quinta-feira, 6 de junho de 2013

Freud, preciso de ti

Ultimamente os meus sonhos tornaram-se histórias verdadeiramente alucinantes, com argumentos hollywoodescos e capazes de fazer inveja a um Spielberg. Ok, talvez não tanto. No entanto, talvez por andar em maratona da trilogia do 1Q84, noto que os meus sonhos ligaram um complicómetro qualquer e aumentaram o enredo e a intensidade. Pois então deixemo-nos de introduções aborrecidas e passemos à descrição da minha mais recente narrativa vivida em braços de Morfeu.

Lembro-me que estava de mãos dadas com um ser masculino indefinido. A sensação com que fiquei é que era um apoio que tinha ali e que era pouco relevante para a história: existia apenas para não me sentir sozinha, e nem tinha rosto ou forma. Estávamos perdidos no meio da vegetação, a andar sem rumo certo. Confusos e preocupados. De repente, encontrámos alguém que nos diz, a despropósito: "isto é 1996". E percebemos que nos enganámos e que devíamos ter ido por outro caminho. Virámos e começámos a andar por outro lado. Até que encontrámos um grupo de gente sentada numa roda, a cantar e a tocar guitarra. Havia uma fogueira e pareciam estar todos felizes.
- Desculpem, mas sabem dizer-me onde estamos? Perdemo-nos.
- Isto é 1996.
- Por onde é que se vai para 2013?
- Têm que esperar muitos anos até ele chegar aqui. Nenhum caminho vai lá dar.
- Mas nós ainda agora estávamos lá. O mal foi meu, perdi-me. Tenho péssimo sentido de orientação e devo ter virado para a esquerda em vez de virar para a direita.
- Se são de 2013, prova-o e canta uma música do vosso ano. Toma.
E deram-me uma guitarra. Comecei a pensar em músicas, mas só me lembrava de êxitos dos anos 80 e 90. Comecei a tocar Baba O'Riley, dos The Who, para gáudio do grupo. Entretanto, estava sozinha. Queria pedir ajuda à minha companhia masculina, mas ele tinha desaparecido. Estava presa no passado e não me lembrava de nenhuma música do presente que me salvasse. Ia ficar em 1996 sozinha e para sempre.

Acordei a transpirar e a precisar de respirar com força. Freud, que me dizes? A parte dos anos percebo que tenha a ver com o livro que ando a ler, é realmente uma cópia descarada... Mas e o resto? Freud, preciso de ti. Wo bist du? (Vou falar alemão a ver se me ouve melhor). Estou oficialmente ensandecida.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Almas gémeas

Como saberão, a Fox Life anda a repor os episódios da série Sexo e a Cidade, por isso ando a rever aquele que foi, com certeza, o manual de relacionamentos de muitos (e eu, como cliché que sou, não fujo à norma). Ontem assistia pela enésima vez a este episódio do qual retive o seguinte diálogo entre a Charlotte e a Samantha:
- I believe that there’s that one perfect person out there to complete you.
- And if you don’t find him, what?... You’re incomplete?, it’s so dangerous! (...) the bad thing about the one perfect soulmate is that is so unattainable you’re being set out to fail.
O que, traduzindo, dará algo como uma discussão à volta das almas gémeas: há alguém, algures, que te completa, mas... e se não a encontras? Ficas incompleto? Tudo anda à volta disto.

A discussão é tudo menos nova ou original. Tão-pouco é conclusiva. O que é trazido de novo para a baila é a questão do ter que ser inalcançável. Mas... terá que ser? O que é certo é que tudo o que é inalcançável parece mais perfeito. Ou, como ele aqui em casa chama, é o "truque dos vinte metros" - qualquer mulher parece perfeita a vinte metros, sem falhas, imperfeições. Só quando se aproxima vemos as rugas, as gordurinhas, o acne, a pele flácida ou uma depilação por fazer (too much?). O mesmo truque aplica-se a quase tudo, que, ao longe, parece perfeito. Com as almas gémeas, muitas vezes acontece o mesmo: ao longe, são ideais. São uma teoria. Uma equação que tem tudo para resultar. Um mito. Mas... e na prática? No dia-a-dia?

Para mim, as almas gémeas são mais que um livro preferido em comum. Mais que uma música especial que se partilha. Um destino de viagem com que ambos sonham. Gostos iguais. Histórias de vida parecidas. Ou um sorriso encantador. Uma alma gémea é alguém que nos completa. Num todo. Compreende e aceita as nossas imperfeições. Partilha as suas. Adapta-se. Quer agradar. A alma gémea não é, afinal, algo inatingível. Está aqui. Se é inatingível, como é que nos pode completar, afinal? Pois... Esse é, em resumo, o meu ponto de vista.

Então, como é que vai o ginásio??

O ginásio...? vai andando. Eu? Vou correndo. Sempre que consigo, toca a ir para lá. Quando ia correr para a rua, usava a desculpa do vento. Da chuva. Do frio. Ou da falta de companhia. No ginásio, não há cá ventos, chuvas, frios ou solidões. Aquilo está sempre cheio, das 7h à meia-noite, a temperatura é sempre a mesma e há ainda o "pormenor" da mensalidade. Pois convenhamos que, na luta entre a preguiça e o dinheiro que lá deixei, ganha sempre o dinheiro. Por isso, lá tenho ido três vezes por semana.

O ritual é sempre o mesmo: chego, vou para a passadeira e só saio quando tiver corrido pelo menos 5 quilómetros. Depois, máquinas (às vezes), abdominais e alongamentos. Ora, os 5 quilómetros dão uns valentes minutos, até porque não sou a pessoa mais rápida que o asfalto (ou, neste caso, a passadeira) já viu correr. E, nestes valentes minutos, as passadeiras ao meu lado vão sendo ocupadas por pessoas diferentes. No entanto, nas últimas semanas algo tem acontecido. Como tenho ido à noite em vez de ir à hora de almoço, a fauna desportista que se vê é maioritariamente masculina (não sei bem porquê... estarão a fazer o jantar?). E um rapaz que conheço de vista há mil anos, não sei bem de onde, tem ido sempre para a passadeira ao pé da minha. Já 5 ou 6 vezes o que aconteceu foi o mesmo: cheguei e fui para a passadeira. Passado uns dois minutos, ele apareceu, qual fantasminha escondido atrás duma máquina qualquer. Chega a ser assustador. Hoje, por exemplo, estava eu a ver as minhas séries numa das televisões, toda contente, quando, de repente, pisco os olhos e, ao abrir, lá está ele por baixo da televisão. Voltei a piscar os olhos duas vezes. Seria uma miragem? Não, ele apareceu do nada. Literalmente.

Depois disto, tem começado a competição. De todas as vezes que corri e o "fantasma" apareceu, tive que levar com ele a espreitar o meu visor de velocidade e de distância de dois em dois segundos. É cansativo! Além disso, começou a arfar desalmadamente e a aumentar a velocidade, enquanto olhava para mim, qual "vês? é assim que se corre, ó tartaruga". Aconteceu sempre. O que vale é que aqui a tartaruga corre devagar, devagarinho, mas aguenta mais tempo. Sim, porque ando é a treinar a resistência. Por fim, acaba sempre da mesma maneira: ele abranda, começa a andar. Eu continuo a correr. Então, continua a olhar para o meu visor, depois olha outra vez para mim, como quem diz "vês? no mesmo tempo corri muito mais". Continua a andar enquanto eu corro e só sai quando saio também.

Sinto que tem havido ali um longo diálogo sem palavras. Uma corrida silenciosa. E tenho noção que, a haver uma competição, tenho perdido em velocidade-média. Mas ganho em tempo percorrido. Isso dará um empate, certo? Tenho que chamar o meu anjo da motivação para lhe mostrar de que fibra nós, mulheres, somos feitas. Girl power! Raio de mania que os homens têm de ter que ser melhores que nós em todos os desportos...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Privado vs Público

A falar com uma amiga sobre a futura escola para onde irá estudar a filha dela, comecei a pensar mais no assunto. A verdade é que, tendo andado num colégio e depois numa escola pública, penso que posso, pela minha experiência, concluir que prefiro os colégios. São mais caros? São, claro. Mas, pelo que vivi, posso assegurar que me sentia mais protegida, mais parte duma grande família, e que sentia que éramos mais bem acompanhados. Todos os professores e empregados sabiam o nosso nome, a nossa data de aniversário, conhecíamos as famílias uns dos outros, tínhamos imensas actividades para além das aulas... Claro que haverá escolas públicas fantásticas (tal como os rankings anuais comprovam), mas, no meu caso, passei daquilo que me parecia um castelo protegido para uma selva, no início. Acabei por me habituar, mas lembro-me que me identificava apenas com um número reduzido de pessoas, inicialmente, e achava estranho ver tantas raparigas a pintarem-se na casa-de-banho e a falarem de jogadores de futebol. Achava estranho ver os gangs vestidos de preto e cabelo comprido - os chamados "metaleiros" - na parte de trás da escola, os de Artes sempre encostados ao pavilhão, os miúdos com as motas à frente, etc. Estava tudo muito segmentado, não havia um "todo", uma unidade. E no início custou-me. Tive que decidir quem era. Como era. A que grupo pertencia. Eu, que antes pertencia apenas a uma escola e era igual a todos os outros. Afinal ali era betinha, desportista, alternativa...? Para mim, era apenas "normal". No entanto, naquela escola, tudo tinha um nome e "normal" não constava das categorias.

A minha amiga diz que, se tiver mais que um filho vai ser difícil mantê-los a todos no ensino privado, porque é, obviamente, caro. Ela, que é das pessoas da minha idade com um emprego mais estável. Por isso, concluo que terei que dizer o mesmo um dia também. Apesar de sonhar com os meus filhos um dia num "castelo" - como eu tive a sorte de poder experimentar -, com aulas de línguas, com desporto e aulas de música, sei que esse tipo de ensino é tão mais caro que nem todos conseguem suportar. Por isso, ando a tentar ver as coisas de outro prisma e pensar que as escolas públicas preparam melhor para a vida adulta. Tento pensar assim, apesar de, no meu caso, apenas me ter feito sentir um pouco confusa e sozinha, no início.

E desse lado, melhores experiências? Onde pensam pôr os vossos filhos um dia e porquê?

Voltar para o ex?

Com certeza muitos já passaram por isto: acaba-se com o/a namorado/a porque as coisas não andam bem. Já só se discute, só se vêem os defeitos um do outro e não já as qualidades. Tudo na outra pessoa irrita, tudo cansa, tudo satura. O que antes era adorável torna-se insuportável. O que era amoroso torna-se horroroso. O que era único torna-se... Acho que perceberam a ideia. O que é certo é que, a dada altura, sem "água vai", o amor e a paixão dão lugar a uma irritaçãozinha que nos faz questionar tudo. A separação. "Preciso de espaço!", diz um deles. O outro dá, mesmo sem entender a súbita e inadiável necessidade. Dá o espaço pedido. Dá uns dias. Dá as chaves de casa. Dá tudo. Desde que as coisas melhorem. Ainda está apaixonado. Passado uns tempos, um livro que ficou perdido lá em casa. "Tens que vir aqui, esqueceste-te do livro". E quem diz livro, diz uma peça de roupa, um cd, um creme ou uma escova do cabelo. "Tens que vir cá". Tem que ser. E o que tem que ser, tem muita força.

Ouve-se o bater da porta. Nada. A insistência. Dentro de casa, o coração bate mais alto que os nós das mãos num contacto repetitivo com a madeira da porta. Abre-se a porta.
- Então? Não ouvias?
- Desculpa, estava ao telefone.
A primeira mentira. Era o nervoso miudinho do reencontro.
- Estás com bom aspecto.
- Também estás.
- Tens ido ao ginásio?
- Tenho. E fui até à praia no fim-de-semana.
- Estás tão moreno. Ficas giro. E não te conhecia essa camisa.
- É nova.
"Então agora que nos afastámos é que anda todo vaidoso?", pensa ela, com uma pontinha de ciúmes.
- E tu mudaste o perfume.
- O outro fazia-me lembrar de ti. De nós.
- Pois... Deixa-me ver esse. Chega aqui.
Aproximam-se. Ele encosta o nariz ao pescoço dela. Deixa-se estar. A sentir aquele perfume, que é só dela. Aquela pele. Tão macia...
- Sai daí. Tira o nariz, diz ela, bruscamente.
Riem-se.
- Oh... Ainda não cheirei bem. Anda cá.

É inevitável. Ainda gostam um do outro. Mas voltar para um ex é sempre difícil. Os problemas de antes? Subsistem. Os stresses não acabaram. E depois da ferida aberta, a relação nunca mais será igual. Depois de vermos o defeito, não nos conseguimos concentrar no resto, na perfeição. O defeito está lá. O namoro não é perfeito. E nem todos conseguem ultrapassar a primeira crise numa relação. Vale a pena? Não valerá? O amor será suficiente para aguentar todos os desencontros? Uns dirão que sim. Outros? Fazem perguntas e esperam as respostas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Long time no see!

As mensagens deste estilo começam sempre iguais. "Oláaa!! Long time no see!!". Leio as primeiras palavras e o que retiro é preocupação da pessoa que me escreve, um desejo imenso de manter a amizade, um desejo imenso de saber tudo sobre mim o mais rapidamente possível, de minimizar o tempo que passou. "Que é feito de ti?? Estás boa? Conta-me tudo!". E eu já estou com um sorriso de orelha a orelha, feliz por ter alguém que é todo ouvidos/olhos do outro lado e está ávido de notícias minhas. Sinto-me importante. Preparo-me para escrever. Hesito apenas para ler o resto da mensagem. "Olha, já decidiste em quem vais votar? Eu faço parte da lista do X.... (...) parece-me um projecto credível (...) pronto para vencer (...) O teu voto é importante!".

Não se faz. E ultimamente este tipo de mensagens/ emails tem sido cada mais frequente. Mas não se faz. Porque, de cada vez, começo a ler e acredito piamente que sou importante para a pessoa que me escreve. Que têm saudades minhas. Saudades minhas, não do meu voto. E sei que as introduções a estes pedidos fazem parte da boa-educação, mas parece-me que seria mais correcto escrever algo, com títulos. Algo deste estilo:
1. Parte introdutória em que é demonstrada a boa educação do requerente, onde este transparece um genuíno desejo de saber tudo sobre o destinatário das suas palavras. Destina-se a criar uma empatia na pessoa que lê e a quebrar o gelo, apenas.
(passar à frente se não lhe interessar): Oláa!! Long time no see! Que é feito de ti? Estás boa? Conta-me tudo!"
2. Pedido propriamente dito. O núcleo da mensagem e o motivo que levou à redacção e envio da mensagem/email. (ler apenas esta parteVota! Vota! Vota! Vota! Vota!
3. Despedida simpática, em que se retoma o espírito amigo e descontraído da parte introdutória, e em que se disfarça que o único objectivo de tantas palavras foi apelar ao voto. Fico à espera de resposta. Vê se dás notícias. Temos que tomar um café um dia destes. beijinhos

Percebo que se tenha que apelar aos votos de alguma forma. Que se tenha que fazer campanha. Mas sinceramente sinto-me defraudada sempre que começo a ler algo deste estilo e depois querem apenas o meu voto. E vale tudo: sms, emails, Facebook, Linkedin. Parecem cogumelos. Juro.

O sonhador que se esqueceu de sonhar

Num espaço de uma hora, aconteceu-me duas vezes. Primeiro, cumprimentei-o a ele, acompanhado da mulher. Ex colega (mais velho) de faculdade, cheguei a ter um leve fraquinho por ele (tinha um ar de nerd a que achava piada, sempre muito penteadinho), mas já não via há séculos. Era um optimista, idealista, um sonhador e eu gostava especialmente do arco-íris que parecia desenhar no céu sempre que falava comigo. Perguntei-lhe como corria a vida, a ele, o eterno sonhador, optimista, idealista, ambicioso, trabalhador.
- Vai correndo.
- Isso nem parece resposta tua. Aposto que estás óptimo e isso é tudo modéstia tua. Não tens que ser modesto comigo!
E sorri para a mulher, à procura de um aceno de concordância, no mínimo. Nada.
- Não, Pippa. Isto não está nada bem. Devo ir trabalhar para fora.
- Oh mas e o bebé? Têm que ir então os três, não é? Para não morrerem de saudades.
- Isto é muito complicado...
Senti um nó na garganta. Ainda tentei desvalorizar as coisas, brincar, animá-los, mas ele estava irreconhecível.
- Um dia destes combinamos e conto-te tudo, ok?
- Sim. Claro.
E despedi-me, com um aperto. Para onde teria ido a força toda dele? Até o sorriso estava apagado.

Continuámos a andar. Metros à frente, encontrei uma antiga colega de trabalho que não via desde que foi para um país qualquer da Europa Central fazer um estágio. Outra personagem confiante, (tão confiante que era facilmente confundida com convencida, até, apesar de não ser) segura de si e sempre com estilo.
- Olá!! Então que é feito de ti? Estás boa??
- Olá! Dentro dos possíveis...
- Como correu o estagio? Deve ter sido uma experiência para a vida!
- Foi muito bom. Mas agora estou a encarar a realidade.
- E o que fazes?
- Nada. Estou no desemprego.
Engoli em seco. Nem tentou durar a pílula como geralmente se faz.
- E tens procurado na net e nos jornais?
- Sim. Mando currículos todos os dias. Não há nada.
O meu coração, ainda não recuperado, voltou a sentir-se apertado.

O que é feito dos optimistas? Sonhadores? Aqueles que nunca desistem? Foram consumidos por isto? Pela falta de trabalho? Pelos salários baixos? Fecharam o sorriso? Não fechem. Não desistam. Não deixem de sonhar e lutar. Está difícil para todos. Mas o segredo é não baixar os braços. Insistir. Hoje. Amanhã. E depois. Até tudo melhorar novamente. Porque vai melhorar. Acredito que sim, mas não quero a última representante dos optimistas...

domingo, 2 de junho de 2013

Ganga style

É tão raro usar jeans desde que terminei o curso - já lá vão mais anos do que quero acreditar - que hoje não consegui deixar de me sentir adolescente outra vez. A verdade é que, mal comecei a trabalhar, uma das normas internas que tínhamos era que não era permitido usar ganga, por isso fui cortando os laços com esse tipo de roupa. Hoje, a dormir em casa dos meus pais, acordei, fui ao armário e vi uma Levi's penduradas a olhar para mim. Resolvi matar saudades. Realmente é mesmo verdade que são das peças de roupa mais intemporais que podemos ter. Oh para mim dez anos mais nova! Não me lembrava como são confortáveis.

sábado, 1 de junho de 2013

O objectivo de ter um blog

Há dias perguntavam-me por que motivo comecei a escrever no blog. Onde é que queria chegar. A verdade é o meu objectivo é apenas e só a escrita, o acto de escrever. O blog é, portanto, um fim em si mesmo. Adoro escrever, adoro o jogo de pegar em palavras e poder criar uma nova ordem, frases novas com palavras já existentes e ao dispor de todos. Como um puzzle com inúmeras possibilidades. Gosto da liberdade de o reconstruir. Deconstruir. E construir outra vez. Gosto de pegar no meu dia e tentar transportá-lo para aqui. Pegar em pensamentos e tentar dar-lhes forma. Gosto do desafio de dar nomes a sentimentos. Gosto de contar histórias. E da possibilidade de eternizar memórias. Gosto de pegar neste peso todo que trago dentro de mim, neste emaranhado de sonhos, histórias, sensações e nostalgias e ir organizando numa folha vazia, como um coleccionador que vai expondo os objectos recolhidos numa vitrina, para nunca os perder de vista. Estas palavras são a minha colecção. São aquilo que vou recolhendo. E o blog é a minha vitrina. Uma vitrina onde, a cada dia, junto um novo objecto à minha colecção. Por vezes volto atrás e espreito outras prateleiras. A verdade é que muitas vezes já nem me lembro do que ali tenho. Mas é bom pensar que está ali exposta cada parte de mim. Cada palavra exposta representa parte do que sou. E é bom afastar-me, olhar o todo, e pensar "sou eu. Esta colecção já ninguém me tira. Posso morrer amanhã, que já deixei uma parte de mim. Insignificante para os outros, mas tão especial para mim. Sou eu. E estou mais leve, porque as minhas palavras saíram de mim e foram descansar para ali." E é tão bom pensar que, em cada dia que passa, terei que me afastar mais... E mais... Porque a colecção vai crescendo.

E é esta a razão: escrever. Apenas e só.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Programa barriga lisa para o vestido.

Encontrei este programa para quatro dias (já com mais dum ano, mas estas coisas devem manter-se sempre actuais... digo eu) que garante menos 12 centímetros de cintura e confesso que até fiquei tentada a experimentar. Tenho um casamento daqui a uma semana e qualquer vestido ficava melhor com uma cinturinha de vespa, com certeza. Só que nunca experimentei estas dietas malucas, não só por não acreditar muito nelas, mas também por nem ter a força de vontade suficiente (a minha eterna gulodice). Lembro-me de ouvir falar em dietas milagrosas, como a dieta da seiva ou da sopa, mas nunca quis saber mais. Porque é que não nasci sem apetite? Ou com um daqueles metabolismos hiper acelerados?... Genética, genética, podias ter sido mais minha amiga.

De qualquer das formas, ainda não comprei o vestido e, com ou sem cinturinha de vespa (aposto mais no SEM), ando à procura dentro de algo deste estilo. Alguém tem sugestões de vestidos bonitos?

Este é da French Connection, a minha marca preferida para vestidos. Tem ali um ligeiro decote, para as maminhas respirarem, mas não mostra praticamente NADA. É mais conservador do que parece. 
Esta é da (muito!!) mais acessível e amiga-da-carteira Zara. Tem umas costas engraçadas, mas de frente não é nada "Wow"! A vantagem é que dá para conjugar de mil maneiras diferentes conforme os acessórios e calçado.
Este também é da Zara. Gosto, mas não sei se será apropriado ir para um casamento assim.
Sempre fui de vestido. O que acham?

Os melhores preliminares.

Ontem desabafei aqui um pouco no calor no momento. Estava fula com ele, mas como não sou mãezinha, não podia dar dois berros ou dar-lhe uma palmada no rabo. Ainda resmunguei, mas depois pareceu-me mais terapêutico escrever aqui no meu cantinho. Pensei que ia ouvir vozes discordantes, como é normal nestes assuntos, mas a verdade é que a maioria das pessoas veio insurgir-se contra o rapaz. Sendo assim, achei que devia defendê-lo um pouco, uma vez que só eu posso fazê-lo aqui.

A verdade é que sempre defendi a divisão de tarefas e sempre foi para mim ponto assente que, um dia que fosse viver com alguém, teríamos que ajudar os dois em casa. E defendia isto, apesar de eu própria ter tido, durante anos, empregada em casa e ajuda dos meus pais e da empregada deles. Roupa? Não tinha máquinas de lavar e sacar e enviava para a empregada deles. Comida? Cozinhava alguns pratos, mas nada muito elaborado. Limpezas de casa? Dava uns toques, mas evitava limpar o pó, por exemplo, com a desculpa das alergias. Por isso, fui sendo bastante poupada à verdadeira vida como fada do lar. Até há alguns meses.

Quando comecei a partilhar a casa, aprendemos juntos a ligar uma máquina de lavar e de secar a roupa. Divertimo-nos a passar a ferro lençóis de cama, por serem tão compridos. Estudámos juntos o manual da televisão. Decidimos o melhor pacote de internet para casa. Aventurámo-nos juntos em pratos mais rebuscados. E, quando só nos víamos aos fins-de-semana, era eu que era brindada com pequenos-almoços na cama, talvez para me compensar das longas viagens que fazia. Como cheguei a mostrar neste post de Dezembro, ele está apenas a dar os primeiros passos na cozinha e demais tarefas, mas esforça-se. E, tal como disse na altura, a ajuda dum homem em casa será sempre, para mim, o melhor preliminar que se pode proporcionar a uma mulher. Acreditem em mim. Mulher "ajudada em casa" é mulher feliz. É mulher divertida, descontraída e pronta para o romance. Ontem foi um mau dia, como sei que há em todas as casas. Mas acho que o importante é que os homens leiam isto e interiorizem bem: ajudem em casa e só ganharão com isso. De todas as maneiras possíveis. Não concordam, mulheres que me lêem?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Os homens são uns preguiçosos.

Tive um dia de cão, cheia de trabalho, reuniões, andar para um lado e para o outro, prazos. Enfim... Nem parei para respirar. Ele chega a casa, estou no computador ainda a responder a emails e peço-lhe, com jeitinho: "não me queres preparar um lanche?". Sendo que eu, sempre que posso, lhe preparo o lanche, o jantar, a ceia ou que quer que seja que envolva comida.
- Lanche? Estás sempre com fome.
- Pronto, esquece. Eu faço.
- Oh pronto. O que queres? Diz lá...
Isto perguntado com ele enterrado no sofá, a jogar um jogo qualquer que não podia ser interrompido. Disse-lhe para esquecer. Detesto que me façam fretes.

Entretanto, saltei do computador, voei para os correios mais próximos para enviar uma carta que tinha que seguir hoje. Liguei-lhe de lá, porque o meu telemóvel não estava a aceder à internet e precisava duma morada. Atende.
- Morada? Aiii. É xxxx.
- Hmm... olha que essa morada era a anterior. Oh vê se não está aí a morada nova.
- Aiii. Que seca.
Que seca. Adivinhem o que fui interromper? O jogo qualquer no telemóvel. Sendo que a seguir quem vai arrumar tudo, tratar da roupa, da comida, etc? Moi. Moi même.

Os homens são uns preguiçosos. Preguiçosos. Preguiçosos. Preguiçosos. E desculpem lá as excepções que me estiverem a ler, por norma não gosto de generalizar. Mas são. Ok, QUASE todos.

Dress code? N-A-D-A. Não tragas nada.

Caminhávamos os dois pela praia, na zona de Odeceixe. A dada altura, começámos a ver homens e mulheres completamente despidos a passear, alegremente, como se fosse a coisa natural do mundo. Olhámos melhor para o areal: alguns jogavam raquetas, outros apanhavam sol, outros liam um livro, outros espalhavam protector solar, outros passeavam com os filhos, e outros ainda nadavam. Em comum? Todos se encontravam sem calções de praia, fato-de-banho, bikini ou qualquer outro tipo de tecido a cobrir qualquer parte do corpo. Comecei a sentir-me eu a pessoa estranha, como se não tivesse lido atentamente o "dress code" que vinha no convite. Comentário dele:
- Tira também! Tira pelo menos a parte de cima do bikini.
- Não tiro nada. Não me sinto bem.
- Não tens por que não sentir. Aqui o que é estranho é estares tapada.
- Oh. Vou mostrar ao mundo em dois segundos o que te esforçaste tanto para ver??
Riu-se.
- Ok, mas aqui estás simplesmente a desrespeitar quem está sem roupa.
- Que exagero.
- Tira lá. Não sejas envergonhada. Tanta gente faz topless! É tão normal, hoje em dia.
- Já viste bem a nossa conversa? Devemos ser ao contrário dos outros casais! Tu queres que me dispa, os outros homens querem que as namoradas se tapem. Não te entendo.
- Oh é simples. Gosto de ver o teu corpo.

A verdade é que costuma ser ao contrário, não costuma? Mas não consigo deixar de pensar nisto: se vamos fazer topless numa praia, parece-me que deixa de fazer sentido toda a espera que obrigámos os nossos namorados a sujeitarem-se até poderem pôr as mãos debaixo da nossa roupa, por exemplo. Fizemo-los pensar que era algo inacessível, algo que era suposto esperar até se merecer ver, quanto mais tocar. Isto não deita abaixo todo esse jogo? Isto não deita por terra o jogo da espera, do adiar, da expectativa? A ser tão normal fazer topless, afinal não é preciso esperar tempo nenhum para ver mamas. Estão aqui, à vista de toda a praia e o mundo inteiro pode contemplá-las. Não é que não seja um cenário bonito - porque é com certeza - e não me causa estranheza nenhuma, só acho que é que nos torna a nós, mulheres... incoerentes! Temos o "Estou a apaixonar-me por ti e andamos a jantar todos os dias? Ok, mas ainda não podes tirar-me a roupa! Tens que esperar para ver!! Taradão!! Querias ver já hoje?? Isto leva o seu tempo!" vs "Olá, não me conhecem de lado nenhum, mas vou tirar a parte de cima do bikini perante vocês, caros desconhecidos!".

Ou então sou só eu que sou "old-fashioned". Talvez seja isso.

PS: Meninas que fazem topless, não me batam. Defendam-se apenas e mostrem os vossos pontos de vista. As nossas opiniões estão sempre a tempo de mudar. ;)

Por vezes vale a pena esperar.

Eram um grupo pequeno de amigos. Três colegas de faculdade. Não estavam sempre de acordo, mas sabiam discutir e até se completavam. Ela, a única rapariga do grupo, era atrevida, dizia sempre tudo o que pensava, não tinha papas na língua, mas era ao mesmo tempo um pouco carente, pois não namorava e era muito inexperiente no amor. O L. era nadador de competição, participava em provas todos os fins-de-semana, não fumava, raramente bebia, dedicava-se ao desporto e era o eterno amigo das raparigas, que o viam como um óptimo ouvinte, divertido, bonito e muito bem parecido. O S. era o garanhão, que compensava a inexperiência dela com engates todas as semanas. Era um pouco intolerante, crítico, louco, mas muito amigo do seu amigo e fazia tudo pelos outros dois.

Andavam sempre os três. Ela e o S. planeavam festas, noites, jantares e acabavam sempre por convencer o L. a ir. Riam, conversavam, recordavam episódios vividos, comentavam histórias de pessoas que conheciam, ouviam as histórias das conquistas do S., as abordagens feitas ao L. e delineavam planos de ataque para ela conquistar o homem dos seus sonhos. Eram um trio dinâmico e feliz. E mesmo quando o S. ou o L. namoravam ou tinham alguém especial, as namoradas eram aceites pelos outros dois.

Um dia, ela e o L. acabaram a noite, sem saber como, aos beijos. Decidiram não repetir, para não estragar a amizade. A partir daí, no entanto, o L. começou a evitá-los. Arranjava desculpas como os estudos, os treinos ou até a doença da avó de que os outros nunca tinham ouvido falar. Passou a viver praticamente na biblioteca. Ela começou a ficar farta e decidiu confrontá-lo. Foi ter com ele à biblioteca. Procurou, procurou... E lá lhe viu as costas, debruçadas de forma muito atenta para o computador. Aproximou-se. Não podia acreditar! Ele estava a ver fotografias de homens aos beijos, sem roupa. Parou. Ele continuava a ver fotografias. Estava num site especializado. Ela não conseguiu avançar.

Foi para casa pensar no que tinha acabado de ver. E começou a lembrar-se dos últimos anos daquele trio de amigos. Da pressão que lhe faziam para arranjar namorada. Das vezes que insistiam para se meter com raparigas. Lembrou-se das vezes em que gozaram com colegas da faculdade com tiques. Dos nomes que lhes chamaram. Lembrou-se que ele ficava sempre calado. Eles sempre tinham achado que era por ser tão bom ouvinte. Qual bom ouvinte? Ele tinha andado, isso sim, anos em silencioso sofrimento, sem poder contar o que sentia nem aos melhores amigos.

Sentiu-se péssima amiga. Que amiga era ela que, afinal, não deu abertura ao melhor amigo para lhe revelar um segredo destes? Que amiga era ela para nunca ter desconfiado pelo seu olhar, pelo seu silêncio, pelo seu constrangimento? Que amigos eram eles, afinal? Será que o S. desconfiava? Não, nem por sombras. Ia ter que fazer alguma coisa. Ou não? Ser amigo não é dar espaço para nos contarem o que quiserem? Decidiu esperar. Ia ser paciente. E só lhe restava esperar que ele se sentisse preparado. E esperou. Esperou. Esperou. Dez anos. Nem mais, nem menos. Dez anos depois, ele contou-lhes. Tinha um namorado. E queria apresentar-lhes. O S. ficou em choque. Mas ela só sorriu. E abraçou-o. Com tanta força! Finalmente ele tinha confiado neles. Tinha valido a pena esperar.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O namorado da amiga

Sempre foi assim: ia sair com as minhas amigas e cada uma tinha o seu "fã-tipo", isto é, um estilo (mais ou menos definido) de rapaz que reparava em cada uma nós e, eventualmente, nos abordava. Comigo costumavam ser os mais "betinhos" a meter-se. Com outra amiga, eram os que tinham um estilo mais descontraído e desportivo. Com outra, eram quase sempre rapazes mais altos e magros estilo "bad boy". Com outra, eram os rapazes mais divertidos que se metiam, para dar alguns exemplos. Acresce que, na maioria das vezes, os nossos gostos, ao comentar o panorama masculino que nos rodeava, não coincidiam. Nunca coincidiam, por incrível que pareça. Resultado? Hoje em dia, coincidência ou não, nenhuma das minhas amigas tem namorados/ maridos que façam fisicamente o meu estilo de homem. De qualquer das formas, independentemente destas considerações iniciais, jamais ponderaria envolver-me, nem sequer num futuro longínquo com todos nós solteiros outra vez, com algum deles. Jamais. Namorado de amiga torna-se assexuado para mim. Torna-se uma amiga também. Esta é das poucas certezas que tenho na vida. Das poucas coisas em que consigo afirmar convictamente: "nunca".

Por isso, nunca entendi como é possível, na maioria das séries, o elenco acabar por rodar todo, como um baralho de cartas que é partido, misturado e distribuído outra vez. A, B, C, D e E trocam entre si e formam todos os pares possíveis e imaginários. Não há mais possibilidades de pares? D assume-se como gay e agora anda com E. E, por sua vez, tem o coração dividido entre A e B. Mas B envolve-se com C. C gosta de D. Que afinal não é gay, é bissexual. E até sugere a E algo a três com C. Mas E descobre que gosta mesmo de A. Que está grávida de B. Que se envolveu com C, mas arrependeu-se e acaba na cama com A, numa noite de copos. Estão a ver o estilo, certo? Nunca entendi.

Para mim, namorado de amiga pode ser o homem mais interessante à face da terra, mais bonito e culto alguma vez visto, mas há-de ser sempre um ser assexuado, na mesma linha dum familiar. E não percebo a forma como, nestas séries que passam todos os dias na televisão (Grey's Anatomy, Private Practice, 90210, Gossip Girl, entre outras) se desculpabiliza assim o andar com o ex-namorado da melhor amiga. Como é tudo visto de forma tão leviana. Como se os sentimentos fossem descartáveis. E as histórias de amor se apagassem com uma borracha. Como se as histórias a dois não significassem nada, afinal. E fossem antes histórias da comunidade. É que, para mim, uma relação de amor entre duas pessoas deve ser sagrada - partilham-se histórias, pensamentos profundos, sentimentos, segredos e planos de vida. Se for como nas séries, para quê, afinal? A seguir, troca-se de par. E começa tudo de novo. Não percebo.