quinta-feira, 4 de julho de 2013

A feia do grupo

Sempre ouvi dizer que todos os grupos de amigas tinham sempre uma feia no meio, qual passatempo "descobre o elemento que está a mais na imagem". Também de acordo com alguns amigos meus, "as mais giras andam sempre com uma amiga mais feia, para fazer sobressair a sua beleza e sentirem-se superiores, elogiadas". Eu nunca concordei de todo e sempre mostrei o meu grupo de amigas como estandarte da minha teoria - "vêem? São todas bonitas, sem excepção! Não há cá 'a' feia, ou a 'gorda' aquela que só serve para ouvir as outras descrever os seus encontros tórridos, sempre com paciência e amizade".

Acontece que a minha amiga "suecializada" voltou. E ontem foi o jantar do reencontro. Como até já chegou há uns dias a Portugal, tem ido até à praia, tem apanhado sol... Tem também corrido, feito desporto... A nós juntou-se a E. A E. também já esteve de férias, já apanhou imenso sol, anda sempre cheia de estilo e saltos mega altos. E as estas brasas juntou-se... Me! Lá fui eu saída do trabalho, branquinha porque ainda não apanhei sol, com sabrinas calçadas, e cabelo apanhado numa trança que me pareceu profissional e fresca de manhã... Jantámos, pusemos a conversa em dia, contámos peripécias, actualizámo-nos... No fim, as obrigatórias fotografias. Alinhámo-nos direitinhas, costas direitas, barriga para dentro, peito para fora, sorriso rasgado, encostámos as cabeças umas às outras. O típico. Depois disso, mais duas de conversa e despedimo-nos. Foi cada uma embora. Foi um jantar bonito, por isso fui para casa com o coração mais preenchido.

Já em casa, fui espreitar as nossas fotos ao telemóvel. Elas estavam lindas. Morenas, boazonas. Eu mais raquiticazinha, com um decote bem mais humilde, um sorriso mais de menina a contrastar com o ar de mulherões delas. Até que, subitamente, pensei no que os meus amigos sempre me disseram: "todos os grupos de mulher têm uma feia". E comecei a rir-me sozinha. "Queres ver que nunca detectei a feia, porque a feia era eu?". Ri-me com vontade. Não vou estar com falsas modéstias - acho-me até gira, mas a verdade é que naquele momento, a ver aquelas fotos, senti-me o tal "elemento a mais na imagem". Talvez esse elemento seja afinal cada uma de nós, pois cada uma se sente de vez em quando o patinho feio do sítio. Ontem fui eu. Amanhã é, quem sabe, a E. Depois a "sueca". Depois outra. Será que o elemento feio pode, afinal, ir alternando? E pode estar só na cabeça de cada uma de nós? Parece-me que sim. E prefiro acreditar nisso a acreditar na teoria dos meus amigos.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Cada vez gosto mais dos animais que dos homens"

..."é que ao menos os animais são fiéis e não nos enganam".

Quantas vezes não ouvimos já esta frase? Eu própria já fiz um post sobre isto. No entanto, continuo a ouvir esta frase repetidamente. Hoje ouvi outra vez. E, sinceramente, assusta-me. Assusta-me muito. Não entendo como é que alguém pode chegar a esse ponto. Não entendo... Pessoas que passam a viver em função dos animais. Que apregoam ao mundo o quanto o seu cão/gato/piriquito/cágado/hamster é melhor que qualquer homem/mulher. Não é, minhas ricas pessoas. Não é. Ou o vosso cão/gato/piriquito/cágado/hamster:
1. Conversa sobre tudo?
2. Vai para a cama com vocês e proporciona-vos sexo louco?
3. Faz-vos o pequeno-almoço?
4. Fica à vossa espera, estoicamente, nos provadores das lojas enquanto experimentam mil roupas, diz que gosta de tudo, e no fim aceita que não levem nada?
5. Conduz o carro quando estão cansados?
6. Vai à farmácia comprar-vos Benuron se vos dói a cabeça?
7. Dá-vos um beijinho de bom dia?
8. Elogia-vos de vez em quando?
9. Faz-vos rir?
10. Dança com vocês?

A resposta a estas perguntas - a menos que tenham tomado alucinogénios - é pelo menos oito redondos NÃO. Admito que os vossos queridos animais vos façam rir e até saltitem ao som da música. Tudo o resto, NÃO. Por isso, quero alertar novamente a população frustrada com o sexo oposto: insistam. Procurem. Preferir animais a pessoas não é a solução. E diz-vos isto alguém que é louca por animais.

As minhas unhas

Numa altura em que se discute a instabilidade política do país, decidi abordar hoje outro tema assaz preocupante: o futuro das unhas das mulheres. Ok, talvez a escala de preocupação seja diferente: este tema é internacional e não se restringe ao país, como o primeiro.* Estava a ler este blog - que descobri recentemente -, e percebi que finalmente podemos estar (literalmente) em boas mãos. Isto porque, de acordo com a imprensa especializada, Peter Philips abandonou a liderança, após cinco anos, enquanto Director Criativo da Chanel Make-Up. E se o mundo da moda chora a sua saída - que é feito do do Particulière, do Jade, do Mimosa? - eu, feliz defensora das unhas mais naturais, feliz defensora do fim da escravatura "unhal" e da opressão das limas, alegro-me um pouco. Como podemos verificar nesta campanha mais recente da marca (retirada do referido blog), a verdade é que parece que as unhas respiraram de alívio e aparecem, por fim, livres e sem vernizes.
Sei que se trata de algo de que poucos gostarão, mas quanto a mim sempre preferi unhas mais discretas, sem acrílicos, sem terem meio metro de comprimento, sem cores berrantes (a não ser no Verão), sem brihantes, sem desenhos, sem grandes confusões. A verdade é que não tenho jeito nenhum para arranjar unhas, odeio o cheiro que fica na lima após limarmos a unha, e acho um bocado anti-higiénico usar as unhas demasiado compridas - imagino imensa porcaria a viver alegremente debaixo das garras -, além de ser pouco prático. Prefiro a manicure francesa, hoje e sempre. Gosto também dum branco, dum rosa claro, dum preto a contrastar com roupa formal, gosto de cinza e cappuccino. Aceito um laranja/ framboesa no verão. Ou um azul petróleo uma vez ou outra. Até aguento um azul Tiffany ou um amarelo claro se agarrado às unhas vive alguém com estilo. Mas a banalização do arco-íris nas unhas acabou por tornar-se, ultimamente, assustadora. Tem sido usada para o mal, por tudo o que é pimbalhada. E, comigo, funcionou como um back to the basics. Deixei de aceitar qualquer verniz que não fosse a clássica manicure francesa desde há mais de um ano. E, no dia a dia, ando com as unhas sempre ao natural.

A diferença é que, até aqui, passava por empregada de limpeza com as unhas assim sem nada. Após esta campanha, já posso dizer: "as minhas unhas? São Chanel!!". ;) E desse lado, como gostam das unhas?

*Esta parte é a brincar, calma. Mas sinceramente apeteceu-me não abordar temas muito sérios, hoje. Devo estar em modo negação...

terça-feira, 2 de julho de 2013

... trancas nas portas

Já dizia o ditado: "depois de casa roubada, trancas na porta". Continuando a fazer uso deste provérbio popular, após recentes assaltos, tentou-se encontrar a solução e reinstalar a segurança e estabilidade na casa, recorrendo a portas, medidas de austeridade, contenção e outros conceitos repetidos e aplicados até à exaustão todos os dias. Infelizmente, parece que as próprias Portas se demitiram do papel. O que virá a seguir? Ninguém quer ser uma nova Grécia... Espero com ansiedade o desenvolvimento dos próximos dias.

Eu sei que já disse que não queria falar muitas vezes de política aqui, mas de vez em quando é mais forte que eu. Como hoje.

Guião para um filme a dois

Somos constantemente bombardeados com casais apaixonados, seja em qualquer anúncio televisivo, seja nos filmes, seja nas redes sociais, seja em vídeos no Youtube, seja até em livros e músicas. O romantismo persegue-nos. As viagens paradisíacas. Os presentes caros e maravilhosos. As surpresas hollywoodescas. Os gestos grandiosos. Os filmes sempre com um grand finale. É vê-los correr atrás dum avião para o impedir que levante voo e leve para sempre a sua amada. É vê-los comprar anéis da Tiffany a cada semana (eu tive um uma vez na vida, já não me queixo), sapatos com a tão ansiada sola vermelha, é vê-los reservar restaurantes inteiros só para poderem jantar os dois, é vê-los pedi-la em casamento no meio duma banda filarmónica a cantar a música preferida dela... Os exemplos não acabam. Tudo o que nos rodeia nos impinge romantismo. A vida a dois tem que ser romântica. Maravilhosa. Única. Sem o mínimo esforço. Tem que ser um sonho diário. Mas... e se não for?

E se, em casa, ele começar a resmungar, porque o dinheiro nunca chega para nada? E se ela começar a gritar que ele se tornou um desleixado? E se discutem por tudo e por nada? E se começam a fazer amor uma vez por mês, apenas, porque subitamente nenhum dos dois sente grande desejo? E se, de repente, ela chora de cada vez que vê um filme com o Richard Gere e sonha com o dia em que ele irá resgatá-la vestido de "Oficial e Cavalheiro"? Algo está mal. Acontece que esse mal não é irreversível.

O assunto não é novo, mas lembro-me dele recorrentemente. Ou porque o telefone toca e uma amiga se sente triste. Ou porque me enviam um vídeo do youtube com o maior pedido de casamento de sempre. É que estas últimas imagens estão tão distantes da realidade, do dia-a-dia, que basicamente era impossível não haver consequências.
- Ele já não me trata bem. Eu estava mal e ele nem perguntou se precisava de alguma coisa.
- Mas queixaste-te? Pediste ajuda?
- Não. Mas ele tem que perguntar na mesma. Se gostar de mim, preocupa-se
A verdade é que nos filmes nada se passa assim. Nos filmes, eles antecipam-se. Mais: nos filmes, eles já teriam composto uma música romântica a pensar em nós, a explicar o quanto nos amam e o medo que têm de nos perder enquanto nós tomávamos um Benuron. Nos filmes, a dor de cabeça passaria logo e sairíamos disparados de casa num descapotável, cabelos ao vento, em direcção ao pôr-do-sol. Só que na realidade temos que dizer com todas as letras: "ouve lá, dói-me a cabeça. Vais à farmácia comigo? E preciso mesmo de mimos, estou carente". Na realidade, temos que escrever o guião todos os dias e dar-lhe muitas vezes a parte dele para ele ler. Outras vezes, vamos esquecer-nos da fala certa e dizer asneiras. Vamos tentar apagar o diálogo e reescrevê-lo. Vamos repetir cenas. Vamos apagar folhas do guião de que não gostámos. Vamos treinar outra vez. Na realidade, o guião pode ser o que quisermos. Temos é que nos empenhar em escrevê-lo a dois.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Manda-me uma carta. Mandas?

O diálogo que se segue é pura ficção e não me envolveu.
Ok. O diálogo que se segue é baseado em factos verídicos. Passa-se num café e envolve uma jovem adulta indeterminada e uma criança indeterminada também que a aborda, como só as crianças sabem fazer - a despropósito, sem motivo nenhum.
Pronto, apanharam-me: o diálogo que se segue aconteceu mesmo comigo no Sábado, com um rapaz muito simpático que veio meter conversa comigo e que, no final, me partiu o coração.

- Olá! Sabes como é que eu me chamo?
- Não... Queres que adivinhe?
- Sim.
- Pedro? João? António? Rui? Bernardo?
- Não. Chamo-me Carlos.
- Olá, Carlos. Tens o nome duma das histórias portuguesas de que mais gosto - os Maias.
- Eu gosto do meu nome.
- E fazes muito bem em gostar. E de ler, também gostas?
(Conversa sobre trivialidades durante uns minutos... Até que a mãe dele o chama e o final da conversa se precipita.)
- Olha, mandas-me uma carta?
- Queres uma carta minha?
- Sim!
- Oh que querido. Mando, claro. Adoro escrever. Costumo escrever muito, sabes? Estou sempre a pensar em histórias e no trabalho também tenho que passar o dia a escrever. Além disso, adoro escrever e receber cartas. Claro que te escrevo! Vou adorar escrever-te.
- Está bem. Mandas uma carta?
- Sim. Vou já pensar no que vou escrever.
- Não... Não tens que escrever. Só quero a carta. Eu gosto de cartas.
(A mãe junta-se à conversa)
- Olá! Desculpe. Ele está a maçá-la a pedir cartas? Não ligue... é que ele colecciona envelopes. Pede isso a toda a gente.
- Ah...

Os meus primeiros calções

Há umas semanas, aproveitei os primeiros saldos (ou vendas privadas, como chamaram) do El Corte Ingles para comprar as primeiras peças do Verão com desconto. Dei um salto à French Connection e comprei os primeiros calções que me lembro de ter comprado desde que entrei na idade adulta. E não estou a exagerar: não usava calções sem ser na praia desde que tinha 15 ou 16 anos. Sempre achei que não me favoreciam, só gostava de ver nas outras mulheres, não em mim. No entanto, desta vez, vi uns calções azuis escuros não demasiado curtos (são um pouco acima do joelho), com um toque suave, sedosos, um pouco largos, com bolsos e o pormenor engraçado de ter uma fita comprida à frente para se fazer um laço. Pareceram-me femininos, elegantes e com classe. Decidi experimentar. E não é que gostei? Gostei tanto que até me deu até vontade de os usar para trabalhar, com uma camisa e um blazer, apesar de ainda não ter decidido se será apropriado ou não. São estes os calções:
Fiquei tão contente por ter gostado de me ver de calções - essa peça de roupa que associava a miúdas mais novas ou mulheres magras com 1,80m - que não resisti a experimentar outros. Estes mais justos, curtos e em pele:
E não é que também gostei? Não sei se é por me ter habituado a ver toda a gente de calções, hoje em dia, não sei se é porque a luz daquele provador deixa qualquer corpo sem imperfeições, não sei se são as corridas finalmente a mostrar algum resultado... A verdade é que odiava ver-me de calções e acabei por vir com dois para casa. Uns espero usar em mil e uma ocasiões. Os últimos parecem-me mais apropriados para a noite. Agora é esperar pelos saldos da Zara. Ando de olho em dois vestidos, umas calças, um colete branco lindíssimo e umas sandálias pretas que não param de me piscar os olhos, as marotas . Se conseguir comprar nos saldos, depois mostro. E por aí, já se perderam nalguma loja? Contem-me tudo.

Engate morto à nascença

Conheces de vista dos tempos de liceu. Trocaram não mais de duas palavras na altura, mas parecia bastante simpático. Adiciona-te no Facebook. Reparas que têm dez mil amigos em comum. Pensas "vou aceitá-lo, parece querido". Aceitas o pedido. Acto contínuo, vem falar contigo.
- Olá! Lembras-te de mim? Andámos juntos na escola.
- Olá! Lembro... Tudo bem?
- Sim, obrigado. Enviei-te um pedido de amizade, porque sei que tiraste Gestão/ Economia/ Contabilidade/___, não foi? (preencher com curso em questão)
- Sim.
- Por vezes gosto de trocar impressões ou tirar dúvidas com pessoas que percebem da matéria.
- O que fazes?
- Sou ____ (preencher com profissão em questão). Sinto-me deveras realizado. Ainda que às vezes seja um pouco ingrato. As preocupações são diversas e a vários níveis. No entanto, não trocaria por nenhuma outra profissão
- Pois.
Ouvem-se os grilos.

Uma dica: se quiserem engatar (ou até fazer amizade com alguém) NÃO:
1. Falem logo de trabalho;
2- Usem logo palavras demasiado caras;
3- Tentem ser demasiado formais/ profissionais... é o Facebook, não é uma sala de reuniões!;
4- Recorram logo ao modo verbal condicional;
5- Usem mil palavras para não dizer nada.

sábado, 29 de junho de 2013

Dia de corridas

Hoje é dia de espreitar as corridas. Alguém gosta? Não percebo muito de carros, mas gosto de ver a azáfama dos pilotos, a adrenalina da troca dos condutores... Só mudava este calor insuportável!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

De certeza que ela é boa na cama

Podemos negá-lo. Podemos jurar a pés juntos que não somos. Podemos mandar imprimir cartazes e panfletos e organizar uma campanha a nível nacional, com direito a declarações para o País em directo no Telejornal das 20h. Podemos mandar uma avioneta dar umas voltas junto da Casa dos Segredos, com um flyer com dizeres cor-de-rosa: "NÃO SOU PRECONCEITUOSO". Podemos fazer o que for preciso. Na hora "H" poucos conseguem realmente demonstrar que NÃO são preconceituosos. 94,87% das pessoas é preconceituosa, a dada altura da sua vida, de acordo com um estudo elaborado agora mesmo por mim.

Pois então estava eu a almoçar com um colega dito não preconceituoso, quando passa um casal de namorados completamente desproporcional: ele lindo de morrer e ela bastante abaixo da média da beleza nacional feminina, digamos assim. Comento eu, a brincar com ele:
- O que achas que ele terá visto nela?
- Oh é fácil. É boa na cama! De certeza.
- Tão redutor assim? É boa na cama e pronto?
- Sim. Isso chega.
- Não acredito. Se fosse só isso, não namorava. Encontrava-se só com ela num quarto escuro, fechava as cortinas e nunca saía com ela à luz do dia. Muito menos lhe dava a mão em público. Se fosse só isso...
- Mas é só isso de certeza. É o que interessa aos homens.
- Então e não pode simplesmente ser boa pessoa? Amiga do amigo? Simpática? Inteligente? Divertida? Culta? Viajada? Amorosa com ele?
- Pode ser isso tudo. Mas tem que ser boa na cama para compensar não ser gira. Além disso, as feias costumam ser. Esforçam-se mais, para compensar o resto.
- Mas para isso era só amiga colorida. Se namora, tem que ter mais qualidades.
- Não, se ele namora com ela é porque ela é mesmo boa.
E vejam bem: isto é um diálogo com uma pessoa não preconceituosa, repito. ;)

Será afinal assim tão redutor? Uma mulher tem que ser atraente fisicamente e/ou boa na cama? Andamos enganadas estes anos todas preocupadas com o sentido de humor, cultura, simpatia, inteligência?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um cantinho feliz, longe de tudo

Como contei aqui, armei-me, há semanas, em organizadora de viagens e planeei dois dias numa casa de turismo rural, longe de tudo... mas com tudo: piscina exterior, interior, ginásio, banho turco, court de ténis, grande varanda no quarto e onde até aceitavam cães sem ser preciso pagar mais por isso. Não achei caro e era numa zona que nenhum de nós conhecia bem: Amares, perto de Braga. Conheço bem o Gerês, é uma zona que adoro e regresso sempre que posso, mas os arredores estavam por conhecer, por isso decidimos viajar à descoberta dessa zona. Devo apenas acrescentar que não fui com ideias de fazer grande reportagem fotográfica, mas sim descansar, por isso as fotografias que vou mostrar de seguida estão fraquinhas: foram tiradas com telemóvel e sem grande critério. De qualquer maneira, pediram-me para falar mais do tal sítio e prometi que o fazia, aqui vai.

Antes de mais, chama-se Quinta Vale do Homem. Descobri no booking, liguei para lá a marcar, avisei que íamos chegar por volta das 21h e a menina que me atendeu perguntou-me de forma simpática se queríamos jantar na varanda, porque trabalhavam com um restaurante que lhes faziam as refeições. "Siiiim!", deve ter sido a minha resposta eufórica. Acrescentou-me que a piscina interior ficava aberta até às 21h30, por isso ainda podíamos dar um mergulho antes do jantar. Foi tudo perfeito. Despedimo-nos da cidade, rumámos para a calma e a tranquilidade. Pousámos as malas. Mergulhámos naquelas águas quentes. Nadámos. Deixámos todo o stress da semana para trás. Depois, fomos para a varanda, onde nos esperava o jantar posto à luz das velas e o som dos grilos ao longe. No dia seguinte, ao pequeno-almoço tínhamos tudo preparado e o pormenor dos jornais do dia à nossa espera. Não podia pedir mais. Apanhámos sol, nadámos, jogámos ténis, matei saudades de andar de baloiço (há uma criança dentro de mim), passeámos nos arredores, apanhámos framboesas e rejuvenescemos dez anos. No fim, ainda tivemos direito a um presente: doce da casa. E não ficou nem um bocadinho para contar a história, devo acrescentar. Já foi todo! Se estiverem a precisar de descanso e quiserem viajar até essa zona (quem sabe depois dar até um salto ao Gerês), aconselho.

Deixo aqui o (pobre) relato fotográfico:
Ainda na cidade, percebi que algo de errado se passava: eu ainda estava a usar collants opacos.
A verdade é que, se na véspera tinha chovido, nesse dia estava finalmente SOL.
E eu não queria vê-lo só de dentro do meu carro. Queria aproveitar o Verão que tinha finalmente chegado!
Pesquisei na net por hotéis giros e baratinhos e dei de caras com esta imagem associada à tal casa de turismo rural.
E ainda com esta. Dizia que era junto ao Rio Homem, lá para os lados de Amares.
Parecia amorosa e não ultrapassava o meu orçamento. Não procurei mais.
Fizemo-nos à estrada. Quando chegámos, tínhamos isto à nossa espera. Água bem quentinha e só para nós.
O único senão foi que "alguém" teve que ficar de fora...
( Bem, pelo menos, esta é a nossa versão oficial. Acham que resistíamos àquele ar triste...? ;) )
No final, o tal jantar na varanda à luz das velas. E ao luar. Maior cliché é impossível.
Mas sabem que mais? Adorei.
No dia seguinte, o tempo estava fenomenal e não corria uma ponta de vento.
"Água que se faz tarde".
E não estávamos sozinhos! Havia um peixe-cão no pedaço.
(e aqui, sim, a versão oficial também é essa, porque deixavam entrar cães na água)
Dei depois uma de Michelle a derrotar a Sharapova. (ou tentei)
Armei-me em criança.
Apanhei framboesas.
Encontrei recantos que pareciam saídos dos contos de fadas.
(A foto não faz justiça - eu avisei)
E pusemos as leituras em dia. Até cairmos para o lado, de cansaço por um dia tão preenchido.

O mocho que queria ser cotovia

Dizem (ao que parece, começou tudo com um estudo da Universidade da Pensilvânia) que a humanidade se divide, dependendo das horas em que nos sentimos com mais energia e motivação, entre Cotovias e Mochos. Os primeiros acordam e saltam da cama mal os raios de sol surgem no horizonte. Gritam os "bons dias" com um sorriso de orelha a orelha, despacham-se logo cheios de energia e são os primeiros a chegar ao trabalho; são os primeiros a acordar os amigos nas férias; e são aqueles que se cruzam com os vizinhos, ao fim-de-semana, já de roupa desportiva, depois de uma hora de corrida, quando aqueles estão ainda a passear o cão contrariados, apenas com um olho aberto. Têm tanta energia que às vezes podem tornar-se irritantes para os Mochos. E quem são os Mochos? Os Mochos são aqueles que, depois duma manhã em que mal falam, em que só os vemos correr para a máquina de café de hora a hora, agarrados à chávena como se de uma tábua de salvação se tratasse, começam a dar um arzinho de si no final da manhã. Subitamente, percebem uma piada. Mais: a dada altura já mandam uma piada também! Vão almoçar, regressam para o trabalho e, a partir das 16h, é vê-los renascer, qual Fénix. De repente, a velocidade com que se atiram às teclas do computador torna-se um espectáculo digno de se ver, começam a correr escritório fora, fazem telefonemas, escrevem emails, marcam reuniões, colocam dúvidas, começam a suspirar com o stress.... e assim se mantêm até tarde. Os Mochos são sempre os últimos a abandonar o escritório. Nas férias, são aqueles que nunca querem ir para casa no fim da noite, têm sempre energia. E são conhecidos, na vizinhança, por, aos fins-de-semana ligaram a música tardíssimo e fazerem festas depois da hora permitida pelo condomínio.

Ora, e onde me encaixo eu? Eu sou um Mocho que quer ser Cotovia. Comecei, depois da faculdade, a tentar acordar cedo. E até acho que tenho bom acordar. Sorrio logo, gosto de ter música, digo "bom dia" sem problemas e tenho alguma energia. O problema é que, apesar de tudo, sempre senti que tinha um pico de energia à tarde/ noite e não de manhã. À tarde é quando começo a stressar no trabalho. É quando quero fazer os telefonemas todos. Quando mando os emails importantes. Quando tiro as dúvidas. Em casa, é à noite que gosto de arrumar tudo. É à noite que tenho mais energia se vou correr. Nas férias, sou a tal que nunca quer ir para casa. Por isso, percebi hoje, a falar com uma colega, que sou, definitivamente um Mocho. Não adianta tentar disfarçar e mascarar-me de Cotovia. A minha colega gosta de acordar às 7h. E começar a trabalhar às 8h! Eu nunca fui assim. Ela gosta de se deitar às 22h. Eu? Jamais. Assim sendo, eu Mocho me apresento. Há muitos irmãos por aí? ;)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Eu era tão mais interessante se fosse Sueca

Uma amiga minha emigrou há uns anos. Perdeu-se de amores por um Sueco, ainda tentaram adiar a paixão, ainda perderam horas em viagens para cima e para baixo - ele cá, ela lá, eles os dois cá, eles os dois lá - mas a dada altura tiveram que decidir onde viver. Tinham que decidir qual seria o palco para o seu futuro a dois. Portugal, com o seu calor, praias maravilhosas, boa comida, mas pouco emprego? Ou a Suécia, com o seu frio, estâncias de ski, paisagem plana óptima para andar de bicicleta, emprego para todos e óptimas condições sociais? Ganhou a Suécia. Desde então, foi engraçado assistir à "suecialização" da minha amiga. Primeiro, a língua. Passado uns meses, quando nos veio visitar, já falava bastante com o namorado em Sueco. Para mim, era como se se tivesse entalado com uma espinha na garganta e estivesse a cuspir um "socorro" entredentes, mas pela forma como ele acenava em concordância e respondia de volta, pelos vistos, era afinal ela a dominar a língua trazida pelos Vikings, por isso optei por não chamar o INEM e simplesmente acenar também. Depois, começaram os próprios hábitos. Era vê-la a falar da bicicleta com que ia para todo o lado. Era vê-la a comer coisas esquisitas. Era vê-la a falar dos vizinhos e dos lanches que faziam, qual comunidade. Até que até o apelido mudou. Teve filhos loiros e Suecos. Ficou um ano em casa, a receber 80% ou 90% do salário que tinha, depois de cada parto. E, hoje em dia, a minha amiga converteu-se totalmente e já não há ponta de portugalidade naquele ADN.

Há uns dias, constatei que há muito não tinha notícias dela. E, antes de lhe escrever, como somos amigas do Facebook, fui espreitar o perfil dela, na esperança de me actualizar quanto à sua vida. Apareceram-me várias mensagens escritas pelo marido em Sueco. Uns "kjcdkh regcejhrbg drjhbg kdjs" cheios de pontinhos em cima. Ainda tentei ler de trás para frente, para ver se era português escrito ao contrário, mas não - eram mesmo várias palavras imperceptíveis, enigmáticas, cheias de dramatismo. E ele não parava - "jdgjsweejrrtwjjzz", "kejxelmkjcngkjewaejl!". Aquilo não me estava a soar bem. Algo muito estranho estava a acontecer. Fiz copy paste. Fui ao Google Tradutor. Tinha que decifrar aquilo. Preparei-me para tudo. Resultado? "Melhor que o assado estava a sobremesa! Nem imaginávamos o que íamos ter a seguir. Que bela surpresa." Fiquei frustrada. Aquilo era a falar de comida? Ia jurar que era algo sábio, enigmático, qual ensinamento de vida. Noutra vida quero nascer Sueca. Vou ser tão mais interessante! (Além de loira e de fartas mamas).*


*Não adianta dizerem "mas nesse caso os teus amigos vão ser suecos, logo isso não faz sentido". Ou "não existe reencarnação". Ou até "esquece, nunca hás-de ser interessante, nem a falar urdu". Não adianta. O blog é meu e posso sonhar à vontade, aqui. :p

terça-feira, 25 de junho de 2013

Pernas para que te quero

Tenho que confessar uma coisa: sou uma pessoa de pernas. Adoro pernas. Sou fã de pernas. Por muito estranho que soe, é a mais pura verdade: aprecio umas pernas bonitas, tanto em homens como mulheres, apesar de raramente considerar que determinadas pernas estão "au point". Ou são demasiado trabalhadas. Ou demasiado magras. Ou são demasiado "ossudas". Ou demasiado "rechonchudinhas" (aqui, entram as minhas). Mas quando são bonitas, adoro observar. Talvez por ter tido um acidente de mota há anos, em que fracturei a perna, passei a reparar mais. Irónico, não? E tenho reparado no ginásio que a maioria das pessoas se preocupa mais com braços. É ver homens excitados porque levantam mais pesos que o amigo do lado. É ver homens aos gritos, quais neandartais, aos saltos, a fazer flexões na barra. É ver homens a babarem-se perante o próprio reflexo no espelho, a analisarem com orgulho cada músculo do braço em contracção. Sendo que depois, olhamos para baixo, para os mesmos homens, e têm umas perninhas de alfinete. Menos, homens. Menos.

Não sei se concordam comigo, mas prefiro um homem mais proporcionado, com braços menos inchados e pernas mais delineadas, qual David, do Miguel Ângelo. Tal como gosto de ver mulheres com os gémeos ligeiramente definidos. E vocês, são pessoas de quê? O que reparam mais nos outros? Vá, esqueçam a personalidade ou o sorriso. Quero apenas as partes do corpo que, por norma, mais vos chamam a atenção. ;)

Adoro quando isto acontece

Passei o dia de ontem a pedir aos céus para que uma reunião que tinha hoje bem cedo e bem loooonge não se realizasse. Como não tinha qualquer sinal de volta, passei depois também o início da noite a pensar em desculpas para não ir. De facto, o tema que íamos discutir está atrasado e não estava com paciência para o assunto, sinceramente. Às 8h da manhã, com o despertador a tocar, toca também o sinal de email no telemóvel. Fui ler: "desculpe, mas blá blá blá, a reunião vai ter que ser adiada". Claro que desculpei. Logo na hora.

Adoro quando alguém se antecipa com uma desculpa. Sabe tão bem dizer "Não há problema, compreendo perfeitaaaaamente. Não se preoooocupe", qual boa samaritana super compreensiva. O que, nas entrelinhas, é dizer "ouve lá, não te apeteceu ir à reunião, tal como a mim não apetecia. Mas obrigada por te teres chegado à frente". Adoro ser o lado compreensivo da questão.