quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O novo iPhone

Faltam 10 minutos para ser lançado o novo iPhone 7. Se estou ansiosa? Estou, sim, principalmente porque a minha querida filha me partiu o ecrã do telemóvel e preciso urgentemente de um novo.

Mas em dia de lançamento de novo telemóvel dei por mim a percorrer esta galeria e a lembrar-me do meu primeiro telemóvel, que não está aqui: o Nokia 5110.
É incrível como um telemóvel que, à data, nem SMS dava para enviar (a operadora não suportava o serviço), causou tanto impacto na minha vida. Tinha a capa vermelha, que adorava, e só o facto de poder falar com as minhas amigas em qualquer lugar já era motivo para muita excitação.

Sim, não havia selfies, não havia Apps, não havia nada para fazer a não ser telefonemas - sim, espantem-se, crianças, mas só podíamos usar o telemóvel para conversar! - mas fui muito muito feliz a conversar com o meu telemóvel vermelhinho. Saudades desse tempo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

XX e XX vs XX e XY

Dei um jeito ao pescoço no último treino e andava há dias como se tivesse engolido uma vassoura - muito esticada, sem conseguir mexer o pescoço para um lado nem para o outro.

Como não sabia mais o que fazer, marquei consulta num osteopata e fui lá hoje. Levava uma camisola larga e com decote em forma de barco tanto à frente como atrás, para lhe dar espaço de manobra. Só que, quando lá cheguei, ouvi algo que não estava à espera - "dispa-se, por favor". "Dispo? Mas é só o pescoço que me doi", disse eu, enquanto tentava parecer descontraída e relaxada. Não estava. Era um homem, pouco mais velho que eu, não havia mais ninguém em todo o gabinete, a rececionista tinha ido almoçar e senti-me desconfortável. "Tem que se despir, porque tenho que ver onde está a origem do problema. Até pode estar na anca".

Continuei a sentir-me desconfortável, mas lá o fiz. E ainda bem que fiz, porque saí de lá, uma hora depois, a sentir-me praticamente nova e quase sem dores.

Sei que para os profissionais da área da saúde deve ser indiferente o sexo da pessoa que lhes aparece à frente. Mas não me lixem: é sempre diferente, pelo menos numa primeira consulta, estar à frente de um homem ou de uma mulher, principalmente se for duma idade próxima da nossa. E, ou a pessoa que está à nossa frente é tão profissional e descontraída que, a dada altura, já nem nos lembramos que é um homem - é apenas um ótimo profissional, como era o meu ginecologista - ou, então, o desconforto mantém-se e nada feito. Neste caso, mais vale mudar.

Talvez por isso, há uns tempos, uma pessoa conhecida me disse que tinha tido um treino com um PT e que desistiu logo. Agora só queria ser treinada por mulheres.
- Mas desististe porque era desconfortável?
- Não chegou a ser. Ele era mesmo muito profissional. Mas assim a probabilidade de haver um momento desses, de desconforto, é de 0%. Prefiro evitar problemas. Até porque o meu marido podia um dia não gostar de me ver a trocar mensagens com ele.

Concordam? Também preferem ser seguidos por pessoas do mesmo sexo?

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Terceiro dia de escolinha

E pensava eu que ao segundo dia já não ia custar tanto, nem a ela nem a nós. Pensava eu que, ao terceiro dia, já seria tudo fácil e sereno. Errado. Hoje deixei-a e continuou a chorar tanto que senti que deixei parte do meu coração atrás de mim. Chamava pela ama, chamava por mim, pelo papá, pedia colinho, dizia que não queria "escolinha"... e eu só queria conseguir explicar-lhe que isto é o melhor para ela, que é melhor estar ali com outros meninos que ficar em casa fechada mais um ano, e que me sai caro pagar ama e escola, e que é um sacrifício que fazemos pelo bem dela. Só que o meu lado racional desfaz-se em cacos ao mesmo tempo que o coração se parte e também me dá vontade de chorar, e choro mesmo, e saio dali a pensar "vou mas é acabar com isto e deixá-la ficar em casa mais um ano, coitadinha".

Enfim. Isto é mesmo duro. Custou menos regressar ao trabalho no fim da licença que isto. Porque ao menos nessa altura sabia que ela ficava no ambiente dela e que a podia visitar quando quisesse. Escola? Ninguém me tinha avisado que custava tanto. Às duas. :(

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Primeiro dia de escolinha - A cromice da mãe

Hoje é (ou era?) o primeiro dia de escola da Constança. Esteve até agora em casa, as coisas foram correndo bem, o registo e a dinâmica pareceu ir funcionando para todos os envolvidos, por isso, fomos mantendo na base do "vamos indo e vamos vendo". Eu nunca tive um plano a longo prazo, nunca fui extremista ao ponto de defender só casa ou só escola, sabia que havia vantagens e desvantagens em cada um dos cenários, daí que tinha definido que a iria por na escola quando sentisse que a casa já não a estimulava o suficiente. Esse momento aconteceu depois do bebé nascer. A dada altura percebi que, com o bebé para dar atenção, não conseguia (eu ou a pessoa que estivesse em casa) focar-me no desenvolvimento dela, levá-la a passear, a andar de triciclo ou ao escorrega, não conseguia sentar-me ao lado dela a desenhar (e a limpar depois tudo o que sujava), a ensinar novas músicas ou palavras, ou até a insistir para ela deixar de usar fraldas. Sobrevivia-se, as coisas iam-se fazendo, mas começou a haver demasiado Canal Panda para o meu gosto - "senta-te aí a ver a Patrulha Pata enquanto a mamã vai trocar a fralda ao bebé"; "olha o Panda! não posso brincar contigo, porque tenho que dar o leitinho ao bebé", e por aí fora. Por outro lado, desde que terminou a minha licença comecei a perceber que a Constança andava mais irritadiça, a precisar de atenção, e comecei também a questionar se o bebé teria estímulo suficiente, uma vez que a ama não conseguia ter dois minutos para o por no tapete de atividades (a Constança atirava-se logo para cima dele) ou passear com ele, por exemplo (é difícil para a ama passear sozinha com os dois).

Posto isto, tomei a decisão (um bocado sozinha, porque o pai inicialmente não concordava): estava na hora de ir para a escola. Consegui uma vaga para setembro, na escola que queria, por isso, foi uma questão de ir tentando convencer o pai, nos meses que faltavam. Lá consegui que ele concordasse comigo.

Hoje é (era?) então o dia "D". Já tinha a mala pronta desde ontem, o lanche e a farda da escola preparada para a vestir. Ontem, no entanto, comecei a stressar. Mas a stressar a sério. Não me deu para a choraminguice (estranho!), mas para os nervos. Comecei a questionar tudo. Será que a iriam compreender na escola? Eu percebo o dialeto dela, ela até fala relativamente bem, com alguns verbos e pronomes pelo meio, mas há palavras que ainda não diz direito e que nem todos percebem. Ela fala uma língua própria e às vezes tenho que a traduzir para os outros que não dominam a língua. Quem é que vai saber o que é o "Kuim" (coelhinho) e a importância que tem para ela? Quem vai saber o que é o "tim" (leitinho) e que, se o está a pedir, é sinal que tem sono? Quem vai saber o que é a "chi" (bolachinha) e que ela está com fome? Quem vai perceber, quando estiver triste, que o "cóínho" é ela a pedir colo? E o "Tai" (Panda style), quem é que ia perceber que, quando falar no "Tai", ela quer dançar? E isto ia piorando de minuto para minuto. Depois lembrei-me que eles não iam saber o ponto de desenvolvimento dela. Não sabem que sabe ler os números em português e inglês, e também as cores. Não sabem que sabe as notas musicais e adora cantar enquanto as toco. Não sabem que adora animais, dançar e dar cambalhotas. Não sabem o que a faz rir. Não sabem como reage quando tem sono ou está chateada. E como lhe dar a volta. "Coitada da minha filha, vai ser incompreendida!" Quando dei por mim, estava a escrever um "manual de apoio à Constança". Às duas da manhã. E a enviar por email à educadora. Incluí um dicionário Constança - Português. Incluí os pontos fortes do desenvolvimento e os pontos a desenvolver. Incluí conselhos. Tornei-me uma croma. Tornei-me uma croma. Tornei-me uma croma.

A seguir ao almoço vou deixá-la lá. Se não me der um ataque de choro. Sim, é o primeiro dia de escolinha. E custa muito. Mas acho que custa verdadeiramente é às mães. Os pais vivem isto mais na desportiva. As crianças acabam por adorar (eu sempre adorei a escola, por exemplo, e por norma é um sítio feliz para as crianças). As mães é que são umas cromas, muitas vezes. Pelo menos eu acuso-me!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Cantar e (des)encantar

Estava ontem a ler a lista dos filmes que vão estrear esta semana (faço sempre exercício por mero masoquismo, pois com duas crianças em casa raramente consigo ir ao cinema!) e deparei-me com este que me chamou a atenção. Além de ter a maravilhosa Meryl Streep e o Hugh Grant, atentem na história:

"Passada na Nova Iorque dos anos 1940, a história verídica da lendária Florence Foster Jenkins, uma socialite e herdeira nova iorquina que perseguiu de forma obsessiva o seu sonho de se tornar uma grande cantora lírica. Se quando cantava, a voz que ouvia na sua cabeça era bonita, para todos os outros tratava-se de uma experiência horrível mas hilariante. O seu "marido" e agente, St. Clair Bayfield, um aristocrático ator inglês, conseguiu sempre proteger a sua amada Florence da cruel verdade, mas quando esta decide dar um concerto público no Carnegie Hall, St. Clair sabe que está prestes a enfrentar o seu maior desafio."

Estava eu muito contente a ler a descrição e a ver depois o trailer, quando tive uma epifania. Uma triste e cruel epifania: estou sempre a cantar e nunca ninguém me disse que canto bem. Recuei no tempo. Revivi momentos. Uns atrás dos outros. Viagens de carro com os meus pais, quando eu ainda era uma adolescente, em que o meu pai, a dada altura, desligava o rádio e dizia "Pronto, agora vamos conversar!". Viagens de horas no carro em família, em que canto e coreografo as músicas que passam na rádio e ele começa a cantar por cima, como quem não quer a coisa. Noites com a Constança ao colo, a cantar músicas de embalar, e em que ela cada vez grita mais e mais alto. Hmmm... Algo me diz que posso ser uma pequena Florence em potência. De qualquer dos modos, adoro cantar. Não tenho a pretensão de dar concertos nem de me tornar uma grande cantora lírica, mas hei-de continuar a cantar (melhor ou pior) e a espantar os males, como diz o ditado. Só espero não espantar quem me rodeia. E só espero que os meus filhos não saiam a mim e herdem a capacidade de canto do pai, que, aqui entre nós, canta realmente bem, afinado e com projeção de voz.

Cantar, ainda que pessimamente, faz bem à alma. Pelo menos à nossa.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Para os dias de calor

O calor chama por fruta fresca, salada, sumos com muito gelo, peixe e comidas mais leves, certo?

Por isso, o ceviche foi uma descoberta recente que combina bem com estes dias de verão.

O que leva o ceviche? Leva peixe cru marinado em "sumo de tigre" (bebida feita com o peixe marinado na lima e com os outros ingredientes e que, no Peru, é usada para curar ressacas!, e supostamente dar força e energia), salsa e coentros. Também leva cebola e piripiri, o que dá um travo picante e que convida a beber muito (controlem a mão ao temperar, se não, passam o almoço a beber água!). Pode acompanhar-se com batata doce e legumes, e também com milho. É fresco, é leve e... ando fã. Já experimentaram? Também gostam? Acho que vão gostar e há muitas receitas na internet para todos os gostos e grau de habilidade na cozinha!
Almoço de domingo, no Panca Cevicheria. A acompanhar, limonada bem fresca. De sobremesa um gelado de doce de leite com chocolate. Sim, porque eu falei em comida leve e fresca, não disse que tinha que ser pouco calórica. ;)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Casamento à vista

Tenho um casamento depois de amanhã. E o vestido, que já devia ter chegado hoje de manhã (via Asos, outra vez - ando muito previsível), nem vê-lo. Começo a temer o pior.

"Mas não tens outros vestidos que possas levar?", perguntam vocês e bem. Tenho, pois. Mas cheguei à seguinte conclusão: os vestidos elegíveis para casamento (excluindo, desde logo, os pretos e os brancos, que nunca uso em casamentos) que tenho no meu armário, ou são bege ou são rosa claro ou são "nude" ou então são verde água. Ah e são todos bem justinhos. Não tenho vestidos com cores vivas e mais largos. E não me apetece vestir roupa clara. Nem vestidos colados ao corpo. O moreno já saiu há muito, mas a barriguinha pós-parto ainda não, por isso, tenho que me esconder num vestido mais largo e com uma cor que não me faça parecer uma triste anémona pálida e leitosa.

Por isso, as hipóteses para este sábado são as seguintes:
Ou vou assim, caso o vestido chegue a tempo
(sendo que estou a desejar muito que aquela transparência ali na cintura seja tapada pela parte de cima)
Ou algo assim: branca e gorda, vestida de bege.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Meninas que estejam pelo algarve

É fácil criticar a forma como somos atendidos e os serviços que nos prestam. Ainda há dias, num café, resmunguei com o empregado porque pedi uma sandes com queijo de cabra e tomate e veio uma tosta com queijo flamengo. "Não tinha os ingredientes da lista? Tinha que me avisar antes de trazer uma alternativa...". Criticamos serviços todos os dias, porque, infelizmente, é comum sermos mal atendidos e é demasiado normal lidarmos com pessoas sem brio no trabalho. É por isso que tenho a convicção que, quando somos bem atendidos, devemos fazer por elogiar e incentivar o bom trabalho.

Isto tudo para dizer que quando, ontem, olhava para as minhas mãos, três semanas depois de ter colocado verniz gel, e reparei que as unhas ainda estavam perfeitamente intactas, sem uma única lasca de verniz já em falta, pensei "tenho que mandar mensagem à Gi a dar os parabéns". A Gi é uma esteticista brasileira que a minha irmã me deu a conhecer há uns anos, em Albufeira, e que faz depilação, manicura e pedicura e também extensão de pestanas. Experimentei o ano passado as pestanas e adorei. Estava sem vontade de colocar diariamente máscara de pestanas e maquilhar-me, pelo que a extensão me permitiu andar todas as férias de cara lavada sem parecer um zombie desmazelado. As pestanas abriam o olhar e davam um ar arranjado, mesmo quando só tinha colocado o creme hidratante. Demorava literalmente dois minutos de manhã, depois do banho: era só pentear o cabelo, lavar os dentes e colocar o hidratante. Este ano decidi repetir e colocar também verniz gel nas mãos e pés para não ter que me preocupar com as unhas todas as férias. Três semanas depois? Unhas - intactas. Pestanas - continuam aqui, não todas, mas as suficientes para continuar a não me preocupar com a maquilhagem mesmo para ir trabalhar.

Por isso, hoje decidi fazer algum serviço público e partilhar com as meninas que, como eu, passem pelo Algarve e queiram andar com ar cuidado sem terem que perder tempo todos os dias. Perdem apenas uma ou duas horas um dia e depois dura três semanas. Eu nunca sei onde ir fazer este tipo de coisas durante o ano, por isso, tenho mesmo pena que a Gi não viva perto de mim. Seria da forma que teria sempre as mãos e pés arranjados. A verdade é que, antes dela, ainda não tinha encontrado ninguém que pusesse as minhas unhas intactas tanto tempo. Pagava imenso e as unhas só duravam uma semana. Não sei se é a qualidade do verniz que é diferente, se é mesmo o jeito que é outro. O que sei é que na 6a vou remover, com muita pena, este verniz e voltar às minhas unhas ao natural. Até ao próximo verão. Ou até encontrar outra Gi que trabalhe perto de mim.

Quem quiser experimentar, envie-me por favor mensagem privada/ email e eu dou o contacto. Tenho a certeza que ficarão tão fãs como eu.
Aqui estão as unhas com três semanas. Claro que já se nota o crescimento e está a chegar a hora de as tirar,
mas ainda não envergonham ninguém, certo?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sentido de desorientação

Eu tento. Juro que tento. Esforço-me por decorar os caminhos. "Direita, esquerda, quiosque na esquina, supermercado, rotunda, direita, ok!". Só que depois parece que alguém pega nas ruas e altera-as, por pura maldade. "Ui! onde está o supermercado? e o quiosque? duas rotundas? mas era só uma! merda, perdi-me!".

Eu tento mesmo a sério. Tento até quase doer a cabeça. Acabo sempre por me perder. É por isto que o Gps foi, para mim, das melhores invenções de todo o sempre. Sem Gps seria daquelas pessoas que passam em Elvas para ir de Setúbal a Sintra, só porque naquela rotunda saíram na primeira em vez de sair na segunda saída e foram por aí fora, felizes da vida.

Já ele, quase de olhos fechados, consegue chegar a todo o lado. É frustrante! Às vezes vou a fazer de co-piloto, enquanto andamos de carro, e temos diálogos surreais:
- Que gira casa! Já viste? Aqui do lado direito. Adoro a varanda.
- Já vi, claro. Estamos fartos de a ver.
- O quê? Nunca passámos aqui!
- Claro que passámos, esta é a rua da pizzaria.
- Que pizzaria?
- A pizzaria perto de nossa casa. A nossa casa é duas ruas a seguir.
- Oh! É nada...
- Pizzaria aí do teu lado. Vês?
- Nem percebi que já estávamos aqui. Vieste por um caminho novo, pensei que estávamos muito mais longe.
- Hmmm... Casa! Chegámos!

Acho que já não há nada a fazer. Da mesma forma que eu decoro as datas e consigo dizer, sem pensar muito tempo, onde estava em junho de 1998 (e ele perde-se completamente no tempo!), não consigo orientar-me no espaço. Nunca faço ideia para que lado é norte ou sudoeste. Se o mar está para a direita ou esquerda. Seria a pior escoteira da história, se alguma vez tivesse experimentado. Devo ter nascido sem esse "chip". Já pensei submeter-me a hipnose e tudo (aproveito e peço para deixar de gostar de todo o tipo de doces e para perder o medo de andar de avião, num três em um da hipnose).

Mais alguém padece deste mal?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Férias

É engraçado como o conceito "férias" muda ao longo dos anos. Há uns anos, férias exigiam praia, muita praia, sol, programas atrás de programas, amigos e festas. Agora, a qualidade das férias quase que é medida pelo número de páginas de um livro que se consegue ler. Este ano consegui ler quase um livro numa semana (ando a ler o "As intermitências da morte", do Saramago, e a achar brilhante e cheio de sentido de humor, naaaada tétrico, apesar do nome), o que significa que houve realmente tempo para descansar! Aqueles momentos mágicos em que, depois de muita brincadeira a quatro, ambos os filhos adormeciam ou ficavam sossegados? Aconteceram. E deu para dormir bem, namorar, conversar, ler, apanhar sol e estar com amigos. Andámos pelo Buçaco e Luso, Montargil e Algarve. Foi mesmo bom. O ano passado, com a morte da Malti, tivemos umas férias bastante tristonhas. Este ano fomos compensados com uma semana feliz. Acho que merecíamos.


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Procura-se

Procura-se homem na casa dos trinta. Magro. Muito magro. Cabelo preto curto e escasso. Estatura média. Costuma rondar carros estacionados em ruas mais desertas, para partir os vidros e subtrair todos os elementos de valor que lá encontrar, especialmente dinheiro, computadores ou telemóveis. Com certeza que usará o dinheiro e os bens para poder comprar droga. Neste momento, deverá estar a usar óculos de sol da marca Céline e uma carteira para moedas em forma de ananás debaixo do braço.

Dá-se recompensa. Pelos óculos e pela carteira, claro. Quanto ao homem, levará um chuto no rabo e um par de estalos. Talvez pela ordem inversa. Sim, pela ordem inversa. Por me ter partido o vidro do carro e por me ter roubado os óculos e a carteira das moedas.

Os óculos são estes. Deve ser fácil detetar o homem, imagino que não seja muito comum ver drogados usar este tipo de óculos:

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Aqui vive uma mãe desesperada

O marido mudou de emprego e tem que andar uns meses a viajar em formação, fora do país. E eu, de repente, tive que me tornar um polvo capaz de estar em todo o lado, resolver tudo e apagar todos os incêndios. O meu dia tem sido um vestir e despir de funções. Nos dias em que o trabalho está pior, chega a ser caótico e desesperante. Tem sido mais ou menos assim:

Às 9h sou uma profissional a tentar ser tão competente e ambiciosa como os demais, a cumprir prazos e a manter um ar sério e trabalhador, do alto da minha roupa impecavelmente lavada e passada a ferro e de saltos altos. Às 13h estou em casa de chinelos, semi despida, de mama de fora a dar de mamar, com a Constança a puxar-me o cabelo e a pedir atenção, a empregada a dizer que é preciso comprar toalhetes e abóbora para a sopa. Às 13h30 estou a dar a sopa à Constança (e ao meu cabelo), a falar da Patrulha Pata e a cantar as músicas infantis que me vou lembrando. Às 14h estou de sabrinas, baba do bebé na roupa e cabelo desalinhado no Pingo Doce a comprar toalhetes, abóbora e um chocolate, porque o dia está a ser complicado e preciso dum doce. Às 14h15 estou a dar instruções para o jantar enquanto volto a por os saltos e tento endireitar a roupa amarrotada, já sem grande solução. Às 15h estou a trabalhar e a tentar tirar disfarçadamente um bocado de sopa do cabelo, enquanto marco uma reunião para o dia seguinte e respondo a emails urgentes. Às 20h30 estou em casa outra vez descabelada e de mamas de fora a dar de mamar, enquanto a Constança espalha aleatoriamente todos os bonecos que encontra pela sala e dá um sermão ao coelho de peluche que, pelos vistos, não para de chorar. Às 21h estou a dar o jantar à Constança e a seguir fazer desenhos. Às 22h estou a dar-lhe banho. Às 22h30 estou a dar banho ao bebé. Às 22h45 estou a deitar a Constança. Às 23h estou com o bebé ao colo, que não para de chorar. Será um dente? Tento conversar com ele e dar-lhe a atenção que não consegui dar durante um dia, para tirar este peso da consciência que carrego frequentemente comigo. Às 23h15 estou outra vez a dar-lhe de mamar. Às 23h40 deito-o. E vou jantar. Janto como um pequeno animal faminto. Porque tenho finalmente o meu momento de descanso. Porque não como nada há horas. Porque sinto que mereço. Às 00h30 estou a ver televisão e a pensar "finalmente vou ver aquele episódio que já estou para ver há dias!". Às 00h33 estou a dormir exausta, toda torta no sofá. Às 03:00 estou a acordar com dores no pescoço e vou para a cama. Às 07h30 acordo. Vou à casa-de-banho. Peso-me. "Que gorda! Hoje tenho que conseguir fazer desporto e comer saladas e fruta. Vou começar hoje  finalmente a minha dieta e a ter a vida organizada, que isto assim não pode ser!!".

Às 9h sou uma profissional... e mais um dia igual continua.

Volta, marido.

Ass: Mãe desesperada

terça-feira, 28 de junho de 2016

Aquilo que ninguém te disse sobre a amamentação

Ninguém te avisou que, quando estás a amamentar, o tamanho da copa varia durante o dia. E vais ter tamanhos para todos os gostos, ao longo de 24 horas.

Problemas? Vários.

Pode acontecer ires trabalhar com um soutien antigo, que está(va) mesmo à medida, mas, a meio do dia, teres mamas, descontroladas, a saltar por todos os lados.

Pode acontecer pegares naquele top que compraste há dois anos, ainda no tempo em que tinhas tantas mamas como o teu pai, e que não era nada decotado, e saíres de casa a sentires-te recatada. Mas, à tarde, pode acontecer o mesmo top recatado tornar-se demasiado decotado para o teu trabalho formal ao ponto de teres que te encher de casacos em pleno verão para evitar olhares libidinosos. Sim, tu. Tu que achavas que isso seria impossível acontecer sem uma faca e uma anestesia geral previamente envolvidas.

E isto até pode parecer muito bonito, como um milagroso silicone dos pobres, certo? Pois... Mas a verdade é outra! É que ninguém te avisou que, se não fores a correr alimentar a tua cria, qual Cinderela-do-leite, as pobres coitadas vão continuar a crescer sem parar até te doerem e te causarem calor, de forma insuportável.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sou mãe dum Fernando Mendes em potência

O meu filho bebé mais querido alimenta-se única e exclusivamente do leitinho da sua adorada mãe-leiteira. Bebe o leitinho da sua mãe como bebia a sua irmã. A fórmula é a mesma: bebe de 3 em 3 horas, mais coisa menos coisa, e até já aguenta a noite inteira a dormir, ou seja, cerca de 7 horas. Isto, partindo do princípio que não escapa a meio da noite para atacar o frigorífico à socapa e partindo do princípio que ninguém lhe anda a dar papas Cerelac às escondidas.

No entanto... O meu filho bebé mais querido... está gordo. E digo "gordo", sem rodeios, porque não está cheiinho, não está fofinho, não está queridinho. Não: está gordo mesmo. Tem duplo queixo, umas bochechas enormes, pregas nos braços e nas pernas, e uma barriga de fazer inveja a qualquer concorrente do Biggest Loser. Eu estava em negação até ontem. Tirava-lhe fotografias de cima, para minimizar o duplo queixo. Concentrava-me apenas no sorriso lindo e doce que tem quando olhava para ele. Colocava as roupas de lado, quando não serviam mais, dizendo a mim mesma: "está grande". Sorria, quando pegava nele, pesado como chumbo, e repetia "é duro, até parece musculado".

Ontem, no entanto, vesti-o com um body branco de golas, em tecido fininho, e uns calções azuis, encostei-o a uma almofada, sorridente, e babei-me a olhar para ele, mais uma vez. Até que o pai se vira para ele, depois para mim, e diz, às gargalhadas:
- Ahaha, parece o Fernando Mendes!

Saí da minha bolha de negação. Se o próprio pai já lhe chama Fernando Mendes já não dá para negar mais.

Agora digam-me, por favor, mães fit e com bebés fit: como é que se emagrece um bebé que só bebe leite materno?

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Os diferentes tipos de utilizadores de Facebook

Já me disseram mais que uma vez que o meu perfil no Facebook é uma seca. Fotografias não atualizadas, ao estilo "já viram como eu era em... 1946?". Poucos comentários. Raras atualizações de estado. Enfim. Um tédio. Só faltam as bolas de pó rolarem mural fora e ouvir-se o vento a soprar, furioso, por entre as publicações quase nulas. No fundo, sou o típico utilizador fantasma, que anda ali só-a-ver-o-que-se-passa e a mandar timidamente umas opiniões ou comentários nos posts dos outros.

Imagino que, em termos de alvo de engates, isso me torne pouco apetecível, mas... e então? De qualquer maneira, tenho reparado que é possível agrupar os utilizadores de Facebook por categorias, conforme o tipo de publicações que partilham e o número de vezes que alteram a fotografia de perfil. Vejam lá se concordam. Se se lembrarem de outros, partilhem por favor, para acrescentar:

1. O utilizador fantasma
Este utilizador tem uma fotografia que não atualiza desde que criou o Facebook, há coisa de 7 anos atrás. Basicamente, não tem paciência para escolher outra e parece-lhe uma perda de tempo estar a mudar a fotografia se até não mudou tanto assim desde então. Não partilha fotografias, não altera o estado e também não escreve nada no próprio mural. Quase nos esquecíamos que existia não fosse ir comentando uma fotografia dum amigo ou doutro e ir também fazendo um ou outro "like" no estado dos outros.

2. O utilizador voyeur
voyeur está de bem com a sua vida, mas não tem interesse em partilhá-la com ninguém. Basicamente, o que ele quer fazer no Facebook é ver o que se passa com a vida dos outros. É um cusco dos tempos modernos. Estão a ver aquelas senhoras nas aldeias que conversavam com as vizinhas sobre a Rosa e a Lurdes enquanto estendiam a roupa no estendal? Estes são a versão 2016. Os voyeurs comentam tudo. Às vezes até são incendiários e gostam de ir atirar lenha em fogueiras/posts alheios. Excitam-se com a vida dos outros e adoram que haja tanta partilha. Alheia. Porque partilha deles raramente há.

3. O utilizador exibicionista
Este utilizador está nos antípodas do anterior. Não quer saber da vida dos outros, porque está demasiado absorvido na sua. Mais concretamente, no seu almoço baixo em calorias e rico em cor, que estava ótimo e tem que fotografar e partilhar. No seu outfit, que também merece ser partilhado. No seu novo corte de cabelo, um bob que está um must e que deve ser já mostrado ao mundo sob pena de entretanto se tornar outdated. E a cor das unhas. E as sandálias/pumps/espradilles novas. E a aula de pilates. E a selfie com a vizinha. Os exibicionistas adoram a sua vida. Adoram tanto que aceitam partilhá-la com todo o mundo. No fundo, é um favor que nos fazem. Já que não pudemos ir àquela festa, àquele restaurante ou àquele encontro, pelo menos temos a sorte de participar à distância, a comer umas migalhinhas em forma de fotografias que o utilizador exibicionista nos dá.

4. O utilizador propaganda
O propaganda usa o Facebook para se auto-promover. Participou num workshop de metodologia chinesa no tratamento de cutículas? Partilha-se o diploma. Esteve presente no almoço de jovens empresários da Rechousa? Partilha-se a fotografia de grupo. Escreveu um artigo no Jornal Voz de Arganil? Toca a mostrar um retrato orgulhoso do recorte do jornal. Deu uma aula sobre coaching para entrepreneurs no contexto global (convém ter algum nome em inglês para dar um ar de maior importância). Partilha-se já. O propaganda só não partilha quando vai à casa-de-banho porque a casa-de-banho tem pouca rede e não consegue ligar-se ao Facebook de lá. No fundo, tem a esperança que algum CEO ou CFO importante repare nele e o contrate. Até lá, continua apenas a fazer a delícia dos utilizadores fantasmas e voyeurs.

5. O utilizador inseguro
O inseguro não se sente 100% bem na sua pele, mas aspira a ser como o exibicionista. Só que nunca sabe bem que foto o favorece mais, por isso, muda de foto de perfil todos os dias, preferencialmente no horário nobre, ou seja, por volta das 9h da noite. O inseguro mede a sua beleza e amor pelos likes das fotos. Às vezes apaga uma foto se o número de likes não lhe está a agradar. Geralmente tenta justificar as fotos escolhidas com legendas profundas, como "smile is the prettiest thing you can wear" ou citações em inglês que encontra no google. Às vezes nem repara que, nessa ânsia de justificar simplesmente o querer partilhar uma fotografia em que se sente bonzão/boazona, acaba a citar o Paulo Coelho... em inglês. Este utilizador é geralmente solteiro e muda para utilizador fantasma quando encontra o amor. Reparamos que encontrou o amor quando passa uma semana sem que a fotografia de perfil seja atualizada no horário nobre ou sem que haja publicação de pensamentos profundos. Em inglês.

6. O utilizador engatatão
O engatatão tem como perfil uma fotografia que representa o auge da sua juventude. Tinha 24 anos, era agosto, tinha apanhado 30 dias de sol seguidos, estava de férias e alguém lhe tirou uma fotografia em que aparece moreno, cheio de cabelo e sorridente. A fotografia recebeu muitos elogios na altura. Só que, depois disso, o moreno saiu, o branco esquálido voltou, o cabelo começou aos poucos a ser menos farto e, com o trabalho a aumentar, aquelas tardes descontraídas e sorridentes começaram a escassear. Por isso, apesar de já ter atualmente mais 20 kgs e menos 2 kgs de cabelo, é aquela foto (ou outras semelhantes, tiradas na mesma altura) que vai resgatando do baú das memórias quando quer engatar. Adora usar o chat do Facebook e tem sempre elogios na ponta da língua. Ou, neste caso, nos dedos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Segurem-me que eu vou espiralizar o mundo

Recebi, no meu aniversário, um presente engraçado: um espiralizador. Um quê?, perguntam-me vocês. Um espiralizador? O que é isso? Ok, ok. Es-pi-ra-li-za-dor. De espiral. Um espiralizador é, basicamente, um utensílio de cozinha que permite cortar alimentos em forma de espiral. Ahhh!, dizem vocês agora, espero. Ainda assim, por via das dúvidas, mostro um exemplo:

Pois bem, recebi um espiralizador no meu aniversário. E se, primeiro, não lhe dei grande importância (confesso que há sempre aquele primeiro pensamento - "utensílios de cozinha?") e o deixei ficar quietinho na respetiva caixa, depois li este artigo e fiquei com a pulga atrás da orelha. Aqui estavam compiladas receitas supostamente saudáveis, com ótimo aspeto e em que se utilizava o quê? Lá está... um espiralizador! Pois eu, que tinha acabado de fazer 34 anos e que tinha também tomado pela enésima vez a resolução de ser magra e saudável, tinha ali a resposta para os meus males: pratos saborosos, com poucas calorias e com a possibilidade de utilizar o brinquedo novo. Meti logo mãos à obra e decidi fazer não uma, mas sim duas receitas logo duma vez: a salada de spiralli de beterraba com requeijão e nozes, como entrada, e o esparguete de curgete à bolonhesa como prato principal. Fui às compras. E, nesse mesmo dia, saiu isto:

Eu não sou um ás na cozinha. Na verdade, raramente faço pratos que fiquem bem nas fotos. Mas estes dois foram tão fáceis de fazer e souberam-me tão bem que tive que partilhar. Acho que encontrei aqui um nicho da cozinha em que posso ser boa: a espiralizar alimentos. Mas isso não é cozinhar, poderão dizer vocês! É, é, digo eu. É cozinhar de outra forma.

Posto isto, declaro iniciada a missão de espiralizar o mundo. Curgetes, batata doce, cenoura, beterrabas, fujam! Vou espiralizar o que me aparecer pela frente. E se, pelo caminho, emagrecer, melhor ainda.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Socorro, a minha filha vai para a Casa dos Segredos

A Constança, como qualquer menina de dois anos, adora o Canal Panda. E dentro do Canal Panda, adora o Panda propriamente dito, mas também adora o bando de amigos-animais que ele tem, todos com nomes interessantíssimos como Micas, Pintas, Kincas, Riscas, Cricas... Ok, este último acho que inventei. Adiante. A Constança adora o Panda, mas também não diz que não a uma sessão de cinema com o Ruca, a Abelha Maia, o Bing ou a Patrulha Pata. E o que é engraçado é que os pedidos vão mudando consoante o estado de espírito. Um dia é:
- Mamã! Pata!
- Patrulha Pata?
- Sim! Pata!
Mas no outro dia, se eu tento antecipar-me e sugerir a Patrulha Pata, já não serve:
- Não!! Bing!
- Não queres a Patrulha Pata? E o Panda?
- Não! Bing. Põe Bing.
E lá ponho o Bing. Bing esse que, passado dois minutos já cansa e é trocado, sem dó nem piedade, pelo Panda e os amiguitos todos:
- Pandaaa! Panda... Põe! (sim, porque as crianças têm o dom de estar sempre com a maior pressa e urgência, como se tivessem uma reunião importantíssima dali a 20 minutos e não houvesse tempo a perder, nem para pedir por favor e recorrer a essas delicadezas de quem está cheio de tempo).

Sim, a Constança é feliz com muitos programas do Panda. E é capaz de ver o mesmo episódio, se estiver para aí virada, 5 ou mais vezes seguidas. Ao ponto de eu já saber de cor algumas falas entre o Professor Ruben, a Dra. Marta e a Joana (os outros amigos são todos mudos), coisa de que não me orgulho.

De qualquer dos modos, a Constança não aceita qualquer programa. E não aceita ao ponto de ficar um pouco agressiva se insistimos com alternativas. Geralmente mostra o desagrado de forma sintética, com um perentório "Não!". Acabou de fazer dois anos, não é propriamente a rainha da dialética e da argumentação, como poderão imaginar. Só que, no outro dia, para além do "não", quis justificar a sua escolha, nitidamente a tentar aumentar os seus recursos verbais. O pior é que se inspirou, não nas palavras bonitas e eruditas que a mãe lhe tenta ensinar, mas sim nas palavras rudes que ouve o pai utilizar em dia de jogos de futebol:
- Queres ver a Masha e o Urso? Também é giro!
- Não!
- Oh... Não queres ver a Masha? Porquê?
- Não! A Masha é put@.
- Desculpa...?! A Masha é quê?
- Put@! A Masha put@!!

De maneira que meti a viola no saco e pus rapidamente no Panda. Ao mesmo tempo, tomei logo ali duas importantes resoluções de vida: não voltar a tocar no sensível tema da Masha (não enquanto tiver este episódio fresco na memória) e retirar os filhos de casa em dias de jogo. Isto sob pena de, daqui a uns anos, ser a feliz progenitora de dois filhos concorrentes da Casa dos Segredos 18, lado a lado com o Kevim, filho da Bernardina.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A saloia

A saloia é uma mulher que não desenvolveu as suas aptidões sociais.
A saloia vive para os afazeres da casa e para os seus.
A saloia acorda com o nascer do sol e deita-se quando aquele se põe.
A saloia dá de comer à família e o seu habitat natural é na cozinha.
A saloia tem que tratar da casa.
A saloia fala da comida, das compras que tem que fazer, das horas das refeições e da casa.
A saloia não consegue desenvolver temas de conversa para além disso.
A saloia também não consegue manter uma conversa por muito tempo.
A saloia tem sempre sono, muito sono.
A saloia tenta lutar contra isso, tenta ler, tenta ouvir música, tenta ver filmes, tenta ir a festas.
À saloia só lhe resta tentar, porque por enquanto tem sono. E tem filhos para criar. E trabalho para apresentar.
A saloia sou eu.

Sou uma saloia. E descobri isto ontem, quando comentava com uma amiga que tenho sentido, de ano para o ano, que o cansaço do trabalho, acumulado com o cansaço dos filhos, me tem tirado todas as capacidades comunicativas e a capacidade de socializar com outras pessoas. Em resposta ao meu desabafo, ela primeiro disse-me que sentia o mesmo. Senti-me compreendida. Expliquei-lhe que tive um casamento há dias e que me sentia tão cansada, depois de noites sem dormir, que as conversas à mesa me passaram todas ao lado, enquanto eu assistia apática aos diálogos, como um simples espectador numa partida de ténis. Não trouxe temas ou opiniões inteligentes para a mesa, não acrescentei piadas espirituosas, não abrilhantei conversas nenhumas. Nada. Só me limitei a tentar acompanhar o que se dizia e a conter os bocejos. Ter dois bebés em casa é dose. E trabalhar durante o dia não melhora nada e suga-nos a energia. A minha amiga ainda não tem filhos, mas disse que me compreendia.

Depois, citou-me de forma livremente traduzida para português a passagem dum livro ["El tiempo entre costuras", de María Dueñas, que aborda a guerra civil espanhola e, a dada altura, a passagem pelo nosso país], em que basicamente me chamou de saloia. Sou uma saloia. Confiram lá se o meu desabafo sobre as minhas inaptidões sociais no casamento não coincide exatamente com a descrição destas portuguesas (penso que, mesmo sendo em espanhol, se percebe bem):

"La conversación entre los hombres se mantuvo a lo largo de casi dos horas, pero, a medida que ésta se agitaba, la reunión de mujeres iba decayendo. Cada vez que percibía que la negociación se enroscaba en algún punto sin aportar nada nuevo, volvía a concentrarme en sus esposas, pero las mujeres portuguesas hacía rato que se habían desentendido de mí y de mis esfuerzos por mantenerlas entretenidas, y daban ya cabezadas incapaces de contener el sueño. En su crudo día a día rural, probablemente se acostaran al caer el sol y se levantaran al alba para dar de comer a los animales y atender las faenas del campo y la cocina; aquel trasnoche cargado de vino, bombones y opulencia superaba con mucho lo que podían soportar."

Próximo objetivo de vida: reaprender a socializar.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Olá, filho mais querido #3

(Podem ler a primeira parte da história aqui e a segunda parte aqui)

Pois então, eram 5h da tarde e eu estava convencidíssima, pelo avançar do meu estado (ie, rutura de bolsa, dilação, eliminação de colo do útero, contrações constantes) e ainda pelo facto de ser um segundo parto que teria o bebé nos braços em coisa de hora ou duas. A juntar a isto a garantia dada por todas as mães que conheço de que os segundos partos são sempre mais fáceis tínhamos uma quase-parturiente relaxada, animada e super otimista. Só que, entretanto, começaram as notícias menos boas. Para começar, a médica de serviço disse-me que o exame para detetar estreptococos (umas bactérias que, pelos vistos, 1 em cada 3 mulheres grávidas tem e que são inofensivas e sem qualquer sintoma associado para a mulher, mas capazes de provocar pneumonia a um recém-nascido, por exemplo - podem ler mais aqui) tinha dado positivo e que, por isso, ia ter que me dar um antibiótico.
- Lembra-se daquele exame que fez e que deu positivo, certo? Vou ter que lhe dar um antibiótico.
- Ok, não há problema, respondi.
Não estava a perceber a cara de preocupada da médica. Um antibiótico? Não são 2 segundos para tomar e já está?
- Pronto... Mas sabe como se processa?
- Não é só tomar o antibiótico?
- Não... Vamos ter que esperar cerca de 3 horas até fazer efeito e podermos avançar com o trabalho de parto.
- Oh...
- É... Por isso, a partir de agora, vou pedir-lhe que relaxe e descanse. Não lhe vamos dar ocitocina, não vamos voltar a fazer qualquer exame [adeus, toque!] e vamos tentar adiar o parto ao máximo, ok? Convém que o antibiótico faça efeito.

E eu fiquei ali a olhar para ele, ao meu lado, também expectante... Tanto tempo? A única coisa boa que retirava dali era, realmente, a parte de acabarem com os diabólicos toques. Mas senti-me a morrer na praia. Estava tudo a ser tão rápido... Estava tudo a ser, até àquele momento, como nos filmes, estava tudo a ser exatamente como eu tinha imaginado o dia do parto ou até melhor - as contrações, o ir a conduzir para o hospital sem nada marcado, os telefonemas para ele "anda! vai nascer!", os telefonemas para os meus pais e irmã, a rutura da bolsa, a adrenalina... De repente, foi como se tivessem pegado num comando e carregado no "pause". Suspenderam o meu filme. Suspenderam o meu filme tão aguardado. E não adiantava tentar carregar no "play" outra vez. Não até ter ordens em contrário.

- E agora?, perguntei-lhe. Nem sequer temos "A Guerra dos Tronos" para ver, como da outra vez.
- Não te preocupes que eu arranjo já aqui algo para nos distrairmos.
Pegou no telemóvel e procurou um vídeo para me mostrar.
Quando demos por ela, estávamos os dois a chorar a rir. Primeiro só nós. Depois os meus pais também, que entretanto chegaram. Depois os meus sogros. A dada altura, já estávamos a ver o vídeo com enfermeiros também. O vídeo que nos pos a todos a chorar a rir foi este e já todos devem, a esta hora, conhecer. Mas posso garantir que foi este vídeo que me fez doer a barriga de rir até doer a barriga a sério das contrações. E posso garantir que foi este vídeo que, até levar a epidural, me fez aguentar as dores que comecei a sentir.

Foram três horas de espera, entre "ais" e "ahahah"s e com uma epidural pelo meio. Três horas de espera que pareceram trinta. E eu ia olhando para o relógio e pensando que, por volta das 20h, logo que o antibiótico fizesse efeito, iam fazer-me novamente exames e perceber que o bebé já estava basicamente com uma perna cá fora.
- Vinte e três de fevereiro. Gostas da data?, perguntei-lhe, a dada altura.
- Gosto... Acho que sim. Mas vou gostar de qualquer data em que o meu filho nasça.
- Vinte e quatro era mais giro, não achas?
- Porquê?
- Porque a Cookie nasceu a doze. Este é o segundo filho. 12x2=24. Vinte e quatro parece-me mais especial.
- Pois, mas vai ser vinte e três. É especial na mesma.

Pois... Não dizem que a mãe é que manda? Nasceu apenas cinco horas depois. Demorou. Custou. Mas o bebé deve ter-me ouvido. Se a mãe prefere o dia vinte e quatro, a vinte e quatro será. As mães mandam sempre. ;)

(... Continua...)

terça-feira, 7 de junho de 2016

O batizado do bebé

Entretanto, o dia chegou. Como o batizado da Constança correu bem, optámos por, basicamente, repetir a fórmula. A igreja foi a mesma, a quinta foi a mesma, a lista de convidados foi a mesma, o fotógrafo foi o mesmo, o catering foi o mesmo, enfim... percebem a ideia! Infelizmente, o catering não estava disponível no sábado que queríamos e, por isso, acabámos por mudar o dia para domingo. Custou-nos um bocado tomar a decisão, porque sabíamos que corríamos o risco de ter muitos convidados a sair mais cedo por ser domingo e, além disso, eu sabia que muitas mulheres iriam ficar bem mais limitadas no que toca a arranjar cabeleireiro e maquilhagem. De qualquer dos modos, decidimos na mesma arriscar e esperar que corresse tudo pelo melhor. Como pequeno acerto - e de forma a que desse para aproveitar mais o dia -, antecipámos a missa para as 11h.

Assim, às 8h (!!) e a morrer de sono, já eu estava no salão do meu cabeleireiro pronta para ser penteada e maquilhada (e a sonhar com um café). Claro que o salão não abre ao domingo, mas lá os convenci a abrirem uma exceção (pagando mais, claro, que pela minha cara laroca já não vou longe, minha gente :P).

Desta vez, como o bebé tinha apenas 3 meses, conseguimos fazer algo com que os avós há muito sonhavam e que não conseguimos fazer da outra vez: usar o vestido de família, o mesmo vestido que tem vindo a ser usado em batizados de geração em geração e que já na 5a geração! Assim que receba as fotografias do fotógrafo mostro aqui, porque o vestido é realmente muito bonito, mas não consegui tirar nem uma fotografia ao longo do dia - ou estava com a Constança ao colo ou com o Francisquinho. Correu tudo bem e o S. Pedro até ajudou, mas continuo a achar que os sábados são sempre os dias mais adequados para estas festas. Talvez para o próximo batizado! (#not)

De todo o modo, eu sei que vocês querem menos conversa e ver mas é o vestido escolhido e alguns pormenores da festa, por isso, para já digo-vos qual foi o vestido. Claro que eu ainda tenho uns quilos para perder e uma barriguinha bem mais saliente do que queria, por isso o vestido não ficou exatamente como na modelo. Basicamente imaginem, para já, este vestido numa pessoa com menos 10cms de pernas, mais 20 cms de perímetro na zona da cintura e mais 10 quilos. Prazer, sou eu. Ah... e mandei subir um pouco a bainha, porque achei comprido para mim. Quanto aos sapatos escolhidos também foram estes, por coincidência. Entrei na Aldo, vi-os, adorei e depois em casa reparei que eram os sapatos utilizados na foto. Gostei deles, mas se fosse hoje levava sandálias compensadas - ficamos altas na mesma, mas com menos pressão na planta do pé.

Lembram-se do vestido do outro post? Aqui está ele.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Sou adulta

Pago a conta da água. Controlo também o prazo da conta do gás, para não deixar passar. Pago a conta da internet e da televisão. Sou adulta. Tenho telemóvel. Que paguei também. E cujos dados que utilizo continuo a pagar. Pago a minha casa. (Minha? Em parte.) Pago o meu carro. (Meu? Quase, ainda estou a pagar.) Pago as compras que faço para casa. Pago a minha roupa. Pago as consultas do médico. E pago os seguros também. Pago todos os impostos. Sou adulta. E agora até pago as coisas do meus filhos também.

Para mim, a transição entre o ser criança e o adulta deu-se quando apareceu a primeira conta para pagar. Não tenho dúvidas. Não foi quando o primeiro salário apareceu, como muitos dizem. Não. Porque esse salário devo-o ter gasto em roupa e outras futilidades. Nem foi quando o segundo salário veio. Continuava a ser criança, sem grandes responsabilidades. Apenas com mais dinheiro. Para mim, o ser adulta veio com a primeira conta. Com o início das responsabilidades. Tornei-me adulta. E não adorei, devo confessar. Mas aprendi. Aprendi a fazer contas à vida. Aprendi a importância do poupar. Aprendi a importância de ser ambiciosa. De querer ganhar mais. Querer chegar mais longe na vida. Porque há contas para pagar! Aprendi a querer estabilidade, segurança. Casa, carro, férias e contas pagas. Ser adulto obriga-nos a fazer muitas contas e a trabalhar muito. E nem sempre nos deixa com tempo para sermos só e apenas aquilo que todos somos, bem lá no fundo - eternas crianças. Crianças vestidas de adultas.

Sim, quando tiramos as contas e os nossos empregos fica mais fácil ver o que está ali em baixo - crianças. Crianças que cresceram e vestiram a roupa dos seus pais. Crianças que cresceram e foram trabalhar. Crianças que cresceram e ganharam responsabilidade. Crianças que cresceram, mas que, se se esforçarem, percebem que nunca perderam a capacidade de se admirar e de se espantar com o mundo. Este dia é para todos nós. Para não nos esquecermos de ser crianças. Não todos os dias. Porque há contas para pagar. Mas de vez em quando. Saint-Exupéry dizia que todas as pessoas grandes já foram crianças. Eu acredito que continuam a ser, debaixo destas roupas e contas das pessoas grandes. Feliz dia!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Acabou-se o que era doce

Terminou a minha licença de maternidade. Sim, já sei que vão dizer que podia ter 4 meses, ou 5 ou 6, mas não - foram mesmo 3 (rápidos) meses de licença e que já chegaram ao fim. Voltei ao trabalho. E posso dizer que há coisas que não melhoram com o tempo. Se custou imenso voltar ao trabalho depois da primeira licença, desta vez custou da mesma (dolorosa) forma. Desta vez ainda tentei atenuar o sofrimento da véspera com uma ida ao cabeleireiro para retocar as nuances, uma ida à manicura para arranjar as unhas e até uma corridinha fiz para ver se espairecia. Nada resultou. Pior: estava no cabeleireiro e, de cada vez que me perguntavam pelos meus filhos, tinha vontade de chorar. Não sei explicar o que aconteceu, mas passei o último dia de licença numa angústia terrível, uma tristeza claustrofóbica que me fazia quase ficar sem ar. Uma descrição algo dramática, eu sei, mas foi neste estado que passei o dia. O que foi mais estúpido é que o primeiro dia de regresso ao trabalho nem custou muito, afinal. Foi sofrimento em vão. Foi assim que constatei algo de que já me vinha apercebendo há algum tempo: gosto realmente daquilo que faço e gosto das pessoas com que trabalho. Quando assim é tudo acaba por ser mais suportável. Por isso, deixar o meu bebé em casa doeu na mesma. Claro que doeu. É tão pequenino e frágil, não devia ser suposto deixá-lo já com outra pessoa, certo? Mas a ter que sair de casa já, que seja para trabalhar onde trabalho. Pelo menos passo o dia ocupada a fazer algo que me preenche e me faz sentir realizada.

Entretanto, o que sei que também vai custar bastante é manter o trabalho e, em simultâneo, a amamentação exclusiva. Só que sou teimosa e meti na cabeça que filhos meus não provam outro leite até aos 6 meses que não o meu. Se a Organização Mundial de Saúde aconselha, eu sigo cegamente a recomendação, custe o que custar (e custa!). Mamãs que já passaram por isto sabem o que significa, não sabem?

Para os outros, deixem-me só dizer que, se são esquisitinhos, não leiam as próximas linhas. Se continuam a ler, estão a fazê-lo por vossa conta e risco, ok? Eu avisei. Vêm aí revelações nojentas....

Ainda estão a ler? Ok, então vamos lá, corajosos. É que trabalhar e amamentar um bebé em exclusivo significa toda uma confusão de coisas como:
- mamas a rebentar (e a doer!!) quando chega a hora em que o bebé devia mamar,
- máquina de tirar leite (pior máquina de sempre - parecemos vacas, é triste),
- leite nosso num biberão dentro do frigorífico ao lado do queijo e da manteiga (é um pouco estranho pensar nisso, mais vale nem pensar),
- telefonemas constantes a pedirem-nos para irmos embora porque o bebé não para de chorar...
- e ainda, qual cerejinha em cima do bolo, roupas molhadas com leite que nos começa a saltar das mamas.

Eu avisei que era nojento. Mas pronto, sou teimosa, por isso, vou passar os próximos 3 meses assim, entre a alegria de trabalhar, as saudades dos bebés e esta soma de confusões que acabei de descrever. Se continuarem por aqui, vão poder acompanhar estas peripécias... ;)

Se ele consegue...

É fácil refugiarmo-nos em desculpas. "Não consigo emagrecer, tenho muito apetite!". "Não consigo acordar cedo, sou noctívaga". "Não consigo ir ao ginásio hoje, estou cansada". "Não consigo.....!" É fácil encontrar justificações para aquilo que não temos força de vontade de fazer. Quem não o faz? Até que, depois... Depois vemos que um surdo ganhou a 22a temporada do "Dancing with the stars" e ficamos envergonhadas e com vontade de deitar todas as desculpas para o lixo.

O Nyle DiMarco veio fazer muita gente repensar sobre as suas próprias limitações, acredito. Eu já gostava dele de o ver no "America's next top model", o meu guilty pleasure de final do dia. Gostava que, ao longo de todo o programa, apenas sobressaíssem as suas qualidades como modelo (e que homem, meu Deus) e não o facto de ser surdo. Gostava do seu ar de "homem", com pelos no peito e barba por fazer, em total contracorrente com os homens depilados e oleados que abundam no mundo da moda. Gostava tanto que, mesmo depois do programa terminar, fui seguindo com curiosidade o percurso dele no instagram. Por isso, foi com expectativa que comecei a seguir também as suas participações no "Dancing with the stars". Como é que iria um surdo sentir o ritmo das músicas e acompanhar o tempo das coreografias? Como é que iria alguém que nunca ouviu um único som em toda a sua vida, vibrar e fazer vibrar? Impossível ir muito longe no programa, pensei no início. Até que, afinal, foi passando e passando, e passando e passando, enquanto outros iam sendo eliminados. E provou-nos que, com esforço e dedicação, até uma música se dança mesmo sem a ouvir. Se ele consegue ganhar este programa, o que não se consegue fazer então...?

Podem ver a dança final aqui:


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Vou ser gorda para sempre

Ontem tive o segundo treino da semana. A dada altura do treino reparei, enquanto suava em bica e dava saltos e saltinhos, que já tinha feito mais de 60 flexões. Logo eu, que quando comecei estes treinos, há cerca de meio ano, fazia 10 flexões e morria... Senti um imenso orgulho em mim mesma. Continuei. Os treinos têm incidido essencialmente na zona abdominal (#operaçãobikini), mas não deixamos pernas e braços de fora e tem sido normal passar os dois dias seguintes com mil dores. Posso não andar a portar-me tão bem com a comida como devia (sim, continuo com os acessos de gula), mas sinto-me bem e com os músculos do corpo todos trabalhados. Os números da balança ainda estão longe dos 58 desejados, eu sei, mas não tenho feito disso obsessão.

Acabou o treino. Vim para casa. Vestia uma t-shirt em forma de "V", justa na zona do peito e larga na zona de baixa, e calças justas. Sentia-me bem, mesmo com os quilos que sei que ainda tenho a mais. Cruzei-me com uma pessoa que não via há meio ano, isto é, quando eu estava grávida. A dada altura, diz-me essa pessoa:
- Estás mais gorda!
- Estou? Pois... Fui mãe...
- É, estás mais cheiinha.
- É normal, acho eu. Da outra gravidez também fiquei, mas depois fui ao sítio. Vamos ver...
- Pois, mas agora estás mais gorda que da outra vez!

Sim, foi tal e qual isto.
Uma pessoa normal vai para casa, depois dum comentário destes, fica deprimida e faz greve de fome, certo?
Eu? Eu pensei "não posso voltar a usar t-shirts em V!", liguei o modo negação, tomei um banho e vim atacar esta caixa de macarons que o meu querido marido, chegado de Paris em trabalho, me trouxe. Eram 8. Hoje há 2.

Vou ser gorda para sempre.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Depois da mãe enlouquecer

A licença de maternidade estava a correr maravilhosamente bem. Andava cheia de energia, continuava a responder aos emails do trabalho, conseguia ler, ver televisão, retomei logo as aulas com a minha PT e sentia que ter dois filhos em casa era tão simples como ter um. Até que fiquei sem a empregada... E tudo mudou! De facto, sem aquela ajuda, a casa desmoronou e acho que estive quase a dar em maluca. Sobrevivi, mas custou um bocado a voltar a entrar no ritmo e a recuperar a energia anterior, tenho que confessar.

Entretanto, depois desta introdução, aproveito para contar que, mesmo no meio desta loucura, consegui adiantar a decoração dos quartos dos bebés, tirar uns dias de descanso pelo Alentejo, festejar o segundo aniversário da Constança e organizar o batizado do Francisco. Uf! Nos próximos dias vou partilhando mais pormenores de tudo e do dia de batizado! Espero poder ajudar quem está também a organizar festas para os mais novos. Até já!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Quando a mãe enlouquece

Há dias em que é extremamente fácil. Todos os passos são tão simples como respirar e não custa nada. Acordar. Dar de mamar. Tomar banho. Vestir-me. Tomar o pequeno-almoço. Às vezes saltar o banho e ir de pijama para a cozinha. Ver um bocado de televisão. Espreitar o Facebook e o Instagram. Ler alguns artigos. Dar o leite à Constança. Dar-lhe banho. Por-lhe creme. Vesti-la. Secar-lhe o cabelo. Arrumar os quartos. Preparar a casa-de-banho e a banheira para o banho do bebé. Dar-lhe banho. Tentar salvá-lo das investidas da Constança, que quer brincar com ele e enfiar-se na banheira. Ou atirar-lhe os patos de borracha para a água. Secá-lo. Por-lhe creme. Vesti-lo. Arrumar a casa-de-banho. Quando a empregada está, posso voltar a concentrar-me nos bebés. Ligar a alguém. Ou sair de casa. Posso almoçar. As tarefas domésticas estão asseguradas e posso ser mãe, apenas. Há dias em que a licença de maternidade é uma dádiva. E ter alguém que me ajuda em casa é essencial nesta equação.

Mas há dias em que tudo é um caos. Fiquei uma semana sem empregada e terminei a sentir admiração por todas as mães a tempo inteiro, sem ajuda. Sobrevivi à experiência, mas não sei como! A dada altura, era eu a trocar uma fralda ao bebé e ele a esguichar xixi por todo o lado, a Constança a brincar com as pastilhas da máquina de lavar a loiça, a sopa ao lume a ferver e a saltar tacho fora, o bebé a chorar porque estava molhado, a Constança com uma faca na mão e demasiado perto do fogão ligado, o bebé a chorar ainda mais alto, o telefone do trabalho a tocar... Geri o caos dia após dia, sempre a tentar manter a sanidade mental, a arrumação da casa, a minha higiene e cuidados de beleza mínimos em dia, e ainda a educação da minha filha - vamos desenhar? queres ler este livro? olha este puzzle! vamos contar até 10? Mas estive perto da loucura, muito muito perto!

Em teoria é possível fazer tudo. Ficar em casa com uma filha de quase 2 anos e um recém-nascido? Canja! Cansativo é ir trabalhar! Que sorte ficar em casa, a ler, a ver televisão... Só que não!! Houve um momento em particular em que senti que estava mesmo a atingir o meu limite. Chorava o bebé. Chorava a Constança. E comecei a chorar eu também, não sei se de cansaço, se de frustração. À minha volta, roupa por passar a ferro. Loiça por lavar. O chão por aspirar. Não! Percebi que, ao lado disto, qualquer trabalho é para meninos! Sem ajuda, não conseguiria estar à altura do desafio e manter-me mentalmente sã por muito mais tempo. Adoro os meus bebés, mas o meu trabalho não é nada quando comparado com o trabalho que uma casa com duas crianças dá! Foi, por isso, uma mãe pálida, com o cabelo oleoso, olheiras até ao chão, unhas descascadas e a soluçar que chegou ao final da semana. É duro. A minha vénia a todas as mães corajosas que decidiram ser mães a tempo inteiro e conseguem desempenhar este papel de forma graciosa e tranquila. Sem enlouquecer.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Vou ter dois filhos traumatizados

Ele esforça-se. Acredito mesmo que sim. Quer ser um bom marido. Quer ser um bom pai também. E ambas as tarefas têm sido sempre bem sucedidas, verdade se diga. No entanto, no que toca a ser um pai-artista, o caso já muda de figura. Eu sabia que ele tinha um traço muito seguro e uma letra muito perfeitinha. Nos tempos em que trocávamos cartas (foram mais postais e post-its, mas "carta" é um nome mais bonito) apercebi-me que tinha uma caligrafia bonita e cuidada, sem sair da linha. E sempre gostei de o ver escrever, nem que fosse apenas a assinar o nome, com a sua caneta de estimação e ar compenetrado. Mas desconhecia até recentemente os seus (ausentes - ups!) dotes para o desenho. Pensei que cumprisse os critérios mínimos e soubesse desenhar uns meninos, um sol, cães, gatos, casas e árvores, algo simples simples e fofinho para entreter os nossos filhos e fazê-las sonhar. Sonhar com outros meninos, sonhar com um dia de sol lá fora, sonhar com cachorrinhos, sonhar com gatos, sonhar com casas brancas com chaminés e jardins cheios de árvores e flores. É para isso que servem os desenhos, não é? É por isso que desenhamos para as crianças, não é?

Só que... O quadro mágico que a Constança recebeu no natal veio mudar de forma irreversível esta imagem que tinha criado do pai a fazer desenhos fofinhos para os filhos. O quadro mágico veio mostrar-me que, se a caneta cair nas mãos erradas, podemos estar apenas a dar pesadelos às crianças. Exagero? Vou mostrar-vos exemplos que fui registando nos últimos dias. E mostro-vos essencialmente, porque quando o confrontei com a falta de jeito para o desenho e com a possibilidade de dar pesadelos aos nossos filhos, ficou indignado. Preciso mesmo das vossas opiniões para lhe mostrar que não estou sozinha, ok?

A pergunta é: Estes são ou não os desenhos para crianças mais assustadores que já viram?

"Queres um gato? Eu faço. Olha... Gostas?", ouvi-o perguntar. Só que o gato final pareceu apenas um
monstro demoníaco e sádico. Não sei se são os olhos trocados, não sei se é aquele sorriso maquiavélico,
mas isto não me digam que isto é um gato, porque não é em nenhuma parte do mundo!
"Uma menina? Vamos lá então fazer uma menina." Este diálogo deveria ter resultado numa menina querida e sorridente, mas deu neste amante de heavy metal assustador, barbudo, com ar louco e braços no ar.
Aposto que adora o satânico e faz bruxarias ao luar.
Ok, este acho que já foi para me provocar! Eu disse que a menina parecia uma hippie, com rastas e um lenço na cabeça e ele então decidiu por-lhe uma espécie de charro para me chatear ainda mais.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Compras embaraçosas #2

Vou à Bertrand. Ando curiosa a pensar em como é que aquele livro, emprestado por uma amiga há um ano, continuará. Decidi comprar a sequela. Sempre é uma maneira de ocupar o tempo que tenho passado em casa. Foi dos livros mais mal escritos que já li, uma escrita muito básica, mas...  é como a "Casa dos Segredos" ou a "Quinta" - a dada altura aquilo é tão mau que até vicia! A Bibi fala mal, o Tiago quer ver a xaroca de outra, mas damos por nós colados e a querer saber se o Kévim vai salvar a relação e se o amor vai vencer (adoro esta frase)!

Pois então estou na Bertrand. Perdi o amor ao dinheiro. Passo pela parte da Literatura Lusófona. História. Filosofia. Procuro aquela capa cinzenta. Onde estará? Literatura Estrangeira? Chamar-se-á àquilo "Literatura, aliás?... Continuo a procurar. Cruzam-se comigo dois homens de meia idade, cada um com o jornal debaixo do braço. Param em frente a uns livros de fotografia a preto e branco. Parece-me Sebastião Salgado. Têm ar culto e falam com tom de voz grave e calmo. Continuo à procura, um pouco envergonhada. Não está aqui... Será que não têm...? O funcionário vem ter comigo e interrompe a minha vergonha:
- Precisa de ajuda?
- Não, obrigada!
Prefiro procurar sozinha, a vergonha é menor. Lá o encontro. A capa está em mau estado, com ar sujo, mas não vou protestar. Não está ninguém na caixa. Encolho-me e decido fazer um sprint. Chego à caixa, atiro o livro virado para baixo e o cartão multibanco, tudo ao mesmo tempo.
- Queria pagar, por favor.
- Boa noite! É só este livro?
- Sim...
- Já conhece o nosso livro do mês?
(Começa a descrever uma história inspiradora que ainda me envergonha mais, por comparação com o que vou comprar. Ao mesmo tempo, começa a limpar o meu livro, com cuidado. Decide que tem mesmo mau aspeto e vai buscar outro livro igual, mas com a capa em melhor estado. Que azar! Havia de me sair o empregado mais simpático e competente de sempre!)
- É para oferecer?
- É, sim!, minto com todos os dentes. Ou não, porque vou oferecer a mim mesma, certo?
- Quer talão de troca?
- Obrigada!
E fico a ver o candidato a empregado do mês a limpar o livro com todo o cuidado e a embrulhá-lo, o mesmo livro que daqui a dez minutos vai estar a ser rasgado por mim em casa... Sou má pessoa, sou má pessoa... Mas que querem? A vergonha é maior que eu! E vou, assim, para casa, com a sequela do "Cinquenta Sombras de Grey", na mão, embrulhado como se fosse para oferecer a alguém.

Sou a única? Já alguém teve vergonha de comprar um livro?

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Uma questão de peso #2

Como tenho uma balança de diagnóstico corporal consigo ver (mas neste caso, preferia não conseguir!) os valores da minha desgraça. Estou à espera da avaliação física com a minha professora para medições e análise mais detalhada, mas partilho para já os números da desgraça à data:
- peso - 66 kgs
- gordura corporal - 28,4 (tenho, aproximadamente, 22 kgs de gordura, o que é nojento pensar. Mas merecido, porque andei a comer porcarias como se não houvesse amanhã. Mas há. E é um amanhã gordo.)
- água - 43,9
- índice muscular - 29,2
- massa óssea - 9,0

Vamos lá ver se consigo tornar estes números mais apresentáveis, porque isto, para já, está uma vergonha :(

Batizado - o que vestir?

Com a Constança, optámos por fazer o batizado e a festa de primeiro aniversário no mesmo dia. Como correu bem, decidimos repetir a fórmula e, em maio, batizar já o bebé e fazer também a festa de dois anos da irmã. A igreja será a mesma, o sítio será o mesmo, os convidados serão os mesmos e o catering será também, em princípio, o mesmo (estamos só a ultimar pormenores). Dizem que em equipa que ganha não se mexe, certo? Por isso, vamos levar a máxima à letra.

Enquanto vagueio pelo Pinterest a tentar inspirar-me com decoração de batizados e de festas de aniversário, mantém-se, no entanto, o problema da praxe - e o meu vestido? Comecei a pesquisar na Asos, meu site de eleição para festas (preços acessíveis e muuuuuuita variedade) e selecionei já alguns modelos. Aprovam? Qual o vosso preferido?
Com o bege nunca me comprometo. Já sei que dizem isso do preto, mas para mim não há nada
como um vestido bege - nunca cansa!
Um azul em renda, muito simples à frente, mas com um pormenor atrás engraçado.
Também gostei deste amarelo, apesar de ter vontade de arrancar aquela pequena tiara e soltar o cabelo à modelo - acho que o vestido ia ganhar logo.
Este padrão florido conquistou-me e acho que, se não o comprar para o batizado, arranjo outro pretexto para o ter. 
Este é, para já, o meu preferido. A minha dúvida é se será demasiado "noiva"! Estou a tentar agarrar-me ao facto de não ser branco, mas B.E.G.E. Assim já pode ser, não?
Este ocupa, para já, o segundo lugar no pódio. Ex aequo com o outro florido. Acho que estou numa de flores, basicamente.

sábado, 9 de abril de 2016

Compras embaraçosas

Tive a consulta pós-parto com a minha ginecologista. Basicamente, era preciso fazer o "check-up" para confirmar que estava tudo em ordem com o meu pipi e com as minhas entranhas, após mais um filho a sair dali. Cheguei a casa e comentei com o ele:

- Está tudo ótimo. Tenho é que comprar a pílula da amamentação e, entretanto, se não queremos ir para o terceiro filho (!), é obrigatório usar preservativo. Compras tu?, perguntei baixinho.
- Compro, claro. Mas não sei porque é que tens vergonha.
- Ohh... é como se tivesse uma seta neon a piscar em direção a mim e a dizer "olha o que é que eu vou fazer hoje à noite!!".
- E então? Diz lá que é um mau programa...
- Cala-te. Ninguém tem que saber.
- Não vejo mal nisso, mas eu compro, deixa estar.

E lá foi ele. Descomplexado. Desinibido. Descontraído. Confiante. Lá foi ele comprar preservativos à farmácia, sem problemas nenhuns, enquanto eu me encolhia, vermelha de vergonha, no carro, como se estivéssemos a fazer alguma coisa ilícita.

A caminho de casa, lembrei-me da lista de compras que a empregada me tinha dado.

- Espera! Para também no Pingo Doce dois minutos. Temos que comprar algumas coisas para casa.
- É urgente? Tem que ser tudo hoje?
- Pelo menos o papel higiénico tem! Está a acabar...
- Ohh então vai tu comprar.
- Qual é o mal?
- Que vergonha! Ir ao supermercado comprar só papel higiénico. Vão olhar para mim a pensar o quê? Compra tu.

E foi isto. O meu descomplexado, desinibido, descontraído, confiante homem? Deve ter ficado na farmácia...

E vocês, têm problemas a comprar alguma coisa?

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sai uma polémica fresquinha

Depois da Pépa e da história da mala da Chanel, as redes sociais, sempre sedentas de novas polémicas, encontraram estes dias mais uma vítima.

Desta vez, o alvo de todas as críticas é a Joana Vasconcelos, a artista plástica conhecida, entre outras criações sempre originais, por ter criado um candelabro com tampões higiénicos (!). Num vídeo (ver aqui) que está a ser partilhado em massa no Facebook (por mim incluída), ouve-se a artista a responder, quando lhe perguntam, no âmbito duma campanha de sensibilização para os refugiados, o que levaria numa mochila se tivesse que deixar tudo e partir para longe da guerra, que levaria "(...) o meu iPad (...), os meus óculos de sol, todas as minhas jóias (...), as lãs e a agulha para qualquer eventualidade e o meu iPhone, para comunicar com o mundo". (Nota: não há referência a tampões, mas deve tê-los usado todos no candelabro.)

Claro que está a cair-lhe tudo em cima por responder com artigos apelidados de fúteis, luxuosos e afastados da realidade. Os argumentos utilizados pelos críticos são mais que muitos. Porque é uma snob. Porque é uma ridícula que deve querer o iPhone para tirar fotos às bombas e à miséria por onde passa. Porque isto não é o centro de desemprego para se ir fazer crochê. Porque devia era ser dada como alimento aos refugiados. Porque deve achar que vai encontrar tomadas para carregar o iPad e o iPhone. Porque isto não são férias para ir de jóias e óculos de sol. Porque, porque. Ora bem....

Quando ouvi o vídeo a primeira vez confesso que também fiquei um bocadinho chocada. É simples: pensamos em refugiados e depois ouvimos falar em jóias, soa mal! Disse também para mim - "Olha que mulher fútil! Jóias e telemóvel?" Só que depois comecei a ler os comentários e, aos poucos, caí em mim. "Espera aí... estou aqui armada em boazinha e sentimental, mas se fosse eu levava o quê?". E o que é certo é que, quanto mais pensava na pergunta, mais me apercebia do difícil que era dar uma resposta. Primeiro, pensei em bens essenciais como alimentos, roupa básica e bens sentimentais, como fotografias. Mas depois...

Depois concluí, envergonhada, que quase todas as fotografias mais importantes da minha vida estão... no meu iPhone! Tal como os meus contactos pessoais e profissionais, vídeos, e-mails, as minhas notas pessoais... A minha vida está toda no meu telemóvel! E vamos ser francos: quem é que conseguiria deixar o telemóvel em casa com todo esse conteúdo quando tivesse que procurar nova casa e nova vida? Mesmo que fosse desligado, sem bateria e sem wifi ou roaming até ao destino, o que é certo é que iríamos querer levá-lo connosco! O mesmo se passa com o iPad,

Quanto às jóias... quem é que conseguia deixar para trás a aliança, o anel do pedido de casamento, a medalha com o nome do filho, o colar preferido, aquela pulseira... sei lá, é assim tão estranho querermos levar os nossos artigos mais estimados? Para além do mais, íamos deixar artigos de valor para trás porquê? Para virem outros e ficarem com eles?

E as agulhas e as malhas... Se a Joana faz disso profissão e adora o que faz, acho normalíssimo querer levar. Eu preferia levar livros ou cadernos para ir escrevendo, mas isso sou eu, que não sei fazer candelabros e outras cenas esquisitas com agulhas e malhas.

A verdade é que é fácil atacar, é fácil ir na corrente, é fácil chamar fútil ou superficial. Mas acredito que, se, em vez de criticarmos, pensarmos primeiro na nossa resposta mais sincera à mesma pergunta, acabamos a meter a viola ao saco. A conclusão a que chego é que talvez esta ação de sensibilização simplesmente não faça muito sentido...

Entretanto, por falar em polémicas, vamos lá continuar a debater as bofetadas do nosso ministro da Cultura? Qual deles?, perguntam vocês sempre pertinentes. O atual. Mas realmente parece que os ministros da Cultura do PS andam muito dados às bofetadas... #piadafacil

quarta-feira, 30 de março de 2016

Estas coisas só me acontecem a mim?

Às vezes sinto que atraio estas histórias... Juro! Aqueles momentos bizarros que vemos nas comédias de domingo à tarde e que pensamos que só acontecem nos filmes? Pois podem começar a enumerá-los e perceberão que todos esses filmes foram (infelizmente!) baseados na minha vida.

Hoje tive mais um desses momentos bizarros. Ia levar o bebé a uma consulta e, por isso, saí a correr de casa carregada com a mala dele, a minha, o ovo e ele lá dentro, as chaves de casa e as chaves do carro. Cheguei ao carro, atirei a minha mala para o banco da frente, atirei a mala dele para o banco de trás e comecei a encaixar o ovo atrás. Como estava com as chaves todas a chocalhar de forma irritante no bolso do casaco, peguei nelas e atirei-as para o banco do condutor, sem pensar. Continuei a encaixar o ovo no carro enquanto o bebé choramingava (choraminga sempre nos primeiros momentos em que fica preso no ovo) e, quando terminei a operação, fechei rapidamente a porta e dirigi-me para o lugar do condutor. Tentei abrir a porta.... só que... só que...

OH NÃO!! O carro tinha acabado de se fechar por dentro. O MEU PIOR PESADELO TINHA ACONTECIDO. Fiquei em pânico. Aquela treta de manter a calma e o sangue frio, respirar fundo e tal? Para esquecer. Olhei para dentro e vê-lo a chorar destruiu por completo qualquer tentativa de me manter tranquila. Comecei a olhar à volta à procura de um paralelo solto no chão ou algo duro capaz de partir um vidro. Nada. Onde estão os objetos cortantes quando precisamos deles? Passou um senhor. Fui a correr, sem pensar direito, a pedir-lhe ajuda para partir um vidro do carro (pensando agora à distância, talvez não tenha sido a melhor abordagem ao tema). Disse-me que tinha que ir "fazer ali uma coisa" e que já voltava (que estranho, não é?). Voltei para o carro, com os olhos cheios de lágrimas, a tremer por ver o bebé a chorar, preso dentro do carro e sem poder fazer nada. Lembrei-me que estava no carro da minha mãe e que, por isso, talvez fosse mais sensato avisá-la que ia partir o vidro da porta do carro dela. Por isso, antes de partir para a violência, liguei-lhe a contar a história, a soluçar, e fui direta ao assunto:
- Vou partir o vidro, ok? Depois pago!
- ...
- Ok?
- ... Porque é que não abres a porta com a chaves suplente? O teu pai vai agora levar-tas aí. Aguenta uns minutos...

De modo que, minutos depois, estava o carro a ser aberto com as outras chaves, sem vidros partidos, o bebé (que entretanto tinha adormecido e estava com ar tranquilo e sereno) a sair, o meu pai a piscar-me o olho, como quem diz que os pais sabem sempre resolver tudo, e eu a recompor-me do susto. Realmente concluo com tristeza que todo o sangue frio que julgava ter é coisa do passado - transformei-me naquelas pessoas que, ao mínimo susto, entram logo em colapso e deixam de raciocinar direito. E concluo que realmente os pais são sempre insuperáveis.

Ah... o outro homem a quem pedi ajuda? O mais incrível que, enquanto estava eu, chorosa, a agradecer pela enésima vez ao meu pai, passou pelo carro e abordou-nos:
- Então, menina, resolveu? Olhe que eu até despachei os meus recados para a vir ajudar!
Há esperança no mundo para todos aqueles que precisam de ajuda para partir vidros dos carros. Pelo menos isso! ;)

terça-feira, 29 de março de 2016

A minha galeria de imagens do telemóvel

Há uns anos, se alguém pegasse no meu telemóvel e começasse a ver as minhas fotografias, começava logo a ficar com os calores e a fazer de tudo para interromper o mais rápido possível aquele momento de invasão de privacidade. Eram selfies (que na altura ainda não se chamavam selfies, mas já o eram). Eram fotografias mais provocadoras a aproveitar um dia em que a auto-estima até estava mais em cima. Eram fotografias na noite. Fotografias de festas. Fotografias de momentos mais alcoolizados. Em bikini. Em lugares paradisíacos. Com amigos. Ultra-românticas. Havia de tudo, com um elemento comum: o telefone era meu, a figura central das fotografias era eu, em mim e uma poses diferentes, o que me deixava reticente a olhares estranhos.

Agora? Agora, tenho dado por mim a dar o meu telemóvel desbloqueado a qualquer pessoa com um desprendimento tal que até me assusto. A verdade é que só tenho praticamente fotografias dos bebés, de cenários familiares e/ou das minhas duas gravidezes. A maior nudez que se pode ver é a dos meus filhos. A minha maior exposição são as fotografias tiradas pela minha PT para mostrar a evolução da minha barriga flácida e da diástase abdominal. As selfies são agora da Constança, quando me apanha o telemóvel. Fotos atrevidas? Uma grávida de bikini a exibir a barriguinha também não deve contar.

Sim, neste momento iria proporcionar zero momentos de entretenimento a qualquer ladrãozeco que resolvesse roubar-me as fotografias. Neste momento, não tenho dúvidas que até os sites da Santa Casa da Misericórdia ou da StandVirtual têm conteúdos mais atrevidos e provocantes que o meu telefone.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Uma questão de peso

Apesar de ter feito exercício durante toda a gravidez (fui e estou a ser acompanhada por uma professora especializada em acompanhamento a grávidas e a recém-mamãs), a verdade é que não sou nenhuma Carolina Patrocínio e ganhei quase 14 kgs nesta gravidez. Consigo ser disciplinada no desporto, mas não sou consigo ter a mesma disciplina no que como, por isso, neste momento tenho 8 kgs (!!) que me separam do peso com que mais gosto de me ver: 58. É muito quilo para abater e muita banha da barriga para fazer desaparecer. Mas agora que a minha professora já me analisou os músculos da barriga e já adaptou os treinos abdominais à diástase de um dedo que me foi detetada, não me restam grandes desculpas para não fazer abdominais (adaptados) e queimar as gordinhas todas.

De qualquer maneira, mesmo com desporto, não sei se vou conseguir voltar a atingir aquele número. Fiquei mais pessimista depois de, há dias, estar a falar com uma amiga que também está grávida do segundo filho e que me dizia, depois de comparar muitas mães:

- Depois do segundo filho? Não tenhas ilusões! Recuperar a antiga cintura só é possível com lipoaspiração ou abdominoplastia! Podes ser disciplinada e passar fome, mas acredita que a cintura antiga não se recupera nem assim - só mesmo com cirurgia.

Fiquei com um misto de sensações: por um lado, parte de mim, a parte que devora doces todos os dias, sentiu-se derrotada - "vou ser um paralelepípedo para sempre! adeus, corpo de pera!". Se não me controlo a comer, como é que posso esperar milagres? Por outro lado, a outra parte de mim, a que adora desafios e que me fez estar a mexer o rabo menos de um mês após o parto, ficou com vontade de provar que não é bem assim - é possível recuperar-se a antiga silhueta depois do segundo filho só com exercício e boa alimentação!

Eu sei que o peso é muito relativo e que não devia estar apenas focada nos 58 kgs. Sei que o importante é sermos saudáveis e olhar mais para os índices de massa gorda e magra, por exemplo. Mas neste momento é esse objetivo que tenho em mente: 58. Porque é mais fácil focar-me num número. Sim, quero muito recuperar os 58 kgs que já tive (parece que foi noutra vida), de preferência com a cintura que tinha antes. Espero conseguir chegar lá com os exercícios que tenho feito, mas vou tentar também controlar aquilo que como. Tenho a teoria das consultas de nutrição que tenho, falta-me a força de vontade. Vou partilhando com vocês esta jornada. Sei que assumir publicamente os objetivos ajuda-nos a manter o foco, por isso, decidi hoje escrever este post, com a antecipada promessa de ir atualizando, quer consiga quer não. A vergonha na cara de não conseguir deverá dar algum incentivo extra!

Que a Força (de vontade) esteja comigo! ;)

quarta-feira, 23 de março de 2016

34!

Sábado festejei mais um aniversário. Desta vez, o estar fechada em casa há algum tempo (ou seria a ocitocina ainda a fazer efeito?) deve ter mexido com o meu cérebro, porque... pela primeira vez em muuuuitos anos, tive vontade de festejar o aniversário em casa, sem restaurantes envolvidos e sem saídas. Pior: tive vontade de me armar em doceira e experimentar receitas de bolos. Eu, que nunca fui muito de cozinha, comecei assim o meu dia de anos a abrir e a fechar o forno, a bater claras em castelo e a decorar bolos, qual Nigella Lawson (sim, em versão cheiinha, pois ainda tenho muitos kgs que ganhei na gravidez para abater - falarei sobre isso noutro post). Os meus pais ainda insistiram em trazer eles a sobremesa (compreendo-os!), mas não quis saber. Já tinha as formas, as receitas, os ingredientes preparados e até boleiras e decorações compradas... nada me iria impedir. No pior dos cenários, terminaria o meu dia a comer tudo sozinha. Terminaria o dia com mais 10 kgs, mas com a gula saciada por uns tempos.

Eram 6h da manhã quando finalmente terminei tudo e me fui deitar. No frigorífico havia gelatinas e mousse de chocolate. Nas boleiras a estrear, um bolo de côco e um de frutos vermelhos recheado. Tinham bom ar. Estariam bons? Controlei-me para não provar nada. Estava cansada, mas com a sensação de dever cumprido. A casa estava calma e silenciosa - tudo a dormir a dormir em simultâneo é cenário raro, nos últimos tempos. Lá fora, o horizonte começava a ficar mais claro. Inspirei e senti no ar algo que não sentia há muito. Seria o silêncio? A calma? Demorei um pouco, mas lá percebi o que era. Era algo ainda mais antigo... Cheirava à minha infância. Infância. Até aos meus 12, 13 anos, o dia de aniversário começava sempre com cheiro a bolos a saírem do forno, com gelatinas, mousse e mil doces espalhados pela sala. Convidava-se sempre toda a família e festejava-se em casa. Com a chegada da fase da estupidez adolescência, comecei a preferir comemorar os anos bem longe dos pais, perto dos amigos. O cheirinho a bolos fez, por isso, com que viajasse no tempo até essa altura.

Os aniversários da minha infância tinham este cheirinho a bolo a sair do forno. Tinham os avós. Bisavós. Tios. Primos. Barulho. E casa cheia. Aos 34 anos, não voltei a ter casa cheia. Mas voltei a ter por perto algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Aos 34 anos não tive uma festa de arromba. Não jantei no melhor restaurante da cidade. Festejei com olheiras. E com uns kgs a mais, pois ainda não recuperei a forma. Festejei cansada, das noites mal dormidas, a acordar de 3 em 3 horas. Mas festejei com cheirinho à minha infância. Aos 34 anos, senti-me um bocadinho a ser criança outra vez. A criança que fui. E as crianças que estão a crescer junto a mim. Estou mais velha, mas ironicamente senti-me mais jovem outra vez. Venham mais anos assim (ok, sem a parte do cansaço e dos kgs)!!

Ahh... quanto aos doces, acho que fiquei aprovada. Pelo menos ninguém se queixou nem houve relatos de indisposições.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Olá, filho mais querido #2

(Podem ler a primeira parte da história aqui)

Foi, por isso, com um andar desastrado de pinguim (o andar que a emoção, juntamente com as calças ensopadas e os pés e sapatos molhados, permitiu) e os olhos a lacrimejar que entrei finalmente no serviço de obstetrícia. Como desta vez não foi nada planeado, não tinha a minha médica à minha espera e as caras com que me ia cruzando eram todas novas. Não conhecia ninguém! Toda a equipa que me acompanhou no parto da Constança não estava de serviço às terças, pelo que tive que me entregar nas mãos de enfermeiros e médicos desconhecidos. Naquele momento, no entanto, nada disso me estava a preocupar. Tinha decidido que, desta vez, não iria provocar o parto e iria ter o bebé da forma mais natural possível, respeitando os "timings" do bebé e do corpo, por isso, estava apenas a ter o resultado da minha decisão. Apareceu uma médica que me levou para um gabinete. Fez-me as perguntas da praxe - quantas semanas tem? sintomas? foi acompanhada aqui no hospital durante a gravidez e com quem? etc - e pediu-me para me despir. Ia começar a parte de que tinha menos saudades - o chamado "toque". Era preciso ver se já tinha alguma dilatação e se o colo já tinha sido eliminado. Deitei-me na marquesa, contraída e já a antecipar o desconforto do exame.
- Relaxe, por favor. Ainda por cima já passou por isto, não já?
(Eu só pensava - já passei, sim! Por isso é que não consigo relaxar! Dispenso ter uma desconhecida a meter-me os dedos no pipi, ok?! - mas não disse nada e esforcei-me por parecer descontraída a relaxadíssima, como se estivesse num picnic.)

- Ok, já está com 4 dedos de dilatação. E parte do colo eliminado. Parece-me bem encaminhado. E teve rutura parcial da bolsa, certo?
- Sim, tive agora mesmo, antes de entrar. Mas qquilo tudo foi só parte da bolsa?
- Foi... Não foi rutura total. Foi só um bocadinho.
(Fiquei a tentar imaginar como seria se tivesse rompido tudo)
- Entretanto, vamos ver o bebé?
- Vamos!
(Tentei disfarçar a emoção, que era um misto de alívio por o "toque" ter terminado com a alegria por ir ver o meu bebé.)
- Ora bem... Já lhe disseram que o bebé é muito grande, certo?
- Grande? Por acaso disseram o contrário... Estava no percentual 30... Só a semana passada é que disseram que, afinal, podia ter mais de 3,500kgs.
- Pois, mas olhe que tem mesmo. É um bebé muito grande.

Nesta altura, eu não tinha percebido que o facto de ser realmente grande poderia dificultar o parto. Estava convencida que era um erro e que, afinal, não seria assim tão grande. A minha mãe entretanto ligou-me e comentei isto com ela - "acho que o bebé é muito grande. A médica disse que tinha mais de 3,500kgs." Resposta querida da minha mãe - "Mas tu comeste assim tanto?!". Obrigada, mamã!

Fui fazer o CTG (máquina para medir as contrações) no gabinete em frente. Descalça, para não estar a pegar nos saltos, que naquele momento me pareceram totalmente despropositados e nada práticos. Fui logo apanhada.
- De quem são estes sapatos?, ouvi perguntarem alto e bom som no corredor.
- São meus...., respondi, muito baixinho.
A enfermeira veio ao gabinete em que eu estava, com os sapatos na mão.
- Estes. Estes não são seus, pois não?
- ... São...
- Tão altos?
- ... Sim...
- Consegue andar com eles no fim da gravidez?
- ... Consigo...
Entretanto, tinha mais caras à volta (outras grávidas, enfermeiras e duas médicas), qual comissão de avaliação do calçado das grávidas, a olhar para os sapatos e para mim em silêncio. Ninguém disse nada. Mas senti que tinha sido reprovada a minha avaliação.
- São confortáveis, tentei alegar em minha defesa.
- Hmmm...

(Conselho a todas as grávidas em final do tempo: ter sempre um par de sapatos confortáveis por perto, não vá entrarem em trabalho de parto a qualquer momento!)

As contrações eram fortes e constantes, por isso, não havia mesmo dúvidas... Nesse momento, eu ainda estava convencida que o segundo parto era sempre muito mais fácil que o primeiro, por isso, não havia grávida mais otimista e relaxada que eu. Olhei para o relógio - 5 da tarde? Lá para as 7h já devemos ter criança.

Não tínhamos. Cada trabalho de parto é diferente e único, sempre me disse a minha médica. É impossível prever como cada parto se irá desenrolar. E confirmou-se. Tive uma experiência completamente diferente da primeira. E o bebé não iria sequer nascer nesse dia ainda... Mas já lá vamos... Uma parte da história de cada vez.

... Continua...