terça-feira, 28 de julho de 2015

A Malti

No dia em que a Malti fazia 5 anos, decidi que estava na altura de a mimar. A verdade é que, desde que a Constança nasceu, a cadelinha acabou por ficar, inevitavelmente, em segundo plano. Chego a casa, no final do dia, e é com a Constança que brinco. À hora de almoço, é também com a Constança que brinco. Quando está bom tempo e estou para aí virada, ainda me aventuro a passear ambas (filha e pequena de quatro patas) no jardim, durante uns trinta minutos. Mas os velhos passeios diários com a Malti? As velhas corridas junto ao rio ou junto ao mar? Há muito que deixaram de existir e é agora a ama que a passeia. Eu continuo a adorar a Malti, claro, mas a disponibilidade com uma criança pequena em casa mudou, e isso é coisa para me ter deixado com peso na consciência há já alguns meses. No fim-de-semana passado decidi mimar a aniversariante e fomos passar o fim-de-semana fora, numa casa de turismo rural, junto do Gerês.

O fim-de-semana prometia, mas acabou mal. De sábado para domingo, durante a noite, a Malti começou a uivar e a "chorar". Pareciam dores, muitas dores. E parecia "remar" no chão, como que a tentar aliviar a dor. Tentei pegar nela e acariciar a barriga, mas nada parecia resultar. Acabámos por adormecer outra vez. No domingo acordei eu com dores de barriga e achei que teria sido algo que todos tínhamos comido ou bebido (cadela incluída). As dores passaram, a Malti não se queixou mais, esquecemos o assunto e aproveitámos o resto do dia para descansar e apanhar sol. Domingo à noite, já em casa, a Malti começou a tremer, foi contra as portas, com dificuldades a andar, desorientada e com o rabo entre as pernas, e ficámos assustados. Combinámos levá-la à veterinária na segunda logo de manhã. Só que na segunda a ama disse-me que ela estava ótima e já não tinha nada. Andava sem dificuldades, abanava a cauda, parecia igual a sempre. Não levámos à veterinária. Até que, segunda à noite, repetiu-se o cenário. Não adiámos mais e levámos à veterinária no dia seguinte. Falou-se em "leishmaniose" como principal suspeita. A Malti ficou internada para observação, a soro. Os sinais estavam estáveis. Passámos a semana assim: no final do dia, eu ia buscá-la e trazia-a para casa. De manhã, ia levá-la outra vez. O teste da leishmaniose deu positivo, mas pediu-se uma contra-análise para confirmar, porque os exames renais não deram os valores que seriam esperados no panorama da doença.

Nós tínhamos marcado férias no Algarve a partir deste sábado e, com o aproximar do dia, sabíamos que tínhamos que tomar decisões. Como a cadelinha parecia estável, optámos por deixá-la com os meus pais, que se comprometeram a vigiá-la e a reportar à veterinária qualquer sinal anormal. Viemos embora para o Algarve otimistas, mas saudosos. O problema foi que domingo a Malti teve convulsões. Três convulsões seguidas. Os meus pais levaram-na a todo o gás para a veterinária novamente. Inchaço anormal no cérebro. Líquido em excesso. Tiveram que a anestesiar. Retirar líquido para análise. Colocá-la com baixa atividade cerebral para acalmar.
- Coma?, perguntei eu à veterinária por telefone, eu que não domino (de todo!) a linguagem médica.
- Coma induzido, sim.
E assim está a minha pequenina de quatro patas, enquanto eu estou longe.
Fizeram um TAC e afastaram a possibilidade de ser um tumor cerebral. Mas continuamos sem saber o que se passa. E continuamos com o coração nas mãos há dois dias. Não sabemos se terá sido mordida por algum mosquito na zona do Gerês. Em princípio será algo infeccioso, mas eu, leiga na matéria, só queria perceber se há possibilidade de tudo se resolver e voltar ao que era...

A Malti fez 5 anos e eu tinha imaginado que a minha filha cresceria com ela, e que seriam as melhores amigas nos próximos anos. Vou tentar manter-me otimista, mas, até lá, peço a quem perceber um pouco do assunto que partilhe opiniões ou testemunhos. Obrigada!

domingo, 26 de julho de 2015

Manual para ultrapassar as saudades

Há uns dias, recebi um e-mail duma leitora muito querida que me contou a sua história de amor e pedia-me conselhos, pois sabia que eu tinha também passado por algo muito semelhante. Dizia-me ela "sei que também teve durante algum tempo uma relação à distância (...) claro que queria muito viver com ele e ter uma família...Sinto-me sozinha, principalmente ao fim-de-semana... há dias que não consigo mesmo controlar as saudades e discuto com ele...Tens algum conselho a dar-me? (...)".

Relações à distância. Saudades... Como sobreviver? Como fazer com que resulte? Li o e-mail. E identifiquei-me logo, era impossível não identificar. A sensação de nos sentirmos sozinhas, mesmo sabendo que temos alguém era-me tão familiar... Comecei logo logo a responder. A explicar que me revia na história. A explicar que já tinha passado pelo mesmo. A explicar como tinha ultrapassado. A dar mil conselhos. E mais mil conselhos. Até que, perto do final do e-mail, suspirei... reli o que tinha escrito e apaguei tudo, sem olhar mais para trás. Quem queria eu enganar? Já passei pelo mesmo. Mas é mesmo verdade que ultrapassei? Estou viva para contar a história, mas só isso. Não tenho mérito nenhum. Não ultrapassei nada. Não me tornei perita no tema. Sou só uma sobrevivente, mas não um exemplo a seguir. O que aconteceu comigo foi a aplicação duma regra muito simples chamada "tempo". O "tempo" passou. E cheguei até aqui para contar a história. Dizem que o tempo cura tudo, mas não acredito. O tempo passa sempre, mais rápida ou lentamente, e torna tudo mais distante. Só isso. Se pensar nas saudades que senti, continuo a sentir hoje o mesmo aperto no coração. Esse aperto forte e detestável, essa dorzinha que não passa chamada saudades.

Mas há afinal um manual para relações à distância? Há um manual para lidar com as saudades? Não há. O amor pode viver-se nas palavras que se trocam, nas memórias e no carinho, mas o amor precisa de toque, alimenta-se da presença do outro. Gostar é precisar de tocar na outra pessoa. É precisar de a olhar. Horas a fio, se for preciso, até todos os traços ficarem guardados com exatidão na nossa memória. Gostar é precisar de treinar constantemente todos os sentidos. E felizes os que conseguem gostar à distância e sentir-se preenchidos na mesma. Mas eu não faço parte desse leque de felizardos. O tempo que passei com saudades foi um tempo de vazio constante. E por muito que tentasse preencher esse vazio com telefonemas, mensagens, e com planos para o futuro, nunca deixava de me sentir incompleta. Por muito que me ocupasse com tudo e mais alguma coisa (e muito me tentava ocupar!), fosse trabalho, fossem filmes, livros, música, desporto, por muito que estivesse com amigos, faltava sempre aquela pessoa. Não sei lidar com saudades. Se gosto da pessoa, não quero viver a vida privada da minha presença preferida.

Manual para lidar com saudades? Seria um manual de matança. Porque as saudades devem ser mortas. Uma a uma. Um casal pode viver afastado, mas tem que ter um plano que o ajude a suportar a distância e a controlar as saudades. Fins-de-semana a dois. Objetivos a curto e médio prazo. Saber que se controla o futuro, seja de que maneira for. No nosso caso, tínhamos delineado que, ao fim de "x" tempo, um de nós tinha que ceder e ir viver com o outro. Felizmente, o destino esteve do nosso lado e, a meio da minha licença de maternidade, sorriu-nos. Foi dos melhores telefonemas da minha vida. Porque nos juntou outra vez.

Não sei lidar com as saudades. A distância doí-me fisicamente. Não sei lidar com a necessidade de querer ver a pessoa e não poder. E não me peçam promessas. "Prometes que pensas em mim todos os dias?". Estas promessas são seguidas por mim demasiado bem. Não penso todos os dias. Se gosto mesmo, penso todas as horas. Não me dediquem músicas. Se gostar, quero dançar cada música a dois. A única coisa que gosto nas saudades é a contagem decrescente. A única coisa que gosto nas saudades é da sua matança. Nua e crua. A matar as saudades sou rainha. A vivê-las, sou a pior pessoa. Por isso, querida leitora, só posso dar esse conselho: viva da melhor forma possível a contagem decrescente. Ocupe-se da forma mais divertida que conseguir. Façam planos para o futuro que a tranquilize e faça sonhar com uma vida a dois, mais cedo ou mais tarde. E mate as saudades em grande, sempre que puder.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sou só eu que já não consigo ler o nome "Sara Carbonero"?

Ai a Sara Carbonero não quer mudar-se para o Porto.
Ai a Sara Carbonero prefere Madrid.
Ai a Sara Carbonero disse isto.
Ai a Sara Carbonero disse aquilo.
Ai temos que mostrar à Sara Carbonero o valor do Porto.
Ai temos que mostrar à Sara Carbonero que o Porto é que é.

Mas quem é a Sara Carbonero neste mundo? Falo a sério. O que nos interessa a opinião dela? É alguém cujas opiniões sejam relevantes para os portuenses ou para o resto do país? Não me levem a mal: a jornalista até pode ser alguém com um Q.I. muito acima da média, viajada, inteligentíssima e culta, com gostos requintados e apurados, mas até hoje nunca a ouvi dizer nada que me parecesse relevante, por isso, é-me totalmente indiferente que goste ou não do Porto.

Além disso, todos sabemos que o Porto esteve, até muito recentemente, envolto em mitos vários, como por exemplo: é uma cidade cinzenta, velha, degradada, em que só se fala do FCPorto, está sempre mau tempo, as pessoas comem francesinhas todos os dias ao almoço, que intercalam com tripas ao jantar, falam à "Puarto", com palavrões, vivem todas na Ribeira e são comandadas pelo Pinto da Costa. Mas não. O Porto tem conseguido revelar, nos últimos tempos, que é muito, muito mais. E tenho a certeza que todos estes mitos têm vindo a ser desfeitos e a imagem que passa lá para fora está, lentamente, a mudar.

O Porto é luz, é rio e mar, o Porto é, como canta o Rui Veloso, "da Ribeira até à Foz", é gente nova e empreendedora que enche as ruas cheias de História com futuro e planos, o Porto são as fachadas que ganham vida nova de dia para dia, o Porto é a Universidade e os seus estudantes, não é a Sara Carbonero, porque para cada Sara, há mais de dois milhões de apaixonados pela cidade. E eu, não tendo nascido no Porto, faço parte deste número.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Isto de ser adulta

Há dias, alguém me dizia  "não falei logo contigo para jogar padel, porque imaginei que, agora com uma filha, não pudesses fazer programas à noite". E não me importei nem pensei mais nisso (até hoje), porque a pessoa em questão não tem filhos e podia estar a dramatizar um pouco o que é isto de ter uma filha.

No último casamento que tive, comentava uma amiga minha (solteira) comigo: "agora não vos convido para jantar, porque imagino que tenham mais que fazer". Dei-lhe um raspanete pelo comentário e expliquei que continuávamos sempre disponíveis (e cheios de vontade!) para jantares e programas giros. Não pensei também mais no comentário (até hoje), porque pensei que poderia apenas ser uma desculpa (esfarrapada) para a falta de iniciativa para convites.

Só que ontem foi a minha própria mãe a dar a "facada" fatal e a atirar a gota que fez transbordar o copo. Comentava eu que andava com menos tempo para ir ao ginásio, quando a minha mãe respondeu, sem hesitar: "mas tu achas que eu conseguia ir ao ginásio contigo e com a tua irmã em casa? é normal, agora não tens tempo. és adulta". E fiquei a matutar naquilo. E a matutar. E a matutar.

Mas desde quando é que ser mãe implica que temos que "ser adultos" e abdicar de tudo o que nos faz feliz: jantares, ginásios, jogos com os amigos...? Faz tudo parte do pack "ser adulto responsável e caseiro"? Não, não me posso identificar com este estilo de vida. Adoro ser mãe. Não consigo estar um dia sem ver a minha filha. Morro de saudades se não a vejo à hora de almoço, por exemplo (sim, continuo a ir quase sempre a casa almoçar, só para a ver!). Mas nunca me pareceu incompatível o ser mãe com o ir correr no final do dia. Ou ir jantar com os amigos (e levá-la quase sempre connosco, se o sítio propicia - por que não?). Serei menos adulta por isso?

A verdade é que me sinto quase sempre uma criança numa pele de adulta. E posso receber um salário no final do mês. Posso pagar as contas da água e da luz. Posso até pagar à empregada. Levar a filha ao pediatra. Verificar se as vacinas estão em dia. Entregar a Declaração de IRS. Fazer contas. Levar o carro a lavar. Discutir poupanças e reformas. Mas, quando dá aquela música que gosto, continuo a querer dançar e fingir que toco guitarra sem pensar em mais nada. Continuo a gostar de devorar pacotes de bolachas no sofá, enquanto vejo algo lamechas. Continuo a gostar de cantar no chuveiro. Continuo a sentir o apelo, quando toco com os pés na areia molhada, para fazer a roda ou pino. Continuo a sentir vontade de pedir algodão doce nas feiras populares. Continuo a querer ir a festivais de música. Continuo a acreditar que ainda vou voltar a ter aulas de piano. Continuo a ver um baloiço e a ter andar. Continuo a ver Legos e a não resistir a criar logo alguma figura. Continuo a gostar de desenhar. Às tantas, um dia destes, tudo isto se vai tornar ridículo e nem me vou aperceber. Vou tornar-me uma velha sem noção da idade, a fazer figuras tristes que embaraçam o resto da família. Talvez. Mas enquanto a pele de adulta me estiver demasiado larga para a vestir, vou continuar a ser mãe e ser mulher da forma que sei fazer melhor. E da forma que me faz feliz. É única forma que sei ser.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Descobri que nunca tive saudades TUAS

Quem me lê há algum tempo, sabe que sempre me assumi, sem vergonhas, uma saudosista. A saudade sempre esteve presente na minha vida, de tal forma que, muitas vezes, cheguei a acreditar que a saudade seria psicossomática, de tal forma a sentia fisicamente como um aperto na garganta. Até que hoje... Hoje descobri que, por muitas saudades que já tenha tido da praia, do mar, do arroz de lingueirão do Dona Bia, de abraços, das pipocas do Arrábidashopping, de beijos, daquelas férias, de determinados dias, e de milhares de outras coisas... nunca tive, afinal, saudades tuas. Tenho que o admitir.

Nunca tive saudades tuasAté posso ter tido saudades dos teus beijos, do teu perfume, de momentos nossos. Mas saudades tuas? Foi tudo uma ilusão. As tuas saudades sempre foram apenas... tuas. Nunca nunca foram sentidas por mim. Repito, para que percebas bem, e sem rodeios: nunca tive saudades tuas. E isso, sim, foi algo que me deixou envergonhada. Tantas mensagens a puxar à lamechice que te mandei e afinal todas eram mentira. Dará para apagar tudo?

Confusos?

Descobri hoje, a ler este texto, que a frase "tenho saudades tuas" está gramaticalmente incorreta se nos queremos referir a sentir saudades por alguém. No limite, haverá um "tenho saudades de ti". E isto, para alguém que é, em simultâneo, saudosista, romântica e amante da Língua Portuguesa, foi um verdadeiro choque. Sinto-me uma fraude. Andei a mentir - pior, andei a roubar saudades que não eram minhas! -, e a utilizar mal o português toda a minha existência.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Se eu fosse boa escritora...

... Hoje iria debruçar-me sobre este texto, de Paulo Varela Gomes.
... Iria dizer que fui invadida por sentimentos que desconhecia. Porque não é pena (também é, mas não só), não é injustiça (também é, mas não só), não é tristeza (também é, mas não só), não é admiração (também é, mas não só), não é angústia (também é, mas não só), não é inquietação (também é, mas não só), não é nada disto e é tudo junto, a moer e a remoer-me o estômago e a deixar-me desconcertada com este relato sobre a vida e a morte na luta contra a merda do cancro.

Se fosse boa escritora, conseguiria dizer tudo o que senti ao ler o texto.

...Mas hoje ser leitora basta-me.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Querido cartão de crédito

Querido cartão de crédito,

O problema não sou eu... És mesmo tu!
Então logo agora que começaram os saldos online, logo agora que tinha decidido usar e abusar de ti, decides deixar de colaborar? Sim, sim, já conheço a desculpa... Tentaram clonar-te e, por isso, tiveste que ser cancelado. Mas a desculpa não me pareceu muito convincente, sabes? Foi demasiada coincidência... Deixo-te sempre quieto no teu cantinho e estiveste sempre operacional, todo este tempo. Decides "ser clonado" exatamente no momento em que pego em ti e decido que vamos ser muito felizes juntos? Hmm... Se estavas com dúvidas já podias ter dito, querido cartão. Tiveste tanto tempo para deixar de funcionar... Tinha que ser logo na hora "H"?
Estou triste contigo, há que dizê-lo. Desapontaste-me. E agora vejo os artigos que tinha escolhido desaparecerem dos sites onde os namorava. Podias ter-me feito tão feliz, querido cartão. Mas decidiste ser somítico, não foi? Decidiste não me deixar gastar nem um centimozinho.
Vou continuar a sonhar com os saldos e esperar que cheguem às lojas. Aí, não serás tu que me irás impedir de gastar tudo o que me apetecer.
Adeus, querido cartão. Ah, vou trocar-te pelo teu irmão, o cartão de débito, já tinhas percebido?
Espero que sejas muito feliz, a envelhecer sozinho e sem uso na minha carteira. :P
Este macacão da HM (em vermelho) é um dos artigos que vai ter que esperar pelos saldos nas lojas...

terça-feira, 23 de junho de 2015

O verão de 2013

Os Rhye vão atuar amanhã cá em Portugal. E não trabalhasse eu na quinta e era menina para dar um saltinho ao concerto e ouvi-los. Cada altura da minha vida tem uma música, e junho de 2013 tem "The fall", dos Rhye, como música de fundo. É impossível dissociar os sentimentos e acontecimentos dessa altura com estas notas. Otimismo, expectativa, sonhos, projetos, alguma dúvida quanto ao futuro foram alguns desses sentimentos. Foi uma época bonita, de mudança, de meninice. E, apesar de a música ter uma letra algo triste, num tom nostálgico, de despedida, ouvi-a sempre como tendo um tom de esperança sempre presente. E a verdade é que me acompanhou na despedida da primavera e no melhor verão que tive nos últimos anos. Fica aqui o meu regresso ao verão de 2013. Um regresso muito saudoso. Para quem quiser vê-los ao vivo, é dar um saltinho amanhã ao Lux. Acredito que valha a pena.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Maria-vai-com-as-outras

Não gosto de desistir ou dizer "não". Lembro-me que o meu pai me dizia, quando era mais nova, que não podia dizer que "sim" a tudo. "Não podes ser uma Maria vai com as outras. Tens que saber dizer não". Mas eu nasci com vocação para Maria-vai-com-as-outras. E quem nasce com vocação para Maria-vai-com-as-outras dificilmente deixa de ir-com-as-outras. Está-lhe no sangue. E no meu sangue está o "sim". Para pena minha, à medida que os anos passam, cada vez há menos "outras" com quem ir. Cada vez há menos jantaradas, almoços, convites para festas, saídas, corridas, idas ao ginásio, programas vários. A Maria-vai-com-as-outras que há em mim sente-se perdida. Queria muito ir com as outras, mas não há outras para seguir. Por isso, ultimamente, convidem para o que convidarem, por muito cansada que esteja, não consigo meeeesmo dizer não. "Praia?". Mesmo com três horas de sono, vou a correr. "Almoço numa esplanada em frente ao mar"? Mesmo com vento e chuva, dores de ouvidos e uma constipação que insiste em não passar, lá vamos nós. E depois ainda há a minha voz interior, que também gosta de me lançar desafios e incitar a atividades, para preencher todo o tempo. "Trabalhar domingo de manhã para aproveitar o resto do dia?". A Maria-vai-com-as-outras corre e agarra-se logo ao computador. "Não é melhor aproveitar que estão todos a dormir e ir ao Pingo Doce fazer as compras da semana?" A Maria-vai-com-as-outras fica louca com o desafio e vai também. Nem que tenha que carregar quilos até ao carro que não foram feitos para serem carregados por uma só pessoa. "E se agora fosses ao ginásio? Aproveita o tempo". "E que tal agora arrumares toda a roupa de inverno? E arrumares os armários todos da roupa?" Sim. Sim. Sim. "Alinhas numa partida de padel?" Sim. Sempre sim. Não sei dizer não.

Até que ouvi um "estás mesmo exausta, não estás?". "Exausta? Estou ótima". "Não estás. Estás exausta. Não dormes. Trabalhas demais. Não descansas..." E percebi, a olhar ao espelho e ao ver-me com os olhos de outra pessoa, que estava, sim. Ando exausta. O querer fazer tudo deixou-me exausta. E faço tudo, mas faço tudo cansada, sem brilho e a meio-gás. O que é o mesmo que não fazer nada, certo? Por isso, escrevo isto talvez mais para mim que para vocês. Escrevo isto talvez para me obrigar, lendo o que escrevi, que tenho que saber dizer não. Tenho que saber, acima de tudo, dizer não a mim mesma. Deixar o computador no escritório e não o levar para casa, para sessões noturnas de mais trabalho. Não trabalhar aos fins-de-semana. E deixar que a Maria-vai-com-as-outras se concentre em programas mais divertidos que o trabalho. Praia, sim. Almoços, sim. Desporto, sim. Não dormir e só trabalhar, não. Sob pena de ficar "chéché" um dia destes...

sábado, 13 de junho de 2015

O poder das críticas

Críticos. Todos nós somos bons críticos. Mas críticos de sofá. Quantos de nós não abrimos uma revista e dizemos mal da roupa desta, dos braços daquela ou da forma como aquele respondeu àquela pergunta? Quantos de nós não criticamos as mamas daquela, a gravata do outro ou a voz histérica desta, quando vemos um programa? No sofá, no conforto da casa, todos somos críticos. Todos temos opiniões fortes, espírito atento e não temos papas na língua. Difícil mesmo é encontrar alguém que saiba ser crítico... mas ao vivo, a cores e em frente ao visado. É preciso uma boa dose de ousadia. Ou amizade. Elogio todos sabem dar. Dizer olhos nos olhos "esses óculos ficam-te mal". Ou "estás mais gorda". Ou até "tens as pernas tortas". Isto é o difícil. É uma arte que poucos dominam. E à qual cada vez dou mais valor. Crescemos a ser elogiados por todos que nos rodeiam. É isso dá-nos confiança e motivação. Mas acredito que são as críticas (e não os elogios, por muito poderosos que sejam) que nos fazem crescer.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Guerra dos sofás

Esta temporada da Guerra dos Tronos está novamente a terminar. E eu já estou a ficar tão deprimida só de pensar que vou ficar novamente órfã de série durante meses, que já comecei a ver tudo o que passa na televisão, na tentativa (vã?) de me agarrar a alguma série com a mesma paixão. Ele é Ídolos, ele é America's Next Top Model, ele é Achas que Sabes Dançar, ele é Uma Família Muito Moderna,... tudo que está a passar é motivo para aumentar o som e soltar um "ora deixa lá ver se isto me desperta o interesse". E até aguento bem qualquer um destes episódios, mas... paixão mesmo... paixão propriamente dita? Nunca mais senti. Desligo a televisão e não fico a pensar no que vai acontecer. Não crio teorias sobre o futuro*. Não tenho vontade de discutir o episódio com ninguém. Não sinto saudades. Não me emociono ou indigno. A paixão não se consegue impor, certo? Ou há ou não há. E posso acabar por partilhar o sofá com estas séries, mas continuo sempre a pensar na "tal".

(Pensando bem, deve ser assim que se sentem aqueles que querem esquecer um grande amor, como escrevia no post de ontem...)

(Por falar em teorias - SPOILER ALERT! -, acham que a princesa Shireen se safa? Eu tenho para mim que ela tem sangue de dragão e vai sobreviver.)

Manual para esquecer alguém

Como esquecer alguém por quem se está perdidamente apaixonado, mas cujo amor não tem pernas (vá lá saber-se lá porquê) para andar? Qual é a forma certa para, dum dia para o outro, deixarmos de pensar no outro de dois em dois segundos, deixarmos de sonhar com a subida ao altar, como bebés iguais a ele e com uma casa pintada de branco e cerca verde? Não há fórmulas universais nem há formas certas. O que funciona para uns, não funciona para outros, e vice-versa. De qualquer maneira, deixo a minha modesta contribuição para o tema, dividida em capítulos:

Capítulo 1. Jogos psicológicos
Há tempos dizia-me uma amiga que, quando a relação começa a correr mal, ela decide, de forma deliberada, começar a tratar mal a outra pessoa, a responder torto, a não se rir das piadas que ele faz... Torna-se a pessoa mais desagradável do mundo. Objetivo? Levá-lo a deixar de gostar dela também e, com sorte, levá-lo a ele a ganhar coragem a terminar a relação com ela. A ideia é fazer um jogo psicológico em que aquele que já não é amado é levado, sem saber, a deixar também de amar. A ideia é levar aquele com quem não temos coragem de acabar a relação, a tomar as rédeas e acabar ele connosco. Não exige depois grande esforço a esquecer a pessoa, porque já não gostamos assim muito. Além disso, o esforço acaba por ser quase todo da outra pessoa.
Capítulo 2. Jogos da fome.
Jogos da fome? Sim, esta é a forma mais drástica de se esquecer alguém: "basta" deixar de ter contacto com a pessoa de quem gostamos, até a termos afastado tanto da nossa vida que a conseguimos finalmente esquecer. Quem utiliza esta forma, apaga o contacto no Facebook, apaga o número de telemóvel, deita fora todas as fotografias e presentes, rasga bilhetes de amor e até lava toda a roupa que já tocou na pessoa amada, não vá ter ficado algum resquício do perfume. Só que esta forma é também a mais dura. Passar do 8 para o 80 exige muita coragem (e eu diria também um pouco de loucura) e determinação. Tenho para mim que apenas 10% das pessoas consegue levar este esquema avante, sem vacilar. Mas talvez resulte... Quem sabe?...
Capítulo 3. Jogos dos defeitos.
Esta tática passa por tentar reconstruir toda a história de amor vivida, mas agora vendo apenas os defeitos. "Realmente ele não era assim tão bom na cama... Aquele movimento de língua parecia uma máquina de lavar roupa avariada". Não é exercício fácil, mas é muitas vezes usado para esquecer alguém que ainda está muito presente na memória. Eu própria admito que já o usei quando acabei um namoro. Não resultou. Quanto mais tentava colocar-lhe defeitos, mais me lembrava das qualidades. Quanto mais tentava pensar nos momentos maus, mais me lembrava dos bons. Tivemos umas recaídas, portanto, até acabarmos de vez.
Capítulo 4. Jogos da cama.
Depois disto tudo, temos uma das formas mais clássicas: procurar rapidamente o amor em tudo o que mexe, para ajudar a esquecer o amor que está ainda tão fresco. Pessoas que decidem ir para a noite, conhecer gente nova, ter uns casos de uma noite... Quem sabe um novo amor aparece rapidamente! Para estes há agora o Tinder, essa aplicação que, pelo que oiço, imagino que ajude muitos corações despedaçados...
Capítulo 5. Jogos do tempo
O tempo, esse sábio conselheiro. O tempo, que tudo cura. A técnica do tempo implica solidão. Implica choro. Implica noites mal dormidas. Implica alguns amigos que se afastam, porque já não conseguem aturar mais o amigo deprimido. Mas esta técnica tem a vantagem de ser, por norma, a mais definitiva. Coração que, com o todo o tempo, sara, é amor que dificilmente volta. Um coração sarado é um coração que aprendeu e não voltar ao mesmo. O tempo tudo cura. E o jogo do tempo costuma ser uma aposta vencedora, mesmo que lenta.

E vocês, que técnicas já usaram para esquecer alguém? Que técnicas aconselham?

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Um dia perfeito

Já é junho. Sei que não estou a contar nenhuma novidade a ninguém, mas tenho que repetir isto para mim mesma: já é junho. Já estamos a meio do ano e eu sinto que a passagem de ano foi ontem. Sem exageros! Sinto que ainda não fiz nada, que andei a correr desde que o ano começou e que, à exceção da semana de férias em Cabo Verde, ainda não parei para respirar. E odeio sentir isto.

Sei que, por regra, os balanços se fazem apenas no final do ano, mas já estamos a meio do ano e hoje quis fazer um pequeno balanço. Livros lidos? Séries vistas? Filmes devorados? Sítios novos? Tempo de qualidade? A verdade é que tem havido pouco de tudo, na azáfama das nove às nove, cinco dias por semana. É junho. E hoje acordei a sonhar com um dia perfeito. Preciso dum dia perfeito. Para parar, respirar fundo e retomar os dias normais. Preciso muito dum dia perfeito. E o que tem um dia perfeito, perguntam vocês? Tem calma. Sol. Não tem horários. E tem muitos sorrisos. Um dia perfeito é um dia simples. Tão simples que devia ser obrigatório ter dias perfeitos mais vezes.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

E o que têm a dizer sobre os caracóis?

O que têm a dizer sobre a notícia que dá nota de uma campanha de sensibilização contra o uso e exploração de caracóis? (Podem ver aqui e aqui)

Eu estou indignada e proponho que nos reunamos todos para uma mariscada, para debatermos tão desumana prática!

Não mintam sobre festivais

A propósito do NOS Primavera Sound e dos mil festivais de verão, mostraram-me há pouco este vídeo e, apesar de não adoraaar o Salvador Martinha (acho que tenho que ouvir mais coisas dele para me habituar ao sentido do humor), achei um piadão. A verdade é que, nesta altura de festivais, vê-se tanta gente a falar de forma tão entusiasta de música e de bandas de quem nunca tinha ouvido falar, que já tinha pensado muitas vezes nisto: quantos destes entusiastas não iriam na mesma aos festivais mesmo que não conhecessem nenhuma banda? Quantos destes não iriam na mesma, mesmo que estivesse alguém a tocar ferrinhos em cima do palco todos os dias, só mesmo pelo "cool" que é ir a festivais, estar com os amigos e beber umas cervejas sentados na relva?

Aqui está o vídeo: