quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ponto de situação

Falta uma semana para o Natal. Uma semana!

Ponto de situação?
- Presentes comprados: zero.
- Presentes pensados: zero.
- Presentes desejados/ sugeridos: zero.

A verdade é que ando com a cabeça a mil, a pensar já em 2016. E tenho novidades para vos contar.

Conseguem adivinhar? :)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O interior conta?

Digam lá da vossa justiça... Sou eu que estou a exagerar ou este baton da Christian Louboutin é mesmo "só" o baton mais bonito que anda por aí?

Ando a namorá-lo há meses. Porque é que não o comprei ainda? É que depois dou por mim a repetir o número: oitenta. Oitenta euros. É demais até para um baton com uma embalagem tão bonita, não? Tento convencer-me que sim, e que o interior é que conta. Digo a mim mesma "Arranjas outro com a mesma cor e textura, até melhor e a um quarto do preço!!". Sei que arranjo. Sei que o exterior não devia contar tanto. Sei que, com a "sorte" que a minha maquilhagem tem tido, até acaba é nas mãos da Constança - sim, o último baton bom que comprei acabou a pintar o coelho de peluche dela!! Mas... é mesmo bonito o raio do baton, não é?

Pai Natal, se me estiveres a ler e fores menos forreta que eu, já sabes como me poderás fazer feliz este ano!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O problema foi a solidão. E as noites longas.

Quem me lê há algum tempo, já sabe de cor a minha paixão por Game of Thrones. Talvez não saiba que, enquanto esperava pela nova temporada, fui até matando as saudades a ler todas as teorias sobre os próximos capítulos e a rever episódios e entrevistas, mas sabe que sou verdadeira fã da série.

Ora, enquanto fã, depois do final da última temporada, vivi o luto. Intensamente. Dramaticamente. E suspirei pela Primavera, muito, para voltar a ver a série. Mas os meses foram passando. E as noites foram ficando mais frias. E mais longas. E a solidão começou a pesar. Dizem que um amor só se cura com outro, não é? Eu não queria acreditar que fosse assim. Era fiel às minhas memórias e não quis trair Game of Thrones. Admito que estive perto de ter uns casos passageiros com outras séries, mas nunca se concretizou. O problema não eram elas, era eu. Eu estava ainda com a cabeça (e o coração!) noutro lado.

Até que... uma bela noite, algo aconteceu. Depois de ter visto o primeiro e o segundo episódio daquela série, quis ver o terceiro de rajada. Podia não ser um amor louco e assolapado, mas estava a encher-me as medidas e a entreter-me, ainda que de forma calma e tranquila. Falo de "Suits", que comecei a ver no Netflix. Pois... Tenho a revelar que já vou na segunda temporada e acho que esta relação está para durar. O Game of Thrones que me perdoe, mas não aguentava tanto tempo de espera. A paixão mantém-se, mas precisava de companhia para os serões. Retomamos a relação em Março ou Abril, ok? Não garanto é que a relação seja monogâmica. ;)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O nosso amor morreu

Quando nos casámos, a nossa florista ofereceu-nos três vasos de orquídeas - um para nós e dois para os nossos pais. Os vasos dos nossos pais morreram rapidamente, talvez por não terem a melhor exposição solar. O nosso? Foi aguentando e crescendo, florido e saudável, ano após ano, após ano. Primeiro, era eu que tratava exclusivamente dele. Cheguei a ler sobre orquídeas para ter a certeza que estava a fazer tudo corretamente - a quantidade de água, a exposição solar adequada, a terra, etc. Depois, quando estava fora, era ele que ia regando. Eu dava-lhe instruções e pressionava-o "Olha as orquídeas!! São o símbolo do nosso amor, não podem morrer!!". E aquela pressão algum efeito deve ter tido nele, porque passou a ter um cuidado religioso com as plantas.

Com a mudança de casa, o vaso de orquídeas foi ficando para trás. Eu ia-me lembrando dele - "Está na casa antiga, temos que ir buscá-lo antes que morra! -, mas as palavras de preocupação não se traduziram em atos. E não mexi o rabo para ir lá buscá-lo. A casa antiga foi entretanto palco de obras. Ontem fomos lá buscar algumas coisas que ainda lá estavam. E lembrei-me do nosso símbolo do amor. Procurei, procurei, procurei. Não consegui encontrá-lo. E agora temo que os homens que lá andam a pintar e a arranjar a casa o tenham deitado ao lixo. Hoje vou lá outra vez. Ainda tenho esperança que o vaso tenha sobrevivido, no meio dos "escombros". Afinal, já sobreviveu mais de 3 anos, às vezes mais regado, às vezes um pouco negligenciado. Funcionava quase como uma metáfora... Sim, tenho esperança que esteja vivo!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Estou tão pobre

Estou tão pobre que vi há pouco a promoção da Ryanair e concluí que, se quisesse aproveitar, teria que viajar sozinha. Ah, já disse que os voos estão a €5? É para verem o estado da coisa. Aiiiii... Detesto o mês de novembro. E todos os meses em que se entrega o IVA.

Pronto, era isto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mini me

A Constança tem crescido a olhos (e ouvidos) vistos. Às vezes, chega a ser assustador a forma como, no espaço de um dia para o outro, aprende mais palavras, interage mais e até a forma como aumenta a destreza física e mental.

Há dias, este crescimento tornou-se especialmente notório por toda a sucessão de momentos interativos que tivemos as duas. Estava eu na cozinha a aquecer-lhe a sopa para o jantar, cheguei à sala e estava ela sentada à mesa, à minha espera. Tinha, não só puxado a cadeira para trás, mas subido sozinha para uma cadeira das nossas, as "normais", e tinha já colocado um guardanapo à frente dela, como nós fazemos. Tentei não me desmanchar a rir, perante aquele cenário, e coloquei-a na cadeirinha dela. A seguir, pediu-me "ácnee" (que é a forma tosca que tem de dizer "água" - sim, ninguém quer borbulhas na cara, muito menos um bebé!!), a apontar para o meu copo, e bebeu como um adulto. Dei-lhe a sopa. A meio, vi-a limpar a boca ao guardanapo, nitidamente a imitar-nos. O meu telemóvel tocou - "avô?", perguntou-me - e atendi. Era mesmo. O avô e a avó. Disse-lhes que estava a dar o jantar e que já ligava de volta. Quando estava a dizer "até já", reparei que estava a ser imitada. "Téee jáaa!!", ouvi-a a dizer também, ao meu lado. Continuei a dar-lhe o jantar: posta de salmão grelhada com arroz. Parei um segundo, para me encostar melhor na cadeira e, quando voltei a procurar a colher, já ela estava a comer sozinha, muito direitinha e a encostar-se melhor também, como eu tinha feito. No fim, fomos para o tapete brincar com uns Legos. A dada altura, o meu telemóvel recebeu uma mensagem qualquer e foi vê-la a correr buscá-lo. "Ohh!! Tiiiim", disse-me, enquanto mo dava. "Papá?", perguntou-me. Era mesmo. Mensagem do pai. Raio da miúda.

A seguir, fui à casa-de-banho, mas sempre seguida por ela. "Xixi?", perguntou-me, muito atenta. Acertou outra vez. Entretanto, vi-a a tentar pegar na escova dos dentes dela. "Queres lavar os dentes?".  Respondeu-me por mímica, com os dedos a massajarem os próprios dentes. Pareceu-me que era uma resposta afirmativa. Lá lhe lavei a dúzia de dentes que tem, enquanto me apontava a pasta dos dentes, para por mais. Deve ser docinha. Malandra... Quando acabámos, pegou na escova do cabelo e começou a tentar pentear-se. A seguir, trouxe-me o creme da cara dela. Estava a começar a assustar-me aquele novo modo adulto.
- Bebé, não queres ir dormir?
- Numqué!!
- Tens que dormir... Então queres o quê?
- Leitim!!
- Queres leitinho?
- Leitim!! Leitim!! E coelhim!
Nisto, olhei, e estava ela já em frente à cama dela, com o coelhinho na mão. "Leitim?"

Obedeci prontamente. Deitei-a. Fui buscar o biberão com leite. E dei-lhe."óiáda!!, que é uma espécie de "obrigada". Apaguei a luz e saí do quarto. Uma mini me. Já não tenho uma bebé, tenho uma mini me.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Os gordos estão em vias de extinção

Antes, fazia-se dieta de vez em quando, essencialmente antes do verão. Agora, abraça-se uma vida saudável ou adotam-se novos hábitos. A longo prazo.
Antes, as mulheres andavam numa modalidade de dança qualquer e os homens jogavam futebol com os amigos. Mal falavam disso entre si. Agora, corre-se e comparam-se tempos e gadgets entre todos.
Antes, comia-se pão de mistura e já nos atribuíam o rótulo de saudáveis. Agora é preciso investir em super alimentos e levar tupperwares cheios de sementes e frutos secos para o trabalho. Quanto mais estranhas forem as sementes e os super alimentos melhor.
Antes, havia gordos. E gordinhos. E cheios. E cheiinhos. Agora comparam-se IMC e o objetivo é ser magro e tonificado. Não há gordos. Estão praticamente em vias de extinção.

Ontem, liguei a televisão e vi um ex-gordinho, meu conhecido, a dar uma entrevista sobre vida saudável, corridas e alimentação. Aliás, esqueçam o diminutivo: era mesmo gordo, sem eufemismos. Gordo e bastante amigo de um bom prato e de muita comida. Gordo e bastante amigo de jantaradas e de copadas. Agora estava magro. Magríssimo. E se dizem que a televisão engorda sempre uns quilos, nem quero imaginar ao vivo! Irreconhecível. Estava muito convicto do que respondia, enquanto defendia os benefícios das corridas, e relatava o tipo de vida que levava e os hábitos que adotou. Muito mais magro e saudável que eu. Digam-me: onde é que se anda a vender a vida saudável ao preço da chuva? Sinto que só eu é que ainda não comprei!

Ainda a Malti

Estou há que tempos para contar o resto da história da Malti. Só que, de cada vez que retomo o texto, custa tanto que me forço a parar. Ontem recomecei e foi um bocadinho diferente. Tive saudades, mas consegui lembrar-me com um carinho tal que o carinho conseguiu superar o nó na garganta. Talvez esteja finalmente a entrar no ponto certo das saudades, não sei. Comecei a lembrar-me daquela companhia que me acompanhava há cinco anos, numa espécie de best of. Quando estava grávida e sozinha, longe de casa, era ela, monte de pelos e de energia, que me fazia sentir menos sozinha. Era era que me tirava de casa, todos os dias, chovesse ou fizesse sol, e me fazia andar pelo menos 20 minutos, em passo rápido. Era nela que eu confiava, quando ouvia algum barulho mais suspeito, fora de casa - "há-de ladrar, se for algum ladrão!". Era ela que me fazia esquecer o medo do escuro e das profundezas do escuro que vivem nas casas solitárias - sei que adultos não têm medo do escuro, mas quem nunca teve medo das profundezas do escuro, quando à noite, sozinho, apagou todas as luzes de casa, que atire a primeira pedra. Era com ela que falava, estando sozinha em casa, e me sentia menos louca por saber que existia um ouvinte, ainda que com quatro patas. Era ela que me esperava quando chegava a casa e me fazia sentir importante, com a sua cauda a dançar descontrolada. Dizem que os cães precisam de um dono, para os fazer feliz. Mas também há o contrário - não há sempre em todas as histórias? - e há donos que precisam de um cão para serem mais feliz. Eu precisei da Malti para ser mais feliz. E fui. Quando estava sozinha, deixava de me sentir sozinha. Quando estava cansada, deixava de me sentir cansada e ia passear com ela. A Malti fez-me tão bem que ainda não consegui acabar de contar a história dela.

Ontem, depois de ter recomeçado o texto que deixei inacabado, não consegui acabar e contar o fim. Mas não pensei mais nisso. Li parte do livro que ando a ler, o "Purity". Apaguei a luz. Adormeci. E, algures durante a noite, sonhei que a veterinária me ligou a dizer "Acordou do coma!". Saímos de casa a correr, a meio da noite, para a ir buscar. Abanou a cauda, quando nos viu, como se nada se tivesse passado. Saltou-nos para cima. Pediu festinhas e demos. Voltámos para casa, os quatro. Como nos velhos tempos. Como se um coma de 3 meses fosse assim, normal e totalmente reversível. Como se o tempo e os finais tristes não existissem. Fiz-lhe festas e senti-lhe o pelo, rebelde e real. Senti-lhe o cheirinho tão característico. Voltei a testemunhar a energia sem fim dela. Senti-a feliz por estar connosco. Hoje, tive um sonho muito bom. Acreditei por minutos que a minha fiel companheira de 5 anos ainda me acompanhava. Custou acordar, mas consegui resolver algo dentro de mim. Talvez alguma necessidade de me despedir uma última vez.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Um ano e meio

Há um ano e meio, por esta hora, as dores antes apaziguadas pela bendita epidural voltavam, devagarinho. E davam vontade de gritar.
Há um ano e meio, por esta hora, sentia a minha barriga a mexer-se de forma abrupta e algo dentro de mim a cair de forma irreversível.
Há um ano e meio, por esta hora, comentava com a enfermeira que algo tinha acontecido dentro de mim.
Há um ano e meio, por esta hora, a enfermeira corria e chamava a médica e resto da equipa.
Há um ano e meio, por esta hora, a sala enchia e as pessoas rodeavam-me, como que a explicar-me que tinha chegado a hora.
Há um ano e meio, por esta hora, não sentia medo, mas muita adrenalina. Medo senti apenas uns minutos depois, quando uns segundos de espera sem choro me pareceram eternos.
Há um ano e meio, por esta hora, algo dentro de mim estava prestes a sair, mas no seu lugar não ficou nenhum vazio. Bem pelo contrário.
Há um ano e meio, por esta hora, o meu corpo estava prestes a ficar quilos mais leve e centímetros mais pequeno.
Mas desde esse dia, há um ano e meio atrás, por esta hora, que me sinto mais preenchida e maior que nunca.
Não gosto de usar a palavra "incondicional", porque este amor tem obviamente uma condição, um "se" implícito: este amor existe porque me tornei mãe.
Há um ano e meio, por esta hora, estava prestes a conhecer a minha filha.
E não fazia ideia como um amor destes nos podia preencher tanto, tanto, tanto ao ponto de me deixar com um nó na garganta de cada vez que digo esta simples palavra: "filha".
Há um ano e meio, por esta hora, tudo mudava.
E que bom que foi. Que bom que tem sido.
Há um ano e meio, por esta hora, tive o momento com que sempre sonhei.
Mas o melhor de tudo... sim, o melhor de tudo foi ter descoberto que o melhor ainda estava para vir...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Fui ver o novo 007

Apesar de não ser a maior fã de filmes de ação, não costumo resistir ao James Bond. Inicialmente pensei que um tipo com ar de leste, musculado e de olhos azuis pequenos e brilhantes não se encaixasse minimamente no perfil pretendido, mas o Daniel Craig rapidamente me mostrou que estava enganada e que podia ter tanto charme e carisma como o tradicional James Bond moreno e mais esguio. O último 007 ("Skyfall"), então, deixou-me complemente rendida. Começou logo com o genérico, com um James Bond quase perdido, afogado, com a Adele a cantar, poderosa mas derrotada-  "this is the end". Continuou com o Javier Bardem brilhante, irreconhecível e assustador, no papel do vilão Silva. E culminou numa história com pés e cabeça, suspense e reviravoltas, mas sempre com um fio condutor e sem que as Bond girls parecessem descontextualizadas.

Este "Spectre"? Para mim, ficou a anos-luz do último. E era escusado. Havia a Monica Bellucci pronta para brilhar, mas deram-lhe um guião em que se torna viúva e em que, à segunda fala, e segundos depois de quase ser assassinada, já está a gemer e a mostrar as ligas ao até-então-um-mero-desconhecido James Bond. Não, James Bond, nem o homem mais sexy no mundo conseguiria por uma mulher assim. E começa a gemer com o quê? Por ele lhe tocar nos ombros?... Não me considero feminista, mas irrita-me que o cinema ainda mostre as mulheres assim, tão... "básicas". Depois, temos evasões de edifícios demasiado simples. Perseguições impossíveis. Diálogos pobres. Demasiada ação e demasiadas viagens de avião para tão pouca história. E temos um Christoph Waltz no papel do vilão, que está perto de se tornar assustador, mas que - com muita pena minha!! - não chega a conseguir. Como se desistisse a meio. E nem a música do genérico desta vez me convenceu. Diria que os pontos positivos se resumem a uma Bond girl muito melhor atriz que a média (Léa Seydoux), a um guarda-roupa e acessórios irrepreensíveis (trazia todos os looks para casa), cenários de sonho e pouco mais. Mas isto sou eu, que confesso que praticamente desisti do filme na cena da Monica Bellucci. Pode ser que gostem mais que eu. Não é difícil...

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Porque as pessoas imperfeitas também se mexem...

O ciclo começa e é difícil acabar com ele - talvez daí venha o adjetivo "vicioso". E eu andava, ultimamente, num ciclo vicioso - comecei a fazer menos desporto, a comer mais gulodices, e cada vez me apetecia fazer ainda menos desporto e comer ainda mais porcarias. É o frio? São os dias mais curtos? É a rotina? É o chegar a casa tarde e cansada? Acho que é tudo. Um dia, dei por mim a perceber que não ia ao ginásio, nem me mexia (antes ainda corria na rua) há quase um mês. Sem nenhuma desculpa válida. Não estive doente, tinha com quem deixar a Constança,... simplesmente não me tinha apetecido! Apeteceu-me dar-me dois estalos. Com força! Mas preferi utilizar essa energia toda para redefinir um plano, uma forma de lutar contra o ciclo vicioso. Procurei na internet e descobri o que precisava: uma personal trainer que não me custasse os olhos da cara. Falámos e conseguimos marcar um treino ao lado de minha casa, num ginásio em que ela dá aulas e em que temos uma sala só para nós, com tapete para correr, pesos, bola de pilates e outros acessórios cujos nomes desconheço, como uma espécie de cordas presas no teto. Já fiz três treinos e hoje tenho o quarto treino. Sábado não tinha com quem deixar a Cookie e levei-a comigo. Sem desculpas! :) Não sei se vou conseguir manter este plano por muito tempo, até porque sai muito mais caro que o ginásio, e a ideia é depois vir a integrar as aulas de grupo que ela tem. No entanto... Posso dizer que há muito que não me sentia assim. Há muito que não me sentia tão motivada para me mexer. Há muito que não sentia desta forma todos os músculos do meu corpo, braços e glúteos incluídos! Chego à conclusão que na corrida realmente deixava muiiiiiitos músculos por trabalhar e era um desporto que precisava de uma dose de exercícios localizados, para se tornar mais completo - algo que nunca fiz.

Sim, as pessoas imperfeitas também se mexem. Não garanto que isto seja para manter, mas para já estou satisfeita com este plano. E feliz por saber que os ciclos viciosos também se cortam. Basta ter força.

sábado, 31 de outubro de 2015

Quem entra comigo?

Acabei de ter uma ideia para um negócio que - modéstia total e completamente à parte - é brilhante. Sei que as ideias de negócios não se partilham, executam-se, mas face à minha total incapacidade para concretizar esta ideia tão brilhante, venho por este meio pedir ajuda a quem tenha conhecimentos na área, para pormos mãos (e narizes) à obra.

Preparados?

A ideia é a seguinte: uma espécie de SHAZAM... mas de PERFUMES!! Não tem tudo para ser um sucesso? Imaginem que vão na rua e o vosso nariz se cruza com um perfume maravilhoso. Olham para o lado e a portadora do perfume parece uma antipática, convencida do pior e não querem estar a interpelá-la para a tornar mais convencida ainda. Outro cenário: sentem um perfume no ar que parece emanar dum homem que caminha sozinho e não querem passar pela vergonha de a pergunta parecer um engate rasca.

Solução? Shazam de perfumes! Ligam o telemóvel, abrem a aplicação, apontam para a origem do perfume que anseiam comprar e, em dois segundos, saberão de que perfume se trata. Todos ganham e as marcas sairão as vencedores supremas.

Vá, pessoal das informáticas e das aplicações para telemóveis, estou à vossa espera. Ok?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O mundo precisa de pessoas imperfeitas

Quando li os Diários da Bridget Jones (há muitos, muitos anos atrás), identifiquei-me de tal forma com algumas passagens, que ainda hoje dou por mim a pensar nesses relatos quando faço o balanço do dia, quando me peso e vejo que o número aumentou, quando me sinto mais descontrolada com os doces ou quando tenho momentos de distração e vergonha pública (como hoje a vir a pé para o trabalho, em que fiquei com um dos saltos presos num paralelo e tive que dar dois passos descalça em frente a um grupo de trolhas com ar libidinoso).

Quando li os Diários, identifiquei-me mesmo com a personagem que o escrevia e, basicamente, pensei - "Olha, não estou sozinha!". Havia mais alguém cheio de aspirações a tornar-se melhor, mais magro, mais organizado, mais bem sucedido profissionalmente, menos desastrado, mais tudo, mas com a consciência de alguma preguiça e comodismo a limitarem todos esses desejos de melhoria pessoal. A Bridget tentava cozinhar, mas era péssima na cozinha. Queria ser magra, mas mantinha-se sempre com um ou dois quilinhos a mais. Queria ser segura de si, mas tinha sempre um quê de trapalhona. A Bridget não fazia desporto dia sim, dia não. Não comia salada às refeições. Não dizia "não" a um copo de vinho. E tinha dúvidas existenciais que a tornavam, aos meus olhos, a prova que realmente... eu não estava só!

Há dias, dei por mim a constatar que estou, de facto, carente de referências assim. As minhas referências tornaram-se perfeitas e focadas. Não há pessoas imperfeitas - estarão perto da extinção e ainda ninguém deu por ela? Hoje, pela internet fora e pelas estantes das livrarias, contam-se calorias. Apresentam-se receitas saudáveis. Pratica-se o "mindfulness". Negam-se as "bombas calóricas" ou só se admitem numa única refeição por semana. Correm-se quilómetros. Correm-se maratonas! Vai-se ao ginásio antes do trabalho. Colocam-se pestanas postiças. Ensinam-nos a maquilhar-nos impecavelmente em casa. Há tempo para unhas de gel de quinze em quinze dias (eu não pinto as unhas há meses!!). Cabelo impecável. Mantém-se o peso. Seguem-se as modas. Vai-se ao restaurante do momento. Sorri-se para as redes sociais. Braço dado com o nosso amor, com quem se está em perfeita sintonia e paixão louca contínua. Sem rugas. Sem olheiras.

E as Bridget Jones deste mundo? O que feito das pessoas imperfeitas O mundo (ou serei só eu?) precisa de pessoas imperfeitas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Culpada!


Isto sou eu, no final do dia: abro o frigorífico: "hmm, há legumes e fruta, podia fazer um sumo de laranja, podia fazer uma sopa de alho francês, podia fazer uma salada, podia fazer um sumo detox, podia... ohh, olha, há esta pizza! vou aquecer, ok?".

O que vale é que durante o dia até me porto bem. O que vale é que a preguiça à hora de almoço é menor e como sopa praticamente todos os dias, pratos saudáveis e até consigo comer umas peças de fruta ao longo do dia. Se não, era uma baleia com pernas. Juro! O mix preguiça + fome noturna mata-me. E enquanto os nutricionistas não vierem a minha casa à noite esconder-me as porcarias e fazer-me o jantar, acho que não há grande volta a dar...

Isto é tudo muito bonito, mas eu posso tentar ser saudável, desportista e inspiradora (e tantos livros, blogs e relatos na internet para me inspirar!), mas tenho para mim que hei-de ser sempre uma Bridget Jones em potência.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Esta sou eu?

Não me reconheço. Ainda estou a beliscar-me para ver se esta sou mesmo eu. Porquê?

Bem... Este fim-de-semana preparei um jantar para a família mais próxima, que serviu para inaugurar a casa nova. Eu não tenho grande jeito para fazer de anfitriã, porque não sou a melhor cozinheira do mundo nem a decoradora mais dotada. Sei disso. No entanto, este fim-de-semana achei que devia esmerar-me. Não fazia jantares há tanto tempo que achei que estava na altura de quebrar a pausa e... porque não fazê-lo em grande? Assim, meti mãos à obra. E a verdade é que, no fim, superei as minhas próprias expectativas. À hora marcada, havia flores frescas em jarras. Havia fios com luzinhas decorativas a iluminar a sala. Havia loiças bonitas a serem estreadas. Havia talheres novos que viam finalmente a luz do dia e saíam do faqueiro, onde estavam há três anos (presente de casamento!). Havia copos para todo o tipo de bebidas (também presente de casamento nunca usado!). Havia entradas - muitas. E o melhor de tudo? Não foi só a decoração que até me surpreendeu a mim: a comida também sabia bem - muito bem! E ainda houve direito a bolo para sobremesa, feito a quatro mãos pelos anfitriões. Que gerou os maiores elogios e tem sido comido de forma alarve, diariamente, porque é mesmo uma maravilha.

Sim, não sou naturalmente uma anfitriã dotada. Não sou uma fada do lar. Mas às vezes temos que nos obrigar a sair da nossa zona de conforto. E este fim-de-semana aprendi que fora dessa zona podemos ter ótimas surpresas.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Combater o outono e os dias mais cinzentos

É sempre assim: pode estar um tempo espetacular a semana toda, um calor de morte que nos faz desejar estar na praia em vez de estarmos a trabalhar, mas, quando chega o sábado e a possibilidade de cumprirmos todos os desejos de ar livre, vem sempre também o frio e o mau tempo. O último fim-de-semana não foi exceção. Senti-me contrariada, porque estava cheia de planos e todos eles incluíam bom tempo. Felizmente, talvez antecipando a minha irritação (passei a semana a dizer que precisávamos de descansar da história da mudança da casa), ele tomou a iniciativa: vamos almoçar ao Cantinho do Avillez, depois damos uma volta pelo centro do Porto, e amanhã é dia de massagens, já que andamos os dois com as costas numa desgraça (montar móveis dá nisso). E assim foi.

Um fim-de-semana de turismo, passeio, procura de peças bonitas para decorar a casa nova e engorda, que só não incluiu crepes de Nutella, porque estava uma fila desgraçada no novo Nut Porto - mas incluiu gelados do Santini. Domingo foi dia de descanso, massagens a dois na Pousada do Freixo, piscina e banho turco. Soube pela vida. Soube mesmo!! Assim o mau tempo nem custa tanto...

Aqui armei-me em saudável e pedi o atum. Estava a guardar espaço para os gelados depois ;)
Com a mudança de casa, dei por mim mais atenta aos pormenores todos de decoração em todo o sítio em que entro. Aqui, a decoração do Cantinho.
Mais um pormenor de decoração, a imitar o rústico.
Flores bonitas. Só podia ser na Rua das Flores.
"Vestir bem e barato só aqui", diz a fachada do prédio... Por ironia, estavam estes dois seres vestidos de papel de alumínio, em baixo. Não percebi se seria algum espetáculo que estavam a preparar.
Pormenor dum restaurante.
Fiquei a ver os frascos através do vidro. A fila era interminável!
Relógio bonito numa loja da Rua das Flores.
Máquina de escrever. Sim, eu cheguei a escrever numa, há mil anos!
Cheirinho para o quarto da Constança, que não resisti a comprar numa Zara Home.
Mais um ambientador que não resisti a comprar.
Descanso de domingo. Podia ser sempre assim...
Lá fora, este tempo maravilhoso...
"Vês? Este relógio é parecido com aquele que te mostrei ontem", dizia-lhe eu. ;)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ser dona do meu tempo

Tinha mil projetos para as "férias". Metade ficou por fazer. Dedicámo-nos 100% à casa e o resto lá teve que esperar. Voltei ao trabalho, arranjei tempo para os retomar. Não é irónico? Se trabalhasse por conta própria, iria ser a pior gestora do tempo possível. Tenho a certeza que a inexistência de horários e de pressão seriam os meus piores inimigos. Um exemplo? Durante este tempo que não trabalhei, não consegui fazer nem um segundo de exercício físico... Nem um segundo! Hoje, mesmo com trabalho, consegui mexer-me, finalmente.

(Apetece-me bater com a cabeça contra a parede com vergonha de mim mesma.)

sábado, 10 de outubro de 2015

São férias, senhor?

Eu tinha visto nos filmes. Tinha visto nas séries. Tinha a imagem tão presente na cabeça que já sabia como iria ser: mudar de casa e decorar a casa nova seria romântico, divertido e motivador. Iríamos sair os dois desta experiência mais unidos e apaixonados que nunca. Sim, eu tinha visto os filmes e as cenas eram sempre mais ou menos as mesmas: ambos de ganga, ela com umas jardineiras e um top branco por baixo, cabelo apanhado num rabo de cavalo, a rirem às gargalhadas enquanto decidiam as tintas das paredes e se sujavam de forma sexy com os pincéis de tinta. Ela ficava ainda mais gira salpicada de tinta, ele ficava irresistível a martelar paredes e, no final, descobriam o quanto decorar o ninho do amor os tinha unido irremediavelmente. Eu acreditava que no nosso caso seria igual. Só que, a não ser uma ou outra imagem que recordo e recordarei para sempre com carinho, não foi de todo um processo sempre fácil, romântico, divertido e apaixonante. Foram, isso sim, quinze dias de muito suor e trabalho árduo, sem tempo para brincadeiras e gargalhadas apaixonadas. Foram quinze dias de decisões, dúvidas e decisões e dúvidas. Muitas viagens de carro de um lado para o outro. Muitas malas e sacos, e malas e saquinhos. Muitos músculos doridos. Poucas horas de sono. Muitos quilos levantados. Muitos metros medidos. E mais levantamentos. E mais medições. Pouco sono. Refeições à pressa. Devoluções. Surpresas. Bricolage. Construção. Decoração.

Valeu a pena? Sem dúvida. Tenho orgulho, muito orgulho, na casa que conseguimos começar e terminar só os dois em duas semanas. Tenho orgulho no nosso novo lar. Acho que ficou melhor ainda do que imaginávamos, superou as nossas expectativas. Mas saiu-nos do corpo, foi trabalhoso muito e duro! Hoje, para comemorar, tirámos o dia para nós os dois (a bebé ficou com os avós) e fomos passear sem pensar em mudanças. Só dar as mãos, conversar e conhecer sítios novos.
- Achas que vamos ser felizes na nova casa?
- Tenho a certeza que vamos ser muito felizes.
O processo foi difícil. Ainda para mais com uma criança que não para um segundo e que andou quase sempre connosco. Não houve jardineiras de ganga e caras salpicadas de tinta enquanto dávamos gargalhadas. Houve essencialmente concentração e suor. Mas concentração e suor que,
no fim, compensou. E acredito na palavra dele: vamos ser muito felizes aqui. 
Aqui, a nossa ajudante a montar o que sabia, enquanto nós montávamos os armários do closet.


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Querido, mudei de casa!

Ando em mudanças, por isso tive que me ausentar um pouco do blog para me dedicar a 200% à casa nova. Depois do medo inicial que foi olhar para uma casa em branco, com o triplo do espaço da que tenho agora, e pensar se seria capaz de estar à altura do desafio, agora tudo começa a ganhar forma. A sala de estar já tem dois sofás, tapete, candeeiro e mesa de apoio. A sala de jantar já tem mesa, cadeiras, aparador e prepara-se para receber um louceiro de família. O nosso quarto já tem cama, mesinhas de cabeceira, tapetes, cómoda e prepara-se para receber cabeceira da cama e colchão. O quarto da Constança vai receber uma mobília que já era da avó e que é a coisa mais fofinha, com toucador e tudo. Estamos ainda a preparar o quarto de vestir, que é simplesmente um sonho realizado (estou ansiosa por vê-lo terminado!), um espaço de leitura, aguardamos um relógio que também era de família, falta decorar tudo e... o pior de tudo... levar o recheio da casa actual para lá.

Toda esta descrição poderia deixar qualquer decorador a salivar e a pensar nas múltiplas oportunidades que uma casa em branco permite. Esta possibilidade poderia deixar qualquer um louco de alegria, a pensar em candeeiros, tapetes, quadros, cortinas e apontamentos de design. Mas.... eu não nasci para decoradora!! Já referi isto aqui inúmeras vezes, não já? Pagava de bom grado para que alguém andasse a fazer o trabalho no terreno por mim e por só ter que dizer "sim" ou "não". "Esse tapete? Quanto custa? Ok, pode por! Esse sofá? Não gosto, próximo! As cortinas? Hmmm... Ok, experimente e, se não gostar, depois mude, por favor". Aiii... a vida seria tão melhor!!

Mudanças de pobre são mudanças em que, depois de nos inspirarmos em sites de decoração com artigos caríssimos e glamorosos, e depois de andarmos no pinterest a sonhar com uma casa luxuosa, nos atiramos para o Ikea, no meio da confusão e de milhares de pessoas, numa espécie de "self service" imobiliário, em que temos que andar a amontar as peças dos nossos próprios móveis, enquanto pensamos "mas depois com um toquezinho há-de ficar como aquela fotografia que vi ontem naquele site!".

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Lamentamos o que fizemos ou o facto de termos sido descobertos?

A propósito das recentes notícias sobre o escândalo da Volkswagen nos Estados Unidos com o software fraudulento que despistava testes laboratoriais à emissão de poluentes, e a propósito do subsequente pedido de desculpas apresentado pelo chefe da marca nos Estados Unidos - "lamentamos o sucedido" - fico com uma dúvida. Trata-se de uma dúvida com que fico sempre que assisto a pedidos de desculpa públicos: o que se lamenta verdadeiramente?

Lamenta-se realmente o sucedido e a manipulação, ou o facto de terem sido descobertos? Continuariam a lamentar e a arrepender-se do que fizeram se nunca viessem a ser descobertos? Pois... De qualquer maneira, também acho que, se pensarmos bem, é quase sempre assim. Poucos têm coragem de assumir erros não descobertos, não é verdade? Mas a errar e a ser descoberto, que se tenha pelo menos a grandeza de se assumir os erros, dar a cara e saber pedir desculpa. E agir depois em conformidade.

Quanto a mim, talvez por ser a feliz (agora um pouco menos feliz) proprietária de um veículo marca Volkswagen, estou expectante para ver os desenvolvimentos desta história...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Ir ao céu e ao inferno em dois dias

Eu sei que não há amas perfeitas. Tal como não há infantários perfeitos. Tal como não há avós perfeitos. Adiante... A minha filha está desenvolvida, diz imensas palavras, parece feliz, é sociável e divertida. Em grande parte, isso devo-o à ama que escolhi, bem sei. Mas se lhe agradeço tudo isso, às vezes também me consegue levar ao desespero.

Este fim-de-semana tínhamos um casamento muito esperado, duma pessoa muito próxima. E tínhamos combinado que a ama ficaria com a bebé a seguir à missa, e enquanto durasse o casamento, para podermos estar à vontade os dois. Assim, no fim da missa, lá demos beijinhos a todos os conhecidos, endereçámos os votos de felicidades aos noivos, tirámos fotografias, mais beijinhos, mais fotografias... E ligámos à ama, para avisar que íamos a caminho. Nada. Ama de grilo. Insistimos, insistimos. Nada. Acabámos por levar a bebé connosco para a quinta onde iria ter lugar o copo d'água. Claro que acabei praticamente por não conseguir falar com ninguém, tamanha foi a correria que se seguiu. A minha filha é adorável, mas também tem o seu quê de louca e só está bem a "falar" com toda a gente, a meter-se com todos os que a rodeiam. A dada altura, estava até a dar uma espécie de espetáculo de dança em frente à banda, que tocava ao vivo. Os convidados sorriam. Eu sorria também, mas parte de mim já rezava para que o sono a atingisse e a pusesse a dormir. Isso ou que a ama ligasse de volta. O sono lá acabou por chegar. Por pouco tempo, mas chegou. O telefonema da ama é que só chegaria no domingo...

Conclusão: foi um casamento maravilhoso, divertido e com bom gosto. Mas foi também muiiiiito cansativo. A somar a isto tudo, uma maquilhadora que se atrasou mais de meia hora e me fez também chegar à igreja com a noiva já lá dentro. Um cartão multibanco perdido. Um carro sem gasóleo no dia a seguir. Um Benfica que perdeu. Foi, portanto, um fim-de-semana em que o balanço foi feliz, mas em que me senti viajar constantemente entre o céu e o inferno. Uma parte do céu foi esta, no dia a seguir ao casamento, e apanhar os últimos momentos de verão do ano:
Sim. Uma parte do céu é saber que estes dois fazem parte da minha vida.
 Nos dias bons e nos dias menos bons.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A minha barriga

Estou um bocado desiludida com a vida e com os genes que me saíram na rifa.

Porquê? Porque acabo de constatar que nunca tive uma barriga tão lisa em toda a minha existência como aquela que a Carolina Patrocínio (que partilhou ontem com o mundo que esperava a segunda bebé) tem, com quase 5 meses de gravidez. Desconfio que a anatomia dela é diferente da do comum dos mortais e que o útero dela fica noutro sítio (tipo nas nádegas), porque não vejo onde um bebé possa caber numa barriga tão estreitinha. Eu, com 5 meses de gravidez, estava apenas gorda, sem cintura e com as calças todas já apertadas.

E sim, isto é inveja. Pura.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sonhos estranhos ou o início da loucura

Ando com uns sonhos muito estranhos. Tão estranhos que eu, cética quanto a essa história de os sonhos esconderem um significado ou uma mensagem oculta, já dei por mim a pensar "hmm... quererá dizer alguma coisa?".

Primeiro, sonhei que estava na sala duma casa abandonada em que começaram a entrar lobos. De mansinho, avançavam pela sala a olhar para mim e a medirem-me de alto a baixo. Eu recuei, sem perceber se eram perigosos ou não. Saí da sala e fechei a porta. Eles abriram a porta e vieram atrás de mim. De cada vez que eu abandonava a divisão em que estava, fechava a porta e passava para outra, eles abriam a porta e vinham atrás de mim. Não cheguei a perceber se me queriam atacar. Acordei nervosa, a pensar naqueles lobos estranhos, obcecados em seguir-me, mas que também não faziam mal - simplesmente andavam ali.

Depois, sonhei que estava num concurso de karaoke (!!) em que um homem, supostamente perito na matéria, analisava as nossas capacidades vocais e decidia se sabíamos cantar. Na televisão aparecia um gráfico em que a linha vermelha significava a nota certa, e a linha amarela equivalia à nota em que cantávamos. Comecei a cantar, confiante. Qual não foi o meu espanto quando percebi que nenhuma das notas em que eu cantava se aproximava sequer da certa. Esforçava-me, esforçava-me, mas ficava sempre aquém, muito abaixo no gráfico. E o pior é que eu ouvia-me a cantar bem. "Não sabe cantar!", concluiu o perito, de forma bruta. E acordei, a transpirar.

Lobos, karaokes. Devo estar a ficar louca, não?

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Matei o romantismo

Há três anos, dizíamos o "sim", de sorriso rasgado e olhos humedecidos.
Há dois anos, fazíamos uma festa para comemorar a data.
Há um ano, recebi flores, ofereci uma viagem e trocámos muito amor.

Este ano? Acordei tarde, tomei banho à pressa e reparei que as gavetas da roupa interior estavam todas do avesso (a minha filha acha que as cuecas são colares e adora desfilar com dez ou mais colares de cada vez). Por comodismo, acabei por pegar numa lingerie melhor que tinha guardada, e que foi aquela que vesti no dia "D", há três anos. Só que, para já, é tudo aquilo que assinalo quanto a comemorações do aniversário de casamento: vesti a mesma roupa interior.

Acho que matei o romantismo.

Prometo iniciar manobras de reanimação.

domingo, 13 de setembro de 2015

Um bocadinho de mim

Estive a ler alguns posts antigos meus e foi um exercício engraçado: durante uns largos minutos, voltei a encontrar-me, lembrei-me de quem era há anos atrás. Adoro ser mãe, não me interpretem mal, e adoro conciliar o ser mãe com um trabalho exigente. Não me imagino de outra forma. No entanto, entre o trabalho, o gerir a casa, uma filha e um marido, entre o tratar de todas as facetas da vida, não tenho momentos de pausa. Estou sempre a ir, a fazer, a tratar, a dar, a telefonar, a perguntar, num verbo constante que não me permite, por vezes, simplesmente ser "eu", o sujeito sem predicados. Nos meus posts antigos foi isso que vi: eu, eu, as minhas considerações, opiniões, sonhos, piadas, dramas ou desvarios. "Eu" em modo pausa, contemplativo, às vezes só parvo, mas sempre com tempo, muito tempo.

Onde é que podemos ser nós no meio dos dias a dois, a três, a quatro, entre os dias que se atropelam, onde é que podemos ser nós no meio dos horários, dos prazos e das obrigações? Não sei onde está esse lugar, mas gostava muito de o encontrar outra vez, de vez em quando. Não sei se querer ser eu é, simplesmente, um exercício de narcisismo, um exercício egoísta e infantil, mas sinto que o meu equilíbrio passa por aí, por conseguir conciliar a vida do dia-a-dia com o ter tempo só para ser "eu", com as minhas tais considerações, opiniões, sonhos, piadas, dramas ou desvarios. Ontem estivemos numa festa e a Constança foi connosco. Queria ter uma conversa com princípio, meio e fim, mas não deu. Passei a festa a correr atrás dela, a brincar com ela, a falar sobre ela, a pegar nela e a alimentá-la. Não tive tempo para conversar 5 minutos seguidos nem que fosse sobre o facto de estar chuva ou vento. E isto deixa-me com uma sensação de algum vazio, como se o sermos "nós, família", com tarefas e afazeres me engolisse e me perdesse algures. Sei que nem todos os dias são assim, mas às vezes há um dia destes que nos deixa mais cansados e frustrados e com vontade de nos queixarmos. Faz parte do processo, não faz?


Nota: Gostava de saber escrever bem, ao ponto de conseguir tornar este desabafo um texto poético, bonito, melancólico e profundo, mas saiu assim: um desabafo tosco e desajeitado. Só que nem vou apagar: percebi que este desabafo tosco e desajeitado era, afinal, tudo o que precisava. Hoje, este texto foi o lugar em que me encontrei e fui "eu", só sujeito sem predicado.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A filha do Mourinho

Quando, há tempos, li um boato qualquer sobre a filha do Mourinho poder andar envolvida com um membro de uma qualquer boysband percebi que estava a chegar a altura dela: jovem, rica, filha de um pai famoso, rapidamente iria chegar o momento em que a comunicação social repararia nela.

O que eu não imaginava é que seria a filha a tentar chamar a si a atenção da comunicação social a todo o custo e não o contrário. Ao ler (ou melhor, ao ver!) hoje as notícias, percebi que, realmente, alguém queria muito ser falado - e não, não era o pai Mourinho, porque esse já é naturalmente falado todos os dias. Ora reparem:
Ninguém sai assim de casa, ainda por cima de braço dado com o pai (com o pai!, que deve estar a morrer de constrangimento), se não estiver a pedir atenção a todo o custo, certo? E não me venham dizer que adorou tanto o vestido que se sacrificou por amor à moda... O que é certo é que nem a achava muito gira, mas hoje já nem reparei na cara. Nem eu nem nenhum homem que tenha visto as fotografias! Pronto, e agora que já percebemos que a miúda cresceu, acho que já pode ir tapar-se um pouco, antes que o pai tenha um colapso.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Trabalhar a cabeça

Não sou nem nunca fui adepta de jogos de telemóvel, de computador ou de consolas. Tive a minha dose de Gameboy e Nintendo quando era mais nova, foi uma fase que ainda durou uns dois ou três anos, mas acabou e parecia enterrada para sempre. Hoje em dia, podem ver-me a fazer Sudoku ou Palavras Cruzadas, mas não mais que isso. Até que descobri este jogo inventado por portugueses, o eQubes, e que até me tem feito perder uns minutos. São equações matemáticas, mais ou menos complexas, que têm que ser resolvidas em "x" tempo para podermos passar de nível. Os primeiros níveis têm cálculos um bocado básicos (0=0?, a sério), mas depois torna-se mais interessante. Ele, que começou a jogar antes de mim, dizia-me ontem, meio a brincar, meio a sério, que é bom para combatermos o Alzeihmer. E eu não sei se poderá haver algum fundamento científico para isso, mas que sinto o cérebro mais ativo e exercitado depois de meia dúzia de equações, lá isso sinto. É que já não vou para nova e convém realmente mexer, não só o rabinho, mas também estes neurónios, que com a idade hão-de começar a ficar mais preguiçosos...

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

À procura de casa

Andamos à procura de casa. A casa que temos tornou-se pequena para os três (mais a ama, que lá passa os dias) e para a família e amigos que, por vezes, nos visitam. É pouco espaço para tanta gente e tantas coisas. A casa tinha um tamanho perfeito para um casal em início de vida, mas com o aumento da família tornou-se claustrofóbica. Os armários tornaram-se jogos de Tetris, em que as peças dificilmente encaixam todas. As roupas da estação anterior já têm que ir recambiadas para os arrumos. É tanta gente e tanta coisa para tão pouco espaço que não sei como é que ainda não houve atropelamentos.

Procurámos meses e meses, mas o mercado do arrendamento está louco: as casas são todas caríssimas e boas ou péssimas e com rendas acessíveis, há poucas casas disponíveis com boa relação preço/qualidade. E o que há, desaparece em dois dias, há que assinar logo contrato. A procura estava complicada e deprimente, mas, há cerca de duas semanas, pareceu-me que finalmente tinha encontrado "a" tal. Era enooooorme, em perfeito estado de conservação e sem precisar de obras, numa zona residencial que gosto muito, com bons acessos, ótima exposição solar e um preço que não me pareceu nada proibitivo. Fomos ver a casa e fiquei tão entusiasmada que não resisti e atirei logo numa proposta no final da visita, não sem antes trocar um rápido olhar de confirmação com ele. A proposta foi aceite. Voltámos a reunir-nos com os proprietários para acertar alguns pormenores, Estava encontrado o nosso novo lar. Achava eu.

Duas semanas passadas, ainda não conseguimos assinar contrato nenhum, porque supostamente os donos foram de férias e ainda não conseguiram reunir-se outra vez connosco. Neste entretanto, eu ando a desesperar e a sonhar acordada com novos móveis e decoração. Mas ele, que se revelou um vendido, já viu outra casa que gosta muito. E anda a assediar-me com essa descoberta. Só que eu não esqueço aquele amor e já consigo imaginar-me a ser(mos) muito felizes ali. De maneira que ando com o coração nas mãos à espera do desfecho desta história. Sinto que "a" tal está ali e só espero que não fuja. Vou dando novidades (espero que seja para breve!)...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Dentro do segredo

O número de livros que li nos últimos tempos diminuiu drasticamente. Poderia culpar o trabalho, que me absorve grande parte do tempo. Poderia culpar o facto de ter uma filha pequena, que absorve outra grande parte do tempo. Poderia culpar o meu pequeno drama doméstico de ter um marido que não adora que acenda a luz da mesinha de cabeceira até de madrugada. Poderia culpar as histórias, que andam menos interessantes e que me cativam menos. Poderia culpar muitos fatores. Mas nenhum seria "a" resposta para a diminuição das minhas leituras. A verdade é que ando a ler menos por uma simples razão: preguiça. Preguiça. Não adianta vir com rodeios. Quem quer, lê. Quem quer, faz. Ponto. E eu andei a ler menos porque fui preguiçosa, mas ando a mudar isto.

Nos últimos tempos, além de retomar alguns clássicos, como o "1984" ou o "Admirável Mundo Novo", que são sempre bons de de reler, acabei um livro que, por acaso, até era da minha sogra: o "Dentro do Segredo", do José Luís Peixoto, e que relata a viagem do escritor à Coreia do Norte. A minha sogra comentou comigo alguns trechos e fiquei tão, mas tão curiosa, que logo nesse dia agarrei no livro (com a autorização dela, claro está) e comecei a ler. Sem conseguir parar. Adoro livro de viagens. Transportam-nos para outro lugar e fazem-nos viajar quilómetros, sem mexer o rabo. Mas este livro não é um livro de viagens. Também não é um livro sobre a História da Coreia do Norte, que se limite a descrever datas e números. Este livro é um livro sobre a Coreia do Norte aos olhos de alguém que podíamos ser nós. Este livro é um diário intimista de alguém que interpreta e descreve a Coreia do Norte, como um amigo que nos conta a sua mais recente viagem, num dia de inverno, enquanto seguramos uma chávena de chá quente nas mãos. Não conheço o José Luís Peixoto, mas depois de ter lido o livro, sinto que viajei com ele e vivemos esta aventura juntos. Ri-me com os comentários, ainda que contidos, às descrições dos guias que os acompanharam. Ri-me com as encenações feitas nas visitas às fábricas, aos supermercados, aos museus e ao laboratório. Partilhei do cansaço nas viagens infindáveis de autocarro. Partilhei da dúvida generalizada face ao que se ia vendo. Vivi, como se fosse minha, a angústia de não ter telemóvel. De só ter um canal de televisão em todo o lado. De todas as regras e proibições. Cansei-me de ouvir falar dos Líderes. Mas foi uma bela viagem. E hei-de ler mais, muito mais, do José Luís Peixoto. Só tive pena de só agora o/nos ter/termos conhecido.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O cycling é demoníaco

Hoje à hora de almoço decidi ir ao ginásio. Fui ao site espreitar o mapa de aulas e vi que havia pilates. Não sou muito de aulas de grupo, mas costumo gostar de pilates e de todas as aulas que envolvam alongamentos e conhecer, basicamente, os limites ao nível do contorcionismo do corpo. No final da manhã, ainda no trabalho, comecei a ativar o modo "zen", depois peguei nas coisas, meti-me no carro, pus uma música mais calma e fui para o ginásio. Quando lá cheguei tive, no entanto, uma surpresa.
- Pode dizer-me em que sala é a aula de pilates?, perguntei ao rapaz da receção.
- Hmm... pois... vinha à aula de pilates? É que o novo mapa de aulas só entra em vigor na 5a. Hoje só há cycling, a esta hora, e hidroginástica. Por que não experimenta a aula de cycling? Dizem que é muito boa, os alunos adoram.
- Não sei, vinha mesmo a contar com o pilates...
- Experimente. Vai adorar, a sério.

E fiz aquilo que nunca se deve fazer: receber um conselho dum estranho. Pior que isso: acatar um conselho dum estranho. Mas aquele rapaz, que nunca me tinha visto na vida antes, faz ideia do que eu gosto ou não gosto? Aquele rapaz faz ideia do que eu vou adorar? Pois passado 50 minutos eu tinha uma dor gigante nas coxas e um coração a mil a gritarem-me "Claro que não! Burraaa!!".

Fui fazer a aula. Eu devia ter percebido logo desde o início que não estava no meu ambiente: toda a gente já estava sentada, com ar compenetrado, e devidamente equipada com fatos de ciclista dignos da Volta a França (eles) e bodies justos, decotados e berrantes, a exibir a boa forma física e o bronze do verão (elas). Devia ter percebido que não estava em terreno de amadores e devia ter fugido logo. Enquanto escrevo isto, com as pernas e os braços ainda a tremer, apetece-me bater com a cabeça na secretária. Bur-ra! Mas ali fiquei. A música começou e a professora logo explicou que era tempo de tratar de inverter os erros das férias. Íamos voltar à forma. Apeteceu-me gritar "Calma que eu nunca estive em forma nisto do cycling!!", mas vi os outros a acenarem e fiz o mesmo, como quem diz "claro, força com isso". A pressão do grupo é tramada. A música não deu tempo para respirar. Não sei que cd era aquele, nem como apelidar o estilo de música, mas pela batida acelerada diria que seria humanamente impossível, para mim, acompanhar aquilo com passos de dança dignos desse nome.
- Vai começar a montanhaaaaa! Toca a aumentar a carga!!
E assim fui apresentada ao mote da aula. Tenho ideia que aquela frase foi repetida tantas vezes como o número de batidas da música, mas talvez seja um pouco exagerado, pensando bem.

A partir daí, não parámos de subir montanhas. Cada uma mais alta que a outra. Tínhamos que subir parte com o rabo empinado no ar e só podíamos descansar no assento quando estivéssemos mesmo de rastos (sendo que o descanso no assento era demoníaco, porque aquele assento faz doer o rabo como tudo!!). Obviamente que me sentia sempre de rastos, mas quis manter alguma postura e tentei ir quase sempre com o rabo no ar também. Maldita decisão. Sinto que subi três vezes a Serra do Marão em bicicleta. Não tenho a certeza de já conseguir sentir o rabo. Não sei bem como é que os homens aguentam aquele assento entre as virilhas, com os todos os extra que têm, comparando com as mulheres. Tenho os braços e pernas a tremer. O coração ainda não acalmou. E acho que vou ter pesadelos com montanhas nos próximos dias.

Só posso concluir uma coisa: cycling é completamente demoníaco. E enquanto me lembrar disto, ninguém me vê sentada num assento duro, que me magoa as virilhas e as nádegas, a pedalar a 200km/h e a subir montanhas imaginárias, com o coração a saltar da boca. Parabéns a todos os que conseguem, têm o meu maior respeito e consideração, boas montanhas a todos, mas eu não sou, definitivamente, uma dessas pessoas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O perigo de ter uma filha que começa a imitar tudo

A Constança começou ultimamente a imitar, além das palavras que consegue repetir, alguns gestos, posturas e movimentos nossos. Assim, se pusermos a dar música, já abana a anca com moderada destreza; se dissermos "shiu!", já leva o dedo em riste aos lábios; quando dizemos "não", abana com o dedo, etc. Só que, nos últimos dias, apanhou mais alguns gestos nossos que me apanharam completamente desprevenida.

Ontem, o meu pai estava a falar com ela e a dizer algo como "quando fores mais crescidinha, venho buscar-te e vais passar os fins-de-semana com os avós". Olho para ela, está ela a tapar os ouvidos, com ar de sofrimento. Ignorei, enquanto tentava conter o riso, e tirei-lhe as mãos das orelhas. O meu pai continuou o discurso. O mesmo gesto a tapar os ouvidos. Não conseguimos evitar as gargalhadas.

Mas ainda houve pior. Estava eu depois a comentar, na esplanada do restaurante, que alguém na mesa ao lado não parava de fumar, quando olho para baixo e está ela, aquele micro ser, com um ar muito indignado a fazer o mesmo que eu - a imitar o movimento de fumar! Fiquei com dores de barriga de rir.

De forma que agora, além de termos que ter cuidados redobrados com a linguagem, também temos que ter atenção aos gestos que fazemos. E esta miúda ainda só tem um ano e três meses. Imagino que isto vá sempre piorar. Estou tramada...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pequenas guerras na cama

Sempre tivemos uma pequena guerra cá em casa. Em discussão estava o ler ou não ler um livro na cama, antes de dormir. Eu sou totalmente a favor - habituei-me a ler na cama desde que me lembro de saber ler, relaxa-me, transporta-me para outro mundo e sempre foi um dos meus rituais preferidos do dia. Ele encontra-se do lado oposto da guerra - diz que a cama serve é para dormir (ok, e talvez para outras coisas, mas não envolvem livros!), não gosta de ter a luz do candeeiro acesa, faz-lhe confusão tanta luz antes de dormir e não é tão amigo da leitura como eu sou, ficando satisfeito por ler apenas em 2 minutos as notícias no iPad. Como é que temos resolvido esta guerra? A verdade em que nem sei bem responder. Não sei explicar ao certo como é que sobrevivemos, mas terá sido por força de cedências de parte a parte: hoje estás cansado, não leio; hoje estás a ver as notícias no iPad, vou ler mais um capítulo; e assim alternadamente. Quando ele ficava com sono e a luz começava a incomodá-lo, cheguei a ir para a sala acabar determinado livro, porque não conseguia parar de ler naquele momento. Sem discussões. Cedências, portanto. Mas esta guerra teve altos e baixos. Teve vitórias e derrotas. Vencidos e vencedores. Teve o dia em que recebi uma mini lanterna com uma mola para encaixar nos livros (presente duma amiga atenta aos meus dramas familiares) e achei, durante um período de tempo, que o mundo (dos livros na cama) era meu. Só que a abençoada lanterna acabou "comida" pela Malti. Agora que penso nisto a esta distância já não tenho a certeza se terá sido completamente acidental, mas foi assim que o período "lanterna" terminou. Teve ainda a altura em que o convenci a começar a ler também, todas as noites, e chegámos até a ler juntos, cada um o seu livro. Durou pouco. Teve a altura em que decidimos ambos ver filmes ou séries na cama em vez de lermos. Também terminou. E ultimamente eu fazia um esforço para ler mais durante o dia e não ler na cama. Cedências, cedências...
Até que hoje li esta notícia e sinto que a minha guerra ganhou um novo fôlego, com clara probabilidade para mim de a vencer. Só tenho que imprimir umas vinte cópias desta notícia em tamanho A3 e, de seguida, espalhá-las pela cama. Acho que vai acabar por ler quando for dormir. E quem sabe se o convenço a aderir à leitura noturna... Segundo este estudo, 6 minutos de leitura noturna reduzem o stress em 68%, além de esvaziarem a mente e prepararem o corpo para dormir. Além disso, quem lê bastante demonstra melhor memória, melhores habilidades mentais, entre outras inúmeras qualidades. É preciso mais argumentos? Parece-me que esta guerra está claramente ganha. ;)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O perigo de ter uma filha a começar a falar

A Constança tornou-se, nos últimos meses, além duma mini corredora de maratonas, uma palradora nata. Aos "papá", "papa" e"olá" constantes, foi acrescentando palavras como "mamã" (finalmente!!!), "sim", "não", "avô", "avó", "umqué" (com um acenar de cabeça, que deve significar "não quero"), "dá" e palavras um pouco irrelevantes para o dia-a-dia como "avião", "uva", "papel". Ao mesmo tempo, aprendeu palavras constrangedoras como "xixi" e "cocó" (que adora dizer bem alto quando alguém vai à casa-de-banho) e ainda "pipi" (que significa "passarinho", e costuma ser acompanhado de um apontar para o céu, a mostrar o pássaro em questão).

O problema é que, no meio disto tudo, começámos a puxar mais e mais por ela. E a dada altura talvez tenhamos puxado demais. Este fim-de-semana, a minha mãe começou a tentar ensinar-lhe, entre palavras como "mão", "pé", "um", "dois", "três", etc, a palavra "stop". Não me perguntem porquê. Estávamos todos à mesa.
- Quantos anos tens?
-...
- Um! Diz "ummm".
- Um!
- Quantos anos tens?
- Um!! (dedo ao alto)
- Muito bem! (risos)
- E stop? Consegues? Diz "stop"! Sssss-tooop!
- P#t@! (muito baixinho, a medo)
Silêncio.
- P$t@@!! (bem alto)
A minha mãe ficou paralisada e vermelha, a olhar para mim.
- Eu não lhe ensinei isto!

Sim, o problema de ter uma filha a começar a falar é que começam a sair estas pérolas quando menos esperamos. Escusado será dizer que ainda se ouviram mais umas destas ao longo do fim-de-semana. E a ironia é que esta palavra em concreto acabou por ser ensinada por uma pessoa que nunca disse um palavrão na vida.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O LOL morreu?

Já não era sem tempo. Juro que esperei anos e anos por este dia. E finalmente chegou: de acordo com as mais recentes pesquisas levados a cabo junto das redes sociais, o "lol" está em desuso, encontrando-se o "haha" a recuperar o terreno que foi (com muita pena minha) perdendo. Podem saber mais aqui.

E eu sei que já expliquei mais que uma vez aqui no blog a minha aversão à expressão e que posso estar a ser repetitiva, mas nunca me parece demais repetir os argumentos em assunto de tão elevada importância.

Apresento aqui os meus argumentos a favor do movimento "Anti-Lol". Junte-se a mim quem vier por bem:
1 - O "lol" soa mal. Sim, experimentem dizer "lol" em voz alta. Tem um som ridículo, parece que estamos a enrolar a língua duma forma errada, duma forma que não é suposto o músculo da língua ser usado.
2- O "lol" é, na maioria das vezes, mal aplicado. De facto, significa "rir às gargalhadas alto e bom som", o que nem sempre é aplicável, porque há piadas que não merecem uma gargalhada, mas somente um sorriso. E às vezes nem um sorriso, quanto mais um "estou a rebolar a rir"/"lol".
3- O "lol" é utilizado, na maioria das vezes, como uma bengala de linguagem, quase como uma vírgula ou um ponto final e já não com o sentido de "ri-me imenso com aquilo que acabaste de dizer".
4- O "lol" encontra-se atualmente desvirtuado, porque é também utilizado como ironia - "ele disse isso? lol", significando somente que a pessoa em causa discorda, duvida, acha ridículo ou estúpido.
5- O "lol" torna os discursos mais redutores e pouco variados, pois quem o utilizada acaba a repetir a expressão demasiadas vezes, em vez de comentar com palavras e sentido de humor momentos que considera engraçados.
6- O "lol"é estúpido. Ok, este argumento é fraco, vale o que vale, mas o que querem que diga? Lol.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O dia imaginado

Imaginei tanto, tanto o dia que, quando chegou, senti que já não precisava dele. Refiro-me a passar um dia sozinha. Refiro-me a ter um dia só para mim, para descansar e fazer o que me desse na real gana. Imaginei-me numa praia, a apanhar sol e a ler. Imaginei-me a nadar em águas calmas e mornas, imaginei-me numa esplanada a beber um gin. Imaginei-me no silêncio, sem horários, sem sopas ou papas para dar, sem fraldas para trocar e sem choros ou apelos de fundo. Imaginei-me assim, muitas vezes ao longo do último ano, sem crianças, num dia de descanso só meu.

O dia finalmente aconteceu ontem. Ou melhor, podia ter acontecido ontem. O pai estava para fora e a Constança tinha ficado um bocadinho com os avós. Vi-me estendida na areia. O sol a tocar-me na cara. O livro "Dentro do segredo" ali ao lado, a piscar-me o olho, à espera que acabasse de ler os relatos sobre a viagem à Coreia do Norte do José Luís Peixoto (recomendo vivamente!). O mar a chamar por mim. O relógio e o telemóvel guardados, na mala, sem intenção de pegar neles tão cedo. Estive assim cerca de uma hora, hora e meia. Acho que até fiquei com um ligeiro bronze desse tempo. Descansei. E gostei muito. Mas o que é que me aconteceu depois? Comecei a ligar aos meus pais. Eu, que tinha acabado de deixar a minha filha com os avós, para uma tarde só de avós e netinha. Quis saber se estava bem. Se já lhe tinham dado a sopa. Se ela tinha chorado muito sem mim. Se lhe tinham trocado a roupa. Se, se, se. Uma chata do pior. Desliguei. Voltei a tentar aproveitar o momento só para mim. Mais uma hora. Talvez nem tanto. Talvez esteja a ser otimista. Foi muito menos. Voltei aos telefonemas. E acabei a assumir o pior: queria ir ter com eles. Não queria mais estar sozinha. Ou com amigos. Queria estar com a minha bebé. Sou uma fraca. Sou uma fraca. Sou uma fraca. Imaginei tanto o dia e, quando ele finalmente chegou, vacilei. Hei-de melhorar numa futura oportunidade.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Hoje vi um antigo amor

Hoje vi alguém de quem já gostei muito, há cerca de mil anos atrás, mais coisa menos coisa. E alguém que, com o passar dos anos, deixou de ter importância tal ao ponto de, atualmente, ser praticamente igual vê-lo a ele ou a um funcionário das Finanças. Quase zero. Um carinho no máximo. Uma amizade, se formos muito abrangentes no conceito de amizade. É triste, não é? Senti-me uma pessoa fria, mas a verdade é esta: senti zero. (Às tantas tornei-me mesmo numa pessoa fria. Que bom, sempre quis ser uma pessoa fria.)

Para onde vai este amor todo que já sentimos e desapareceu? Vagueia, triste e órfão amor, até se transformar em nuvens e chorar sobre nós? Recicla-se dentro de nós e é depois reutilizado, gasto e usado amor, nas novas paixões? Prefiro a primeira hipótese. Não gosto de pensar que ando a usar amor reciclado. Gosto de pensar que aquilo que sinto, atualmente, a cada dia, é novo, é virgem e está a ser estreado. Gosto de sentir que aquilo que sinto está a ser sentido pela primeira vez. E gosto de pensar que serei capaz de me apaixonar assim continuamente, como se cada dia fosse um começo, cada conversa fosse surpreendente, e cada beijo soubesse a primeiro, mesmo que tenha 90 anos e continue a dedicar todos os dias o meu coração velhinho à mesma pessoa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Bipolaridades

Garanto-vos que não sou bipolar. Mas a verdade é que, ultimamente, me ando a sentir um bocado aos altos e baixos. Tanto ando eufórica e otimista, como me deixo levar pelos episódios menos felizes. A morte da Malti também não contribuiu para a alegria constante, eu sei e repito-o para mim mesma, para me sentir mais "normal". E a tristeza também que ser vivida com a calma necessária, para não deixar marcas, repito igualmente para mim mesma. A verdade é que andei durante uma semana a tentar sorrir e aproveitar as férias, a tentar ver o lado positivo de tudo, e a seguir tinha um telefonema da veterinária com más notícias que me tirava praticamente o chão debaixo de mim. Chorei muito. Desesperei muito. Era só um cão, dirão alguns. Pois era, era só um cão, mas foi também a minha primeira, a minha única, a minha fiel cadelinha que adorava e levava para todo o lado. E custa sempre separarmo-nos daqueles (mesmo que tenham quatro patas) que gostamos. Depois desse dia, tenho tentado "auto-animar-me". Olhar outra vez para o lado bom de tudo. Costumo ser boa nesse jogo. Correção: costumo ser muito boa (posso deixar as modéstias para o lado, certo?). Mas costumava ser algo muito muito natural em mim, que fazia sem esforço. Este exercício de tentar estar eufórica e otimista é difícil. É mais difícil quando - lá está - até então era natural e fazíamos sem pensar.

Garanto-vos que não sou bipolar. Mas, enquanto escrevo este texto, passei dum nó na garganta gigante a um estado de calma e tranquilidade. Às vezes bastam pequenas coisas, como um telefonema, para trazer outra vez um sorriso. Às vezes bastam pequenas coisas para nos reiniciar no tal jogo de sermos otimistas de forma natural.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O bikini chegou

Falasse eu mais cedo e tenho para mim que o bikini também teria chegado antes! Não é que, minutos depois de publicar o post anterior, a campainha de casa tocou e o carteiro deixou (finalmente!) a encomenda desejada?
- Chegou uma encomenda para si, escreveu-me por SMS a minha empregada.
Pelo que, mal pude, fui a correr a casa. Fiquei impressionada: dentro do típico envelope acastanhado dos CTT, um elegante saco hermético personalizado com o logo da marca e, dentro, bem dobrado, o bikini. Experimentei em frente ao espelho e fiquei satisfeita: assenta praticamente como imaginava, não fosse ali na zona das mamas, que podia ter um decote mais decotado e bonitinho.
Tivessem sido mais rápidos (quase 2 semanas e sempre a adiar...?) e era menina para vos vir falar muito bem da marca.

Duas semanas à espera de um bikini...

Encomendei há duas semanas um bikini duma marca portuguesa que só vende através da sua página do Facebook e do Instagram. Escolhi o modelo, troquei email para confirmar que tinham o meu tamanho, a cor pretendida, pedi o NIB, transferi o dinheiro, enviei o comprovativo de pagamento e facultei os meus dados e morada. Disseram que demoravam 2 a 3 dias úteis. Isto há duas semanas! Fui para o Algarve de férias e bikini nem vê-lo. Como tive que interromper as férias com a doença e internamento da Malti nem pensei mais nisso do bikini. Mas irritou-me profundamente regressar a casa e ver que continuaram sem mandar nada, mesmo depois de ter enviado email a insistir. Na quinta-feira passada disseram que ia receber no dia seguinte, sexta-feira. Nada. Ontem também nada. Hoje ainda nada. Já enviei email a repetir que ainda não recebi. Começo a perder a paciência. Então vão-me enviar o bikini quando? No inverno? Estou aqui a conter-me para não dizer o nome da marca, mas se continuarem sem mandar, tenho que fazer algo...
(Inspira... Expira...)
Já alguém teve uma experiência semelhante?

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

(Pausa para respirar e falar de banalidades)

Este ano, decidi que iria trabalhar em agosto. Os preços dos hotéis sobem sempre nesta altura, há mais confusão, trânsito, mais gente em todo o lado e, para piorar, nem sempre o tempo está melhor nesta altura que em julho ou setembro.
Estava segura que tinha tomado a melhor decisão quando marquei uma semana em julho e duas em setembro.
O pior é que também acaba por ser estranho "remar contra a maré". Ligue para onde ligar, as pessoas responsáveis estão de férias e não consigo resolver nada.
Os corredores estão mais vazios.
O telefone mal toca.
Há um silêncio tão estranho que o trabalho nem parece o mesmo.
Faltam as conversas, faltam as pessoas a preencher os lugares para onde quer que olhe.
Para já, estou a estranhar esta calma toda e a perceber ainda se foi boa ideia ou não.
Deixarei que a produtividade desta semana decida por mim.

A minha fiel companheira morreu

Durante anos e anos sonhei ter um cão, mas os meus pais pesavam os prós e os contras e a resposta que me davam era sempre a mesma: "Não". E eu argumentava, e trazia mais prós à colação, e argumentava e argumentava. A resposta mantinha-se a mesma: "Não". E insistia: "Mas eu tomo conta dele! Eu passeio-o. Eu levo-o ao veterinário. Eu educo. Eu apanho os cocós". Era indiferente: "Não. Não. Não". Já não me lembro das explicações todas, mas lembro-me das principais: não, porque dava muito trabalho, não, porque gastava-se muito dinheiro com veterinários quando adoeciam e ainda não, porque doía muito quando morriam. Doía muito quando morriam. Nunca percebi bem esta. Não morre toda a gente? E é por isso que vamos ignorar laços e viver sozinhos? Não...

Quando me tornei independente e ganhei alguma estabilidade profissional (e emocional, porque acabaram por se alinhar ambas), percebi que estava na hora: eu ia ter um cão. A raça já estava mais ou menos definida: queria uma raça de tamanho médio, com personalidade, com energia, com independência e capacidade de se adaptar a uma família, a muita gente e a bebés. Sim, porque se tinha 28 anos e estava a pensar em ter um cão, tinha que pensar a longo prazo e na família que havia de vir um dia. Adorava os fox terrier de pelo de arame e, quanto mais lia sobre a raça e as características, mais percebia que se iria adaptar na perfeição à minha vida. Pesquisei criadores, fui à zona de Aveiro visitar aquele que, pelas pesquisas, me pareceu melhor, e apaixonei-me logo pelo casal de cães e pelos cachorrinhos recém-nascidos que o criador tinha. O criador era uma pessoa apaixonada pela raça, pela música e pela vida, por isso, facilmente me cativou. Fiquei horas a beber cada palavra e a convencer-me do que não precisava de "convencimento". Passado uma semana voltei para escolher o cachorrinho que iria levar, depois de levarem as vacinas e fazerem dois meses. Já só havia duas cadelinhas. Eu tinha pensado inicialmente num cão e não numa cadela (principalmente por causa do cio), mas mudei de ideias num segundo, quando as vi. Faltava escolher. Uma estava a olhar para mim, muito fixamente, e eu fui ter com ela e fazer-lhe uma festinha, enquanto ela abanava a cauda, de alegria. Até que o criador me deu uma dica:
- Deve ser a cadela a escolhê-la. Geralmente é assim que se faz... Não se mexa e veja qual a escolhe.
E eu fiquei ali quieta. Um pouco nervosa. A ver se alguma me escolhia. Nisto, enquanto uma delas descansava com ar tranquilo, a outra que cumprimentei inicialmente começou, com ar de traquina, a comer flores dum vaso. O criador deu um berro e tentou afastá-la do vaso. A malandra comeu na mesma as flores, de olhos fechados, enquanto ouvia o berro e, em dois segundos, fugiu. Foi a correr até um canto. Ficou ali quieta, a mastigar. Passados uns segundos, começou a tossir. E a vomitar as flores todas. E eu ria-me, com aquela rebeldia. E enquanto me ria, a outra acordou e veio, lentamente, ter comigo.
- Parece que já a escolheram.
Olhei para baixo. Vi aqueles olhos meigos a analisarem-me e a pedir mimo. E quase cedia.
- Desculpe, mas eu já escolhi aquela.
Eu não sou pessoa de decisão rápida, mas quando gosto, gosto mesmo. Ali não tive dúvidas.

Até hoje, sinto que, ao contrário do que seria suposto, fui, portanto, eu que a escolhi e não ela a mim. Mas nunca me importei. Sei que escolhi bem. Sempre soube.

Voltei para casa para tratar de toda a logística: ração, ossos, brinquedos, caminha, trela, coleira,... E, quando fui buscá-la, uns dias depois, sentia-me mais feliz que nunca. Era um sonho de criança a realizar-se. Naquele dia, não foi uma jovem mulher de 28 anos buscar um cão, mas uma criança de 6 anos que realizou o seu sonho. Na viagem de regresso, tinha o coração aos saltos. Não consegui resistir, peguei na cadelinha e trouxe-a ao colo. Vim a falar com ela a viagem toda, a falar sobre mim, a explicar que ia trata-la bem e que íamos ser muito felizes juntas. Era setembro. Estava calor. Respirava-se final de férias e ainda a calma e o otimismo dos reinícios. E eu sabia que o meu reinício de vida não podia ser melhor. E não me enganei.

(Continua...)

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Malti

No dia em que a Malti fazia 5 anos, decidi que estava na altura de a mimar. A verdade é que, desde que a Constança nasceu, a cadelinha acabou por ficar, inevitavelmente, em segundo plano. Chego a casa, no final do dia, e é com a Constança que brinco. À hora de almoço, é também com a Constança que brinco. Quando está bom tempo e estou para aí virada, ainda me aventuro a passear ambas (filha e pequena de quatro patas) no jardim, durante uns trinta minutos. Mas os velhos passeios diários com a Malti? As velhas corridas junto ao rio ou junto ao mar? Há muito que deixaram de existir e é agora a ama que a passeia. Eu continuo a adorar a Malti, claro, mas a disponibilidade com uma criança pequena em casa mudou, e isso é coisa para me ter deixado com peso na consciência há já alguns meses. No fim-de-semana passado decidi mimar a aniversariante e fomos passar o fim-de-semana fora, numa casa de turismo rural, junto do Gerês.

O fim-de-semana prometia, mas acabou mal. De sábado para domingo, durante a noite, a Malti começou a uivar e a "chorar". Pareciam dores, muitas dores. E parecia "remar" no chão, como que a tentar aliviar a dor. Tentei pegar nela e acariciar a barriga, mas nada parecia resultar. Acabámos por adormecer outra vez. No domingo acordei eu com dores de barriga e achei que teria sido algo que todos tínhamos comido ou bebido (cadela incluída). As dores passaram, a Malti não se queixou mais, esquecemos o assunto e aproveitámos o resto do dia para descansar e apanhar sol. Domingo à noite, já em casa, a Malti começou a tremer, foi contra as portas, com dificuldades a andar, desorientada e com o rabo entre as pernas, e ficámos assustados. Combinámos levá-la à veterinária na segunda logo de manhã. Só que na segunda a ama disse-me que ela estava ótima e já não tinha nada. Andava sem dificuldades, abanava a cauda, parecia igual a sempre. Não levámos à veterinária. Até que, segunda à noite, repetiu-se o cenário. Não adiámos mais e levámos à veterinária no dia seguinte. Falou-se em "leishmaniose" como principal suspeita. A Malti ficou internada para observação, a soro. Os sinais estavam estáveis. Passámos a semana assim: no final do dia, eu ia buscá-la e trazia-a para casa. De manhã, ia levá-la outra vez. O teste da leishmaniose deu positivo, mas pediu-se uma contra-análise para confirmar, porque os exames renais não deram os valores que seriam esperados no panorama da doença.

Nós tínhamos marcado férias no Algarve a partir deste sábado e, com o aproximar do dia, sabíamos que tínhamos que tomar decisões. Como a cadelinha parecia estável, optámos por deixá-la com os meus pais, que se comprometeram a vigiá-la e a reportar à veterinária qualquer sinal anormal. Viemos embora para o Algarve otimistas, mas saudosos. O problema foi que domingo a Malti teve convulsões. Três convulsões seguidas. Os meus pais levaram-na a todo o gás para a veterinária novamente. Inchaço anormal no cérebro. Líquido em excesso. Tiveram que a anestesiar. Retirar líquido para análise. Colocá-la com baixa atividade cerebral para acalmar.
- Coma?, perguntei eu à veterinária por telefone, eu que não domino (de todo!) a linguagem médica.
- Coma induzido, sim.
E assim está a minha pequenina de quatro patas, enquanto eu estou longe.
Fizeram um TAC e afastaram a possibilidade de ser um tumor cerebral. Mas continuamos sem saber o que se passa. E continuamos com o coração nas mãos há dois dias. Não sabemos se terá sido mordida por algum mosquito na zona do Gerês. Em princípio será algo infeccioso, mas eu, leiga na matéria, só queria perceber se há possibilidade de tudo se resolver e voltar ao que era...

A Malti fez 5 anos e eu tinha imaginado que a minha filha cresceria com ela, e que seriam as melhores amigas nos próximos anos. Vou tentar manter-me otimista, mas, até lá, peço a quem perceber um pouco do assunto que partilhe opiniões ou testemunhos. Obrigada!

domingo, 26 de julho de 2015

Manual para ultrapassar as saudades

Há uns dias, recebi um e-mail duma leitora muito querida que me contou a sua história de amor e pedia-me conselhos, pois sabia que eu tinha também passado por algo muito semelhante. Dizia-me ela "sei que também teve durante algum tempo uma relação à distância (...) claro que queria muito viver com ele e ter uma família...Sinto-me sozinha, principalmente ao fim-de-semana... há dias que não consigo mesmo controlar as saudades e discuto com ele...Tens algum conselho a dar-me? (...)".

Relações à distância. Saudades... Como sobreviver? Como fazer com que resulte? Li o e-mail. E identifiquei-me logo, era impossível não identificar. A sensação de nos sentirmos sozinhas, mesmo sabendo que temos alguém era-me tão familiar... Comecei logo logo a responder. A explicar que me revia na história. A explicar que já tinha passado pelo mesmo. A explicar como tinha ultrapassado. A dar mil conselhos. E mais mil conselhos. Até que, perto do final do e-mail, suspirei... reli o que tinha escrito e apaguei tudo, sem olhar mais para trás. Quem queria eu enganar? Já passei pelo mesmo. Mas é mesmo verdade que ultrapassei? Estou viva para contar a história, mas só isso. Não tenho mérito nenhum. Não ultrapassei nada. Não me tornei perita no tema. Sou só uma sobrevivente, mas não um exemplo a seguir. O que aconteceu comigo foi a aplicação duma regra muito simples chamada "tempo". O "tempo" passou. E cheguei até aqui para contar a história. Dizem que o tempo cura tudo, mas não acredito. O tempo passa sempre, mais rápida ou lentamente, e torna tudo mais distante. Só isso. Se pensar nas saudades que senti, continuo a sentir hoje o mesmo aperto no coração. Esse aperto forte e detestável, essa dorzinha que não passa chamada saudades.

Mas há afinal um manual para relações à distância? Há um manual para lidar com as saudades? Não há. O amor pode viver-se nas palavras que se trocam, nas memórias e no carinho, mas o amor precisa de toque, alimenta-se da presença do outro. Gostar é precisar de tocar na outra pessoa. É precisar de a olhar. Horas a fio, se for preciso, até todos os traços ficarem guardados com exatidão na nossa memória. Gostar é precisar de treinar constantemente todos os sentidos. E felizes os que conseguem gostar à distância e sentir-se preenchidos na mesma. Mas eu não faço parte desse leque de felizardos. O tempo que passei com saudades foi um tempo de vazio constante. E por muito que tentasse preencher esse vazio com telefonemas, mensagens, e com planos para o futuro, nunca deixava de me sentir incompleta. Por muito que me ocupasse com tudo e mais alguma coisa (e muito me tentava ocupar!), fosse trabalho, fossem filmes, livros, música, desporto, por muito que estivesse com amigos, faltava sempre aquela pessoa. Não sei lidar com saudades. Se gosto da pessoa, não quero viver a vida privada da minha presença preferida.

Manual para lidar com saudades? Seria um manual de matança. Porque as saudades devem ser mortas. Uma a uma. Um casal pode viver afastado, mas tem que ter um plano que o ajude a suportar a distância e a controlar as saudades. Fins-de-semana a dois. Objetivos a curto e médio prazo. Saber que se controla o futuro, seja de que maneira for. No nosso caso, tínhamos delineado que, ao fim de "x" tempo, um de nós tinha que ceder e ir viver com o outro. Felizmente, o destino esteve do nosso lado e, a meio da minha licença de maternidade, sorriu-nos. Foi dos melhores telefonemas da minha vida. Porque nos juntou outra vez.

Não sei lidar com as saudades. A distância doí-me fisicamente. Não sei lidar com a necessidade de querer ver a pessoa e não poder. E não me peçam promessas. "Prometes que pensas em mim todos os dias?". Estas promessas são seguidas por mim demasiado bem. Não penso todos os dias. Se gosto mesmo, penso todas as horas. Não me dediquem músicas. Se gostar, quero dançar cada música a dois. A única coisa que gosto nas saudades é a contagem decrescente. A única coisa que gosto nas saudades é da sua matança. Nua e crua. A matar as saudades sou rainha. A vivê-las, sou a pior pessoa. Por isso, querida leitora, só posso dar esse conselho: viva da melhor forma possível a contagem decrescente. Ocupe-se da forma mais divertida que conseguir. Façam planos para o futuro que a tranquilize e faça sonhar com uma vida a dois, mais cedo ou mais tarde. E mate as saudades em grande, sempre que puder.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Sou só eu que já não consigo ler o nome "Sara Carbonero"?

Ai a Sara Carbonero não quer mudar-se para o Porto.
Ai a Sara Carbonero prefere Madrid.
Ai a Sara Carbonero disse isto.
Ai a Sara Carbonero disse aquilo.
Ai temos que mostrar à Sara Carbonero o valor do Porto.
Ai temos que mostrar à Sara Carbonero que o Porto é que é.

Mas quem é a Sara Carbonero neste mundo? Falo a sério. O que nos interessa a opinião dela? É alguém cujas opiniões sejam relevantes para os portuenses ou para o resto do país? Não me levem a mal: a jornalista até pode ser alguém com um Q.I. muito acima da média, viajada, inteligentíssima e culta, com gostos requintados e apurados, mas até hoje nunca a ouvi dizer nada que me parecesse relevante, por isso, é-me totalmente indiferente que goste ou não do Porto.

Além disso, todos sabemos que o Porto esteve, até muito recentemente, envolto em mitos vários, como por exemplo: é uma cidade cinzenta, velha, degradada, em que só se fala do FCPorto, está sempre mau tempo, as pessoas comem francesinhas todos os dias ao almoço, que intercalam com tripas ao jantar, falam à "Puarto", com palavrões, vivem todas na Ribeira e são comandadas pelo Pinto da Costa. Mas não. O Porto tem conseguido revelar, nos últimos tempos, que é muito, muito mais. E tenho a certeza que todos estes mitos têm vindo a ser desfeitos e a imagem que passa lá para fora está, lentamente, a mudar.

O Porto é luz, é rio e mar, o Porto é, como canta o Rui Veloso, "da Ribeira até à Foz", é gente nova e empreendedora que enche as ruas cheias de História com futuro e planos, o Porto são as fachadas que ganham vida nova de dia para dia, o Porto é a Universidade e os seus estudantes, não é a Sara Carbonero, porque para cada Sara, há mais de dois milhões de apaixonados pela cidade. E eu, não tendo nascido no Porto, faço parte deste número.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Isto de ser adulta

Há dias, alguém me dizia  "não falei logo contigo para jogar padel, porque imaginei que, agora com uma filha, não pudesses fazer programas à noite". E não me importei nem pensei mais nisso (até hoje), porque a pessoa em questão não tem filhos e podia estar a dramatizar um pouco o que é isto de ter uma filha.

No último casamento que tive, comentava uma amiga minha (solteira) comigo: "agora não vos convido para jantar, porque imagino que tenham mais que fazer". Dei-lhe um raspanete pelo comentário e expliquei que continuávamos sempre disponíveis (e cheios de vontade!) para jantares e programas giros. Não pensei também mais no comentário (até hoje), porque pensei que poderia apenas ser uma desculpa (esfarrapada) para a falta de iniciativa para convites.

Só que ontem foi a minha própria mãe a dar a "facada" fatal e a atirar a gota que fez transbordar o copo. Comentava eu que andava com menos tempo para ir ao ginásio, quando a minha mãe respondeu, sem hesitar: "mas tu achas que eu conseguia ir ao ginásio contigo e com a tua irmã em casa? é normal, agora não tens tempo. és adulta". E fiquei a matutar naquilo. E a matutar. E a matutar.

Mas desde quando é que ser mãe implica que temos que "ser adultos" e abdicar de tudo o que nos faz feliz: jantares, ginásios, jogos com os amigos...? Faz tudo parte do pack "ser adulto responsável e caseiro"? Não, não me posso identificar com este estilo de vida. Adoro ser mãe. Não consigo estar um dia sem ver a minha filha. Morro de saudades se não a vejo à hora de almoço, por exemplo (sim, continuo a ir quase sempre a casa almoçar, só para a ver!). Mas nunca me pareceu incompatível o ser mãe com o ir correr no final do dia. Ou ir jantar com os amigos (e levá-la quase sempre connosco, se o sítio propicia - por que não?). Serei menos adulta por isso?

A verdade é que me sinto quase sempre uma criança numa pele de adulta. E posso receber um salário no final do mês. Posso pagar as contas da água e da luz. Posso até pagar à empregada. Levar a filha ao pediatra. Verificar se as vacinas estão em dia. Entregar a Declaração de IRS. Fazer contas. Levar o carro a lavar. Discutir poupanças e reformas. Mas, quando dá aquela música que gosto, continuo a querer dançar e fingir que toco guitarra sem pensar em mais nada. Continuo a gostar de devorar pacotes de bolachas no sofá, enquanto vejo algo lamechas. Continuo a gostar de cantar no chuveiro. Continuo a sentir o apelo, quando toco com os pés na areia molhada, para fazer a roda ou pino. Continuo a sentir vontade de pedir algodão doce nas feiras populares. Continuo a querer ir a festivais de música. Continuo a acreditar que ainda vou voltar a ter aulas de piano. Continuo a ver um baloiço e a ter andar. Continuo a ver Legos e a não resistir a criar logo alguma figura. Continuo a gostar de desenhar. Às tantas, um dia destes, tudo isto se vai tornar ridículo e nem me vou aperceber. Vou tornar-me uma velha sem noção da idade, a fazer figuras tristes que embaraçam o resto da família. Talvez. Mas enquanto a pele de adulta me estiver demasiado larga para a vestir, vou continuar a ser mãe e ser mulher da forma que sei fazer melhor. E da forma que me faz feliz. É única forma que sei ser.