domingo, 9 de junho de 2013

Fui alvo de uma aposta

... Pela minha própria família. Pelos meus entes mais queridos. E agora estou na dúvida se fico indignada, ou se me limito a sentir-me lisonjeada por se concentrarem em conjecturar planos maquiavélicos contra mim na minha ausência e durante as suas férias.

Pois então estava eu a socializar e a pôr a conversa em dia, ontem, durante o casamento, quando recebo uma MMS da minha querida mãe, esse ser puro e inocente, incapaz da mais pequena maldade. A MMS dizia algo como "o teu pai envolveu-se num desacato. Está a ser levado à esquadra mais próxima para prestar declarações." O tom era sério e sombrio (pelo menos li o texto assim). E a mensagem trazia uma fotografia do meu pai de costas, a caminhar junto a um agente da GNR. Claro que nem duvidei da veracidade da história. Era um assunto sério e a minha mãe não brinca com assuntos sérios. Liguei logo. Insisti. Fiquei preocupada.

Conclusão: a minha mãe atende finalmente o telemóvel a rir "acreditaste? Apostei com a tua irmã vinte euros em como cairias. A tua irmã, pelo contrário, jurava a pés juntos que nunca irias cair numa mentira destas. Está a dever-me vinte euros." Não reconheço a minha própria mãe. Tornou-se um ser maquiavélico e capaz de enganar a própria filha a troco duma aposta. Mas pelo menos já percebi a quem saí com a mania das apostas. É nestas coisas que temos a certeza que não fomos adoptados. ;)

sábado, 8 de junho de 2013

Vou ali embonecar-me e já volto

Em época de casamentos de amigos, mesmo que odeie perder tempo em cabeleireiros e manicuras (eu sei que nisso sou um bocado atípica, mas irrita-me essencialmente o tempo de espera, as conversas vazias, a parte de ter alguém a puxar-me o cabelo ou a tentar acertar na temperatura de água com que gosto de lavar a cabeça - é morna, decorem), lá vou eu embonecar-me. Tem que ser e o que tem que ser... Tem que ser!

Se estiver bem-disposta e a sentir-me poderosa no fim pode ser que mostre o cabelo e parte do vestido, ok? ;)

Um bom Sábado para todos!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Michael J. Fox

Ontem à noite, enquanto víamos um documentário sobre o Michael J. Fox no Biography Channel, o percurso profissional dele (quem não viu e reviu mil vezes os Regressos ao Futuro, por exemplo?), a vida amorosa, a doença que o afectou e a forma como tem ultrapassado tudo, íamos comentando o que víamos. Dizia-lhe eu:
- Eu adorava o Michael J. Fox. No Regresso ao Futuro lembro-me de o achar o máximo, de achar espectacular vê-lo andar de skate e de adorar a maneira de ser despachada dele. Não achavas?
- É, ele era castiço.
- E tinha ar de ser mexido, não era? De ter imensa energia.
- Sim, e agora ainda é mais mexido. Olha lá.
Eu sei que é humor negro, mas saiu-lhe tão natural que não consegui deixar de me rir. De qualquer maneira, respeito imenso o actor, principalmente porque continua a entrar em séries (têm-no visto no The Good Wife? Ainda não vi, mas ouvi dizer que está muito bem) e não baixa os braços nunca. É realmente um exemplo.

(E - vá lá, sem moralismos - teve piada, não teve?)

Depois do "viveram felizes para sempre"

Primeiro, "antes do amanhecer", assistimos ao enamoramento em Viena. Depois, "antes do anoitecer", somos espectadores do reencontro em Paris. Por fim, "antes da meia-noite", testemunhamos o momento pós-consagração e pós-concretização do amor. E assim temos, espaçadas entre si por nove anos cada, as várias fases de uma relação retratadas no cinema. A intenção não era essa, a crer nas palavras do realizador e dos dois actores. Mas quis o acaso que assim fosse e que, dezoito anos depois da primeira troca de palavras, possamos recuperar uma das duplas românticas mais reais, inspiradoras, com mais sentido de humor e apaixonantes que já vi no cinema.

Desta vez, não se discutem diferenças sócio-culturais entre um americano e uma francesa. Brinca-se com o "rabo francês" e com o "menino americano", mas nove anos de convivência atenuaram - e bem - as trocas de galhardetes que envolviam clichés sobre o ser americano ou europeu. Não se discute também de forma tão intensa a realização pessoal e profissional, como aconteceu no segundo filme. Os nossos heróis estão adultos. Mais que um americano e uma francesa a quererem lutar pelos seus sonhos, querem saber amar-se. Querem saber viver um com o outro. Querem encaixar o amor que sentem nas suas vidas tão preenchidas com empregos, lides domésticas e duas filhas a tempo inteiro (mais um filho do outro lado do Oceano a deixar saudades). Querem voltar a ser aquele casal que saiu do comboio em Viena, conversou a noite toda e se apaixonou irreversivelmente. Querem voltar a ser aquele casal que se reencontrou em Paris, fechou as janelas do quarto e fez amor durante dois dias seguidos, até atenuar um pouco as saudades que sentiam.

Nove anos depois de ficarem juntos, o difícil não é responder a perguntas como "será ele o tal?". Ele é o tal. Ponto final. Respondido. O difícil agora é conciliar o conto de fadas sonhado com a vida real. O difícil é desligar o botão "rotina" e ligar o botão "paixão". A dado momento, ele desliga-lhe o telemóvel e quer arrancar-lhe o vestido. Ela liga o telemóvel. Ele beija-a. Ela encontra problemas existenciais, mesmo com o vestido semi-despido. Ele quer continuar. Ela sai de casa. Ele atira-se ao sofá, desesperado. Ela volta. Ele diz-lhe que é louca, mas que a ama. Ela faz um chá. E diz que já não o ama. Sai. Volta. Ele abre uma garrafa de vinho. Ela sai. Ele vai atrás. São loucos? Não. Estão desesperados. O amor entre um homem e uma mulher pode ser assim: louco. Desesperado. Ela pode querer um chá e ele preferir vinho. Ele pode querer o telemóvel desligado e ela preferir ligá-lo. Ele pode querer fazer amor todas as noites da mesma maneira e ela estar farta. Pode ser isto tudo e muito mais. O amor não é linear, nem é um "e viveram felizes para sempre". O amor é o que se vive depois dessa deixa. Depois de a tela se fechar e todos os espectadores saírem da sala de cinema. O amor é o ter que encontrar (sem nunca desistir) a felicidade no loooooongo "para sempre". Este filme é sobre o que acontece no momento em que todos os espectadores abandonam a sala, depois do final feliz. É sobre a realidade. O saber viver a dois. E, por mim, tinha trazido o Jesse e a Céline para casa, adoptava-os e ficava a conversar com eles ininterruptamente até ficar sem voz. São, sem dúvida, o meu casal preferido do cinema de sempre. E, por mim, podem voltar a cada nove anos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A minha peça fetiche

Até agora, eram os vestidos. Não resistia a um vestido bonito. Entretanto, há uns quatro anos, comprei o primeiro jumpsuit (ou macacão). Depois outro. Depois outro. Todos escuros, clássicos e bem sóbrios. Com um até vou trabalhar, porque é muito formal. E agora dou por mim a achar uma peça de roupa quase tão feminina e elegante como alguns vestidos. Estarei a exagerar? Ontem arrastei-o para uma loja, para ver um comigo. "Anda ver se me fica bem, sim?", pedi-lhe, com a promessa de que, a seguir, ele podia decidir o programa do mundo que quisesse, que eu aceitava qualquer coisa. "Eu vejo, mas sinceramente acho que não gosto muito"... Saí do provador a medo, a mostrar-lhe. "O que achas? Pareço um mecânico?". "Vira-te", pediu-me ele. "Gosto muito. Muito!" E pronto, não sei o que as costas tinham, até porque o pormenor mais giro era à frente, mas parece que teve o voto dele. Agora vai custar-me é parar. Vejam alguns exemplos e digam lá se estou maluca.

Vou bloquear-te no Facebook

O fim duma relação amorosa implicava, no tempo dos nossos pais e avós, "apenas" um período de luto e separação. Podiam eventualmente cruzar-se depois, se viviam perto um do outro. Podiam até ter que continuar a conviver, se tinham amigos em comum. Tudo igual a hoje, portanto!, dirão vocês? Não, algo mudou. O modus operandi tornou-se, com o passar dos anos, complexo e interminável. Se não, vejamos: nesse tempo, ao adeus final seguia-se um período de tristeza, de afastamento, e a dúvida era se se devia devolver as cartas trocadas, os presentes oferecidos, e pouco mais. A nível de formalidades e burocracias, ficava-se por aqui. Cada um ia para sua cada carpir a dor, ligava um gira-discos e ficava entregue aos seus pensamentos.

Hoje? Com o desenvolvimento das tecnologias e das redes sociais, acabar com alguém é todo um processo complexo e interminável. Não basta carpir a dor e ligar o ipod. É preciso levar com as memórias estampadas nas redes sociais. É preciso apagar o estado no Facebook. Apagar as fotografias em comum nas redes sociais. Por vezes, vai-se ao ponto de excluir a própria pessoa do grupo de amigos. Tirá-la dos chats. No pior dos casos, apagar até amigos em comum. O Élvio Santiago fez, há uns anos, uma música em tom de ameaça em que garante que vai apagar a (ex) namorada do (defunto?) MSN, bloqueá-la do moribundo Hi5, excluir as fotografias e mensagens dos dois, mudar o número de telemóvel para nunca mais ouvir a voz dela, mudar o endereço de email, tudo para nunca mais a ver. A música é antiga, por isso imaginem o tamanho que a ameaça teria hoje em dia. Apagá-la do Instagram? Facebook? Twitter? Google+? Linkedin? Vine? Viber? Whatsapp? Blackberry messenger? Pinterest?As possibilidades são infindáveis.

Sinceramente, acho que o fim duma relação não tem que implicar, obrigatoriamente, o bloquear ou apagar de todas estas redes. Imagino que seja duro ver o nome ou a fotografia radiante da pessoa de que gostámos tanto tempo a aparecer-nos nas redes sociais, mas não é algo com que se terá que aprender a lidar? Vivemos numa era em que todos somos omnipresentes. O nosso nome e imagem estão em tantos sítios em simultâneo que me parece utópico querer voltar ao tempo dos nossos pais e avós. Ok, aí tudo o que bastava era mudar de rua para não ver a pessoa. Mas mudam-se os tempos. Mudam-se as vontades. E mudam-se as verdades. O que era verdade há dez, quinze anos, não é hoje. E parece-me que será cansativo adoptar o processo do Élio, sinceramente. Não é mais fácil acabar, mas esquecer a árdua tarefa de apagar contactos? Não será preferível pensar primeiro em apagar toda a dor que se sente e fazer o luto?...

Freud, preciso de ti

Ultimamente os meus sonhos tornaram-se histórias verdadeiramente alucinantes, com argumentos hollywoodescos e capazes de fazer inveja a um Spielberg. Ok, talvez não tanto. No entanto, talvez por andar em maratona da trilogia do 1Q84, noto que os meus sonhos ligaram um complicómetro qualquer e aumentaram o enredo e a intensidade. Pois então deixemo-nos de introduções aborrecidas e passemos à descrição da minha mais recente narrativa vivida em braços de Morfeu.

Lembro-me que estava de mãos dadas com um ser masculino indefinido. A sensação com que fiquei é que era um apoio que tinha ali e que era pouco relevante para a história: existia apenas para não me sentir sozinha, e nem tinha rosto ou forma. Estávamos perdidos no meio da vegetação, a andar sem rumo certo. Confusos e preocupados. De repente, encontrámos alguém que nos diz, a despropósito: "isto é 1996". E percebemos que nos enganámos e que devíamos ter ido por outro caminho. Virámos e começámos a andar por outro lado. Até que encontrámos um grupo de gente sentada numa roda, a cantar e a tocar guitarra. Havia uma fogueira e pareciam estar todos felizes.
- Desculpem, mas sabem dizer-me onde estamos? Perdemo-nos.
- Isto é 1996.
- Por onde é que se vai para 2013?
- Têm que esperar muitos anos até ele chegar aqui. Nenhum caminho vai lá dar.
- Mas nós ainda agora estávamos lá. O mal foi meu, perdi-me. Tenho péssimo sentido de orientação e devo ter virado para a esquerda em vez de virar para a direita.
- Se são de 2013, prova-o e canta uma música do vosso ano. Toma.
E deram-me uma guitarra. Comecei a pensar em músicas, mas só me lembrava de êxitos dos anos 80 e 90. Comecei a tocar Baba O'Riley, dos The Who, para gáudio do grupo. Entretanto, estava sozinha. Queria pedir ajuda à minha companhia masculina, mas ele tinha desaparecido. Estava presa no passado e não me lembrava de nenhuma música do presente que me salvasse. Ia ficar em 1996 sozinha e para sempre.

Acordei a transpirar e a precisar de respirar com força. Freud, que me dizes? A parte dos anos percebo que tenha a ver com o livro que ando a ler, é realmente uma cópia descarada... Mas e o resto? Freud, preciso de ti. Wo bist du? (Vou falar alemão a ver se me ouve melhor). Estou oficialmente ensandecida.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Almas gémeas

Como saberão, a Fox Life anda a repor os episódios da série Sexo e a Cidade, por isso ando a rever aquele que foi, com certeza, o manual de relacionamentos de muitos (e eu, como cliché que sou, não fujo à norma). Ontem assistia pela enésima vez a este episódio do qual retive o seguinte diálogo entre a Charlotte e a Samantha:
- I believe that there’s that one perfect person out there to complete you.
- And if you don’t find him, what?... You’re incomplete?, it’s so dangerous! (...) the bad thing about the one perfect soulmate is that is so unattainable you’re being set out to fail.
O que, traduzindo, dará algo como uma discussão à volta das almas gémeas: há alguém, algures, que te completa, mas... e se não a encontras? Ficas incompleto? Tudo anda à volta disto.

A discussão é tudo menos nova ou original. Tão-pouco é conclusiva. O que é trazido de novo para a baila é a questão do ter que ser inalcançável. Mas... terá que ser? O que é certo é que tudo o que é inalcançável parece mais perfeito. Ou, como ele aqui em casa chama, é o "truque dos vinte metros" - qualquer mulher parece perfeita a vinte metros, sem falhas, imperfeições. Só quando se aproxima vemos as rugas, as gordurinhas, o acne, a pele flácida ou uma depilação por fazer (too much?). O mesmo truque aplica-se a quase tudo, que, ao longe, parece perfeito. Com as almas gémeas, muitas vezes acontece o mesmo: ao longe, são ideais. São uma teoria. Uma equação que tem tudo para resultar. Um mito. Mas... e na prática? No dia-a-dia?

Para mim, as almas gémeas são mais que um livro preferido em comum. Mais que uma música especial que se partilha. Um destino de viagem com que ambos sonham. Gostos iguais. Histórias de vida parecidas. Ou um sorriso encantador. Uma alma gémea é alguém que nos completa. Num todo. Compreende e aceita as nossas imperfeições. Partilha as suas. Adapta-se. Quer agradar. A alma gémea não é, afinal, algo inatingível. Está aqui. Se é inatingível, como é que nos pode completar, afinal? Pois... Esse é, em resumo, o meu ponto de vista.

Então, como é que vai o ginásio??

O ginásio...? vai andando. Eu? Vou correndo. Sempre que consigo, toca a ir para lá. Quando ia correr para a rua, usava a desculpa do vento. Da chuva. Do frio. Ou da falta de companhia. No ginásio, não há cá ventos, chuvas, frios ou solidões. Aquilo está sempre cheio, das 7h à meia-noite, a temperatura é sempre a mesma e há ainda o "pormenor" da mensalidade. Pois convenhamos que, na luta entre a preguiça e o dinheiro que lá deixei, ganha sempre o dinheiro. Por isso, lá tenho ido três vezes por semana.

O ritual é sempre o mesmo: chego, vou para a passadeira e só saio quando tiver corrido pelo menos 5 quilómetros. Depois, máquinas (às vezes), abdominais e alongamentos. Ora, os 5 quilómetros dão uns valentes minutos, até porque não sou a pessoa mais rápida que o asfalto (ou, neste caso, a passadeira) já viu correr. E, nestes valentes minutos, as passadeiras ao meu lado vão sendo ocupadas por pessoas diferentes. No entanto, nas últimas semanas algo tem acontecido. Como tenho ido à noite em vez de ir à hora de almoço, a fauna desportista que se vê é maioritariamente masculina (não sei bem porquê... estarão a fazer o jantar?). E um rapaz que conheço de vista há mil anos, não sei bem de onde, tem ido sempre para a passadeira ao pé da minha. Já 5 ou 6 vezes o que aconteceu foi o mesmo: cheguei e fui para a passadeira. Passado uns dois minutos, ele apareceu, qual fantasminha escondido atrás duma máquina qualquer. Chega a ser assustador. Hoje, por exemplo, estava eu a ver as minhas séries numa das televisões, toda contente, quando, de repente, pisco os olhos e, ao abrir, lá está ele por baixo da televisão. Voltei a piscar os olhos duas vezes. Seria uma miragem? Não, ele apareceu do nada. Literalmente.

Depois disto, tem começado a competição. De todas as vezes que corri e o "fantasma" apareceu, tive que levar com ele a espreitar o meu visor de velocidade e de distância de dois em dois segundos. É cansativo! Além disso, começou a arfar desalmadamente e a aumentar a velocidade, enquanto olhava para mim, qual "vês? é assim que se corre, ó tartaruga". Aconteceu sempre. O que vale é que aqui a tartaruga corre devagar, devagarinho, mas aguenta mais tempo. Sim, porque ando é a treinar a resistência. Por fim, acaba sempre da mesma maneira: ele abranda, começa a andar. Eu continuo a correr. Então, continua a olhar para o meu visor, depois olha outra vez para mim, como quem diz "vês? no mesmo tempo corri muito mais". Continua a andar enquanto eu corro e só sai quando saio também.

Sinto que tem havido ali um longo diálogo sem palavras. Uma corrida silenciosa. E tenho noção que, a haver uma competição, tenho perdido em velocidade-média. Mas ganho em tempo percorrido. Isso dará um empate, certo? Tenho que chamar o meu anjo da motivação para lhe mostrar de que fibra nós, mulheres, somos feitas. Girl power! Raio de mania que os homens têm de ter que ser melhores que nós em todos os desportos...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Privado vs Público

A falar com uma amiga sobre a futura escola para onde irá estudar a filha dela, comecei a pensar mais no assunto. A verdade é que, tendo andado num colégio e depois numa escola pública, penso que posso, pela minha experiência, concluir que prefiro os colégios. São mais caros? São, claro. Mas, pelo que vivi, posso assegurar que me sentia mais protegida, mais parte duma grande família, e que sentia que éramos mais bem acompanhados. Todos os professores e empregados sabiam o nosso nome, a nossa data de aniversário, conhecíamos as famílias uns dos outros, tínhamos imensas actividades para além das aulas... Claro que haverá escolas públicas fantásticas (tal como os rankings anuais comprovam), mas, no meu caso, passei daquilo que me parecia um castelo protegido para uma selva, no início. Acabei por me habituar, mas lembro-me que me identificava apenas com um número reduzido de pessoas, inicialmente, e achava estranho ver tantas raparigas a pintarem-se na casa-de-banho e a falarem de jogadores de futebol. Achava estranho ver os gangs vestidos de preto e cabelo comprido - os chamados "metaleiros" - na parte de trás da escola, os de Artes sempre encostados ao pavilhão, os miúdos com as motas à frente, etc. Estava tudo muito segmentado, não havia um "todo", uma unidade. E no início custou-me. Tive que decidir quem era. Como era. A que grupo pertencia. Eu, que antes pertencia apenas a uma escola e era igual a todos os outros. Afinal ali era betinha, desportista, alternativa...? Para mim, era apenas "normal". No entanto, naquela escola, tudo tinha um nome e "normal" não constava das categorias.

A minha amiga diz que, se tiver mais que um filho vai ser difícil mantê-los a todos no ensino privado, porque é, obviamente, caro. Ela, que é das pessoas da minha idade com um emprego mais estável. Por isso, concluo que terei que dizer o mesmo um dia também. Apesar de sonhar com os meus filhos um dia num "castelo" - como eu tive a sorte de poder experimentar -, com aulas de línguas, com desporto e aulas de música, sei que esse tipo de ensino é tão mais caro que nem todos conseguem suportar. Por isso, ando a tentar ver as coisas de outro prisma e pensar que as escolas públicas preparam melhor para a vida adulta. Tento pensar assim, apesar de, no meu caso, apenas me ter feito sentir um pouco confusa e sozinha, no início.

E desse lado, melhores experiências? Onde pensam pôr os vossos filhos um dia e porquê?

Voltar para o ex?

Com certeza muitos já passaram por isto: acaba-se com o/a namorado/a porque as coisas não andam bem. Já só se discute, só se vêem os defeitos um do outro e não já as qualidades. Tudo na outra pessoa irrita, tudo cansa, tudo satura. O que antes era adorável torna-se insuportável. O que era amoroso torna-se horroroso. O que era único torna-se... Acho que perceberam a ideia. O que é certo é que, a dada altura, sem "água vai", o amor e a paixão dão lugar a uma irritaçãozinha que nos faz questionar tudo. A separação. "Preciso de espaço!", diz um deles. O outro dá, mesmo sem entender a súbita e inadiável necessidade. Dá o espaço pedido. Dá uns dias. Dá as chaves de casa. Dá tudo. Desde que as coisas melhorem. Ainda está apaixonado. Passado uns tempos, um livro que ficou perdido lá em casa. "Tens que vir aqui, esqueceste-te do livro". E quem diz livro, diz uma peça de roupa, um cd, um creme ou uma escova do cabelo. "Tens que vir cá". Tem que ser. E o que tem que ser, tem muita força.

Ouve-se o bater da porta. Nada. A insistência. Dentro de casa, o coração bate mais alto que os nós das mãos num contacto repetitivo com a madeira da porta. Abre-se a porta.
- Então? Não ouvias?
- Desculpa, estava ao telefone.
A primeira mentira. Era o nervoso miudinho do reencontro.
- Estás com bom aspecto.
- Também estás.
- Tens ido ao ginásio?
- Tenho. E fui até à praia no fim-de-semana.
- Estás tão moreno. Ficas giro. E não te conhecia essa camisa.
- É nova.
"Então agora que nos afastámos é que anda todo vaidoso?", pensa ela, com uma pontinha de ciúmes.
- E tu mudaste o perfume.
- O outro fazia-me lembrar de ti. De nós.
- Pois... Deixa-me ver esse. Chega aqui.
Aproximam-se. Ele encosta o nariz ao pescoço dela. Deixa-se estar. A sentir aquele perfume, que é só dela. Aquela pele. Tão macia...
- Sai daí. Tira o nariz, diz ela, bruscamente.
Riem-se.
- Oh... Ainda não cheirei bem. Anda cá.

É inevitável. Ainda gostam um do outro. Mas voltar para um ex é sempre difícil. Os problemas de antes? Subsistem. Os stresses não acabaram. E depois da ferida aberta, a relação nunca mais será igual. Depois de vermos o defeito, não nos conseguimos concentrar no resto, na perfeição. O defeito está lá. O namoro não é perfeito. E nem todos conseguem ultrapassar a primeira crise numa relação. Vale a pena? Não valerá? O amor será suficiente para aguentar todos os desencontros? Uns dirão que sim. Outros? Fazem perguntas e esperam as respostas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Long time no see!

As mensagens deste estilo começam sempre iguais. "Oláaa!! Long time no see!!". Leio as primeiras palavras e o que retiro é preocupação da pessoa que me escreve, um desejo imenso de manter a amizade, um desejo imenso de saber tudo sobre mim o mais rapidamente possível, de minimizar o tempo que passou. "Que é feito de ti?? Estás boa? Conta-me tudo!". E eu já estou com um sorriso de orelha a orelha, feliz por ter alguém que é todo ouvidos/olhos do outro lado e está ávido de notícias minhas. Sinto-me importante. Preparo-me para escrever. Hesito apenas para ler o resto da mensagem. "Olha, já decidiste em quem vais votar? Eu faço parte da lista do X.... (...) parece-me um projecto credível (...) pronto para vencer (...) O teu voto é importante!".

Não se faz. E ultimamente este tipo de mensagens/ emails tem sido cada mais frequente. Mas não se faz. Porque, de cada vez, começo a ler e acredito piamente que sou importante para a pessoa que me escreve. Que têm saudades minhas. Saudades minhas, não do meu voto. E sei que as introduções a estes pedidos fazem parte da boa-educação, mas parece-me que seria mais correcto escrever algo, com títulos. Algo deste estilo:
1. Parte introdutória em que é demonstrada a boa educação do requerente, onde este transparece um genuíno desejo de saber tudo sobre o destinatário das suas palavras. Destina-se a criar uma empatia na pessoa que lê e a quebrar o gelo, apenas.
(passar à frente se não lhe interessar): Oláa!! Long time no see! Que é feito de ti? Estás boa? Conta-me tudo!"
2. Pedido propriamente dito. O núcleo da mensagem e o motivo que levou à redacção e envio da mensagem/email. (ler apenas esta parteVota! Vota! Vota! Vota! Vota!
3. Despedida simpática, em que se retoma o espírito amigo e descontraído da parte introdutória, e em que se disfarça que o único objectivo de tantas palavras foi apelar ao voto. Fico à espera de resposta. Vê se dás notícias. Temos que tomar um café um dia destes. beijinhos

Percebo que se tenha que apelar aos votos de alguma forma. Que se tenha que fazer campanha. Mas sinceramente sinto-me defraudada sempre que começo a ler algo deste estilo e depois querem apenas o meu voto. E vale tudo: sms, emails, Facebook, Linkedin. Parecem cogumelos. Juro.

O sonhador que se esqueceu de sonhar

Num espaço de uma hora, aconteceu-me duas vezes. Primeiro, cumprimentei-o a ele, acompanhado da mulher. Ex colega (mais velho) de faculdade, cheguei a ter um leve fraquinho por ele (tinha um ar de nerd a que achava piada, sempre muito penteadinho), mas já não via há séculos. Era um optimista, idealista, um sonhador e eu gostava especialmente do arco-íris que parecia desenhar no céu sempre que falava comigo. Perguntei-lhe como corria a vida, a ele, o eterno sonhador, optimista, idealista, ambicioso, trabalhador.
- Vai correndo.
- Isso nem parece resposta tua. Aposto que estás óptimo e isso é tudo modéstia tua. Não tens que ser modesto comigo!
E sorri para a mulher, à procura de um aceno de concordância, no mínimo. Nada.
- Não, Pippa. Isto não está nada bem. Devo ir trabalhar para fora.
- Oh mas e o bebé? Têm que ir então os três, não é? Para não morrerem de saudades.
- Isto é muito complicado...
Senti um nó na garganta. Ainda tentei desvalorizar as coisas, brincar, animá-los, mas ele estava irreconhecível.
- Um dia destes combinamos e conto-te tudo, ok?
- Sim. Claro.
E despedi-me, com um aperto. Para onde teria ido a força toda dele? Até o sorriso estava apagado.

Continuámos a andar. Metros à frente, encontrei uma antiga colega de trabalho que não via desde que foi para um país qualquer da Europa Central fazer um estágio. Outra personagem confiante, (tão confiante que era facilmente confundida com convencida, até, apesar de não ser) segura de si e sempre com estilo.
- Olá!! Então que é feito de ti? Estás boa??
- Olá! Dentro dos possíveis...
- Como correu o estagio? Deve ter sido uma experiência para a vida!
- Foi muito bom. Mas agora estou a encarar a realidade.
- E o que fazes?
- Nada. Estou no desemprego.
Engoli em seco. Nem tentou durar a pílula como geralmente se faz.
- E tens procurado na net e nos jornais?
- Sim. Mando currículos todos os dias. Não há nada.
O meu coração, ainda não recuperado, voltou a sentir-se apertado.

O que é feito dos optimistas? Sonhadores? Aqueles que nunca desistem? Foram consumidos por isto? Pela falta de trabalho? Pelos salários baixos? Fecharam o sorriso? Não fechem. Não desistam. Não deixem de sonhar e lutar. Está difícil para todos. Mas o segredo é não baixar os braços. Insistir. Hoje. Amanhã. E depois. Até tudo melhorar novamente. Porque vai melhorar. Acredito que sim, mas não quero a última representante dos optimistas...

domingo, 2 de junho de 2013

Ganga style

É tão raro usar jeans desde que terminei o curso - já lá vão mais anos do que quero acreditar - que hoje não consegui deixar de me sentir adolescente outra vez. A verdade é que, mal comecei a trabalhar, uma das normas internas que tínhamos era que não era permitido usar ganga, por isso fui cortando os laços com esse tipo de roupa. Hoje, a dormir em casa dos meus pais, acordei, fui ao armário e vi uma Levi's penduradas a olhar para mim. Resolvi matar saudades. Realmente é mesmo verdade que são das peças de roupa mais intemporais que podemos ter. Oh para mim dez anos mais nova! Não me lembrava como são confortáveis.

sábado, 1 de junho de 2013

O objectivo de ter um blog

Há dias perguntavam-me por que motivo comecei a escrever no blog. Onde é que queria chegar. A verdade é o meu objectivo é apenas e só a escrita, o acto de escrever. O blog é, portanto, um fim em si mesmo. Adoro escrever, adoro o jogo de pegar em palavras e poder criar uma nova ordem, frases novas com palavras já existentes e ao dispor de todos. Como um puzzle com inúmeras possibilidades. Gosto da liberdade de o reconstruir. Deconstruir. E construir outra vez. Gosto de pegar no meu dia e tentar transportá-lo para aqui. Pegar em pensamentos e tentar dar-lhes forma. Gosto do desafio de dar nomes a sentimentos. Gosto de contar histórias. E da possibilidade de eternizar memórias. Gosto de pegar neste peso todo que trago dentro de mim, neste emaranhado de sonhos, histórias, sensações e nostalgias e ir organizando numa folha vazia, como um coleccionador que vai expondo os objectos recolhidos numa vitrina, para nunca os perder de vista. Estas palavras são a minha colecção. São aquilo que vou recolhendo. E o blog é a minha vitrina. Uma vitrina onde, a cada dia, junto um novo objecto à minha colecção. Por vezes volto atrás e espreito outras prateleiras. A verdade é que muitas vezes já nem me lembro do que ali tenho. Mas é bom pensar que está ali exposta cada parte de mim. Cada palavra exposta representa parte do que sou. E é bom afastar-me, olhar o todo, e pensar "sou eu. Esta colecção já ninguém me tira. Posso morrer amanhã, que já deixei uma parte de mim. Insignificante para os outros, mas tão especial para mim. Sou eu. E estou mais leve, porque as minhas palavras saíram de mim e foram descansar para ali." E é tão bom pensar que, em cada dia que passa, terei que me afastar mais... E mais... Porque a colecção vai crescendo.

E é esta a razão: escrever. Apenas e só.