quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Faltam quatro meses
Faltam quatro meses para a minha vida mudar irremediavelmente. Faltam quatro meses para conhecer a nova pessoa da minha vida. O coração começa a apertar. Sempre pareceu tudo tão longínquo, que nem a barriga me parece ainda real. Uma criança. A minha filha. Parece impossível. Começo a lembrar-me da minha infância, no exemplo dos meus pais, e questiono se estarei à altura de tudo o que me deram e ensinaram. Acredito que não serei de os equiparar, porque deixaram a fasquia elevada. Os meus pais foram os pais mais dedicados e duvido que consiga replicar o mundo de conto de fadas em que cresci. Os meus pais não me enchiam de presentes, mas ensinaram-me a adorar ler e escrever, incentivaram-me a desenhar e pintar, a dançar, a nadar, alinhavam sempre nas minhas brincadeiras e sempre estiveram lá a fazer-me sentir amada e especial. Fui uma criança muito feliz e é isso essencialmente que espero conseguir dar a esta filha minha que aí vem. Quero que ela se sinta amada, confiante e capaz de dominar o mundo. Quero que cresça num mundo especial e cheio de sonhos como eu cresci. E se um dia ela escrever algo parecido com isto, terei atingido o meu objetivo.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Enquanto for gordinha...
Quando for magra, já sei exatamente que vestidos comprar. Já sei exatamente que bikinis vestir. Tenho espreitado as coleções para a Primavera e ando maravilhada. Apetece-me comprar tudo, mas depois lembro-me que já não tenho o corpo que tinha até ao verão passado. Até lá, enquanto sou gordinha e vivo com este novo corpo, toda a roupa me parece desadequada. Os vestidos já não podem ser justos na cintura, como 99% dos vestidos que tinha, porque... surpresa!... já não tenho cintura. Muitos casacos já não fecham. As camisas começam a fechar a custo. É difícil viver com outras dimensões, acreditem. Adoro a minha barriguinha e tudo o que ela representa, mas perder as curvas é estranho. Não sou aquela grávida das revistas com pernas longas e braços magros. Não sou também a Carolina Patrocínio. Por isso, sinto-me só uma mulher mais gorda. Não passo entre duas cadeiras como antes passava. Ontem tentei saltar rapidamente do lugar do co-piloto para o lugar do condutor, no carro, e percebi que a barriga quase batia no volante. No estádio da Luz, percebi que ocupava mais espaço e que era mais difícil furar a multidão. A subir as escadas, percebi que o fôlego para saltar degraus de dois em dois já não dura nada. Enfim... A barriga é fofinha, mas é espaçosa, caraças! E até maio ainda muito deve aumentar.
Entretanto, inspirações que encontrei ontem nos Globos de Ouro para recém-gordinhas como eu irem vestindo em dia de festa:
Entretanto, inspirações que encontrei ontem nos Globos de Ouro para recém-gordinhas como eu irem vestindo em dia de festa:
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| Olivia Wilde, grávida com diferença de mim de apenas mais uma semana. Bem elegante num Gucci, mas ela é alta e magra, por isso, mesmo grávida fica bem de qualquer maneira. |
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| Kerry Washington num Balenciaga fofinho. Não sei de quanto tempo estará grávida, mas gostei muito da barriguinha a espreitar, orgulhosamente, pelas duas "asas" do vestido. |
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| Drew Barrymore num Monique Lhuiller florido. Também não sei de quanto tempo estará grávida. Gosto do ar jovem, romântico e descontraído do vestido. |
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| Lena Dunham num ... Ok, estou só a ser mazinha. Não está grávida. Pelo menos que se saiba. |
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Encontrei o meu castelo
Aquela imagem sempre me perseguiu: um castelo construído numa pequena encosta verdejante e rodeado de rio por todos os lados. E sabia que, se fosse rainha, me bastaria um reino daquele tamanho: a estender-se das paredes do castelo até ao rio. Aquela imagem perseguia-me e imaginava quem lá teria vivido, se teria noção da beleza daquele lugar e do privilegiados que seriam todos os seus habitantes. Mas os anos foram passados e nada sabia sobre aquela imagem. Não sabia o nome do local, não sabia onde se situaria, nem a história por trás daquela construção. Ontem foi, em parte, o dia destas descobertas. Descobri que aquele castelo se chamava "castelo de Almourol", descobri que ficava no rio Tejo, em Vila Nova da Barquinha, Santarém, a uma hora de Lisboa, e descobri também que estava relacionado com os Templários. Li meia dúzia de lendas e histórias associadas ao local e não aguentei mais:
- Vamos dar uma volta? Ainda por cima está um dia ótimo para passear.
- Até onde queres ir?
- Já vais ver.
O "já" demorou uma hora. Quando lá chegámos, a surpresa.
- Oh. Acreditas que sempre quis vir aqui, mas não sabia onde ficava?
- Éramos dois.
Aquilo ainda é mais bonito ao vivo que nas fotografias, o que é tão raro acontecer. Infelizmente, o castelo estava em obras e só o podemos ver por fora, da outra margem, e depois contorná-lo de barco. Mas valeu mesmo a pena. Que belo passeio! No final, ainda almoçámos em Constância, terra que tanto inspirou Luís de Camões, nas margens do Zêzere, e visitámos Castelo de Bode. Senti-me longe de tudo e de todos, perdida nas lendas dos Templários e nos sonetos de Camões. Vale mesmo a pena a visita, aconselho.
- Vamos dar uma volta? Ainda por cima está um dia ótimo para passear.
- Até onde queres ir?
- Já vais ver.
O "já" demorou uma hora. Quando lá chegámos, a surpresa.
- Oh. Acreditas que sempre quis vir aqui, mas não sabia onde ficava?
- Éramos dois.
Aquilo ainda é mais bonito ao vivo que nas fotografias, o que é tão raro acontecer. Infelizmente, o castelo estava em obras e só o podemos ver por fora, da outra margem, e depois contorná-lo de barco. Mas valeu mesmo a pena. Que belo passeio! No final, ainda almoçámos em Constância, terra que tanto inspirou Luís de Camões, nas margens do Zêzere, e visitámos Castelo de Bode. Senti-me longe de tudo e de todos, perdida nas lendas dos Templários e nos sonetos de Camões. Vale mesmo a pena a visita, aconselho.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Como afastar ciganos em 22 segundos
A verdade é que acredito que até tenho um bom coração, mas (e quando se põe um "mas" a seguir a uma frase destas, está tudo dito, não é?)... com a idade perdi a paciência para pedintes profissionais. Pronto, já disse. Por isso, à trigésima sexta vez que fui ao Pingo Doce ao pé de casa e me cruzei com a mesma cigana, mulher nos seus trinta anos, com ar saudável, mas tom de voz caprino, deixei de sentir por ela o-que-quer-que-fosse-que-supostamente-faria-de-mim-uma-boa-católica. E deixei sequer de me incomodar com a sua presença e o seu "meninaaaa" com ar de súplica com que me brinda sempre. Por isso, esta história que hoje quero contar não é para mostrar o boa pessoa que sou. Nada disso.
Ora, estava eu a sair do supermercado com um saco enorme de compras, quando, ao ouvir o vibrante e já familiar "meninaaaa", lembrei-me de lhe perguntar se queria comer alguma coisa. Continuo a achar que tem bom corpinho para trabalhar, mas pronto, algo em mim lá decidiu mostrar-lhe o saco com o pão e iogurtes.
- Queres um iogurte?
- Sim...
- Pronto, então toma.
Dei-lhe um iogurte líquido dos que costumo comprar para mim, de aloé vera.
- Ahh... de que é?
- É de aloé vera. É bom.
- Não tens de morango?
- Não. Só de aloé vera.
- E chocolates, não tens?
- Não. Hoje não comprei gulodices.
- Ah então toma, obrigada. Não gosto.
Eu avisei que a história não era para mostrar o boa pessoa que sou. Esta é a história do dia irónico em que a minha comida não foi boa o suficiente nem para uma cigana. Esta é a história do dia em que decidi que vou continuar a beber iogurtes de aloé vera enquanto continuarem a ser vendidos, mesmo que não sejam bons o suficiente para alguns. Esta é a história do aloé vera xenófobo.
Ora, estava eu a sair do supermercado com um saco enorme de compras, quando, ao ouvir o vibrante e já familiar "meninaaaa", lembrei-me de lhe perguntar se queria comer alguma coisa. Continuo a achar que tem bom corpinho para trabalhar, mas pronto, algo em mim lá decidiu mostrar-lhe o saco com o pão e iogurtes.
- Queres um iogurte?
- Sim...
- Pronto, então toma.
Dei-lhe um iogurte líquido dos que costumo comprar para mim, de aloé vera.
- Ahh... de que é?
- É de aloé vera. É bom.
- Não tens de morango?
- Não. Só de aloé vera.
- E chocolates, não tens?
- Não. Hoje não comprei gulodices.
- Ah então toma, obrigada. Não gosto.
Eu avisei que a história não era para mostrar o boa pessoa que sou. Esta é a história do dia irónico em que a minha comida não foi boa o suficiente nem para uma cigana. Esta é a história do dia em que decidi que vou continuar a beber iogurtes de aloé vera enquanto continuarem a ser vendidos, mesmo que não sejam bons o suficiente para alguns. Esta é a história do aloé vera xenófobo.
Depois da tempestade... A b...urrice
O ditado diz que "depois da tempestade, vem a bonança". No entanto, no meu caso, depois de dia e meio de espirros, tosse, arrepios, dores e todo um cenário desagradável, hoje desapareceu tudo milagrosamente... mas a doença deve ter-me corroído o cérebro! Juro. E, em vez da bonança prometida no tal ditado, ficou só a burrice.
Sabem aqueles dias em que nada vos sai bem? Hoje vivi um desses dias. Lia o que escrevia vezes sem fim, enviava, mas depois corrigiam-me gralhas. Gralhas que estavam ali à minha frente e que eu não tinha visto, por mais vezes que lesse. Fui ao café tentar despertar, pediram-me o NIF como habitualmente, para emitirem a fatura, deu-me uma branca terrível.
- 22333xxxxxx
- Deu-me um número a mais.
- 22233xxxxx
- Continua a não dar.
E a minha cabeça num vazio pastoso. Nada. O vazio a descer-me para os olhos. Desisti da fatura e do sorteio da administração tributária.
Voltei para o trabalho e a desgraça voltou. Fui à casa-de-banho lavar a cara e era notório. Até a minha expressão facial era de burra. A burrice estava a consumir-me de dentro para fora... E isto parece exagero, mas foi o que senti: que estava tão burra que não dava uma para a caixa. Só no final do dia comecei a melhroar. Antes constipada que isto, só vos digo! Será isto o famoso "cérebro de grávida"? Para mal dos meus pecados, temo que sim...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
A prova do crime
Para piorar o meu estado de ontem, hoje acordei com arrepios, cabeça a latejar de dores, tonturas, a testa quente, espirros, tosse... Tudo a piorar ao longo do dia. E o que é que uma grávida pode tomar nestas ocasiões? Apenas Ben-u-ron ou optar por mezinhas caseira, chás quentes, caminha e agasalho. De qualquer maneira, tinha que trabalhar a bem ou a mal. E como sou teimosa, decidi insistir no meu plano da dieta mais saudável na mesma, por isso, lá fiz o batido verde, mesmo a tiritar de frio. As quantidades?
2 folhas de couve,
1 courgette,
2 kiwis,
3 brócolos,
3 fatias de ananás,
2 colheres de sementes
sumo de 2 limões.
Podem acrescentar água!
Eu confesso que não tinha as quantidades comigo, quando fiz, por isso, foi tudo a olho. Saiu um pouco espesso, porque pus sumo só de meio limão e troquei as medidas todas, mas o sabor prometia! Gosto de alimentos ácidos, mas se não gostam, aconselho-vos a escolherem kiwis maduros e a colocarem água e um pouco de mel para adoçar. Espero que gostem! Quanto a mim, vou ver se mato estes vírus o mais rapidamente possível. Bons batidos!
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Dieta verde
"Somos o que comemos", ouvi há bocado na televisão, enquanto fazia saltava entre os canais. Acho que a frase foi dita num programa de animais, a propósito da necessidade de se dar ração aos nossos amigos de quatro patas, mas agora isso não interessa nada para o caso. O que interessa é que fiquei com a frase na cabeça, completamente retirada do contexto em que foi dita. E isto porque acordei super constipada, passei o dia a espirrar de cinco em cinco minutos e a tossir nos intervalos, a sentir-me exausta e miserável, e, talvez por isso, a frase fez todo o sentido para mim. "Sou o que como! E estou uma porcaria, porque só ando a comer porcarias!", foi o que pensei. O que me vale é que, nem de propósito, hoje fui almoçar com uma amiga que partilhou comigo a receita de um batido que diz ser milagroso, um batido verde. Já tinha ouvido falar nisso dos batidos verdes, mas eram uma espécie de mitos urbanos para mim: sabia que existiam, mas ainda não tinha tido prova da sua existência nem os tinha visto. Pois a minha amiga fez um sorriso de orelha a orelha e mostrou-me um post-it onde tinha apontado todos os ingredientes necessários para a "poção mágica". Eu? Não resisti a fotografá-lo, entre dois espirros, para reproduzir e experimentar a receita já amanhã.
Os ingredientes já estão, a esta hora, todos no frigorífico e a liquidificadora já está preparada... Se esta saúde não melhora com bróculos, courgettes, kiwis, ananás e sementes de linhaça, não sei como melhorará. Só espero que o sabor não seja tão nojento como imagino. Já alguém experimentou estes batidos verdes?? São realmente milagrosos ou só intragáveis? Se correr bem, amanhã partilho com vocês o resultado.
Os ingredientes já estão, a esta hora, todos no frigorífico e a liquidificadora já está preparada... Se esta saúde não melhora com bróculos, courgettes, kiwis, ananás e sementes de linhaça, não sei como melhorará. Só espero que o sabor não seja tão nojento como imagino. Já alguém experimentou estes batidos verdes?? São realmente milagrosos ou só intragáveis? Se correr bem, amanhã partilho com vocês o resultado.
O "debate" do dia
Os meus colegas de trabalho não discutem Casas dos Segredos. Os meus colegas de trabalho não perdem tempo com programas sensacionalistas ou revistas cor-de-rosa. Os meus colegas de trabalho não discutem futebol, não discutem viagens ou roupa. Os meus colegas de trabalho discutem política, história, religião e cinema. E de vez em quando há temas que aquecem, porque nem sempre estão(estamos) todos de acordo. Hoje o tema matinal foi a entrevista do Mário Soares a propósito da morte de Eusébio (tema que já foi discutido aqui ontem).
Para quem não sabe do que se tratou, Mário Soares voltou a ser tema hoje lá no trabalho (e um pouco por todo o lado, não?) por ter dito, nesta entrevista a propósito da morte de Eusébio, que este não era um homem muito culto e que sabia que ele bebia muito whisky logo de manhã e à tarde. Podem ouvir a entrevista e confirmar por vocês mesmos o contexto em que as frases foram ditas. Ora, quando ouvi a entrevista, fiquei chocada. Sinceramente nem fico facilmente chocada com qualquer coisa, mas estas palavras pareceram-me despropositadas e dispensáveis, para não dizer mais. Um dos meus colegas, no entanto, tinha uma posição oposta à minha: para ele, não é por alguém morrer que temos que ser mais contidos nas nossas opiniões. Para ele, seria até falta de respeito adotar um discurso hipócrita perante a morte de alguém. Eu expliquei-lhe que, neste caso, o que foi chocante foi esta opinião relativamente ao Eusébio ser desconhecida e não se encontrar justificada por nenhum conflito que tenha existido entre os dois. Para mim, uma coisa era ambos se terem defrontado ao longo da vida e já terem divergências conhecidas. Outra coisa é nunca se ter ouvido insinuações deste calibre (alcoolismo) partilhadas pelo Mário Soares e este tipo de críticas (falta de cultura) até ao dia da morte de Eusébio. Parece-me que seria boa educação conter as palavras e pensar na família e nos fãs. A verdade é que até podia não gostar do homem, mas todo o discurso me pareceu extremamente deselegante. Eusébio foi um jogador inigualável. Gostando-se ou não da personalidade, parece-me que críticas tão negativas não deveriam ter sido guardadas para esta altura mais delicada. E nem se trata de hipocrisia, mas sim de educação!
E vocês, concordam comigo? Ou têm a mesma opinião do meu colega e acham que se pode sempre emitir as nossas opiniões, independentemente da ocasião?
Para quem não sabe do que se tratou, Mário Soares voltou a ser tema hoje lá no trabalho (e um pouco por todo o lado, não?) por ter dito, nesta entrevista a propósito da morte de Eusébio, que este não era um homem muito culto e que sabia que ele bebia muito whisky logo de manhã e à tarde. Podem ouvir a entrevista e confirmar por vocês mesmos o contexto em que as frases foram ditas. Ora, quando ouvi a entrevista, fiquei chocada. Sinceramente nem fico facilmente chocada com qualquer coisa, mas estas palavras pareceram-me despropositadas e dispensáveis, para não dizer mais. Um dos meus colegas, no entanto, tinha uma posição oposta à minha: para ele, não é por alguém morrer que temos que ser mais contidos nas nossas opiniões. Para ele, seria até falta de respeito adotar um discurso hipócrita perante a morte de alguém. Eu expliquei-lhe que, neste caso, o que foi chocante foi esta opinião relativamente ao Eusébio ser desconhecida e não se encontrar justificada por nenhum conflito que tenha existido entre os dois. Para mim, uma coisa era ambos se terem defrontado ao longo da vida e já terem divergências conhecidas. Outra coisa é nunca se ter ouvido insinuações deste calibre (alcoolismo) partilhadas pelo Mário Soares e este tipo de críticas (falta de cultura) até ao dia da morte de Eusébio. Parece-me que seria boa educação conter as palavras e pensar na família e nos fãs. A verdade é que até podia não gostar do homem, mas todo o discurso me pareceu extremamente deselegante. Eusébio foi um jogador inigualável. Gostando-se ou não da personalidade, parece-me que críticas tão negativas não deveriam ter sido guardadas para esta altura mais delicada. E nem se trata de hipocrisia, mas sim de educação!
E vocês, concordam comigo? Ou têm a mesma opinião do meu colega e acham que se pode sempre emitir as nossas opiniões, independentemente da ocasião?
domingo, 5 de janeiro de 2014
Cartas de amor versão 3.0
Primeiro, eram as cartas. Os namorados, os amigos, as famílias, todos as usavam quando estavam longe. Depois, vieram os emails. As saudades passaram a ser lidas, não na caligrafia original, mas sim em Times new roman ou Arial tamanho 10 ou 11. Até que depois veio o Skype e o FaceTime, para aqueles que têm o telefone com a maçãzinha atrás. E é assim que as saudades são agora mortas: com os sorrisos separados por um ecrã. Perdeu-se a magia da leitura, ganhou-se em realismo.
Hoje foi a vez de matar saudades da minha irmã através do Skype. À mesa, enquanto jantávamos em família, a minha irmã entrava-nos casa adentro, em direto. A voz, o sorriso, as gargalhadas eram tão reais que só faltava um abraço. Infelizmente não estava aqui, estava a centenas de quilómetros. Detesto distâncias e sou fã das cartas à moda antiga... Mas hoje foi o dia de dar o braço a torcer e agradecer à tecnologia, que me permitiu sentir a minha irmã mais perto, como se estivesse aqui connosco, avó materna incluída. Entretanto, vou despedir-me eu da família, que também não trabalho junto deles. Aii anseio o dia em que deixemos de estar todos separados. :(
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Dos práticos não reza a história
Ela era tão prática que usava sempre o cabelo curto para não ter trabalho de o pentear ou secar. Ela era tão prática que lavava a cara todas as manhãs só com água para não perder tempo com mais nada. Ela era tão prática que não usava saltos altos – dizia que magoavam os pés e que não davam jeito para andar rápido, sim, porque ela andava sempre com pressa. Ela era tão prática que nunca arranjava as unhas, era uma perda de tempo. Ela era tão prática que dispensava acessórios – para quê estar a combinar brincos um dia ou pulseiras noutro? Tinha mais que fazer. Ela era tão prática que já usava mochilas pequenas mesmo antes das grandes marcas terem aderido ao revivalismo e não perdia tempo a acompanhar a tendência das malas. Ela era tão prática que ria-se do desperdício de tempo que as mulheres maquilhadas, de cabelos compridos, saltos altos e acessórios com certeza acumulavam todos os dias. Até que um dia alguém lhe perguntou o que tinha feito com toda essa imensidão de horas que tinha poupado, já que nunca tinha perdido tempo com nada disso. E ela, tão prática, ficou ali a pensar, a pensar… não tinha escrito um livro. Não tinha feito mais desporto. Não tinha trabalhado mais. Não tinha ido a mais concertos. Não tinha visto mais filmes. Não se tinha apaixonado mais vezes. E pensou, pensou em que é que tinha, afinal, investido todo esse tempo… até que gastou todas as poupanças de segundos acumuladas ao longo daqueles anos.
Ora aqui vamos nós... "a" lista!
Hoje li um email duma amiga com o resumo de resoluções de ano novo mais bonito que já li, escrito por ela. Basicamente, ela e o namorado de há doze anos juntam-se todos os anos e escrevem alguns desejos que esperam concretizar durante o ano. No final do ano, comparam o que alcançaram, o que ficou por alcançar e discutem o que ficou por realizar e porquê. Contou-me ela que reparou que no ano passado até se esqueceu de usar um dos 12 desejos que tinha disponíveis com dinheiro - quando se lembrou de pedir algo relacionado com dinheiro, já todos os desejos estavam utilizados. Pediu essencialmente que a filha nascesse perfeitinha e saudável (estava grávida na última passagem de ano) e disse que o maior segredo para que os anos corressem sempre bem era ter a pessoa que tinha ao lado dela, que a fazia rir quando as coisas corriam bem, mas que também fazia rir e animava quando as coisas corriam mal. Li essa parte com um nó na garganta. Talvez por ter vindo dela, minha amiga de infância, e sempre muito menos romântica que eu. Talvez por sentir que esse é o estado de espírito que pretendo atingir - sentir-me tão completa ao ponto de me esquecer do dinheiro. Talvez por desejar que aquelas palavras tivessem sido escritas e sentidas por mim. Mas a verdade é que não foram...
Sinto-me incompleta. Muito. E continuo a querer, ano após ano, maior estabilidade profissional. Mais dinheiro. Mais tempo para mim. Mais viagens. Mais livros. Mais escrita. E... mais romance. Mais beijos. Mais programas bons. E sim, saúde, muita saúde. Para mim, para a família, para os amigos. Para a Cookie. Quando é que se deixa de querer mais? Quando é que ficamos completas? Quando é que se carrega no botão do Stop e passamos a desejar apenas que as coisas se mantenham? Não sei. E acho que me emocionei ao ler o email da minha amiga por me sentir tão longe desse estádio de espírito. Acho que me emocionei ao ler aquelas palavras, porque sei que sou uma eterna insatisfeita e sei que me sinto sempre uma pessoa em construção, a tentar tornar-me melhor do que aquilo que sou. Talvez um dia consiga sentir algo assim. Talvez um dia...
Para 2014, o que desejo então?
1. Uma filha 100% saudável, com todas as ferramentas disponíveis para se vir a tornar uma mulher feliz. E não vou mentir: também espero que seja linda de morrer e inteligentíssima. Este é o meu espaço, tenho que ser honesta comigo mesma, certo?
2. Estabilidade profissional. (Também não me importo se for aumentada. Mais uma vez, tenho que ser honesta comigo mesma.)
3. Mais tempo. Mais tempo para os amores da minha vida. Para a família. Para os amigos. Deixar de deixar tudo para a última da hora. Aproveitar os segundos todos desde o início.
4. Recuperar o meu corpo depois da gravidez. Podem ficar as mamas (já estamos grandes amigas, as três, adoro-as), mas o resto do peso que estou a ganhar, dispenso depois do parto. Uma amiga já me disse que estou mais larga e esta frase vai-me atormentar enquanto não me vir ao espelho e não me achar boa como o milho...
5. Dormir mais. Dormir mais. Dormir mais. (Será incompatível com a bebé?)
6. Acordar mais cedo. (Será incompatível com a bebé?)
7. Recuperar hábitos de alimentação mais saudável. (Devia ser completamente compatível com estar grávida, mas sou uma gulosa do pior)
8. Retomar a corrida lá para agosto. (Será incompatível com a bebé?)
9. Ler pelo menos um livro por mês. (" " " " "?)
10. Ver pelo menos um bom filme por semana. (" " " " "?)
11. Poupar. Poupar. Poupar. (" " " " "?)
12. Mostrar mais vezes às pessoas que me são importantes o que significam para mim. Por palavras e por gestos também.
E os vossos planos? Vá, sejam sinceros também. :)
Sinto-me incompleta. Muito. E continuo a querer, ano após ano, maior estabilidade profissional. Mais dinheiro. Mais tempo para mim. Mais viagens. Mais livros. Mais escrita. E... mais romance. Mais beijos. Mais programas bons. E sim, saúde, muita saúde. Para mim, para a família, para os amigos. Para a Cookie. Quando é que se deixa de querer mais? Quando é que ficamos completas? Quando é que se carrega no botão do Stop e passamos a desejar apenas que as coisas se mantenham? Não sei. E acho que me emocionei ao ler o email da minha amiga por me sentir tão longe desse estádio de espírito. Acho que me emocionei ao ler aquelas palavras, porque sei que sou uma eterna insatisfeita e sei que me sinto sempre uma pessoa em construção, a tentar tornar-me melhor do que aquilo que sou. Talvez um dia consiga sentir algo assim. Talvez um dia...
Para 2014, o que desejo então?
1. Uma filha 100% saudável, com todas as ferramentas disponíveis para se vir a tornar uma mulher feliz. E não vou mentir: também espero que seja linda de morrer e inteligentíssima. Este é o meu espaço, tenho que ser honesta comigo mesma, certo?
2. Estabilidade profissional. (Também não me importo se for aumentada. Mais uma vez, tenho que ser honesta comigo mesma.)
3. Mais tempo. Mais tempo para os amores da minha vida. Para a família. Para os amigos. Deixar de deixar tudo para a última da hora. Aproveitar os segundos todos desde o início.
4. Recuperar o meu corpo depois da gravidez. Podem ficar as mamas (já estamos grandes amigas, as três, adoro-as), mas o resto do peso que estou a ganhar, dispenso depois do parto. Uma amiga já me disse que estou mais larga e esta frase vai-me atormentar enquanto não me vir ao espelho e não me achar boa como o milho...
5. Dormir mais. Dormir mais. Dormir mais. (Será incompatível com a bebé?)
6. Acordar mais cedo. (Será incompatível com a bebé?)
7. Recuperar hábitos de alimentação mais saudável. (Devia ser completamente compatível com estar grávida, mas sou uma gulosa do pior)
8. Retomar a corrida lá para agosto. (Será incompatível com a bebé?)
9. Ler pelo menos um livro por mês. (" " " " "?)
10. Ver pelo menos um bom filme por semana. (" " " " "?)
11. Poupar. Poupar. Poupar. (" " " " "?)
12. Mostrar mais vezes às pessoas que me são importantes o que significam para mim. Por palavras e por gestos também.
E os vossos planos? Vá, sejam sinceros também. :)
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
E as resoluções para 2013?
Ter um blog em que me comprometi comigo mesma que escrevia todos os dias nem sempre é fácil. Há dias em que chego a casa às 22h, depois de um dia em frente ao computador, e a última coisa que me apetece é pegar novamente noutro computador e recomeçar a escrever com esta luz virada para mim. Há dias em que tenho vontade de apenas escrever sobre assuntos tão íntimos e pessoais que é difícil arranjar temas mais "leves" e impessoais que possam ser partilhados. E há, depois, há dias como este, em que me lembro de ler algo antigo e agradeço a mim mesma ter tido esta ideia. Sou desorganizada, tenho sempre a cabeça a mil, a fervilhar de ideias, e reler-me é como encontrar o índice deste caos que sou. Hoje lembrei-me de ler as minhas resoluções de ano novo do ano passado. E o que me ri (sou uma fraude, não fiz quase nada!). Foram estas:
1. Terminar a tese.
2. Ter pelo menos 17 na dissertação. Sei que estou a ser ambiciosa, mas era o meu sonho.
3. Ganhar mais que em 2012.
4. Levar a actividade desportiva mais a sério e dedicar-me, pelo menos 3 vezes por semana, ao desporto.
5. Retomar um dos meus hobbies antigos.
6. Continuar a escrever neste blog.
7. Ser uma filha mais presente e ligar mais às avós e restante família.
8. Marcar mais jantaradas cá em casa. Tenho sido preguiçosa a organizar jantares.
9. Atingir os 55kgs. Mesmo com as jantaradas, portanto.
10. Dedicar mais tempo à casa e à decoração da mesma.
11. Adoptar um estilo de alimentação mais saudável: adeus chocolates, batatas fritas e fast food.
12. Ler pelo menos um livro por mês.
13. Preparar mais surpresas românticas. Ando um bocado desleixada. (Tu, se me lês, não me atires isto à cara, sim? Admitir é o primeiro passo! :))
14. Passar um fim-de-semana na neve, pois tenho saudades de fazer snowboard (Até já sonho com isso).
15. Ser mais pontual. Todos me dizem que é o meu pior defeito. E sei que passa por má-educação. Tenho que mudar isso urgentemente!!
16. Não ter medo de dizer "NÃO". Acabo muitas vezes por dizer que sim a tudo e depois fico com programas em simultâneo, o que é chato para quem me convida.
17. Não voltar a comprar presentes de Natal ou de aniversários no próprio dia. Compro sempre coisas mais caras do que aquilo que queria.
18. Não cortar a franja. Não me fica bem, definitivamente. Não me posso esquecer disso.
19. Deitar-me antes das 2h se não vou trabalhar/ fazer a tese.
20. Fazer pelo menos 10 destas resoluções."
2. Ter pelo menos 17 na dissertação. Sei que estou a ser ambiciosa, mas era o meu sonho.
3. Ganhar mais que em 2012.
4. Levar a actividade desportiva mais a sério e dedicar-me, pelo menos 3 vezes por semana, ao desporto.
5. Retomar um dos meus hobbies antigos.
6. Continuar a escrever neste blog.
7. Ser uma filha mais presente e ligar mais às avós e restante família.
8. Marcar mais jantaradas cá em casa. Tenho sido preguiçosa a organizar jantares.
9. Atingir os 55kgs. Mesmo com as jantaradas, portanto.
10. Dedicar mais tempo à casa e à decoração da mesma.
11. Adoptar um estilo de alimentação mais saudável: adeus chocolates, batatas fritas e fast food.
12. Ler pelo menos um livro por mês.
13. Preparar mais surpresas românticas. Ando um bocado desleixada. (Tu, se me lês, não me atires isto à cara, sim? Admitir é o primeiro passo! :))
14. Passar um fim-de-semana na neve, pois tenho saudades de fazer snowboard (Até já sonho com isso).
15. Ser mais pontual. Todos me dizem que é o meu pior defeito. E sei que passa por má-educação. Tenho que mudar isso urgentemente!!
16. Não ter medo de dizer "NÃO". Acabo muitas vezes por dizer que sim a tudo e depois fico com programas em simultâneo, o que é chato para quem me convida.
17. Não voltar a comprar presentes de Natal ou de aniversários no próprio dia. Compro sempre coisas mais caras do que aquilo que queria.
18. Não cortar a franja. Não me fica bem, definitivamente. Não me posso esquecer disso.
19. Deitar-me antes das 2h se não vou trabalhar/ fazer a tese.
20. Fazer pelo menos 10 destas resoluções."
Quantas fiz realmente? Quase nenhuma. E nem eram demasiado ambiciosas. Suspendi a tese, apesar de estar quase terminada, não fiquei magra, não ganhei mais este ano, não passei a comer só saladas e grelhados, não li mais, não voltei à neve,... Por isso, o meu maior orgulho foi, muito honestamente, ter conseguido levar a sério o ponto 6. Sim, continuei a escrever neste blog. E foi a maior decisão que tomei. Tem sido realmente terapêutico. Agora é altura de pensar nas resoluções para 2014. Amanhã partilho tudo com vocês. Espero que estejam a ter um ótimo início de ano!
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Ai ca nervos!
Estávamos os dois a passear no final da tarde, por Sintra, quando me lembro que... não tinha roupa interior nova azul para começar o ano! Nem sou muito supersticiosa, mas a verdade é que em 2008 fiz isso e foi dos meus melhores anos de sempre. A partir daí, comecei a acreditar que os dois acontecimentos estavam completamente interligados e que, se bastava um truque tão simples, por que não repeti-lo? Pois então, lembrei-me disso hoje quase às 18h, com todas as lojas quase a fechar e longe como um raio de qualquer shopping. Desabafei com ele:
- Não comprámos roupa interior! Onde havemos de comprar agora?
- Ui... deixa ver se passamos por alguma loja que venda pijamas e assim...
Andámos, andámos.
- Olha esta. Tem peúgas e lenços, pelo menos. É o mais perto que vimos até agora.
- Vou perguntar!
Entrei e estava só uma senhora ao balcão, a atender uma família inteira com dois filhos aí nos seus quinze, dezasseis anos. Fiquei à espera que me abordasse.
- Boa tarde! Em que posso ajudá-la?
- ... Boa tarde! Desculpe a pergunta, mas por acaso não vende roupa interior? - tentei perguntar o mais baixo possível.
- Diga?
- ... Roupa interior... Por causa da passagem de ano... Dizem que tem que se estrear roupa azul, não é? - acrescentei, mais envergonhada que eu sei lá, como se tivesse que lhe dar explicações.
- Temos algumas peças. Só um momento, por favor.
- Obrigada.
Entretanto, a família lá saiu e estivemos a ver o que havia. Escusado será dizer que eram só cuecas gigantes e com padrões horríveis. Pensei que nenhum ano podia correr bem com aquilo vestido. Agradeci e vim embora. Ele estava cá fora, à espera, a segurar a Malti.
- Não tem nada de jeito...
- Deixa lá. Sabes, deixaste a senhora que estava na loja chocada.
- Chocada? Com o quê?
- Pediste roupa interior, não foi?
- Sim...
- Pois, ela estava a sair e a comentar com o marido, escandalizada - "por amor de Deus, quem é que entra numa loja e pergunta se tem roupa interior?".
- Ai sim? Ela não compra, é? É que a única maneira de comprar é entrar numa loja, acho eu.
- Deixa lá. Eu fiz-lhe uma cara que ela calou-se logo. Mas foi de rir, estava mesmo chocada contigo!!
Agora digam-me: qual é o problema de perguntar numa loja se há roupa interior? Temos que ter vergonha de usar cuecas? Que nervos de gente... Se ficam chocados com isto, nem quero ver como são no dia-a-dia... De qualquer maneira, o meu ano já vai começar sem uma parte do ritual. Vamos lá ver se as doze uvas passas são fortes o suficiente para tratar sozinhas do bom ano. Bem preciso! :)
Feliz 2014 a todos!! Que todos vossos sonhos se realizem!!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Aquele "X" que muda tudo
Em vésperas de se saber o sexo do bebé, faziam-se apostas, partilhavam-se palpites, revelavam-se premonições. Uns tinham a certeza que era menino. Outros diziam "menina!" sem hesitar. O pai estava no primeiro grupo. Juntamente com os meus pais. E pais dele. E praticamente toda a família. "Vai ser menino! Não há dúvidas!". E eu, portadora da criança, permanecia em silêncio, sentindo-me apenas um invólucro humano destinado a trazer um novo ser ao mundo. "O que achas que vai ser? Não sentes nada? Dizem que as mães sentem logo. Dizem que as mães conseguem sentir se é menino ou menina". Mas eu não fazia parte desse grupo abençoado e geneticamente melhorado. Ainda tentei falar com a minha barriga, em silêncio - "ouve lá, tu que estás aí dentro: tens pilinha ou pipi?" - mas juro que não me responderam. Andava até um bocado triste por não ser uma mãe iluminada e não ter criado logo uma ligação para lá de espetacular com o meu pequeno rebento, a ponto de desenvolver imediatamente diálogos avançadíssimos. Por isso, em vésperas de consulta em que era quase garantido saber-se o sexo (o médico tinha-nos garantido que havia 90% de probabilidade de já conseguir ver), resolvi escrever meia dúzia de linhas ao ser que vivia aqui dentro. Foram estas as linhas que agora partilho, em parte, com vocês. É engraçado para mim relê-las, porque admito que já nem me lembrava do que tinha escrito há mês e meio atrás:
"11 de novembro de 2013, 14:02.
Querido filho ou filha,
À data de hoje ainda não sabemos o teu sexo. As apostas dos familiares e amigos multiplicam-se (...). Aqui a tua mãe, no entanto, ainda acredita, bem lá no fundo, que és... uma menina. Porquê? Porque sempre imaginei a minha vida com uma menina no colo. Porque sempre sonhei com uma menina a nascer, nos mil sonhos com partos que tive. Porque toda eu sou feminina e conheço apenas o mundo das mulheres. Porque toda a família próxima são mulheres. E porque tenho medo de não saber educar um rapaz. Porque tenho medo de o ver ficar com a voz grossa, com barba, de o ver tornar-se parvo e a tratar mal as raparigas. Porque sei que um dia vou vê-lo chegar a casa bêbedo ou vou descobrir que fuma às escondidas e tenho medo de não saber lidar com isso. De qualquer maneira, o teu pai quer tanto que sejas rapaz, que tenho que começar a pensar também nesse cenário, não é? A parte boa é que dizem que os rapazes são mais ligados à mãe... Há sempre uma parte boa, não é?
Não sabemos ainda o teu sexo. E como é que irás ser? Como é que será a tua carinha? Os teus olhos? O teu nariz? E o teu cabelo? Eu e o teu pai somos tão diferentes que há mil combinações que poderão sair daí. Estou curiosa, admito. Serás mais moreno ou mais branquinho? Resmungão ou mais calminho? Vais gostar tanto de música como nós? Vais alinhar nas nossas cantorias e danças aparvalhadas? Vais ter sentido de humor e rir-te das nossas piadas e brincadeiras? Vais gostar de ler como eu gosto? Vais ser desportista e sempre com vontade de fazer mil programas? Vais ser esperto e curioso, com vontade de saber tudo? Espero que sim. Tenhas apenas cromossomas X ou Y também. E acima de tudo espero perceber-te e compreender-te sempre. Espero que vejas sempre em mim alguém para conversar e alguém em quem confiar, como sempre vi a minha mãe. És feito de amor e espero que sintas sempre isso."
"11 de novembro de 2013, 14:02.
Querido filho ou filha,
À data de hoje ainda não sabemos o teu sexo. As apostas dos familiares e amigos multiplicam-se (...). Aqui a tua mãe, no entanto, ainda acredita, bem lá no fundo, que és... uma menina. Porquê? Porque sempre imaginei a minha vida com uma menina no colo. Porque sempre sonhei com uma menina a nascer, nos mil sonhos com partos que tive. Porque toda eu sou feminina e conheço apenas o mundo das mulheres. Porque toda a família próxima são mulheres. E porque tenho medo de não saber educar um rapaz. Porque tenho medo de o ver ficar com a voz grossa, com barba, de o ver tornar-se parvo e a tratar mal as raparigas. Porque sei que um dia vou vê-lo chegar a casa bêbedo ou vou descobrir que fuma às escondidas e tenho medo de não saber lidar com isso. De qualquer maneira, o teu pai quer tanto que sejas rapaz, que tenho que começar a pensar também nesse cenário, não é? A parte boa é que dizem que os rapazes são mais ligados à mãe... Há sempre uma parte boa, não é?
Não sabemos ainda o teu sexo. E como é que irás ser? Como é que será a tua carinha? Os teus olhos? O teu nariz? E o teu cabelo? Eu e o teu pai somos tão diferentes que há mil combinações que poderão sair daí. Estou curiosa, admito. Serás mais moreno ou mais branquinho? Resmungão ou mais calminho? Vais gostar tanto de música como nós? Vais alinhar nas nossas cantorias e danças aparvalhadas? Vais ter sentido de humor e rir-te das nossas piadas e brincadeiras? Vais gostar de ler como eu gosto? Vais ser desportista e sempre com vontade de fazer mil programas? Vais ser esperto e curioso, com vontade de saber tudo? Espero que sim. Tenhas apenas cromossomas X ou Y também. E acima de tudo espero perceber-te e compreender-te sempre. Espero que vejas sempre em mim alguém para conversar e alguém em quem confiar, como sempre vi a minha mãe. És feito de amor e espero que sintas sempre isso."
E assim termina...
... O último fim-de-semana do ano:
1. Consegui ir aos saldos ao El Corte Ingles, Zara, Adolfo Dominguez e Mango (não entrava numa Mango há mais dum ano, um dia explico a minha história traumatizante que me levou a cortar relações com a marca).
2. Sobrevivi. Nem estava muita gente, talvez por ter ido tão tarde. Fiquei mais pobre, mas com a sensação de ter feito boas compras.
3. Armei-me em fashion adviser e obriguei-o a experimentar meio El Corte Ingles. Meti-o no provador e, enquanto ele experimentava a roupa, eu saltitava entre a Boss, Ralph Lauren e Paul & Shark a escolher calças e casacos (sim, porque os homens têm menos três mil peças de roupa que as mulheres, mas são mais esquisitos nas marcas). Ia ouvindo uns "isto nem pensar, detesto!", mas não desisti. Conclusão? Saiu de lá com peças de roupa de estilos totalmente novos e deu-me vontade de repetir a façanha muitas mais vezes.
4. Fiquei sem bateria no carro por não o ligar uns dias, e tive que experimentar pela primeira vez em muitos anos a assistência em viagem. Aprovada! Rápidos e eficazes. Tenho carro outra vez.
5. Fui sair à noite pela primeira vez (e última?) grávida. Primeiro queria muito dançar, mas só via cigarros à volta e comecei a ter medo que o fumo fizesse mal. Quando finalmente relaxei e senti que estava a exagerar, pois o ar estava limpo, a música ficou mais alta e comecei a ter medo que a bebé estivesse incomodada. Parvoíces? Talvez... Mas até maio acho que danço só em casa ou no ginásio, pelo sim, pelo não...
6. Encontrei um ex colega que não via há anos, à porta da casa-de-banho. Perguntou-me se tinha novidades. Sabem aquele momento em que respondemos "tudo igual" por preguiça? Foi o que fiz. E arrastei a minha barriguinha embora.
7. As minhas calças mais justas já não apertam. Adeus, calças! Até daqui a uns meses!
8. Fomos à Feira Popular e fiquei mesmo desiludida. O piso é péssimo, os carrosséis parecem pré-históricos e até a Casa Fantasma só me permitiu soltar um "ai". E eu sou muiiiiito facilmente assustável.
9. As grávidas são as melhores amigas de qualquer pessoa que queira jantar fora: não bebemos álcool, tornamos o jantar mais barato e ainda podemos conduzir sempre. Além disso, ninguém se vai meter connosco na noite. Todas as mulheres deviam ter uma melhor amiga grávida.
10. Descobri uns sapatos até bem engraçados que alegadamente, quando calçados, aumentam o desejo na mulher. Têm umas pequenas bolinhas que massajam a planta do pé em pontos estratégicos, segundo me explicaram. E acrescentaram-me que as maiores clientes são mulheres mais "maduras". Fiquei a pensar experimentar para confirmar se funcionam.
11. Ainda não sei o que vou fazer na passagem de ano. É o mal de trabalhar dia 30. E vocês, já têm planos?
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