quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Um ano e meio

Há um ano e meio, por esta hora, as dores antes apaziguadas pela bendita epidural voltavam, devagarinho. E davam vontade de gritar.
Há um ano e meio, por esta hora, sentia a minha barriga a mexer-se de forma abrupta e algo dentro de mim a cair de forma irreversível.
Há um ano e meio, por esta hora, comentava com a enfermeira que algo tinha acontecido dentro de mim.
Há um ano e meio, por esta hora, a enfermeira corria e chamava a médica e resto da equipa.
Há um ano e meio, por esta hora, a sala enchia e as pessoas rodeavam-me, como que a explicar-me que tinha chegado a hora.
Há um ano e meio, por esta hora, não sentia medo, mas muita adrenalina. Medo senti apenas uns minutos depois, quando uns segundos de espera sem choro me pareceram eternos.
Há um ano e meio, por esta hora, algo dentro de mim estava prestes a sair, mas no seu lugar não ficou nenhum vazio. Bem pelo contrário.
Há um ano e meio, por esta hora, o meu corpo estava prestes a ficar quilos mais leve e centímetros mais pequeno.
Mas desde esse dia, há um ano e meio atrás, por esta hora, que me sinto mais preenchida e maior que nunca.
Não gosto de usar a palavra "incondicional", porque este amor tem obviamente uma condição, um "se" implícito: este amor existe porque me tornei mãe.
Há um ano e meio, por esta hora, estava prestes a conhecer a minha filha.
E não fazia ideia como um amor destes nos podia preencher tanto, tanto, tanto ao ponto de me deixar com um nó na garganta de cada vez que digo esta simples palavra: "filha".
Há um ano e meio, por esta hora, tudo mudava.
E que bom que foi. Que bom que tem sido.
Há um ano e meio, por esta hora, tive o momento com que sempre sonhei.
Mas o melhor de tudo... sim, o melhor de tudo foi ter descoberto que o melhor ainda estava para vir...

2 comentários:

  1. Eheheheh tas grávida :)?

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  2. É um momento sempre mágico. Parabéns por esse ano e meio :)

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