quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mulheres felizes, filhos e maridos felizes

Voltei ao ginásio. Depois dumas corridas na rua, umas vezes mais motivadas que outras, mas sempre curtas, decidi que tinha mesmo era que voltar ao ginásio, porque lá é que poderia ser feliz (e magra, já agora). Atualizei a playlist, vesti a minha melhor roupa de desporto (também não tenho muitas...) e lá fui eu. Cheguei ao ginásio, escolhi o tapete em função do que estava a dar em cada televisão e comecei a corrida a ver uma série qualquer de investigação criminal (é impressão minha ou há mais de mil?). Estava com vontade de correr horas seguidas. Se consegui, isso é outra história, mas que a vontade estava lá, isso estava. Já não me lembrava de correr tanto. Posso quase jurar que nunca tinha corrido tanto, quer em termos de tempo quer em distância percorrida. Ali estava eu, no final dum dia de trabalho, a transpirar, a cansar-me, sozinha com as minhas músicas, sem baba de bebé no ombro, sem umas mini mãos a puxarem-me o cabelo, sem fraldas para mudar, sem estar preocupada com choros ou com a próxima hora de dar de mamar, pois tinha deixado um biberão preparado em casa... Ali estava eu, não enquanto mãe, não enquanto mulher de alguém, não enquanto profissional, mas eu enquanto.... eu. Apenas eu. Sozinha, a correr. Como não acontecia há algum tempo. Até que fui interrompida por um instrutor.
- Tudo bem? A corrida está a correr bem?
- Sim, respondi, ofegante, enquanto corria.
- Muito bem. Costuma correr? Está a fazer um bom tempo.
- Houve uma altura em que costumava correr, mas estive muito tempo parada.
- A sério? Quanto tempo?
- Tive uma bebé. Deixei de correr a meio da gravidez...
- A sério? Teve uma bebé há muito? É que está ótima, parabéns! Ninguém diria.
- Hmmm... Foi há.... pouco. Foi mesmo há pouco tempo.

Foi há quatro meses. Há quatro meses! Já não é assim tão pouco. Mentirosa. Tornei-me mentirosa. Mas... soube tão bem! A minha barriga de gelatina sorriu. E eu sorri também. Depois disso, fui para casa. Voltar a ser mulher. E mãe. Enchi de beijos pai e filha. Voltei às brincadeiras. E com as baterias totalmente recarregadas. Sim, tenho a certeza que somos melhores mães se continuarmos a ser, antes de tudo, mulheres felizes e realizadas.

4 comentários:

  1. Estar de bem consigo é o primeiro passo para transmitir felicidade... É por isso que eu digo que temos de nos livrar das pedras.

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    1. Já agora, se quiseres ler: http://daspalavras.blogs.sapo.pt/pedras-para-que-te-quero-45835

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  2. Também concordo, somos melhores em todos os nossos "papéis", se antes disso formos mulheres realizadas e felizes e de bem com a vida. :)

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  3. Já vi que andas num ginásio misto :) Alguma vez frequentas-te um só para mulheres? Se sim, porque optaste pelo misto? :D

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