segunda-feira, 28 de março de 2016

Uma questão de peso

Apesar de ter feito exercício durante toda a gravidez (fui e estou a ser acompanhada por uma professora especializada em acompanhamento a grávidas e a recém-mamãs), a verdade é que não sou nenhuma Carolina Patrocínio e ganhei quase 14 kgs nesta gravidez. Consigo ser disciplinada no desporto, mas não sou consigo ter a mesma disciplina no que como, por isso, neste momento tenho 8 kgs (!!) que me separam do peso com que mais gosto de me ver: 58. É muito quilo para abater e muita banha da barriga para fazer desaparecer. Mas agora que a minha professora já me analisou os músculos da barriga e já adaptou os treinos abdominais à diástase de um dedo que me foi detetada, não me restam grandes desculpas para não fazer abdominais (adaptados) e queimar as gordinhas todas.

De qualquer maneira, mesmo com desporto, não sei se vou conseguir voltar a atingir aquele número. Fiquei mais pessimista depois de, há dias, estar a falar com uma amiga que também está grávida do segundo filho e que me dizia, depois de comparar muitas mães:

- Depois do segundo filho? Não tenhas ilusões! Recuperar a antiga cintura só é possível com lipoaspiração ou abdominoplastia! Podes ser disciplinada e passar fome, mas acredita que a cintura antiga não se recupera nem assim - só mesmo com cirurgia.

Fiquei com um misto de sensações: por um lado, parte de mim, a parte que devora doces todos os dias, sentiu-se derrotada - "vou ser um paralelepípedo para sempre! adeus, corpo de pera!". Se não me controlo a comer, como é que posso esperar milagres? Por outro lado, a outra parte de mim, a que adora desafios e que me fez estar a mexer o rabo menos de um mês após o parto, ficou com vontade de provar que não é bem assim - é possível recuperar-se a antiga silhueta depois do segundo filho só com exercício e boa alimentação!

Eu sei que o peso é muito relativo e que não devia estar apenas focada nos 58 kgs. Sei que o importante é sermos saudáveis e olhar mais para os índices de massa gorda e magra, por exemplo. Mas neste momento é esse objetivo que tenho em mente: 58. Porque é mais fácil focar-me num número. Sim, quero muito recuperar os 58 kgs que já tive (parece que foi noutra vida), de preferência com a cintura que tinha antes. Espero conseguir chegar lá com os exercícios que tenho feito, mas vou tentar também controlar aquilo que como. Tenho a teoria das consultas de nutrição que tenho, falta-me a força de vontade. Vou partilhando com vocês esta jornada. Sei que assumir publicamente os objetivos ajuda-nos a manter o foco, por isso, decidi hoje escrever este post, com a antecipada promessa de ir atualizando, quer consiga quer não. A vergonha na cara de não conseguir deverá dar algum incentivo extra!

Que a Força (de vontade) esteja comigo! ;)

quarta-feira, 23 de março de 2016

34!

Sábado festejei mais um aniversário. Desta vez, o estar fechada em casa há algum tempo (ou seria a ocitocina ainda a fazer efeito?) deve ter mexido com o meu cérebro, porque... pela primeira vez em muuuuitos anos, tive vontade de festejar o aniversário em casa, sem restaurantes envolvidos e sem saídas. Pior: tive vontade de me armar em doceira e experimentar receitas de bolos. Eu, que nunca fui muito de cozinha, comecei assim o meu dia de anos a abrir e a fechar o forno, a bater claras em castelo e a decorar bolos, qual Nigella Lawson (sim, em versão cheiinha, pois ainda tenho muitos kgs que ganhei na gravidez para abater - falarei sobre isso noutro post). Os meus pais ainda insistiram em trazer eles a sobremesa (compreendo-os!), mas não quis saber. Já tinha as formas, as receitas, os ingredientes preparados e até boleiras e decorações compradas... nada me iria impedir. No pior dos cenários, terminaria o meu dia a comer tudo sozinha. Terminaria o dia com mais 10 kgs, mas com a gula saciada por uns tempos.

Eram 6h da manhã quando finalmente terminei tudo e me fui deitar. No frigorífico havia gelatinas e mousse de chocolate. Nas boleiras a estrear, um bolo de côco e um de frutos vermelhos recheado. Tinham bom ar. Estariam bons? Controlei-me para não provar nada. Estava cansada, mas com a sensação de dever cumprido. A casa estava calma e silenciosa - tudo a dormir a dormir em simultâneo é cenário raro, nos últimos tempos. Lá fora, o horizonte começava a ficar mais claro. Inspirei e senti no ar algo que não sentia há muito. Seria o silêncio? A calma? Demorei um pouco, mas lá percebi o que era. Era algo ainda mais antigo... Cheirava à minha infância. Infância. Até aos meus 12, 13 anos, o dia de aniversário começava sempre com cheiro a bolos a saírem do forno, com gelatinas, mousse e mil doces espalhados pela sala. Convidava-se sempre toda a família e festejava-se em casa. Com a chegada da fase da estupidez adolescência, comecei a preferir comemorar os anos bem longe dos pais, perto dos amigos. O cheirinho a bolos fez, por isso, com que viajasse no tempo até essa altura.

Os aniversários da minha infância tinham este cheirinho a bolo a sair do forno. Tinham os avós. Bisavós. Tios. Primos. Barulho. E casa cheia. Aos 34 anos, não voltei a ter casa cheia. Mas voltei a ter por perto algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Aos 34 anos não tive uma festa de arromba. Não jantei no melhor restaurante da cidade. Festejei com olheiras. E com uns kgs a mais, pois ainda não recuperei a forma. Festejei cansada, das noites mal dormidas, a acordar de 3 em 3 horas. Mas festejei com cheirinho à minha infância. Aos 34 anos, senti-me um bocadinho a ser criança outra vez. A criança que fui. E as crianças que estão a crescer junto a mim. Estou mais velha, mas ironicamente senti-me mais jovem outra vez. Venham mais anos assim (ok, sem a parte do cansaço e dos kgs)!!

Ahh... quanto aos doces, acho que fiquei aprovada. Pelo menos ninguém se queixou nem houve relatos de indisposições.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Olá, filho mais querido #2

(Podem ler a primeira parte da história aqui)

Foi, por isso, com um andar desastrado de pinguim (o andar que a emoção, juntamente com as calças ensopadas e os pés e sapatos molhados, permitiu) e os olhos a lacrimejar que entrei finalmente no serviço de obstetrícia. Como desta vez não foi nada planeado, não tinha a minha médica à minha espera e as caras com que me ia cruzando eram todas novas. Não conhecia ninguém! Toda a equipa que me acompanhou no parto da Constança não estava de serviço às terças, pelo que tive que me entregar nas mãos de enfermeiros e médicos desconhecidos. Naquele momento, no entanto, nada disso me estava a preocupar. Tinha decidido que, desta vez, não iria provocar o parto e iria ter o bebé da forma mais natural possível, respeitando os "timings" do bebé e do corpo, por isso, estava apenas a ter o resultado da minha decisão. Apareceu uma médica que me levou para um gabinete. Fez-me as perguntas da praxe - quantas semanas tem? sintomas? foi acompanhada aqui no hospital durante a gravidez e com quem? etc - e pediu-me para me despir. Ia começar a parte de que tinha menos saudades - o chamado "toque". Era preciso ver se já tinha alguma dilatação e se o colo já tinha sido eliminado. Deitei-me na marquesa, contraída e já a antecipar o desconforto do exame.
- Relaxe, por favor. Ainda por cima já passou por isto, não já?
(Eu só pensava - já passei, sim! Por isso é que não consigo relaxar! Dispenso ter uma desconhecida a meter-me os dedos no pipi, ok?! - mas não disse nada e esforcei-me por parecer descontraída a relaxadíssima, como se estivesse num picnic.)

- Ok, já está com 4 dedos de dilatação. E parte do colo eliminado. Parece-me bem encaminhado. E teve rutura parcial da bolsa, certo?
- Sim, tive agora mesmo, antes de entrar. Mas qquilo tudo foi só parte da bolsa?
- Foi... Não foi rutura total. Foi só um bocadinho.
(Fiquei a tentar imaginar como seria se tivesse rompido tudo)
- Entretanto, vamos ver o bebé?
- Vamos!
(Tentei disfarçar a emoção, que era um misto de alívio por o "toque" ter terminado com a alegria por ir ver o meu bebé.)
- Ora bem... Já lhe disseram que o bebé é muito grande, certo?
- Grande? Por acaso disseram o contrário... Estava no percentual 30... Só a semana passada é que disseram que, afinal, podia ter mais de 3,500kgs.
- Pois, mas olhe que tem mesmo. É um bebé muito grande.

Nesta altura, eu não tinha percebido que o facto de ser realmente grande poderia dificultar o parto. Estava convencida que era um erro e que, afinal, não seria assim tão grande. A minha mãe entretanto ligou-me e comentei isto com ela - "acho que o bebé é muito grande. A médica disse que tinha mais de 3,500kgs." Resposta querida da minha mãe - "Mas tu comeste assim tanto?!". Obrigada, mamã!

Fui fazer o CTG (máquina para medir as contrações) no gabinete em frente. Descalça, para não estar a pegar nos saltos, que naquele momento me pareceram totalmente despropositados e nada práticos. Fui logo apanhada.
- De quem são estes sapatos?, ouvi perguntarem alto e bom som no corredor.
- São meus...., respondi, muito baixinho.
A enfermeira veio ao gabinete em que eu estava, com os sapatos na mão.
- Estes. Estes não são seus, pois não?
- ... São...
- Tão altos?
- ... Sim...
- Consegue andar com eles no fim da gravidez?
- ... Consigo...
Entretanto, tinha mais caras à volta (outras grávidas, enfermeiras e duas médicas), qual comissão de avaliação do calçado das grávidas, a olhar para os sapatos e para mim em silêncio. Ninguém disse nada. Mas senti que tinha sido reprovada a minha avaliação.
- São confortáveis, tentei alegar em minha defesa.
- Hmmm...

(Conselho a todas as grávidas em final do tempo: ter sempre um par de sapatos confortáveis por perto, não vá entrarem em trabalho de parto a qualquer momento!)

As contrações eram fortes e constantes, por isso, não havia mesmo dúvidas... Nesse momento, eu ainda estava convencida que o segundo parto era sempre muito mais fácil que o primeiro, por isso, não havia grávida mais otimista e relaxada que eu. Olhei para o relógio - 5 da tarde? Lá para as 7h já devemos ter criança.

Não tínhamos. Cada trabalho de parto é diferente e único, sempre me disse a minha médica. É impossível prever como cada parto se irá desenrolar. E confirmou-se. Tive uma experiência completamente diferente da primeira. E o bebé não iria sequer nascer nesse dia ainda... Mas já lá vamos... Uma parte da história de cada vez.

... Continua...






terça-feira, 15 de março de 2016

Os primeiros dias a quatro

Entretanto, os primeiros dias a quatro têm sido muito mais calmos do que imaginava. Arrisco-me até a dizer que têm sido muito mais simples que quando a Constança nasceu. Não sei se é a capacidade de relativizar, que agora existe e antes era simplesmente inexistente - antes, tudo servia para stressar, desde o choro à falta de choro, desde o cordão umbilical ou a queda do cordão, desde o mamar muito ou o não querer mamar, etc, etc. Não sei se é o facto de agora termos também que nos focar num bebé maior, que precisa de tanta ou mais atenção que o recém-nascido. Não sei se é o facto de agora termos decidido vir logo para casa, só os quatro, e podermos fazer os nossos horários à vontade - da outra vez fomos para casa dos meus pais e, apesar de termos muita ajuda, também tínhamos sempre mais gente em casa. O que é certo é que estamos os dois muito mais tranquilos desta vez. Claro que também ajuda o bebé ser um amor e literalmente só comer e dormir, parando apenas para nos olhar uns minutos, com ar muito atento.

Conseguimos já sair os quatro de casa para passearmos e a prova foi superada. Naturalmente demora mais a por e a tirar tudo do carro, mas a Constança já nos acompanha a pé, por isso, a "maquinaria" de passeio continua a mesma, com a diferença que o carro deu lugar à alcofa. Conseguimos sentar-nos para tomar um café e apanhar um bocado de sol, por isso, senti-me logo, ao fim de uns dias, "eu" outra vez (lembro-me que, há quase dois anos, essa sensação demorou a chegar... durante muito tempo, não me sentia ainda "eu", mas alguém estranho que estava a viver a minha vida no meu lugar).

Conseguimos já ver filmes do princípio ao fim, almoçar e jantar fora, já voltei à manicura para arranjar as unhas, consegui dar uma volta na Zara e, no meio disto tudo, já tenho também vontade de retomar os exercícios que deixei apenas 3 dias antes do bebé nascer. As coisas voltaram rapidamente à normalidade, desta vez, e acho que tudo se resume ao facto de ser o segundo. Sim, já passámos por isto (e há pouco tempo) e isso permite-nos - palavra chave! - relativizar tudo e relaxar muito mais.

Há quase dois anos, lembro-me que me sentia exausta, com as horas trocadas, e sentia que os primeiros dias se resumiam a trocar fraldas e a dar de mamar. Lembro-me da crise de choro que tive, uns dias após o parto, do cansaço, de tudo. Lembro-me da crise existencial que tive - "sou mãe! a minha filha vai depender para sempre só de mim! e agora?". Desta vez? Não sei se é por ter a Constança a dar-me uma dose de realidade a toda a hora, com toda atenção que exige, mas... a verdade é que sinto-me mais "viva" e com mais força para tudo.

O segredo? Não sei... talvez o facto de saber que tudo é possível, porque já passei por isso. Talvez o facto de já saber que o corpo volta ao sítio, que a barriga há-de encolher e a pele esticar (pode demorar, mais há-de acontecer!), que as noites vão normalizar e a que tudo se vai encaixar... talvez seja isso que me dá mais força desta vez. Ou então, simplesmente as hormonas tenham sido mais meiguinhas comigo desta vez. Às tantas é simplesmente isso! ;)

segunda-feira, 14 de março de 2016

Olá, filho mais querido

-Andas muito caladinha... O que se passa?

Eu sei que devem andar a pensar o que é feito de mim. Passo a explicar: andava eu a trabalhar com o mesmo ritmo de sempre, a treinar duas vezes por semana com a minha querida professora especialista em grávidas e recém-mamãs (até tinha corrido dois dias antes!) e a fazer a minha vidinha normalmente, quando, nesse dia, ao almoço, senti algo estranho... Umas contrações com dores bastante chatas. Como, quando estava grávida da Constança, tive um falso alarme antes do verdadeiro trabalho de parto, desta vez não liguei muito. Apenas comentei com ele, enquanto almoçávamos:
- Estou com algumas dores...
- Queres ir ao hospital?
- Acho que não vale a pena... Vou só se isto continuar.
- Ok. Mas vou trabalhar na mesma agora de tarde ou queres que fique contigo?
- Não, vai, vai trabalhar! Eu também vou. Assim nem me lembro das dores. Se depois piorar ligo-te e dou um saltinho ao hospital.
- Pronto, mas vê lá... Liga-me logo logo!

Voltei para o trabalho. Pelo sim, pelo não, tirei umas fotografias ao restaurante ("nunca se sabe se é mesmo hoje", pensei), ao rio, que estava com uma luz bonita, à cidade... e tirei ainda umas selfies pirosas ("nunca se sabe se é hoje, se for, depois mostro ao meu filho como estava no dia em que nasceu"). No fundo, tinha naturalmente esperança que o trabalho de parto estivesse a começar, mas o meu lado mais realista mandava-me acalmar e prosseguir com a vida normal.

Uns minutos mais tarde, sentada na minha secretária a ler emails e a estudar assuntos pendentes, o meu corpo, no entanto, ia-me pedindo para abrandar. As dores iam e vinham e eram tão fortes como dores menstruais - digamos que de intensidade 3 ou 4, numa escala de 0 a 10 -, mas já não me conseguia concentrar bem no que estava a fazer. Mandei mensagem à minha médica a dizer que estava com algumas dores e a perguntar o que devia fazer.
- Sente o bebé? Se as contrações começarem a tornar-se constantes, deverá ir ao hospital.

Estava perdido o meu dia - já não ia conseguir concentrar-me mais. Se sentia o bebé? Não fazia ideia! No meio das contrações, já não sabia o que sentia mais. O bebé estaria bem? Será que estava em sofrimento e que eu estava a ser egoísta ao armar-me em forte? Comecei a matutar naquilo. Liguei ao meu chefe.
- Já viste aquele email que te mandei? Podes estar presente na reunião?
- Posso, posso. Mas estava a ligar-lhe também por outro motivo.
- Então?
- Estou com algumas dores. Vou ao hospital ver se está tudo bem, ok? Levo o computador. Se estiver tudo bem, depois termino o trabalho em casa.
- Claro!! Vai lá. Depois diz alguma coisa.

Avisei alguns colegas que ia sair, mas que "não devia ser nada". A verdade é que tinha sempre um lado pessimista a dizer-me "não faças grandes filmes, porque quando estavas grávida da Constança também foste uma vez ao hospital e não era nada!". Fui para o carro. Olhei para baixo, para os meus saltos altos, e desejei ter levado outro calçado nesse dia, algo mais prático e "maternal". Viria a confirmar mais tarde que tinha escolhido o pior calçado possível! A viagem para o hospital ainda demorou uns 15 minutos, pelo que deu para ligar ao meu marido, aos meus pais, à minha irmã e ainda  para mandar mensagem às amigas, enquanto ouvia a música que dava na rádio. A meio da viagem, no meio das dores, ainda apanhei um susto no trânsito e dei por mim a pensar que, se morresse num acidente, a capa do JN já me estava destinada - "mãe a dar à luz morre em acidente". Abanei a cabeça - "que estupidez!" - e mudei a estação de rádio para ouvir uma música mais animada. Cheguei ao hospital. Estacionei nas urgências. Por sorte, tinha um lugar para grávidas vazio mesmo à porta. Escondi a mala com o computador no chão do carro. Saí do carro, entrei nas urgências e foi com alguma (muita!!) vergonha que, do alto dos meus saltos de 10 cms e mala ao ombro, informei as meninas da receção que pensava estar em trabalho de parto.

Deram-me uma pulseira com os meus dados, encaminharam-me para a obstetrícia e lá fui eu, ansiosa. Quando cheguei à parte da obstetrícia, decidi ir à casa de banho antes de entrar. Sentia-me a transpirar e precisava de dois segundos de calma antes dos exames todos, precisava de me refrescar e olhar ao espelho. Saí da casa de banho a sentir-me melhor. Só que.... "páaaaaas"!!! De repente, as pernas ficaram molhadas e quentes, e as calças ensopadas.

"As águas!! Rebentaram-me as águas!!".

Só que não foi só a bolsa de água que rompeu. Os meus olhos encheram-se de lágrimas e desatei num pranto tal que tive que me encostar à primeira parede que encontrei. Peguei no telefone. Liguei-lhe, mas nem conseguia falar de tão emocionada que estava.
- Estou a chegar, estou a chegar! Espera por mim!, dizia-me ele.

Um médico passou por mim. A ver-me a chorar assim, deve ter achado que algo de mal se passava:
- Está tudo bem?
- Está!! Desculpe! (sniiiiif) É que estou tão feliz. Estou mesmo feliz. (sniiiif) Rebentaram as águas. E eu nunca tinha sentido isto. E tinha sonhado tanto com isto... (sniiif) Estou mesmo feliz.

O médico desapareceu. Talvez tenha pensado em encaminhar-me para a psiquiatria. Mas cocktail de ocitocina com a emoção de entrar em trabalho de parto espontâneo deu naquilo... Eu estava tão emocionada e feliz que nem me conseguia articular direito.

O que acontecia dali a umas horas?
Esta imagem.
Dali a umas horas, tinha no colo o bebé mais querido, perfeito, adorável, sorridente (chamem-lhe espasmos musculares involuntários, não quero saber, para mim eram sorrisos!) que podia desejar, e com duas covinhas irresistíveis.
Dali a umas horas, descobria que, ao contrário dos meus piores pesadelos, era possível amar o segundo filho com a mesma força, intensidade e sentimento de novidade com que se amou o primeiro filho.
Dali a umas horas, deitava-me, agoniada em dores, com soro a entrar-me no braço, com todos os músculos do corpo doridos (principalmente dos braços), a testa ainda a latejar e um cansaço tal que me sentia atropelada por um camião. Mas deitava-me tão feliz, tão feliz, tão feliz. Tinha acabado de me despedir da filha, que estava radiante, e tinha ido para casa com os avós. E tinha acabado de conhecer o meu.... filho. :)
Conto todos os demais pormenores da história nos posts seguintes, porque lembro-me que gostaram muito da história do parto da Constança e não quero que falte nada. :)

Até já!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O sexo do bebé

Cresci no meio de mulheres, por isso, para mim seria natural repetir o ciclo e ter apenas meninas. Sou mulher, sei como as mulheres pensam, compreendo-as, sinto-me confortável entre mulheres. Talvez por isto, em todos os sonhos que fui tendo ao longo da vida, via-me a ter uma filha. Sempre me imaginei com uma menina nos braços, talvez por ser esse o meio em que me movi. Quando, grávida da Constança, soube que ia ter uma menina, foi quase como uma confirmação do que seria natural. Ia poder educá-la, compreendê-la, aconselhá-la, ouvi-la, acompanhá-la em tudo e não fiquei, nem por um segundo, preocupada com os valores ou princípios que irei tentar passar.

Desta vez, tudo mudou.

- É um menino!
- Um menino? Tem a certeza?!
- Certeza absoluta! Olhe para isto. Não há dúvidas nenhumas. Está a ver, pai? Com este tamanho, não há dúvidas nenhumas. Muitos parabéns!!

Começou logo aí. A referência ao tamanho, à virilidade do novo ser, como se tudo se resumisse a isso. Eu, que já tinha algumas reticências quanto a ter um menino, fiquei meia "abananada". Um menino? Saberia eu educar um futuro homem? Saberia eu fazer do mais simples - como escolher roupa gira para um menino ou mudar-lhe bem a fralda (digamos que há mais área para limpar!) - até ao mais complicado - ensiná-lo a ser um cavalheiro, a respeitar as mulheres, etc? Comecei logo com mil dúvidas.

Cresci no meio de mulheres, por isso, habituei-me a ver os rapazes como seres estranhos que se juntavam à volta duma bola de futebol e eram capazes de passar horas a gritar e a correr. Cresci no meio de mulheres, vi os rapazes alterarem a voz, o rosto, vi os pelos e as borbulhas a aparecerem-lhes na cara, vi-os a juntarem-se atrás da escola para fumar, vi-os com mil segredos, vi-os bêbedos, vi-os aproximarem-se de nós, mulheres... E só comecei a conviver com rapazes por volta dos 15 anos. Até essa idade não tive propriamente amigos ou referências próximas da minha idade (a não ser um primo da minha idade) do sexo oposto. Tive sempre o meu pai, mas era um adulto formado, eu não percebia muito bem era o modo de funcionamento dos rapazes e dos adolescentes.

Cresci no meio de mulheres. Não vou negar que seria feliz se continuasse a viver num mundo feminino. Mas... é "um menino!". E já me tenho vindo a habituar à ideia. Há tempos, alguém me disse "é da maneira que a Constança continua a ser a princesinha da casa". E isso, de certa forma, tranquilizou-me. Vai deixar de ser filha única, mas vai crescer a ser a única menina. E eu começo a ficar cada vez mais curiosa com este admirável mundo novo no masculino que vou descobrir em breve. Dizem-me que os meninos até são mais fáceis de educar e juram-me a pés justos que têm uma relação especial com a mãe. Estarei cá para tentar confirmar todos os mitos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Falamos todos a mesma língua?

A minha empregada disse-me ontem que a Constança só tinha comido bem a sopa, não tinha ligado ao conduto.
Con... quê?
- Conduto! Primeiro come-se a sopa e depois come-se o quê?
- .... não sei, depende....
- O conduto. Depois come-se o conduto.

Nunca tinha ouvido tal coisa e fiquei ali a pensar que "conduto" não me parecia coisa boa. Alguém consegue salivar por algo chamado "conduto"? Hmmm...

Hoje, comentou comigo que reparou que a Constança já tinha o queixal a espreitar lá atrás.
- Tinha o quê a espreitar?
Pensei num inseto assustador qualquer, a pairar atrás da cama dela.
- O queixal. Tem os dois em baixo a espreitar...
- ....
- Os dentes.
- Queixal?
- Sim... Ora veja no dicionário.
E eu, bem comportada, fui ver. E existe mesmo. Para algumas pessoas, é assim que se tratam os molares. Meti o rabinho entre as pernas e não se falou mais nisso.

É oficial: devo ser marroquina ou espanhola, porque o português assim parece-me chinês!


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Vamos lá discutir a questão dos funcionários públicos

Ok, eu estava a pedi-las. Mas a verdade é que ando outra vez tão envolvida no mundo da maternidade que até me soube bem sair desse registo e entrar em temas mais sensíveis da atualidade. Por isso, quando, no último post, falei da questão da greve dos funcionários públicos estava ciente que não estaria a agradar a todos. E dei a minha opinião quanto ao alegado "ritmo alucinante" dos mesmos sabendo que podia ferir algumas suscetibilidades. De qualquer dos modos, confesso que não estava à espera de ter tanto feedback, tantos comentários negativos, tantas críticas e de gerar tanta polémica. Alguns comentários foram entretanto removidos pelos autores (eu não removo nada a não ser que seja mal educado), mas podiam ter deixado, caros comentadores, porque é das críticas que também se faz o diálogo.

Vamos lá aprofundar o assunto, então. Antes de mais, a quem comentou dizendo que eu, basicamente, não conhecia a realidade e estava de barriga cheia a falar, deixem que vos diga que estão a fazer o mesmo de que me acusam. Não fazem ideia se conheço (ou não) a realidade e se estou (ou não) de barriga cheia.

Assim, indo por partes: primeiro, lamento desiludir, mas até conheço a realidade. Estive um ano a trabalhar em funções equiparadas e, sem querer entrar em muitos pormenores, até tenho muita gente próxima que é funcionário público.

Por outro lado, não estou (com muita pena minha!) de barriga cheia a falar (se afastarmos o sentido literal da expressão, claro). Trabalho há praticamente 10 anos e a evolução do meu salário tem sido muito, muito mais lenta do que gostaria. Trabalho cerca de 10 horas por dia. Com dias (muitos) em que estou fechada das 9h30 às 22h sem sair a não ser para almoçar. Recebo apenas 12 meses. Não tenho direito a subsídios. Como passo recibos verdes, de 3 em 3 meses tenho que entregar o malfadado IVA ao Estado. Se ficar doente, não tenho direito a ficar de "baixa". Perguntam-me muitas vezes se vou trabalhar até ao dia do parto ou se vou para casa antes. A resposta é simples: tal como aconteceu da outra vez, trabalharei até ao dia "D", pois não há sequer alternativa. Perguntam-me também se tenho direito a horário reduzido por dar de mamar. Não tenho. Se quero dar de mamar, tenho que conciliar o meu horário com os horários do bebé, tal como fiz da outra vez, e jogar com as viagens alucinantes de carro a casa, para ir e voltar em meia hora, e com a máquina de tirar leite. Perguntam-me também se consigo sair cedo para estar com a minha filha. Não consigo. Nunca estou em casa antes das 20h. E com sorte. Por isso, conciliar esta vida com infantários seria impensável, para já. O meu telefone profissional recebe emails e chamadas até ao fim-de-semana. Tenho que estar sempre contactável. E tenho ainda a pressão da rentabilidade e da eficiência a pairar constantemente. Tenho que ser lucrativa. Sempre. Lucro, lucro, lucro. Se não, torno-me dispensável, por melhor que seja tecnicamente.

Sei que o conceito de "ritmo alucinante" pode variar de pessoa para pessoa. Sei que, para alguns, esta vida que descrevo até pode ser uma vida calma. Para os médicos que fazem urgências, com certeza que sou privilegiada por não fazer diretas. Para os juizes e professores que andam continuamente com a casa atrás das costas conforme são colocados, também serei afortunada porque tenho estabilidade geográfica. Para os enfermeiros que não são colocados, o facto de eu ter um trabalho já será algo a invejar. Cada um terá as suas adversidades e a vida do próximo pode parecer sempre mais calma que a nossa, porque a vemos... ao longe, não é a nossa.

Se acredito, ainda assim, que a minha vida seja mais alucinante que a vida da maioria dos funcionários públicos? Acredito. Desculpem, mas acredito. Na experiência que tive, descobri o doce sabor de ter um "patrão" desconhecido. Tinha uma pessoa acima de mim, naturalmente, mas não havia o tal "patrão" por perto. O "patrão" era uma entidade abstrata, quase desconhecida, que vivia no topo da hierarquia, a anos-luz de nós. Descobri também o sabor de não ter telemóvel profissional, com emails a caírem e com telefonemas a toda a hora. Descobri o sabor de ter um edifício que fechava às 20h e de ter um segurança que me ia chamar às 19h45, porque estava a fechar tudo. Percebi que, se quisesse ter um filho, teria direito a baixa se fosse preciso, a licença de maternidade e também a horário reduzido para amamentar. Percebi que não havia a mesma pressão dos objetivos e da faturação. Percebi que não havia tanta pressão na avaliação. Descobri o doce sabor de ter estabilidade na carreira e contrato sem termo, sem obrigação de passar recibos verdes. Descobri o bom que é viver sem medo de me tornar dispensável amanhã,

Mas a minha experiência também serviu para ouvir as queixas de quem me rodeava. E eram muitas: os cortes. A dificuldade na progressão de carreira. O congelamento de salários. As más condições. O aumento das 35 horas para as 40 horas sem aumento de salários foi a gota de água. Imagino que sim. No entanto, esta situação foi recentemente revertida, certo? Voltarão às 35 horas. Está garantido. Daí não entender tanta revolta agora. Não conseguiram o que queriam?... O meu comentário à entrevista que partilhei teve uma dupla intenção: primeiro, manifestar a minha estranheza perante uma greve de quem teve o que pediu. Mesmo que a medida demore 3 meses a ser implementada, está aí. Fez-se a vontade. E depois, quis também explicar que, de todos os argumentos que poderiam utilizar para justificar a greve, o argumento de uma vida com um ritmo alucinante parecia-me o mais difícil de convencer tendo em conta as horas atuais obrigatórias (40) e aquelas de que irão beneficiar em breve (35).

Não querendo alimentar a discórdia, acredito que acontece mais o oposto: quem é funcionário público não consegue imaginar o ritmo de quem vive a recibos verdes, a dar continuamente tudo por tudo e sempre com a vida em suspenso. Não imagina o que é fazer parte da "geração dos € 1000". Posso estar enganada, mas poucas vidas me parecem mais alucinantes que isso.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ritmo alucinante

Estava a ler o título desta notícia - funcionários públicos não aguentam o ritmo alucinante de trabalho - e achei que fosse mais uma daquelas situações em que título deturpava totalmente o conteúdo da notícia em si.

Infelizmente, não foi o caso. E acho que são entrevistas destas que destroem totalmente a imagem dos funcionários públicos. "Ritmo alucinante?". Podem argumentar que têm faltas de condições, salários baixos (ainda que haja estudos no sentido de que, em média, o salário dum funcionário é maior que o salário do setor privado), progressividade lenta na carreira, o que quiserem... Mas ritmo alucinante? Já para não falar do facto de as horas semanais irem ser reduzidas para 35...

Sei que com certeza trabalharão mais que isso, mas não usem a palavra "alucinante", por favor. Convido-os a virem trabalhar comigo uma semana e voltamos a falar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Irmã mais velha

Entretanto, esta minha bebé vai crescendo de dia para dia e está quase a ganhar o estatuto de "irmã mais velha". Espero que reaja bem à novidade, a outro bebé, à perda da atenção exclusiva... É que, mesmo a crescer, continua a ser tão pequenina...

Estarás pronta, Constança? Sempre vi a minha irmã como o melhor presente que os meus pais já me deram. Desejo do fundo do coração que sintas o mesmo. Quero tanto que sintas o mesmo...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ok, sem mais rodeios

A primeira novidade que tenho para vos contar - e relativamente à qual estou há meses a explodir (quase literalmente!) para vos contar - é, com certeza, fácil de adivinhar...

Estou grávida!

Sim, outra vez.

A dada altura sentimos que o ideal seria "arrumarmos" logo a fase das fraldas, biberons, cocós e noites mal dormidas de uma vez e embarcar novamente nesta loucura aventura. Tínhamos ido de férias e tínhamos conseguido descansar, apanhar sol, beber uns gins à tarde, namorar e passear - mesmo com uma bebé! - e sentimo-nos prontos para outra. Afinal, era possível fazer vida normal mesmo com filhos. "Vamos lá para o segundo e não se pensa mais nisso?". Pois...

O pior é que aqui o útero da vossa amiga ainda deve ser mais maluco que a dona, porque, mal pensámos... ele tratou logo de arrendar o espaço a um bebé. :) Foi um mês entre o pensar e o estar grávida. Como é que é possível? De maneira que é isto... Tenho tanto para contar... Vou ver se divido em vários posts por temas, para ser mais simples.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Escrever não é como andar de bicicleta

Pensei que escrever fosse como andar de bicicleta - depois de aprender e ganhar o jeito, nunca mais esqueceria. Mas começo a ter dúvidas que assim seja. De cada vez que fico alguns dias sem escrever, cada vez custa mais recomeçar. Abro a folha em branco e não sai nada. Os pensamentos fluem e as ideias são imensas, mas nada que se converta em palavras.

Não, escrever não é nada como andar de bicicleta. E retomar custa sempre.

Tudo isto para dizer que não venho cá há mais de um mês e que hoje está a custar mais que nunca. Bloqueio de escritor? Podia ser, se fosse escritora. Como não sou, chamemos-lhe apenas "bloqueio". Sinto que já não sei escrever, que o jeito falta. O ano novo, que seria altura de resoluções e força de vontade para escrever cada vez mais, veio afinal trazer este bloqueio maldito que teima em crescer. Hoje decidi que era tempo de escrever algo, nem que fosse um "estou aqui, estou bem, estou só bloqueada". Porque é tudo verdade. E, por outro lado, porque me sinto há mais de um mês em falta com quem me segue. Estou em falta com quem me lê. E estou em falta comigo mesma, porque tenho a cabeça num turbilhão, cheia de ideias, cheia de novidades (tantas novidades!!), cheia de planos, cheia de medos, cheia de dúvidas, cheia de sonhos, cheia de tudo... e, se não atualizo isto tudo, em breve expludo.

Escrever não é como andar de bicicleta. Hoje sinto que estou outra vez com as rodinhas pequeninas atrás, sem equilíbrio nenhum e com o corpo a cair, ora para a esquerda, ora para a direita, sem saber bem como se conduz isto. Pelo menos não caí. E cheguei ao fim do quarto parágrafo. Agora é pousar a bicicleta. E ver se o jeito volta.... naturalmente. Para vos contar tudo. Para recontar tudo também a mim também.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ponto de situação

Falta uma semana para o Natal. Uma semana!

Ponto de situação?
- Presentes comprados: zero.
- Presentes pensados: zero.
- Presentes desejados/ sugeridos: zero.

A verdade é que ando com a cabeça a mil, a pensar já em 2016. E tenho novidades para vos contar.

Conseguem adivinhar? :)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O interior conta?

Digam lá da vossa justiça... Sou eu que estou a exagerar ou este baton da Christian Louboutin é mesmo "só" o baton mais bonito que anda por aí?

Ando a namorá-lo há meses. Porque é que não o comprei ainda? É que depois dou por mim a repetir o número: oitenta. Oitenta euros. É demais até para um baton com uma embalagem tão bonita, não? Tento convencer-me que sim, e que o interior é que conta. Digo a mim mesma "Arranjas outro com a mesma cor e textura, até melhor e a um quarto do preço!!". Sei que arranjo. Sei que o exterior não devia contar tanto. Sei que, com a "sorte" que a minha maquilhagem tem tido, até acaba é nas mãos da Constança - sim, o último baton bom que comprei acabou a pintar o coelho de peluche dela!! Mas... é mesmo bonito o raio do baton, não é?

Pai Natal, se me estiveres a ler e fores menos forreta que eu, já sabes como me poderás fazer feliz este ano!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O problema foi a solidão. E as noites longas.

Quem me lê há algum tempo, já sabe de cor a minha paixão por Game of Thrones. Talvez não saiba que, enquanto esperava pela nova temporada, fui até matando as saudades a ler todas as teorias sobre os próximos capítulos e a rever episódios e entrevistas, mas sabe que sou verdadeira fã da série.

Ora, enquanto fã, depois do final da última temporada, vivi o luto. Intensamente. Dramaticamente. E suspirei pela Primavera, muito, para voltar a ver a série. Mas os meses foram passando. E as noites foram ficando mais frias. E mais longas. E a solidão começou a pesar. Dizem que um amor só se cura com outro, não é? Eu não queria acreditar que fosse assim. Era fiel às minhas memórias e não quis trair Game of Thrones. Admito que estive perto de ter uns casos passageiros com outras séries, mas nunca se concretizou. O problema não eram elas, era eu. Eu estava ainda com a cabeça (e o coração!) noutro lado.

Até que... uma bela noite, algo aconteceu. Depois de ter visto o primeiro e o segundo episódio daquela série, quis ver o terceiro de rajada. Podia não ser um amor louco e assolapado, mas estava a encher-me as medidas e a entreter-me, ainda que de forma calma e tranquila. Falo de "Suits", que comecei a ver no Netflix. Pois... Tenho a revelar que já vou na segunda temporada e acho que esta relação está para durar. O Game of Thrones que me perdoe, mas não aguentava tanto tempo de espera. A paixão mantém-se, mas precisava de companhia para os serões. Retomamos a relação em Março ou Abril, ok? Não garanto é que a relação seja monogâmica. ;)