Tudo isto para dizer que, nisto da gravidez, noto alguma preocupação crescente à minha volta. “Como é que vais fazer quando a bebé nascer? Não marcaste data para o parto? Continuas a trabalhar com trinta e sete semanas? Vais ao ginásio na mesma? Vais para o estádio assim? Comes sushi na mesma? Estás calma mesmo longe da tua família e amigos? E se entras em trabalho de parto, como é que vais para o hospital? Não tens a mala pronta? Já compraste isto? Já compraste aquilo? Já decidiste se a bebé vai para o infantário qos quatro meses ou se fica alguém com ela? Tens que decidir já! Achas que vais conseguir fazer tudo sozinha? Não vais! Vais para casa dos teus pais quando a bebé nascer ou vais para tua casa? Tens que decidir já!”. As perguntas cada vez são mais. Os conselhos multiplicam-se, mesmo sem ter que os pedir. E o mesmo vaticínio: “Ainda estás demasiado calma, mas um dia destes vais deixar de estar”, ouvi já muitas vezes, como se fosse um crime estar calma e grávida. Só que não estou calma. Estou serena e otimista, mas preocupada com algumas coisas. É natural... A minha vida está prestes a mudar. E estou ansiosa por conhecer a minha filha. Seria anormal se não tivesse noção da grandeza de tudo isto. Mas, como sempre, tenho a minha maneira de viver as coisas e de lidar com o stress. Sim, posso parecer mais calma que a maioria das pessoas, mas é assim que trato das coisas na minha vida. Se posso lidar com os problemas sem stressar por antecipação, sem perder noites de sono e sem perder o sorriso… por que não fazê-lo? Penso nos problemas todos. Penso que posso precisar de alguém e não ter ninguém por perto. Mas também sei que há táxis e telefones! Penso que há a possibilidade de a bebé nascer com problemas de saúde. Mas há uma voz que me tranquiliza e diz que não, que ela está bem. Penso que as águas podem rebentar a meio do trabalho e alguém terá que cumprir os meus prazos por mim. Mas vou fazer tudo para que isso não aconteça e adiantar tudo ao máximo. Penso que a bebé pode ser feia. Mas hei-de gostar dela na mesma. Penso que posso um dia não ter dinheiro para lhe dar tudo o que gostaria. Penso que um dia posso não saber educá-la em condições. Penso que um dia posso não poder dar-lhe a vida que desejo ou dar-lhe todo o tempo que gostaria de dar. Mas depois páro e inspiro… Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Hoje, a minha filha está aqui dentro de mim. Hoje, sei que está bem. E é por isso que todos os dias sorrio em vez de trepar paredes. Sorrio pelo que tenho. Hoje estou ótima. Os problemas de amanhã, a existirem, logo serão resolvidos. Não vou sofrer hoje pelo que ainda não aconteceu.
PS: entretanto, soube que uma amiga minha, grávida com 35 semanas, já está no hospital. Rebentaram-lhe as águas de madrugada. Vai ter, pelos vistos, uma homónima da minha bebé. E hão-de ser muito amigas, as duas. Que corra tudo bem! Sei que vai correr. :)

