segunda-feira, 22 de abril de 2013

Quem tem medo de ter sorte?

Por norma, vivo os momentos em que sou bafejada pela sorte um pouco a medo. Medo, porque penso "ok, a sorte e o azar estão sabiamente distribuídos por todos, pelo que, se tiver demasiada sorte num dia, vou ter que passar por dias de azar para compensar aquele excesso e reequilibrar tudo". Não sei bem onde fui buscar esta teoria, mas ela vem convivendo comigo há uns anos e já se encontra bastante enraizada.

Hoje foi mais um dia em que vivi alguma sorte e agora estou à espera de ser atropelada. Bem, talvez não tanto. Pensando bem, passei o dia de ontem deprimida, pode ser que já tenha merecido o dia de hoje, não?

A verdade é que voltou a acontecer-me algo engraçado. Sentei-me para mais uma reunião. Depois da discussão do que nos tinha levado ali, saí-me com um comentário sem pensar duas vezes (ultimamente, o meu filtro tem-se desligado nestes momentos e falo demasiado sem pensar... tenho que repensar isto): 
- Então vou despedir-me, porque já vi que daqui a cinco minutos vai receber uma conterrânea minha.
- Como assim? Não me diga que a Dra. também é de X (a minha cidade natal).
- Sou, sim.
- E como sabe que vou receber uma conterrânea sua a seguir?
- Espero que não me leve a mal, mas vejo bem ao longe e reparei que, nas suas notas, diz que às 15h30 vai receber a Dra. Y de X.
- Ahh. Olhe que coincidência. É que eu também sou de lá!
- Ai sim?
- Sim!! Que bela novidade que me deu.

A partir daí estivemos a falar da nossa cidade. A mais bonita do mundo, para os dois. Obviamente. Falámos. Falámos. Falámos. No fim já éramos amigos de infância, praticamente. Conhecia os meus pais, tinha trabalhado com a minha mãe algumas vezes. Parecia que nos conhecíamos desde sempre. A conterrânea? Peço desculpa, lá teve que esperar.

2 comentários:

  1. Vou desviar um pouco o assunto central deste belíssimo texto e focar-me no "quem tem medo de ter sorte" porque, por qualquer poder cósmico, kármico ou whatever essa é, tristemente, a minha sina. Sempre que algo de bom (ou melhor) me acontece, dias depois há-de vir o golpe. E, em regra, tem um impacto bem maior do que a sorte propriamente dita. Já me resignei: a sorte é coisa que não me assiste mas, se é para depois me deixar o mundo às avessas, deixem-na estar longe de mim.

    P.S.: não sei se já tinha dito, mas está aqui um belíssimo texto :)

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    1. Eu acredito que depois há-de vir toda a sorte seguida, então. Porque assim ninguém merece, Maria João. Vai-te começar a correr tudo bem, vais ver. :)

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