sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

O Linkedin é o novo Hi5

Tenho uma dúvida (além de saber como é que consigo por a louca da minha filha a dormir antes das 4h da manhã, mas não vos quero maçar mais com isso): quando é que o Linkedin se tornou no novo Hi5? Sim, Hi5. É que nem se tornou Facebook, tornou-se mesmo no velhinho e nostálgico Hi5!

Passo a explicar: primeiro, é possível, no Linkedin, ver quem andou a espreitar o nosso perfil. Lembram-se de essa funcionalidade existir no Hi5? Íamos "cuscar" alguém, essa pessoa sabia que tinha sido "cuscada" e, às vezes, até era assim que começava uma bela história de amor. Ou apenas um engate. Mas começava qualquer coisa. Pois no Linkedin também é possível saber quem nos foi sorrateiramente ver. Mais: não só é possível saber quem nos viu, como essa informação é-nos impingida via email. Semanal ou bissemanalmente recebemos algo do estilo: "Olá! Estas são as pessoas que te andaram a espreitar esta semana" e o email é ilustrado com os sorridentes e sorrateiros curiosos. Assim, ficamos a saber que a namorada do teu ex está muito preocupada com o teu percurso profissional; ficamos a saber que aquele teu colega do 6.º ano, que pouco falava nas aulas, ainda se lembra de ti; ficamos a saber que os jogadores de futebol de determinado clube se preocupam também em expandir a sua rede de contactos profissionais; e ficamos também a saber que o carteiro que te costuma dar os avisos de receção para assinar também andou à tua procura (sim, leram bem). Isto é ou não é igualzinho ao que tínhamos no defunto (a Internet o tenha em paz!) Hi5?

Em segundo lugar, há o tema "definições de privacidade", que muito deixam a desejar, tal como no longínquo Hi5. Aqui, toda a gente pode ver toda a gente e ficar a saber, basicamente, o que toda a gente andou a fazer desde que nasceu, desde qual foi a creche, qual foi o infantário, se tocou violino ou ferrinhos, se fala Mandarim ou Russo, se domina o Excel ou o PowerPoint,... No fundo, é até um Hi5 mais requintado, em que, em vez das músicas ou dos filmes preferidos, se apresentam os mais variados "skills" (sim, sempre em inglês) numa espécie de Cinderella moderna, que já não se limita a limpar o chão e a passar a ferro - também faz o curso de formação para formadores à noite.

Por fim, outra funcionalidade do Linkedin que parece trazer de volta o Hi5 são as mensagens e até os "gostos" - "o não-sei-das-quantas-que-nunca-te-viu-mais-gorda-mas-que-é-teu-contacto-no-Linkedin gostou que tivesses celebrado 5 anos no teu emprego!". O Hi5 era uma introdução ao engate virtual, digamos assim. Pela primeira vez, homens e mulheres eram colocados em frente a um computador e podiam ver fotografias públicas uns dos outros, escrever no mural uns dos outros, etc. Como introdução ao engate que era, a coisa acabou a descontrolar-se um bocado, tornando-se praticamente um safari virtual, onde se tentava caçar a melhor presa ou ser caçado. Depois veio o mais contido Facebook, que, de certa forma, se situa no nível intermédio de engate virtual, e o safari foi controlado. Agora o Linkedin parece-me a mim que também peca por ser a primeira rede social profissional. Mais uma vez, estamos ainda no nível de introdução ao "networking", pelo que as coisas começam novamente a descontrolar-se. Primeiro, só se adicionavam pessoas da mesma área profissional. Depois, começou a adicionar-se um pouco de tudo e a mandar-se mensagem privada a disponibilizar os serviços (profissionais, claro). Ao mesmo tempo, os recrutadores estão por todo o lado e são mais que as mães, sempre a mandar mensagens e a pedir o número de telefone "para conversar sobre uma nova oportunidade profissional". Sim, o Linkedin está a tornar-se o novo safari virtual: nalguns casos, a caça até é realmente pelo melhor profissional (e, nesse aspeto, bendito seja, tem realmente esse mérito!), mas noutros casos, a verdade é que a profissão já se tornou completamente secundária ou, pelo menos, apenas serve para conferir algum "pedigree" à presa.

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

E a loucura continua

Esta noite tudo se repetiu: os gritinhos, os risos, os pontapés no ar, o contorcer-se toda, o choro depois,... Até quase às cinco da manhã. Eu estava desesperada e fiz tudo o que vem nos manuais. Sim, fiz literalmente tudo o que vem nos manuais, porque tenho dois livros só sobre o sono dos bebés e ia lendo enquanto a tentava adormecer. Parecia tortura de sono. Lá acabou por adormecer nem sei como. Eu, algures entre as 23h e as 5h, cheguei a dar dois berros, tal era o desespero, e acabei por adormecer também exausta. Exausta como se tivesse passado um camião por cima de mim. Hoje estou com o coração na garganta, a bater loucamente, o estômago parece apertado e até tremo. É tortura. A sério. Tortura do pior que há. Por isso, se quiserem alugar uma bebé louca para enlouquecer os vossos piores inimigos, falem comigo. Podemos chegar a um acordo simpático. Entre as 23h e as 5h da manhã, é toda vossa.

Hoje de manhã, depois da noite que tivemos, dormi até ao limite do tempo, sempre a carregar no despertador para adiar. Lá saltei finalmente da cama, despachei-me o mais que pude, e saí de casa sem tomar o pequeno-almoço - algo que só faço mesmo quando estou atrasada. Passei então num cafezinho simpático onde passo às vezes, para ver se comprava uma sandes de fiambre. Fui barrada à porta:
- Saia, menina, saia.
- Desculpe?
- Menina, não pode entrar.
- Que se passa?
- Estamos a realizar um simulacro.
E é isto. Já não bastou a minha noite ser um terramoto de choros e gritos, ainda me havia de calhar o único café que conheço que faz simulacros. Às nove da manhã. Este dia só pode realmente melhorar.

quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

Saiu-me uma filha louca

A Cookie é uma bebé mesmo bonita. Pele de porcelana, que apetece tocar e fazer festinhas. Um cheirinho que apetece snifar a toda a hora. Uma boquinha que parece um coração. Uns olhos que parecem dois peixinhos rasgados, cheios de pestaninhas muito enroladas, e que são a coisa mais meiga do mundo. Um sorriso que me derrete. Desde há duas ou três semanas que diz "babá", "papá", continua sem esquecer o "ruiii" e há dias até lhe saiu um "ouáa" que tive a certeza que seria um "olá". O "mamã" está mais difícil, mas perdoo-lhe. Parece-me realmente mais difícil de pronunciar. A Cookie é uma bebé linda. Sou suspeita, sou mãe e, por muito que diga "aii, se fosse feia, admitia", continuo e continuarei a ser sempre suspeita. Eu sei. Vocês sabem. Mas a minha filha é também louca. E mesmo mãe, mesmo suspeita, sei-o e tenho que o admitir. É completamente louca. Para o bom e para o mau. Ri-se muito, pede brincadeira, tem que estar constantemente a ser estimulada com conversa, brinquedos e canções ou entedia-se facilmente e dá gritinhos. Isto de dia até engraçado. Mas quando é meia-noite... Uma da manhã... Quando são duas... Três.... É de loucos! Ontem, eram três e meia da manhã e ela continuava a rir-se, a espernear, a agarrar-me o cabelo, a contorcer-se e a tentar pôr-se a pé, com o corpo completamente duro como uma pedra. Repito: às três e meia da manhã! Desde as onze que estava assim. Estávamos a ficar loucos. Deitava-a na cama e gritava, estendia os braços como a pedir colo, chorava, deitava lágrimas que era uma coisa de partir o coração. Tentava ignorar. Continuava naquele filme. Tentava cantar-lhe. Contar histórias. Pegava nela. Embalava-a. Dava outra vez de mamar para ver se seria fome. Nada! Parecia possuída pelo diabo! Só queria festa. Nós íamo-nos revezando, mas já estávamos a ficar sem paciência para tanta agitação. A dada altura, ele pega nela, com cara de poucos amigos e diz-me, todo mal-disposto "Neste momento, preferia que ela fosse mais feia desde que fosse mais calma também! Juro: é realmente bonita, mas trocava parte da beleza dela por isso, para me deixar dormir!". Eu ia começar a acenar que sim, que sim, que também trocava, também já estava por tudo. Nisto, ela olha para um e para outro, dá o riso mais rasgado de sempre - juro que é a pessoa desdentada com o sorriso mais bonito que conheço -, com aqueles olhos que parecem dois peixinhos, cheios de pestanas enroladinhas, e sai-lhe um "babá!" que soou a coisinha mais querida de sempre, e que, no meio de todo aquele sono e stress acumulado, me soou a "papá" e "mamã" tudo junto.

Corrigi muito rapidamente, a olhar para cima, não fosse o nosso pedido já estar a ser processado, algures lá em cima: "Não trocamos nada, pois não? Queremos que continue a ser assim louca. Queremos, não queremos?". Fazem-se pedidos muito estranhos às três e meia da manhã.

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Ideias de presentes para a melhor amiga

Como o prometido é devido, aqui estão algumas ideias de presentes originais para a melhor amiga. Espero que gostem! Quanto a mim, adoraria receber qualquer um deles...

1. Um bloco de notas ou uma agenda personalizada. Ando apaixonada pelas da Smythson e têm a vantagem de dar para escrever o que quisermos na capa, com a cor que mais gostarmos até "x" caracteres. Se preferirem as Moleskine, no site da marca também dá para fazer algo semelhante, mas ainda não me aventurei. Alguns exemplos de blocos de notas da Smythson já pré-definidos:

"Make it happen". Porque é o que desejamos para as nossas amigas, certo? Desejamos que concretizem os sonhos.
E vamos estar sempre por perto para ajudar. Podem encontrar aqui.

"Busy Bee", para aquelas amigas que não param um segundo e estão sempre envolvidas em mil projetos em simultâneo.
Encontrei aqui.
 2. Uma capa também personalizável, mas com as iniciais da vossa amiga, bem quentinha, na moda e gira que se farta. E ainda por cima muito inspirada na capa da Burberry por que andei a suspirar aqui há tempos. Sim, porque quem não pode caçar com cão, pega no gato e vai na mesma à caça, não é? São lindas lindas. E agora a marca tem também chapéus personalizáveis, para quem quiser impedir irmãos ou namorados de roubarem o chapéu, com o pretexto de que é unissexo. Aqui está a publicidade à capa:

3. Um livro de viagens com uma dedicatória a dizer algo como "para ires escolhendo a nossa próxima viagem". Adorei estes do New York Times com ideias para viagens com a duração de 36 horas, inspirados na rubrica com o mesmo nome. Tanto adorei que vou encomendar para mim também. :)

(Continua....)

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Ideias de presentes

Tenho reparado que, mês após mês, um dos posts mais lidos aqui no blog continua a ser este que fiz há mais de um ano com ideias de presentes para os namorados, maridos ou para aqueles amigos especiais que queremos surpreender. Como sei que eu própria vou tendo cada vez mais dificuldade em ter ideias novas e vibrantes, e acabo também a pesquisar constantemente, por essa internet fora, por presentes originais e que não sejam mais do mesmo, e como o Natal se aproxima, estou a preparar alguns posts com ideias de presentes que vou apontando e que me parecem adequadas para pais, mães, irmãos, amigos ou para aquela pessoa especial. Nada de coisas caras e que custem os olhos da cara - até porque os olhos da cara dão sempre jeito para ver a reação de quem recebe -, mas sim ideias supostamente originais e, de preferência, com algum significado. Espero que gostem!

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Fora com os pelos

Queridos amigos! Lembram-se dum certo post, escrito no belíssimo ano de 2013, em pleno verão, em que vos pedia ajuda para encontrar um novo sítio onde fazer depilação definitiva, mas daquela realmente definitiva? Pois bem... Nessa altura, tive muitas respostas e emails de pessoas simpáticas e fofinhas que se disponibilizaram logo a ajudar-me nesta luta desigual contra os malvados dos pelos (obrigada!!). E eu li tudo. E dei graças por ter uns leitores tão espetaculares. E decidi então começar imediatamente a minha luta... não fosse a vida dar muitas voltas e eu descobrir, pouco depois, que estava grávida. Pois é... E grávida não pode andar a levar com laser.

Assim sendo, tive que adiar o meu desejo por um ano e decidi retomar agora a luta, já que no inverno não apanho sol e é a altura ideal para se fazer depilação a laser. A minha dermatologista tinha-me aconselhado especificamente o Laser "Alexandrite" e lembrava-me de ter lido opiniões muito positivas sobre os resultados do mesmo, nomeadamente no blog da Maçã - que falou muito bem deste sítio em particular. Assim, como é no Porto que tenho andado novamente, foi aqui que decidi ir há duas semanas e aproveitar a promoção. É muito cedo para dizer se há resultados. É muito cedo para contar que esta (peluda) história teve final feliz. Mas como gostei muito do atendimento e encontrei um sítio que me parece de confiança - e que até está com promoções -, aproveito para partilhar com vocês esta descoberta. Eles não fazem ideia quem eu sou ou que tenho um blog, fui lá como feliz anónima e sem qualquer "patrocínio", por isso, é uma opinião totalmente desinteressada e isenta. Se forem, espero apenas que gostem também! E que seja um investimento realmente definitivo.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Não é legionella, mas parece

Comecei eu: uns espirros primeiro, dores de cabeça depois, até que vieram também as dores de garganta e muita tosse. Para piorar tudo, uns arrepios de frio a dar também um ar da sua graça e umas tonturas do mais incómodo possível, que me fizeram ver tudo a andar à roda como se estivesse com a maior ressaca do mundo. Depois, foi a vez da Cookie começar a espirrar, a tossir e a resmungar como se estivesse doentinha também. Por fim, a ama ficou com os mesmos sintomas e acabámos por ter que deixar a bebé com os avós durante uns dias, para a ama melhorar. Não sei o que se passa por estes lados... Não vivemos em Vila Franca de Xira, por isso, não deve ser Legionella. Mas que é uma bicheza qualquer e forte, lá isso é!

Assim, nos últimos dias andei a tentar fazer como mandam as regras dos nossos avós - um "abafa-te, abifa-te e avinha-te" versão "mantas no sofá, sopas de legumes e chazinhos". E já estamos melhores, finalmente... Quanto à bebé, o kit luta-contra-o-frio-e-bichezas foi este, que é tão fofinho, tão fofinho ao toque que só me apetecia que fizessem camisolas iguais para o meu tamanho (juro que é tão fofinho que parece resultar do cruzamento entre uma ovelha e um algodão doce!):

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

Quem quer uma cinturinha de vespa?

...Todas as mulheres deste planeta, acho eu. Exceto quando estamos grávidas, claro.

Aqui estão os tais alimentos que alegadamente ajudam a reduzir o perímetro abdominal. Se tiverem outros alimentos para acrescentar, se souberem receitas ou até conheçam exercícios milagrosos para ajudar nesta luta, partilhem, por favor! É que entretanto passaram seis meses desde que fui mãe e começo a perder o direito a beneficiar do estatuto de "recém-mamã". Acabaram-se as desculpas para passear alegremente uma barriga gelatinosa e com mais quatro centímetros que antes! Não prometo acabar com o meu vício em doces, mas prometo tentar investir mais nestes alimentos.

 Ora vamos a eles:
-Chá verde,
-Sementes de linhaça,
-Flocos de aveia,
-Peixe rico em ómega 3 (atum, salmão, cavala, sardinha, arenque),
-Vegetais do grupo das brássicas (brócolos, couve flor, repolho, couve de bruxelas, nabo, agrião, rabanete e rúcula).

quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Olá, o meu nome é Pippa, e sou viciada

"Acho que não há motivos específicos. Tudo serve como desculpa. Só que há pelo menos uma desculpa diária. Tenho trabalho até tarde e estou debaixo de prazos e stress? Serve como incentivo. Estou feliz? Serve para comemorar. O dia correu mal? É para me animar. O dia correu melhor que nunca? Então venha o prémio. O filme está a ser ótimo? Então serve para acompanhar. Tenho sono? É a desculpa perfeita para me acordar. Estou cansada? Serve para dar energia. Sim, todos os dias há uma desculpa. Todos os dias tenho necessidade de comer algo doce, seja um chocolate, um gelado, um bolo ou bolachas."

Ontem, no ginásio, a queixar-me ao professor que tenho mais 4 centímetros de cintura que há um ano, tudo por ter sido mãe, ele, muito pouco convencido com a minha desculpa, começou a perguntar-me pela minha alimentação. Queria perceber se eu fazia alguma coisa para reduzir o perímetro abdominal, para além de me queixar tanto e de mal colocar os pés lá no ginásio (ainda não comecei a cumprir o treino que me preparou). Quando lhe expliquei que, nos últimos dez, quinze anos, não devo ter passado mais de um dia sem comer um doce, seja ele qual for, estava a ver que ia ser expulsa dali. É uma doença. Só pode ser. A parte menos má é que disse que me ia enviar uma lista de alimentos que ajudam a reduzir o tal malfadado perímetro abdominal, e outros alimentos que são totalmente proibidos. Temo o que lá vá encontrar... Não haverá clínicas de desintoxicação para viciados em doces?

sábado, 1 de Novembro de 2014

Come a papa

Afinal, ser queixinhas compensa. Há dias escrevia eu aqui que tenho um homem demasiado prático e pouco romântico. Entre nós há alguns hábitos de cada um que são opostos entre si, e em que raramente estamos em sintonia. Como viram, as massagens ou rituais de beleza são um deles: eu, como qualquer mulher que se preze, adorava poder meter-me numa maca a receber massagens dia sim, dia não. Ele odeia massagens, sabe-se lá porquê. Eu adoro o pequeno-almoço e, se pudesse, todos os dias tinha um daqueles pequenos-almoços que se veem nas telenovelas, com uma mesa cheia de iguarias. Ele dispensa bem o pequeno-almoço e diz que acorda sempre sem fome. De qualquer maneira, tal como a água mole, de tanto bater em pedra dura, a acabou por furar, eu também devo ter furado aquela cabecinha, como uma picareta, de tanto insistir que o pequeno-almoço é "a refeição mais importante do dia" ou "não há nada como acordar ao fim-de-semana e sentarmo-nos a comer calmamente, e mi-mi-mi..."

Há dias experimentei as famosas papas de aveia, inspirada essencialmente na Catarina Beato, que tem o blog mais inspirador que conheço. Mas a verdade é que ficaram feias que doía. Moles, pegajosas, primeiro. Sólidas depois, quando as deixei repousar. Mostrei-lhe, comi-as e nem ousei fotografar. Hoje, tinha uma surpresa quando acordei: um pequeno-almoço na varanda. E daqueles dignos de rainha! Mas o que mais me surpreendeu foi isto que aqui mostro: as tais papas de aveia, que estavam totalmente au point, com pera abacate a acompanhar, receita da Catarina. Juro que ele devia cozinhar sempre em minha vez, pois nasceu para isto. E hei-de elogiar os cozinhados dele até que a voz me doa (ou simplesmente até que ele se atire aos tachos). Hoje o dia começou exatamente como costumo idealizar: sol, varanda, e os dois a começarmos o dia juntos, calmamente a conversar, enquanto a Cookie, ao nosso lado, esperneava no ar e se ria sozinha, e a Malti se espreguiçava ao sol, qual lagarto... Ah e o cheirinho a papas com canela, que recomendo vivamente!

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Tenho um homem demasiado prático

Calhou-me na rifa um homem prático, demasiado prático. Depois de eu ter andado meses a insinuar descaradamente que queria uma massagem, em modo crescente – “ai, está-me a doer aqui… aiii, as minhas costas… aiii que me sabia tão bem uma massagem… aiii que me sabia tão bem se alguém me desse umas massagens… ai que me sabia taaaão bem se, no próximo sábado, alguém marcasse uma massagem para os dois… ohh podias ser fofinho e marcar uma massagem!!” –, há dias, ele lá se deve ter fartado de me ouvir, e deu-me um voucher para quatro massagens de uma hora cada. Só para mim. A marcar quando eu quisesse.
- Um voucher?
- Sim. Assim quando te der jeito ligas, marcas e vais lá.
- Oh… Mas a ideia era irmos os dois. A ideia era ser um programa para os dois...
- Pois, mas quem anda com dores eras tu. Eu ando bem das costas, não me queixo. Porque é que havia de marcar também para mim?

Enfim. Não sei se ria com o sentido prático, se lhe bata por ser tão pouco romântico.

domingo, 26 de Outubro de 2014

E, ao 162o dia, tudo se desmoronou

O dia até tinha amanhecido promissor. Foi um dia que acordou soalheiro e quente, nada previsível num outubro já adiantado. Um dia daqueles que gritava felicidade. Entre gritos de alegria e pontapés no ar que não davam sinais de irem abrandar vindos da habitante da caminha de grades ali ao lado, decidi pegar na Cookie, mesmo sendo para aí 7 da manhã, e deitá-la na nossa cama. Ali, deitada junto a nós, radiante com a novidade, decidiu surpreender-nos com um espectáculo de viragens para a esquerda, viragens para a direita, pés na boca, pernas no ar, viragens para a esquerda, mais flexões, pontapés aéreos, mais viragens… Eu, deliciada com tal espectáculo, peguei no telemóvel e tirei todas as fotografias que consegui, e todos os vídeos que o espaço do telemóvel me permitiram fazer. Que belo início de dia! Depois daquilo tudo ainda me custou mais pegar nela e devolvê-la à caminha, ir tomar banho e enfrentar o dia de trabalho que tinha pela frente. Tinha que ser… Despedi-me dela, fui trabalhar e passei o dia a mostrar os vídeos e as fotografias, qual mãe babada. Eu sei que gritar e espernear não demonstra propriamente uma inteligência acima da média, mas o que querem? Deve ser algo que nos está nos genes, em estado adormecido, e que é despoletado com a gravidez. E a mesma coisa se passa com o por os pés na boca. Até um macaquinho recém-nascido deve fazer, mas fico estupidamente feliz sempre que vejo a minha filha a repetir essa proeza. :) Passei, assim, o dia completamente babada e bem-disposta.

Só que à noite… À noite o caso mudou de figura. Voltados do trabalho, pusemo-la no sofá, ao nosso lado, na parte da chaise longue (que é bastante larga e comprida), e virámos costas dois segundos, para ir aumentar a temperatura do fogão, onde estava o jantar a ser preparado. Dois segundos. Dois! Dois segundos que foram suficientes para ouvirmos um estrondo. E depois um grito. De dor. De susto. De desespero. Corri para o sofá. Estava estendida no chão, ao lado do sofá, de barriga para cima, vermelha, aos gritos. Sem pensar, agarrei nela e encostei-a a mim. Saí dali, não sei porquê. Fui para o quarto, a tremer, com ela ao colo, no meu peito. Chorava, chorava, chorava muito. E eu a chorar também, a pensar que estava partida. E a tentar apertá-la com força a ver se lhe colava todas as peças. A apertá-la contra mim. Fiquei completamente sem pensar, naquele momento. A minha bebé estava magoada e eu queria consertá-la. Até que ele se aproximou de nós e me disse, calmamente:
- Deixa-me vê-la. Tem calma. Os bebés são de borracha, praticamente. Estão preparados para tudo. Deixa-me vê-la.
E eu a agarrar, a agarrar. Não, eu ia consertá-la. Eu tinha que a consertar. Naquele momento bloqueei e só pensava que nunca mais a iria largar. Até que lá cedi.
- Não tem nada. Foi só um susto.
Mas não era “só” um susto. Eu tinha-a visto estendida no chão, desamparada, aos gritos, a cabeça tão exposta, pele contra a madeira. Eu tinha-a visto assim. E não a tinha conseguido proteger. Voltei a agarrá-la. E continuei ali bloqueada, mais em choque que a própria bebé, que entretanto já se ria, no meu colo apertado... E ainda bem que os opostos se atraem. E ainda bem que os opostos por vezes até se casam e têm filhos, porque naquele momento, entre a pessoa supostamente calma (ali, desesperada) e o supostamente enérgico (ali, mais calmo que nunca), algum equilíbrio se encontrou. E o meu desespero foi balanceado pelo sangue frio dele. Sim, ainda bem que às vezes somos tão opostos assim ao ponto de nos completarmos tão... completamente. E a conclusão foi que nada se partiu. Nada de grave aconteceu. Foi um susto. Ao 162.º dia. Um susto dos grandes. Mas o que é verdade é que todos os bebés caem. E voltam a levantar-se. Dói. Mas dói mais para nós, acho que a dor é essencialmente nossa. A minha filha, ao 162.º dia caiu. E levantou-se. E ao 163.º dia amanheceu novamente feliz. Cheia de risos. E pontapés aéreos. E rodagens para a esquerda. E para a direita. Ao 162.º tudo se desmoronou. Mas que tudo se resolva sempre assim tão rápido...

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

O maravilhoso mundo do peso

Como voltei ao ginásio, ontem foi dia da avaliação física. Estava com medo do que ia encontrar, porque olho para o espelho e ainda não me reconheço: a barriga ganha dobras se me dobro, o rabo está mais flácido, as coxas e braços mais largos, a anca mais generosa... É como se o meu antigo Eu tivesse sido engolido por uma massa gelatinosa que teima em não me devolver. Pois então estava eu a explicar ao professor o estado em que se encontrava o meu corpo, quando este me pediu para subir à balança. Lá fui, esperando o pior. Só que... não foi pior nenhum! Estou mais leve dois quilos e meio que há um ano. 2,5kgs a menos! A comer chocolates e bolachas diariamente. A não fazer desporto praticamente nenhum (umas corridas esporádicas, apenas). A ter uma vida mais sedentária que nunca. Fiquei chocada a olhar para a balança, sem querer acreditar... Só que, a seguir, o professor pegou na fita métrica e começou a medir-me. Começou então a triste realidade a dar sinais de vida: mais 2cms aqui, mais 3cms ali, mais 4cms acolá...

Conclusão: estou mais leve, sim, mas também muito mais rechonchudinha. O peso é realmente um número sem o significado que lhe atribuímos! O meu índice de massa muscular está pior que nunca e é nesse que me vou concentrar. Plano para os próximos tempos? Ganhar massa muscular. Não irei tanto focar-me nas corridas, mas mais nas máquinas. É uma seca, mas o professor garantiu-me resultados. Vamos lá ver... Não gosto muito de máquinas, mas vou ter que confiar na palavra do professor. Vou dando notícias deste admirável mundo novo.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Tenho em mim todos os sonhos do mundo (em formato Word)

A propósito do Euromilhões e do prémio milionário que estava em jogo ontem (e continua a estar, pelos vistos), comentavam os meus colegas os planos de vida que projetavam caso ganhassem o primeiro prémio. Uns eram perentórios - "não venho mais trabalhar!" -, outros defendiam que iam continuar a fazer uns trabalhos pontuais. Prometiam-se ainda casas e carros para os amigos, contas bancárias recheados para a família, viagens à volta do mundo... E eu fiquei ali a pensar, como fico sempre quando se fala em dinheiro com tantos algarismos, e cheguei a uma conclusão: não tenho um plano concreto, deve ser por isso que o primeiro prémio nunca me saiu. Não tenho um plano. Um grande sonho para concretizar. Logo, não seria justo receber tanto dinheiro, certo? Vai daí, decidi que vou criar um plano. Sim, vou escrever, tintim por tintim, tudo aquilo que quero fazer caso um dia me torne milionária. Vou enumerar os beneficiários. E respetivos prémios. E porquês. Vou criar rotas de viagens de sonho. Vou escolher experiências que gostaria de viver. Bens de consumo. Obras que gostaria de concretizar. Tudo organizado, em formato Word, para quem-quer-que-seja-que-decide-atribuir-o-Euromilhões ver e saber que o prémio fica bem entregue. Um plano. Se tiver um plano, se tiver uma lista de sonhos, é justo que me saia o prémio, não? Vou partilhando com vocês parte da lista. O que fariam vocês com tanto dinheiro?

As pequenas coisas

Há muitos muitos anos, era uma tarde qualquer, dum dia qualquer, e ele disse-me, a seguir a um almoço igual a todos os outros, a mim, jovem adolescente: "Gostas? Se gostas, podes ficar com ele, é para ti". E eu olhei e pensei algo do estilo"gosto mais ou menos, mas é dado, por isso acho que quero", acenei que sim e fiquei com a medalha. "É para usares num colar", acrescentou. Era uma medalha oval, com uma cara duma jovem mulher desenhada. Por trás, tinha um ano - 1984 - e eu fiquei triste por não ser o meu ano de nascimento. Nem o dele. Nem o de ninguém que me lembrasse. A cara da jovem mulher também não era parecida comigo. "Afinal esta medalha não me diz nada", disse para mim mesma. Naquela tarde qualquer, daquele dia qualquer, a seguir àquele almoço igual a todos os outros. E levei a medalha no bolso embora, sem lhe dar grande valor.

Hoje, no final do dia, sozinha no carro, a respirar de alívio pelo fim de mais um dia afogada em trabalho, a sentir-me angustiada e cheia de sentimentos de culpa por não ser uma mãe mais presente, a maldizer a minha vida (não temos todos dias assim?), olhei para baixo e vi algo a brilhar, escondido. Estiquei a mão. Era a medalha. "A" medalha. Nas últimas mudanças de casa deve ter caído ali. "A" medalha. A medalha que o meu avô me deu. Talvez um ano antes de morrer. Deu-me sem motivo nenhum. Apenas porque sim. E deve ter sido dos últimos presentes que me deu. Não era Natal. Não era Páscoa. Não eram os meus anos. Era uma tarde qualquer. Dum dia qualquer. Mas o meu avô era assim: de dias sem datas. De presentes sem porquês. De histórias às vezes sem fim. De expressões em latim. De enigmas. De adivinhas e charadas. De regras. De horários. De piadas. E hoje, tantos e tantos anos desde aquele dia qualquer, recebi um mimo de quem tenho tantas saudades. E olhei para a medalha como que pela primeira vez. E adorei aquela medalha como nunca tinha adorado, com toda a adoração que ela merecia. Mais juros de mora. Até ficarmos quites: eu e a medalha. E apertei-a. Com muita força. Não era uma mão, mas foi como se fosse. Não veio acompanhada de expressões em latim, enigmas, adivinhas, charadas e piadas, mas foi como se fosse. E o final do dia... Dum dia qualquer. Ficou melhor. Muito melhor. As pequenas coisas. Está tudo nas pequenas coisas.