terça-feira, 30 de abril de 2013

Sozinha em casa

(_)Maratona de "How I Met Your Mother" e pipocas caseirinhas?
(_)Acabar o meu 1Q84 do Murakami?
(_)Aproveitar para pegar na minha personal trainer e juntas irmos atacar o asfalto? (que é o mesmo que dizer "ir fingir que corro" mas em linguagem super decidida.)
(_)Fazer da casa-de-banho um magnífico spa, encher a banheira de sais e espuma, acender velas, ligar a música e tomar um mega banho relaxante?

Hmmm... Decisões. Decisões!

Ah espera aí...
(_) Tenho trabalho para fazer.
Ups.

A minha tia L.

Desde sempre que fui muito ligada à família. E, quem sabe se por ser a primeira neta a nascer, sempre me senti ligada às três gerações: avós, tios e primos. Entre eles, encontra-se esta minha tia, a tia L.

A tia L. é, na verdade, tia do meu pai. Em nova, juntamente com o marido, criou uma empresa, partindo duma ideia muito simples, que sempre foi um sucesso. Têm clientes dos quatro cantos do mundo e tiveram a felicidade de ver o seu trabalho e empreendedorismo sempre recompensados ao longo dos anos. Fazendo usa da expressão tão voga (obrigada, Miguel Gonçalves), poderei até acrescentar que realmente neste caso o "bater punho" compensou.

Quanto a mim, desde sempre a adorei, porque me tratou sempre duma forma muito carinhosa, falava comigo como se eu fosse também adulta e era uma pessoa muito à frente para o seu tempo. Lembro-me que tinham uma discoteca em casa, com bola de cristal e uma mesa de mistura de DJ. Sempre que íamos até lá, eu sentava-me na mesa de mistura, inventava uns ritmos, punha música, ligava as luzes da pista e imaginava que estava numa discoteca real. Por vezes, o filho dela aparecia com uns amigos e deixavam-me ficar a fazer de DJ: punham um disco e pediam-me apenas para não mexer muito. Para mim, aquilo era ser adulta! Outros dias, ia com os meus pais e tios até à fábrica e deixavam-me conduzir os carrinhos e mudar caixas de sítio. Mais uma vez, sentia-me adulta. Lembro-me até de me sentar na secretária do meu tio e assinar folhas. Imaginava que aquilo era o meu império e que estava a terminar negócios de milhões. Os meus tios aproximavam-se e explicavam-me resumidamente o que faziam ali. E sentia-me importante a ouvir aquelas explicações. Era sempre um prazer ir até casa deles.

Um dia, o meu tio morreu. Uns dias antes, tinha feito um jantar de aniversário mais intimista, convidou-nos, tirámos imensas fotos, conversámos, rimos e brindámos. Parecia que sabia que aquela ia ser a última vez em que íamos estar todos juntos, por isso fez dessa noite uma noite memorável. A partir daí, a minha tia ficou viúva e muito só. No entanto, pouco tardou até surgirem os novos "amigos" - pessoas que se vão aproximando, como se subitamente toda a sua vida dependesse desta amizade. Faz-me confusão. Tanta! E pedem dinheiro, pedem favores, pedem isto, e aquilo. A minha tia está sozinha, está carente e estas pessoas foram-se apercebendo e tirando partido disso.

Hoje convidou-me para almoçar. No fim do almoço, lá me queria dar umas notas "para o gasóleo". Umas notas...! Senti-me triste, sinceramente. Não por mim, mas por ela. Que teve que se habituar à triste realidade de, nos últimos tempos, ter que pagar às pessoas que a rodeiam em troca da tal pseudo amizade. Mas a amizade e o carinho não se pagam. Não se compram. Não estão à venda. Muito menos o meu. Dei-lhe um beijinho. Dei-lhe um abraço. E hei-de dar-lhe sempre o meu amor. E todo o meu carinho. Totalmente de graça. Como ela sempre me deu a mim.

Ainda do corte de cabelo

A verdade é que tenho olhado para fotografias antigas, desde o liceu até à faculdade, e constato que estou igual (corte de cabelo incluído) há mais de dez anos. Vou fazendo madeixas, cortando um pouco mais ou menos a franja, escadeando mais ou menos, mas as diferenças são praticamente imperceptíveis. E ando com alguma vontade de mudar. Arrojar. Inovar.

O que tenho pensado é "já não tenho 18 anos, não estará na hora de cortar o cabelo à adulta? Não será o cabelo tão comprido com madeixas mais próprio de uma adolescente?".

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Novo corte de cabelo

Hoje foi a malti a ter direito a um novo corte de cabelo. Fui buscá-la depois do almoço à clínica veterinária e estava um amor, parecia um floco de neve de tão fofinha e branca que estava.
"Está aí alguém? Queria pagar, por favor!"
Fui deixá-la em casa a pensar "ok, estou sempre a tratar dela, mas um dia destes é a minha vez!"
A verdade é que já estou em modo primitiva, com o cabelo a ultrapassar largamente a minha medida-limite - as minhas ricas maminhas. Quando o cabelo passa essa linha, sinto-me uma selvagem, uma espécie de Eva (deve ser de ver aquelas imagens da Eva perdida no paraíso, com uma folhinha apenas a tapar as vergonhas, e o cabelo graciosamente a esconder o peito).

Sim, está na altura de dar outro valente corte. Mas detesto perder tempo em cabeleireiros e fujo deles como o Diabo da cruz. De qualquer maneira, agora anda a dar-me uma vontade gigante de cortar o cabelo pelos ombros. Fashionistas deste mundo, digam-me por favor: o que é que anda na moda em termos de cabelos? Usa-se comprido ou devo dar um valente corte? Preciso da vossa ajuda!

Serviço público

Geralmente não falo de marcas aqui, mas hoje vou abrir uma excepção. E vou abrir uma excepção, porque me parece uma espécie de serviço público. E porque, se não tivesse acontecido comigo, nunca adivinharia, nem teria onde me informar.

Pois então vamos lá à história. Em minha casa, somos clientes ZON há muitos anos. Há tantos anos que já nem os consigo contar. E fomos sendo uns clientes felizes e satisfeitos com o serviço prestado. No entanto, há dois meses, fui confrontada com a publicidade à Campanha Tv Net Voz Vodafone RED (a €24,90) e comecei a ficar intrigada. Fui consultar o site e percebi que podia ter maior tráfego de internet (30Mbps, quando eu tinha apenas 12), continuar com telefone fixo ilimitado e ter mais de 100 canais por praticamente metade do preço. Sim, porque eu estava a pagar €40,60 por mês!!

Fui à Vodafone, consultei as condições e fiquei convencida. Liguei logo para a ZON apenas para cancelar o serviço.
- Boa tarde. O meu número de cliente é o xxxxx, e estou a ligar para cancelar o contrato.
- Boa tarde. Pode dizer-nos os motivos que a levaram a pretender cancelar o contrato?
- Sim, claro. Estou a pagar €40,60 e descobri que na concorrência posso ter o mesmo serviço por €24,90. Refiro-me à Vodafone.
- Bem, pelo que vejo é uma cliente antiga. Será que pode aguardar um pouco em linha para lhe apresentarmos uma nova proposta? Gostamos de manter os nossos clientes satisfeitos. (...)
Lá esperei uns minutos. Ofereceram-me, pela mesma mensalidade, 100Mbps, possibilidade de recuar no tempo 7 dias, possibilidade de gravar os programas, etc etc. Recusei e insisti que a minha intenção era poupar. Quanto aos serviços de que dispunha, podia manter o que tinha. Pensei que o assunto tinha ficado encerrado e aguardei o cancelamento do contrato.

Passado uns dias, ligaram-me.
- Boa tarde. Estou a falar com a Pippa?
- Sim, é a própria.
- Queríamos apresentar-lhe uma nova campanha. Tem cinco minutos?

Eu tinha os cinco minutos. E cada minuto valeu a pena. Resultado? Vou passar a pagar €25,90 por mês. Com 147 canais. 30Mbps. Telefone fixo ilimitado. Possibilidade de recuar no tempo 7 dias, para ver os programas que quiser. Cartão MyZon, para ir ao cinema. Possibilidade de aceder aos HotStop da Zon de graça. E ainda uma funcionalidade qualquer para aceder ao telefone fixo no computador, mesmo no estrangeiro, e ligar desse número de graça - tenho que estudar esta opção, que não percebi bem como funciona. E estou a contar isto tudo, por um motivo muito simples: que eu saiba, esta promoção não foi divulgada em lado nenhum!! Eu ia pagar €40 até ao fim da vida se não ligasse para lá a chateá-los. Por isso, caso estejam na mesma situação que eu, peguem no telefone... Acho que vale realmente a pena!

Ontem apaixonei-me

Fui ver o Transe. Depois do 127 Horas, do Slumdog Millionaire, d'A Praia e do Trainspotting, o realizador Danny Boyle terá pensado "bem, já enveredei pelo humor negro e pelo mundo das drogas pelas ruas de Edimburgo, já viajei até à Índia e brinquei aos concursos televisivos, já passeei pelas montanhas do Utah e explorei os limites físicos e psicológicos do ser humano, já me perdi pelas praias da Tailândia, hmm o que poderia fazer agora?". A seguir, terá adormecido e terá sonhado com um assalto à Ocean's Eleven, cenas de luta à Fight Club, momentos em que mergulhamos nos confins da mente humana, qual Inception, e perdas de memória à Memento. Acordou com as notas psicadélicas de Rick Smith e a beleza da voz de Emeli Sandé e construiu um trailer, que é arte, são jogos psicológicos, é dúvida, é dor... e, no final, é apenas uma história de amor. De revolta. E de vingança.

Quanto a mim, foi também uma história de amor entre mim e o filme, pois cimentei a minha paixão cinematográfica pelo James McAvoy. Pode não ter 1,80m ou um six pack de cortar a respiração, mas tem um olhar tão expressivo que acho impossível não nos apaixonarmos (a nível cinematográfico, claro!). Que grande actor!

Ahh, quantos aos homens, podem sempre apaixonar-se pela Rosario Dawson (ex namorada do próprio realizador Danny Boyle, segundo alguma imprensa) a passear pelo quarto, em direcção ao ............* numa cena de nu integral, que é suposto ser uma invocação ao ideal de beleza proclamado por Goya, entre outros pintores.

Que belo filme. Garanto que é impossível adormecer ou ficarem distraídos durante o tempo que dura. Prende-nos do início ao fim. Gostei talvez mais do Efeitos Secundários (as expectativas eram mais baixas), mas aconselho também vivamente este!


*Preencher depois de verem o filme. ;)

A minha personal trainer

A minha personal trainer faz-me um olhar terrível quando não pratico desporto. E por olhar terrível com certeza estarão a imaginar um olhar raiado, cheio de raiva. Não - a minha personal trainer é portadora de um olhar de uma tristeza tão profunda que o Gato das Botas do Shrek ao lado dela está eufórico. Ela faz-me o olhar mais triste que alguma vez vi.

A minha personal trainer manda-me mensagens subliminares. Olha para a rua, quando alguém está a correr. Olha para a minha roupa e calçado de desporto com ar pensativo. Anima-se quando vê alguém a correr. E, por fim, olha para mim com um olhar expectante. Se não faço desporto, sei que esse olhar se vai metamorfosear no tal olhar triste.

A minha personal trainer adora correr. É capaz de correr uma tarde inteira. E espera que vá sempre a acompanhar o seu ritmo e energia. Infelizmente, não tenho nem 1% da energia dela, pelo que, mesmo quando a acompanho, fico com a sensação, no meu final, que ela estava apenas na fase de aquecimento. Nunca vi tanta energia!

A minha personal trainer motiva-me a correr, mas também adora ver-me a dançar ou a fazer localizada em casa. Aliás, julgo que basta ver-me mexer para a deixar felicíssima. E é vê-la acompanhar cada passo meu. É vê-la motivar-me e tentar contagiar-me com a sua energia.

A minha personal trainer andava um pouco desiludida comigo, ultimamente. Ontem apareceu-me nestes preparos (ver imagem em baixo) e foi a gota de água. Eu não podia continuar na apatia em que tinha mergulhado. Olhei-a e percebi que estava na altura de mudar. Vesti-me, calcei-me e, juntas, partimos para a rua. Corremos quarenta minutos, com ela sempre cheia de energia a inventivar-me a continuar. Obrigada, personal trainer!! O que ia ser de mim sem ti?!

domingo, 28 de abril de 2013

Impasse

Ela diz-me que se afastaram, porque tem a certeza que ele não gosta dela.
Ele diz-me que realmente se afastaram, porque ela quis acabar tudo. E que tem a certeza que ela não gosta mais dele.

E eu estou aqui num impasse. Meto-me? Não me meto?
O que sei é que aqueles dois gostam mesmo um do outro. Que é um disparate andarem às avessas. Que nenhum dos dois está bem assim. Que é altura que se entenderem de vez.
E sei também que nunca nos devemos meter nas relações dos outros. Ou será que esta é uma daquelas excepções que comprovam a regra? Aiii...

(Façam mas é as pazes e poupem-me estas dúvidas, sim?)
Enquanto isso, vamos lá aproveitar enquanto o dia não acaba.

sábado, 27 de abril de 2013

Vivo com uma pessoa bipolar

À hora do almoço, contava-me que o Michael Nyman vinha a Portugal em Junho e que achava que tínhamos realmente que ir ver (sim, o autor da famosa música d'O Piano, em baixo). É tão difícil arrastá-lo para concertos que fiquei toda contente por ser ele a tomar a iniciativa, desta vez. E ainda por cima para assistir a alguém cujas músicas me conseguem emocionar de uma forma inexplicável, ao ponto de me arrepiar.
Há minutos, ainda não refeita da surpresa, encontrava-me perdida com os meus pensamentos - "Ai afinal ele tem um lado tão sensível que adoro! Ainda por cima adoro a sensibilidade musical que tem, blá blá blá", com passarinhos imaginários a sobrevoarem-me. Começo a ouvir música. "Estamos em sintonia de pensamentos! Vai pôr o Michael a tocar!". Qual quê? Uma pastilhada qualquer. "O que é isso? Que barulheira!", perguntei-lhe. "Avicci!", respondeu-me, enquanto punha a música, qual Dj a animar a casa cheia.

Sim, vivo com uma pessoa bipolar. A nível musical, entenda-se. 

Os nossos recantos

Ontem era dia de rumarmos até à zona de Alfândega da Fé. No entanto, à última hora surgiram alguns imprevistos e optámos por rumar a uma zona do país que nenhum de nós conhecia bem: a Beira Litoral. E quem diz Beira Litoral, diz, no nosso caso, o Luso, a Curia e a Serra do Bussaco. Ele já tinha ido ao Bussaco, mas eu não conhecia (grande falha, eu sei!!). E, se a zona de Sintra é sobejamente conhecida e elogiada por tudo quanto é Português ou estrangeiro, esta zona é igualmente imponente, mas parece ter caído um pouco no esquecimento. É pena!

Na Curia conhecemos o Palace Hotel, que teve o seu esplendor no início do século XX, na década de 20 e 30. Mal avistámos o Hotel, com a sua entrada solene, marcada pelo vasto jardim à francesa e o lago, imaginei reis, rainhas e toda a realeza a rumar às famosas termas. Imaginei-os a saírem na Estação com as suas aias e criados, e a fazer depois o mesmo percurso que nós. O Hotel respira História, Passado e imponência. Sentimo-nos mínimos perante a fachada altíssima e os seus vitrais, ferros forjados e bustos alinhados elegantemente esculpidos. A entrada do Hotel tem uma impressionante escadaria em caracol, o ascensor em madeira e o relógio onde, antes de nós, tantos viram já o tempo passar. Sei que também também um spa, mas não visitámos. Cá fora, vimos ainda a Piscina Paraíso - a primeira piscina daquela dimensão no País quando foi inaugurada -, os estábulos, e tivemos ainda contacto com os animais. Quando os vi, gritei logo "Bambi!!", mas ele fez-me o favor de corrigir (maldito National Geographic que o tornou um perito em animais do pior): "Não é um veado, é um gamo. Repara nas pontas dos galhos, são uma espécie de mão. Além disso, são mais pequeninos." Mas para mim ficaram Bambi na mesma. Quando me consegui arrastar de ao pé deles, fomos ainda visitar as cabras, as galinhas, o perú, os faisões, e, por fim, os cavalos. Apetecia-me ficar ali a viver, mas não podia ser.

Depois, viajámos para o Bussaco. Perdemo-nos na Serra, no cheiro a natureza (tão bom!!) e aproveitámos para conhecer também o Palácio Hotel em estilo Neo-Manuelino - se o meu trabalho de casa não me atraiçoa. Se, na Curia, imaginava a realeza a fazer o mesmo percurso que eu, décadas antes, aqui imaginei logo contos de fadas, romances e muitos passeios dados de mãos entrelaçadas, no meio dos jardins. Ali, vive-se amor. Comentei isso com ele. Respondeu-me: "um dia celebramos aqui as bodas de prata, que dizes?" Pois digo que sim, claro.

Adorei o dia. Adorei conhecer um Portugal que não conhecia. E aconselho o percurso a todos! Fui dormir com o coração mais preenchido, porque foi realmente um dia de conto de fadas. Mas vou deixar que as fotografias falem por si.
Todos os caminhos vão dar onde...? Ao Luso, claro está. Esqueçam Roma!
O sítio das comemorações das minhas bodas de prata. Já me imagino na varanda, com um vestido de manga comprida, claro - que nessa idade não vai haver braços tonificados para acenar aos convidados.
Esquecem o bailado. O "Lago dos Cisnes" está aqui na Curia. Abençoado e tudo, ora reparem na luz.
Rosas de Santa Teresinha. Acho-as tão fofinhas!
Imaginei a realeza a preparar-se para mergulhar na piscina vestida a rigor, com os seus fatos de banho devidamente
tapados até aos pés - que respeitinho era muito bonito.
Este caminho cheirava tão bem, que dava vontade de enfrascar o ar  e trazer para casa.
Uma miúda qualquer que por lá andava a explorar o bosque. Ah esperem, era eu.
"Cucu! Sou um gamo e não um veado, mas chamem-me Bambi, que eu não sou esquisitinho."
Com o pôr-do-sol, o Hotel ganhou uma luz ainda mais bonita.
Para todo o lado onde nos virávamos, a cor era esta.
As pedras pediam: "Não colha flores ou ramagens". Cumprimos!
Não conseguem ver a realeza e os burgueses todos pimpões a fazer este percurso?
"Yamie, comidinha."
"Chega de fotografias. Vamos embora!"

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Palpites?

Alguém sabe por onde ando estes dias? ;)



O prometido é devido!!

A 17 de Janeiro, num desabafo sobre as palermices que faço quando vou sozinha no carro (neste caso, imaginar que as pessoas que passam na rua estão a dançar a música que estou a ouvir na rádio), concluí que andava a pensar gravar um exemplo desses videoclips para vos mostrar - "fica tão nonsense que acho impossível não rir".

Sei que já passaram três meses, mas não acontecia nada tão engraçado ao ponto de ter vontade de pegar no telemóvel e filmar. Ontem foi o dia. Passeava eu de bicicleta junto ao rio, quando vi um homem muito compenetrado a dar socos imaginários no ar, passeio fora. Até pode ser um Muhammad Ali tuga e eu posso estar a ser extremamente injusta, mas digam lá que não tem um piadão? Filmei-o à socapa (Muhammad, se me estás a ler e és realmente um boxer de sucesso e não um lunático, desculpa lá!!) e acrescentei-lhe uma música ao chegar a casa. Foi esta música, mas podia ter sido outra qualquer. Inicialmente tinha pensado nesta (em baixo), mas não consegui fazer o download.

Ah e não percebo nada da arte de editar vídeos, por isso desculpem se não está uma obra de arte! :) Espero que dê para esboçarem um sorriso, pelo menos. Aqui vai:

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bem perto

Bicicleta para começar o dia.
Sol.
Rio.
Almoço repartido pelas tasquinhas.
Família.
Namorar.
Churrasco ao pé da piscina.
Conversa.
Os Phoenix a tocar.
Calorzinho bom.
Isto, sim, está perto de ser um dia perfeito. :)
E o vosso 25 de Abril?

A hierarquia da beleza

O último post de ontem foi escrito essencialmente para tentar demonstrar aquela que acredito ser a hierarquia dos termos utilizados por homens e mulheres quando se referem à beleza de alguém. É que sempre que oiço um "boa pessoa", vem precedido de um "mas", e o mesmo para o "simpático/a". Tenham medo quando vos disserem que são muito boas pessoas!! Infelizmente é quase sempre mau sinal.
- (és feia como um bode e nunca me hei-de apaixonar por ti nem que sejas a última pessoa à face da Terra, mas...) és mesmo boa pessoa e podemos ser bons amigos!!

Concordam com a hierarquia de ontem?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Linda. Bonita. Gira. Engraçada. Simpática. Boa pessoa.

- Olha, ontem passei pelo teu primo. O que é que lhe aconteceu?
- Coitado, tem psoríase e tem piorado.
- Estava todo às manchas. Meteu-me mesmo impressão.
- É, ele anda em tratamentos.
- Meteu-me mesmo pena. Ele é um gajo muito porreiro.
- É, é mesmo boa pessoa!

- Conheces a Rute?
- Não tenho a certeza. Rute... Rute... Espera: é aquela gorda do 5.º?
- É do 5.º, sim. Mas não é gorda... É gordinha! E é mesmo muito simpática. Tenho ido almoçar com ela. Fizemos aquele curso juntas e começámos a dar-nos mesmo bem desde aí. Tens que vir almoçar connosco um dia destes, vais gostar dela.
- Ok. Por mim vamos. Sexta não tenho nada combinado!

- Luís, aquela ali é a irmã da tua namorada?
- É.
- Que idade é que tem?
- 17.
- Bem, a miúda está muito engraçada. Sim senhor!
- Cala-te, ela é uma criança ainda!
- Ok, mas tem potencial. Vais ver daqui a uns anos.

- Sabes, gosto de ti há muito tempo, já.
- Não gostas nada! Nem sabias que eu existia...
- Sabia, sim. Reparava em ti há muito. Sempre te achei das raparigas mais giras do liceu.

- Estava a ler aqui na internet que a Gwyneth Paltrow foi nomeada a mulher mais bonita do mundo.
- Que exagero! Ela não é "a" mais bonita. Tem uma cara perfeitinha e é bonita, claro. Mas há ainda actrizes e modelos mais bonitas!

- E, por tudo isso, por seres para mim a mulher mais linda que conheço, aquela com que imagino passar o resto dos meus dias, e que quero para mãe dos meus filhos... tenho uma pergunta a fazer-te.
- Diz...
- Queres casar comigo?
- Claro que sim!! Claro que sim!!

Queres um clone de ti?

Hoje à hora de almoço presenciei um momento mágico. Quando o convite me foi feito, primeiro estranhei. "Ecografia a quatro dimensões? Isso existe?" Parecia-me ficção científica. Lá percebi que se resumia uma ecografia em que podemos ver o bebé a três dimensões, em tempo real. E é emocionante! Vimos os movimentos, os pequenos dedos esticados, a boquinha "igual ao pai!!" - dizia a mãe -, o nariz - "ohh eu queria igual ao meu" - os pezinhos - "pronto, também saiu ao pai!, olhem estes pés" -, os olhos bem fechados,... Cá fora, depois da consulta, a analisarmos as imagens já imprimidas, comentávamos entre nós:
- Que azar. Vai sair igual ao pai. Nariz, orelhas...
- Então mas não achas o X. giro?
- Acho! Claro que sim!!
- Pronto, então se tiver a boca, nariz, orelhas e pés iguais a ele não tem mal. Certo?
- Oh mas eu queria o meu nariz e orelhas, e dele.... Olha, podia ser o cabelo e boca.
- Pois, era bom se pudéssemos fazer um puzzle. Mas pensa que o X. é giro, se a bebé sair a ele, há-de sair bonita!
- Eu sei. São manias de mãe, acho eu. Gostava mesmo que tivesse o meu nariz.
- És igualzinha ao Y. Ele já me disse que, um dia, quer que um filho nosso tenha os olhos dele. Impreterivelmente. E nariz.
- Oh, mas também te acha bonita, claro. É por ele ter uns olhos mais invulgares.
- Pois, pois. É tudo muito bonito. Tu também achas o X. giro, não achas? Mas chega a hora da verdade e não é a cara dele que queres para um filho. E não negues.
- Hmmm...
- Vocês querem é clones vossos. Aliás, já lhe disse: se é assim, se queres um dia um bebé igual a ti, vais aí a uma fábrica qualquer e pedes para te fazerem um clone. Escuso de estar a engordar, e a infectar a criança com genes meus, que ainda corre o risco de nascer (blasfémia) parecida com a mãe.

O Sr. Bentley teve que levar os seus passarinhos para outro lado.

Diz que ontem se celebravam os Livros. Um pouco por todo o lado, as iniciativas multiplicavam-se e cada um festejava, à sua maneira, o acto de ler, escrever, o partilhar histórias e fomentar o gosto pela leitura. Uns distribuíam livros, outros ofereciam descontos na compra dum livro, outros dissertavam sobre o prazer de uma boa leitura. À minha maneira, julgo que até eu celebrei o Dia Internacional do Livro - embora não tivesse expressamente intenção - quando revelei os serões passados com a minha mãe, que me lia todas as noites até adormecer.

Mas... e se aqueles que distribuíam livros vos oferecessem livros eróticos? Se fossem presenteados com livros com títulos como "Sr. Bentley, o Enraba Passarinhos", de Ágata Ramos Simões, cuja sinopse indica que “carrega com alegria sobre os ombros tudo o que de mais abjecto, medonho, mesquinho, estúpido e medíocre os portugueses têm”; ou "Despertada", uma história de vampiros da autoria de Kristin Cast e P. C. Cast, destinada “aos adolescentes que se entendam pertencentes ao grupo lésbicas, gays, bissexuais e transgénero”; ou ainda "Quando Dormes nunca Te Odeio", de Hugo Santinhos Pereira, ilustrado com uma mulher nua e contendo passagens como "só sei que estou vivo porque me esporrei"??*

E se vos oferecessem livros eróticos, o que ficavam a pensar? A questão é simples. Todos parecem ser unânimes ao elencar as infindáveis vantagens da leitura. Ler permite desenvolver a imaginação e a criatividade, aumentar a cultura e o conhecimento, a linguagem utilizada e aperfeiçoamento das formas verbais, e permite que quem lê venha, consequentemente, a escrever melhor. Ler parece ser, portanto, um acto despido de inconvenientes, certo? Não. Os inconvenientes surgem exactamente no acto de despir! Se se trata de leitura erótica, ler torna-se errado. Pecaminoso. Evitável. E foi por isso que, perante a descoberta daqueles títulos já referidos no meio dos livros a oferecer ontem, a Caixa Geral de Depósitos optou por cancelar a distribuição dos mesmos. Bem? Mal? A questão é, como disse, simples. A resposta é que poderá não ser...

O que ficavam a pensar se vos oferecessem aqueles livros?

* Lido aqui

terça-feira, 23 de abril de 2013

Tudo a preparar-se para a festa

A começar aqui pelo membro mais recente da família, que tem direito a uma bela banhoca antes de rumar para casa dos meus pais.

E com isto, já foram duas fotos hoje. Que fartura!!

Pippa ajuda

Acabei de descobrir que alguém chegou hoje até ao meu blog pesquisando no Google por "as mamas da minha mãe".
Para esse(s) alguém, pergunto: não era melhor pesquisarem em casa? Porque haviam de encontrar as mesmas na internet? Bem, talvez seja melhor não aprofundar muito este assunto.

Descobri também que me encontraram hoje por "grandes vacas", "como os homens se apaixonam" e "sem prazo de validade".
A todos espero ter ajudado! Se tiverem mais dúvidas, escrevam, que o meu email está ali do lado esquerdo. ;)

Mulher, filha, irmã, tia, amiga, Dra. Mas para mim o nome é outro.

Noite após noite, era o mesmo ritual: metias-me na cama e líamos uma ou duas histórias. Invariavelmente íamos para a colecção da Disney ou para a Cinderela (eu sei que era um pouco repetitiva, mas adorava as imagens e os vestidos que ela usava). Sentavas-te na minha cama, junto a mim e começava o espectáculo. Primeiro, cantavas uma música de apresentação, tal como faziam as cassetes da Disney. Depois, entoavas os diálogos com voz diferente, de acordo com a pessoa que falava. Ele eram crianças, homens e mulheres, velhinhos e velhinhas, e até animais. Todos tinham a sua voz e eu estava ali para corrigir, caso te enganasses na voz da personagem. Depois, era o som dos tambores a rufar que demonstrava todo o suspense típico da aproximação ao clímax da história. Eras uma cantadora nata de histórias, já te disse isto? E penso muitas vezes que, talvez por isso, gosto ainda hoje de contar as histórias sempre com princípio, meio, muitos muitos muitos pormenores e, só então, o fim. Porque eu própria fui habituada a saborear cada pormenor das narrativas até sentir que merecia conhecer o desfecho. E fui habituada contigo.

Noite após noite, era o mesmo ritual: metias-me na cama e líamos uma ou duas histórias. E lembro-me de sentir a tua pele de sede a fazer-me, de vez em quando, festinhas no cabelo. A mesma pele que ainda hoje manténs e que não conheço igual. E lembro-me de sentir o teu perfume. Um misto de creme de noite com o perfume do dia e com os produtos do cabelo. "Não nos podemos deitar sem lavar a cara, os dentes, pentear o cabelo e pôr creme", dizias-me. "Por muito forte que o sono seja ou a preguiça. O nosso corpo um dia agradece". E o teu agradece-te todos os dias, porque a idade ignorou-te gentilmente e não passou por ti.

Noite após noite, era o mesmo ritual: metias-me na cama e líamos uma ou duas histórias. Noite após noite, mantenho o mesmo ritual, sabias? Primeiro, o ritual de beleza. Depois deito-me. E leio. Faço vozes internas conforme as personagens. Abrando o ritmo de leitura conforme me aproximo do fim. Releio partes anteriores. E saboreio cada pormenor da narrativa até sentir que mereço conhecer o desfecho.

Noite após noite, fui e continuo a ser parte de ti. Sou parte do teu sorriso rasgado, das tuas ondas douradas, da tua pele de seda e do teu perfume. Sou parte da mulher mais completa que já tive o prazer de conhecer, da filha, da irmã, da tia, da amiga, da "Dra.", daquela que pode ter todos os nomes e mais alguns, mas que eu tenho a sorte de poder chamar "Mãe". Mamã, muitos parabéns!! E obrigada por me teres contado uma história tão feliz em que fui também protagonista. Uma história chamada "vida".

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vou ser obesa para sempre

1. Os números espetados na balança não atam nem desatam. Sempre iguais. Já não os posso ver à frente. (ou em baixo, ok ok)
2. Gozava com aquelas mulheres que passeavam em bando, a seguir ao jantar, vestidas com roupa desportiva, mas que só andavam rápido e com os braços a dar a dar, em braçadas largas... Hoje dei por mim a caminhar assim!! Caminhar. Com braçadas largas, como quem rema numas águas imaginárias. Sou jovem, não tenho oitenta anos. Tenho que correr. Correr.
3. Dou por mim a ler tudo sobre emagrecimento enquanto como um alarve uma taça de cereais.
4. O relógio da Nike pergunta-me todos os dias, a tentar incentivar-me "vemo-nos em breve?". Eu viro-o para baixo, envergonhada.

Conclusão? Sou ridícula. Eu sou r-i-d-í-c-u-l-a.
Tanto ando toda entusiasmada e corro todos os dias, como me dá a preguiça e finjo que nem me lembro que há um asfalto lá fora à minha espera.
"Está frio. Está vento. Está chuva", tenho dito a mim mesma nos últimos dias.
Acabou. Tatuem-me "preguiçosa" ou "ridícula" na testa, por favor.
Depois disto, se não me quiserem ler mais e quiserem terminar tudo o que construímos nestes quase cinco meses, eu compreendo. O problema não são vocês, sou eu. Esta obesa sem vergonha na cara. Que vem apregoar que vai ser saudável e isto e aquilo, vem prometer este mundo e o outro.
A sério que compreendo se quiserem terminar tudo.
Mas antes, chamem-me obesa e preguiçosa. Eu mereço.

Quem tem medo de ter sorte?

Por norma, vivo os momentos em que sou bafejada pela sorte um pouco a medo. Medo, porque penso "ok, a sorte e o azar estão sabiamente distribuídos por todos, pelo que, se tiver demasiada sorte num dia, vou ter que passar por dias de azar para compensar aquele excesso e reequilibrar tudo". Não sei bem onde fui buscar esta teoria, mas ela vem convivendo comigo há uns anos e já se encontra bastante enraizada.

Hoje foi mais um dia em que vivi alguma sorte e agora estou à espera de ser atropelada. Bem, talvez não tanto. Pensando bem, passei o dia de ontem deprimida, pode ser que já tenha merecido o dia de hoje, não?

A verdade é que voltou a acontecer-me algo engraçado. Sentei-me para mais uma reunião. Depois da discussão do que nos tinha levado ali, saí-me com um comentário sem pensar duas vezes (ultimamente, o meu filtro tem-se desligado nestes momentos e falo demasiado sem pensar... tenho que repensar isto): 
- Então vou despedir-me, porque já vi que daqui a cinco minutos vai receber uma conterrânea minha.
- Como assim? Não me diga que a Dra. também é de X (a minha cidade natal).
- Sou, sim.
- E como sabe que vou receber uma conterrânea sua a seguir?
- Espero que não me leve a mal, mas vejo bem ao longe e reparei que, nas suas notas, diz que às 15h30 vai receber a Dra. Y de X.
- Ahh. Olhe que coincidência. É que eu também sou de lá!
- Ai sim?
- Sim!! Que bela novidade que me deu.

A partir daí estivemos a falar da nossa cidade. A mais bonita do mundo, para os dois. Obviamente. Falámos. Falámos. Falámos. No fim já éramos amigos de infância, praticamente. Conhecia os meus pais, tinha trabalhado com a minha mãe algumas vezes. Parecia que nos conhecíamos desde sempre. A conterrânea? Peço desculpa, lá teve que esperar.

Se este blog tivesse sido criado há dez anos

Se este blog tivesse sido criado há dez anos, e eu escrevesse algo semelhante ao que escrevia no meu diário da altura, tenho a dizer que este blog ia ganhar o título de "o mais ridículo de sempre". Encontrei desabafos meus dessa altura, no meio das mudanças, e escusado será dizer que ninguém me tirou mais dali. Fiquei uma hora (ou terá sido mais?) perdida no tempo, a relembrar os meus pensamentos de jovem (des)apaixonada de vinte anos. E era tão dramática, meu Deus! Como se o mundo fosse acabar ali ao virar da esquina.

E isto levou-me a pensar em conselhos que gostaria de poder dar ao meu "eu" antigo, caso me fosse permitido viajar no tempo:
- Se estás com dúvidas, é porque realmente não gostas dele.
- Depois de acabares com ele, o mundo dele não vai acabar. Ele não se vai suicidar nem tornar-se um marginal. Vai simplesmente chorar dois ou três dias e depois recupera.
- Esquece os teus pais e preocupa-te mais contigo. Eles vão falar com futuros namorados teus, mesmo que digam o contrário. E não és uma grande p$&@, só porque podes vir a ter mais que um namorado, ok? É apenas um pensamento ridículo.
- Ainda não sabes, mas estás preocupada com ele, e daqui a uns meses ele vai contar-te que namora com a melhor amiga da irmã. Sim, aquela das mamas grandes! Pois... por isso, podes confirmar que vai ficar bem servido e não a cortar os pulsos, enquanto tatua o teu nome com os golpes da navalha.
- Vais conhecer outros homens, achar que estás apaixonada, vais viajar com as tuas amigas, vais voltar a sofrer de amor, vais voltar a questionar tudo e são as tuas amigas que vão estar sempre presentes. Pensa mais nelas, e menos em encontrar o "tal", porque tens realmente as melhores amigas do mundo e podes confiar a 100% nelas.
- Em vez de sofreres por amor, com dúvidas parvas "ele é lindo, imagino-me a envelhecer ao lado dele, temos os mesmos gostos de música, livros e filmes, nunca mais vou encontrar um homem igual", agarra-te mas é aos livros e estuda, porque não é a escrever diários que os exames se fazem!
- E, aqui, entre nós, vais encontrar o homem da tua vida dentro de pouco tempo. Só vais é saber que ele é o "tal" anos depois de o veres a primeira vez. Relaxa. Tens vinte anos, é altura para aproveitar o mar de oportunidades que o mundo te dá. Não tens responsabilidades, grandes obrigações, ninguém espera nada de ti. Aproveita, apenas.

domingo, 21 de abril de 2013

Como curar uma depressão

Hoje passei o dia morta de sono. Sem energia. Pouco animada. Não sei se terá sido por dormir pouco. Não sei se terá sido por ele sair de casa com o sol a nascer e saber que só o vejo depois de o sol se pôr. Se terá sido por acordar cedo e enfiar-me numa sala com mulheres lindas e magras todas com bebés.  Não sei se estava com uma crise existencial, do estilo "quem sou eu, o que quero, para onde vou". Devia ter ido correr para animar, devia ter ido até à praia ou andar de bicicleta para recuperar energias e apanhar um bocado de Sol. Devia ter ligado uma música animada ou tentar combinar alguma coisa. Não - meti-me na cama de tarde, dormi uma sesta (inédito!) e pus os meus pais a perguntarem-me mil vezes se estava bem, porque este não é, de todo, comportamento normal em mim.
- Estás caladinha.
- Estás apática.
- Que tens?
- Estás branca.
- Parece que estás sem energia hoje!
Ok. Ok. Percebi. Mas deu-se o milagre. Dormi a sesta e acordei nova. Ou terá sido o Benfica a ganhar? Ou o Big Brother? O que é certo é que hoje percebi pela primeira vez os benefícios da sesta. Deitei-me uma pessoa apática e cheia de dúvidas existenciais e, passada uma hora, era uma pessoa com vontade de rir novamente e animada. E lembrei-me tanto do meu avô materno. Lembro-me de chegar a casa dos meus avós à hora de almoço, almoçarmos os três a ver as notícias, conversarmos todos um pouco e, de seguida, o meu avô resmungar um "até já". Todos os dias, religiosamente, dormia a sesta. Trinta minutos. Sempre. Trinta minutos apenas chegavam para regressar sorridente e dez anos mais novo. Hoje finalmente percebo-o.

Entretanto, para quem estiver a rir-se com o Big Brother, venha ajudar à festa aqui no Facebook. Precisamos todos de animar e não há nada como um Big Brother para isso.

Não, não falo bebês!

Falo Inglês e Espanhol. Alemão e dou uns toques de Francês. Percebo algumas palavras de Italiano. Mas não percebo patavina de "Bebês"! Esta semana fui totalmente posta à prova todos os dias. E escusado será dizer que falhei redondamente cada teste. Primeiro, foi a minha amiga B. que teve a bebé. Fui comprar a prenda ao El Corte Ingles (momento de confissão: sou um bocado viciada no El Corte Ingles, acho que compro lá tudo, desde roupa a comida, panelas ou ferros de engomar, livros, perfumes ou cremes. Fim de confissão.). Subi ao piso respectivo e, para começar, nem sabia para que lado me virar. O que é que eu queria? Não fazia ideia. Roupa? Brinquedos? Algo útil? Pedi ajuda. Pior a emenda que o soneto.
- O que acha duma espreguiçadeira?
- Desculpe?
- Ou então um ginásio de actividades.
- Hmm...
- Almofada de amamentação?
Sentia o meu cérebro a entrar em curto-circuito. Todos aqueles conceitos eram desconhecidos para mim.

Depois, foi o passeio ontem com a minha amiga I, também grávida. A contagem da gravidez em semanas ("bebês"). A bebé que já está em posição. Os legumes que não se podem comer crus. A carne bem passada. Sempre a conversa nessa língua que não domino. E, finalmente, o passeio hoje. Nomes de marcas que nunca ouvi. Nomes de bloggers famosas cujo nome é novo para mim. O carrinho que é mais difícil de abrir e fechar que mudar um pneu. E o pior de tudo? Hoje, no meio de dezenas de grávidas e recém-mamãs, reparei que eram todas mais magras que eu. Eram só mães lindas, cheias de estilo e super magras. Agarrei-me logo ao carrinho com a bebé da minha amiga D. Pelo menos tinha a desculpa para, ao olhar alheio, não estar magra. Mas cheguei a casa meia deprimida e decidida a comer chocolates a tarde toda para afogar as mágoas. Quero ser a melhor tia possível para as filhas das minhas amigas, mas tenho mesmo que estudar esta nova língua. E deixar de ser gorda, já agora, que elas merecem uma tia boazona.

sábado, 20 de abril de 2013

Calinadas ouvidas no fim-de-semana

- Para mim, é indiferente que ganhe um ou outro. Eu sou parcial.

- Parece-me que estamos um grande problema. Um problema insolúvel.

Acordar romântico

É isto: acordar, sentir que ele já se levantou. Pensar, de forma confiante, "foi preparar o pequeno-almoço, que bom!". Ficar a sorrir a sentir já o cheiro das torradas. Pensar "sou uma sortuda". Começar a ouvir música. "Que óptimo acordar!!" Virar para o outro lado. Ajeitar a almofada, já pronta para me sentar quando o pequeno-almoço chegar. Voltar a ajeitar a almofada. Perceber que afinal o cheiro das torradas ainda não se sentiu. "Não está a torrar, vai fazer outra coisa qualquer. Ainda bem que comprei pão ontem. E sumo de laranja. Vai saber-me mesmo bem. Adoro acordar assim". Virar para o outro lado. Cansar-me da posição. Sentar-me. Ajeitar os lençóis. Continuar a ouvir a música. "Que música é esta? Parece de carrinhos de choque. Não conheço. É um bocado repetitiva. Ai, e o pequeno-almoço?" Começar a sentir calor. Tirar os lençóis. Cansar-me de esperar. "Pronto, desisto, vou ajudá-lo". Ir à cozinha. Não o encontrar. Ir à sala...

Acordar romântico é isto: acordar, procurá-lo e ele estar louco, no sofá, a jogar um jogo qualquer de carros contra os colegas de trabalho.
- Estás aqui? Por momentos, imaginei-te a fazer o pequeno-almoço.
- Estou! Tenho que ganhar ao X. Ele está a picar-me!
- Ah...

Ainda me lembro dos dias em que ele me acordava com o pequeno-almoço. Sei que era uma altura diferente, em que só estávamos juntos ao fim-de-semana. Mas ainda nem acredito que fui trocada por um jogo de carros. Carros! Ah, e não o defendam dizendo "faz tu o pequeno-almoço", porque eu faço todas as outras refeições. Esta era a oportunidade de ele, em dois minutos por semana, parecer romântico e impressionar-me. E bastava uma fatia de pão. Homens...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Agora? Estás 15 anos atrasada.

Quando tinha 15 anos, e era magrinha e tonificada como todas as jovens da minha idade (com desporto quase todos os dias, Educação Física e mais mil actividades extracurriculares), usavam-se as Levi´s 501 ou 534 bem justas com t-shirts largueironas e compridas por cima. O ideal era que as calças tivessem a cintura bem alta, quase a tapar o umbigo. Queriam-se as cinturas finas e marcadas, mas tapadas. Não havia cá barrigas de fora, pelo menos para os meus lados.

15 anos mais tarde, quando os meus abdominais foram ficando escondidos com a passagem do tempo e com a gulodice cada vez maior, alguém decidiu que a crise também tinha chegado ao sector têxtil e - pimbas - toca a cortar, não só nos subsídios, mas também nos tecidos. E começámos a assistir a um desfilar de jovens cada vez com menos roupa. A Carolina falava hoje nos calções cada vez mais curtos que as jovens agora usam. Para mim, ultimamente é preciso acrescentar também a recente moda das barrigas à mostra. Fui almoçar a uma esplanada na praia há dias e eram só miúdas lindas e magrinhas a exibir os seus corpos magros e morenos. E porquê agora esta moda? Porquê? Não vai ser com 30 anos que vou começar a mostrar as pernas e a barriga. Não... Talvez num universo paralelo, em que eu tenha menos 10 anos e menos 10 kgs de peso e de vergonha.*


* E - sim! - estou cheia de inveja destas barriguinhas lisas e impecáveis. Não só das da imagem, felizes anónimas no Coachella, mas também das que tenho visto desfilar nos últimos dias. "Oh tempo, volta para trás".

Act like a boss

Esta história tem meia dúzia de anos, mas ainda me lembro dela de cada vez que passo nesse piso dessa "superfície comercial" (para não nomear nomes). Nesse dia, estava fula da vida a tentar mandar arranjar um vestido que tinha comprado e que já estava com fios soltos, quando me dizem que a responsável pela marca já tinha saído para almoçar.
- Não tem outra pessoa com que possa falar?
- Temos ali um funcionário da marca ao lado, que pode ajudá-la. Ele também costuma trabalhar aqui.
- Ok.
Chamam-no. Ele era claramente mais novo que eu uns anos, mas muito alto, moreno e muito bem parecido. Estava de fato preto com bom corte e tinha realmente bom aspecto, apesar de ser tão novo. Lá lhe disse qual era o problema do vestido, mostrei e prometeu que ia mandar arranjar ou, em caso de impossibilidade, davam-me um novo. Agradeci e sorri de alívio.
- Agora preciso de lhe pedir que assine aqui. É o talão de arranjo.
- Ok. Já está.
- E preciso do número de telemóvel.
- Muito bem.
- E pode deixar o seu email, para enviarmos as newsletters da marca?
- Sim. Aqui está.
Sorri, e vim embora. Passado uns tempos, lá tinha o vestido novo, porque não tinham conseguido arranjar e estava mais contente.
E já me tinha praticamente esquecido do episódio do vestido e do rapaz bem parecido, quando recebo uma mensagem.... no Facebook! Dele. A mensagem dizia algo como:
- Olá! Desculpe a ousadia, mas não resisti. Fiquei a pensar em si. Parece-me uma pessoa muito interessante e gostava de conhecê-la melhor. Se ficar assustada com estas palavras, peço apenas que acredite que não sou doido e que é a primeira vez que faço algo do estilo. Só que preferi arriscar em vez de ficar toda a vida a pensar nisto.
Na altura, várias coisas passaram-me pela cabeça: 1- como é que alguém parece interessante em dois minutos, enquanto troca um vestido?; 2- porque é que me estava a escrever no Facebook e a tratar-me por "você"? Parecia um complexo de Electra mal resolvido; 3- será que, se respondesse, ia passar a ter descontos naquela marca?

Acabei por responder. Confesso. Na verdade, sabia que ia acabar por vê-lo mais vezes e não queria que fosse constrangedor. Disse-lhe apenas que agradecia as palavras, mas que tinha alguém. Acabei por nunca ver o desconto. Infelizmente. Mas a ele, ainda vejo quando passo naquele piso. Sempre de fato, bem parecido, quem sabe à procura de mais pessoas interessantes entre os provadores, os tecidos e os talões de arranjo.

Por amor ao corpo. Não por dinheiro.

A esta altura, todo o homem que ler isto já está, com certeza, farto de saber. Sabe quem é a jovem e sabe por que é que tem sido falada nestes últimos dias. Ora, eu confesso que, talvez por ser mulher, não sabia nem uma nem outra, e apenas soube porque li nas notícias. Pois então do que estou a falar? Do facto de a filha de um dos homens mais ricos de Inglaterra - o patrão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone - ter posado nua para revista Playboy. A jovem, também ela milionária e herdeira duma fortuna que ronda os 114 milhões de euros, de seu nome Tamara Ecclestone optou por se despir para a edição de Maio "tal como veio ao mundo"*.

E esta notícia a mim causou-me alguma perplexidade, porque o primeiro pensamento que me ocorreu foi: "mas ela não precisa de dinheiro!". Porque isto é, quer queiramos quer não, o pensamento que primeiro nos ocorre quando pegamos numa revista destas - "despiu-se para ganhar algum dinheiro". Neste caso, portanto, o que a terá levado a despir-se? Segundo a mesma, foi simplesmente porque "enquanto mulher acredito que todas devemos amar o nosso corpo, gostando tanto do nosso interior como do nosso exterior". E obviamente tem toda a razão. Eu própria também gosto muito do meu corpo. Claro que se tivesse o corpo da Tamara, talvez fosse um amor mais forte, mas gosto na mesma. O que me intriga não é esta frase, mas o porquê de ter optado por partilhar o corpo, algo supostamente privado, "como veio ao mundo", com milhares de pessoas, por todo o mundo.

De qualquer das formas, neste caso, nem podemos questionar que outros motivos existam, porque a verdade é que não parecem existir quaisquer outros. Dinheiro? Deverá ser o que menos precisa. Fama? Com certeza já terá. Reconhecimento? Também não me parece que seja isso que procura. Por isso, parece que teremos que concluir que se tratou de um gesto de generosidade: gosta tanto do corpo, do interior e do exterior, que quis partilhá-lo com o mundo. Aposto que os homens agradecem tal gesto. E quem sabe as mulheres se inspiram também. Quanto a mim, ao ver a barriga lisa da capa, já serviu para alguma coisa: pousei o chocolate que ia comer a seguir.

*Adoro esta expressão por vários motivos. Primeiro, porque é imprecisa: uma pessoa vem ao mundo com cerca de 50 centímetros e 3 kgs, se fosse para levar a expressão à letra, só a devíamos utilizar nos casos em que se fotografa um recém-nascido. Depois, gosto da sonoridade da mesma, que tenta ser poética e filosófica - "vir ao mundo" - quando apenas se refere à nudez. Pronto, tinha que fazer esta menção. ;)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Obrigada. Só que o meu nome é X, não é Y.

Talvez por ser mulher, cresci a achar que é perfeitamente possível executar múltiplas tarefas em simultâneo. É-nos dito que é típico das mulheres, que temos essa capacidade e, portanto, sempre acreditei que era capaz de o fazer sem erros! Assim, é comum estar a conduzir e a escrever uma mensagem no telemóvel (não me denunciem, por favor!); é comum estar a falar ao telefone enquanto trabalho no computador; cozinhar enquanto vejo televisão... Podia dar-vos mil e um exemplos, mas acho que já perceberam a ideia!

Ontem à tarde, estava eu a terminar um trabalho, com o Facebook aberto e a trocar emails com uma amiga, quando reparo que uma antiga colega minha faz anos. Decido dar-lhe os parabéns. Escrevo os parabéns em 2 minutos e lá vou responder ao email da minha amiga. Subitamente, tenho uma mensagem nova.
- Olá! Obrigada pela mensagem! Só que o meu nome é X, não é Y.
Devo ter ficado de todas as cores. Troquei-lhe o nome e chamei-lhe o nome da minha amiga. O facto em si não era grave se antigamente elas não fossem muitas vezes confundidas e se não se tivessem depois zangado por causa do namorado duma delas. Actualmente, odeiam-se e tenho para mim que cometi o pior erro possível!
- Desculpa. Estava a responder à X e por isso troquei. Claro que sei o teu nome. Desculpa!! Sou uma cabeça no ar. Espero que estejas óptima.
- Sim! Não tem mal. beijinho

Uf!! Mas ainda fico atrapalhada quando falo nisso. Que vergonha! Tenho que aprender com um amigo meu que chama "princesa", "boneca", "babe" ou mil e outros nomes carinhosos a todas as amigas para nunca lhes trocar o nome. ;)

As vantagens das discussões

No outro dia, "pegámo-nos" um bocado já nem sei porquê e, a meio, comecei a dizer que nunca fazíamos os programas que eu queria, ou que, quando fazíamos, ele ia sempre contrariado. E comecei a enunciar situações: falo em correr, torce o nariz; falo de forma entusiasta em concertos, diz que poucas bandas compensam ao vivo; quero marcar férias, comenta sempre que sou uma gastadora, nem que as férias sejam nalguma casa de família (logo, sem custos). O que é certo é que, no fim, acabamos por fazer muitos programas que sugiro, mas por vezes canso-me do processo de insistir, insistir, insistir. E disse isso tudo, de rajada, num dia em que devia estar com TPM - típico.

Resultado? Ontem, no final do dia, quando chegámos a casa:
- Queres ir dar uma volta? Está um dia óptimo!
- Tu detestas dar voltas. Dizes que é para velhos.
- Mas hoje apetece-me. Vamos ali para junto do mar, assim a malti também corre um bocado na areia.
Lá fomos. Passado um pouco:
- Sempre que queres que tire a Sexta, para termos fim-de-semana prolongado?
- Tu é que sabes se dá jeito...
- Vou marcar amanhã.
- Ok.
- O que queres jantar?
[Nota: em todos estes diálogos, a voz masculina deverá ser lida de forma ternurenta e compreensiva, paternal até.]

E foi esta a consequência da minha explosão verbal-hormonal. Nunca pensei dizer isto, mas bendita TPM!

Só queria beijar-te

Ela era uma simplificadora. Mas tinha os seus momentos de complicadora. E, nos dias seguintes, não conseguia deixar de pensar naquele jantar. Na lasanha congelada. No National Geographic por ver. Na pele dele. Ou no sorriso. Encontraram-se novamente dias depois, num sítio por ele sugerido.
- Que lugar é este?
- É um lugar especial, para mim. Venho cá quando quero fugir ao barulho e à azáfama da cidade.
- Gosto muito!
- Queres beber o mesmo que eu? Vou pedir algo que gosto muito.
- Ok, confio em ti.
- Fazes bem confiar. Vais adorar.
Beberam um pouco. A cada gole, ele tornava-se mais bonito. Mas ela era uma simplificadora, não ia pensar - ia apenas viver o jantar.

- Um dia, gostava de construir uma casa junto à dos meus pais, para poder crescer longe da confusão e da poluição. Quero crescer e ter filhos junto ao rio.
- Queres muitos filhos?
- Sim. E quero chegar a casa, a ouvir as "Quatro Estações", do Vivaldi, e ver os meus filhos a correrem pelo campo.
- Já tens tudo delineado.
- Sim. Até a própria casa. Quero uma biblioteca, com livros de História antigos. Quero mapas para estudar as viagens da família. E sempre música clássica a dar, de fundo.
- Gosto da imagem.

A cada gole do vinho, ele era mais perfeito. Será que ele achava o mesmo dela? Será que a achava interessante, como ela o achava a ele? Não podia complicar. "Desliga o complicómetro", dizia a si mesma. "És uma simplificadora. És confiante e segura. Não questionas: ages."

No fim do jantar, foram passear junto ao mar. Estava tanto calor, depois daquela garrafa de vinho...! Passearam, bem próximos. Ela viu o seu reflexo numa montra, não estava mal de todo. O vinho deixava-a sempre um pouco rosada, mas costumavam elogiá-la quando estava assim. O cabelo estava mais macio, tinha ido experimentar um tratamento novo ao cabeleireiro, de manhã. E notar-se-ia a limpeza de pele que tinha feito na véspera? O vestido novo também parecia favorecê-la. Ela era simplificadora. Até o conhecer. Andava com a vida feita em mil dúvidas, desde a primeira vez que o tinha visto. Porque não a tinha ainda beijado? Porque não respondia às mensagens de forma querida?
- Só queria beijar-te.
- Diz?
- Oh... Falei? Disse em voz alta?
- Sim. Mas não percebi.
- Estava a dizer que está a ficar frio.
- Tens razão, vamos embora. Amanhã temos que trabalhar.
- Sim. Temos que trabalhar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quando gostam de nós...

Hoje tive uma reunião antes do almoço. E foi daquelas que correm tão bem que, quando olhamos para o relógio, já passaram três horas e ninguém reparou. Confesso que, para mim, o único indício da passagem do tempo tinha sido um ronronar do meu estômago, que começou a dar um ar da sua (des)graça lá para o final. E a reunião começou bem desde o primeiro segundo, ao abrirem-me a porta: a outra mulher presente tinha uma camisa igual a uma que eu tenho - felizmente não fui com ela vestida. Senti logo uma certa empatia. Sentámo-nos, pegámos nas respectivas agendas e eram iguais. Mesma cor e tudo. Sorrimos. De seguida, cada uma pegou na sua caneta. Iguais. Mesma marca, cor e modelo. Não resisti e gracejei um "tem bom gosto". Arrependi-me logo de ter falado, mas ela riu-se de forma tão genuína e descontraída que o meu embaraço por ter verbalizado o pensamento, sem querer, foi ultrapassado.

A nós juntaram-se mais pessoas. Conversámos bastante tempo e, a dada altura, alguém perguntou em que dia calhava a última Quinta-feira deste mês. Ora, eu, que sei sempre quando são os feriados com meses de antecedência, qual típica Portuguesa, gritei logo um estridente "Calha num feriado, temos que  antecipar para Quarta-feira, dia 24!". E, enquanto escrevo isto, horas mais tarde, percebo que a reunião correu mesmo bem e que realmente houve empatia, porque o comentário do homem mais velho, em resposta à minha rápida constatação foi um simpatiquíssimo "Muito bem, estou impressionado! Fez rápido as contas. Mulheres que sabem contar é raro, nos dias que correm."

Pensem comigo: quem é que não sabe que para a semana é feriado na Quinta-feira? Quase toda a gente sabe antecipadamente, certo? A minha resposta foi algo normalíssimo, pelo que constato apenas algo muito simples: quando gostam de nós e estamos em estado de graça, tudo o que dizemos é acertado. E acho que foi isso que aconteceu hoje. Se não gostassem de mim, tinham pensado o contrário "Feriado? Olhem esta, já sabe os feriados de cor. Aposto que não quer é trabalhar" - sim, porque, infelizmente, é assim que muitas vezes as pessoas são: confiam na primeira impressão, apenas e, a partir daí, analisam todo o comportamento do interlocutor em função da imagem que criaram. Com estes, é preciso apenas ter sorte e cair em graça! ;)

Sexo oposto não entra!

Julgo que isto acontece na maioria dos casais: existem os amigos comuns com que se partilham programas e férias - muitas vezes são casais também - e existem depois os amigos que se vão mantendo do tempo de solteiros e com os quais se marcam jantaradas, jogos de futebol (para eles) ou compras (para elas) ou saídas para os copos - muitas vezes estes também estes solteiros, mas não é obrigatório serem. A diferença no quotidiano não é nenhuma: são todos amigos do casal, mantém-se o contacto e a amizade com todos, independentemente de serem solteiros ou casados, do tempo de solteiros ou não.

O ponto de distinção entre uns e outros é que, no caso dos segundos, encontram-se, geralmente, os amigos das noitadas e dos copos. Por aquilo que me vou apercebendo, é comum nalguns casais instituir-se os jantares de amigos, em que ele ou ela vão sozinhos, e em que o sexo oposto não entra. Esses jantares costumam ter, por objectivo, matar saudades dos tempos de solteiro, desanuviar, conversar, comer e beber bastante. Conheço bastantes casos em que se aceita com naturalidade estes programas e em que o casal vive bem com isto. No entanto, conheço também alguns casos em que os respectivos se opõem veemente ao facto de a cara-metade precisar de algum tempo "sozinho", só com os amigos, e em que exigem, portanto, a sua presença. "Não faz sentido não ir o sexo oposto! Eu namoro contigo, quero ir" - dirão. Para estes, uma relação só faz sentido se os dois estiverem sempre juntos e apreciarem a companhia um do outro. E um dos argumentos que invocam é que, se estão juntos, é porque gostam um do outro, sem segredos, por isso não precisam de tempo só com os amigos.

Quanto a mim? Sinceramente, sempre fui convidada para 99% dos jantares dele, por isso, quando não vou é porque simplesmente estou com vontade de ficar em casa a ler, a ver um bom filme no sossego no lar, ou porque tenho outro programa. Mas admito que, a passar a existir sempre um jantar de homens em dia marcado da semana, me faria alguma confusão. E desse lado, o que vos parece a ideia de a vossa cara-metade ter um dia por semana, por exemplo, para ir sempre com os amigos, sem o sexo oposto? ;)

A paixão sem prazo de validade

Lia ontem no Público (aqui) uma crónica a criticar duramente o típico final feliz de tantas e tantas histórias que crescemos a ouvir: o "viveram felizes para sempre".  E essas histórias são-nos contadas, e acordo com o autor, pelos poetas, escritores, argumentistas, realizadores, pelos contos de fadas, pelas escolas e até pela televisão. "A cultura ocidental está cravejada de uma mitologia romântica que nunca passou o teste da realidade. Esta é uma ideia, uma mentira ensinada às criancinhas (e também aos adultos), que se torna como que um mantra que, de tanto se repetir, acabaria por se concretizar." Mais: "a criação de falsas expectativas nas pessoas é um factor destrutivo de felicidade", afirma-se a dada altura.

E estas duas últimas frases deixaram-me a pensar que, de facto, crescemos a acreditar que, depois do primeiro beijo, depois do momento em que ambos confessam a paixão avassaladora que os une, surge o momento de felicidade a dois eterna. Como se o ser feliz a dois fosse tão simples como respirar. Como se os problemas apenas acontecessem na vida real, no nosso quotidiano cinzento e enfadonho em contraste com o cenário que vemos nos filmes. Como se o mal estivesse em nós, que não conseguimos ser perfeitos, glamourosos, apaixonados todos os dias. Como se o mal estivesse em nós, que por vezes acordamos mal-dispostos, respondemos torto, temos dores de cabeça ou simplesmente queremos ficar um dia por casa, mal vestidos e sem qualquer glamour, sem beijos apaixonados de cinco em cinco minutos ou passeios ao pôr-do-sol, com juras de amor. No dia a dia, fala-se de compras para casa, das contas do gás e da luz, fala-se do trabalho, fala-se do que se vai fazer para o jantar, discute-se, responde-se torto... não há lugar ao estado constante de felicidade avassaladora que crescemos a acreditar que existe.

"A paixão é um mecanismo biológico que (...) visou criar laços temporários entre um homem e uma mulher para que a procriação e os cuidados pós-natais fossem possíveis. (...) Os neurologistas que estudam a paixão já demonstraram como a paixão se exaure ao fim de dois anos, até porque o corpo não mais aguentaria".
 Pelo que os psicólogos aconselham, alegadamente, a não casarmos com alguém por quem estamos apaixonados, porque esse estado de espírito tolda-nos a clareza de pensamentos ou decisões. O ideal será, portanto, deixar decorrer esse período de dois anos para podermos olhar para a pessoa que está do nosso lado com objectividade e, dessa forma, avaliarmos melhor as suas qualidades e defeitos.

Não sou nenhuma perita em relacionamentos, mas quer-me parecer que esta é uma visão demasiado pessimista das relações reais, longe dos filmes. É uma visão que parte demasiado do ponto de vista científico e a menos do ponto de vista empírico: nas relações reais, a paixão é, por norma, algo que se pode ir alimentando, se as partes estiverem dispostas a isso. Concordo que o dia a dia pode ser complicado e que em nada se compara com o simples "viveram felizes para sempre" que nos ensinaram. No entanto, prefiro acreditar que o estado de paixão se encontra dependente de ambas as partes, e que pode surgir quer seja no primeiro mês, quer seja no vigésimo quinto. E se, no início, é mais natural que se perca o sono, a fome, e se viva só para aquela pessoa, a calma que se vive depois da novidade também pode ser benéfica: há tempo para namorar sem ansiedade ou sem arritmias cardíacas, há tempo para viver o amor de forma mais "tântrica". Prefiro acreditar que a paixão vai aparecendo em qualquer relação, independentemente de todos os restantes sentimento envolvidos - amizade, partilha, companheirismo, admiração - desde que o casal a alimente (e deve alimentar sempre). Prefiro acreditar que a paixão existe sem um prazo de validade, que existe num jantar fora, num vestido mais justo, numa pele mais bronzeada, num beijo especial, num abraço ou num olhar. Prefiro acreditar que a paixão existe quando o casal quiser. E que, mesmo que o nosso quotidiano não seja igual ao dos filmes, e possa parecer cinzento e enfadonho, cabe-nos a nós lutar pelo nosso "final feliz" constante.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O meu novo vício

Ultimamente, antes de adormecer, vejo o X Factor. Nunca gostei muito de programas do estilo, mas este prendeu-me desde o início. Não sei se foi a picardia entre a CeCe Frey e a Paige Thomas, não sei se foi o Vino Alan, com o estilo de marginal mas uma voz fenomenal, não sei se foi a arrogância do Simon Cowell, a voz de outro mundo da Carly Rose, ou o facto de terem, como júri, uma Britney Spears como nunca a tinha visto: simpática, acessível e sempre num registo humilde. O que é certo é que ando viciada e, todas as noites, lá vou eu torcer pelos meus preferidos.

No entanto - pondo agora a música de parte, e falando de algo muito muito fútil - um pormenor que me surpreendeu imenso nos últimos tempos foi a transformação, de semana para semana, das sobrancelhas da Demi Lovato. Desculpe quem estava à espera duma análise musical exaustiva, mas a minha atenção às vezes também se prende com as maiores futilidades possíveis. Eu bem sei que supostamente as sobrancelhas "naturais" estão na moda, mas não é ir longe demais e levar o estilo Frida Kahlo demasiado à letra?* Ora vejam:
* Nota: eu própria uso as minhas ao natural, calma. E prefiro mil vezes o estilo natural que o risco fino. Só que não se esqueçam que aqui as sobrancelhas cresceram em escassos dias! ;)

O parto

Ontem nasceu mais uma bebé: a filha da minha amiga de infância, B. A filha da minha amiga de infância, ainda-ontem-também-ela-criança. Nasceu de parto normal, como a mãe queria. Eu não costumo acreditar em coincidências, mas o que sei é que às 5h da manhã estava eu sobressaltada, acordadíssima e sem conseguir dormir. E isto nunca me acontece, porque durmo sempre como uma pedra, durmo sempre de forma tão profunda que o mundo pode acabar que eu vou desta para melhor sem me aperceber de nada. Sempre... à excepção da noite passada: antes das 5h dei um salto, acordei fresca como se fosse de manhã, e com mil pensamentos, com a cabeça a girar. Tentei perceber porque é que estava nervosa, mas não me ocorria nada. Revi mentalmente as minhas 'to-do list', revi todas as minhas resoluções e, perante a ausência do sono, agarrei-me ao Murakami que dorme junto a mim, na mesinha de cabeceira. Só o larguei já passava das 6h. Fechei os olhos e dormi mais um pouco. Pois horas mais tarde, soube que a B. já estava em trabalho de parto, tendo rebentado as águas... adivinhem quando? Por volta das 5h da manhã! Como disse, não acredito em coincidências, mas que las hay, las hay.

O pai esteve sempre lá, a bebé nasceu cheia de saúde, linda como os pais e estão todos óptimos. Isto levou-me a pensar novamente nalgumas questões: se um dia quererei também parto normal ou cesariana, e se quererei o pai a assistir ou não. Quanto à primeira, sei que não depende totalmente de mim, mas se puder optar, optarei pelo primeiro. Como o nome indica, parece-me mais "normal", menos invasivo e dizem que a mãe pode desfrutar mais rapidamente da maternidade e do bebé, porque recupera mais rápido e pode ir para casa mais cedo. Sei que há quem diga que é mais simples por cesariana, que o bebé sofre menos e que há menos riscos, no entanto, acredito que, com óptimos médicos a acompanharem, os riscos do parto normal também serão diminutos.

Quanto à segunda questão, sinceramente, julgo que o mais importante é ter o pai por perto, mas "por perto" significa que ele poderá agarrar a minha mão, mas também ter a distância suficiente para não assistir ao bebé literalmente a sair. Até porque imagino que, sendo parto natural, não seja de todo espectacular ver uma cabecinha a espreitar das nossas partes mais íntimas e todo o espectáculo envolvido. De igual forma não o imagino de máquina de filmar em riste, qual Steven Spielberg, a realizar um filme para mais tarde partilharmos com amigos, ao jantar. Acho que há momentos especiais que devem ficar apenas gravados na nossa memória, e este é um deles.

Claro que respondo a estas questões com a certeza de que ainda terei muito tempo para pensar, mas estas são as minhas convicções de jovem inexperiente e teórica. Se um dia poderei mudar? Só o tempo o dirá. E os médicos que um dia me acompanhem, claro.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O António quer voltar

Reparei que o post do Dia das Mentiras (aqui) foi dos mais lidos e, pelo feedback que tive, acho que as pessoas gostaram de conhecer o António. Que me dizem, portanto, de o António passar a ter uma rubrica em que responderia a questões, desabafos, sugestões ou pedidos de quem está desse lado? Seriam respostas ou comentários com uma perspectiva masculina e com outro tipo de linguagem, mais terra-a-terra, mais sábia, mais pragmática e descontraída, baseada na maneira de ser de muitos homens que conheço. Que vos parece?

Podiam desabafar sobre o amor, pedir sugestões de sítios para jantar ou passear, divulgar os vossos projectos ou simplesmente perguntar o que anda o António a ler ou a ver na televisão. Coisas simples, mais complicadas, mais rebuscadas, mais engraçadas. Gostam da ideia? Caso avance, depois irei disponibilizar o email respectivo. O António está entusiasmado. Espero que vocês também.

O meu Facebook pessoal

O meu Facebook pessoal hoje "acordou" mais calmo. Aliás, até julgo que terá andado mais calmo nos últimos dias, mas apenas hoje me apercebi do que tinha efectivamente acontecido. É que o casal mais apaixonado que o Facebook alguma vez testemunhou calou-se. Porquê? Não sei. Eu conheço-a apenas a ela, e não é uma amiga muito próxima. Nunca conheci o namorado, o objecto de tanto amor e paixão, e apenas acompanhei o namoro virtualmente. O que sei é que há meses que ambos partilhavam, diariamente, os seus pensamentos apaixonados no mural um do outro. O que sei é que todos os dias fotografias novas surgiam, com beijos, sorrisos, ou olhares derretidos e felizes.

Ela punha uma fotografia dela com uma legenda do estilo "sorrio porque penso em ti, meu amor". E ele respondia algo como "e eu penso em ti a todo o momento. Amo-te!". Ao que ela respondia com um coração vermelho. Acham que isto terminava aqui? Não. Perante aquele coração, ele não se continha e "gritava" um "Quero ficar contigo para sempre, meu amor!", rematando com outro coração. Algum amigo comum comentava um "uau, que apaixonados". E o casal lá respondia, individualmente: "é verdade! Encontrei o meu príncipe", ela, e um "Obrigada! Amo a minha fofinha!", ele Não contentes, comentavam-se depois um ao outro: "Pois encontraste. E eu a minha princezinha!" ou "tu é que és o meu fofinho. Amo-te tanto! Toujours!". E isto é apenas uma amostra, acreditem. Uma hora num dia. Isto multiplicava-se durante as restantes 23 horas. Multiplicava-se durante a semana, o mês. Não havia momento em que não abrisse o meu Facebook e não fosse assolada por aquele mar de amor que brotava de todos os pixel da página.

Admito que cheguei a rir-me e a achar infantil. Exagerado. Um pouco ridículo. Hoje, sinto apenas um vazio. O meu Facebook está demasiado calmo. Terão terminado? Espero que não. Sinceramente, por muito que tenha achado cansativo, já tenho saudades. O amor pode parecer infantil. Exagerado. Ridículo. O amor parece cansativo, para quem está de fora. Mas prefiro o cansaço do amor daqueles dois que a monotonia da ausência dele. Voltem, "fofinhos"! Vocês amavam-se, lembram-se? (inserir corações vermelhos). Eram o príncipe e a princesa de cada um. E ficou registado na internet, já não têm por onde fugir. Voltem!

domingo, 14 de abril de 2013

Vou fazer um vídeo com milhões de visualizações

Pelo que vejo, o segredo é simples. Basta verem o Harlem Shake, o Gangnam Style ou o vídeo novo do Psy, o David after dentist ou vídeos com animais. Filmem uma criança num momento engraçado, um cão a uivar ou façam uma música com um refrão simples e um coreografia simples.

Pois eu ando a pensar fazer um pequeno clip que misture tudo: crianças e animais, tudo a agitar-se ao som dum música simples com um refrão repetitivo, enquanto meia dúzia de bailarinas mostram a coreografia.

Acho que vai ser um sucesso. O Psy teve 2milhões de visualizações em menos de 24horas, eu descobri o segredo, pelo que irei ultrapassar essa marca, com certeza. Até já. ;)

sábado, 13 de abril de 2013

Beijos. beijos. beijos. beijos.

Diz que hoje é o Dia Internacional do Beijo. Confesso que nunca aprendi tal data na escola (devo ter faltado a essa aula), mas se a Tvi diz, quem sou eu para contrariar? Não sou muito beijoqueira (apesar de já ter sido menos), mas depois de ter ouvido na na reportagem que vinte e nove músculos são activados e doze calorias são queimadas... A jornalista não especificou que tipo de beijo seria este, por isso vou presumir que um beijo "no ar" reuna todos esses benefícios. E, assim sendo, um grande beijo virtual para quem me lê (estou a contar perder doze calorias com cada leitor!! ahah) e... vão perder calorias rapidamente, por favor!! ;)

Sou uma pessoa de pessoas.

Desde que tive a minha cadela devo ter conhecido mais gente que no resto da minha vida. Os cães encurtam distâncias, sem dúvida. Basta levá-los à rua e, em menos de dois minutos, já alguém meteu conversa connosco, seja homem, mulher, jovem ou adulto. A verdade é que os cães têm fama de ser fiéis, leais e parecerem sempre agradecidos. Têm fama de perdoar tudo e de estar sempre contentes por nos ver. E, talvez por tudo isto, ou apenas porque sim, tornei-me, há dois anos, fã destes animais e já não imagino a minha vida sem a minha cadela ao meu lado. No entanto, nunca ninguém me ouviu dizer que gosto mais de animais que de homens. Continuo a ser uma pessoa de pessoas. Indiscutivelmente.

No meu antigo emprego, quando comprei a minha cadela, tive algumas surpresas neste campo. Dois dias depois de a ter comprado e de andar a apregoar o feliz que andava, cheguei à minha secretária e tinha duas moldura pousadas com fotografias dum gato. Pensei que seria algum erro. Confundiram o meu lugar com o de outra pessoa, com certeza! À hora de almoço, o erro foi esclarecido e a feliz proprietária dos passpartous estava lá a reavê-lo.
- Olá! Fui eu que deixei essa surpresa! Gostou? É o meu filho querido.
- Sim, é muito bonito, o gato.
- É a coisa mais bonita do mundo! Sabe, ouvi dizer que tinha um cão. Fiquei tão contente. Aconselho um animal de estimação a toda a gente! A sua vida vai mudar para melhor. Um animal é uma companhia para a vida. É leal. Não é como um homem que nos usa para o sexo e depois nos trai e sai de casa.
- Pois. Imagino que não. Pelo menos não foi com esse objectivo que comprei a minha cadela, gracejei.
- Os homens são uns traidores. Ao menos agora faço o jantar para o meu bebé, ele senta-se na mesa comigo, não resmunga, come e só agradece. E não foge com outra no dia a seguir!
- Pois...
- Só diz 'mamã', com um ar fofinho, muito querido.
- Como?
- Sim. Ele diz 'mamã' a miar.
- Ah...
- É tão esperto, a riqueza da sua mamã.

Adoro animais, mas não me interpretem mal: se um dia vier para aqui com um discurso destes, dêem-me por favor dois estalos e acordem-me para a vida. Os animais devem completar-nos a vida, não substituir a presença e o calor humano.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

És um simplificador ou um complicador?

O mundo divide-se entre os que simplificam tudo o que vivem e os que complicam tudo aquilo com que se deparam. Os simplificadores e os complicadores.

Ela? Era, sem dúvida, uma simplificadora. Não vivia um passo à frente, sentia cada passo a tocar no chão. Não problematizava. Solucionava. Não questionava. Fazia. Agia. Sem dúvidas, sem porquês. E, todas as noites, deitava-se na cama e adormecia em dois segundos. Não problematizava.

Nesse dia, quando ele a convidou a ir até casa dele aquecer uma lasanha congelada no microondas e assistir ao National Geographic, riu-se do programa tão simples e nem lhe ocorreu recusar. Estava sozinha naquela casa tão fria. E andava triste, não gostava de estar só. Ele também se queixava da solidão à noite. Porque não juntarem-se? Era uma equação tão simples - a soma de dois seres solitários é igual a uma dupla acompanhada e feliz. Era Janeiro. Estava frio. E só queria companhia. Aceitou.

Tocou à campaínha. Ele abriu. Sorriu sem constrangimentos. Ela respondeu. Cada um vestido de forma tão casual, que ninguém diria que tinham perdido a última meia hora em frente ao espelho a questionar a escolha da roupa. Era normal. Era "normal", repetia cada um para si mesmo. Iam só aquecer uma lasanha congelada no microondas. Assistir ao National Geographic. Era um programa tão despretensioso que só podia ser normal. Era normal!

Ela pôs a mesa. Ele tocou-lhe na mão, sem querer. Coraram os dois. Era normal. Ela era uma simplificadora. Não vivia um passo à frente, sentia cada passo a tocar no chão. Não problematizava. Era normal, aquele jantar. Jantaram. Viram televisão. Ou nem por isso. Porque afinal falaram até às 4h da manhã, sem olhar para a televisão, praticamente. No fim, ela pôs-se a pé e despediu-se. Coraram os dois. Era normal.

Nessa noite, nenhum conseguia adormecer. "Devia ter ido? Vou parecer uma fácil". "Ela aceitou. Estaria à espera que oferecesse mais do que um jantar?". "Ele não me trouxe à porta. Quer dizer que nem mereço um gesto de cavalheirismo?". "Ela foi tão brusca no fim. Será que gostou?"

O mundo divide-se entre os que simplificam tudo o que vivem e entre os que complicam tudo aquilo com que se deparam. Os simplificadores e os complicadores. E todos temos um mundo inteiro dividido dentro de nós.

Flatulência

Apresento-vos um dos meus ódios de estimação: a palavra "flatulência". Talvez seja trauma dos jogos de Carnaval em criança, quando os rapazes brincavam com as bombinhas de mau cheiro, mas sei que sempre tive alguma repulsa pela palavra: parece-me demasiado grave e séria. Dramática até. Não tenho nada contra quem dá os seus "pums" em privado, não é isso - apesar de admitir que me faz alguma confusão saber que é comum entre homens estarem de tal forma à vontade que dão totalmente azo à sua liberdade de expressão "intestinal" e não têm qualquer pudor. Parece-me um bocado infantil, desculpem-me os visados. O que me faz realmente confusão é o tabu que esta palavra representa em situações formais.

É um tema totalmente tabu na sociedade, se virem bem. Dos últimos temas que ainda o são. Sempre que alguém se descuida em público, tem que inventar uma explicação. "Ai a cadeira está velha, faz tanto barulho!". Toda a gente pode perceber o que se passou, pode ser demasiado evidente, mas não é ainda socialmente aceite admitir-se. E, por isso, toda a gente tem dezenas de histórias para contar: uma aula em que o professor, a meio, deixou sair um silvo grave e prolongado e começou a tossir por cima; uma reunião importante em que um tímido assobio se ouviu, deixando os restantes desconcentrados e com vontade de rir, enquanto o causador do som falava mais alto para disfarçar; entre mil e outros exemplos que podia dar. Vemos nos filmes, vemos nas séries a que assistimos, até lemos nos livros (há um famoso em Portugal que retrata um episódio que envolveu um acender dum cigarro, para disfarçar) situações de puro embaraço social, em que o protagonista daquele momento sonoro/olfactivo tenta disfarçar. Sempre, sem excepção. Os casos em que o protagonista admite são sempre com os amigos ou com a cara-metade com a qual já se tem muita confiança.

Ora, ontem estava eu a jantar, à mesa com sete pessoas, e aconteceu isto: a meio, um sibilar. Primeiro tímido, depois confiante. Estranhei tamanha confiança, principalmente porque não vinha acompanhada de nenhuma desculpa. Passado um bocado, novo sibilar destemido. A mesa estava em silêncio. Procuravam-se culpados. Ninguém dizia nada. Ninguém estava envergonhado, sequer. Até que.... olho para debaixo da mesa e percebi tudo. A minha cadela estava a brincar com um novo brinquedo que encontrou pela casa. Sim, um desses brinquedos insuflados.
- És tu!!, gritei.
E aí, sim, todos riram, aliviados. E voltaram a jantar descansados. Não, não é aceite socialmente. É tabu. Cada um pode fazê-lo em casa, mas em público é alvo de censura. Quase como ser apanhado a roubar. Verdade?

Sabia tudo de cor.

- Gostas da empregada? Trata-te bem?
- Mais ou menos. Às vezes chega com um saco cheio de perguntas...
- Perguntas..?
- Sim. Traz o saco de perguntas, pousa-o e depois esquece-se de as levar. Deixa as perguntas ali pousadas. E esquecidas.
- Hãaa?
Às vezes sentia que as pessoas estavam lentas demais e tinham deixado de acompanhar o raciocínio dela.

- Guardas-me este dinheiro na tua carteira, por favor? Tenho medo que me roubem.
- Dinheiro? Isto são extractos bancários...
- Não são, não... Dá cá, eu guardo, pronto.
A neta era nova, ainda não sabia reconhecer cheques. Mais valia guardá-los ela própria e não estar a explicar tudo em público, ainda atraía a atenção de alguém mal intencionado...

- Está um óptimo dia hoje, não está, mãe?
- Está! Que calor. Parece o casamento da Maria, a semana passada.
- Casamento? Foi o aniversário.
- Sim, foi o que eu disse - aniversário. Ela fez anos.
Devia estar cansada, a filha. Trabalhava tanto. Trabalhava tanto que começava a trocar as palavras.

- Mãe, pegou nos meus anéis.
- São meus, filha. Queres que te empreste?
- Não, são meus...
A filha devia andar cansada. Além disso, se queria aqueles anéis, bastava pedir! Era simples. Tirou os anéis dos seus dedos e emprestou-lhe. Se a filha queria usar, que usasse. De seguida, foi descansar um pouco. Andava farta. Tão farta... Farta que a percebessem mal. Farta de ter que repetir tudo. Farta que questionassem tudo. Não a ouviam? Nos últimos tempos, parecia que tinha mergulhado num pesadelo e não conseguia acordar. Estava farta daquelas expressões de confusão que faziam ao observá-la. De andar de filho em filho. Cama em cama. Médico em médico. Exame em exame. Diagnóstico em diagnóstico. Ela estava bem! Não viam isso? A cabeça era a mesma. O corpo igual. Tinha 82 anos? Era só uma idade, um número. Por dentro sentia-se ainda com 9 anos, a pedir à mãe que a deixasse fazer a 4a classe. Era tão boa aluna. Sabia os reis de cor. E os rios. Os afluentes. E até as estações dos caminhos de ferro. Sabia a tabuada. Era tão boa aluna. Não viam isso? A cabeça estava fresca e jovem. Não viam isso?

Tinha que acordar daquele pesadelo horrível. Ela estava bem. Alzheimer? Que palavra era essa? Era tão boa aluna. Sabia os reis. E os rios. Afluentes. Estações. E a tabuada. Modernices... Estrangeirismo, era o que aquela palavra devia ser. Só queria acordar. Estava tão bem. Os outros é que andavam cansados. Trabalhavam tanto...