domingo, 9 de fevereiro de 2014
Os maridos ursos
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
As grávidas e os ursos
Ontem pus-me a ler avidamente livros e revistas sobre grávidas. Aprendi tantas coisas maravilhosas que até vou partilhar com vocês, tamanha é a alegria e a emoção que sinto neste momento. Aprendi que estou a abandonar a melhor fase da gravidez. Aprendi que a partir de agora vou deixar de ter posição para dormir. Que a partir de agora vou passar a ter azia. Que me vai nascer uma linha negra na barriga. Que posso ganhar manchas escuras na cara. Que vou ficar mais peluda em sítios improváveis. Que os meus mamilos vão crescer e escurecer. Que vou ter dores de costas. Que vou ter sono. Que vou ter dores de cabeça. Que vou ter fome. Muita fome. Que vou ter hemorroidas (mais nojento que isto não pode haver). Que vou ter tornozelos e pulsos inchados. Que vou passar a ver pior. Que posso ter comichão nas mãos. Ah e aprendi que vou passar a andar sempre cansada. Já disse que vou passar a andar sempre cansada?
Um urso. Em resumo, aprendi que vou transformar-me num urso gordo, escuro, lento e nojento. Um urso maternal, mas um urso. Se não estivesse já grávida, ia já para casa engravidar, tamanha é a beleza destas ricas descrições.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
O império desumidificador contra-ataca
E convenhamos que viver em constante tormento pelo cheiro que as minhas roupas possam inalar não é bom. Não é agradável. Não é uma vida pacífica como aquela a que estava habituada. O desumidificador já está instalado em minha casa e pronto a sugar toda a humidade não convidada, mas fiquei com medo dos danos retroativos, por isso, lavei roupa. E lavei. E lavei. Mesmo assim, parecia que o cheiro se mantinha entranhado e não havia maneira de sair. Sinceramente, a dada altura, pensei mesmo que já seria a minha pele, as minhas células, o meu corpo, o meu nariz a cheirar a humidade, a mofo, porque o cheiro parecia sempre estar ali, a rir-se na mesma cara. Por isso, comecei a abusar do perfume e a insistir nas borrifadelas matinais, logo ao acordar. "Perfume aqui no pescoço. Agora do outro lado. No pulso direito. No pulso esquerdo. Na roupa. Ora bem…. No decote, que agora tenho mais área para perfumar ("Oh yeah"). No cabelo…" Até que, no outro dia, comecei a ouvir os protestos dele.
- Ouve lá, estás a ver se consegues acabar o perfume hoje?
Não percebem nada, os homens. Eu ali a lutar contra um dos males atuais da humanidade: a humidade. Eu ali a travar uma luta silenciosa, daquelas que não abrem telejornais, nem fazem manchetes dos jornais, é verdade, mas que são travadas na descrição das nossas vidas, nos nossos lares. Eu ali a travar a luta duma vida. E interrompeu-me a missão com protestos. Ai estes homens. Só por isso, pela falta de compreensão e solidariedade, vou pedir-lhe para me trazer um perfume novo na próxima viagem que vai fazer, para a semana. ;)
Pippa: 1. Resmungões e humidade: 0
Saber contar a verdade
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
E vocês, já pediram a vossa fatura? ;)
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Unhas de barbatana
sábado, 1 de fevereiro de 2014
As barrigas das outras
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Precisa-se colaborador. Urgente.
Oferece-se: integração numa equipa em amplo crescimento (sim, diz que a rapariga vai ser mãe), dinâmica e proactiva (ou não, mas consta que esta palavra é requisito essencial em ofertas de emprego), possibilidade de viajar (pelo menos nos meandros da internet, que a crise pode não dá para muito mais) e trabalhar a partir de casa, e ainda salário adequado à experiência demonstrada.
Procura-se: alguém que partilhe o gosto pela escrita, saiba colocar corretamente as vírgulas nas frases, seja um chato de primeiro com a gramática (saber Latim é considerado mais-valia, mas línguas vivas também são bem-vindas), que acumule conhecimentos de informática, web designer e que adore o mundo dos blogs e das redes sociais.
Interessados? Enviar candidaturas para o email do blog, com carta de apresentação e curriculum vitae.
Sim, o anúncio é a brincar, mas a brincar dizem-se as verdades, não é o que se costuma dizer? E o que é certo é que este meu querido blog anda meio paradinho, cheio de teias de aranha, já, com tão pouca escrita, por isso, eu precisava mesmo mesmo da colaboração de alguém com as caraterísticas que descrevi para me representar durante o horário de trabalho, enquanto estou escravizada e praticamente sem um segundo para tentar dar um ar da minha (des)graça por aqui. A sério que precisava. Ai, mundo cruel! Não há ninguém que leve o anúncio a sério e se ofereça? :)
Não acredito em precipitações
- Patosa?
- Sí. Patosa!
E começou com a gesticular, a fingir deixar cair coisas, a fingir que tropeçava, enquanto se ria dela própria.
- Patosa...!
- Ah!
E, à falta de palavra mais engraçada ("trapalhona" e "distraída" não são palavras com uma sonoridade tão forte), lá ficou assim batizada - patosa.
Não consegui achar piada à minha professora de Espanhol à primeira. Achava que se ria muito, demasiado, até dobrar o lábio de cima, mesmo quando as coisas não tinham piada.
- ... Y entonces mi abuela se rompió una perna y se quedó coja desde ese día.
E ria, enquanto eu ficava séria, com os músculos da cara tensos, a pensar qual seria a piada em ver a avó com a perna partida e coxa até ao fim da vida. Definitivamente, não percebi o sentido de humor dela à primeira. E acho que, como eu, todo o resto da turma.
A minha professora de Espanhol tem horários de latina, explica muitas vezes. E tenta, assim, justificar os seus sucessivos atrasos. Mas só começámos a perdoar para aí à quarta vez. E porque ela depois compensava com aulas espetaculares e cheias de boa disposição.
A minha professora de Espanhol explicou-nos que os Espanhóis não nos odeiam - os Espanhóis odeiam os Franceses. A nós não odeiam, porque nem se lembram que existimos. "Es verdad!", insiste. Enquanto se ri. Muito. E explicou-nos que a mãe só se apercebeu que Portugal existia, quando ela veio para cá dar aulas. Agora, pelos vistos, está sempre a ligar-lhe a falar de Portugal, ou porque ouviu nas notícias, ou porque ouviu falar a nossa língua na rua... Vê-se que a professora gosta muito da mãe, porque, quando fala dela e se ri, não dobra o lábio de cima, mas dobra apenas os olhos, que ficam mais transparentes.
Hoje a minha professora de Espanhol voltou a atrasar-se. Dez. Quinze. Vinte minutos. "Ela bem diz que é patosa! Aposto que vai chegar a tropeçar e a pedir desculpa!", dizia um. "Se tivéssemos todos estes horários latinos, o país não saía do sítio", dizia outro. Até que alguém recebeu uma mensagem dum número estrangeiro e nos traduziu: "Desculpem. A minha mãe morreu. Vim para Espanha." Naquele momento, fez-se silêncio. E dei por mim apenas a pedir para voltar a ver o riso dela, as mímicas a fingir que tropeçava, o lábio de cima a dobrar para trás de tanto rir.... Naquele momento, fez-se silêncio absoluto, ninguém se riu mais, e tenho a certeza que todos viajámos para Espanha por uns segundos e lhe demos um abraço sentido. Sim, a minha professora de Espanhol pode ser patosa, e atrasada, e rir-se demais. Mas é também das professoras mais "guay" que já tive. Se o meu Espanhol chegasse, dizia-lhe tudo isto na língua dela. Assim, fica aqui registado no meu cantinho tudo o que me apetecia dizer-lhe.
Sim, não acredito em precipitações. Quando nos precipitamos a avaliar alguém, como fiz, erramos sempre. E ainda bem. Gosto de boas surpresas. Mesmo que vindas do lado de lá da fronteira.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Oh não aconteceu mesmo!
Alergias gramaticais
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Encontros imediatos
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
12 anos de golpadas
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
As grávidas também são safadas
Só há bocado é que parei dois segundos e pensei:“espera aí!! O que é que eu fui fazer? Mandei uma fotografia em lingerie aos meu ... PAIS!!”.
Sim, se tirarmos a pança, temos apenas uma mulher de trinta e um anos, em lingerie com rendas, a tirar uma fotografia a si mesma, rodeada de velinhas, e a enviá-la a quem? Ao namorado, para apimentar a relação? Ao marido? A um amigo especial, num momento de pura safadez? Nãaa. Aos pais. Definitivamente, a barriga muda muita coisa.
Entretanto, amanhã é dia de exames para ver se tenho diabetes gestacional. Dizem que se tem que beber um líquido nojento em jejum. E talvez repetir. Vou ter um ótimo início de fim-de-semana. Só espero não vomitar, como já ouvi dizer que acontece. E, já agora, também espero não ter diabetes. Seria um pouco chato. Porque os doces duas vezes por dia até têm sabido bem…
