu própria ter tido, durante anos, empregada em casa e ajuda dos meus pais e da empregada deles. Roupa? Não tinha máquinas de lavar e sacar e enviava para a empregada deles. Comida? Cozinhava alguns pratos, mas nada muito elaborado. Limpezas de casa? Dava uns toques, mas evitava limpar o pó, por exemplo, com a desculpa das alergias. Por isso, fui sendo bastante poupada à verdadeira vida como fada do lar. Até há alguns meses.

Quando comecei a partilhar a casa, aprendemos juntos a ligar uma máquina de lavar e de secar a roupa. Divertimo-nos a passar a ferro lençóis de cama, por serem tão compridos. Estudámos juntos o manual da televisão. Decidimos o melhor pacote de internet para casa. Aventurámo-nos juntos em pratos mais rebuscados. E, quando só nos víamos aos fins-de-semana, era eu que era brindada com pequenos-almoços na cama, talvez para me compensar das longas viagens que fazia. Como cheguei a mostrar neste post de Dezembro, ele está apenas a dar os primeiros passos na cozinha e demais tarefas, mas esforça-se. E, tal como disse na altura, a ajuda dum homem em casa será sempre, para mim, o melhor preliminar que se pode proporcionar a uma mulher. Acreditem em mim. Mulher "ajudada em casa" é mulher feliz. É mulher divertida, descontraída e pronta para o romance. Ontem foi um mau dia, como sei que há em todas as casas. Mas acho que o importante é que os homens leiam isto e interiorizem bem: ajudem em casa e só ganharão com isso. De todas as maneiras possíveis. Não concordam, mulheres que me lêem?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Os homens são uns preguiçosos.

Tive um dia de cão, cheia de trabalho, reuniões, andar para um lado e para o outro, prazos. Enfim... Nem parei para respirar. Ele chega a casa, estou no computador ainda a responder a emails e peço-lhe, com jeitinho: "não me queres preparar um lanche?". Sendo que eu, sempre que posso, lhe preparo o lanche, o jantar, a ceia ou que quer que seja que envolva comida.
- Lanche? Estás sempre com fome.
- Pronto, esquece. Eu faço.
- Oh pronto. O que queres? Diz lá...
Isto perguntado com ele enterrado no sofá, a jogar um jogo qualquer que não podia ser interrompido. Disse-lhe para esquecer. Detesto que me façam fretes.

Entretanto, saltei do computador, voei para os correios mais próximos para enviar uma carta que tinha que seguir hoje. Liguei-lhe de lá, porque o meu telemóvel não estava a aceder à internet e precisava duma morada. Atende.
- Morada? Aiii. É xxxx.
- Hmm... olha que essa morada era a anterior. Oh vê se não está aí a morada nova.
- Aiii. Que seca.
Que seca. Adivinhem o que fui interromper? O jogo qualquer no telemóvel. Sendo que a seguir quem vai arrumar tudo, tratar da roupa, da comida, etc? Moi. Moi même.

Os homens são uns preguiçosos. Preguiçosos. Preguiçosos. Preguiçosos. E desculpem lá as excepções que me estiverem a ler, por norma não gosto de generalizar. Mas são. Ok, QUASE todos.

Dress code? N-A-D-A. Não tragas nada.

Caminhávamos os dois pela praia, na zona de Odeceixe. A dada altura, começámos a ver homens e mulheres completamente despidos a passear, alegremente, como se fosse a coisa natural do mundo. Olhámos melhor para o areal: alguns jogavam raquetas, outros apanhavam sol, outros liam um livro, outros espalhavam protector solar, outros passeavam com os filhos, e outros ainda nadavam. Em comum? Todos se encontravam sem calções de praia, fato-de-banho, bikini ou qualquer outro tipo de tecido a cobrir qualquer parte do corpo. Comecei a sentir-me eu a pessoa estranha, como se não tivesse lido atentamente o "dress code" que vinha no convite. Comentário dele:
- Tira também! Tira pelo menos a parte de cima do bikini.
- Não tiro nada. Não me sinto bem.
- Não tens por que não sentir. Aqui o que é estranho é estares tapada.
- Oh. Vou mostrar ao mundo em dois segundos o que te esforçaste tanto para ver??
Riu-se.
- Ok, mas aqui estás simplesmente a desrespeitar quem está sem roupa.
- Que exagero.
- Tira lá. Não sejas envergonhada. Tanta gente faz topless! É tão normal, hoje em dia.
- Já viste bem a nossa conversa? Devemos ser ao contrário dos outros casais! Tu queres que me dispa, os outros homens querem que as namoradas se tapem. Não te entendo.
- Oh é simples. Gosto de ver o teu corpo.

A verdade é que costuma ser ao contrário, não costuma? Mas não consigo deixar de pensar nisto: se vamos fazer topless numa praia, parece-me que deixa de fazer sentido toda a espera que obrigámos os nossos namorados a sujeitarem-se até poderem pôr as mãos debaixo da nossa roupa, por exemplo. Fizemo-los pensar que era algo inacessível, algo que era suposto esperar até se merecer ver, quanto mais tocar. Isto não deita abaixo todo esse jogo? Isto não deita por terra o jogo da espera, do adiar, da expectativa? A ser tão normal fazer topless, afinal não é preciso esperar tempo nenhum para ver mamas. Estão aqui, à vista de toda a praia e o mundo inteiro pode contemplá-las. Não é que não seja um cenário bonito - porque é com certeza - e não me causa estranheza nenhuma, só acho que é que nos torna a nós, mulheres... incoerentes! Temos o "Estou a apaixonar-me por ti e andamos a jantar todos os dias? Ok, mas ainda não podes tirar-me a roupa! Tens que esperar para ver!! Taradão!! Querias ver já hoje?? Isto leva o seu tempo!" vs "Olá, não me conhecem de lado nenhum, mas vou tirar a parte de cima do bikini perante vocês, caros desconhecidos!".

Ou então sou só eu que sou "old-fashioned". Talvez seja isso.

PS: Meninas que fazem topless, não me batam. Defendam-se apenas e mostrem os vossos pontos de vista. As nossas opiniões estão sempre a tempo de mudar. ;)

Por vezes vale a pena esperar.

Eram um grupo pequeno de amigos. Três colegas de faculdade. Não estavam sempre de acordo, mas sabiam discutir e até se completavam. Ela, a única rapariga do grupo, era atrevida, dizia sempre tudo o que pensava, não tinha papas na língua, mas era ao mesmo tempo um pouco carente, pois não namorava e era muito inexperiente no amor. O L. era nadador de competição, participava em provas todos os fins-de-semana, não fumava, raramente bebia, dedicava-se ao desporto e era o eterno amigo das raparigas, que o viam como um óptimo ouvinte, divertido, bonito e muito bem parecido. O S. era o garanhão, que compensava a inexperiência dela com engates todas as semanas. Era um pouco intolerante, crítico, louco, mas muito amigo do seu amigo e fazia tudo pelos outros dois.

Andavam sempre os três. Ela e o S. planeavam festas, noites, jantares e acabavam sempre por convencer o L. a ir. Riam, conversavam, recordavam episódios vividos, comentavam histórias de pessoas que conheciam, ouviam as histórias das conquistas do S., as abordagens feitas ao L. e delineavam planos de ataque para ela conquistar o homem dos seus sonhos. Eram um trio dinâmico e feliz. E mesmo quando o S. ou o L. namoravam ou tinham alguém especial, as namoradas eram aceites pelos outros dois.

Um dia, ela e o L. acabaram a noite, sem saber como, aos beijos. Decidiram não repetir, para não estragar a amizade. A partir daí, no entanto, o L. começou a evitá-los. Arranjava desculpas como os estudos, os treinos ou até a doença da avó de que os outros nunca tinham ouvido falar. Passou a viver praticamente na biblioteca. Ela começou a ficar farta e decidiu confrontá-lo. Foi ter com ele à biblioteca. Procurou, procurou... E lá lhe viu as costas, debruçadas de forma muito atenta para o computador. Aproximou-se. Não podia acreditar! Ele estava a ver fotografias de homens aos beijos, sem roupa. Parou. Ele continuava a ver fotografias. Estava num site especializado. Ela não conseguiu avançar.

Foi para casa pensar no que tinha acabado de ver. E começou a lembrar-se dos últimos anos daquele trio de amigos. Da pressão que lhe faziam para arranjar namorada. Das vezes que insistiam para se meter com raparigas. Lembrou-se das vezes em que gozaram com colegas da faculdade com tiques. Dos nomes que lhes chamaram. Lembrou-se que ele ficava sempre calado. Eles sempre tinham achado que era por ser tão bom ouvinte. Qual bom ouvinte? Ele tinha andado, isso sim, anos em silencioso sofrimento, sem poder contar o que sentia nem aos melhores amigos.

Sentiu-se péssima amiga. Que amiga era ela que, afinal, não deu abertura ao melhor amigo para lhe revelar um segredo destes? Que amiga era ela para nunca ter desconfiado pelo seu olhar, pelo seu silêncio, pelo seu constrangimento? Que amigos eram eles, afinal? Será que o S. desconfiava? Não, nem por sombras. Ia ter que fazer alguma coisa. Ou não? Ser amigo não é dar espaço para nos contarem o que quiserem? Decidiu esperar. Ia ser paciente. E só lhe restava esperar que ele se sentisse preparado. E esperou. Esperou. Esperou. Dez anos. Nem mais, nem menos. Dez anos depois, ele contou-lhes. Tinha um namorado. E queria apresentar-lhes. O S. ficou em choque. Mas ela só sorriu. E abraçou-o. Com tanta força! Finalmente ele tinha confiado neles. Tinha valido a pena esperar.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O namorado da amiga

Sempre foi assim: ia sair com as minhas amigas e cada uma tinha o seu "fã-tipo", isto é, um estilo (mais ou menos definido) de rapaz que reparava em cada uma nós e, eventualmente, nos abordava. Comigo costumavam ser os mais "betinhos" a meter-se. Com outra amiga, eram os que tinham um estilo mais descontraído e desportivo. Com outra, eram quase sempre rapazes mais altos e magros estilo "bad boy". Com outra, eram os rapazes mais divertidos que se metiam, para dar alguns exemplos. Acresce que, na maioria das vezes, os nossos gostos, ao comentar o panorama masculino que nos rodeava, não coincidiam. Nunca coincidiam, por incrível que pareça. Resultado? Hoje em dia, coincidência ou não, nenhuma das minhas amigas tem namorados/ maridos que façam fisicamente o meu estilo de homem. De qualquer das formas, independentemente destas considerações iniciais, jamais ponderaria envolver-me, nem sequer num futuro longínquo com todos nós solteiros outra vez, com algum deles. Jamais. Namorado de amiga torna-se assexuado para mim. Torna-se uma amiga também. Esta é das poucas certezas que tenho na vida. Das poucas coisas em que consigo afirmar convictamente: "nunca".

Por isso, nunca entendi como é possível, na maioria das séries, o elenco acabar por rodar todo, como um baralho de cartas que é partido, misturado e distribuído outra vez. A, B, C, D e E trocam entre si e formam todos os pares possíveis e imaginários. Não há mais possibilidades de pares? D assume-se como gay e agora anda com E. E, por sua vez, tem o coração dividido entre A e B. Mas B envolve-se com C. C gosta de D. Que afinal não é gay, é bissexual. E até sugere a E algo a três com C. Mas E descobre que gosta mesmo de A. Que está grávida de B. Que se envolveu com C, mas arrependeu-se e acaba na cama com A, numa noite de copos. Estão a ver o estilo, certo? Nunca entendi.

Para mim, namorado de amiga pode ser o homem mais interessante à face da terra, mais bonito e culto alguma vez visto, mas há-de ser sempre um ser assexuado, na mesma linha dum familiar. E não percebo a forma como, nestas séries que passam todos os dias na televisão (Grey's Anatomy, Private Practice, 90210, Gossip Girl, entre outras) se desculpabiliza assim o andar com o ex-namorado da melhor amiga. Como é tudo visto de forma tão leviana. Como se os sentimentos fossem descartáveis. E as histórias de amor se apagassem com uma borracha. Como se as histórias a dois não significassem nada, afinal. E fossem antes histórias da comunidade. É que, para mim, uma relação de amor entre duas pessoas deve ser sagrada - partilham-se histórias, pensamentos profundos, sentimentos, segredos e planos de vida. Se for como nas séries, para quê, afinal? A seguir, troca-se de par. E começa tudo de novo. Não percebo.

Os homens gostam de desprezo

Ela tinha que tomar a maldita vacina antes de ir de viagem. Ia-se esquecendo! Foi a correr ao centro de saúde mais próximo e pediu para lhe espetarem a porcaria da seringa. Só não espetou ela própria, porque com os nervos ainda fazia alguma asneira e magoava-se a valer.
- Olá! Vou viajar pela Ásia durante três semanas, disseram-me que tinha que vir aqui vacinar-me...
- Olá!
- Que sorte. Lua-de-mel?
- Não, viagem de amigas. Para a lua-de-mel ainda falta. Primeiro tenho que descobrir o futuro marido!!
Riram-se. Ela reparou, como quem não quer a coisa, nas covinhas que ele fazia a rir e nos olhos verdes gigantes dele. Que lindos! E não tinha aliança... Devia ser pouco mais velho.
- Levante a camisola, por favor.
Ela distraída com os seus pensamentos, preparava-se para tirar a camisola completamente.
- Não! Só preciso que levante a manga. A injecção é no braço.
- Oh desculpe. Estava distraída.
- Até onde vai viajar? Já tem itinerário?
Ficaram a falar de viagens. Demasiado tempo, porque a dada altura repararam na fila que se tinha formado fora da sala.
- Bem, já lhe tomei muito tempo. Obrigada! Depois conto que tal correu.

Quando chegou a casa, já tinha um convite dele no Facebook. Como a teria descoberto? Pelo nome que deixou na ficha que preencheu? Falaram no chat. Escusado será dizer que, no dia seguinte, alguém embarcou de directa num voo de doze horas. Mas sentia-se invencível e sem sono. Ele parecia incrível!! Há tanto tempo que não conhecia assim alguém. Três semanas depois, sem internet e sem contactos com o mundo, voltou para casa da viagem da sua vida. Ligou o computador. "Já tenho saudades. Volta depressa", tinha-lhe dito ele às 4h da manhã três dias antes, numa Sexta-feira. Seria o álcool? Respondeu. Conversa puxa conversa, marcaram um encontro. E depois outro. E depois outro. Acabaram por se envolver e ficar em casa dela. Ela estava apaixonada. Completamente apaixonada. Como não se lembrava de alguma vez ter estado.

Dois meses depois de começarem a andar, ele disse-lhe que ia para o Algarve de férias duas semanas, só com os amigos. Despediram-se como amantes que se despedem para sempre. Ela ficou sozinha, a morrer de saudades, até que decidiu fazer-lhe uma surpresa. Meteu-se no carro e apareceu no aldeamento em que ele estava.
- Surpresa!!
- Tu? Aqui??
- Sim!! Em choque?
- Sim... Completamente.
Acabou por passar com ele uma noite. Sentiu que ele não estava muito à vontade junto aos amigos, que estavam todos sozinhos, sem companhia. No dia seguinte, ela decidiu ir embora.

Quando ele voltou, foi esperá-lo à porta de casa, para fazer nova surpresa.
- Surpresa!!
 Ele estava cansado, por isso apenas dormiram. No dia seguinte, ela desmarcou um jantar com amigos para estar com ele. Queria recuperar o tempo perdido. Nessas duas semanas a seguir, sentiu-o estranho, mas não se deixou vencer. Ligava-lhe sempre. Para jantarem. Para irem ao cinema. Para namorarem. Até que reparou que era sempre ela que ligava. E que ele deixou de poder sempre. Quis falar com ele.
- Então? Que se passa?
- Nada.
- Estás diferente.
- Não estou.
- Porque te tens cortado e já não me ligas?
- Sei lá... Tenho andado com mais trabalho.
Ela já conhecia a desculpa de cor. Não era nada trabalho. Ela é que se tinha entregue demasiado. Deixou de ter vida própria. Passou a viver em função dele. Decidiu mudar. Não lhe ia ligar mais. Por muito que custasse.

Uns tempos depois, reencontraram-se por acaso numa discoteca. Ela estava com amigos. Parecia divertida e estava com bom aspecto.Ele foi ter com ela.
- Estás aqui.
- Aparentemente.
- Tenho saudades tuas.
- Agora?!
- Sim. Afastaste-te. Deixaste-me com saudades. Mas sabes? Gosto de te ver assim independente e autónoma.
- Não. Tu gostas é de desprezo. Vamos apostar? Vou virar-te costas, não vou ligar-te mais e vais ficar obcecado por mim nos próximos tempos.
- Ahah. Combinado. Mas aposto que não vais conseguir não ligar-me.
- Não me conheces bem. Espera para ver.

Assim foi. Ela aguentou. Sem ligar uma única vez. Ele passou a semana a seguir a pensar nela. E como ela tinha garra. Lembrava-se da primeira vez que a viu, com os olhos a brilhar a falar da viagem. Da vez em que apareceu no Algarve, sozinha. Da coragem que teve em ir, mesmo sabendo que se podiam desencontrar. Lembrou-se da loucura dela. E riu-se sozinho. Realmente, agora, sozinho naquela cama, percebia o mulherão que tinha encontrado. Pegou no telefone. Decidiu ligar-lhe. Sempre sem deixar de pensar: "sempre é verdade o que diziam. Os homens precisam é de despezo."

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ódios de estimação. Quem os não tem?

Ela canta "brilha intensamente como um diamante" (aqui). E eu mudo de estação de rádio. É assim desde o "não quero ser uma assassina" (aqui). E foi assim também com o "debaixo do meu guarda-chuva. Uvaaa. Uvaaaaa" (aqui). Não consigo. Ou ela ou eu. Não consigo conviver com ela no mesmo espaço. Aquele surgir da menina dócil dos Barbados que, de repente, desatou a tatuar-se como se não houvesse amanhã, a rapar o cabelo e a mostrar o lado mais "wild". Aquela relação com o outro que lhe batia, a fotografia dela espancada a correr mundo e depois as pazes inesperadas. A rapariga pode ser boa pessoa, mas não se deu o "click" e não sinto empatia por ela. Desculpa-me, Rihanna. Sei que hoje vais ter um mar de gente a seguir-te no concerto que vais dar, e que te adora, mas eu não sou uma delas. Espero que esta informação não te estrague o dia. Tenta ultrapassar isso e ser feliz na mesma.

A outra canta "esta rapariga está em fogo" (aqui) e eu estou já é a quinhentos metros. Adorava-a no tempo em que se tentava ao piano, cheia de trancinhas, mas desde que começou a "rihannizar-se", largou o piano e começou a subir mil tons até cantar num tom que, para mim, se tornou humanamente impossível suportar, deixei de a conseguir ouvir. Sinto que esta nova música terá sido atribuída mais ou menos no seguimento duma conversa deste estilo:
- Estou, Rihanna?
- Não, fala a Alicia.
- Ah desculpa, foi engano. Tenho aqui uma música para a Rihanna, mas enganei-me no número. Devia estar a pensar em ti.
- Pois... É boa, essa música?
- É óptima! Vai ser um êxito.
- Oh. E porque não me dás a mim? Ela agora anda em grande. Eu nem por isso...
- Mas a música é muito aguda. Não é para o teu tom de voz.
- Estás a dizer que não consigo cantar como ela? Mas eu também consigo ser soprano!
- Ok, mas tens uma voz mais grave e rouca. A Rihanna tem uma voz mais límpida e aguda.
- Ohh mas eu consigo. Prometo que consigo!! Queres ver?
- Pronto, está bem. Vamos lá ver. De qualquer maneira, a Rihanna também não atende.
- Deve estar com o Chris.
- Pois... Então vou mandar-te a música por email. Vê se gostas.
E pronto, a Alicia Keys ficou com a música só para provar a ela mesma e ao mundo que consegue cantar mil tons acima do normal nela. O pior é que o resultado ficou horrível e ouvi-la só me causa sofrimento. Até me dói a garganta a ouvi-la.

E vocês, têm ódios de estimação? Vá, partilhem aí.

Sabemos o que fizeste na última noite

A história que contei aqui de manhã foi inspirada no filme Last Night, como referi. E esse filme, visto há mais quase dois anos, gerou várias discussões aqui em casa. A principal questão foi: quem esteve pior? Ela, que está ainda apaixonada por outro homem, apesar de negar a si mesma e mesmo não revelando ao marido? Ou o marido, apaixonado pela mulher, mas que não resistiu aos avanços duma mulher sexy (no filme, interpretada pela Eva Mendes)?

Na altura, ele defendeu que ela esteve pior: apesar de não ter chegado a trair, foi jantar com uma pessoa que não lhe era indiferente, conversaram sobre os dois, permitiu que houvesse um clima, tocaram-se de forma nada inocente, e a verdade é que, no final, ela foi para casa a pensar nesse encontro. Dizia-me ele que as mulheres por norma traem dessa forma: ao entregar-se de forma emocional, ao permitirem-se apaixonar-se por outro, ao conversarem com outro de forma íntima, ao revelarem segredos e ao partilharem o seu mundo. Para ele, a traição do marido não tinha sido tão grave, porque foi apenas algo físico, passageiro. A colega nunca iria roubar um segundo dos seus pensamentos.

Para mim, no entanto, a traição dele foi imensamente superior à dela. Simplesmente porque ele não resistiu, ao contrário dela. Perante uma pessoa que nem dizia grande coisa, a não ser a nível de atracção física, foi fraco e deixou que a carne cedesse. Ela, por seu turno, ao confrontar-se com o segundo homem da sua vida, com alguém que mexia com ela há anos, conseguiu resistir. Falaram muito? Falaram, sim. Pode uma conversa ser mais íntima que uma louca noite de sexo? Acredito que sim. Mas a verdade é que se controlou. Junto àquele corpo cujos contornos, odores e reacções conhecia de cor, resistiu. E para mim é isso que releva no fim. Os pensamentos nem sempre podemos controlar. Os actos, sim.

E agora deixo-vos a vocês a questão: quem esteve pior?

(não) Sei o que fizeste na última noite.*

Conhecem-se desde a faculdade. São um casal, mas gostam de dizer, com assumido orgulho, que são também os melhores amigos um do outro. Conversam sempre imenso no final do dia. Cada um quer sempre saber tudo sobre o dia do outro e tudo lhes interessa. Cortam os legumes, temperam a carne ou põem a mesa juntos. São uma equipa. E bem eficaz. Sentem-se ambos completos. Percebem-se um ao outro com um simples olhar.

Um dia, ela conhece, numa festa da empresa onde ele trabalha, a nova colega dele. Morena, cheia de curvas perigosas, olhar desafiador e sorriso de quem consegue tudo o que quer. Tens uma colega nova? Sim. Não me disseste nada. E contas-me sempre tudo. Não calhou. Ele desculpa-se. Mas o olhar mente. Foste com ela na semana passada naquela viagem de trabalho? Fui. O olhar dele foge.

Passado uns dias, em casa, ele diz-lhe que vai ter que passar dois dias fora. Em trabalho, novamente. Ela vai? Vai, sim. Vamos três. Vão. Ela fica sozinha por dois dias. Entregue a si e aos seus pensamentos negros, sabendo que ele está bem longe perto da tentação. Decide sair de casa e espairecer.
- Hey!, gritam.
- Oh... Por aqui? Mas tu vives do outro lado do mundo.
- Voltei.
- Oh... De vez?
- Sim. Conto-te tudo ao jantar. Queres jantar?
- Sim, claro!
Aceita jantar. Ele? Uma antiga paixão que não deu certo. A única pessoa, para além do marido, que fez bater mais forte o seu coração.
- Nem acredito que estou contigo. Isto é real??
- É. Belisca-me.
- Estás igual.
- Também tu.
- Relembra-me porque é que entre nós as coisas não resultaram.
- Mau timing. E a distância.
- Ai a distância...
- Essa foi a tua desculpa.
- Foi verdade. Não imaginas o quanto custou vir embora.
- Não deve ter custado nada! Nem um bilhete deixaste.
- Não havia bilhetes onde coubesse tudo o que tinha para te dizer.
- Tretas. Olha, um brinde a nós adultos. Olha para ti, de aliança e toda senhora de si.
- Oh. Que saudades que tinha tuas.
E ali ficaram toda a noite a conversar. A recordar. O vinho a subir. Os casacos a cederem ao calor. Aos mãos a tocarem-se por tudo e por nada. Os olhares que nada mais viam. O restaurante fechou. Saíram.
- Eu seguro-te. Estás trôpega.
E foram, bem encostados. Ele a cheirar-lhe o cabelo, qual drogado a sair da ressaca. Ela a relembrar-se do peito largo dele. Não apetecia largar, era viciante.
- Vais contar ao teu marido sobre esta noite?
Ela não sabia. Ele deixou-a em casa. Deu-lhe um beijo bem perto da boca. Era um atrevido. E até amanhã. Ela subiu e sonhou que, por uma noite, aquela almofada era o peito largo dele. Toda ela eram saudades.

A dois mil quilómetros dali, ele ia para a cama com a colega. Mal falaram, foi atracção fatal.
- Esquece que isto aconteceu, ok? Foi do álcool. E foi uma cena física. Esquece por favor. Sou casado.
Foi dormir. Sonhou com a mulher e morreu de saudades dela. Estava arrependido. Que disparate que tinha acabado de fazer. Nem gostava assim tanto da colega!

No dia seguinte, o casal reencontrou-se. Ele trouxe flores, revistas do aeroporto, chocolates e um perfume. Abraçou-a e sussurrou-lhe um "amo-te". Ela sorriu, com um olhar triste, e disse apenas "temos de falar".

*História baseada neste filme, cuja história adoro, e que tem o Guillaume Canet, actor e realizador interessantíssimo.