quinta-feira, 19 de março de 2015

Afinal este é o dia de quem?

Habituei-me a crescer vendo este dia como o "meu dia". O 19 de março era meu e de mais ninguém. Depois explicaram-me que era também o dia em que se celebrava o nosso o nosso pai. Ok, não há problema, pensei. E dava também um beijinho ao meu pai, algures a meio do dia, enquanto abria os presentes e comia mais uns bolos. A verdade é que ainda não havia a pressão comercial que há hoje - a de darmos mundos e fundos, e ainda de descrevermos em todas as redes sociais o quão bom é o nosso pai. Um beijinho chegava e estava muito bem. Continuávamos os festejos do "meu dia" como se nada se passasse. Até que a pressão comercial chegou em força. Primeiro, uns anúncios a perfumes. Depois, anúncios a roupa. Até que vieram os anúncios a gadgets caríssimos, relógios e outros acessórios que custam os olhos da cara. No meio disto tudo, cada vez mais o meu beijinho passou a parecer algo demasiado humilde. E começou a ir acompanhado de algo mais. O meu pai fazia sempre cara de surpreso e lá recebia o miminho. E íamos convivendo bem com os dois festejos em simultâneo e a partilhar o protagonismo do dia. Só que a partir deste ano... A partir deste ano, tornou-se tudo uma confusão do caraças, porque tenho mais um pai para "parabenizar" - o homem que escolhi para ser o pai da minha bebé. E hoje acordei a pensar que tinha que por ordem nisto. Não há espaço para tanta gente num só dia! Além do mais, na verdadeira essência das coisas, a Constança ainda não sabe sequer se tem um bom pai ou não (por acaso até tem um dos melhores pais do mundo, segundo um estudo feito por mim, mas adiante), por isso, como é que pode agradecer ao pai? Não pode, certo? Teria que ser eu a agradecer em nome dela. Em nome dela, repito, que ainda não sabe se tem um bom pai ou não. Por isso, a dar algo, seria eu a dar em meu nome, certo? Acompanharam-me até aqui? Muito bem. Assim sendo, até a Constança falar e ter algum discernimento ou opinião sobre a paternidade, considero a inscrição para "parabenizações" deste dia congelada. Para já, este dia é meu e do meu pai. Sim, a dupla que se tem entendido faz hoje 33 anos. E se eu espero estar de parabéns enquanto filha, o meu pai está, sem dúvida, mais uma vez de parabéns, enquanto pai (e enquanto pai a dobrar). Parabéns, papá. Cada ano que passa mais percebo o pai fenomenal, dedicado, incomparável e incansável que foste.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tinha que partilhar isto

Descobri isto há dias e ainda não consegui parar de ouvir. Com tanta música mais ou menos complexa, mais ou menos mexida, que oiço, quer seja na rádio, quer seja na minha lista do Spotify, quando começou a dar esta música com uma melodia tão simples e despojada de acordes ou arranjos complicados, senti que ficou tudo em suspenso. Parou tudo. "O que é isto? Quem é este?". Não sei se é por adorar piano, não sei se é por ser uma fã do estilo "Imagine", do Lennon, mas ando em modo "repeat" sem conseguir parar de ouvir este jovem canadiano de seu nome Tobias Jesso Jr. Decorem que, ou muito me engano, ou vai longe. Ouçam, se vos apetecer. Se não, ouçam na mesma ;)

PS: Entretanto, descobri que atuou há dois dias no Conan. Podem ver aqui. É a mesma música, mas com outros instrumentos. Adorei.

terça-feira, 17 de março de 2015

Dos amores sem pontos finais

Nascemos com cada função ou sentimento bem doseado, bem definido. Temos, algures dentro de nós, um saco com o número de lágrimas exactas que vamos precisar ao longo da vida. Temos outro saco, algures na imensidão do nosso ser, com o total de gargalhadas que podemos vir a dar. Noutro saco temos as horas de sono, por exemplo. Assim que um dos sacos fique vazio, não há possibilidade de o encher outra vez. Por isso, se o saco das lágrimas secar, nunca mais conseguimos chorar. Se o saco das gargalhadas se esvaziar, nunca mais da nossa boca sairá uma gargalhada igual.

Cresci a acreditar nisto, depois de a minha mãe me ter explicado que a razão de nunca a ter visto chorar foi por ter chorado tudo em pequenina. Cresci a acreditar nisto, porque a minha mãe também me explicou que, hoje em dia, eu nunca tenho sono porque dormi tudo em pequena. Temos uma dose certa para tudo na vida. Foi esta a lição que aprendi e que trago sempre comigo desde então. Temos, algures dentro de nós, um saco com as lágrimas que vamos precisar. Um saco com as gargalhadas que vamos dar. Um saco com o amor. Com o amor? Sim, nasci a acreditar que também o amor que temos dentro de nós tem limites e pode esgotar-se. Só que agora ando, desde há uns dez meses, a tentar doseá-lo com cuidado, porque sinto que ando descontrolada. De dia para dia sinto que estou a usar cada mais maiores doses. Porque olho para os teus olhos e percebo que cada vez gosto mais de ti. Porque este amor parece crescer dentro de mim e eu não o controlo. Porque - pior de tudo, blasfémia! - quero continuar a gostar assim de ti toda a vida, com esta intensidade. Por isso, só me resta esperar que alguns destes sacos com que nascemos não tenham fundo. Só me resta esperar que algumas doses sejam tão generosas que posso continuar a consumir amor assim, sempre que me apetecer. Porque quero continuar a gostar assim de ti, minha filha, de forma intensa Sem pontos finais Para sempre

As mães também têm vida

A semana passada marquei um jogo de padel com uma amiga no final do dia. Já não marcava algo do estilo há tanto tempo que andava excitada como uma adolescente. Mas o melhor foi mesmo a forma como marcámos o jogo: encontrámo-nos para um café e, a meio dum desabafo meu:
- Sabes, ando com vontade de me inscrever nas aulas de padel. É parecido com ténis, por isso, matava as saudades do desporto. Ainda por cima tenho uma escola praticamente ao lado de casa e têm aulas à noite...
- Padel?!
- Sim...
- Oh...! Eu ando a chatear toda a gente para vir jogar comigo, mas ainda não consegui convencer ninguém!!
- Não me tinhas chateado a mim.
- Pois, porque tu...
- Eu...?
- Tu és mãe. Sei lá, eu acho sempre que as mães têm coisas mais importantes para fazer.
- Temos mais coisas para fazer, mas queremos fazer programas giros na mesma.
- Tens razão. Devia ter-te perguntado.

Sim, as mãe também têm vida. Pelo menos, eu tenho, e morria se deixasse de ter alguma vida social. E, aqui entre nós, quem levanta dez quilos às escuras, às seis da manhã, faz, quase sem se cansar, qualquer outro desporto com uma perna às costas. Neste caso, com a raquete na mão.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A rapariga sem cor

Terminei ontem "A peregrinação do rapaz sem cor", do Haruki Murakami. Dizia a sinopse que a personagem principal, o tal rapaz sem cor, de nome Tsukuru, "leva uma existência pacífica, que talvez peque por ser demasiado solitária, para não dizer insípida, a condizer com a ausência de cor que caracteriza o seu nome". Todo o livro gira à volta da procura da resposta para um "porquê?" muito específico: os quatro melhores amigos deixaram de lhe falar há um par de anos. Cortaram relações com ele, de forma abrupta, ao fim de anos e anos de uma amizade que funcionava em perfeita harmonia. Porquê? Os anos foram passando e Tsukuru nunca encontrou resposta. Até ao presente, em que decide fazer tudo o que estiver ao seu alcance para esclarecer esta dúvida que marcou parte da sua existência. No entanto, a dúvida deixou marcas e Tsukuru passou os últimos anos da sua vida a sentir-se um recipiente vazio, em que pessoas deixavam parte da sua existência ao passar, mas sem levar nada em troca. Tsukuru sente-se uma pessoa desprovida de cor, alegria, emoções ou qualquer tipo de interesse que possa levar alguém a querer aproximar-se dele, e atribui a esse motivo o afastamento dos amigos.

Terminei ontem o livro, mas esta imagem ficou marcada na minha memória e deixou-me a pensar: um recipiente vazio, alguém sem nada para dar a quem por nós passa. Quantos de nós não somos engolidos pelo quotidiano, pelo casa-trabalho-casa e esvaziamos o nosso recipiente de interesse e alegria? Temos mais para dar aos outros que o nosso contributo no trabalho? E pensei muito nisto talvez por causa dos acontecimentos mais recentes da minha vida. A minha avó esteve mal no Sábado. Mesmo mal. E não consegui deixar de desejar ardentemente, a dada altura, que toda a alegria e a cor que me transmitem apenas a imagem dela, o simples pensar nela, possa eu um dia transmitir a alguém. A minha avó foi, é, e sei que vai continuar a ser por muitos e muitos anos um recipiente cheio de vida, uma pessoa cheia de cor. A minha avó é a total antítese do livro, parece conter em si todas as cores do mundo.

Terminei ontem "A peregrinação do rapaz sem cor". Mas não consigo deixar de sentir que continuo eu, no meu dia-a-dia com tantos momentos insípidos, a história enquanto rapariga sem cor. E mesmo que, no livro, as explicações se revelassem afinal bem mais simples e menos dramáticas do que o que era esperado pelo Tsukuro, e mesmo que a minha avó tenha ficado bem, não consegui deixar de ficar a pensar nisto das pessoas e dos recipientes vazios e sem cor para dar aos outros. Espero que parte disto da alegria de viver e do calor que se transmite aos outros seja hereditário. E que herde eu também um pouco (sim, basta-me um pouco) da cor e da alegria da minha querida avó.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Diálogos com uma bebé

A Constança já repete umas palavras. Não "mamã", porque parece que não está para aí virada. Não "papá", porque pelos vistos o papá não é a prioridade. Repete, isso sim, "áltaa!", "áacáa" e ainda "aqui!!". E repete todas estas palavras à Malti, de braços no ar, com uns ares de italiana nervosa. Nunca fui à Sicília, mas é assim que imagino as sicilianas: a bracejar e a repetir as palavras alto, de forma ritmada e preocupada. A Malti passa e é vê-la a bracejar e a tentar chamar-lhe a atenção (muitas vezes, com comida na mão, para a aliciar, que a miúda não é burra de todo): "[M]áaalta, [m]áaalta!! aquiii!! áa[nda] cáa". Ora, depois de ter passado uns dias a pensar que a minha missão como mãe andava a fracassar, pois não conseguia vencer a uma cadela na luta pelo coração da minha própria filha, decidi dar a volta à situação. Ensinei-a a responder com as palavras que aprendeu às seguintes perguntas:

- Quando fores grande, queres ser baixa ou alta?
- Aaaltaaa!! Aaaaaltaaaa!! (de braços no ar)

- Onde é que nasceu Portugal?
- Aquiiii!!! Aquiiii! (o que lhe dá uns ares de mini Hermano Saraiva que confesso que adoro!)

- Qual é a capital do Gana??
- Ácaaa!! Ácaaa!! (é bebé, desculpa-se não dizer o "r", certo?)

De maneiras que já ninguém há-de reparar que a minha excelsa filha não quer saber dos pais para nada.

Pais 1. Malti 0.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A palavra "sexo" deixou de ser dita baixinho

Nesta euforia em torno das "50 sombras de grey", acho que há algo de muito positivo a retirar. Pode não se retirar nada de positivo em termos de História do Cinema. Pode não se retirar nada de positivo em termos de Literatura (sim, tudo com letras maiúsculas). No entanto, parece-me que se terá obrigatoriamente que dar um grande mérito à história: colocou-nos a todos a pensardespudoradamente em sexo e, mais que isso, a admitir que o fazíamos e a falar sobre isso nem que seja com a desculpa "estou a ver, porque quero confirmar que é péssimo! (...) Sim, e agora estou a ver a segunda vez, para confirmar melhor ainda!!" ou "só estou a perceber o histerismo em torno disto, eu não gosto deste tipo de histórias, até acho isto nojento, imundo... agora com licença, que tenho que acabar o 28.º capítulo". O sexo é tabu. E finalmente pessoas de todas as idades (já discuti a história com pessoas de mais de 70 anos!) discutem o tema.

Quanto a mim, não posso ainda falar do livro (não li), nem do filme. Tentei ver o filme em casa, mas... percebi que estava a ver uma versão CENSURADA. Dá para acreditar? Eu bem estava a achar estranho as legendas em carateres desconhecidos que apareciam debaixo das legendas em português. Eu bem que estava a achar estranho as cenas mais tórridas serem tão resumidas e não acontecer nada de especial: ela trincava o lábio, ele atirava-se para cima dela, ela gemia, e três segundos depois já se estavam a vestir. Era literalmente assim. Sem pele, sequer: apenas os rostos de ambos a denotar algum prazer, o pescoço e.. pimbas, imagem cortada. Só a mim! Pelo que continuo curiosa. E muito. E vocês, já viram o filme versão não censurada (preferencialmente não censurada, pois eu devo ter sido a única pessoa no mundo não residente na Coreia do Norte a ver aquela versão)? Aprende-se alguma coisa? Vá, não se acanhem e contem-me tudo...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Voltar à forma no pós-parto

Nove meses após ter sido mãe - e tendo passado já tanto tempo não-grávida como o tempo em que estive grávida - julgo que é o momento ideal para fazer um balanço sobre a possibilidade de se voltar à forma depois de passarmos pelo processo da gravidez. Sei que uma dúvida que muitas mulheres têm é quanto a saber se vão conseguir recuperar a forma física que tinham antes de serem mães, por isso, hoje quero dar o meu contributo para o tema, quero contar a minha experiência a todas as futuras mães que me leem.

Dúvidas como:"Conseguirei voltar a ter esta cintura? Ficarei com ancas de parideira largas para sempre? E as minhas mamas, descerão um andar ou continuarão firmes aqui no piso de cima? E a barriga? Não quero ter estrias, conseguirei evitá-las?" são frequentes. Sou mulher, agora sou mãe, e sei perfeitamente os medos que tinha. Conheço estes medos todos. Durante a gravidez, com medo de me tornar uma baleia humana, fui até seguida pela Dra. Mariana Abecasis. Achava que andava a comer de forma desalmada e que iria chegar facilmente aos 80 kgs, se não tivesse alguém a dar-me na cabeça. Na verdade, a Dra. Mariana serviu em parte como psicóloga e como amiga. Não sei se ela terá consciência disso, mas a dada altura eu precisava essencialmente de alguém que ouvisse os meus medos e me compreendesse, porque os princípios nutricionais e as diretivas para seguir eu já tinha interiorizado. Sim, muitas vezes queremos poder dizer apenas "tenho medo de ser gorda" e queremos que aceitem o nosso medo, simplesmente. Sem discursos moralistas. Sem "não te preocupes com isso" ou sem "estás ótima, esquece isso". Às vezes, estranhamente, queremos apenas poder preocupar-nos com isso. E queremos que nos digam que não estamos ótimas e que devemos ter cuidado. A Dra. Mariana permitiu-me desabafar sobre os meus medos. E, juntas (sim, porque parte do mérito de não ter engordado deveu-se a ela), permitiu-me "apenas" ganhar 10,5 kgs durante a gravidez. Nunca fiz dieta. Comia como um urso acabado de sair da hibernação. Todos os dias. E abusei da "fast food", mesmo sabendo que não devia. Mas introduzi a sopa na alimentação. Caminhei muito. Todos os dias caminhava pelo menos meia hora. Nadei. Continuei a ir ao ginásio. Comia chocolates, mas depois tentava equilibrar com legumes e alimentos mais saudáveis que eram sugeridos. E consegui não me tornar gigante, nem ganhar estrias.

E o depois? Depois, talvez por estar a amamentar, recuperei rapidamente o peso que tinha. Até baixei. Atualmente tenho menos 2 kgs que aquilo que tinha antes de engravidar. Sem dietas. Sem sacrifícios, comendo apenas como sempre comi. A barriga não está igual. Não vou mentir. Quando me sento, a barriga ganha umas ondas novas, e noto que a pele não está tão esticada como antes. Mas  a verdade é que também não fiz nada para que a barriga tonificasse! Desde que fui mãe, devo ter feito abdominais no máximo 5 vezes. E não fui assídua nas corridas e no ginásio. No entanto, no último mês, voltei a correr mais assiduamente. Comecei a fazer exercícios localizados. Abdominais incluídos (na última semana fiz duas vezes). E posso agora dizer que estou praticamente igual. Nunca tive um corpo perfeito, por isso, também não é agora que o tenho. Mas nada posso apontar a gravidez como culpada.

Por isso, futuras mamãs, parece-me que nada há a temer. Cheguei aqui, passei pela gravidez, e posso dizer que, pela minha experiência, aquilo que somos depois é basicamente o que éramos antes. A barriga pode ficar um pouco mais flácida, mas nada que um exercício não resolva. As mamas? Até ao momento também me parecem estar iguais. Aproveitem a gravidez. Ah, e posso até acrescentar que ontem bati o meu record pessoal na corrida: 5 kms em 29 minutos. Nada de espetacular para quem corre a sério, mas um dia especial para mim. E com muito menos horas de sono diárias (continuo a ter uma filha doida que adormece sempre tardíssimo, mas que adoro ;)) e com uma barriga menos tonificada.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O brilho dos Óscars

Quanto aos prémios, quem me segue no Facebook do blog, já sabe que estava a torcer pelo Whiplash em todas as categorias para que estava nomeado, pelo Birdman como melhor realizador e, quanto à melhor canção original, pelo Begin Again (que ainda não falei aqui, mas que foi um filme que vi há pouco e que também recomendo, deixa o coração cheio). Acrescento agora que, quanto à melhor banda sonora, torcia pelo Teoria de Tudo, que tem sido a minha companhia nos últimos dias. Temia que o Boringhood/ Boyhood ganhasse tudo, no entanto. Quando acordei, hoje de manhã, e comecei a ver as notícias, já ia com as piores expectativas. Por isso, foi uma lufada de ar fresco ver que a Academia ignorou o conceptualismo vazio deste último e valorizou a complexidade do Birdman. É que para "ver a vida como é", ficamos em casa, não é? Para quê ir ao cinema simplesmente para ver "o dia-a-dia duma família como outra qualquer"? Não percebo...

Entretanto, como de roupa já todos falaram e não teria nada a acrescentar, mostro-vos aquilo que, estranhamente, me deixou mais atenta: as joias. Não sei se terá alguma coisa a ver com a proximidade dos meus anos (bem posso esperar sentada, mas não custa sonhar), mas foi eram estas peças em particular que despertaram o meu interesse:

Eu sei que esta cara e este olhar da Margot Robbie ajudam, mas o colar da Van Cleef and Arpels é
simplesmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, não é?

Marion Cotillard com uns brincos que, em miniatura, eram capazes de ser adotados pelas minhas orelhas.

Nunca escolheria este vestido com estes brincos, mas a Gwineth pode. E ficam-lhe perfeitos.
Se fossem em miniatura também podíamos ser felizes juntos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cinema em bom

Fui ver o Whiplash. Depois de outros filmes mais "conceptuais" (como o "Boyhood" e o "Birdman") e com reviravoltas completamente loucas na história (nada me preparou para a viagem no meio dos livros no "Interstellar"... nada!!) ou finais inesperados ("Birdman", mais uma vez), foi a vez de ver um filme em estado mais cru. O "Whiplash" conta a história dum jovem baterista, o Andrew, que está no Conservatório de música (o melhor Conservatório do país, na opinião dele) e quer ser grande. Ou Grande mesmo, com letra maiúscula. Quando surge a oportunidade de entrar para uma banda de jazz e ser orientado por um grande músico, o Fletcher, não desiste de encontrar o seu lugar na banda (é mais que um baterista a lutar pelo lugar) mesmo que isso implique ser praticamente humilhado pelo tal músico.

A história, dita assim, parece básica e pouco apelativa, não parece? E se eu disser que, de todos os filmes que vi desde janeiro de 2014 foi, a par com o Gone Girl - Em parte incerta, aquele que mais me prendeu? E se eu disser que foi o final que mais ansiei e que mais me deixou presa à cadeira, completamente tensa? A cena final do "Whiplash" é tão, mas tão boa que, no dia a seguir, tivemos que rever o filme. Sim, vimos o filme duas vezes em dois dias. Foi quanto adorei (adorámos, que ele estava como eu). O filme põe-nos a lamentar não termos começado a tocar bateria aos 6 anos. O filme põe-nos a vibrar com música jazz. E eu nunca tinha dado por mim a gostar do estilo! O filme é "só" o melhor filme que vi nos últimos tempos. E saber que são os próprios atores que tocam, sem recurso a duplos, torna-o ainda melhor. Tal como saber que os estalos do Fletcher ao jovem Andrew foram reais e não encenados. Tal como saber que o filme foi filmado apenas em 19 dias. É um filme em cru, como disse no início. Mas talvez por isso me tenha sabido tão bem, depois da loucura de outros filmes mais "trabalhados", digamos assim. Aconselho. Aconselho muito.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

E então esse Carnaval?

... A trabalhar, pois claro. Ontem ainda deu para matar saudades das amigas da faculdade, jantarmos e conversarmos um bocadinho, mas depois elas seguiram alegremente para a festa e eu... casa!! De qualquer maneira, ainda deu para desanuviar um bocado. De que nos vestimos? Bem... eu cheguei a casa já depois das 20h30, quando o jantar era às 21h, por isso, não tinha grande tempo para inventar. Acabámos por trocar: eu fui vestida dele e eu foi vestido de mim. De rir (ele, porque eu parecia só uma lésbica desmazelada)! Acho que a Cookie estava confusa a olhar para os dois, sem perceber o que se passava. Ah, quanto a ela teve direito a duas roupas: sábado vestiu-se de japonesa (cortesia dos tios que foram ao Japão e lhe trouxeram uma roupinha tradicional) e ontem de joaninha. Sei que não percebeu nada do que se passava (passou o tempo a tentar arrancar os corninhos que tinha na cabeça e as asas das costas), mas mais tarde há-de gostar de ver as fotografias do seu primeiro Carnaval. Ou isso ou matar-me por a ter vestido tão novinha. Vou torcer pela primeira!...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Não daria uma Anastasia Steele competente

Ontem dei uma cabeçada com toda a força na janela do meu escritório. E com colegas a ver. As lágrimas começaram a ameaçar chegar com tanta força que tive medo de não as conseguir aguentar. Lá consegui com esforço. Vi estrelas. Cometas e tudo o mais. Mas não me apetecia gritar nem atirar uns palavrões: só chorar, mesmo. Hoje dei por mim a pensar na minha reação à dor e nisto tudo das Cinquenta Sombras de Grey, e cheguei à conclusão que seria a pior Anastasia Steele de sempre. Bastaria uma ameaça de pancada, por muito leve que fosse, e desataria logo a chorar. Tão sensual, hãa? Toda a gente sabe que não há nada mais sensual que uma mulher a chorar baba e ranho. (noooot)

Uma sátira em brasileiro que encontrei a propósito do livro, e que me arrancou uma valente gargalhada,

Parar para respirar

As últimas semanas foram tão cansativas que não sei como consegui sobreviver (de forma sã!) para contar. O trabalho talvez nem seja mais, talvez seja o mesmo de sempre, não sei, mas conciliar os horários pesados e prazos sempre apertados com uma bebé e um marido que precisam de nós (e nós deles, claro), nem sempre é tarefa fácil. Não vou mentir: há dias em que me apetece gritar. Não tenho posto os pés no ginásio (nem na rua, na verdade). Não tenho falado com amigos ou com a família. Não tenho tido um momento para mim. E desde ontem, finalmente, estou a conseguir parar para respirar.

No outro fim-de-semana dei por mim a desesperar: queria fugir para algum lugar paradisíaco, ele estava numa onda mais "caseira", desentendemo-nos, portei-me como uma adolescente a fazer birra. Chateámo-nos, eu estava com zero paciência para ser contrariada e acabei a explodir. Explodi. Há dias assim, não há? E podia não escrever isto aqui e falar, por exemplo, do "Interstellar" (que entretanto já vi), mas o blog é meu e gosto de sentir que aqui sou transparente. Há dias de amor. Mas há dias de explosão também. E se isto é sobre o meu dia-a-dia, tenho que ser honesta comigo mesma. Há dias de explosão, sim. Felizmente, são muito muito raros. E verdade seja dita que sou sempre eu a explosiva. Explodi. Foi um fim-de-semana mau. Mas que depois veio seguido de uma semana melhor e mais pacífica. E de um fim-de-semana de completo descanso longe de tudo. Às vezes é preciso demolir para começar de novo a construir. E construímos um fim-de-semana só para nós. Fomos até Vidago. Namorámos. Sentimos a calma do lugar. O silêncio. Respirámos o ar puro. Fizemos uma pausa. Fomos só nós, sem a pressa do dia-a-dia, o relógio a correr, o trânsito, os prazos, os telefones a tocar. Só nós. Em pausa. Até que o tempo (maldito tempo, que nunca aguenta muito tempo quieto) recomeçou. Mas mais calmo. O tempo tem passado mais devagar desde domingo. E espero conseguir manter este ritmo nos próximos dias. De qualquer das formas, teremos sempre Vidago.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Teoria de Tudo

Ontem foi a vez de vermos "A Teoria de Tudo". O filme começa bem. Temos a típica cena "rapariga-conhece-rapaz" e sabemos logo que, mesmo tão diferentes, aqueles dois vão ter, inevitavelmente, que acabar nos braços um do outro. A "Teoria de Tudo" começa de forma doce, muito doce. No entanto, por ser o retrato de alguém cuja condição física conhecemos tão bem - o Stephen Hawking - é impossível saborear na plenitude aquele início de doçura. Passei os primeiros trinta minutos do filme com um nó na garganta por antecipação do pior, que sabia que estava para vir a qualquer momento. Foi em vão: mesmo o pior do filme nunca chega a ser tão amargo como imaginava. Porque Stephen parece estar sempre noutra dimensão, acima de tudo, numa dimensão em que as limitações humanas não são obstáculo para nada. E porque a mulher, Jane, parece sempre ter uma determinação, força e caráter tais que nada nem ninguém a poderá deter. Só mesmo Stephen, mas isso é outra história. E mesmo quando Stephen toma "a" decisão, já quase no final do filme (é ver para perceber), Jane reage com dignidade.

Jane é a mulher que qualquer homem podia desejar (ou não fosse o filme inspirado no livro autobiográfico da mesma). Stephen é a mente que todos admiram. É caótico, desorganizado, mas brilhante, e isso atrai todos para junto de si. O filme é uma história de amor. Mas uma história de amor de Jane por ele. Uma história de amor sobre a forma como Jane abdicou de tudo para o ajudar a dedicar-se a desenvolver uma teoria sobre aquilo que ele menos tinha: Tempo. Mas o Tempo é assim, imprevisível, e os dois anos iniciais prometidos de vida a dois tornaram-se mais de vinte. O Tempo é imprevisível e os dois multiplicaram os dois anos e multiplicaram-se a si também. Até já não serem dois, mas quatro. E depois cinco. O filme é uma história de amor. E mesmo quando deixa de o ser, o amor está sempre lá. Mesmo quando mais alguém entra na equação, o amor continua. Esperava que o filme fosse essencialmente sobre o Stephen e a sua obra, sobre as suas teorias, sobre as suas ideias. É essencialmente sobre a sua vida a dois. Mas pela forma brilhante como o Stephen é retratado (o ator é simplesmente genial), e pela possibilidade de conhecermos melhor o seu percurso, já vale a pena. É a minha teoria. Não é sobre tudo, mas é sobre o filme.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Começou a maratona dos Óscares

Depois do "Boyhood", foi a vez de vermos o "Birdman". Dois filmes totalmente diferentes, mas dois filmes igualmente originais na forma de narrar a história. Um filme sobre a família e os dramas familiares, o outro filme mais centrado numa única personagem e nos seus fantasmas. Um filme que dura doze anos reais. O outro filme que dura mais que 90 minutos, mas em que o cenário nunca se move. Ambos os filmes a partirem de ideias brilhantes. Ambos a conseguirem despertar em mim uma vontade enorme de regressar ao cinema. No entanto, se, quanto ao primeiro, achei que houve uma ótima ideia totalmente desperdiçada (e eu adorava o Linklater, por isso, ainda mais desiludida fiquei!) que resultou num filme pretensioso e sem história ou profundidade, no segundo caso, a concretização conseguiu encher-me as medidas. Fui a única dos dois: ele adormeceu a meio, devo dizer. Mas eu senti que estava realmente a viver um momento único de cinema. Adorei a prestação do Michael Keaton, num registo completamente louco e com uma entrega total ao papel. Adorei o papel do Edward Norton também num registo mais decadente (se bem que aqueles abdominais não estavam nada decadentes, não...). Achei sobrevalorizada a nomeação da Emma Stone. Adorei o pormenor do baterista, sempre a tocar, até se confundir com o próprio filme, a dada altura. O efeito visual impactante das asas. O cenário, sempre em rotação. A parte do Riggan, personagem interpretada pelo Michael Keaton, a passear no meio da multidão. E o fim. Já não via um fim tão original há muito. Que belo fim! Lembrei-me dos tempos do Magnólia, em que se faziam filmes loucos que nos marcavam. Este marcou certamente. Se é um filme de que toda a gente vai gostar? Não sei. Pela minha amostra, diria que a probabilidade de gostarem é apenas de 50%. Mas serão uns 50% que irão sair do cinema intrigados, a pensar no filme e com vontade de falar nele. Como eu. Serão uns 50% felizes.