Acontece que a minha amiga "suecializada" voltou. E ontem foi o jantar do reencontro. Como até já chegou há uns dias a Portugal, tem ido até à praia, tem apanhado sol... Tem também corrido, feito desporto... A nós juntou-se a E. A E. também já esteve de férias, já apanhou imenso sol, anda sempre cheia de estilo e saltos mega altos. E as estas brasas juntou-se... Me! Lá fui eu saída do trabalho, branquinha porque ainda não apanhei sol, com sabrinas calçadas, e cabelo apanhado numa trança que me pareceu profissional e fresca de manhã... Jantámos, pusemos a conversa em dia, contámos peripécias, actualizámo-nos... No fim, as obrigatórias fotografias. Alinhámo-nos direitinhas, costas direitas, barriga para dentro, peito para fora, sorriso rasgado, encostámos as cabeças umas às outras. O típico. Depois disso, mais duas de conversa e despedimo-nos. Foi cada uma embora. Foi um jantar bonito, por isso fui para casa com o coração mais preenchido.
Já em casa, fui espreitar as nossas fotos ao telemóvel. Elas estavam lindas. Morenas, boazonas. Eu mais raquiticazinha, com um decote bem mais humilde, um sorriso mais de menina a contrastar com o ar de mulherões delas. Até que, subitamente, pensei no que os meus amigos sempre me disseram: "todos os grupos de mulher têm uma feia". E comecei a rir-me sozinha. "Queres ver que nunca detectei a feia, porque a feia era eu?". Ri-me com vontade. Não vou estar com falsas modéstias - acho-me até gira, mas a verdade é que naquele momento, a ver aquelas fotos, senti-me o tal "elemento a mais na imagem". Talvez esse elemento seja afinal cada uma de nós, pois cada uma se sente de vez em quando o patinho feio do sítio. Ontem fui eu. Amanhã é, quem sabe, a E. Depois a "sueca". Depois outra. Será que o elemento feio pode, afinal, ir alternando? E pode estar só na cabeça de cada uma de nós? Parece-me que sim. E prefiro acreditar nisso a acreditar na teoria dos meus amigos.








