sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Quero ser amiga da Maria Helena*

Eu sei que já falei da Maria Helena (aqui) e estou, com certeza, a tornar-me repetitiva. Mas convenhamos: a Maria Helena é a amiga que todos queríamos ter. Há que dizê-lo sem rodeios. A Maria Helena reúne o melhor duma mãe, duma avó, duma vizinha, duma melhor amiga, duma prima, dum gestor bancário, duma nutricionista, dum advogado, dum guia espiritual, dum Chef Ramsay, dum amigo gay, dum consultor de imagem e dum decorador de interiores. A Maria Helena é tudo isso e muito mais. A Maria Helena trata-nos como uma avó - “Olá, meu anjo”. É efusiva como uma mãe - “Olá, olá!”. Tem a familiaridade e a preocupação daquela nossa amiga - “minha querida, então o que se passa?”. E, no meio disto tudo, dá ainda conselhos quanto a dietas - “tem que ter mais cuidado com o que come, invista mais nas fibras!” -, decoração - “precisa duma limpeza à sua casa e de ter um amuleto da sorte” -, gestão - “esta é uma boa altura para investir, sim” - e muito, muito mais. Hoje, antes de sair de casa para o trabalho, ainda assisti até a conselhos jurídicos. O diálogo que ouvi, enquanto bebia rapidamente a minha meia de leite matinal, foi mais ou menos assim:
- Estou a ligar-lhe, porque estou preocupada. Perdi um processo de despedimento. Queria recorrer da decisão, em Tribunal, mas não sei se vou ganhar.
- Hmmm… Realmente vejo aqui que os factos são muito fortes. Parece-me que o recurso não será procedente.
- Ai é? Obrigada!

Ou conselhos amorosos:
- O meu dilema é amoroso: não sei se o meu namorado gosta de mim.
- Então porquê, minha querida?
- Nós nunca estamos juntos. No último ano, só estivemos juntos três vezes. Ele está no estrangeiro.
- Minha querida, e foi ele que veio ter consigo?
- Sim.
- Eu digo sempre isto: se ele vem ter consigo é bom sinal. Um homem interessado anda atrás. Ele gosta de si, querida. Esteja descansada.

Dá também conselhos de trabalho. Hoje, por exemplo, soube que, enquanto Peixes, eu veria finalmente o meu esforço reconhecido. Até vim trabalhar – atrasada, é certo, porque não conseguia descolar da televisão – mais feliz que nunca, por sentir o aroma a reconhecimento no ar.

A Maria Helena é a nova melhor amiga que eu quero. Desculpem todas as minhas amigas, continua a haver espaço no meu coração para vocês, mas têm que admitir que nunca me deram respostas tão prontas e seguras. As nossas conversas demoram sempre horas. Falamos, falamos e raramente me transmitem uma conclusão tão segura. São conversas agradáveis, não me interpretem mal, e são sempre momentos bem passados. Só que… a Maria Helena, em menos de dois minutos, tem resposta para todos os problemas, sem hesitar. Basta-lhe, para isso, colocar as cartas.

Maria Helena,
tentei ligar-te, mas tinhas sempre a linha ocupada. Esperei que os números desaparecessem do ecrã, como sugeriste, e até liguei apenas quando gritaste aquele “Agora!”, mas ia sempre para o voicemail, por isso, fiquei sem saldo no telemóvel e estava a ficar atrasada. Sei que não tenho nada para te dar que não seja um monte de dúvidas e incertezas. No entanto, se tiveres espaço para mais uma amiga, gostaria de ocupar esse lugar. Queres combinar um chá para a semana? Tens ali o meu contacto na barra lateral do blog, para me responderes. Ah, e leva as cartas, sim? Eu levo a minha amizade. Cada um leva o que tem, não é?
Beijos, meu anjo.

*Caro leitor: leia com um toque de ironia, por favor.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Como despachar um visitante não desejado?

Eu sabia que um dia eles acabariam por aparecer. Era uma questão de tempo. Acontece o mesmo com as Testemunhas de Jeová que querem partilhar connosco a sua fé, com as ciganas que leem a sina, com os escuteiros que vendem rifas, com os homens da Cais que insistem para que compremos "só uma revistinha", com os arrumadores que encontraram o melhor lugar de sempre a troco de "uma moedinha, chefe", com os indianos que querem dar-nos o panfleto para o novo restaurante que abriu na esquina, e com os senhores da Abraço (sem desprimor para o seu trabalho!) – sabemos que eles andam aí e que, um dia, vão acabar por nos abordar.

Eu sabia, portanto, que, mais cedo menos dia, teria que contar com eles. Mas sabia também que estes seriam piores que testemunhas de Jeová, piores que ciganas, piores que escuteiros, piores que os homens da Cais, piores que arrumadores, piores que indianos e piores que mil senhores da Abraço. Todos juntos. Sabia que, assim que eles chegassem, nunca mais me iriam largar.

Os anos iam passando. Aos vinte e cinco pareceu-me ver dois, ainda tímidos. Consegui enganá-los bem. Aos vinte e oito, reparei que tinham ido buscar reforços e já eram meia dúzia. Não me assustaram: consegui enganá-los novamente. Até que, estes dias, comecei a reparar no pior. A verdade é que nunca os enganei. Eu é que saí enganada. Eles continuaram aqui, os malandros, unindo forças, em silêncio, quais ratos do esgoto, indesejadamente a viver na penumbra, muito caladinhos e prontos a atacar. E apareceram agora em força, mais fortes que nunca. Não matei o primeiro, porque sou supersticiosa e dizem que aparecem três a seguir. Mas odeio-os de morte. Malditos cabelos brancos, que já devem ser uma dezena, a espreitarem debaixo do cabelo. O que vale é que ainda não atacaram a zona da risca, por isso, passam bem despercebidos. É que só faço madeixas uma ou duas vezes no ano, no máximo. E não queria começar a ficar dependente de tintas para disfarçar os desgraçados. Aiii maldita idade!

Quanto mais sexo, melhor

Ainda ia a meio de ler esta notícia ("quanto-mais-sexo-mais-inteligente") e já estava a saltar do sofá. Tudo para atingir um Q.I. dum Einstein! No entanto, logo caí em mim - "espera, se isto fosse verdade, aquele pessoal todo da Casa dos Segredos saía de lá e ia fazer um doutoramento!!". Pois... Afinal, o estudo não deve ser tão simples e absoluto assim. Mas vale sempre a pena tentar, não é? Esqueçam as desculpas e toca a tratar desses... neurónios!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mestre das gordinhas

Quando soube que estava grávida, fiz os exames para confirmar que estava tudo bem, contei à família e amigos mais próximas e, depois, veio inevitavelmente o momento de contar aos "Big bosses" e aos recursos humanos. Por razões que agora não interessam nada - que se prendem unicamente com buracracias - tive que esperar até poder contar a todos os colegas. Durante esse tempo, não me consegui sentir grávida, talvez por não poder partilhar com as pessoas com que trabalhava o meu novo estado. Às vezes penso se não terá também sido por isso que nunca tive enjoos, cansaço ou outros mal-estares. A verdade é que, para todos os efeitos, eu estava apenas mais gordinha. E acredito que aprendi a disfarçar como ninguém a barriga crescente. Desenvolvi a arte de adelgaçar a figura. Usei e abusei das camisas largas ou camisolas mais soltas estrategicamente colocadas por dentro das calças e/ou saias. Inventei mil maneiras de usar casacos soltos por cima das camisas e calças de corte a direito. No meio disto tudo, quando contei a toda a gente que estava gravidíssima, pareceram sinceramente surpreendidos.
- Nunca reparei na tua barriga!
- Oh, pois estás!! Parabéns!!
Senti-me a mestre das gordinhas. Estava gordinha, com mais de seis quilos em cima, e não tinha sido detetada. Orgulho em mim mesma. De qualquer maneira, sinto que, mal contei a toda a gente, a barriga como que "explodiu". Deixou de ser segredo e decidiu exibir-se para o mundo, toda convencida, a tentar compensar o tempo perdido. E, desde então, começo a esgotar os meus segredos de estilista. Ainda não comprei roupa de grávida, mas a verdade é que as camisas e as túnicas começam a ficar mais justas. As calças começam a não passar bem no rabo, quando as tento vestir ("porquê?? Porquê?? A gravidez não devia ser só na barriga?"). Os meus truques começam a ser cada vez menos. De qualquer maneira, como já vou com 7 meses disto e não me sobra muito mais tempo para o fazer, decidi partilhar, em primeira mão, aqui a minha feliz e orgulhosamente grande pancinha de grávida. Se tiverem truques para partilhar, sou toda ouvidos. Esta roupa que estou a usar é por ser fim-de-semana, durante a semana uso roupa mais formal. Um dia destes mostro.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Oh não, aconteceu mesmo! #2

Tenho falado aqui dos filmes que tenho ido ver ao cinema e tenho-me focado apenas nas histórias e naquilo que retiro de cada um. No entanto, hoje, tenho que contar mais um triste episódio que aconteceu comigo durante o último filme que fui ver. É que, às vezes, acho que me acontecem demasiadas palermices para deixar passar em branco. Além disso, nunca se sabe se não haverá por aí alguém tão desastrado como eu que se identifique com as histórias que conto, por isso, pelo menos não se sente tão sozinho... Sim, nesse caso já somos duas pessoas, ok?? Não está sozinho no mundo!!

Então o que aconteceu desta vez? Começando pelo início: eu costumo ir ao cinema e ver os filmes em salas que têm duas entradas: uma de cada lado das escadas, uma de cada lado da tela. Por isso, podemos entrar e sair por um lado ou pelo outro. Até aí tudo normal, certo? Um exemplo de salas assim é a sala 9 do El Corte Inglés. Só que, no outro dia, o filme foi numa sala em que nunca tinha ficado, acho eu - a sala 5. E estávamos os dois muito juntinhos a ver o filme, quando comecei a sentir a respiração dele mais espaçada e a cabeça mais pesada a cair sobre mim. Olhei para ele e estava com os olhos quase completamente fechados. "Não vais adormecer, pois não?? O filme está a ser espetacular, não podes!!". Mas ele não parecia muito convencido com as minhas palavras. "Acho que não vou aguentar..." Comecei a pensar que estávamos desde manhã sem tomar café e decidi agir. O filme era bom demais para ele o desperdiçar. "Vou buscar-te um café!!". Olhou para mim meio a dormir "Não vai resultar, está a dar-me uma quebra enorme...". Não, não podia ser!! Eu ia lutar contra aquele sono! E ia conseguir com um simples café. Em dois minutos ele estaria mais acordado que nunca, tinha a certeza.

Olhei para o lado dele e estava imensa gente sentada, principalmente senhoras de idade bastante espaçosas. Do meu lado, apenas um senhor. Nem hesitei. Pus-me a pé e decidi sair por aquele lado da sala. (Já sabem: sala número 5 do El Corte Inglés, se um dia forem lá lembrem-se de mim!) Pé ante pé, muito curvada para não incomodar nas filas de trás, lá fui até às escadas. A dada altura, percebi que o filme estava mergulhado na escuridão total e absoluta e não conseguia ver nada. Encostei-me à parede e fui descendo os degraus, à procura da porta de saída. Só que a porta não chegava. Quando os degraus acabaram, comecei a andar para um lado e para o outro, a tentar forçar a parede até empurrar também a porta de saída, que estaria algures naquela escuridão. Nada. Nem sinal de porta.
Até que lá vi uma placa verde no meio daquele negro total. Fui até lá e abri rapidamente a porta. Um barulho ensurdecedor a porta enferrujada e com dez toneladas. Por trás da porta, uma luz imensa entrou pela sala e iluminou parte da sala de cinema. Espreitei. Era a saída de emergência e aquilo era um corredor com mau aspeto. Não era nenhuma saída. Fechei a porta, a sentir-me de todas as cores. Não podia voltar para o meu lugar, por isso, inspirei fundo, envergonhada, e decidi atravessar a primeira fila a pé até ao outro lado, onde estava a saída (pelos vistos, a única da sala). Sei que estou grávida de sete meses, mas nesse momento senti-me a mulher mais grávida que alguma vez pisou este mundo. Senti-me enorme, descomunal, desengonçada e mais opaca que nunca. Curvei-me o mais que pude e atravessei aquela sala, tapando a parte inferior da tela de cinema, com certeza a fazer as sombras dignas dum assustador Corcunda de Notre Dame obeso e grávido de trigémeos.

Quando saí da sala, apetecia-me ir queixar-me aos funcionários do cinema. "Então só algumas salas têm duas entradas?? Deviam por um letreiro nas salas que têm só uma entrada para avisar as pessoas!! Ainda no outro dia fiquei na sala 9 e tem duas entradas! Por que é que a 5 não tem?". Apetecia-me compreensão. Apetecia-me que a direção do cinema viesse ter comigo para me dizer algo como "Tem toda a razão. Não é distraída, nós é que estamos errados. Isto acontece a toda a hora. Temos mesmo que fazer algo. Pedimos imensa desculpa pelo sucedido." Só que, no fundo, no fundo, eu sabia que a culpa era minha. Apenas e só minha.
Quando regressei à sala, com dois copos de café na mão, o filme estava a meio duma tórrida cena de sexo e eu quase me enganava na fila. Por pouco não entornava café nas pessoas da fila errada enquanto os "Ohh ahhh" ecoavam das colunas. Só que, naquele momento, já nada me poderia deixar envergonhada. Sentei-me finalmente, contente por estar de volta, sã e salva.
- Que cena foi aquela há bocado? Decidiste que querias sair pela saída de emergência?
- Enganei-me. Não gozes.
A parte boa? Passou o resto do filme acordadíssimo, a rir-se, a comentar partes,... Não sei se foi da cafeína, se foi da minha triste cena, mas o meu objetivo foi cumprido: ele não adormeceu e tenho a certeza que gostou tanto do filme quanto eu. Quanto aos outros... Bem,
para todos os efeitos, estou grávida. E não se goza com as grávidas, certo? ;)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

"Então e a Malti, deste-a para adoção?"

Perguntaram-me no outro dia o que era feito da Malti. “Ainda consegues dar-lhe a atenção que davas antes? Quando tiveres a bebé vais deixá-la a viver com alguém? Sabes que é perigoso deixar um cão e um bebé sozinhos, não sabes? Ela não vai ficar ciumenta com a atenção que vais dar à bebé?”

Pronto, hoje é o dia de explicar o que é, então, feito da minha cadela e porque é que não a tenho mostrado muito por aqui. Mas, antes de mais, vou deixar outra pergunta no ar: há quanto tempo é que não mostro fotos minhas? Pois… A verdade é que não tenho simplesmente tirado fotos, nem sequer à noite andamos sempre pelo me minha barriga. Não sei se é pelo tempo horrível que tem estado, não sei se é porque passeio mais a minha cadela à noite, mas não tenho simplesmente registado fotograficamente os últimos tempos. Ainda por cima, passou as últimas semanas com o cio e é uma fase terrível. A veterinária disse-me que aconselhava a castração, mas só de pensar nela espalmada numa mesa de operações, só de pensar na barriguinha dela a ser aberta com um bisturi, para lhe retirarem o útero e os ovários,… não sei, mas parte-me o coração. Tenho preferido aguentar os pretendentes caninos à espera, à porta de casa, dia após dia. Tenho preferido aguentar o mau humor dela e as tentativas de fuga para amar. Tenho preferido aguentar a logística que o cio duma cadela envolve.

A verdade é que a Malti é parte da minha vida. Não consigo imaginar não acordar com ela ao lado. Não consigo imaginar não ir passear aos fins-de-semana e não a levar. Vai comigo para todo o lado, escolho os hotéis onde vou de férias com base no critério de aceitarem animais, muitas vezes almoço em esplanadas mesmo com mais frio, porque é onde os animais podem estar.

Sei que nem toda a gente vê os animais da mesma forma. Na minha família, por exemplo, a minha avó paterna acha os cães não devem entrar nas casas – devem viver na rua, dormir numa casota e o convívio com os donos resume-se aos momentos em que o dono os vai alimentar ou mandar para a casota dormir. No início, fazia-lhe confusão ver-me chegar a casa dela com uma cadela no banco do passageiro ou a “surfar” no separador no meio dos bancos. Fazia-lhe confusão ver-me entrar com ela na sala, ver que ela se sentava aos meus pés durante as refeições, ou até que ia para sofá e que a cadela me seguia.

- A tua cadela é como se fosse tua filha, não é?

- Não, é mais como se fosse uma amiga.

- E não a castraste?

- Não. Até te digo mais, vó. O plano é termos filhos ao mesmo tempo. Queria partilhar com ela a experiência da maternidade. Queria ir para o hospital ao mesmo tempo que ela, ficarmos ali no mesmo quarto, a soro, com os nossos bebés na caminha ao lado. Assim, quem nos fosse visitar via logo os nossos filhos todos ao mesmo tempo. Parece-te bem?

A minha avó riu-se imenso desta história que inventei apenas para a escandalizar, riu-se, riu-se, como se eu estivesse maluca. Eu estava apenas a tentar chocá-la, claro que não tinha planos nenhuns destes. No entanto, quando, no outro dia, me perguntou - Então a Malti, já está grávida? senti que me tinha dado 1 a 0 em sentido de humor.

De qualquer dos modos, tudo isto serve para explicar que, mesmo com a gravidez, a minha cadela continua a fazer parte da minha família. E não conseguia imaginar de outra forma. Acredito que, como família, vai aceitar bem o novo membro que aí vem. Não, não vou mandá-la para lado nenhum quando tiver uma bebé em casa. Não, não vou ter mil cuidados e medos na interação entre as duas. Acredito que vai tudo correr bem, até porque quando escolhi a raça pensei nisso, numa raça que interagisse bem com crianças. E todas as descrições que li iam nesse sentido.

Somos uma família. Ela tem quatro patas. É mais burrinha que nós. E mais peluda também. Mas adoro-a na mesma e escolhi-a para partilhar a vida conosco. Por isso, a resposta a todas as perguntas é simples: “está sempre conosco. Sempre”. E só espero que a minha filha venha a gostar tanto dela como nós gostamos.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma história de amor dos tempos modernos

Li a notícia ao acordar: o Facebook vai comprar o Whatsapp. Li os termos em que a compra foi feita, li o número de utilizadores diários que trocam mensagens instantâneas, li os euros envolvidos… Mas não consegui deixar de pensar sempre na Samantha, enquanto lia tudo. E quem é a Samantha? A Samantha é a protagonista do filme que fui ver ontem, o “Her”. Em “Her – Uma história de amor”, de Spike Jonze - passado num futuro próximo em que Los Angeles se assemelha a Xangai, cheio de arranha-céus, neons e luz, - as pessoas passeiam na rua sorridentes e com ar feliz. As pessoas transportam consigo uma aura de calma e tranquilidade. No entanto, se nos aproximarmos e olharmos bem, vemos que as pessoas não se olham. As pessoas passeiam sozinhas no seu mundo, com auriculares nos ouvidos, enquanto têm longas conversas com alguém que não está ali. As pessoas comunicam à distância, sorriem a quem está separado por quilómetros, enquanto ignoram quem está ali ao seu lado. Partilham o mundo com outra pessoa ao longe, mas isolam-se de quem está perto. E, de repente, o ar feliz e sorridente é visto de outro ângulo, e detetamos uma alienação naquele olhar, detetamos uma solidão profunda e um vazio total. A dada altura, surge um sistema operativo inteligente e intuitivo que vai ajudar estas pessoas do futuro a realizarem as suas tarefas quotidianas, que vai acompanhá-las e, quem sabe, preencher aquele vazio, terminar com aquela solidão.

O sistema operativo do nosso protagonista, o Theodore, chama-se Samantha. A Samantha é tudo o que uma mulher deve ser: tem uma voz quente e sexy, uma voz que sorri e faz sorrir, está sempre presente, quer ajudar o Theodore a ser uma pessoa melhor, diverte-o, quer saber tudo sobre ele, admira-o, adora a companhia dela… Só que Samantha não existe, Samantha não tem corpo, a Samantha são só palavras. E o assustador é que, a dada altura, o Theodore parece ser mais feliz com essas palavras que muitos homens com uma mulher de carne e osso.

Por isso, a pergunta coloca-se: o que é necessário numa história de amor? O que é o amor? É o que está para além do físico, é a partilha dos pensamentos, dos sonhos, das angústias, dos medos, dos desejos,…? O amor é rirem-se do que dizemos, fazerem-nos rir e preencherem-nos neste plano imaterial? O amor pode viver nas palavras, apenas? Sem um abraço, um beijo, um olhar? Ao vermos Theodore a falar com Samantha, acreditamos que sim.

E ao ler a notícia de hoje sobre o Facebook que comprou o Whatsapp foi nisto que pensei. Quantas Samanthas terão sido compradas hoje? E quantos Theodores estarão aí preparados para se apaixonarem por palavras? As palavras são importantes, os pensamentos são essenciais. Mas vai sempre fazer-me confusão imaginar um futuro próximo semelhante ao do filme, em que pessoas sorriem na rua, não a quem passa ao seu lado, mas a alguém que não está ali. As palavras são importantes, os pensamentos são essenciais. Só que acredito que, no final, vamos sempre querer desligar as palavras e encostar a cabeça num ombro, quente, acolhedor e real. Apenas assim, em silêncio, e celebrando a existência no aqui e agora.

Ps: se não forem ver o filme, oiçam pelo menos a banda sonora. Foi aprovada pela minha mini matrioska, que se fartou de dar pontapés enquanto a ouvia. E pareceram-me pontapés de prazer. :p

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Onde está o botão do ON?

Ando com tanta energia que, de cada vez que vou para a cama, começo a despedir-me mentalmente desta força toda e penso que vai ser amanhã o dia em que vou acordar de rastos. Faltam 3 meses para o dia "D". Deve ser agora que o cansaço acontece, a guiar-me pelos livros e relatos de outras mamãs. E estou francamente a mentalizar-me para a sua chegada.

Até ao momento, comprei apenas 6 peças de roupa para a bebé, duas das quais no último Sábado. E dois livros sobre o tema. Pouquíssimo, certo? Ainda não tenho carrinho, ovo, alcofa, banheira, quarto pintado, hospital decidido, aulas de preparação para o parto marcadas, ainda não sei o que é um fofo ou um cueiro, não fiz "gosto" em nenhuma página de roupas de bebé no Facebook, não sigo babyblogs e sinto pânico zero ao pensar no parto. Ando de saltos todos os dias e ainda não contei a toda a gente no trabalho que estou grávida, metade das pessoas deve achar apenas que estou gorda. Não saquei ainda da carta "estou grávida, deixem-me passar!!!" em filas ou supermercados e só estacionei uma vez no sítio para grávidas no shopping, porque não havia mesmo lugares.

No meio disto tudo, sinto-me atípica, um bicho estranho. Não me sinto ainda 100% grávida. Estou ansiosa por ter a minha bebé nos braços, mas vejo ainda esta altura apenas como um meio para atingir um fim e não como um "estado" em si mesmo. Faz sentido? Sei que ainda faltam três meses.... Será que tudo acontece a partir de agora? Se me começarem a ver fazer posts sobre roupa de bebés, já sabem o que aconteceu - ligaram-me o botão "grávida - ON". Vamos lá ver. Bem-vindo, terceiro trimestre.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O perdão da Filomena

Fui ver o "Philomena"/"Filomena" ao cinema. Sabia apenas que entrava a Judi Dench no papel principal e que estava nomeada para o Óscar de melhor atriz. Sabia que o próprio filme corria pelo Óscar de melhor filme. Sabia que contava a história duma mulher e da sua luta para encontrar o filho dado para adoção, juntamente com um jornalista que queria contar a sua história. E sabia que era baseado em factos verídicos. Imaginei que a história fosse boa, porque as críticas o sugeriam, mas mesmo assim não esperava tanto como aquilo que encontrei, porque saí do cinema com o coração cheio. Saí do cinema a pensar naquela mulher e no que faria se estivesse no lugar dela. Saí do cinema cheia de questões existenciais, e quando isso acontece sinto que realmente o filme valeu a pena.

A temática não é nada fácil e podia dar lugar a um filme mais dramático se o realizador estivesse para aí virado. Podia ter-se enveredado pelo tom de crítica, pelo apelo às emoções mais básicas do espectador, podia ter-se incitado ao ódio pela igreja católica,... Todas estas opções seriam viáveis se o argumento estivesse entregue a outras mãos. Aqui, o que vemos é quase, pelo contrário, uma produção quase jornalística, em que a própria personagem masculina, jornalista, parece conter as suas emoções, reprimir um pouco as suas opiniões e intervir na história e no desenrolar dos acontecimentos o mínimo possível.

Por isso, mesmo quando parece que o jornalista, ateu e da vivido, vai intervir na história, é apenas ilusão de ótica. Mesmo quando embarcam no avião, porque ele insiste, foi afinal Filomena que assim o quis. Quando é obrigado pela sua chefe a ficar e a convencer Filomena do mesmo… é, afinal, Filomena que o decide. Quando decide entrar em casa do namorado do filho contra a vontade de Filomena, acaba por não intervir de forma alguma, porque é Filomena que age. Quando descobre os segredos do filho, já Filomena os tinha descoberto, afinal, de forma surpreendentemente tranquila. E quando a história é revelada e publicada, é-o apenas por vontade de Filomena. O jornalista poderia ter agido enquanto voz das críticas contra as freiras e, assim, contra a igreja católica. O jornalista poderia ter mudaado as linhas da história e lutar ativamente contra todas as injustiças que encontra. No entanto, o que é engraçado é perceber que, no fim de tudo, é afinal Filomena - essa senhora católica do meio pequeno, improvável heroína -, que nos dá a maior lição de justiça. E, sem raivas ou julgamentos, sem ódios ou sentimentos de vingança, tudo aceita e compreende. Tudo?... Ok, apenas até certo ponto.

Passei o filme todo a tentar entrar cenário adentro e abanar Filomena – “abre os olhos, mulher!! Faz alguma coisa! Revolta-te! Zanga-te! Tenta fazer alguma coisa!!”. Filomena manteve-se serena. E, no fim, foi ela que me abanou a mim. O filme conta uma história dramática e revoltante, mas sem criticar, como se fosse Filomena a estar por detrás das câmaras, a dar-nos a sua visão. E acreditem que vão gostar de conhecer esta mulher. No início vão achá-la quase-beata, passiva, resignada, com os seus romances básicos e a delirar com o pequeno-almoço do hotel. Podem não gostar logo dela, mas vão acabar por perceber que pode haver grandeza mesmo em mulheres assim. Bem... ou então não, vêem o filme, ficam com uma visão completamente diferente da minha e depois vêm aqui criticar este post. Em qualquer dos casos, serão sempre bem-vindos.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

E então que tal esse dia dos namorados?

Era suposto sair às 19h do trabalho. Tive um problema a gravar um documento. Tive que refazer tudo até às 21h30.

Era suposto estar gira, com o cabelo esticado, roupa até engraçada, para ir namorar os últimos minutos do dia. Chovia tanto que fiquei a parecer uma marginal com o cabelo desgrenhado e a roupa toda encharcada.

Era suposto sair do trabalho, ir para o carro, que estava estacionado numa zona "Emel-free", meter-me nele e por-me a andar dali. O carro não pegava. Estava sem bateria. Tive que ficar a levar a seca da minha vida e esperar uma hora e meia pela assistência em viagem.

Pelos vistos era ainda suposto ter recebido flores no trabalho, soube depois. Não chegou nada. Ou se enganaram no nome ou se enganaram na morada, ou então a esta hora alguém julga erroneaneamente que tem um admirador secreto.

Era suposto ter jantado às 22h, num bom sítio e bem acompanhada. Acabei a comer uma sandes americana numa bomba de gasolina já depois da meia-noite.

O vosso dia correu mal? Não foi o que esperavam? Leiam esta história. Talvez se sintam menos infelizes. É tudo relativo, não é?... É. :p

PS- pelo menos o senhor da assistência em viagem disse-me que não tinha sido a única. A seguir ia para a A8 e depois para a A1, porque havia gente parada em plena auto-estrada. Pessoal da A8 e da A1, estou solidária com vocês!!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

As mulheres não são eficazes

Comentavam os meus colegas de trabalho, aqui há dias, que os homens eram um bom exemplo de eficácia, no que toca à procriação, em contraposição com as mulheres. Porquê? Porque, segundo eles, a mulher demora nove meses a desenvolver aquilo que eles, em minutos, fizeram. “Os homens são eficientes! Dão-vos, em minutos, tudo o que precisam para trazerem uma criança ao mundo. Vocês é que são muito complicadas e passam meses e meses ali a fermentar aquilo, a deixar crescer aqui uma perninha, aqui outra, agora um braço, agora o outro, agora os pulmões... Não são eficazes, é o que é.”, diziam.

Será verdade? Será que eles são os eficientes e nós as complicadas? Se sim, deixem-me então dizer que esta tem sido, dentro de todo o leque de atividades pouco produtivas, aquela que mais prazer me deu até ao momento. Todos os dias é uma emoção. E não me lembrava de me sentir tão entusiasmada com algo! Acho que nem com os preparativos para o casamento andava assim, e também foram sensivelmente nove meses. Agora dou por mim a ir espreitar diariamente as cinco (!!) aplicações que tenho instaladas no telemóvel, para saber as novidades diárias que ocorrem dentro de mim, qual Big Brother das minhas entranhas. E só penso que ainda bem que ainda tenho três meses de descobertas pela frente! Todos os dias, conto o tempo que já passou desta gravidez. Todos os dias conto os dias que aproximadamente faltam até chegar o grande dia. Vejo quanto deverá medir a bebé. Vejo quanto pesará. Aprendo sobre as suas novas capacidades, como por exemplo o abrir os olhos, o desenvolver a audição ou até meter o dedo à boca. Descubro os sintomas normais de cada fase da gravidez. É, portanto, uma tarefa lenta, ok, mas Vasco da Gama não chegou à Índia em meia hora, certo? Nem, que eu saiba, Camões escreveu os Lusíadas numa produtiva e frenética tarde soalheira. Também não me recordo de ler que Vivaldi tenha composto as Quatro Estações num só dia. Nem nunca me descreveram a rapidez com que da Vinci pintou a Mona Lisa. As melhores obras demoram o seu tempo a estarem concluídas. Gosto de acreditar nisso. E, se o trabalho do homem no que toca à procriação, ficou efetivamente concluído naqueles minutos de prazer, gosto de pensar que a tarefa da mulher leva nove meses totalmente, porque é uma obra feita de amor, tal como o amor que cada um daqueles génios sentiu enquanto criava a sua obra ou desenvolvia a sua descoberta. É um amor que se constrói, devagarinho, em cada dia, é um amor que se constrói em cada centímetro que o bebé cresce, em cada grama que ganha, em cada pontapé que se sente e até em cada dor de costas que se maldiz. É um amor lento e que se constrói devagar. Mas é, por outro lado, um amor de tal ordem que hoje, quando acordei, foi também a esta futura mulher, que cresce dentro de mim, que disse baixinho “feliz dia!”. Porque há várias formas de amor. Há o amor pela pessoa que escolhi para me acompanhar toda a vida, que sinto que me completa e me preenche. E há este amor, que é tão diferente, mas que sinto cada vez mais perto como se fosse a minha Índia. Posso demorar meses a chegar lá, mas tenho a certeza que a viagem já está a valer a pena, pela emoção da antecipação. E já, agora – por que não dizê-lo? – a viagem está também a valer a pena pela companhia que vou tendo, essencial para a emoção de cada dia. Feliz dia do amor aos dois, à companhia, que é quem me faz feliz em cada segundo destes (ineficazes? ou apenas felizes?) nove meses, e ao destino desta viagem, para onde, lentamente, viajamos, e que queremos tanto, tanto conhecer.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Uma grávida no ginásio

Uma grávida no ginásio é como um elefante numa sala: está lá, mas prefere-se ignorar. Com sorte, após um piscar de olhos, voltamos a olhar e o elefante já não está lá, era apenas ilusão de ótica. Pois eu tenho-me sentido assim quando estou no ginásio. Quando estou no tapete na minha rotina dos 20 minutos, vejo que os homens passam, olham discretamente, depois descem o olhar, vêem a barriga e fogem logo com o olhar para o lado oposto. Como se se sentissem mal por terem tido contacto visual uma grávida. Tenham calma, queridos homens. É só uma barriga, não tem dentes nem vos vai morder. E é uma barriga com uma criança dentro, sabem? Não é nenhuma metamorfose assustadora que estou a sofrer e em que, a qualquer momento, salta um "alien" de dentro de mim para vos atacar. É barriga de grávida. Só isso!

Hoje, quando estava a pseudo-correr no tapete (passei a correr a 7km/h, apenas, para nunca ultrapassar os 140batimentos cardíacos/minuto), reparei que um certo habitante musculado do ginásio passava lentamente à minha frente, contraindo os próprios músculos do peito e sorrindo para os meus lados. Como já era tarde e não estava ninguém nos tapetes à minha volta, percebi que não estava a sorrir concretamente para ninguém em específico. Ia orgulhoso da sua própria imagem, sorrindo com os seus próprios pensamentos, muito calmamente, e lá acabou por dirigir o olhar à minha pessoa, seguro de si mesmo. De repente, tudo se transformou. O olhar sorridente e confiante converteu-se imediatamente num olhar de terror, quando reparou na minha barriga. Vi ali um rápido esgar de nojo e o passo a acelerar-se. Isso deu-me ideias.

Mulheres deste mundo, fartas das tentativas de engate quando estão sozinhas no ginásio ou noutro sítio qualquer? Já têm solução, graças a mim! Basta procurarem na internet barrigas falsas, usarem-nas e zauuu. Adeus, homens. Ninguém se vai aproximar de vocês! Acreditem em mim. Não têm que agradecer.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ele está a chegar... o temido... o assustador...

... Dia dos Namorados!
E eu, incoerente que já assumi ser, ando aqui indecisa entre abraçá-lo ou ignorá-lo (o dia). Compro alguma coisa? Não compro? Faço alguma coisa? Ou transito diretamente do dia 13 para o dia 15 de fevereiro? A verdade é que há tanta pressão à volta deste único dia que me sinto uma autêntica Ré em pleno Julgamento-Final-versão-Amor. E, nesse julgamento, sinto que a sentença irá ser algo como "Culpada de não saber amar" faça o que fizer. Sim, porque há tanta pressão... Jantar fora não pode ser. Demasiada gente. Jantar em casa à luz das velas? Pirosaaaa. Passar no Mc? Desleixada. Comprar-lhe algo só porque é o dia de...? Pirosaaa. Não comprar nada? Desleixada. Vestir uma lingerie sexy? Demasiado forçado. Não vestir? Desleixada. E pronto, por isso, ando aqui a tentar encontrar um feliz equilíbrio entre o piroso e o desleixo. Quem sabe esqueço o jantar e os presentes, esqueço a lingerie, esqueço tudo e volto mas é ao básico: amor e uma cabana. Há mais dias no ano para pensar em jantar e presentes. Este dia é só para namorar, certo? Depois prometo contar em que fiquei, afinal. ;)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O corpo é que paga

Sempre dormi pouco. Muito longe de pretender dar aqui uns ares de Marcelo Rebelo de Sousa, a verdade é que a minha média de horas de sono deve rondar as 6. Mas digo-o sem orgulho nenhum, ciente de que isto se deve apenas a uma má, péssima, gestão do tempo. Repito: digo-o sem orgulho nenhum, até porque dia após dia dou por mim a escrutinar as duas crateras debaixo dos meus olhos e a prometer a mim própria – em vão – que esta noite é que vai ser, esta noite vou finalmente fazer as pazes com a cama e dar-lhe a atenção merecida. Nunca acontece. Dormir pouco provoca caras cadavéricas e pálidas. Dormir pouco provoca alguma lentidão na primeira hora do dia. Dizem até que dormir pouco provoca aumento de peso. Não há, portanto, orgulho nenhum em dormir pouco e, ainda por cima, admiti-lo, mas aqui vai.

No entanto, aquilo que me leva a escrever sobre isto, é tenho constatado que o meu corpo me tem pregado partidas. Quando finalmente decido conceder-lhe o descanso que tanto me pede, não sei se por vingança ou teimosia, acordo mais cedo do que quero. Assim, aos sábados e domingos, mesmo que decida dormir mais, acordo à mesma hora que acordo à semana, mas sem despertador, sem telefonemas, sem nada. São 8h e pouco e“txaraan”, acordadíssima. Obrigo-me a dormir, viro-me para o outro lado, fecho a persiana, tento pensar no que estava a sonhar, para voltar ao sonho… nada! O meu corpo revoltou-se da falta de descanso e decidiu fazer greve. “Ou dormes bem também durante a semana ou não dormes bem nunca! Decide!”, parece dizer-me, com um riso maquiavélico e despiciente. Por isso, hoje à noite tenho que começar a fazer as pazes com ele e tentar adormecê-lo no máximo à uma da manhã. Despeçam-se por favor desta Marcelo Rebelo de Sousa-wannabe.
O mal de dormir pouco é que depois tenho estes diálogos com o espelho.

Bate forte, fortemente

Não tenho medo de ratos, aranhas ou baratas, mas tenho que confessar que acho que estou com medo da Stephanie... Não sei se foi dos demasiados filmes com tragédias ligadas a temporais que vi, mas sempre que começo a ouvir muitos alertas, e chuva, e vento, e ondas do mar agitadas, há um lado mórbido de mim que começa a imaginar cenários caóticos de desgraças. E as mil notícias que já li hoje sobre o mau tempo (em que se incluiu o jogo na luz interrompido) estão a deixar-me com um nó no estômago enquanto me preparo para fazer à estrada... Vá, Stephanie, sê gentil, sim?