terça-feira, 13 de agosto de 2013

Humor masculino

Ele diz-me muitas vezes que sou um bocado palhaça. E tanto o repetiu que passei a identificar os momentos em que vai dizê-lo ou está a pensar nisso. Às vezes estou a dançar, ou a cantar, ou a rir-me demasiado de algo, e deparo-me com o olhar dele que diz tudo - "és tão palhaça". Já não é preciso dizer-me as palavras, já conheço o olhar. Mas não me importo, porque acho que o diz com carinho. Estes dias, no entanto, o espectáculo circense parece ter-se invertido, e passei a ser apenas espectadora. Primeiro, comecei a ouvi-lo a entoar, por todo o lado, com ar de puto que vai fazer asneiras, a música inicial do "2001 Odisseia no Espaço" (aqui). Depois comecei a ouvi-lo a rir-se às gargalhadas de vez em quando, sozinho no sofá. Mas às gargalhadas mesmo!
- De que te ris tanto?
- Deste anúncio da Benfica Tv?
- Mas não tem piada nenhuma.
- Tu é que não viste o anúncio desde o início. Tem, tem. Está demais.
- É uma mulher à procura do comando da televisão....
- Pois... Mas não viste porque é que desapareceu.

Ontem finalmente vi o anúncio desde o início. E apenas sorri. Ok, percebi a ideia. Mas não é hilariante-hilariante. Certo...? Por isso, concluo que, das duas, três:
1. Ou é um humor apenas masculino, e por isso não entendo;
2. Ou os homens riem-se apenas porque está relacionado com o futebol, e tudo o que tem bolas põe-nos meios descontrolados;
3. Ou estão desejosos de fazer o mesmo (esconder o comando, para controlarem a televisão), e o riso é riso nervoso, riso de desejo intenso.

Socorro, estou a ser seguida!

Ontem foi dia de regressar ao trabalho e também de voltar a tornar a casa habitável, pois depois de duas semanas fora não havia nem uma mísera bolachinha ressequida para trincar nos armários. Ora, sendo eu uma pessoa de bastante sustento alimentar, tinha que tratar urgentemente da falta de comida no meu lar. Rumei, assim, ao Pingo Doce munida de uma extensa lista de compras que incluía fruta, muita fruta (lembram-se dos batidos que andei a mostrar na página do Facebook? A ideia é continuar a fazer depois das férias...), legumes, carnes, peixes, lacticínios, pão, uns snacks, chocolates, bolachas, gelados, mas também alguns cremes hidratantes (para ver se a pele se mantém macia depois do Verão) e produtos para a casa. O Pingo Doce já estava perto da hora do fecho, por isso não estranhei que o segurança à entrada me olhasse meio de lado.

Peguei no carrinho e comecei a percorrer mentalmente a lista de compras enquanto me dirigia às respectivas prateleiras. Água? Ok. Leite? Ok. Legumes para a sopa? Ok. Filetes de salmão? Ok... E assim andava eu. Até que comecei a reparar que havia uma sombra que me parecia seguir. Espreitei discretamente e era ele - o segurança - que me ia seguindo corredor a corredor. Virei-me e ele desapareceu. Devia ter sido impressão minha! Continuei. Desta vez, a ver onde andaria o gel de banho... Até que sinto novamente a sombra. Atrapalho-me. Deixo cair o gel de banho dentro da minha carteira, que estava aberta com a lista de compras a espreitar para a ir conferindo. Tento tirar de dentro da carteira. "Fogo, agora que estou a ser observada é que dou uma de cleptomaníaca??" Coloco o gel de banho finalmente dentro do carrinho. Decido cheirar outro que está pousado na prateleira, só para comparar e confirmar que não cheira melhor que aquele que escolhi. Abro a tampinha. Salta-me gel de banho para a cara, não sei como. Abro a carteira para tirar um lenço de papel. Sinto o segurança a aproximar-se. Começo a sentir o sangue a subir-me à cara, tal é a vergonha. "Pronto, deve achar que estou a roubar, tal é a minha atrapalhação".

- Minha senhora, desculpe.
- Diga.
- Por acaso o Opel Corsa lá fora estacionado não é seu, pois não?
- Hmm...? Não.
- Ok, desculpe. É que vi uma senhora sair de lá e agora não a estou a encontrar. Está a bloquear a passagem a um autocarro.

Tenho que deixar de fazer tantos filmes. Só somos seguidos nos filmes. Ok, ou no Facebook, Instagram e Twitter. ;)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Esqueci-me de vos contar

Tanto cantei tentei cantar isto (aquele início da música é dificílimo, pelo extenso número de sílabas, ou é impressão minha??) enquanto estive na praia em Porto Côvo, de frente para a Ilha do Pessegueiro, que o universo se uniu para me calar. E o que fez? Colocou-me o próprio Rui Veloso à frente, aqui. Conversávamos nós todos alegremente e escolhíamos as bebidas, quando reparo que o intérprete da música que andava há dias a tentar cantar estava ali sentado. Senti aquilo como um sinal divino para me calar. Senti mesmo. Vi naquela "aparição" uma mensagem pouco subliminar enviada pelo universo de este-é-o-verdadeiro-cantor-e-o-único-que-consegue-cantar-isto-em-condições-por-isso-esquece-a-música-duma-vez-por-todas-e-cala-te-por-favor.

Assim fiz. Desculpa, Rui Veloso. Tão cedo não tornarei a estragar-te a música. Ok? Ah, e obrigada, universo. Mensagem recebida.

O regresso

Hoje foi dia de regressar ao trabalho. Não me custou a acordar, porque dormi tudo o que tinha em atraso no fim-de-semana. Mas confesso que fiz o percurso casa-trabalho com alguma estranheza e nostalgia. Terá sido das ruas quase desertas? Terá sido deste calor asfixiante que se faz sentir? Terá sido por pensar nos emails e cartas que teria à minha espera, todos a aguardarem resposta? Terá sido por encontrar o "meu" cantinho, onde tomo habitualmente o café matinal, fechado e impedindo-me de realizar o ritual matinal do costume? Terá sido por sentir que vivo numa cidade desabitada onde todos fugiram e só eu fiquei esquecida, deixada para trás? Ou serão as saudades que já sinto das férias? Talvez seja tudo. A verdade é que gosto do que faço, mas passo o ano a sonhar com uns dias em que desligarei de tudo e em que não terei horários ou pressões. Passo o ano a sonhar com os dias em que não terei que me sentar em frente a uma secretária, vestida de modo mais formal, e a teclar num computador ou a enfiar o nariz em livros. Preciso de ar puro. Sair dentro das quatro paredes. Andar. Viver o mundo lá fora. E as férias acabam por ser tudo isso... e muito mais. Aii, o que eu admiro quem tem profissões que permitem fazer isso o ano todo...

Entretanto, o meu computador parecia tristonho à minha espera. "Não me levaste de férias? Pensei que nunca me abandonarias... Costumas levar-me sempre!". É verdade. Costumo andar sempre com ele e nem que tenha viagens de avião pelo meio me separo dele. Este ano, no entanto, pensei de mim para mim que estava na altura de começar a fazer tudo com o telemóvel: blog incluído. Não gosto tanto, parece que o pensamento fica mais limitado, mas seria uma forma de viver realmente as férias. Por isso, peço desculpa se o blog andou um pouco parado, com posts mais curtos e escassos, mas a verdade é que usei apenas o telemóvel durante duas semanas, o que limitou a qualidade das fotografias utilizadas, impediu a utilização de links nos posts, sendo que, para mais, nem sempre tinha rede nos sítios em que estava... Esta semana, isto voltará ao normal, fica prometido. Comprometo-me também a partilhar algumas dicas (com fotos) de sítios a visitar que me tenham marcado especialmente, tudo dentro das nossas fronteiras. Uma boa semana para todos!

domingo, 11 de agosto de 2013

Caçar ou ser caçado

Final de férias. Arrumar a casa. Preparar o início da semana e o regresso ao trabalho. Ler as notícias. Actualizar-me. E ver também um filme. Foi assim o dia de hoje. Quanto ao filme, a escolha recaiu sobre "A Caça", que relata o poder da palavra, a forma exagerada e irracional como por vezes se lida com as histórias das crianças e a força que um boato ou uma suspeita podem ter na sociedade. Um professor é acusado de ter abusado sexualmente de uma criança e é julgado por toda a população, sem mais provas. Não é assim que acontece também cá fora da televisão?... O filme pode não ser brilhante, mas dá que pensar... E prendeu-me do início ao fim.

sábado, 10 de agosto de 2013

Saudade, essa palavra

Já devem ter reparado: falo muito nas saudades. Sempre fui assim, muito agarrada aos momentos, muito possessiva em relação a eles ao ponto de não querer abrir mão deles,
dos bons momentos, quando estou a gostar e sei que brevemente vão ter um fim. Com as férias, passa-se sempre o mesmo: tento vivê-las intensamente, da forma mais preenchida que conseguir... Mas nada nem ninguém arranjou ainda a fórmula secreta para fazer parar o tempo, por isso elas lá arranjam forma de terminar, as malandras. Amanhã é o dia de me despedir de mais duas semanas de férias. E já estou aqui com o coração pequenino. Muito pequenino. A viver já cada momento como se fosse uma senhora de oitenta anos a lembrar-se da sua juventude longínqua. Maldita nostalgia. Maldita saudade que me está tão nos genes que não me deixa mentir quanto à nacionalidade. Mas foram umas férias maravilhosas. E isso já ninguém me tira. E sempre dentro das fronteiras, a percorrer a costa do Algarve e do Alentejo. Nosso rico país, que tanto me fez feliz. (até já rimo, ao que isto chegou)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sai uma arca frigorífica para a mesa 2

Acontece-me taaantas (demasiadas?) vezes: uma vontade enorme, gigante, incontrolável de congelar certos momentos, sensações ou imagens. Lembro-me das primeiras vezes em que o fiz: olhar para os meus pais num final de dia de praia (as nossas recordações de família sempre tiveram muita praia como cenário de fundo), vê-los dourados do sol, com o branco dos olhos ainda mais branco e o branco dos dentes em sorriso a dominar as suas caras, e pensar "quero que isto dure para sempre, esta juventude e alegria deles". Os anos passaram, algumas rugas vieram assinalar a passagem do tempo, mas felizmente a juventude é acima de tudo um estado de espírito e continuo a reviver imagens como esta muitas vezes. Depois aconteceu com a minha irmã: vê-la pequenina, toda ela gargalhadas e piadas precoces, olhinhos rasgados de chinezinha e uma voz doce, doce, ficar a fitá-la atentamente e a tirar fotografias imaginárias para guardar nos confins da minha memória - "não cresças, gosto de ti pequenina a encaixar tão bem nos meus abraços, com esses olhos de chinezinha que parecem admirar-me". O olhar dos irmãos novos é um olhar que pede protecção, ensinamento e é um olhar de confiança plena. Eu queria guardá-lo para mim. Mais tarde, foi o primeiro beijo. Lembro-me de o viver com a certeza da importância que aquele
momento teria para sempre na minha vida. Lembro-me de o viver em constantes flashs mentais, a tentar congelar tudo: a boca que não a minha a aproximar-se, o calor, o primeiro toque, as pernas a tremerem, o sentir algo húmido a tocar os meus lábios ("que
nojo!"), o não gostar em confronto com o "isto é suposto ser bom, não desistas", o gostar logo a seguir, o calor a subir à cabeça, a chuva a cair, o frio nas mãos. Depois, lembro-me do primeiro dia na faculdade, a sensação de ser adulta e ter que decorar tudo o que vivesse no primeiro dia - decorei. Decorei os cheiros, as cores, a confiança que sentia, e até o vermelho que encontrei a vaguear com o olhar pelo chão. "Sapatos vermelhos? Temos mulher confiante". Era a E. Conquistou-me com a cor, manteve-se amiga por tudo o resto.

Nestas férias, tenho sentido novamente essa necessidade de congelar tudo, como se soubesse que uma nova fase se aproxima. Têm sido os os sorrisos que vejo. Esta calma tão tranquilizante que sinto e que já não sentia há muito. Os banhos no mar ("vamos tirar tudo?") e a sensação de me perder do mundo. Os raios do sol a passearem negligentemente por mim. As rodas na praia. Os copos de vinho e o calor. As novas paisagens. O dar as mãos como duas crianças. Os amigos que contam confidências e fazem rir, porque afinal somos todos iguais e nem sabíamos. Os planos de futuro. Os sonhos. E a tranquilidade. Mas sei que isto vai mudar em breve. Sei, com uma certeza que eu própria não compreendo. Sei que  em breve vou ter saudades destas férias.
Muitas. Desta calma e doce acordar. Até lá, resta-me aproveitar cada momento que ainda falta.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Alentejo report

Depois duma semana pelo Algarve, com direito a um salto a Espanha para comer um marisco e tapas, e passagem por praias como Altura, Praia Verde, Manta Rota (desencontrei-me do nosso querido PM, que terá chegado apenas no dia seguinte - atrasou-se, o malandro), Vale do Lobo, Açoteias, Santa Eulália e ainda Praia do Carvalho (que belos gelados no Carvoeiro, sonho durante o ano com aquela bolacha), a semana seguinte tem sido passada a percorrer a Costa Vicentina.

Começámos por conhecer melhor Vila Nova de Milfontes, com jantar na Tasca do Celso (que bela açorda de camarão, Senhor Celso!) que de "tasca" só tem o nome. Foi também lá, numa casinha muiito querida, que ficámos a dormir.

Seguiu-se Odeceixe, de que já tinha muitas saudades, com a sua praia maravilhosa onde o rio desagua, e o Bar da Praia que traz tãaaaao boas recordações dumas férias muito muito felizes. Infelizmente, os mojitos que me lembrava de ali beber há cinco anos não estão iguais (pioraram tanto...), mas tudo o resto (as tostas, os pasteis de nata, a simpatia do dono e a vista, por exemplo) sim. Por aquelas ruas muito me perdi, já, e tinha saudades de me perder novamente.

Depois, foi a vez de ir até Zambujeira do Mar e Azenha do Mar. A ideia inicial até era dar um salto ao restaurante com o nome da última para relembrar ao estômago a satisfação que já sentiu com aquele arroz de marisco, e até ponderámos ir ouvir Avicii ao Sudoeste ontem, mas o excesso de gente no primeiro e a falta de tempo no segundo caso fizeram-nos abortar o plano. 

Seguiu-se Porto Côvo e a famosa Ilha do Pessegueiro, cujo nome, cantado em melodia pelo Rui Veloso, não me saía nunca da cabeça enquanto lá estive ("haaaaaviaaa um peeessegueiro na ilha"). Fomos até à Praia dos Buízinhos - linda, linda, linda - e seguiu-se um cherne grelhado almoçado no centro, em restaurante cujo nome não me recordo, mas também não lamento, pois será igual a qualquer outro.

A seguir o carro continuará a subir a Costa... Vou contando as aventuras. Ficam entretanto algumas imagens.
A Costa Vicentina tem das praias mais bonitas do País, não tem?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Estas nossas madrugadas

Acabei ontem de ler o "Madrugada Suja", o novo romance do Miguel Sousa Tavares. Não tenho tido vontade de ler revistas do social e de "fofoquices", estas férias (falta de verdadeiras histórias, cheias de pormenores sórdidos?), por isso voltei-me para os livros. Depois do Mo Yan, andava bastante curiosa por ler este, que já sabia que estava num registo diferente, mais actual e crítico. Confirmou-se - o livro centra-se na vida de Filipe Madruga, actualmente Arquitecto Paisagista numa Câmara Municipal, e na sua família (é contado da perspectiva dele, do pai... e do pai, da mãe, do avô, da avó e até duma outra personagem com que se envolverá) e percorre vários anos. A política começa por ser apenas cenário e enquadramento histórico, mas por fim torna-se ela própria personagem central. Quem será o Dr Luís Morais fora destas páginas? Haverá assim tantas Câmaras Municipais como a de Riogrande? Qual será o Partido Liberal entre nós? Quantos almoços com envelopes recheados de notas a passar debaixo dos garfos haverá? Haverá muitos Comendadores e Joões Diogos?
- Estão cinco mil contos. Não chega para se começar a sentir doente?, foi das minhas frases preferidas.

Aconselho. E dêem-me por favor os vossos palpites a estas respostas no fim,  principalmente quanto ao nosso "Luís Morais" real, ok?

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sabemos que estamos velhos quando...

1. No dia a seguir a andar desalmada na praia a fazer a roda e o pino ("tenho a destreza que tinha com quinze anos, ora vê"), acordo com dores na zona do antebraço. Muitas.

2. Quero provar a mim mesma que sou flexível como sempre, e que faço a espargata de frente em dois segundos sem aquecimento nenhum ("para quê??"), mas oiço um som qualquer dum músculo ou dum ligamento, ou lá o que é... E passo o dia seguinte a andar como uma senhora de noventa anos, em sofrimento silencioso, tal é a vergonha.

3. Acabo uma noite de férias a jogar póquer em vez de ir sair à noite.

4. Estou mais preocupada em pôr protector ao sol que ir logo atirar-me para a água.

É oficial, juventude. Estou velha.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Bendita sejas

Já não consigo viver sem ela. Acordo e preciso logo dela. Adormeço muitas vezes com ela. Passo o dia na companhia dela, a percorrê-la com os meus dedos, sem me cansar. O vício é tal que, quando percebi que podia ter que passar quinze dias sem ela por estar de férias, comecei a sentir logo alguma angústia. A verdade é que já são muitos anos juntas e já não consigo realmente viver sem a companhia dela. O blog também veio piorar esta minha dependência.

Sim: estou a falar da internet. Felizmente, até aqui no Alentejo, na casinha mais amorosa e sossegada de sempre, é disponibilizada wifi e posso vir matar o bichinho logo ao acordar. A informação e o contacto permanente (por email, por exemplo) são um vício. E não consigo já lembrar-me como era a vida antes. Como é que acompanhávamos o trabalho há uns anos atrás estando fora? Como é que partilhávamos fotografias? Como é que líamos notícias de todo o mundo? Como é que escrevíamos? Como é que acompanhávamos família e amigos em tempo real?

Bendita internet... Bendita wifi.

domingo, 4 de agosto de 2013

A pressão

Nunca a tinha sentido. Não a senti para dar o primeiro beijo. Não a senti para namorar. Não a senti antes da primeira vez. Não a senti para casar. Nunca tinha sentido a pressão... Até ontem. E senti a pressão em força para ter filhos.

No baptizado - da filha duma amiga de infância, com quem partilhei tudo desde os 6 anos, menos a maternidade pelos vistos - era praticamente a única sem filhos. De repente, qual vírus implacável, tudo neste grupo de amigos tem filhos. E quem não tinha - nós e mais uns três ou quatro casais - estava de lado a ver os filhos dos outros serem pintados na cara, brincarem com balões, saltarem no insuflável, atirarem-se para a piscina ou brincarem à apanhada. Quem não tinha filhos ouvia os feitos dos filhos dos outros. Ouvia as queixas dos disparates dos filhos dos outros. Ouvia chamar o nome dos filhos dos outros. E ia intercalando com uns copos de vinho, gin ou martini, muito discretamente. Sim, porque no meio de tanta conversa sobre leite e dar de mamar até parecia mal beber outro tipo de bebida descaradamente. Portanto, os não-pais alternavam junto do bar a beber à socapa e a tentar conversar sobre viagens e projectos.

Eu? Não cedi à pressão. Se não posso vencê-los, junto-me a eles. Aos pais? Também, mas estou mesmo a falar das crianças. Não resisti ao insuflável. Afinal ainda sou só filha e não mãe, e o lugar dos filhos pareceu-me ser ali. ;)

sábado, 3 de agosto de 2013

Pausa

Depois de uma semana no Algarve, hoje foi dia de rumarmos a norte bem cedo para o baptizado duma das "sobrinhas". São quase 1200 quilómetros num fim-de-semana, a recuperar ainda da noite de ontem (acho que a água tónica do gin caiu mal), tudo em nome da benção do membro mais recente do grupo. A mãe insistiu que o dress code era informal e que era expectável acabarmos todos na piscina, por isso prevejo uma festa muito abençoada: água benta para a bebé, bebidas para os adultos e, por fim, água da piscina para todos se refrescarem.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Algarve report

1. As relações de vizinhança por aqui são iguais às relações de vizinhança em qualquer outra zona do país: este ano estamos sem piscina no aldeamento, porque um maluco qualquer entendeu que tinha contas a ajustar com o condomínio. Solução? Atirou um químico qualquer para a água como vingança.

2. O tempo continua óptimo como sempre, mas a água parece-me mais fria.

3. As mulheres parecem-me mais magras, em geral, e mais cuidadosas com o corpo. Diria que ultimamente se preocupam mais com a alimentação, em ir ao ginásio, em manter um cabelo bonito e brilhante e menos com a roupa, o que me parece uma clara melhoria.

4. A moda das tatuagens definitivamente não acabou ainda - diria até que ainda estará no auge. Tanta tatuagem... As que mais gosto são as que têm nomes. Às vezes esqueço-me de levar o livro e para a praia sempre me entretenho a ler qualquer coisa, nem que seja a árvore genealógica de alguém.

5. Os taxistas continuam a discriminar os tugas, talvez porque damos menos gorjeta. Ontem ligámos para 3 ou 4 números de companhias de táxis e todos deram desculpas para não nos irem buscar. O único que apanhámos deu a entender que preferia "outros clientes", porque faziam percursos mais longos. 

6. As discotecas andam mais vazias. A moda do botellón, como falei aqui há dois dias, pegou mesmo.

7. Continuam a existir óptimos restaurantes e praias paradisíacas. Mas está tudo cada vez mais caro. O Algarve não é de forma alguma um destino barato.

8. A D. Dolores Aveiro continua com uma família interminável e estamos a um passo de nos tornarmos amigas, tal é a quantidade de vezes que nos temos cruzado e tomado café lado a lado. Só não vi ainda o Cristiano (pai e filho), nem a Irininha.

9. Há vendedores de bolas na praia com jingles mais engraçados que muitos anúncios televisivos. Até dá vontade de comprar só pela originalidade. (Ok, e pela gula)

10. Gosto das bicicletas disponibilizadas um pouco por todo o lado a troco de uma taxa, gosto de ver portugueses e estrangeiros a andarem de bicicleta, como em qualquer outro país europeu.

11. Ainda não estou muito morena, mas tenho ainda uma semana para ganhar uma corzinha. Para já, o essencial é proteger e não largar o protector. Prefiro ser branca e sem rugas ou sinais que preta e ar de oitenta anos. Sim, tenho muito respeitinho pelo sol...

12. Ainda faltam alguns dias de férias. Domingo vamos começar a subir a costa vicentina. Já disse que adoro o nosso país? Depois em Setembro é que podemos sair de Portugal, mas para já vamos ser felizes "cá dentro".

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A seguir entra Agosto

O Quim Barreiros cantava "qual é o melhor dia para casar sem sofrer nenhum desgosto? É o 31 de Julho, porque a seguir entra Agosto". E eu cantava, ria-me e dançava inocentemente. Assumo, sem vergonha, que só percebi a letra há pouco mais de  um ano. Mas adiante...

Agosto começou hoje. E, com ele, uma certa nostalgia já. Porque significa que o Verão já vai a meio. Porque significa que já só tenho mês e meio de Sol e praia (pelo menos é o que dura a época balnear). Há que aproveitar enquanto dura. E tenho aproveitado, sim. Até os dedos ficarem enrugados e terem que me arrancar da água. Até um bikini branco ficar tatuado no meu corpo e o resto ficar moreno. Até o protector solar acabar. As folhas do livro ficarem folheadas. A toalha de praia cheia de sal. As havaianas gastas. As solas das sandálias usadas de tanto dançar. A balança esquecida por uns tempos. E o relógio ignorado enquanto puder.

Esquecendo o lado mais maroto do Quim Barreiros - mas brincando também com as palavras -, espero realmente que este seja um mês bem a gosto de todos nós e sem lugar para desgostos.