quarta-feira, 25 de junho de 2014

O pai e a mãe do recém-nascido - descubra as diferenças

Cenário 1
Mãe está com o filho recém-nascido ao colo e este chora.
Consequência:
Surgem logo mil fiscais-da-mama, trezentos fiscais-do-frio, cento e quarenta fiscais-do-calor, sessenta fiscais-da-fralda e vinte e nove fiscais-da-chupeta, a correr de todos os cantos, em sobressalto, como que a responder a um chamamento qualquer e à obrigação de educar a mãe novata, perguntando, sábia e rispidamente:
- Será fome? Há quanto tempo deste de mamar? O teu leite será suficiente? Estás a dar suplemento?
- Terá frio? Não devias aquecer esses pezinhos? Não terá o peito descoberto? Não será melhor por um cobertor? Não será melhor vestir um casaquinho?
- Terá calor? Não está transpirado? Não será melhor tirar as meias? Não queres tirar o casaquinho?
- Terá feito cocó? Já mudaste a fralda? Serão cólicas? Fizeste massagens?
- Não queres experimentar por-lhe a chupeta? Não queres insistir para se habituar?

Cenário 2
Pai está com o filho recém-nascido ao colo e este chora.
Consequência:
Surgem logo mil quinhentas e vinte e nove mães, a correr de todos os cantos, como que responder a um chamamento qualquer:
- Ohhhhh!!
- Que querido!
- Que jeitinho...
- Ohhh...
- Está a chorar? Coitadinho!
- Ohhh... Queres ajuda?

É verdade, ser mãe pela primeira vez no meio de mães mais experientes é lixado. Os fiscais andam sempre em cima. Ser pai é tãaaao mais fácil, não me venham com tretas. A mãe tem todos os seus passos serem analisados: é a mama que tem que dar leite a toda a hora (e do bom!), é a temperatura que está sempre em mudança e deve ser refletida na roupa, é a fralda que tem que ser mudada, é a forma como se pega ao colo no bebé, é tudo... Ser pai é tão, mas tão mais fácil. E não, não estou ressabiada com nada nem com ninguém, mas é uma constatação que tenho feito desde os dias em que estive na maternidade e da análise de outras famílias também. De certa forma, a sociedade exige perfeição das mães no contacto com os filhos. Dos pais? Exige apenas a sua presença. Sim, a sua sociedade é machista. Mas o que é mais triste é que, muitas vezes, este machismo começa nas próprias mulheres. Por que será? Por que nos sairá um "ohhhh" automaticamente se vemos um pai pegar num filho e, se vemos uma mulher, já desligamos o botão do "oh" e buscamos apenas mais e mais perfeição? Por que será que somos tão mais críticas com as outras mães e totalmente condescendentes com os pais? Não deveríamos, em pleno século vinte e um, ter evoluído para a total igualdade de sexos também nestes cenários? Se isto fosse o outro programa de rádio, terminaria dizendo "vale a pena pensar nisso"... Como não é, resta-me ir embora e pensar nisto mais um bocadinho. Juntem-se a mim se quiserem. ;)

6 comentários:

  1. É que por cá foi tal e qual isto!!

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  2. tania23:33

    Não tenho saudades desses tempos...

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  3. Pois. Comigo passou-se mais ou menos assim também. Acho que nos cabe a nós mudar essa situação. Para além de ser mãe de primeira viagem de uma menina de 3 meses, nunca tive grande instinto maternal todavia, não deixo que ninguém me venha dizer o que fazer e de que forma. Se tiver dúvidas pergunto claro mas, se acho que estou a fazer o que é correto, ninguém vem vem dizer muitas vezes o que fazer. Era mesmo o que faltava. Isso ficou logo assente quando me sugeriram fortemente que desse suplemento ao bebé porque devia estar a chorar de fome. Não dei e ainda hoje mama. Depois porque não devia pegar tanto ao colo porque fica mal habituada. Pego sempre que achar necessário e deixo a chorar se me parecer bem. Se ficar mal habituada, seja como for, sou eu que a aturo. Por outro lado, faço muita questão que o pai tome bastante conta dela e assuma metade das responsabilidades. Aqui divide-se tudo. Se estou mais com ela durante o dia, ele está durante a noite. Vejo as minhas amigas sempre de volta dos seus bebés, muito mais que os pais e acho isso um pouco estranho. Concluindo, acho mesmo que cabe às mães serem bastante assertivas com os "fiscais de tudo" até que eles percebam que não estão a ajudar, nada.

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  4. Sendo eu mamã de primeira viagem há cerca de uma semana, posso dizer que senti logo todos os olhos colocados em mim desde o primeiro momento. Claro que sempre disse que nunca convivi muito com crianças de colo pelo que a minha experiência está longe de ser muita e de qualidade. Mas sinto que vou ganhando confiança a cada dia que passa.
    Já o pai tem muito mais à vontade do que eu, não me importo de o dizer. Ele tem sido um apoio fantástico para mim e é com ele que tenho aprendido muito. No nosso caso, eu sei que o pai tem mais habilidade em certas coisinhas com a Pimentinha do que eu, também o sei que pode haver familiares que olhem para isso com alguma estranheza. Temos pena. Eu vou-me construindo como mãe a pouco e pouco.

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  5. Mulheres já com filhos são o inferno na terra, sobretudo as mães de gerações anteriores, cheias de palpites. Respondo-lhes que "isso era na pré-história delas", o que mudou de lá para cá, céus. Tentam sempre fazer-nos sentir tão mal.

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  6. Quando o pai da minha filha (de quase 4 meses) a tem no colo, a minha sogra liga sempre o botão "oh". Vá-se lá saber porquê, aquilo deixa-me ligeiramente irritada
    Os fiscais são mesmo mandados à merda, quando não é com as letras todas, é de forma a entenderem sem ser preciso dizer. É que não sei se é das hormonas toda a minha paciência para gente metediça esgotou.

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