terça-feira, 15 de março de 2016

Os primeiros dias a quatro

Entretanto, os primeiros dias a quatro têm sido muito mais calmos do que imaginava. Arrisco-me até a dizer que têm sido muito mais simples que quando a Constança nasceu. Não sei se é a capacidade de relativizar, que agora existe e antes era simplesmente inexistente - antes, tudo servia para stressar, desde o choro à falta de choro, desde o cordão umbilical ou a queda do cordão, desde o mamar muito ou o não querer mamar, etc, etc. Não sei se é o facto de agora termos também que nos focar num bebé maior, que precisa de tanta ou mais atenção que o recém-nascido. Não sei se é o facto de agora termos decidido vir logo para casa, só os quatro, e podermos fazer os nossos horários à vontade - da outra vez fomos para casa dos meus pais e, apesar de termos muita ajuda, também tínhamos sempre mais gente em casa. O que é certo é que estamos os dois muito mais tranquilos desta vez. Claro que também ajuda o bebé ser um amor e literalmente só comer e dormir, parando apenas para nos olhar uns minutos, com ar muito atento.

Conseguimos já sair os quatro de casa para passearmos e a prova foi superada. Naturalmente demora mais a por e a tirar tudo do carro, mas a Constança já nos acompanha a pé, por isso, a "maquinaria" de passeio continua a mesma, com a diferença que o carro deu lugar à alcofa. Conseguimos sentar-nos para tomar um café e apanhar um bocado de sol, por isso, senti-me logo, ao fim de uns dias, "eu" outra vez (lembro-me que, há quase dois anos, essa sensação demorou a chegar... durante muito tempo, não me sentia ainda "eu", mas alguém estranho que estava a viver a minha vida no meu lugar).

Conseguimos já ver filmes do princípio ao fim, almoçar e jantar fora, já voltei à manicura para arranjar as unhas, consegui dar uma volta na Zara e, no meio disto tudo, já tenho também vontade de retomar os exercícios que deixei apenas 3 dias antes do bebé nascer. As coisas voltaram rapidamente à normalidade, desta vez, e acho que tudo se resume ao facto de ser o segundo. Sim, já passámos por isto (e há pouco tempo) e isso permite-nos - palavra chave! - relativizar tudo e relaxar muito mais.

Há quase dois anos, lembro-me que me sentia exausta, com as horas trocadas, e sentia que os primeiros dias se resumiam a trocar fraldas e a dar de mamar. Lembro-me da crise de choro que tive, uns dias após o parto, do cansaço, de tudo. Lembro-me da crise existencial que tive - "sou mãe! a minha filha vai depender para sempre só de mim! e agora?". Desta vez? Não sei se é por ter a Constança a dar-me uma dose de realidade a toda a hora, com toda atenção que exige, mas... a verdade é que sinto-me mais "viva" e com mais força para tudo.

O segredo? Não sei... talvez o facto de saber que tudo é possível, porque já passei por isso. Talvez o facto de já saber que o corpo volta ao sítio, que a barriga há-de encolher e a pele esticar (pode demorar, mais há-de acontecer!), que as noites vão normalizar e a que tudo se vai encaixar... talvez seja isso que me dá mais força desta vez. Ou então, simplesmente as hormonas tenham sido mais meiguinhas comigo desta vez. Às tantas é simplesmente isso! ;)

7 comentários:

  1. Tão bom que tudo corre super bem!! :D Já tinha saudades de te ler :D

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  2. E como se chama o pequeno?

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  3. Oh que bom que tudo está a correr com tanta tranquilidade. Aproveita ;)
    Beijinhos

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  4. É bom que esteja a correr tranquilamente :) imagino que com o 2º já seja mesmo essa a sensação. Tudo de bom para vocês!

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  5. Anónimo07:34

    Antes de mais felicidades! Sigo o teu blogue há imenso tempo e adoro o que escreves, mas desta vez vou ter que dizer que o facto de teres empregada faz toda a diferença. Pois eu tenho dois filhos com menos de 2 anos de diferença, tal como tu, e o caos instalou-se nos primeiros tempos. Cuidar de dois seres tão pequenos, amamentar, cozinhar, cuidar da casa e da roupa, que se acumula, sem ajudas, não é fácil e não nos deixa aproveitar como desejaríamos a chegada de mais um bebé. Fico feliz que a tua experiência seja bem mais serena que a minha? Bjs

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    1. É verdade: faz mesmo! Se não fosse ela, sei que estaria mil vezes pior neste momento.

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