sexta-feira, 27 de maio de 2016

Acabou-se o que era doce

Terminou a minha licença de maternidade. Sim, já sei que vão dizer que podia ter 4 meses, ou 5 ou 6, mas não - foram mesmo 3 (rápidos) meses de licença e que já chegaram ao fim. Voltei ao trabalho. E posso dizer que há coisas que não melhoram com o tempo. Se custou imenso voltar ao trabalho depois da primeira licença, desta vez custou da mesma (dolorosa) forma. Desta vez ainda tentei atenuar o sofrimento da véspera com uma ida ao cabeleireiro para retocar as nuances, uma ida à manicura para arranjar as unhas e até uma corridinha fiz para ver se espairecia. Nada resultou. Pior: estava no cabeleireiro e, de cada vez que me perguntavam pelos meus filhos, tinha vontade de chorar. Não sei explicar o que aconteceu, mas passei o último dia de licença numa angústia terrível, uma tristeza claustrofóbica que me fazia quase ficar sem ar. Uma descrição algo dramática, eu sei, mas foi neste estado que passei o dia. O que foi mais estúpido é que o primeiro dia de regresso ao trabalho nem custou muito, afinal. Foi sofrimento em vão. Foi assim que constatei algo de que já me vinha apercebendo há algum tempo: gosto realmente daquilo que faço e gosto das pessoas com que trabalho. Quando assim é tudo acaba por ser mais suportável. Por isso, deixar o meu bebé em casa doeu na mesma. Claro que doeu. É tão pequenino e frágil, não devia ser suposto deixá-lo já com outra pessoa, certo? Mas a ter que sair de casa já, que seja para trabalhar onde trabalho. Pelo menos passo o dia ocupada a fazer algo que me preenche e me faz sentir realizada.

Entretanto, o que sei que também vai custar bastante é manter o trabalho e, em simultâneo, a amamentação exclusiva. Só que sou teimosa e meti na cabeça que filhos meus não provam outro leite até aos 6 meses que não o meu. Se a Organização Mundial de Saúde aconselha, eu sigo cegamente a recomendação, custe o que custar (e custa!). Mamãs que já passaram por isto sabem o que significa, não sabem?

Para os outros, deixem-me só dizer que, se são esquisitinhos, não leiam as próximas linhas. Se continuam a ler, estão a fazê-lo por vossa conta e risco, ok? Eu avisei. Vêm aí revelações nojentas....

Ainda estão a ler? Ok, então vamos lá, corajosos. É que trabalhar e amamentar um bebé em exclusivo significa toda uma confusão de coisas como:
- mamas a rebentar (e a doer!!) quando chega a hora em que o bebé devia mamar,
- máquina de tirar leite (pior máquina de sempre - parecemos vacas, é triste),
- leite nosso num biberão dentro do frigorífico ao lado do queijo e da manteiga (é um pouco estranho pensar nisso, mais vale nem pensar),
- telefonemas constantes a pedirem-nos para irmos embora porque o bebé não para de chorar...
- e ainda, qual cerejinha em cima do bolo, roupas molhadas com leite que nos começa a saltar das mamas.

Eu avisei que era nojento. Mas pronto, sou teimosa, por isso, vou passar os próximos 3 meses assim, entre a alegria de trabalhar, as saudades dos bebés e esta soma de confusões que acabei de descrever. Se continuarem por aqui, vão poder acompanhar estas peripécias... ;)

Se ele consegue...

É fácil refugiarmo-nos em desculpas. "Não consigo emagrecer, tenho muito apetite!". "Não consigo acordar cedo, sou noctívaga". "Não consigo ir ao ginásio hoje, estou cansada". "Não consigo.....!" É fácil encontrar justificações para aquilo que não temos força de vontade de fazer. Quem não o faz? Até que, depois... Depois vemos que um surdo ganhou a 22a temporada do "Dancing with the stars" e ficamos envergonhadas e com vontade de deitar todas as desculpas para o lixo.

O Nyle DiMarco veio fazer muita gente repensar sobre as suas próprias limitações, acredito. Eu já gostava dele de o ver no "America's next top model", o meu guilty pleasure de final do dia. Gostava que, ao longo de todo o programa, apenas sobressaíssem as suas qualidades como modelo (e que homem, meu Deus) e não o facto de ser surdo. Gostava do seu ar de "homem", com pelos no peito e barba por fazer, em total contracorrente com os homens depilados e oleados que abundam no mundo da moda. Gostava tanto que, mesmo depois do programa terminar, fui seguindo com curiosidade o percurso dele no instagram. Por isso, foi com expectativa que comecei a seguir também as suas participações no "Dancing with the stars". Como é que iria um surdo sentir o ritmo das músicas e acompanhar o tempo das coreografias? Como é que iria alguém que nunca ouviu um único som em toda a sua vida, vibrar e fazer vibrar? Impossível ir muito longe no programa, pensei no início. Até que, afinal, foi passando e passando, e passando e passando, enquanto outros iam sendo eliminados. E provou-nos que, com esforço e dedicação, até uma música se dança mesmo sem a ouvir. Se ele consegue ganhar este programa, o que não se consegue fazer então...?

Podem ver a dança final aqui:


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Vou ser gorda para sempre

Ontem tive o segundo treino da semana. A dada altura do treino reparei, enquanto suava em bica e dava saltos e saltinhos, que já tinha feito mais de 60 flexões. Logo eu, que quando comecei estes treinos, há cerca de meio ano, fazia 10 flexões e morria... Senti um imenso orgulho em mim mesma. Continuei. Os treinos têm incidido essencialmente na zona abdominal (#operaçãobikini), mas não deixamos pernas e braços de fora e tem sido normal passar os dois dias seguintes com mil dores. Posso não andar a portar-me tão bem com a comida como devia (sim, continuo com os acessos de gula), mas sinto-me bem e com os músculos do corpo todos trabalhados. Os números da balança ainda estão longe dos 58 desejados, eu sei, mas não tenho feito disso obsessão.

Acabou o treino. Vim para casa. Vestia uma t-shirt em forma de "V", justa na zona do peito e larga na zona de baixa, e calças justas. Sentia-me bem, mesmo com os quilos que sei que ainda tenho a mais. Cruzei-me com uma pessoa que não via há meio ano, isto é, quando eu estava grávida. A dada altura, diz-me essa pessoa:
- Estás mais gorda!
- Estou? Pois... Fui mãe...
- É, estás mais cheiinha.
- É normal, acho eu. Da outra gravidez também fiquei, mas depois fui ao sítio. Vamos ver...
- Pois, mas agora estás mais gorda que da outra vez!

Sim, foi tal e qual isto.
Uma pessoa normal vai para casa, depois dum comentário destes, fica deprimida e faz greve de fome, certo?
Eu? Eu pensei "não posso voltar a usar t-shirts em V!", liguei o modo negação, tomei um banho e vim atacar esta caixa de macarons que o meu querido marido, chegado de Paris em trabalho, me trouxe. Eram 8. Hoje há 2.

Vou ser gorda para sempre.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Depois da mãe enlouquecer

A licença de maternidade estava a correr maravilhosamente bem. Andava cheia de energia, continuava a responder aos emails do trabalho, conseguia ler, ver televisão, retomei logo as aulas com a minha PT e sentia que ter dois filhos em casa era tão simples como ter um. Até que fiquei sem a empregada... E tudo mudou! De facto, sem aquela ajuda, a casa desmoronou e acho que estive quase a dar em maluca. Sobrevivi, mas custou um bocado a voltar a entrar no ritmo e a recuperar a energia anterior, tenho que confessar.

Entretanto, depois desta introdução, aproveito para contar que, mesmo no meio desta loucura, consegui adiantar a decoração dos quartos dos bebés, tirar uns dias de descanso pelo Alentejo, festejar o segundo aniversário da Constança e organizar o batizado do Francisco. Uf! Nos próximos dias vou partilhando mais pormenores de tudo e do dia de batizado! Espero poder ajudar quem está também a organizar festas para os mais novos. Até já!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Quando a mãe enlouquece

Há dias em que é extremamente fácil. Todos os passos são tão simples como respirar e não custa nada. Acordar. Dar de mamar. Tomar banho. Vestir-me. Tomar o pequeno-almoço. Às vezes saltar o banho e ir de pijama para a cozinha. Ver um bocado de televisão. Espreitar o Facebook e o Instagram. Ler alguns artigos. Dar o leite à Constança. Dar-lhe banho. Por-lhe creme. Vesti-la. Secar-lhe o cabelo. Arrumar os quartos. Preparar a casa-de-banho e a banheira para o banho do bebé. Dar-lhe banho. Tentar salvá-lo das investidas da Constança, que quer brincar com ele e enfiar-se na banheira. Ou atirar-lhe os patos de borracha para a água. Secá-lo. Por-lhe creme. Vesti-lo. Arrumar a casa-de-banho. Quando a empregada está, posso voltar a concentrar-me nos bebés. Ligar a alguém. Ou sair de casa. Posso almoçar. As tarefas domésticas estão asseguradas e posso ser mãe, apenas. Há dias em que a licença de maternidade é uma dádiva. E ter alguém que me ajuda em casa é essencial nesta equação.

Mas há dias em que tudo é um caos. Fiquei uma semana sem empregada e terminei a sentir admiração por todas as mães a tempo inteiro, sem ajuda. Sobrevivi à experiência, mas não sei como! A dada altura, era eu a trocar uma fralda ao bebé e ele a esguichar xixi por todo o lado, a Constança a brincar com as pastilhas da máquina de lavar a loiça, a sopa ao lume a ferver e a saltar tacho fora, o bebé a chorar porque estava molhado, a Constança com uma faca na mão e demasiado perto do fogão ligado, o bebé a chorar ainda mais alto, o telefone do trabalho a tocar... Geri o caos dia após dia, sempre a tentar manter a sanidade mental, a arrumação da casa, a minha higiene e cuidados de beleza mínimos em dia, e ainda a educação da minha filha - vamos desenhar? queres ler este livro? olha este puzzle! vamos contar até 10? Mas estive perto da loucura, muito muito perto!

Em teoria é possível fazer tudo. Ficar em casa com uma filha de quase 2 anos e um recém-nascido? Canja! Cansativo é ir trabalhar! Que sorte ficar em casa, a ler, a ver televisão... Só que não!! Houve um momento em particular em que senti que estava mesmo a atingir o meu limite. Chorava o bebé. Chorava a Constança. E comecei a chorar eu também, não sei se de cansaço, se de frustração. À minha volta, roupa por passar a ferro. Loiça por lavar. O chão por aspirar. Não! Percebi que, ao lado disto, qualquer trabalho é para meninos! Sem ajuda, não conseguiria estar à altura do desafio e manter-me mentalmente sã por muito mais tempo. Adoro os meus bebés, mas o meu trabalho não é nada quando comparado com o trabalho que uma casa com duas crianças dá! Foi, por isso, uma mãe pálida, com o cabelo oleoso, olheiras até ao chão, unhas descascadas e a soluçar que chegou ao final da semana. É duro. A minha vénia a todas as mães corajosas que decidiram ser mães a tempo inteiro e conseguem desempenhar este papel de forma graciosa e tranquila. Sem enlouquecer.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Vou ter dois filhos traumatizados

Ele esforça-se. Acredito mesmo que sim. Quer ser um bom marido. Quer ser um bom pai também. E ambas as tarefas têm sido sempre bem sucedidas, verdade se diga. No entanto, no que toca a ser um pai-artista, o caso já muda de figura. Eu sabia que ele tinha um traço muito seguro e uma letra muito perfeitinha. Nos tempos em que trocávamos cartas (foram mais postais e post-its, mas "carta" é um nome mais bonito) apercebi-me que tinha uma caligrafia bonita e cuidada, sem sair da linha. E sempre gostei de o ver escrever, nem que fosse apenas a assinar o nome, com a sua caneta de estimação e ar compenetrado. Mas desconhecia até recentemente os seus (ausentes - ups!) dotes para o desenho. Pensei que cumprisse os critérios mínimos e soubesse desenhar uns meninos, um sol, cães, gatos, casas e árvores, algo simples simples e fofinho para entreter os nossos filhos e fazê-las sonhar. Sonhar com outros meninos, sonhar com um dia de sol lá fora, sonhar com cachorrinhos, sonhar com gatos, sonhar com casas brancas com chaminés e jardins cheios de árvores e flores. É para isso que servem os desenhos, não é? É por isso que desenhamos para as crianças, não é?

Só que... O quadro mágico que a Constança recebeu no natal veio mudar de forma irreversível esta imagem que tinha criado do pai a fazer desenhos fofinhos para os filhos. O quadro mágico veio mostrar-me que, se a caneta cair nas mãos erradas, podemos estar apenas a dar pesadelos às crianças. Exagero? Vou mostrar-vos exemplos que fui registando nos últimos dias. E mostro-vos essencialmente, porque quando o confrontei com a falta de jeito para o desenho e com a possibilidade de dar pesadelos aos nossos filhos, ficou indignado. Preciso mesmo das vossas opiniões para lhe mostrar que não estou sozinha, ok?

A pergunta é: Estes são ou não os desenhos para crianças mais assustadores que já viram?

"Queres um gato? Eu faço. Olha... Gostas?", ouvi-o perguntar. Só que o gato final pareceu apenas um
monstro demoníaco e sádico. Não sei se são os olhos trocados, não sei se é aquele sorriso maquiavélico,
mas isto não me digam que isto é um gato, porque não é em nenhuma parte do mundo!
"Uma menina? Vamos lá então fazer uma menina." Este diálogo deveria ter resultado numa menina querida e sorridente, mas deu neste amante de heavy metal assustador, barbudo, com ar louco e braços no ar.
Aposto que adora o satânico e faz bruxarias ao luar.
Ok, este acho que já foi para me provocar! Eu disse que a menina parecia uma hippie, com rastas e um lenço na cabeça e ele então decidiu por-lhe uma espécie de charro para me chatear ainda mais.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Compras embaraçosas #2

Vou à Bertrand. Ando curiosa a pensar em como é que aquele livro, emprestado por uma amiga há um ano, continuará. Decidi comprar a sequela. Sempre é uma maneira de ocupar o tempo que tenho passado em casa. Foi dos livros mais mal escritos que já li, uma escrita muito básica, mas...  é como a "Casa dos Segredos" ou a "Quinta" - a dada altura aquilo é tão mau que até vicia! A Bibi fala mal, o Tiago quer ver a xaroca de outra, mas damos por nós colados e a querer saber se o Kévim vai salvar a relação e se o amor vai vencer (adoro esta frase)!

Pois então estou na Bertrand. Perdi o amor ao dinheiro. Passo pela parte da Literatura Lusófona. História. Filosofia. Procuro aquela capa cinzenta. Onde estará? Literatura Estrangeira? Chamar-se-á àquilo "Literatura, aliás?... Continuo a procurar. Cruzam-se comigo dois homens de meia idade, cada um com o jornal debaixo do braço. Param em frente a uns livros de fotografia a preto e branco. Parece-me Sebastião Salgado. Têm ar culto e falam com tom de voz grave e calmo. Continuo à procura, um pouco envergonhada. Não está aqui... Será que não têm...? O funcionário vem ter comigo e interrompe a minha vergonha:
- Precisa de ajuda?
- Não, obrigada!
Prefiro procurar sozinha, a vergonha é menor. Lá o encontro. A capa está em mau estado, com ar sujo, mas não vou protestar. Não está ninguém na caixa. Encolho-me e decido fazer um sprint. Chego à caixa, atiro o livro virado para baixo e o cartão multibanco, tudo ao mesmo tempo.
- Queria pagar, por favor.
- Boa noite! É só este livro?
- Sim...
- Já conhece o nosso livro do mês?
(Começa a descrever uma história inspiradora que ainda me envergonha mais, por comparação com o que vou comprar. Ao mesmo tempo, começa a limpar o meu livro, com cuidado. Decide que tem mesmo mau aspeto e vai buscar outro livro igual, mas com a capa em melhor estado. Que azar! Havia de me sair o empregado mais simpático e competente de sempre!)
- É para oferecer?
- É, sim!, minto com todos os dentes. Ou não, porque vou oferecer a mim mesma, certo?
- Quer talão de troca?
- Obrigada!
E fico a ver o candidato a empregado do mês a limpar o livro com todo o cuidado e a embrulhá-lo, o mesmo livro que daqui a dez minutos vai estar a ser rasgado por mim em casa... Sou má pessoa, sou má pessoa... Mas que querem? A vergonha é maior que eu! E vou, assim, para casa, com a sequela do "Cinquenta Sombras de Grey", na mão, embrulhado como se fosse para oferecer a alguém.

Sou a única? Já alguém teve vergonha de comprar um livro?

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Uma questão de peso #2

Como tenho uma balança de diagnóstico corporal consigo ver (mas neste caso, preferia não conseguir!) os valores da minha desgraça. Estou à espera da avaliação física com a minha professora para medições e análise mais detalhada, mas partilho para já os números da desgraça à data:
- peso - 66 kgs
- gordura corporal - 28,4 (tenho, aproximadamente, 22 kgs de gordura, o que é nojento pensar. Mas merecido, porque andei a comer porcarias como se não houvesse amanhã. Mas há. E é um amanhã gordo.)
- água - 43,9
- índice muscular - 29,2
- massa óssea - 9,0

Vamos lá ver se consigo tornar estes números mais apresentáveis, porque isto, para já, está uma vergonha :(

Batizado - o que vestir?

Com a Constança, optámos por fazer o batizado e a festa de primeiro aniversário no mesmo dia. Como correu bem, decidimos repetir a fórmula e, em maio, batizar já o bebé e fazer também a festa de dois anos da irmã. A igreja será a mesma, o sítio será o mesmo, os convidados serão os mesmos e o catering será também, em princípio, o mesmo (estamos só a ultimar pormenores). Dizem que em equipa que ganha não se mexe, certo? Por isso, vamos levar a máxima à letra.

Enquanto vagueio pelo Pinterest a tentar inspirar-me com decoração de batizados e de festas de aniversário, mantém-se, no entanto, o problema da praxe - e o meu vestido? Comecei a pesquisar na Asos, meu site de eleição para festas (preços acessíveis e muuuuuuita variedade) e selecionei já alguns modelos. Aprovam? Qual o vosso preferido?
Com o bege nunca me comprometo. Já sei que dizem isso do preto, mas para mim não há nada
como um vestido bege - nunca cansa!
Um azul em renda, muito simples à frente, mas com um pormenor atrás engraçado.
Também gostei deste amarelo, apesar de ter vontade de arrancar aquela pequena tiara e soltar o cabelo à modelo - acho que o vestido ia ganhar logo.
Este padrão florido conquistou-me e acho que, se não o comprar para o batizado, arranjo outro pretexto para o ter. 
Este é, para já, o meu preferido. A minha dúvida é se será demasiado "noiva"! Estou a tentar agarrar-me ao facto de não ser branco, mas B.E.G.E. Assim já pode ser, não?
Este ocupa, para já, o segundo lugar no pódio. Ex aequo com o outro florido. Acho que estou numa de flores, basicamente.

sábado, 9 de abril de 2016

Compras embaraçosas

Tive a consulta pós-parto com a minha ginecologista. Basicamente, era preciso fazer o "check-up" para confirmar que estava tudo em ordem com o meu pipi e com as minhas entranhas, após mais um filho a sair dali. Cheguei a casa e comentei com o ele:

- Está tudo ótimo. Tenho é que comprar a pílula da amamentação e, entretanto, se não queremos ir para o terceiro filho (!), é obrigatório usar preservativo. Compras tu?, perguntei baixinho.
- Compro, claro. Mas não sei porque é que tens vergonha.
- Ohh... é como se tivesse uma seta neon a piscar em direção a mim e a dizer "olha o que é que eu vou fazer hoje à noite!!".
- E então? Diz lá que é um mau programa...
- Cala-te. Ninguém tem que saber.
- Não vejo mal nisso, mas eu compro, deixa estar.

E lá foi ele. Descomplexado. Desinibido. Descontraído. Confiante. Lá foi ele comprar preservativos à farmácia, sem problemas nenhuns, enquanto eu me encolhia, vermelha de vergonha, no carro, como se estivéssemos a fazer alguma coisa ilícita.

A caminho de casa, lembrei-me da lista de compras que a empregada me tinha dado.

- Espera! Para também no Pingo Doce dois minutos. Temos que comprar algumas coisas para casa.
- É urgente? Tem que ser tudo hoje?
- Pelo menos o papel higiénico tem! Está a acabar...
- Ohh então vai tu comprar.
- Qual é o mal?
- Que vergonha! Ir ao supermercado comprar só papel higiénico. Vão olhar para mim a pensar o quê? Compra tu.

E foi isto. O meu descomplexado, desinibido, descontraído, confiante homem? Deve ter ficado na farmácia...

E vocês, têm problemas a comprar alguma coisa?

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sai uma polémica fresquinha

Depois da Pépa e da história da mala da Chanel, as redes sociais, sempre sedentas de novas polémicas, encontraram estes dias mais uma vítima.

Desta vez, o alvo de todas as críticas é a Joana Vasconcelos, a artista plástica conhecida, entre outras criações sempre originais, por ter criado um candelabro com tampões higiénicos (!). Num vídeo (ver aqui) que está a ser partilhado em massa no Facebook (por mim incluída), ouve-se a artista a responder, quando lhe perguntam, no âmbito duma campanha de sensibilização para os refugiados, o que levaria numa mochila se tivesse que deixar tudo e partir para longe da guerra, que levaria "(...) o meu iPad (...), os meus óculos de sol, todas as minhas jóias (...), as lãs e a agulha para qualquer eventualidade e o meu iPhone, para comunicar com o mundo". (Nota: não há referência a tampões, mas deve tê-los usado todos no candelabro.)

Claro que está a cair-lhe tudo em cima por responder com artigos apelidados de fúteis, luxuosos e afastados da realidade. Os argumentos utilizados pelos críticos são mais que muitos. Porque é uma snob. Porque é uma ridícula que deve querer o iPhone para tirar fotos às bombas e à miséria por onde passa. Porque isto não é o centro de desemprego para se ir fazer crochê. Porque devia era ser dada como alimento aos refugiados. Porque deve achar que vai encontrar tomadas para carregar o iPad e o iPhone. Porque isto não são férias para ir de jóias e óculos de sol. Porque, porque. Ora bem....

Quando ouvi o vídeo a primeira vez confesso que também fiquei um bocadinho chocada. É simples: pensamos em refugiados e depois ouvimos falar em jóias, soa mal! Disse também para mim - "Olha que mulher fútil! Jóias e telemóvel?" Só que depois comecei a ler os comentários e, aos poucos, caí em mim. "Espera aí... estou aqui armada em boazinha e sentimental, mas se fosse eu levava o quê?". E o que é certo é que, quanto mais pensava na pergunta, mais me apercebia do difícil que era dar uma resposta. Primeiro, pensei em bens essenciais como alimentos, roupa básica e bens sentimentais, como fotografias. Mas depois...

Depois concluí, envergonhada, que quase todas as fotografias mais importantes da minha vida estão... no meu iPhone! Tal como os meus contactos pessoais e profissionais, vídeos, e-mails, as minhas notas pessoais... A minha vida está toda no meu telemóvel! E vamos ser francos: quem é que conseguiria deixar o telemóvel em casa com todo esse conteúdo quando tivesse que procurar nova casa e nova vida? Mesmo que fosse desligado, sem bateria e sem wifi ou roaming até ao destino, o que é certo é que iríamos querer levá-lo connosco! O mesmo se passa com o iPad,

Quanto às jóias... quem é que conseguia deixar para trás a aliança, o anel do pedido de casamento, a medalha com o nome do filho, o colar preferido, aquela pulseira... sei lá, é assim tão estranho querermos levar os nossos artigos mais estimados? Para além do mais, íamos deixar artigos de valor para trás porquê? Para virem outros e ficarem com eles?

E as agulhas e as malhas... Se a Joana faz disso profissão e adora o que faz, acho normalíssimo querer levar. Eu preferia levar livros ou cadernos para ir escrevendo, mas isso sou eu, que não sei fazer candelabros e outras cenas esquisitas com agulhas e malhas.

A verdade é que é fácil atacar, é fácil ir na corrente, é fácil chamar fútil ou superficial. Mas acredito que, se, em vez de criticarmos, pensarmos primeiro na nossa resposta mais sincera à mesma pergunta, acabamos a meter a viola ao saco. A conclusão a que chego é que talvez esta ação de sensibilização simplesmente não faça muito sentido...

Entretanto, por falar em polémicas, vamos lá continuar a debater as bofetadas do nosso ministro da Cultura? Qual deles?, perguntam vocês sempre pertinentes. O atual. Mas realmente parece que os ministros da Cultura do PS andam muito dados às bofetadas... #piadafacil

quarta-feira, 30 de março de 2016

Estas coisas só me acontecem a mim?

Às vezes sinto que atraio estas histórias... Juro! Aqueles momentos bizarros que vemos nas comédias de domingo à tarde e que pensamos que só acontecem nos filmes? Pois podem começar a enumerá-los e perceberão que todos esses filmes foram (infelizmente!) baseados na minha vida.

Hoje tive mais um desses momentos bizarros. Ia levar o bebé a uma consulta e, por isso, saí a correr de casa carregada com a mala dele, a minha, o ovo e ele lá dentro, as chaves de casa e as chaves do carro. Cheguei ao carro, atirei a minha mala para o banco da frente, atirei a mala dele para o banco de trás e comecei a encaixar o ovo atrás. Como estava com as chaves todas a chocalhar de forma irritante no bolso do casaco, peguei nelas e atirei-as para o banco do condutor, sem pensar. Continuei a encaixar o ovo no carro enquanto o bebé choramingava (choraminga sempre nos primeiros momentos em que fica preso no ovo) e, quando terminei a operação, fechei rapidamente a porta e dirigi-me para o lugar do condutor. Tentei abrir a porta.... só que... só que...

OH NÃO!! O carro tinha acabado de se fechar por dentro. O MEU PIOR PESADELO TINHA ACONTECIDO. Fiquei em pânico. Aquela treta de manter a calma e o sangue frio, respirar fundo e tal? Para esquecer. Olhei para dentro e vê-lo a chorar destruiu por completo qualquer tentativa de me manter tranquila. Comecei a olhar à volta à procura de um paralelo solto no chão ou algo duro capaz de partir um vidro. Nada. Onde estão os objetos cortantes quando precisamos deles? Passou um senhor. Fui a correr, sem pensar direito, a pedir-lhe ajuda para partir um vidro do carro (pensando agora à distância, talvez não tenha sido a melhor abordagem ao tema). Disse-me que tinha que ir "fazer ali uma coisa" e que já voltava (que estranho, não é?). Voltei para o carro, com os olhos cheios de lágrimas, a tremer por ver o bebé a chorar, preso dentro do carro e sem poder fazer nada. Lembrei-me que estava no carro da minha mãe e que, por isso, talvez fosse mais sensato avisá-la que ia partir o vidro da porta do carro dela. Por isso, antes de partir para a violência, liguei-lhe a contar a história, a soluçar, e fui direta ao assunto:
- Vou partir o vidro, ok? Depois pago!
- ...
- Ok?
- ... Porque é que não abres a porta com a chaves suplente? O teu pai vai agora levar-tas aí. Aguenta uns minutos...

De modo que, minutos depois, estava o carro a ser aberto com as outras chaves, sem vidros partidos, o bebé (que entretanto tinha adormecido e estava com ar tranquilo e sereno) a sair, o meu pai a piscar-me o olho, como quem diz que os pais sabem sempre resolver tudo, e eu a recompor-me do susto. Realmente concluo com tristeza que todo o sangue frio que julgava ter é coisa do passado - transformei-me naquelas pessoas que, ao mínimo susto, entram logo em colapso e deixam de raciocinar direito. E concluo que realmente os pais são sempre insuperáveis.

Ah... o outro homem a quem pedi ajuda? O mais incrível que, enquanto estava eu, chorosa, a agradecer pela enésima vez ao meu pai, passou pelo carro e abordou-nos:
- Então, menina, resolveu? Olhe que eu até despachei os meus recados para a vir ajudar!
Há esperança no mundo para todos aqueles que precisam de ajuda para partir vidros dos carros. Pelo menos isso! ;)

terça-feira, 29 de março de 2016

A minha galeria de imagens do telemóvel

Há uns anos, se alguém pegasse no meu telemóvel e começasse a ver as minhas fotografias, começava logo a ficar com os calores e a fazer de tudo para interromper o mais rápido possível aquele momento de invasão de privacidade. Eram selfies (que na altura ainda não se chamavam selfies, mas já o eram). Eram fotografias mais provocadoras a aproveitar um dia em que a auto-estima até estava mais em cima. Eram fotografias na noite. Fotografias de festas. Fotografias de momentos mais alcoolizados. Em bikini. Em lugares paradisíacos. Com amigos. Ultra-românticas. Havia de tudo, com um elemento comum: o telefone era meu, a figura central das fotografias era eu, em mim e uma poses diferentes, o que me deixava reticente a olhares estranhos.

Agora? Agora, tenho dado por mim a dar o meu telemóvel desbloqueado a qualquer pessoa com um desprendimento tal que até me assusto. A verdade é que só tenho praticamente fotografias dos bebés, de cenários familiares e/ou das minhas duas gravidezes. A maior nudez que se pode ver é a dos meus filhos. A minha maior exposição são as fotografias tiradas pela minha PT para mostrar a evolução da minha barriga flácida e da diástase abdominal. As selfies são agora da Constança, quando me apanha o telemóvel. Fotos atrevidas? Uma grávida de bikini a exibir a barriguinha também não deve contar.

Sim, neste momento iria proporcionar zero momentos de entretenimento a qualquer ladrãozeco que resolvesse roubar-me as fotografias. Neste momento, não tenho dúvidas que até os sites da Santa Casa da Misericórdia ou da StandVirtual têm conteúdos mais atrevidos e provocantes que o meu telefone.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Uma questão de peso

Apesar de ter feito exercício durante toda a gravidez (fui e estou a ser acompanhada por uma professora especializada em acompanhamento a grávidas e a recém-mamãs), a verdade é que não sou nenhuma Carolina Patrocínio e ganhei quase 14 kgs nesta gravidez. Consigo ser disciplinada no desporto, mas não sou consigo ter a mesma disciplina no que como, por isso, neste momento tenho 8 kgs (!!) que me separam do peso com que mais gosto de me ver: 58. É muito quilo para abater e muita banha da barriga para fazer desaparecer. Mas agora que a minha professora já me analisou os músculos da barriga e já adaptou os treinos abdominais à diástase de um dedo que me foi detetada, não me restam grandes desculpas para não fazer abdominais (adaptados) e queimar as gordinhas todas.

De qualquer maneira, mesmo com desporto, não sei se vou conseguir voltar a atingir aquele número. Fiquei mais pessimista depois de, há dias, estar a falar com uma amiga que também está grávida do segundo filho e que me dizia, depois de comparar muitas mães:

- Depois do segundo filho? Não tenhas ilusões! Recuperar a antiga cintura só é possível com lipoaspiração ou abdominoplastia! Podes ser disciplinada e passar fome, mas acredita que a cintura antiga não se recupera nem assim - só mesmo com cirurgia.

Fiquei com um misto de sensações: por um lado, parte de mim, a parte que devora doces todos os dias, sentiu-se derrotada - "vou ser um paralelepípedo para sempre! adeus, corpo de pera!". Se não me controlo a comer, como é que posso esperar milagres? Por outro lado, a outra parte de mim, a que adora desafios e que me fez estar a mexer o rabo menos de um mês após o parto, ficou com vontade de provar que não é bem assim - é possível recuperar-se a antiga silhueta depois do segundo filho só com exercício e boa alimentação!

Eu sei que o peso é muito relativo e que não devia estar apenas focada nos 58 kgs. Sei que o importante é sermos saudáveis e olhar mais para os índices de massa gorda e magra, por exemplo. Mas neste momento é esse objetivo que tenho em mente: 58. Porque é mais fácil focar-me num número. Sim, quero muito recuperar os 58 kgs que já tive (parece que foi noutra vida), de preferência com a cintura que tinha antes. Espero conseguir chegar lá com os exercícios que tenho feito, mas vou tentar também controlar aquilo que como. Tenho a teoria das consultas de nutrição que tenho, falta-me a força de vontade. Vou partilhando com vocês esta jornada. Sei que assumir publicamente os objetivos ajuda-nos a manter o foco, por isso, decidi hoje escrever este post, com a antecipada promessa de ir atualizando, quer consiga quer não. A vergonha na cara de não conseguir deverá dar algum incentivo extra!

Que a Força (de vontade) esteja comigo! ;)

quarta-feira, 23 de março de 2016

34!

Sábado festejei mais um aniversário. Desta vez, o estar fechada em casa há algum tempo (ou seria a ocitocina ainda a fazer efeito?) deve ter mexido com o meu cérebro, porque... pela primeira vez em muuuuitos anos, tive vontade de festejar o aniversário em casa, sem restaurantes envolvidos e sem saídas. Pior: tive vontade de me armar em doceira e experimentar receitas de bolos. Eu, que nunca fui muito de cozinha, comecei assim o meu dia de anos a abrir e a fechar o forno, a bater claras em castelo e a decorar bolos, qual Nigella Lawson (sim, em versão cheiinha, pois ainda tenho muitos kgs que ganhei na gravidez para abater - falarei sobre isso noutro post). Os meus pais ainda insistiram em trazer eles a sobremesa (compreendo-os!), mas não quis saber. Já tinha as formas, as receitas, os ingredientes preparados e até boleiras e decorações compradas... nada me iria impedir. No pior dos cenários, terminaria o meu dia a comer tudo sozinha. Terminaria o dia com mais 10 kgs, mas com a gula saciada por uns tempos.

Eram 6h da manhã quando finalmente terminei tudo e me fui deitar. No frigorífico havia gelatinas e mousse de chocolate. Nas boleiras a estrear, um bolo de côco e um de frutos vermelhos recheado. Tinham bom ar. Estariam bons? Controlei-me para não provar nada. Estava cansada, mas com a sensação de dever cumprido. A casa estava calma e silenciosa - tudo a dormir a dormir em simultâneo é cenário raro, nos últimos tempos. Lá fora, o horizonte começava a ficar mais claro. Inspirei e senti no ar algo que não sentia há muito. Seria o silêncio? A calma? Demorei um pouco, mas lá percebi o que era. Era algo ainda mais antigo... Cheirava à minha infância. Infância. Até aos meus 12, 13 anos, o dia de aniversário começava sempre com cheiro a bolos a saírem do forno, com gelatinas, mousse e mil doces espalhados pela sala. Convidava-se sempre toda a família e festejava-se em casa. Com a chegada da fase da estupidez adolescência, comecei a preferir comemorar os anos bem longe dos pais, perto dos amigos. O cheirinho a bolos fez, por isso, com que viajasse no tempo até essa altura.

Os aniversários da minha infância tinham este cheirinho a bolo a sair do forno. Tinham os avós. Bisavós. Tios. Primos. Barulho. E casa cheia. Aos 34 anos, não voltei a ter casa cheia. Mas voltei a ter por perto algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Aos 34 anos não tive uma festa de arromba. Não jantei no melhor restaurante da cidade. Festejei com olheiras. E com uns kgs a mais, pois ainda não recuperei a forma. Festejei cansada, das noites mal dormidas, a acordar de 3 em 3 horas. Mas festejei com cheirinho à minha infância. Aos 34 anos, senti-me um bocadinho a ser criança outra vez. A criança que fui. E as crianças que estão a crescer junto a mim. Estou mais velha, mas ironicamente senti-me mais jovem outra vez. Venham mais anos assim (ok, sem a parte do cansaço e dos kgs)!!

Ahh... quanto aos doces, acho que fiquei aprovada. Pelo menos ninguém se queixou nem houve relatos de indisposições.