terça-feira, 19 de março de 2013

Querido, papá

Como estás?

Está na altura de dar o devido valor ao teu dia. O valor que, infelizmente, nunca dei. E ambos sabemos porquê... Tiveste algum azar com o que aconteceu no teu dia, porque, depois disso, ficaste sempre em segundo plano, não foi? Desculpa. Hoje quero rectificar isso.

Bem, ainda não falei contigo hoje, mas imagino que o teu dia terá começado contigo a acordar cedíssimo, sem sono, e cheio de energia, como é usual. Nunca vi ninguém com um ritmo tão acelerado logo antes das 8h. Aposto que foste já comprar o jornal, o pão quentinho à pastelaria, começaste já a pensar no que farás no fim do dia - se vais jogar ténis ou andar de bicicleta - e preparaste depois o pequeno-almoço. Se a mamã teve sorte, foi brindada com um sumo de laranja natural - ai que saudades que eu tenho de acordar ao som da máquina de fazer sumo, era sinal dum acordar perfeito e fazia-me sonhar com um homem que um dia fosse capaz de me mimar como tu.

Depois, terás ido trabalhar, e lançar o teu charme, e imagino que, no final do dia, vás buscar o bolo que encomendaste para comemorar tudo o que o dia de hoje significa. Vamos jantar juntos e vais contagiar-nos com a tua energia e com a tua necessidade de planear tudo. Quando dermos por ela, durante o jantar, já vamos estar a falar das férias de Verão, tenho a certeza. E vais perguntar, pelo menos dez vezes, se o jantar está bom e se aprovamos o bolo que escolheste. És um bocado monopolizador nas conversas, mas sei que não é por mal, até porque te preocupas connosco.

A verdade é que até te preocupas demasiado connosco e eu cresci a achar que isso era o normal. Passaste tardes sentado ao meu lado a ensinar-me a pintar. "Não saias do risco. Cuidado. Issooo... Agora pinta sempre na mesma direcção. Muito bem!! Cuidado. Isso, olha que beem." Fizeste de mim a pessoa perfeccionista que sou hoje. Sentavas-te comigo a desenhar, a ensinar-me a perspectiva, a ensinar-me a usar os lápis certos, a corrigir cada pequeno detalhe. E contigo ganhei o gosto pelo lápis e pelo desenho. Não segui arquitectura por um triz. Levavas-me contigo para todo o lado. Conversavas comigo como se fosse adulta. E, se estava doente (fui uma criança muito doentinha, não fui? com as malditas crises de bronquite e asma), ficavas toda a noite sentado a olhar para mim. Eu achava aquilo normal. E acreditava que todos os teus pais seriam como tu. Cresci a acreditar que todos os pais conseguiam construir uma cama em madeira para a nossa boneca preferida. Que todos os pais conseguiam pegar num papel e desenhar o que quisessem. Ou construir um pássaro. Ou um avião - sim, fazias magia com uma folha de papel. E cresci contigo a dar-me um beijinho na "covinha do nariz" para dormir, depois de a mamã me ter lido religiosamente alguma história. E eu dormia. "Boa noite", respondia com a minha voz anasalada e cheia de mimo - sim, há gravações da minha voz.

Cresci a chamar-te Pai Herói. A mamã diz que era por causa duma telenovela - até podia ser - mas eu sentia-o como sendo o "teu" nome. Eras o meu Herói. Eras capaz de tudo. De construir aviões. De curar todas as minhas crises de asma. De me fazer sentir invencível. De responder a todas as minhas dúvidas. E ainda hoje confesso que sinto o mesmo - que não há problema que não consigas resolver. Porque, apesar de muitos anos terem passado, algo se mantém: a tua perseverança, capacidade de persuasão e argumentação. Consegues sempre tudo o que queres, e adorava que um dia me dissessem que nisso saí a ti.

E a verdade é que até dizem muitas vezes que saio a ti. Sabias? Dizem que sou perfeccionista como tu. Que sou impossível quando bato numa tecla, porque só desisto quando ganho a discussão. E fisicamente, claro, também comentam. Mas com a nossa cor de pele e cor de olhos era impossível não comparar, certo? Além de que até a "borboleta", aquela marca de nascença, temos iguais. Querias mais semelhança?

Papá. Herói. Meu Pai Herói. Ao longo dos anos, nunca dei o devido valor ao teu dia. Sei disso. Desculpa. Desculpas? Mas sabes que não escolhi nascer neste dia. E não escolhi tirar-te o protagonismo. Sei que dirás que o meu nascimento foi o maior presente que te podia ter dado neste dia, mas essa parte não dependeu de mim. Esta carta e dizer-te o quanto significas para mim dependem. Obrigada por tudo. Tem um óptimo dia!

beijinhos,
a tua filha.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Não vale a pena forçar o amor

Faz-me impressão ver a minha pobre cadela com o cio, a arfar contra o braço dele como se não houvesse amanhã, a apaixonar-se a cada dia. Vai daí, quando estávamos em Barcelona, a comemorar o aniversário da B., uma amiga minha, vi este peluche numa loja e não resisti: vai ser o namorado dela!! Trouxe-o, a pensar "pode ser que ela acabe com os seus ímpetos amorosos e se satisfaça com este boneco". Afinal de contas, existem bonecas insufláveis para os homens e brinquedos a pilhas para as mulheres, certo? Pensei ter encontrado um novo conceito - o sex dog.

Apresentei-os. O peluche era quase do tamanho da minha cadela, com bom porte e sobrancelhas fartas, à Álvaro Cunhal. Achei que o amor tinha acontecido.
- Apresento-te o "Terry Cunhal", o teu novo "amigo".
- Como vês, tem um porte másculo e atraente.
O primeiro beijo.
No entanto, correu mal. Ela tentou desfazê-lo logo e arrancar-lhe a cabeça, sem contemplações. Não vai ser desta que vou enriquecer exponencialmente. É que estava a pensar registar a ideia e criar todo um império à volta do conceito dos "sex dogs", "sex cats" e por aí fora, incluindo um canal de televisão tipo "PlayDog Tv"... Vou continuar a pensar em ideias para ser milionária.

Gosto de ti, Sofia

Vi este vídeo da Sofia Vergara (aqui) e fiquei ainda mais fã dela: brinca com a forma do corpo, diz que não pode usar vestidos com riscas horizontais, porque fica enorme, diz que não se sente sexy logo ao acordar, e que só se sente sexy depois de estar toda produzida, com maquilhagem, cabelo arranjado, vestida e calçada. Brinca também com os sapatos que tem e diz que, com sapatos daquele calibre, a produção nem devia mandar-lhe roupa: ficava feliz com aqueles sapatos, só.

Gostei mesmo. Demonstrou ser terra-a-terra, ser a típica vizinha do lado, demonstrou que se mantém humilde, capaz de brincar com ela mesma e sem manias de estrela. Além de ter um corpo fantástico e um sorriso rasgado, é divertida e tem um óptimo sentido de humor. Percebo completamente o fascínio de quase todos os homens por ela. Era a amiga que sinto que muitas mulheres gostavam de ter e a namorada com que muitos homens sonham.

Um presente com significado

Hoje recebi dois presentes de não-aniversário, como fizeram questão de insistir. Sim, porque não faço anos hoje. A pessoa em causa não pode estar comigo no dia de aniversário e, então, decidiu tratar disso antecipadamente. "Mas não é de aniversário - repetia - imagina que hoje é um dia normal! É só uma lembrança".

A lembrança não foi lembrança nenhuma. Pôs-me logo emocionada, porque senti que fui "ouvida". Senti que foi escolhida mesmo para mim, com base naquilo que eu já disse que gostava e com base naquilo que define quem sou. Recebi dois dvds dos meus filmes preferidos de sempre, para poder ver e rever sempre que quiser, enquanto espero que a terceira parte da história estreie entre nós (já estou a dar pistas, por isso, já devem saber qual é). E recebi também um livro da National Geographic, com fotografias lindíssimas e surpreendentes, que marcam a história das reportagens da vida animal. Em dois segundos que folheei o livro já vi fotografias espectaculares. Depois se conseguir coloco aqui alguns exemplos.

E fiquei emocionada, como disse, por sentir que alguém me "compreendeu". Sei que isso é a parte mais difícil quando se compra algo para alguém: pensar na pessoa, pensar no que ela realmente gosta ou em coisas que lhe tocam, que signifiquem algo (de preferência, não gastando muito). Conheço pessoas que conseguem fazer isso de uma forma exímia. Conseguem perder um minuto a pensar na pessoa a quem o presente se destina, conseguem fazer uma caixa com pequenas lembranças que simbolizam algo, por exemplo, e escrever ainda duas notas que simplesmente mudam tudo. E a verdade é que, digam o que disserem, é esse minuto que perderam a pensar em nós que significa tudo.

Uma vez estava a ter uma conversa com ele sobre isso. Eu dizia que os melhores presentes eram os que tinham o tal "significado". Ele dizia que preferia presentes bons a presentes com significado, e que nem sabia o que isso queria dizer. Disse-me que gostava de coisas boas, da marca X, Y ou Z e que mais valia não se inventar para além disso. Não sei se é isso que distingue homens e mulheres, mas sei que vou sempre ficar mais tocada por coisas com significado, sejam caras ou não. Até pode ser só uma fotografia que nem me lembrava de ter tirado, um postal, um cd gravado com músicas especiais. Não é preciso gastar-se nada! E digo-o de forma o mais sincera possível.

Amanhã, dia do Pai, é isso que vou tentar fazer: dar ao meu pai algo baratinho, mas com significado (até porque não ando a nadar em dinheiro neste momento). E espero acertar e fazer o meu pai sorrir. Já comecei a preparar. Amanhã conto, não vá ele ler o blog. :) E vocês, vão dar alguma coisa ao vosso pai amanhã? Se sim, já sabem o quê?

...Como se fosse o teu aniversário

Depois dum fim-de-semana regado com quilogramas de açúcar e descanso, a semana tinha que começar de forma activa. Acordei cedo e decidida a correr 5kms quer chovesse ou a cidade estivesse coberta de neve. Nada me poderia deter.

E assim foi. O resultado? Sinto-me outra. Sinto-me invencível. Se ontem me deitei com mil dúvidas, com a cabeça a trabalhar a um ritmo alucinante e a planear a semana de forma pessimista, hoje acordei com mil respostas. Já peguei no telefone e fiz os telefonemas pendentes, já peguei no computador e adiantei tarefas que estavam atrasadas. Sem dúvida que energia gera energia.

Agora, para o almoço, já estou a salivar por uma miso shiru e um prato cheio de sashimi. Dizem que devemos começar todos os dias como se fosse o nosso aniversário. Hoje foi o que fiz. Talvez porque a verdade é que está quase a ser "o" dia. ;)

Uma boa semana a todos! E por favor não encham o facebook de frases como "oh não, Segunda outra vez". Vai ser Segunda-feira todas as semanas. Para todo o sempre. Habituem-se. Nunca vai mudar. Só resta abraçarem a semana e tentarem ser positivos.

domingo, 17 de março de 2013

Nunca me arrependi de nada

Admiro quem pode dizer que nunca se arrependeu de nada. Admiro quem pode dizer de forma convicta que não mudava nada da sua vida, que tudo foi importante para o crescimento e que foi essencial à sua maneira. Eu mudava muito, se pudesse. Penso muito nos "se"s. Tenho dúvidas. Lembro-me daquele dia e como teria sido se tivesse decidido de outra forma. Lembro-me daquele exame e penso como teria sido se tivesse estudado mais.

Mudava muita coisa, se pudesse voltar atrás. Sei que todos os erros ou escolhas contribuíram para aquilo que sou hoje, mas gostava de ser a mesma pessoa com um percurso mais perfeito, sem falhas.

No entanto, se há algo de que nunca me vou arrepender é de, num certo dia, - depois de meses a pensar num "se" específico, com dúvidas, com saudades, com mil conversas com amigas e com a minha mãe sobre o que era o amor - ter parado com as dúvidas e ter decidido agir. Naquela passagem de ano, no final de 2007, não tinha ainda planos: estávamos, eu e os meus amigos, indecisos entre Salamanca, Santiago, ou ficar por Portugal. Éramos alguns, mas não chegávamos a um consenso. Ele mandou-me mensagem a dizer que gostava de estar comigo à meia-noite. Já bastava de tantos "se" e desencontros. Não queria mais dúvidas: disse-lhe que sim, que podia vir connosco. Acabámos todos juntos a jantar, num restaurante manhoso do lado de lá da fronteira, mas perdidos de riso, a conversar horas seguidas, a brindar ao novo ano e à concretização dos nossos desejos. A meio, devo ter engolido a uva passa e pedido para que o novo ano me trouxesse finalmente sorte no amor. E trouxe. Porquê? Porque não houve mais "se"s, não houve mais dúvidas a pairar-me na cabeça. Não houve mais momentos angustiantes em que ouvia uma música, lembrava-me dele e pensava "será que era ele?". Não houve mais momentos a ver um filme, ouvir uma frase e ficar com o coração apertado a pensar nele. Estávamos ali todos juntos, finalmente, a brindar a 2008. E brindámos também juntos a 2009. E a 2010. A 2011. 2012. E por aí fora. Sem "se", sem mais dúvidas.

E pelo menos disso nunca, nunca me arrependi.

sábado, 16 de março de 2013

Um abraço bem apertado

Como disse no post de manhã, não gosto que me penteiem o cabelo. Também não sou a pessoa mais beijoqueira do mundo. Tampouco sou pessoa de muito contacto físico, de muito toque no interlocutor enquanto falo. Nos antípodas, tenho uma amiga muito expressiva e que me bate nos joelhos enquanto fala, para ver se me desperta o interesse. Já lhe disse para não me bater, porque parece que dá electricidade, mas aquilo faz parte dela e ela esquece-se, e repete.

O meu pai também insiste em bater-me nos braços enquanto fala comigo, ou dar-me pequenas palmadas nas costas quando passo. Electricidade.

A minha mãe às vezes tenta fazer-me festinhas e eu fujo. Diz que tenho alergia a mimos. Não é verdade. Simplesmente, se não estiver "in the mood", não dá. Dá-me... já sabem: electricidade. Se estiver a ler, por exemplo, estou no meu mundo e não tentem aliciar-me para a realidade. Tenho que acabar o capítulo/ artigo/ página/ assunto e só depois regresso à minha existência.

Mas... se há coisa de que nunca prescindi em dias de stress ou de carência foram os abraços. Sou pessoa de abraços. Acalmam-me. Não preciso de mais nada. Ele já sabia: em vésperas de exames, lá ia eu, toda tensa. "Abraço apertado?". E aquilo sumia tudo, como que por magia. A minha irmã, por exemplo, acalma com festinhas no cabelo. Sei que se lhe tocar, vai ficar outra. A minha mãe gosta de massagens nos pés. O meu pai precisa que as filhas lhe dêem mimos, apesar de parecer um durão. Tenho amigas que gostam de festinhas nos braços...

E vocês, têm algum botão mágico para relaxarem num dia de stress?

Não sou vaidosa

Ele dirá o contrário, se ler isto (talvez por eu colocar os cremes todos, religiosamente, de manhã e à noite).
Mas a verdade é que não sou. Mesmo - e acreditam em mim, não acreditam?

Hoje de manhã acordei às 9h30, depois de me ter deitado quase às 4h. E porquê? Porque tinha marcado na veterinária a tosquia da minha cadela. Fiquei lá quase duas horas, sem me custar nada. A vê-la ser tosquiada com os instrumentos próprios do trimming (um tipo de tosquia específica para a raça), a vê-la ser lavada, tosquiada outra vez, penteada, embelezada.

Repito: quase duas horas. Chegou ao fim, paguei 30€. Não me custou e não achei demasiado. Agradeci, disse que adorei o resultado, tirei-lhe estas fotos que agora junto (em baixo) e vim sorridente e orgulhosa, sem uma ponta de sono ou cansaço, passeá-la. Até que dei por mim a pensar: "há quanto tempo não vou a um cabeleireiro? Há quanto tempo não arranjo as unhas? Há quanto tempo não me dou um miminho?"

Pois a resposta foi assustadora. Cortei o cabelo em Janeiro e nunca mais entrei em cabeleireiros, nem vou entrar nos próximos tempos. Detesto perder tempo num cabeleireiro, fico nervosa, irritadiça a ver o tempo a passar - além de que detesto que me penteiem o cabelo. Corto o cabelo duas ou três vezes por ano e são essas as vezes que entro em cabeleireiros (ou vou, excepcionalmente, arranjar-me para alguns casamentos). Faço madeixas uma vez por ano. Nunca arranjo as unhas (só arranjava no meu último emprego, porque tínhamos manicura uma vez por semana que ia lá e não eu tinha, portanto que me deslocar). Não compro roupa há meses. Não faço pedicura desde o Verão. Não faço massagens de drenagem linfática há mais de meio ano, apesar de o meu ortopedista insistir nisso (parti uma perna há uns anos), ou outros tratamentos de qualquer tipo.

Conclusão: gasto mais com cuidados de beleza na minha cadela que comigo! Isto não deve ser muito normal. Até me sinto pouco feminina e com vontade de desatar a "embonecar-me". ;)

Eu, contente com o novo "look".
Como?? Acham que estou igual depois de duas horas na tosquia?
Impossível! Então vejam o "antes", em baixo.
Aqui estou eu no início da tosquia, em modo ovelha.
Estava com ar desleixado, não estava? Por isso, a minha dona, que é um amor, trouxe-me ao "spa".
(sim, vejam o que diz nas letras do meu lado direito)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Dias que podem mudar tudo

Hoje pode ser um deles.

Vou andar o dia todo em viagem, pelo que este post é agendado.
Wish me luck! :)

Os fantasmas dos ex

Há uns dias, estava eu na Fnac, na fila para pagar, olho para trás e... txaran!! A ex do meu bebé (nunca lhe chamo "bebé", mas agora apeteceu-me, porque estou em modo-possessiva). Trocámos um rápido olhar - comigo a fingir que continuava o olhar até um horizonte longínquo, sem a ter nunca visto - e virei-me novamente para a frente. No entanto, reparei que gerei uma onda de entusiasmo atrás de mim, porque comecei a sentir muita agitação, voz e movimento nas minhas costas. Quando reparei, ela já estava ao pé de mim a falar ao telefone e a espreitar de cima a baixo.

"M...!!", pensei. "Nem estou no meu melhor."
Depois repensei "mas ia estar no meu melhor para quê? Quero engatá-la, por acaso?"

É estúpido, isto. Ela é ex. Acabaram mil anos antes de nós começarmos a namorar. Ficou tudo resolvido, sem ódios. Ela cumprimenta-nos. No início ainda lhe ligava a tentar manter uma amizade, mas ele não desenvolveu muito. Ele continua a mandar-lhe mensagem de aniversário, porque eu decorei a data e obrigo-o a escrever. Já aconteceu até escrever eu e enviar-lhe, porque gosto que ele trate bem alguém que o tratou bem também. A história ficou mesmo acabada, sem dramas, e ela também já namora há séculos.

Agora... porque fiquei preocupada com a aparência?
Nós, mulheres, somos seres estranhos.

Naquele momento quis que ela me achasse o máximo, linda e maravilhosa. Mas para quê, Pippa Maria? Quem tem que te achar linda e maravilhosa não é ela. Vai para casa fazer dez flexões por seres estúpida.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Não quero parecer convencida, mas...

...Vou ser. ;)

Trabalhámos juntos, eu e este jovem que hoje evoco, e, se houve alguém com que me incompatibilizei em trabalho, foi com ele. Aquilo não dava. Era impossível. Eu dizia algo, ele tentava completar, para mostrar que também tinha estudado, mesmo que a conversa não fosse com ele. Eu mandava email geral com alguma informação, ele respondia para todos a acrescentar qualquer coisa, de forma a poder ficar com a última palavra.

Era tão, mas tão competitivo que chegámos a descobrir que tinha convidado a pessoa que estava acima de nós para uma conferência, para irem só os dois, e sem ter falado com os restantes. Nós, que até éramos um grupo coeso e estávamos sempre a partilhar informações sobre conferências, pós-graduações ou demais cursos. Descobrimos isto, apenas porque essa pessoa, nosso superior hierárquico, era um pouco para o desbocada e comentou connosco "então o X enviou-me um email a convidar-me para ir àquela conferência? Vocês não vêm também?". Não lhe dissemos nada e esperámos pelo dia da conferência, para confirmarmos se sempre ia. Faltou e disse-nos que estava doente. Foi a gota de água.

Chamei-o à parte, quando regressou da "súbita doença" e tentei chamá-lo à razão e mostrar que tinha sido um egoísta do pior. Explicou que era importante para a tese de mestrado dele, que achou que nós não íamos querer saber e outras desculpas esfarrapadas. A partir daí, admito que comecei a responder-lhe torto e que ele atiçou em mim um monstro tirano que desconhecia. Ele falava e algo em mim accionava. Uma raiva que nunca tinha sentido. Comecei a ter aversão à voz tremida dele. À pronúncia indefinida, que me soava a espanhol com brasileiro e transmontano. Às piadas fora do contexto. Enfim... passei a ver só defeitos. E a tratá-lo cada vez pior.

Resultado? Sem querer ser convencida, repito, descobri a fórmula secreta para que o rapaz se apaixonasse por mim. Começou a seguir-me para todo o lado. Para o café. Para a rua. A sair à mesma hora que eu. Começou a fazer-me truques de magia no elevador. A tocar-me na orelha para tirar uma moeda, como fazem nos filmes. A mandar-me mensagens por tudo e por nada. A mandar emails com poemas. Com músicas. Começou a comentar o meu perfume. A perguntar pelo meu namorado, etc. Até que deixámos de ser colegas de trabalho, com o tempo, deixámos praticamente de falar.

Descobri, portanto, que sou mais sexy no meu modo monstro. Infelizmente, acho que até sou simpática e boazinha, por norma, pelo que esta história nunca mais se repetiu. Será que isto acontece com todos os tiranos? As vítimas acabam por desenvolver fantasias com os seus agressores verbais? Vale a pena pensar nisso...

Os homens e o medo de parecerem "gays"

Uma amiga minha contou-me há uns tempos uma história que me fez pensar. Pois contava-me ela que começou a sair__/namorar__* com um belo rapaz e que, depois duns beijos trocados e duns "amassos", as hormonas começaram a gritar e dormiram juntos em casa dele. A noite em si não interessa nada para o caso, apesar de poder dizer que, pelo sorriso dela, terá corrido tudo bem. Mas o que me fez rir foi a história do dia seguinte.

Ao que parece, a minha amiga levava um pequeno "nécessaire" de prevenção com os seus cremes básicos e maquilhagem para o dia seguinte, não fosse a noite acabar como... acabou por acabar. E estava ela muito contente a limpar o rosto com o tónico e o algodão, quando ele entrou na casa-de-banho e se assustou, pelos vistos. A conversa terá sido mais ou menos assim:
- Tantos cremes e maquilhagem. Hoje é algum dia especial? Tens alguma festa?
- Não... Isto é o que uso todos os dias.
- Todos os dias? Isso tudo? Porquê?
- Porque é preciso. Isto é para lavar a cara, isto é esfoliante, tónico, sérum, hidratante, isto é um roll-on para as olheiras, corrector, protector solar, base, pó, blush, máscara de olhos, sérum para o cabelo e baton hidratante.
- Tens noção que voltei a adormecer enquanto falavas?
- Oh... Não hidratas a pele?
- Para quê? Não sou panel€!$@!
- Não tem nada a ver... Deves hidratar a pele para evitar o aparecimento de rugas.
- Ai sim? Olha para mim. Não faço nada e olha a pele de bebé que tenho.
- Mas isso é agora. Devias prevenir.
- Eu vou ser sempre jovem. Além disso, não tenho tempo.
- Tempo? Viste o tempo que perdi? 5 minutos.
- E gostavas que eu andasse maquilhado?
- Não. Só hidratado.
- Depois queres que comece a hidratar o cabelo, a fazer depilação, a usar baton de cieiro...
- Se o fizesses, não fazias mal nenhum.
- Estás a ver? Vocês mulheres gostam é dos gays.

Ela contava-me isto e eu revia-me neste diálogo, porque tenho em casa alguém igual. Mas qual é o problema dos homens em hidratar a pele? Não pedimos aos nossos homens que sejam diferentes - pedimos apenas que sejam a versão melhorada de si mesmos! E são só 5 minutos por dia...

*pelo tempo a que já dura e pela seriedade, direi "namoro", mas não quero antecipar-me.

Preguiça

Com isto das mudanças e do mau tempo dos últimos tempos deixei de fazer desporto. Não corro há mais de duas semanas. O meu único desporto tem sido carregar malas, sacos e móveis.
As consequências são rápidas: mais preguiça (sim, parece que preguiça gera preguiça), mais gula e, claro, sinto-me mais "mole" e nojenta.
E estou a escrever isto, porque prometi a mim mesma que hoje volto a correr, mas estando escrito e publicado, a pressão é maior. E tenho mesmo que cumprir.
Espero estar a dar força a quem me lê também! É que sinto-me mil vezes melhor depois de fazer desporto, não sei como consegui baldar-me tanto tempo...

PS: se não correr hoje, as pessoas que me conhecem estão autorizadas a dar-me dois estalos quando me virem.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Adoro dias especiais: o novo Papa

Fumo branco. O Papa estava escolhido.
As expectativas. As apostas aumentavam.
A minha mãe ligou-me "o brasileiro acho que não será".
Não foi. Foi um argentino, de Buenos Aires, nascido em 17 de Dezembro de 1936. Jorge, de seu nome.
Mas podia ser chinês. Queniano. Tailandês. Americano.
Papa que é Papa passa a ser de todos. Passa a ser um cidadão do mundo e dos nossos corações.
Eu vi-o, a espreitar, sorridente e dei por mim a chorar. Porquê? Porque sou assim, uma torneira lacrimal. Porque me emociono com dias especiais. Porque sou incapaz de ver uma noiva entrar na igreja e não ficar com um nó na garganta e os olhos embaciados. Porque sou incapaz de ver um bebé recém-nascido e não ficar com o coração apertado. E porque, nestes dias, me deixo levar pela alegria colectiva. Vivo a alegria dos outros como sendo a minha.
Quanto ao Papa, emocionar-me-ia fosse ele preto, branco ou mestiço. Porque aquilo que mexeu comigo ao vê-lo nem foi tanto a pessoa em si escolhida (era, para mim, praticamente desconhecido), mas sim a expectativa e a esperança num futuro melhor.
Sou Católica e fiquei optimista. Muito optimista.
Gostei do facto de se autodenominar "Francisco", sem numerações - típicas da realeza -, gostei que demonstrasse sentido de humor, gostei que fosse jesuíta e que seja sul-americano e antigo professor.
Estou optimista.
Espero que a Igreja se volte a reforçar e que actualize a sua posição perante assuntos delicados como o casamento homossexual, o aborto e a contracepção.
Papa Francisco, conto contigo.

Legos para adultos

A mudança de casa obrigou a procurar novas arrumações/armários para a tralha os nossos pertences. As principais preocupações eram a roupa - habituei-me a ter quatro armários para mim e estava preocupada, porque passo a ter menos armários, agora - e os livros. Tenho dezenas de livros para guardar e gosto de ter tudo organizado. Definimos que seriam essas as nossas duas prioridades.

Ora, a mobília principal já tínhamos, por isso, para desenrascar nestas pequenas necessidades de arrumação, já se sabe a que loja (uma pista: é Sueca...) de mobília lá recorremos.

Quando estávamos a montar aquilo, já em casa, dei por mim a imaginar um Legos gigante. Porque é que não me lembrei eu disto? Sempre adorei legos e gosto de decoração bonita, elegante e acessível. Como é que não me lembrei eu disto? Como? Se voltasse atrás no tempo, dava esta dica a mim mesma: constrói um império de Legos de mobília para adultos. Ah e fiscaliza devidamente a comida que venderes lá, já agora.

Instruções do jogo:
Primeiro passo: começar a encaixar as primeiras peças.
Segundo passo: começar a formar os primeiros quadrados. Reparem na minha ajuda preciosa:
tiro fotografias enquanto o escravo trabalha! ahah
Terceiro passo: terceira fila de quadrados a ganhar forma.
Quarto passo: descansar um pouco. Está quase!
Que dia de cão, estou cheia de dores de costas.