sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Eu sei que não se brinca com coisas sérias...

...Mas como não rir ao minuto 03:05 deste vídeo? O assunto era sério: a entrevistada dizia ser filha ilegítima de Nélson Mandela nunca reconhecida. O momento era de grande tristeza, eu sei. No entanto, sem querer brincar com os sentimentos de ninguém, oiçam/ vejam a resposta dela à pergunta "por que nunca mudou o apelido para Mandela?". O Facebook já está enraizado em todas as faixas etárias e localizações geográficas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O amor gasta-se?

Diziam-me há tempos “já não consigo gostar de ninguém a sério. Já tive amores arrebatadores. Já me entreguei totalmente. Já me dediquei de corpo e alma. Já me atirei de cabeça, sem pensar. Já gastei a quantidade de amor que tinha dentro de mim. Já não consigo gostar de ninguém a sério. Pelo menos, não da mesma maneira incondicional e arrebatadora.” E ouvir isto foi ouvir-me a mim mesma, aqui há uns valentes anos atrás. Lembro-me de ter pensado algo muito semelhante quando terminei um namoro também assim, desses amores que são amor e paixão e loucura em doses iguais. Desses amores que faziam o meu dia ter duzentas e duas horas. Desses amores que me faziam derreter de cada vez que o via sorrir. Desses amores que me faziam sentir borboletas na barriga de cada vez que nos beijávamos. Desses amores que me faziam arrepiar de cada vez que dizia um simples "gosto de ti". Desses amores que me faziam ter cola nos dedos e não conseguir soltar os cabelos dele. Quem nunca teve desses amores? Esses são os amores que chegam e nos consomem todas as forças, que nos tiram o sono e o apetite. São os amores que nos fazem cantar quando estamos sozinhos, mesmo sem sabermos porquê. São os amores que nos fazem sorrir quando vamos sozinhos na rua, simplesmente porque sim. São os amores que nos fazem sentir que o mundo pode terminar amanhã e que temos que aproveitar ao máximo este amor que nunca ninguém viveu igual. São os amores que nos fazem amar com partes do corpo onde não pensávamos que o amor chegasse. Amamos de forma completa, como um todo, da cabeça até aos pés, e cada parte de nós treme, e se arrepia. Sim, já todos amámos assim. E com certeza já quase todos terminámos um desses amores. E depois? Depois, fica o vazio. O sentir que nada nunca mais vai ser igual. O desacreditar. O fechar o coração. O pessimismo. A desilusão.

Passei por isso. Aquele era “o” amor da minha vida, com certeza nunca mais me esqueceria dele. Ele dizia-me o mesmo: “nunca vou conseguir estar com outra pessoa sem me lembrar de ti, porque foste o melhor que já tive”. E eu retribuía. E acreditava naquilo com todas as forças. A melhor parte? É que, felizmente, não era verdade. Igual nunca mais houve, como era de esperar. Mas houve diferente. E melhor ainda, até. E, aos poucos, fui reaprendendo a gostar. De forma mais ponderada, talvez. De forma mais calma, pensando não só no hoje, mas também no amanhã. E as mãos voltaram a ganhar cola. E a barriga voltou a ter borboletas. E cada parte do corpo voltou a tremer. A fome? O sono? Já não os perco, mas o amor será menor por isso? Não, de forma alguma. Simplesmente ninguém sobrevive sem comer e sem dormir, e há uma altura em que tudo se reequilibra. Vem a fome e o sono. Vão as inseguranças e os medos. E o segundo balanço parece-me claramente mais positivo. Não sei se o amor se gasta. Mas sei que, se se gasta, também se renova. E tem capacidade de renascer.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ser cigarra ou ser formiga

Tenho imensas vezes – demasiadas? – esta dúvida: devo concentrar-me em viver da melhor forma o presente ou devo concentrar-me em preparar o futuro? Por um lado, sinto uma ânsia gigante de viver a vida ao máximo, de aproveitar os tempos livres para viajar (nem que seja cá dentro), de conhecer sítios novos, bons restaurantes, de poder viver uma vida de conforto, cultura e também de beleza. Tenho vontade de vestir boas marcas de roupa, investir em acessórios de qualidade, bons produtos de beleza, e de oferecer presentes sem olhar ao preço. Em suma, é uma ânsia de viver uma vida “em grande”, porque a vida "são dois dias", como sempre me disseram. Só que, por outro lado, há momentos em me sinto culpada por não ter grandes poupanças. Por vezes olho para a minha conta, e quase vejo o meu reflexo, tamanho é o vazio que ali se vive. Olho para aquela escassez e sinto que ando a desperdiçar anos de vida de trabalho, porque não sei bem para onde o dinheiro foi. Aliás, sei para onde foi, mas preferia continuar a vê-lo, a cheirá-lo, a tocá-lo.

Tenho pensado nos meus pais e no exemplo deles, e questiono-me se algum dia construirei tanto como eles construíram. Questiono-me se algum dia terei dinheiro para me tornar proprietária de uma bonita casa para os meus filhos crescerem. Questiono-me se algum dia poderei dar-lhes a oportunidade de estudar em boas escolas, se algum dia poderei inscrevê-los numa Academia de Música, num desporto, em explicações. Os meus pais sempre investiram ao máximo na minha educação e da minha irmã, sem pestanejar. Não nos davam prendas se tínhamos uma grande nota, mas não questionavam se pedíamos para ter aulas de piano. E depois afinal guitarra. E depois instituto de inglês. E que tal francês? E alemão. Francês. E agora quero nadar. E também quero ter aulas de ténis. Tudo o que fosse aulas, tinha um “sim” garantido, mas agora pergunto-me como. Como é que conseguimos viver a vida, pagar um teto, um carro, viajar, conhecer novos restaurantes, vestir roupas de boas marcas e ainda ter para a educação dos filhos? Digam-me a verdade: temos que abdicar das jantaradas, algumas viagens e algumas marcas, não é? E assim, pela primeira vez na vida, começo a admirar quem, qual formiguinha silenciosa, prepara a marmita com o almoço de véspera, poupando, assim, uns bons €300 por mês em restaurantes. Começo a admirar quem se vira para a cozinha, adora preparar o jantar e abdica de jantar fora. Começo a admirar quem consegue poupar na comida, nas viagens, nas boas marcas “porque sim” e, aos poucos, vai criando um valente pé de meia.

Eu sou da geração dos estados partilhados nas redes sociais ao estilo “Maria está no Spa XPTO”. Sou da geração das viagens lowcost, em que andar de avião “não custa nada!” (pois, custa “só” o hotel e a alimentação no destino). Sou da geração Time Out, em que quem não conhece o novo bar, o novo restaurante ou o novo cafezinho está… pois, o nome já diz tudo… “out”! Sou da geração dos mil euros, em que todos nos queixamos de falta de dinheiro, mas a verdade é que também gostamos de o gastar bem. E sempre gostei de ser desta geração. Exceto quando me dão estes acessos de poupança e de peso na consciência. Sim, se puder pedir já um desejo para 2014 (Será muito cedo ainda?) é aprender a ser mais formiguinha e deixar um pouco a vida de cigarra. As formigas também podem ser felizes, não podem??

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Quem quer ser mais elástico?

A semana passada decidi experimentar uma aula de yoga. Sempre me disseram que, quem não tem cão, caça com gato, por isso pensei que, se não podia correr, havia de por este corpinho a mexer na mesma, nem que fosse a dobrar-me toda em posições com nome de flor em cima dum tapete. Cheguei à aula de yoga e vi um grupo enorme de pessoas com ar muito compenetrado e profissional. Temi não acompanhar o nível daquela aula. No entanto, acabou por correr tudo bem e surpreendi-me com a minha própria elasticidade, pois pensei que, estando parada há algum tempo, e com mais perímetro abdominal, já não fosse possível agarrar os meus pés da mesma forma, tocando com a cara nos joelhos esticados. E estava eu toda contente comigo mesma, a sentir-me uma plasticina humana, quando o professor nos mandou replicar uma nova posição, que consistia em deitarmo-nos de barriga para baixo no tapete e agarrarmos os pés por trás das costas, até nos esticarmos em forma de cesto humano. Ainda tentei fazer, mas comecei a sentir-me mal por estar completamente em cima da Cookie, e optei por chamar o professor discretamente à parte, para lhe perguntar se, estando “em estado de graça” (adoro esta expressão!) aquela posição não seria arriscada. Acenou-me que sim e sugeriu-me uma alternativa. E o resto da aula lá correu serena e tranquilamente, sem grandes dificuldades. Acontece que, no final da mesma, o professor decidiu chamar-me, enquanto eu me calçava.
- Então está grávida??!, perguntou-me, com ar de felicidade, como se fosse familiar próximo.
Acenei que sim.
- E sente-se bem?? Feliz??
- Sim, muito bem. E fiquei contente por continuar a ter elasticidade. Estava à espera de não conseguir fazer tanto, hoje.
- Pois tem elasticidade!… Sabe porquê?

(E foi aqui que eu me arrependi solenemente de me ter denunciado. Nota importante: o resto das pessoas continuava por ali a calçar-se e a arrumar os tapetes)

- … Porque isto é a sua bacia. (e exemplificou com as mãos) E a sua bacia vai expandir-se. AssimVai expandir-se até deixar sair o bebé. O seu corpo está aos poucos a abrir-se. É um processo natural. E, neste processo, todas as articulações estão a acompanhar o movimento da bacia, e estão a alargar-se. Por isso é que se sente mais elástica. É normal. É o seu corpo a preparar-se para expulsar o bebé. Assim. Repare.
E eu não sou nada esquisitinha. A sério que não. Raramente alguma conversa me mete impressão. Mas aquela demonstração do meu corpo a expandir-se como uma massa gelatinosa, com a bacia a alargar para expulsar um pequeno ser… hmmm… Como dizê-lo? Não foi a imagem mais apelativa do mundo. Nem era o que esperava retirar duma tranquila e zen aula de yoga, Principalmente porque tinha uma plateia à minha volta a ouvir aquela animada descrição da minha bacia em expansão. Não… Prefiro continuar a pensar em mim como uma contorcionista sexy que propriamente como uma bacia humana a expandir-se. Pode ser, senhor professor?

Dos dias quase terríveis

Uma familiar no hospital há mais de duas semanas, porque os rins deixaram de funcionar. Trabalho a potes, cheia de prazos para cumprir. Uma consulta de obstetrícia importante, porque na última se abordou o malfadado tema "placenta prévia", que me deixou sem correr desde aí, por prevenção - só uma aula de yoga, pilates e passeios diários. Uma sentença que ia ser lida hoje e que, apesar de não me afetar diretamente, me dizia muito pelas pessoas envolvidas nesse acidente de viação. Era o que estava na agenda do dia de hoje. Por isso, esta dia 9 de dezembro tinha tudo para ser interminável. Mas não no bom sentido. Comecei o dia com um friozinho no estômago a pensar em tudo o que tinha pela frente.

No entanto... aos poucos, tudo se foi compondo: soubemos que a familiar melhorou e que os rins começaram a funcionar hoje, ao fim de quase três semanas de diálise. Na consulta, o médico disse, a sorrir, com ar despreocupado, que estava tudo bem e que a placenta já estava no sítio. Para os leigos, como eu, a placenta prévia significava, a manter-se assim, uma cesariana obrigatória e a impossibilidade de fazer grandes esforços até maio. Entretanto, a sentença foi lida e não podia ter sido mais positiva. E o trabalho? Esse está quase... Lá para as 3 da manhã deve estar terminado.

E estávamos os dois comentar entre nós todos os acontecimentos do dia, quando ele me diz "sabes, o meu pai foi ontem a Santiago de Compostela. Disse-me que foi pedir por tudo isto que hoje ia acontecer". Fiquei surpreendida. O meu sogro nem é uma pessoa muito religiosa, por isso, este gesto deixou-me boquiaberta. "Também pediu que a netinha tivesse direito a uma placenta no sítio?", perguntei, meio a brincar, meio a sério. "Disse-me que pediu por tudo". À exceção do meu trabalho, claro. Será que é por isso que ainda não o consegui terminar, enquanto o resto se resolveu logo? De qualquer maneira, achei mesmo fofinho. Às vezes é agradável conhecer facetas novas das pessoas que julgávamos conhecer bem. E é agradável sermos assim surpreendidos. Quanto a mim, não acreditava nisto das promessas, mas... "que las hay, las hay!"

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Ainda não tenho árvore de Natal, mas...

... Já tenho prendinhas para colocar debaixo dela. Hoje entrei, pela primeira vez, numa Chicco (estava com descontos, por isso, não resisti!!), e comecei a ver as roupinhas (m-i-c-r-o!) para meninas recém-nascidas. Fiquei mesmo embevecida - são tão pequeninas... tão fofinhas... tão cor-de-rosinhas... E fiquei emocionada a pensar na possibilidade de, daqui a cinco meses, aquelas roupinhas poderem estar preenchidas com a minha filha lá dentro. "A minha filha". Parece tão surreal! Mas foi como se, finalmente, tudo isto tivesse tomado uma forma que não a minha barriga estranha e maior. Como se, finalmente, tudo isto fosse mesmo real e não apenas uma metamorfose do meu corpo. Sim, porque às vezes sinto-me apenas um alien, a crescer de dia para dia, a sentir os botões das calças a ficarem mais apertados, enquanto me repetem "é normal, estás grávida", mas só vejo a barriga a crescer, a crescer, não tive enjoos, não sinto nada cá dentro, nem um pontapé, nada. Às vezes penso mesmo "estás aí? Mexe-te, rapariga. Dá um pontapé, força!!". Hoje, com as roupinha, parece que tudo se tornou, finalmente, palpável, real. Comprei três bodies para meia estação e vim embora emocionada, enquanto ele me gozava. São as hormonas, eu sei. São as hormonas. E os homens não as têm num turbilhão dentro de si.

... Ando a sentir-me eu própria uma meia de Natal, daquelas que as crianças penduram junto à lareira, para o Pai Natal ali deixar um presente. É que a Malti tem-se deitado em cima da minha barriga, todas as noites. Sai da caminha dela, a meio da noite, e vem para cima de mim. Tem-me acontecido acordar a sentir-me pesada, olhar para a frente e estar ela a dormir em cima do edredão, com a cabeça encostada na minha barriga. Não sei se é coincidência ou não, mas acho piada à nova mania dela. Como se estivesse a proteger o presente que sabe que vai receber até ao dia em que o puder finalmente abrir. E gosto, porque sinto que a bebé que aí vem tem já uma espécie de irmã mais velha.

... Já ando a viver todo o espírito de Natal. Ontem foi dia de passear por Campo de Ourique, conhecer o Mercado (está lindo, bem ao estilo dos de Madrid e Barcelona, e também a fazer lembrar o do Bom Sucesso, mas sem a parte de lojas de roupa), petiscar por lá, e depois passar na Karl's Cookies a comprar umas bolachas. Tinha lido esta entrevista sobre este casal de americanos, o Karl e o Greg, que decidiu abrir esta loja cá em Portugal e tinha ficado com água na boca. Vale a pena. São tão boas como tinha imaginado. E já foram todas!
À entrada do Mercado. Estavam todos a beber vinho e gins. Pareciam bons, mas eu só posso confirmar
essa qualidade daqui a um ano. ;)
No início eram doze. Só sobrou a caixa para a fotografia. E a vontade de repetir.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Como vingar-nos sem querer

Hoje à hora de almoço distraí-me e deixei o meu chapéu (lembrei-me de o usar hoje, apesar de gostar sempre mais de ver nos outros) no restaurante onde almoçámos, pousado na cadeira. Só me lembrei uma meia hora depois, quando já estávamos no carro.
- O meu chapéu...!!!
- Perdeste-o?
- Ficou no restaurante!!!
Procurei logo o número do restaurante e liguei para lá.
- Boa tarde! Estive há pouco aí a almoçar e deixei um chapéu na cadeira...
- Não ficou cá nada, respondeu-me uma voz feminina nada simpática e calorosa.
- Não pode confirmar? Sei que deixei na minha cadeira. Estávamos na esplanada...
- Tenho a certeza. Não ficou nada.
- Mas...
- A sério, minha senhora. Já fizemos a vistoria e não está cá nada.
Desliguei, mas não estava convencida (sim, sou teimosa) e insisti com ele para irmos lá na mesma.  Demos meia volta e lá fomos. Escusado será dizer que o chapéu estava lá. Fui procurar a senhora que me tinha atendido ao telefone, para lhe dizer que afinal me tinha induzido em erro e que afinal estava ali. Encontrei um grupo de pessoas ao balcão.
- Desculpem, eu liguei para cá há pouco e falei com uma senhora... Sabe quem foi que atendeu?
- Foi comigo que falou, respondeu-me um dos homens.
- Ah não... Falei com uma senhora. Era uma voz feminina. Pode chamá-la, por favor? Era sobre um chapéu...
- Menina... Foi comigo que falou.
Acho que engoli em seco. Ele, meio corado. O resto do grupo em silêncio, alguns a conter o riso.
- Ahhh... Olhe é só para dizer que afinal o chapéu estava cá. Encontrei-o.
Devo ter feito o sorriso mais amarelo que já fiz. Dei as boas tardes e saí, com o chapéu debaixo do braço. Qual sermão qual quê? Já tinha feito ali estragos a mais, por ali.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Manifesto em defesa dos olhos castanhos.

Quando foi a última vez que elogiaram os olhos castanhos de alguém? E uns olhos azuis ou verdes, quando foi a última vez que elogiaram? Com certeza estarão a dar por vocês a pensar que elogiaram mais vezes olhos claros. Ou porque são mais raros. Ou porque podem ter tonalidades mais invulgares. Ou porque refletem melhor o sol. Ou porque são mais límpidos. Ou porque, simplesmente, acham mais bonito olhar para a cor azul ou verde que para a cor castanha. Porque a verdade é contemplamos o mar e o céu. Contemplamos paisagens verdejantes. Contemplamos montanhas que se prolongam até perder de vista. Não contemplamos a terra. Ou árvores despidas de folhas. E músicas? Cantamos a “cor azul”. Até os Coldplay cantam sobre os “green eyes”. Mas os olhos castanhos, talvez por serem considerados mais vulgares, são quase sempre menosprezados na música ou na poesia.

E lembrei-me de tudo isto por dois motivos (desculpem, mas uma mulher precisa sempre destes preliminares, mesmo que teóricos). Primeiro, porque uma amiga minha teve uma filha de lindos olhos azuis e ninguém parava de repetir (eu incluída) o quão lindos e maravilhosos eram os olhos da menina. Ninguém parava de repetir o quão bonita será ela, a loucura que irá provocar nos rapazes, que logicamente não lhe resistirão, etc. E, depois, porque eu própria já dei por mim a pensar na cor dos olhos da minha bebé: serão azuis? Serão verdes? Serão castanhos? Podem ser de qualquer uma destas cores, porque na nossa família há cores para todos os gostos. Dei por mim a desejar ardentemente uns lindos olhos azuis. Mas ao mesmo tempo, fiquei a pensar: “e castanhos, porque não? Serão menos nobres ou menos merecedores?”. E decidi – como se estas coisas se pudessem decidir – que serão castanhos os seus olhos, como os meus, e que serão lindos na mesma. Nem melhores nem piores que uns olhos azuis ou verdes. Sim, porque parece que afinal ninguém deseja uns olhos castanhos para os filhos. Há sempre o desejo incontrolável de que a criança vá buscar aqueles olhos da tia-avó materna Rosa, ou do bisavô João do lado do pai, ou aqueles olhos do primo em sexto grau Adalberto. Pois eu não, decidi ser do contra e que quero uns olhos castanhos como os meus. Vale o que vale (ou seja, NADA), mas acredito que uns olhos castanhos podem ser quentes. Hipnotizadores. Desafiantes. Magnéticos. Meigos. Ou doces.

E escrevo este Manifesto pelos olhos castanhos, para que todos te elogiem à nascença, minha pequenina cookie, mesmo que não nasças com olhos da cor do mar, ou do céu, ou das paisagens verdejantes de perder de vista. Escrevo este Manifesto pelos olhos castanhos, para que todos os bebés que nasçam com a cor de 90% dos olhos dos portugueses, se sintam igualmente originais, e únicos. Porque os Coldplay podem não contar os “Brown eyes”. Os Delfins podem não cantar a “cor castanha”. Mas canto-a eu. Em defesa da igualdade dos direitos aos olhos castanhos.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fui o Barney Stinson por uma noite

Não, não andei no engate. Não andei a inventar formas de conquista ou a partilhar truques maquiavélicos para conhecer ninguém. Não andei de fato vestidodias seguidos. Foi mais simples que isso: fui jogar LaserTag. Sim, aquilo que o Barney adora, no “How I met your mother”/ “Foi assim que aconteceu”, e que basicamente passa por entrar numa sala escura, com uma arma em punho, e tentar matar os adversários, que têm um colete a protege-los e que ficam iluminados quando são “mortos”. Ah, ser “morto” significa levar uma pequena descarga elétrica.

A ideia era irmos só jantar para comemorar o aniversário dum amigo, mas, no fim do jantar, o aniversariante viu que tinha aberto um salão de jogos/ palco de LaserTag ao lado do restaurante (o que me levou a pensar se a escolha do restaurante terá sido coincidência) e, perante a cara de entusiasmo dele, ninguém conseguiu negar a incursão ao mundo dos jogos. Eu nunca tinha feito nada parecido e confesso que primeiro fiquei com algum medo. Primeiro, porque não sabia que se a descarga elétrica do cinto seria ou não perigosa. Falei com o empregado e decidimos colocar o cinto no nível 1 – apenas vibração. Escusado será dizer que todas as mulheres quiseram o mesmo nível. Queríamos divertir-nos, não sofrer. O aniversariante levou com o nível máximo, por ter tido a ideia de nos levar para ali. Depois, porque todo aquele equipamento e ideia de jogar no escuro me parecia assustadora. De qualquer das formas, não partilhei os meus medos com ninguém e lá coloquei o cinto e depois apertei o colete, tudo muito caladinha. Pusemos também uns chapéus/ capacetes, mais para compor o estilo militar que outra coisa. Pegámos nas armas, bem pesadas, e estivemos a treinar a mira. Comecei a sentir o coração a bater mais rápido. A primeira equipa entrou. Esperámos que nos chamassem. Espreitei pela cortina – estava tudo escuro. O coração a bater mais rápido. Fizeram-nos sinal para entrar....

Lá dentro, uma espécie de casa abandonada, arbustos, efeitos de fumo a sair, sons da selva. Estava aterrorizada. Senti umas mãos a agarrar-me – “não estás com medo?”, perguntou-me ela. Não sei o que respondi, mas SIM, ESTAVA. O saber que qualquer pessoa podia aparecer atrás de mim, no meio da escuridão, e dar-me dois tiros, não é a melhor sensação do mundo, nem a típica sobremesa para um jantar de aniversário. Avançámos as duas, pé ante pé, a apalpar a parede para nos guiarmos. Entrámos dentro da casa abandonada e decidi espreitar para os arbustos. “Tau!”, primeira morte. Senti uma ligeira vibração, o colete a piscar todo, no meio da escuridão, e escondi-me na casa outra vez. “Doeu?”, perguntou-me a amiga do aniversariante que, nitidamente, estava a partilhar os meus medos. Não, não tinha doído nada. A partir daí, o medo desapareceu. Era apenas o medo do desconhecido, da dor. Era o medo do medo. A partir daí começou a ter mais piada. Avancei. Comecei a tentar matar alguém da equipa adversária, cujas cabeças iam espreitando dos arbustos. Dei uns tiros. Levei outros. Tentei fazer mira, mas no escuro era tudo à sorte. De vez em quando ficava menos escuro e mudávamos de posição, mas nunca houve propriamente uma estratégia de grupo. No fim, soube que tinha morrido cinco vezes e não tinha conseguido matar ninguém. Uma desgraça. Mas pelo menos saí feliz, porque consegui libertar-me e divertir-me. Arrisquei. Sem medos. Não fiz nada de jeito, mas ultrapassei o medo de criança das Casas dos Terrores e afins, em que era sempre a criança que mais gritava, quando aparecia algo no escuro. Diverti-me. E fiquei com vontade de repetir. Alguém já experimentou também? Há mais Barneys por aí?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Para mim era um Tarot e uma meia de leite, se faz favor

Tenho apanhado na Sic, todas as manhãs, enquanto tomo o pequeno-almoço, o programa da Maria Helena, Taróloga, em que esta responde aos dilemas dos seus ouvintes, que lhe telefonam, angustiados, para encontrar rapidamente uma resposta. Para dizer a verdade, costumo ligar a televisão apenas para ver as notícias matinais, mas o que é certo é quando o programa das cartas começa, dou por mim colada, o que faz com que demore o dobro do tempo a fazer qualquer coisa e me atrase sempre mais do que queria. É como quando vemos um acidente e não conseguimos tirar os olhos, mesmo que estejamos arrepiadas. E tenho reparado que, salvo um ou outro pormenor, a conversa é sempre, sempre, sempre a mesma, sempre algo do estilo "Booom diiiiaaa!! Olá, olá!!! Quantas vezes ligou para cá até ser atendida, meu anjo?? ... Vêem, pessoas aí em casa? Se ligarem AGORA vão conseguir falar comigo. Liguem AGORA. Isso meeeesmo. O número é o que está no ecrã... Então, meu anjo? Qual é o seu dilema?... Hmm... Vamos lá ver as cartas. Pois... Olhe, pensamento positivo. Pensamento positivo e tudo se vai resolver. Pode não ser agora, agora, mas pense positivo e as coisas vão resolver-se, ok? Mas amanhã falamos melhor, eu ligo-lhe. Ou eu ou alguém da minha parte, ok? .... Booooom diiiaaa!!! Olá, olá!!!! Quantas vezes ligou para cá até ser atendida, meu anjo??" e assim sucessivamente.

Ora bem, anjos-da-Maria-Helena-que-ligam-para-lá, deixem-me dizer-vos uma coisa: "olá olá!" eu sei dizer muito bem, também. "Pensamento positivo" também. Chamar-vos "meu anjo" também chamo, sem problema. Do que precisam mais? Ah e não cobro nada! Que tal? Sinceramente, percebo que estejam angustiados e que queiram uma palavra amiga e compreensiva, mas... eu tenho estado a ver o programa atentamente (ou parte dele, já que, no final do segundo telefonema fujo de casa a correr, porque já estou mega atrasada) e... não vejo ali nada que eu não dissesse, do alto do meu senso comum. Parecem-me apenas clichés misturados com um cocktail de espiritualidade. No tempo da Maya, pelo menos ainda havia o Top Signos, que dava para espreitar e sair de casa a saber se o meu signo Peixes estava em número 1 ou não, o que me tranquilizava e dava forças para o dia que ia enfrentar. Agora, enquanto lavo os dentes, vou ouvindo aquela lenga-lenga repetida e tenho pena de quem está a ligar, preocupado como um raio com os seus problemas, e que só ouve aquelas frases repetidas num tom totalmente comercial e desprovido de preocupação. Sinto que aquelas pessoas precisam é de um amigo, de alguém com quem falar. E para isso não precisavam de gastar dinheiro. Para isso até eu servia, a sério. E desculpem, pessoas que acreditam no Tarot, e desculpa, querida Maria Helena, meu anjo, mas não estou a criticar as vossas crenças, porque, para mim, ali não há sequer Tarot nenhum. Ali há apenas sede de telefonemas. E rápidos, de preferência.

Não são só os cães que perdem pelo.

Hoje, ao final do dia, quando a empregada vier limpar a minha secretária, esvaziar o meu caixote do lixo e arrumar a minha cadeira, vai com certeza assustar-se. Com certeza vai ficar aterrorizada e a pensar quem ou que criatura medonha se sentou aqui durante o dia. É que hoje o meu computador está a ficar cheio de pelos. E os pelos não param de cair. A secretária está a ficar com pelos espalhados aleatoriamente por todo o sítio. E até a cadeira parece palco de luta entre dois animais ferozes. Estou a deixar um rasto de pelo por onde passo. Já ouvi bocas. E a minha conclusão é só uma: foi péssima ideia trazer o colete de pelo novinho em folha para o escritório. E tenho que admitir: foi uma má compra. O pelo sintético até parecia bom, mas deve estar mal feito, porque sinto-me um cão com perda de pelo. A sério, é assustador. Ando, e os pelos do colete voam. Espirro e caem pelos do céu. Não é bonito. Má compra. Má compra. Bem me parecia que era demasiado barato. É quentinho e tal, mas sinto-me uma Maria, do "João e Maria" (ou, no original, "Hänsel e Gretel", dos Irmãos Grimm), a plantar pelos para não se esquecer do caminho para casa, à falta de migalhas. “Ai é tão fofinho, tão quentinho e tão barato! Por que não hei-de de comprá-lo?”, perguntei a mim mesma quando vi este colete tão fofinho, tão sozinho e acessível a olhar para mim na loja. Aqui está a resposta. Não precisam de mais metáforas e comparações, pois não? Já imaginaram o meu cenário decadente de hoje. Podem rir-se à vontade, é justo.
Depois deste desabafo, lembrei-me agora de algo que não tem nada a ver com o post, nada mesmo: ninguém quer comprar um colete lindíssimo em pele sintética (sim, aqui ninguém mata animais!), só usado uma vez? Bom preço!! Contactem a autora do blog. ;)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A escolha foi clara... Clara!

Em primeiro lugar, obrigada a todos os que comentaram ontem e partilharam os seus nomes femininos preferidos. Foram uns amores! :) Depois, queria dizer-vos que andei a contar todos os nomes (sim, levei a tarefa a sério!) e.... querem saber qual foi o nome mais votado até ao momento? (ainda pode haver reviravoltas).Txann txaan txaaan taaaan...!!

Para minha grande surpresa, o nome mais votado por vocês foi o bonito e simples... Clara! Estive a ver e, em 2012, ficou em 25.º lugar na lista dos nomes femininos mais colocados em Portugal, mas parece que aqui é o 1.º. E confesso que gosto muito, mas não é um dos que faz parte da nossa lista de nomes para discussão. Nesse lista, no entanto, estão outros nomes que muitos de vocês também sugeriram. ;)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A saga da escolha do nome

O que acontece quando temos uma mulher que adora nomes clássicos, talvez influenciada pelos mil livros que devorou, pelos filmes que viu e reviu, que “tem a mania que gosta de nomes diferentes” e quando temos um homem que é a pessoa mais prática deste mundo, que tem a visão mais pragmática de sempre, os dois pés bem assentes na terra e adora “apenas nomes banais e iguais aos de mil pessoas que já conhecemos”? E o que acontece a estes dois, ambos extremamente teimosos, se, juntos, tiverem que chegar a um acordo quanto ao nome para a filha? E se ambos adorarem argumentar até à exaustão? E o que acontece se ambos gostarem de ganhar sempre um debate e não desistirem facilmente? Eu posso responder-vos a essa pergunta, porque, infelizmente, revejo-me na descrição da primeira, sendo que os comentários entre aspas são as características que cada um de nós atribui ao outro no que toca à escolha de nomes.

Pois bem: isto dos nomes está difícil. Aliás, “difícil” é dizer pouco - esta parece-me uma tarefa impossível de chegar a bom porto! E porquê? Porque eu acho que ele escolhe apenas nomes comuns e cheios de protagonistas já conhecidos. Os nomes que sugere foram já atribuídos a pessoas que nos são próximas. Para mim, são nomes que já exerceram a sua função, já foram vestidos, já foram usados, já foram gastos. Ele não percebe esta minha visão. Por outro lado, para ele, os nomes de que gosto são nomes demasiado arcaicos, suscetíveis de trocadilhos variados, com ares de sangue-azul-wanna-be e com diminutivos péssimos. Já tínhamos decidido o nome para rapaz, mas para menina parece tarefa pior que assinar um tratado de paz!

No meio disto, conseguimos, não sei como, fazer uma pequena lista de nomes aceites por ambos para discussão. E caímos no erro de partilhar a lista com os mais próximos. Conclusão: os meus sogrinhos cortaram logo metade da lista, apresentando argumentos sólidos e válidos. Os meus pais cortaram outra metade, recorrendo a analogias, exemplos e argumentos emocionais. A minha irmã cortou mais algumas hipóteses. E cada pessoa com que partilhei a lista tratou de aniquilar alguns dos nomes.

Por isso, a minha inquilina continua, à data de hoje, sem nome. E enquanto o debate continua, começou a ser tratada por nós por “cookie”, por ser pequenina, por parecer uma bolachinha saltitona e por dar vontade de lhe dar pequenas trinquinhas. Mas a “cookie” não vai ser eternamente uma bolachinha, vai nascer e precisa de um nome. Por isso, se quiserem dar sugestões de nomes... falem agora ou calem-se para sempre! ;)

Viajar no tempo

O filme de ontem, o "Dá tempo ao tempo" é um filme feliz. A não ser um acontecimento mais triste, que mais
não fez que retratar a ordem natural das coisas, tudo o resto foi uma sucessão de momentos felizes, em que basicamente nos dizem para tentarmos aproveitar melhor todos os momentos da vida, sem aflições desnecessárias. Pois bem: foi o que fiz hoje. Acordei e, em vez do habitual salto da cama dominical, cheio de pressa para aproveitar cada raio de sol, deixei-me estar. Quis sentir aquele momento, vivê-lo, agarrá-lo. Só me levantei uma hora depois. O dia foi todo passado com a certeza que ia aproveitar cada momento até porque tínhamos o dia reservado só para nós, sem quaisquer planos. Demos as mãos, muito. Conversámos. Tanto. Tanto. Tanto. Sobre os nossos planos. Sobre o que aí vem. Partilhei com ele mil cenários possíveis para o futuro (adoro esse jogo). Sonhámos um bocadinho (ok, mais eu, até porque supostamente essa é a minha área). Passeámos. Quilómetros. Namorámos. E várias vezes pensei "ainda aqui estamos, estou a conseguir viver este dia, até está a durar mais".

Mas as 21h lá chegaram, as estúpidas, e
quando olhei para o relógio já estava sozinha, sem uma mão a segurar-me. E isto de ter que passar dias sozinha custa-me. Não me consigo habituar. Achamos que cada vez vai ser mais fácil, mas há coisas que nunca melhoram. Tento agarrar os dias, tento com todas as forças, mas nunca aprendi o segredo. Mesmo o dia mais perfeito termina sempre. E não sei se são as hormonas, essas malditas, não sei se foi o filme de ontem, não sei se são só as saudades, mas se me dessem agora algum desejo, só queria um: que voltasse a ser 8h da manhã. Era bom ter esse poder às vezes, não era? Desculpem este post, mas supostamente aqui falo do que sinto e hoje toda eu sou saudades.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Balanço do dia

1. Os hambúrgueres são definitivamente o novo sushi. Para mim nada é melhor que uma sopa de miso e um prato cheio de sashimi de peixe bem fresco, mas nos intervalos dos pauzinhos ando a render-me à febre da reinvenção dos hamburguers e hoje lá experimentámos mais um sítio destes "que diz que é da moda". Até agora, aqui entre nós, o meu preferido começa por "B", mas vereditos só no final, não é?

2. Senti finalmente o espírito natalício! Decidimos dar um saltinho à Rua Castilho bem cedo, para ver se a tarde de festa por ali prometia, e deparámo-nos com música, muita música, tapete vermelho, balões e... neve!! Muita neve a cair por todo o lado. E quem é que não sente o natal com neve? Ok, podia ser espuma atirada por máquinas, mas o efeito era bastante parecido. E só por isso já valeu a pena! Vim de mãos vazias, mas feliz e a cantarolar músicas de natal. Acho que a seguir trato do pinheiro e da decoração natalícia lá em casa...

3. Fui ver o filme mais lamechas que está em cartaz nos cinemas, o "Dá tempo ao tempo"/ "About time". E descobri que estou impossível. A sério que sim. Tudo me fazia chorar desalmadamente, quer fosse o momento do pai a pegar na bebé pela primeira vez, quer fosse o pai dele doente... Ai meu Deus! Isto são as hormonas? É que eu quase que roncava a chorar. Já ouvi muita gente insuportável no cinema, a rir descontroladamente de tudo, alto e bom, mas a louca-do-choro nunca tinha visto e acho que arrecadei o prémio para o primeiro lugar logo na primeira participação.

4. Ando com o bichinho das compras a atacar como nunca. Mas tenho que me dizer a mim mesma vezes sem conta: "vais-ficar-gorda, vais-ficar-gorda, nada-te-vai-servir, nada-te-vai-servir" para me conseguir controlar. Acho que me vou virar para o calçado e os acessórios.

5. Por último, espero que ninguém leve a mal a piadinha, mas há adeptos do Académica por aqui a ler-me? Se sim, parabéns!! ;)