terça-feira, 10 de setembro de 2013

Uma família que apenas queria ser como as outras.

Esta é a história de Cecil Gaines e da sua família. E quem é o Cecil? Sabemos que, desde pequeno, se habitou à ideia de que um homem não pode chorar. Sabemos que se habituou a assistir ao seu mundo ruir à sua volta, sem uma única lágrima no seu rosto, sem um único grito. Sabemos que, desde pequeno, se habituou a não depender dos pais e a ser independente. Sabemos que aprendeu a estar numa sala "como se não existisse". Sabemos que, desde pequeno, se habituou a não emitir opiniões, a ser isento, a não se interessar por política, e a refugiar-se no trabalho. E gostamos dele, torcemos por ele ao longo da história, e rejubilamos com o momento em que é convidado para ser mordomo na Casa Branca. Rejubilamos com cada Presidente que passa por ele. E com a forma como também ele passa por eles, quase sem respirar, discreto, gentil, elegante, delicado e sempre atento. Cecil é preto, sabe que pela sua cor é discriminado nas ruas, nos cafés, na política, nas escolas, mas sente-se afortunado por ter tido um melhor destino que os seus pais, por isso nada questiona.

Esta é a história de Cecil, da sua mulher (uma Oprah surpreendente), e dos seus filhos, que nascem numa boa casa, com boa comida, boas roupas, boas escolas. No entanto, o filho mais velho quer mais. Quer poder ir a um restaurante e sentar-se em qualquer mesa. Quer andar em escolas com brancos. Quer poder andar na rua livremente, sem medos. Quer igualdade de direitos. Quer fazer ouvir a sua voz. Junta-se a Martin Luther King. Quer fazer História.

A dada altura, dividimo-nos: por um lado, temos um pai trabalhador que sempre fez tudo para dar o melhor à família e proporcionar uma vida melhor. Por outro lado, temos uma mulher insatisfeita - mal agradecida? E temos ainda um filho revoltado - mal educado? Estamos de que lado? Do lado do pai, que age "como se não existisse" na sua própria casa? Do lado da mãe, que só quer atenção e amor? Do lado do filho mais velho, que exige o fim da discriminação com base na raça? No final, vemos que nem tudo é preto e branco: o mundo não tem apenas duas cores. E cada um pode ter as mil razões, cada um está em si mesmo certo e errado. E esta família, afinal de contas, só quer ser como todas as outras. E emociona. Muito. Muito mais que a classificação de 6,5 que é dada no Imdb. Muito, muito mais. E vale a pena ver nem que seja pela surpresa de ouvir o nosso grande Rodrigo Leão de fundo, nem que seja para assistir a participações inesperadas (Mariah Carey, Lenny Kravitz, a própria Oprah, entre actores consagrados), e ainda para relembrar um pouco da nossa História tão recente. Sim, porque esta é também a História de todos nós, e de todos os Cecil e família que a ajudaram a construir.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As mulheres são todas iguais - conselho aos homens

Se há coisa que odeio e sempre odiei são as generalizações. Principalmente se envolvem as mulheres. E, principalmente, se a generalização é utilizada num cenário em que só está o casal: ele e ela sozinhos. Exemplo:
Lá estás tu a queixar-te que não tens roupa! Vocês, mulheres, são todas iguais.
- Porque é que estás a falar no plural? Estás a ter alucinações? É que sou estou cá eu - uma mulher. Singular...
Ou então:
- Quanto tempo demoras a arranjar-te? É que vocês...
- Tens mesmo que ir ao oftalmologista. Andas outra vez a ver-me a dobrar? Olá, só estou eu aqui... Desculpa desiludir-te. Querias festa a três, era?

Odeio o "vocês, mulheres". O plural. O generalizar. Meter tudo no mesmo saco, até porque costuma envolver comentários depreciativos - nunca envolve um elogio geral, como "vocês, mulheres, são pontuais, organizadas, cultas e inteligentes". Quando estou mais irritada, se oiço esta expressão, às vezes sai-me um "sabes que existe outro sexo, não sabes? Se não estás satisfeito com este em geral..." Mas esta resposta mais arisca é de evitar, porque geralmente implica ser dita em rápido e ágil movimento - caso contrário, sofro as consequências, por norma ao nível da anca, que é beliscada.

De qualquer dos modos, há algo que tenho que reconhecer: o que é certo é que quase todas as mulheres que conheço costumam queixar-se do mesmo relativamente ao sexo oposto, quando estão numa relação a longo prazo. Apesar de não gostar de generalizar, há algo que vem sendo comum: quase todas as mulheres confessam sentir falta de gestos de carinho e falta de elogios da parte deles. É verdade ou não? Quase todas confessam que, ao fim de "x" tempo, beijos espontâneos, mimos, surpresas, mensagens queridas, ou um simples "gosto mesmo de ti" começam a escassear. Por isso, apesar de odiar realmente generalizações, gostaria de perceber por que é que, sendo tão conhecedores de todo o sexo feminino em geral, os tais homens-amantes-de-generalizações não melhoram estes pequenos pontos. São dois pontinhos apenas, e com dois pontinhos apenas se escrevem as palavras mulheres mais felizes. Sim, no plural. No geral. Todas no mesmo saco. Porque, se é para generalizar, não o façam só nas críticas, queridos homens. Façam-no também nas nossas sugestões de melhoria e aprendam connosco.

domingo, 8 de setembro de 2013

Língua traiçoeira

Um casal de dois homens chega à esplanada em que estamos sentados.
Trazem consigo um pequeno cão branco amoroso, com ares de floco de neve, e com um lencinho ao pescoço. Não consegui resisti a ir fazer uma festinha, sem sequer olhar para os donos. A dada altura, olho para cima e pergunto, sem pensar dois segundos:
- É um Bichon, não é?
Enquanto ele acenava, senti-me a corar com a triste coincidência. Acrescentei o mais alto que consegui:
- Maltês, Bichon maltês.
Acho que me senti mais irritada que eles pela infeliz semelhança.

sábado, 7 de setembro de 2013

Modo lapa

Hoje a autora deste vosso
blog está em modo lapa - agarrou-se ao Verão com todas as forças e não o quer largar nunca mais. É esse o meu estado: a namorar o sol e o calor enquanto eles não dão lugar ao frio e ao Outono. Bom fim-de-semana!!
(E mulher que se preze tem que tirar fotografia ao pezinho, não é?)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

500.000!

... Como nunca se sabe se sou atingida por um raio a caminho de casa, se sou atropelada por um autocarro a atravessar a estrada, se sou dizimada por um vírus raro gravíssimo... se... se... não quero que o meu último post - aquele que iriam ler no meu funeral, enquanto ouvem música animada (maninha, tu conheces os meus gostos como ninguém, serias o Dj, ok?), comem uns chocolates e bebem uns gins (sim, gostava de algo animado) - seja algo tão negativo e tão pouco representativo daquilo que gosto de acreditar que sou. Por isso, vamos a coisas positiiiiiivas. Pois bem.... Sabem quem chegou às 500.000 visualizações hoje? Sabem? Sabem? Sabem?... Ora pensem lá...

Pois é... chegámos aos 500.000!! Como tenho a reunião agora, não me posso pôr aqui a fazer umas montagens todas giras para ilustrar o momento devidamente, mas imaginem uns balões e uns confettis festivos como pano de fundo duns 500.000 gigantes, brilhantes e saltitantes, sim? E muito obrigada. A cada um de vocês. Não me fizeram rica, não ganhei nenhum par de Louboutins grátis (nem umas Havaianas), uma mala Chanel (nem sequer "Xanel"), não ganhei um vestido de gala (nem de praia), uma noite em nenhum hotel (ou um desconto de 5%), ou um jantar num qualquer restaurante (nem umas entradinhas, naaaada), mas ganhei muitos sorrisos. Muitos. E só por isso já valeu a pena cada disparate que escrevi nestes meses. Obrigada! Do fundo do coração. :)

Acho que virei queixinhas

Temo ter virado queixinhas. Então a história é esta: o Senhor A tem uma cliente. Eu não tenho o contacto da cliente e só a vi uma vez. A cliente queria tirar umas dúvidas comigo. O Senhor A perguntou-se então se esta semana seria oportuno reunirmos os três. Eu disse que sim, que teria todo o gosto. Só que, entretanto, o Senhor A teve que se ausentar para outro país. Pôs-me então em contacto com o Senhor B, seu colega, que me telefonou no início da semana a confirmar se eu poderia ir à reunião hoje de tarde. Confirmei. Continuei a minha vida, depois de ter marcado a reunião na minha agenda. Hoje, o Senhor B liga-me esbaforido, às 8h da manhã, a perguntar se confirmei com a cliente a reunião, porque a cliente não sabia de nada e - supostamente! - eu teria ficado incumbida de a contactar (grande mentira). Acto contínuo, o Senhor A começa a enviar-me emails do outro lado do mundo a perguntar o que se passava, porque a cliente lhe tinha telefonado para saber se sempre havia reunião esta semana. Tratei de obter o email da cliente e reparar a confusão - já está, problema resolvido. Mas fiquei melindrada, confesso. E não fiquei bem comigo mesma enquanto não respondi ao Senhor A a explicar que houve uma falha na comunicação face ao elevado número de pessoas envolvidas, blábláblá. Podia ter omitido a parte final, e dito apenas que estava resolvido, mas detesto que outros tentem atirar a culpa para quem está à volta, em vez de se concentrarem logo em resolver o problema. Detesto que inventem "suposições" sem fundamento. Se podia ter ficado simplesmente calada? Podia. Mas apeteceu-me ser queixinhas/justiceira/o-que-queiram-chamar. Não gosto do papel nem me identifico sequer com ele, mas trata-se de trabalho e a última coisa que alguém quer é passar por incompetente, certo? Trabalhei muitos anos com uma pessoa que dizia sempre "Perante um problema, primeiro é encontrar a solução. Só muiiito depois se pode tentar procurar os culpados" e lembro-me deste ensinamento quase todos os dias.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Tu, que chegas sempre atrasado

Olá,
Chegas constantemente atrasado ao emprego? Chegavas esbaforido a meio dos exames na faculdade? No liceu, tinhas que pedinchar todos os dias aos professores para te tirarem a falta, já que chegavas sempre já muito depois do segundo toque? Fizeste com que os teus amigos começassem a marcar contigo duas horas mais cedo que o combinado entre eles? És homem e puseste a tua mulher à tua espera à porta da igreja, no dia do vosso casamento? És mulher e chegas atrasada à esteticista, cabeleireira, etc, a ponto de já não te atenderem em nenhum lado por marcação? Dás os parabéns aos amigos três dias depois? Pagas a renda uma semana mais tarde? Esqueces-te de entregar a Declaração de IRS? Já deixaste namorada/o e amigos à espera no cinema, tendo só chegado quando o filme já ia a meio? Desesperas tudo e todos com os teus sucessivos e incorrigíveis atrasos?
Se sim, este texto é para ti. Sim, tu aí! Estás farto que te chamem mal-educado, que se zanguem contigo constantemente?
Então guarda este texto, imprime e esfrega na cara da próxima pessoa que se zangar com os teus atrasos.
Tu não és atrasado, tu padeces duma grave doença chamada atraso crónico. E tens a minha permissão para dar dois estalos a quem não acreditar nesta tua justificação. Imprime também este textinho que aqui reenvio e mostra-lhes tudo.
És doente. E com a doença não se brinca.


E agora tenho que ir, que estou atrasada para o ginásio.

As mulheres querem ser protegidas

Hoje namoram e são felizes. No entanto, antes de tudo começar, lembro-me de a minha amiga estar a contar-nos por que começava a sentir-se apaixonada por ele. Só que não bastava um simples "porque sim!" - ela queria que percebêssemos exactamente o porquê. E lembro-me que um dos motivos apresentados era o facto de ele ser tão atencioso e cavalheiro com ela.
- Já não estava habituada a isto: o abrir-me a porta, o deixar-me passar à frente dele... Até no carro me abre a porta para sair, acreditam? É tão atencioso comigo...
Na altura gozámos com ela, dizendo algo como: 
- E vais escolher alguém só porque te abre a porta? E se daqui a dois meses já não abre? Acabas tudo?
Mas o amor não se explica. E aquela não era, definitivamente, "a" razão que a tinha levado a apaixonar-se. Aquela era, isso sim, apenas mais uma das justificações racionais que queria apresentar a si e às amigas para explicar tamanho amor que sentia. Como se tivesse que existir um "gosto dele porque", de forma a merecer total e absoluta aprovação. Não tinha. Para nós, bastava que ele gostasse dela também e que a tratasse bem. Não precisávamos de porquês.

No entanto, lembro-me muitas vezes do pormenor da porta e do gesto de cavalheirismo que a conquistou. Não sei se ainda hoje ele lhe abre a porta, mas penso muitas vezes nesta história. Porque sei que, no fundo, todas nós, mulheres, por muito independentes, ambiciosas e seguras que sejamos, gostamos de ser protegidas, apreciamos um gesto de cavalheirismo. Gostamos de ter um braço forte que nos agarre e diga "estás comigo, vai tudo correr bem". Gostamos de sentir que, se tudo desabar, aquela pessoa está ali e é capaz de lutar contra tudo e todos para nos salvar. Gostamos que nos abram uma porta, de vez em quando. Que nos perguntem se estamos bem, ou se precisamos de alguma coisa. Não sempre, porque isso faz-nos sentir inferiorizadas e frágeis. Por vezes, temos que ganhar um braço de ferro, para nos sentirmos igualmente fortes. Por vezes, na praia, temos que conseguir atirá-los à areia, com uma rasteira traiçoeira, e depois enchê-los de beijos, para nos sentirmos ágeis e invencíveis. Por vezes, temos que conseguir ganhar uma corrida de 100 metros, para nos sentirmos rápidas. Por vezes, temos que ganhar o Trivial, para nos sentirmos cultas. Muitas vezes, temos também que ganhar no SingStar, para nos sentirmos afinadas e com sentido de ritmo. Por vezes, vamos pagar o jantar, para nos sentirmos independentes. Muitas vezes, ao fazemos amor, vamos ficar por cima, para nos sentirmos dominadoras. Mas sei também que nós, mulheres, depois de nos sentirmos fortes no braço de ferro, ágeis e invencíveis nas rasteiras, rápidas na corrida, cultas no Trivial, afinadas no SingStar, independentes com o cartão Multibanco, e até dominadoras na intimidade... gostamos de ceder a cadeira do poder. E gostamos de vê-los vencer cada um dos anteriores desafios. Gostamos de os ver serem mais fortes, mais ágeis, ganharem um ou outro jogo, pagar-nos o jantar e agarrar-nos com destreza e convicção. Gostamos que nos sussurrem "passa" ao chegar a uma porta, e que nos abracem se temos medo ou estamos tristes.

Sim, gostamos de ser protegidas. Gostamos de cavalheiros. Podemos não gostar a toooooda a hora, mas de vez em quando sabe tãooo bem... E não me venham com histórias...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vamos todos "peregrinar"?

Diz que o Papa Francisco concede benção e indulgência* plenária à 120.ª peregrinação à Nossa Senhora da Penha, em Guimarães, que tem lugar no próximo Domingo, dia 8, a partir das 8h. A missa, por sua vez, terá lugar às 11h. Os responsáveis comparam a distinção papal a uma "medalha de ouro olímpica" nas olimpíadas das peregrinações, por isso, comecei logo a fazer contas à vida e às horas para ver se conseguia estar em Guimarães pronta a fazer-me a pé à estrada tão cedo. Concluí, com alguma pena, que dificilmente conseguiria ir. No entanto, há boas notícias para quem vive longe, para quem não tem forma de ir, ou ainda para quem, simplesmente, tem preguiça de acordar tão cedo ou andar tanto. E quais são essas boas notícias? É que, pelos vistos, o Papa é realmente bonzinho e decidiu que ninguém teria desculpa para não ouvir a missa. Assim, a tal "indulgência é estendida a quem assista à missa pela televisão ou via rádio", contam os responsáveis. Quanto a mim, vou já tratar de tentar descobrir onde é que posso ver/ouvir a missa. Não brinquem comigo: quero o meu lugar no Céu, como qualquer pessoa. E agora ai de quem me impeça a entrada lá, quando chegar a minha vez - hei-de mostrar, com orgulho, algum comprovativo de que assisti à missa. Depois, se conseguir, arranjo forma de vir cá contar se funcionou, ok?

*Não se sintam mal se porventura não souberem o que é a indulgência. Eu também não sabia, aqui entre nós... ;) Fui pesquisar, depois de ler a notícia. Imaginei que fosse o "perdão do pecado", mas pelos vistos não é bem assim... Podem perceber tudo aqui.

Ideias de presentes de aniversário para ele

Para a semana o meu menino faz anos. E a dificuldade ao comprar presentes para outra pessoa, ao fim de alguns anos, é que começamos a ficar sem ideias. Já demos quase tudo o que podíamos dar, já atendemos às necessidades mais materiais, já fizemos surpresas mais fofinhas, já perdemos a cabeça, já fomos mais poupados... A verdade é que, para este ano, tratei de tudo com tempo, por isso o presente "material" já está comprado (basicamente fui pelo simples e comprei-lhe algo que sei que quer muiiiito há muiiito tempo). Só que agora queria preparar algo que fosse mais "cutchi-cutchi". Andei a pesquisar internet fora, e, mesmo que ainda não tenha decidido o que vou fazer, deixo-vos aqui algumas sugestões que me parecem bastante originais, dentro de toda a variedade que fui encontrando. Partilho com vocês, na esperança que façam o mesmo comigo, caso tenham alguma ideia para-lá-de-fofinha, ok? ;) Tentem lembrar-se da surpresa que mais gostaram de fazer ou receber e contem-me tudo. Acho que temos todos a ganhar com esta troca de ideias. Ora então aqui vai o que encontrei:
Encher o quarto de balões de hélio, sendo que cada balão "transporta" uma fotografia. Bonito, hãn?
E baratinho.
Vários cupões para serem utilizados pelo aniversariante, com a descrição da oferta por trás. Exemplos: "o teu jantar preferido", "uma massagem", "pequeno-almoço na cama", e por aí fora. Basta usar a imaginação e serem criativos. Mais uma vez, baratinho baratinho.
Um bolo de aniversário bastante original. Podem usar qualquer outra bebida. Basicamente estamos a chamar-lhe bêbedo, mas duma forma meiguinha, por isso não há problema. 
Caixas de vinho personalizadas (com vinhos à escolha), para festejar qualquer data especial. Eles sugerem que se comemore os aniversários de casamento, mas dá para todas as datas. Encontrei aqui.
Para quem já tem quase tudo (ou é simplesmente egocêntrico, mas esta parte convém que não lhe digam),
uma réplica em miniatura é capaz de ser uma ideia engraçada. Podem juntar-se à réplica e fazer o casal,
ou até caricaturizar. Descobri aqui.
Fotos dos dois recortadas de forma a dar os nomes. Isto já é nível romântico avançado. Confesso que não sei se já cheguei lá, mas podem espreitar aqui. Também têm lá umas molduras em vidro, mas acho hediondas. Fujam.
Se o sonho dele é conduzir um Fórmula 1 (no caso do meu "homem", sei que fazia dele a pessoa mais feliz do mundo
se lhe oferecesse isto), já é possível e podem comprar-lhe aqui. Custa "apenas" €2.500.
Se estiverem mãos largas, já agora podem comprar-me uma viagem também, sim? Obrigada. ;)
Um mapa mundo de colar na parede onde podem ir colocando os pins nas cidades que já visitaram
e as que ainda querem muito visitar. Adorei. Encontrei aqui e aqui (mais baratinho). Há também esta
versão mais clássica e esta engraçada versão para pintar.
Um presente original: um pêndulo que dá respostas personalizadas às questões colocadas. A ideia é ir para a secretária e servir para ajudar no trabalho, mas podem dar outra finalidade qualquer... aqui
É um clássico nos filmes americanos. Tem uma certa pinta e permite beber com mais estilo mais cinematográfico. Pode ter ainda uma mensagem personalizada. Descobri aqui
Também dentro do personalizado, há possibilidade de escrever o nome dele no frasco deste perfume.
É no próprio site da Ralph Lauren que podem encomendar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Aventurei-me nas compras online

Pela primeira vez decidi arriscar, dar uma de doida. Sim, pela primeira vez, decidi encomendar um vestido pela internet. (pensavam o quê?) Um vestido que nunca vi. Duma marca que não conhecia. Sem experimentar. Sem olhar para ele ao vivo. Nada. Nadinha. Uma aventura, portanto. Apaixonei-me, lembrei-me que tinha um casamento em breve, e arrisquei. Já tinha comprado primeiro uns Wayfarer, e depois uns Aviator aí há cinco ou seis anos no ebay. Já comprei viagens na rumbo. Já marquei hotéis. E correu sempre tudo bem. Agora com o vestido é pior, porque pode assentar mal... E ainda por cima não tenho a certeza que o site seja fiável e de extrema confiança, porque não conheço ninguém que tenha comprado lá. Enfim... Se é para a loucura, é para a loucura.

Por isso, peço que me contem: como tem corrida a vossa experiência com as compras online? Chega sempre tudo a casa intacto e direitinho? No caso da roupa, tem assentado como uma luva? Ou têm tido más experiências? Aiii... Entretanto, vou espreitando, ansiosa, o estado da minha encomenda. Diz que está na Alemanha. Espero que o estejam a tratar bem, é que ele parece tão bonitinho, nas fotografias...

De qualquer maneira, se o meu querido vestido não chegar ao seu destino, vou lá procurá-lo à Alemanha e aproveito para dar um saltinho à Oktoberfest... Depois conto tudo!

Adoro mensagens de spam

Hoje recebi vários comentários em Inglês, aqui no blog, que diziam algo como: "não poderia concordar mais com esse ponto de vista!", ou "achei deveras interessante", "adoraria recomendar este post pela sua qualidade de conteúdo!", e ainda "fiquei realmente impressionado com este texto!", terminando com um extasiado "obrigado por outro artigo tão interessante! Em que outro lugar poderíamos encontrar esse tipo de informação de uma forma tão completa?".

Estava eu própria a ficar em êxtase com tais piropos (#alertaBE) e ainda por cima internacionais ("oh meu Deus, as minhas palavras atravessaram fronteiras!"), quando percebi que eram afinal... spam. Pois é. Concluo, assim, com pesar, que o spam é o meu leitor mais meigo e galanteador. Spam, se me estás a ler: eu sei que dizes isso a todas, mas naquele momento em que te li fizeste-me sentir realmente especial, sabes? Vejo que é o mal dos Don Juan: fazem-nos sentir únicas e maravilhosas, e depois percebemos que somos apenas mais uma. Hmpf... Adeus, spam. Foi bom enquanto durou, mas depois partiste-me o coração.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O regresso à realidade

Por que será que quase todos nos queixamos do regresso ao trabalho? Não era suposto fazermos aquilo que mais adoramos fazer? Não era suposto sentirmo-nos realizados, e preenchidos, e essas coisas todas? Não era suposto irmos trabalhar com um sorriso nos lábios? Afinal, como é que é: trabalhamos só para amealhar? Somos movidos apenas e só pelo dinheiro? Trabalhamos apenas para mais tarde podermos desfrutar a vida em plenitude? Pois... Só que às tantas falta ainda um booocadiiiiinho para esse dia chegar... E às tantas também nos vai faltar a energia nessa altura em que o tempo seja proporcional à conta bancária. Digo eu, não querendo ser pessimista.

Ora, hoje foi dia de toda a gente se queixar (via rádio, Facebooks, televisão) do início do mês de Setembro. Eu própria tratei de me queixar mentalmente de manhã, ao dirigir-me para o banho. Até que me dei um valente beliscão. (mental, ok?, que não sou dada a masoquismos) E disse para mim mesma "anima-te, rapariga. É Setembro, e então? Não descansaste já tudo? Não gostas do que fazes? Então cala-te e sorri. Tu é que controlas os teus pensamentos, por isso, tira essa estupidez toda daqui de dentro e trata de encher esta cabeça com optimismo". (sim, sou muito dada a diálogos internos) Assim fiz: decidi trabalhar com convicção, concentrada no que tenho que fazer, em vez de passar o dia de boca aberta a pensar nas férias e no que já lá vai. Ora bem: foi muito bom, tive umas férias de Verão relaxadas e felizes, agora é continuar. E parar de falar com as Segundas-feiras e com Setembro, a queixar-nos, a pedir para irem embora ("Segunda, podes passar rápido?", "Setembro, sê gentil comigo"), etc. Como lia há pouco aqui - e com muita muita graça -, não nos vão responder. Mais vale esquecermos.

PS: Entretanto, espero não ter um deslize e ser atacada por uma onda de nostalgia "ai-as-férias!-que-saudades-do-bem-bom". Não seria a primeira vez. É que realmente isto de falar é muito bonito, não é? ;)

O lado de quem fica

Estive quase sempre do lado de quem vai. Fui eu que fui para a faculdade e deixei os meus pais com um quarto da casa vazio, sem a minha voz logo de manhã, sem os meus passos nocturnos (adorava ir para a sala ver televisão sozinha, bem tarde, e sentir que a casa era só minha), sem o meu perfume ("filha, gastaste o frasco todo?"), sem a minha presença, enquanto partia feliz em busca da descoberta. Fui eu que parti, levando comigo mil conselhos, mil beijos e abraços demasiado apertados para quem tinha pressa de partir. Fui eu que parti, e era eu que sorria de manhã a caminho das aulas, ao ler as mensagens que o meu pai me escrevia, demonstrando um lado sensível que desconhecia. Fui eu que deixei tantas vezes o telemóvel tocar à noite, sem o conseguir ouvir no meio do barulho dos jantares que tinha. Fui eu que tantas vezes não percebi que aquelas chamadas não eram controlo paternal: eram, sim, o descontrolo das saudades. Não percebia nada, adolescente em descoberta. Fui eu que parti depois para outra cidade, ainda mais longe, quando os meus pais tinham uma leve esperança que voltasse para junto deles. Foi a minha irmã que partiu também, seguindo os meus passos. E a casa deles ficou cada vez mais vazia, silenciosa. O ninho deserto. Partimos, filhas ansiosas, ambiciosas, sonhadoras, a querer conhecer o mundo. Estivemos do lado que quem se faz à estrada, de quem não perde nada, de quem conhece, de quem esquece o que ficou.

E o lado de quem fica? Senti-o poucas vezes. Mas ontem, ao ler este texto tão simples e bonito, subitamente revivi o episódio mais marcante: o aeroporto, o saber que ia perder alguém, e que nem dois "kit de sobrevivência" iguais ao que lhe tinha feito poderiam permitir-nos sobreviver à distância. Revivi a saudade que me bateu como dois estalos secos e invisíveis, revivi a cidade que de repente se tornou desconhecida, percebi finalmente o cliché do aeroporto nos filmes, e da pessoa que fica a ver o avião a partir, com o coração pequenino; percebi porque é que a letra diz que "a cidade está deserta, e alguém escreveu o teu nome em toda a parte... Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas... Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura". Revivi o que é voltar aos sítios onde fui feliz no plural, a pedir um café, assim, no singular. Revivi o que é, subitamente, parecer que a cidade perdeu o encanto, porque não há aquela pessoa com quem partilhar. Revivi o que é ficar a olhar para o telemóvel a pensar "gostava tanto que estivesses aqui para irmos almoçar e ouvir as tuas histórias!". Porque já vi partir amigas. Já vi partir uma pessoa especial. Já vi partir a minha irmã. E o texto que ontem li fez-me realmente reviver tudo e pensar também, pela primeira vez, em todos os pais que vêem os filhos sair de casa e não voltar... Se pudesse voltar atrás, tinha atendido cada chamada que me fizeram, é o que sei hoje. Tinha respondido com o mesmo sentimento a cada mensagem. Tinha mantido o abraço no tempo até os braços se cansarem. Desculpem, pais. Só depois de estarmos do outro lado percebemos algumas coisas... Será que sentiram este vazio quando partimos as duas? Será que sentiram esta tristeza de quem ficou? Desconfio que sim... E ainda bem que li este texto. Porque sem vocês saberem, amanha vão levar com um abraço cada um que vos vai deixar quase sem ar.

domingo, 1 de setembro de 2013

Duas vidas separadas pelo tempo

O mundo pode ser mesmo pequeno, mas pelos vistos não se aplica o princípio só às pessoas - pelos vistos também se aplica aos animais. Então isto passou-se assim: primeiro veio um menino, do alto dos seus cinco ou seis anos, ter comigo, a correr:
- Olá! Esse cão é igual ao meu!
- A sério?
- Sim! Mas igual, igual. É mesmo igual. Orelhas, cara, manchinhas e tudo. É uma cópia.
- Pois, devem ser da mesma raça.
- São da raça e iguais. São o cão do TinTin.
Não pensei mais nisso. Apesar de o miúdo insistir que eram iguais, concluí que seria por serem da mesma raça. Até há duas semanas. O menino voltou a vir ter comigo, enquanto eu passeava a minha cadela, mas desta vez com o avô, o qual me abordou:
- É uma cadela, não é?
- Sim.
- Eu tenho um cão da mesma raça.
- Pois, o seu neto disse-me.
- Mas o meu cão é filho de campeões, sabe? Raça pura.
- A sério? Segundo o criador, esta também é filha de um campeão.
- Pois, mas o pai do meu cão ganha tudo o que é concurso.
- Então não serão irmãos?
- Ah... não devem ser... O meu cão não foi comprado cá.
- Não me diga que foi comprado ao Sr. X...?
- Foi. Oh...
- Então são mesmo irmãos... De que ninhada?

Isto para quem não tem cães não deve interessar nada. Mas eu adorei saber que a minha Maltita tinha aqui um mano a viver perto. Combinámos um "encontro". Aliás, o miúdo é que foi mais expedito e tratou logo de marcar hora e local comigo:
- Amanhã no mesmo sítio às 7h50?
- Ok!
- Não te esqueças. É para os irmãos se conhecerem.
- Não esqueço.
- 7h50! Até amanhã!
Gostei da precisão da hora e fiz por cumprir. Às 7h50 lá estávamos nós, prontos a juntar dois irmãos que nunca se tinham conhecido, pois nasceram com um ano de diferença. Sinceramente acho que até fiquei um bocadinho emocionada. Sei que são cães e não percebem nada disto, mas para mim era uma espécie de "Ponto de Encontro" canino. E assim passámos um bom bocado, com o miúdo com ar felicíssimo (e eu a tentar disfarçar, mas estava igual a ele), enquanto os dois manos brincavam. São iguaizinhos! Hoje às 20h lá estávamos todos outra vez. "Mesmo sítio às 8h?", perguntou-me o Gu (soube depois o nome), concedendo-me dez minutos de tolerância. Assim foi. Aqui fica o registo para a posteridade (ainda que meio desfocado, porque não paravam):