quinta-feira, 24 de abril de 2014

Estás demasiado calma!!

Há dias, ouvi uma amiga minha comentar que preferia não pensar ainda muito a sério em ter filhos, porque tinha medo de um dia querer muito e não conseguir. Outra amiga comentava que também que não pensava muito nisso – “e se um dia não puder ter filhos? Prefiro não pensar nesse assunto para evitar desilusões...” E fiquei a pensar naquilo... Fiquei a pensar por que é que alguns de nós serão tão pessimistas e preocupados, e outros tão otimistas. O que nos faz encaixar num lado ou no outro? O que nos faz contornar o pessimismo evitando sequer sonhar? E, pelo contrário, o que nos deixa sonhar e levar a vida de forma mais despreocupada? Quanto a mim, penso que a minha personalidade se desenvolveu em oposição à dos meus pais, sempre a mil, sempre preocupados por antecipação, a organizar tudo com antecedência, a pensar sempre nos problemas que determinado passo pudesse provocar e nas respetivas soluções antes do próprio problema existir. Sempre senti que se preocupavam por eles e por mim, por isso, a única coisa que tinha a fazer era relaxar e acalmá-los. E assim cresci e me mantive. O meu stress como que foi sempre sendo absorvido por eles, ao ponto de ter que ser eu a tranquilizá-los na véspera dos meus exames, ao ponto de aprender a lidar com os meus nervos sozinha e não partilhando tudo, para não os sobrecarregar. Mas cada pessoa desenvolve diferentes maneiras de lidar com o stress… Hoje, gostava de saber exteriorizar melhor as minhas preocupações. Dou por mim muitas vezes nervosa, mesmo no trabalho, e com a plena noção de que mais ninguém se apercebe, porque não sei agir enquanto “ser-nervoso”. Não sei bufar. Suspirar. Dar passos mais rápidos pelos corredores. Soltar uns palavrões. Berrar. Não, essa não sou eu. Eu, mesmo nervosa, sou aparentemente calma e cheia de sangue frio. Só que nem sempre é assim que estou por dentro...
Tudo isto para dizer que, nisto da gravidez, noto alguma preocupação crescente à minha volta. “Como é que vais fazer quando a bebé nascer? Não marcaste data para o parto? Continuas a trabalhar com trinta e sete semanas? Vais ao ginásio na mesma? Vais para o estádio assim? Comes sushi na mesma? Estás calma mesmo longe da tua família e amigos? E se entras em trabalho de parto, como é que vais para o hospital? Não tens a mala pronta? Já compraste isto? Já compraste aquilo? Já decidiste se a bebé vai para o infantário qos quatro meses ou se fica alguém com ela? Tens que decidir já! Achas que vais conseguir fazer tudo sozinha? Não vais! Vais para casa dos teus pais quando a bebé nascer ou vais para tua casa? Tens que decidir já!”. As perguntas cada vez são mais. Os conselhos multiplicam-se, mesmo sem ter que os pedir. E o mesmo vaticínio: “Ainda estás demasiado calma, mas um dia destes vais deixar de estar”, ouvi já muitas vezes, como se fosse um crime estar calma e grávida. Só que não estou calma. Estou serena e otimista, mas preocupada com algumas coisas. É natural... A minha vida está prestes a mudar. E estou ansiosa por conhecer a minha filha. Seria anormal se não tivesse noção da grandeza de tudo isto. Mas, como sempre, tenho a minha maneira de viver as coisas e de lidar com o stress. Sim, posso parecer mais calma que a maioria das pessoas, mas é assim que trato das coisas na minha vida. Se posso lidar com os problemas sem stressar por antecipação, sem perder noites de sono e sem perder o sorriso… por que não fazê-lo? Penso nos problemas todos. Penso que posso precisar de alguém e não ter ninguém por perto. Mas também sei que há táxis e telefones! Penso que há a possibilidade de a bebé nascer com problemas de saúde. Mas há uma voz que me tranquiliza e diz que não, que ela está bem. Penso que as águas podem rebentar a meio do trabalho e alguém terá que cumprir os meus prazos por mim. Mas vou fazer tudo para que isso não aconteça e adiantar tudo ao máximo. Penso que a bebé pode ser feia. Mas hei-de gostar dela na mesma. Penso que posso um dia não ter dinheiro para lhe dar tudo o que gostaria. Penso que um dia posso não saber educá-la em condições. Penso que um dia posso não poder dar-lhe a vida que desejo ou dar-lhe todo o tempo que gostaria de dar. Mas depois páro e inspiro… Um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Hoje, a minha filha está aqui dentro de mim. Hoje, sei que está bem. E é por isso que todos os dias sorrio em vez de trepar paredes. Sorrio pelo que tenho. Hoje estou ótima. Os problemas de amanhã, a existirem, logo serão resolvidos. Não vou sofrer hoje pelo que ainda não aconteceu.

PS: entretanto, soube que uma amiga minha, grávida com 35 semanas, já está no hospital. Rebentaram-lhe as águas de madrugada. Vai ter, pelos vistos, uma homónima da minha bebé. E hão-de ser muito amigas, as duas. Que corra tudo bem! Sei que vai correr. :)

8 comentários:

  1. Vai tudo correr bem Pippa:) desfruta os últimos momentos da gravidez enquanto a bebé é só tua e as duas são uma só:) com tudo a correr bem,o nascimento é o momento mais mágico que me aconteceu e quando te puserem a bebé nos braços é uma explosão infinita de alegria e todo o parto é um grande momento de união entre o casal. Desfrutem, beijinho

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  2. Tu não te esqueças de avisar quando chegar o momento. Que emoção, vou ser blogo-tia.

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  3. Ainda bem que estás calma! É super bom para a bebé! Poder desfrutar do seu "quentinho" sem preocupações desnecessárias. A seu tempo tudo se resolve... Estou muito contente por ti!! Boa Sorte! **

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  4. Acho fantástico que sejas assim. Truque de médico, em caso de muito stress vai para o carro ou para um sítio onde não te oiçam e solta uns berros ;)

    Quanto ao stress com a tua filha, isso está sobrevalorizado. Será apenas um bebé, vai dar trabalho mas esse tua maneira de ser parece-me óptima para afrontar alguns problemas que surgirão. Afinal de contas, é apenas um bebé, não a dívida interna do Turquemenistão (ahahah).

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  5. Ups!
    Cliquei em publicar antes do tempo..!
    Tenho a ideia que nos conhecemos e depois de ler este post acho que temos algumas coisas em comum. Será que podemos falar? Espero que isto não soe absolutamente creepy! :p Sou prima de uma amiga da tua irmã. Tens algum e.mail público que possas dar por aqui?
    Um beijinho.
    Ana

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    1. Olá, Ana! :) O meu email está ali em cima do lado direito: pippa.coco.blog@gmail.com

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  6. Só hoje vim parar aqui e já li tanta coisa com a qual me identifico bastante!!
    É incrível como as pessoas gostam de opinar sobre tudo, sobretudo quando estão perante uma grávida e fazem mil e uma perguntas, às quais uma pessoa nem sempre sabe dar resposta. No meu caso também vão fazendo perguntas, nomeadamente quando é que eu pondero abrandar o ritmo. Até ver sinto-me bem e por isso o melhor mesmo é aproveitar o tempo que falta. Tanta coisa pode acontecer, de bom e de mau, mas se formos "paralisar" devido a isso, estávamos tramadas!

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