terça-feira, 4 de junho de 2013

Privado vs Público

A falar com uma amiga sobre a futura escola para onde irá estudar a filha dela, comecei a pensar mais no assunto. A verdade é que, tendo andado num colégio e depois numa escola pública, penso que posso, pela minha experiência, concluir que prefiro os colégios. São mais caros? São, claro. Mas, pelo que vivi, posso assegurar que me sentia mais protegida, mais parte duma grande família, e que sentia que éramos mais bem acompanhados. Todos os professores e empregados sabiam o nosso nome, a nossa data de aniversário, conhecíamos as famílias uns dos outros, tínhamos imensas actividades para além das aulas... Claro que haverá escolas públicas fantásticas (tal como os rankings anuais comprovam), mas, no meu caso, passei daquilo que me parecia um castelo protegido para uma selva, no início. Acabei por me habituar, mas lembro-me que me identificava apenas com um número reduzido de pessoas, inicialmente, e achava estranho ver tantas raparigas a pintarem-se na casa-de-banho e a falarem de jogadores de futebol. Achava estranho ver os gangs vestidos de preto e cabelo comprido - os chamados "metaleiros" - na parte de trás da escola, os de Artes sempre encostados ao pavilhão, os miúdos com as motas à frente, etc. Estava tudo muito segmentado, não havia um "todo", uma unidade. E no início custou-me. Tive que decidir quem era. Como era. A que grupo pertencia. Eu, que antes pertencia apenas a uma escola e era igual a todos os outros. Afinal ali era betinha, desportista, alternativa...? Para mim, era apenas "normal". No entanto, naquela escola, tudo tinha um nome e "normal" não constava das categorias.

A minha amiga diz que, se tiver mais que um filho vai ser difícil mantê-los a todos no ensino privado, porque é, obviamente, caro. Ela, que é das pessoas da minha idade com um emprego mais estável. Por isso, concluo que terei que dizer o mesmo um dia também. Apesar de sonhar com os meus filhos um dia num "castelo" - como eu tive a sorte de poder experimentar -, com aulas de línguas, com desporto e aulas de música, sei que esse tipo de ensino é tão mais caro que nem todos conseguem suportar. Por isso, ando a tentar ver as coisas de outro prisma e pensar que as escolas públicas preparam melhor para a vida adulta. Tento pensar assim, apesar de, no meu caso, apenas me ter feito sentir um pouco confusa e sozinha, no início.

E desse lado, melhores experiências? Onde pensam pôr os vossos filhos um dia e porquê?

18 comentários:

  1. As minhas filhas andarão no privado enquanto eu puder pagar. Eu tbém andei no privado e tbém passei para o publico e tive uma experiência parecida com a tua. Não gostei!

    Bjos

    Maggie

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  2. Francisco17:42

    Eu estudei no sao joao de brito em lx, um colegio jesuita e claro privado. Quais sao entao os beneficios? Para alem da tal 'seguranca', acrescento a qualidade de ensino e especialmente os colegas de escola. Claro que isto e um pouco subjectivo, mas pelo menos a nivel profissional, e preferivel estar inserido num grupo dito elitista do que o contrario. Em relacao as desvantagens, existem algumas sim. A primeira e uma consequencia directa de viver protegido da realidade da maioria das pessoas. Criam-se alguns preconceitos, a maioria por simples ignorancia da realidade de alguns. A segunda desvantagem e a formatacao de mentalidade que nos torna um pouco conservadores em relacao ao mundo. Mas ai esta, isto provavelmente nao se aplica a toda a gente.

    Nao faco ideia como estao as escolas publicas em Pt, mas penso que se houver dinheiro, acho que e uma boa investir na educacao dos filhotes.

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  3. Anónimo17:45

    Na minha opinião mais do que andar numa escola pública ou privada o que importa mesmo é a educação que temos em casa.
    Eu andei numa escola pública, tive professores bons mas também tive professores péssimos. O facto de ter tido pouco acompanhamento fez com que eu desenvolvesse sozinha o meu método de estudo o qual tem resultado até agora (continuei boa aluna na faculdade). Foi também na pública que aprendi a escolher quais as melhores companhias ao mesmo tempo que contactava com outras realidades (os delinquentes, os nerds, os pobres, ricos, brancos ou pretos...)

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  4. Também estudei no Privado e mais tarde no Público. Confesso que aquilo que sentiste foi o que eu senti. Que estava numa selva. Eu irei colocar a minha num colégio privado. Daí também a opção de ter apenas 1 filho. Mas sim,Colégio privado.

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  5. Eu estudo no público, por isso, enquanto ainda estudante, vou dar a minha experiência como exemplo.
    O público tem de tudo: eu tenho a sorte de estar numa escola em que o pessoal até se aguenta e as funcionárias são umas queridas, sabem o nosso nome e preocupam-se connosco. Penso que o benefício de se estudar numa escola pública é que se pode interagir com todo o "tipo" de pessoas, temos amigos de todas as classes sociais e conseguiremos, mais facilmente, definir-nos a nós próprios. A Pippa disse que sentiu que era "normal" e que passou de uma família para um local onde todos funcionavam por grupos, mas isso não a ajudou a perceber que companhias seriam as melhores para si, e não a preparou para a "vida real", em que nem todos temos os mesmos interesses e atividades?
    Tenho amigas que mudaram para o privado e que me dizem que têm mais aulas de apoio que no público, mas que pagam mais para isso. Também reclamam que a comida não presta e é cara, tendo de sair do colégio para ir comer a um shopping (o que soma sempre à conta no final do mês). Neste caso, eu prefiro gastar esse dinheiro numa explicadora (a Matemática não gosta de mim, pronto!) e o resto, ou se poupa, ou se investe em atividades extra curriculares, fora da escola. Até porque há muita gente que, por ter passado a vida no privado, é vista como alguém a quem foram dadas as notas e que ao fim vai-se a ver e sabem tanto como um aluno do público...
    De qualquer das formas, cada um faz o que quer do seu dinheiro, desde que tenha a plena noção que é isso que pensa ser o melhor :))

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  6. Eu ainda estudo no público. Claro que tenho noção que não é assim em todas as escolas, mas sinto-me um privilegiada. Na minha, não existem esses tais grupos de que falaste, talvez por estar localizada numa aldeia, é tudo bastante homogéneo. Somos por volta de quinhentos alunos e os funcionários sabem o teu nome, tu o deles, há respeito e boas maneiras, e poucas excepções à regra. E até nos aguentamos, há aulas de música, educação física e de artes. Se preferia estudar numa privada? Talvez não, acho que tenho isso na minha escola sem pagamentos absurdos. E se conto em colocar os meus filhos no privado? Depende, há público e PÚBLICO.
    Como eu estou no PÚBLICO e sei que ele existe, é diferente...

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  7. Eu sempre andei no privado pelo que não posso fazer qualquer comparação. O que posso dizer é que sempre me senti muito bem na escola e apesar de não ser uma das «populares», porque depois de uma certa idade começa a haver os grupos, nunca me senti mal na escola e com vontade de não ir.
    O meu filho mais velho está num colégio e adora ir para a escola, o que me descansa bastante. Tenho agora um bebé e espero poder manter os dois no colégio privado porque não tenho horários de trabalho para cumprir com os horários das escolas públicas e a pagar um ATL prefiro para o colégio (o meu até não é muito caro por comparação com alguns que oiço falar).

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  8. Eu estudo no público, sempre estudei (com excepção dos 3 aos 6 anos, mas isso não conta), não porque os meus pais não tinham possibilidade de me pôr num colégio, mas por opção. Apesar do meu pai ter insistido para eu andar no privado, mesmo que ele tenho ODIADO andar no privado.
    Sinceramente, nunca me senti prejudicada, nunca senti que a minha educação fosse melhor ou pior. Senti-me, sim, um pouco discriminada, porque tenho colegas que frequentaram o privado até ao 9º e os professores tratam-nos com mais respeito, como se fossem mais inteligentes, como se tivessem uma melhor educação, o que não é verdade. Se compararmos as notas das pessoas do privado e das pessoas do público, pelo menos na minha turma, as pessoas do público até têm melhores notas.
    Aliás, não sei como são todas as escolas privadas, mas sei que na minha turma uma rapariga no privado tirava 20 a Educação Física e agora tira 16. E nunca na vida ela merecia 20. Tira, também, 14 a História, enquanto no privado tirava 18. Nessa mesma escola, a maioria dos alunos tira notas muito baixas nos exames, principalmente considerando as notas deles na pauta. Por isso, tenho a impressão que no privado as notas são um pouco injustas. Peço desculpa se esta impressão for errada.
    E, depois, há claro, o facto de no público estarmos expostos a muitas mais realidades, ao mundo real. Também não me posso queixar da maioria dos funcionários. Claro que nem todos sabem o meu nome, mas os que me vêm mais vezes sabem e não podemos que esperar que, numa escola pública, geralmente enorme, todos saibam o nosso nome e nos tratem como uma família. Além disso, nunca andei numa escola em que existissem muitos grupinhos, mas isso é uma questão de uma pessoa se adaptar e descobrir quem é.
    Peço desculpa pelo comentário enorme e não estou, de todo, a descurar a escola privada (o meu pai andou em imensas escolas privadas), estou apenas a dizer que acho a escola pública óptima. Tal o privado, como o público, têm as suas vantagens e desvantagens. E já agora, se calhar, sentiste um pouco deslocada porque não estavas habituada à escola pública, tal como se alguém mudasse da pública para a privada também se sentiria deslocado.

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  9. Eu andei no privado e apesar de termos um óptimo acompanhamento, óptimos professores e tudo o mais, no meu colégio havia os grupos exactamente como descreveste para o público.
    E fui muito mal tratada por não ser considerada menina de bem, porque não tinha roupas de tal marca e não tinha sei lá mais o que eles achavam que devia ter! Tenho amigos dessa altura e são muito para mim, foi o que de melhor levei dessa escola... mas passei as passas do Algarve e de família só mesmo daquelas disfuncionais onde todos falam mal de todos pelas costas :S

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  10. Eu já andei em privadas e públicas. Comecei numa publica e não gostei. Era tudo muito impessoal e cada um por si.
    Mudei e passei para um externato onde arranjei os amigos que atualmente tenho. Fiz o meu grupo, defini-me como pessoa e sinceramente, foi a melhor coisa que os meus pais puderam fazer.
    O colégio era apenas até ao 9º ano; mudei para uma secundária. Não desgostei. Mas verdade seja dita, o grupo mudou-se comigo. Era das mais pequenas do distrito logo era mais restrita, mais acolhedora.
    Agora, se me dessem a escolher fazer o secundário na publica ou na privada, teria escolhido a privada. Tem desvantagens para os pais (custo) mas também para os alunos (se calhar a liberdade não é tão dada, para crescerem como numa publica) mas, o mais importante é a formação como pessoa, como futuro trabalhador e nisso, a minha privada bateu a publica aos pontos!!

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  11. Como é óbvio existem boas e más escolas tanto públicas como privadas! Eu só estudei numa escola privada no ensino superior, mas creio que aí as diferenças não são tão fundamentais como no ensino obrigatório.

    Sempre tive o desejo de ter estudado numa escola privada mas nem eu morava numa zona onde existissem nem os meus pais tinham possibilidades de me coloarem a estudar numa. No entanto penso muitas vezes que teria sido uma óptima oportunidade à qual não tive acesso e que certamente teria contribuído para hoje ser uma pessoa melhor formada academica e culturalmente, dado que o estímulo em tenras idades é fundamental e preditor da capacidade cognitiva e mental em idade adulta. Cresci num meio pequeno e pobre, onde as poucas actividades que existiam eram reservadas a pessoas com mais possibilidades económicas. Os meus pais são pessoas com poucos estudos e em casa faltou-me sempre o estímulo intelectual (não existia nenhum livro em casa, por exemplo) e nas escolas onde andei os professores limitavam-se a cumprir programas.

    Claro que as carências que sentimos nos fazem ir à luta e ajudam-nos a desenvolver uma série de competências mas penso sempre que podia ter ido muito mais além se tivesse tido outro acompanhamento. Identifico-me muito com a frase da conhecida música que diz "Se houvera quem me ensinasse, quem aprendia era eu"!

    Para já nunca senti vontade de ter filhos, mas se algum dia vier a ter sem dúvida nenhuma que os irei colocar numa escola privada, onde o acompanhamento e estímulo são maiores do que na maioria das escolas públicas que eu conheço.

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  12. Anónimo23:52

    Acontece que o mundo cá fora é uma autêntica selva por isso eu voto no publico ;)

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  13. Bom, eu andei num colégio até ao sexto ano e devo dizer que hoje em dia me apercebo dos fantásticos professores que tive. Depois fui para uma escola no meu bairro e também gostei muito. Mas sim, notava o ensino mais impessoal, embora também admita que encontrei uns professores do caraças, ainda hoje falo com eles (passados 18 anos!).

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  14. Anónimo20:43

    Existem colégios bons e colégios maus, assim escolas públicas boas e más!!!! para mim as escolas fazem-se pelos professores e isso há bom e mau em todo lado!

    Muitos argumentam que o ensino privado tem um corpo docente estável,verdade, mas todos os professores querem ir para o ensino público(!!!!!), e nesse, só ficam colocados os que têm melhores notas....

    Sempre estudei no privado mas para os meus filhos escolhi o ensino público por opção, e até ao
    momento não trocaria por outro, a não ser por alguns colégios específicos que aplicam determinados
    métodos!!! No entanto, para esses não tenho dinheiro .....

    Na verdade, acho que o ensino público prepara melhor as pessoas para o mundo, existe mais diversividade o que faz com que se tenha contacto com muitas realidades diferentes, tornando os miúdos mais abertos e mais tolerantes.

    Patrícia

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  15. Anónimo20:44

    queria dizer diversidade...

    patrícia

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  16. Esse é um diálogo que está muito em voga cá em casa! O homem toda a vida andou em colégio privado e diz exactamente o mesmo que tu, eu, por outro lado, sempre andei no público, e sempre me senti bem. A minha mãe era professora e tanto conhecia muito bem colégios como escolas públicas e ela sempre disse que nunca nos colocaria, a mim ou à minha irmã, numa escola privada, dizia que por muito bom nome que tivessem, era um negócio e que muitas vezes nem tudo era o que parecia, e que quanto às escolas públicas ela sabia o q se passava e atºe escolheu sempre as q considerava melhores. Eu acho que a posição da minha mãe era exagerada, ha publicas optimas e privadas excelentes, há que saber escolher, e eu tenho muita dificuldade em ver o que é realmente. É certo certinho que se está mais protegido numa privada, mas em qual? E o resto? Agora com o primeiro rebento ainda não sei o que fazer.

    http://jornalanoite.blogs.sapo.pt/18425.html este post meu foi mais ou menos sobre o assunto!

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  17. Estudei sempre no ensino publico e por isso tenho muitas reservas e, se for possível, os meus filhos frequentarão o ensino privado nos primeiros anos. As escolas publicas poderão ser óptimas para os bons alunos. Mas para os que têm mais dificuldades as ajudas são poucas ou nenhumas pelo que sinto que num ensino mais personalizado os pais poderão mais facilmente colmatar algumas dificuldades de aprendizagem dos filhos. No ensino publico tive direito a professores a agredirem verbalmente os alunos, a faltarem o ano inteiro com baixas medicas, armados em melhores amigos dos alunos e as aulas eram conversa de café... Enfim... E o sentimento de impunidade desses professores era enorme. Não tinham patrão. Só a partir do 12 ano senti que os professores se esforçavam por preparar nos para o ensino superior e que verdadeiramente se interessavam por ensinar.

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  18. Estudei sempre no Ensino Público, pelo que não posso tecer uma analogia. Mas posso falar da minha experiência enquanto estudante do mesmo e da experiência transmitida pelas pessoas com as quais contactei que frequentaram o Ensino Privado.
    Gostei muito de todos os anos de Escola Pública que vivi. Apesar de não possuir o referido termo de comparação, não tenho dúvidas da qualidade do corpo docente com que me cruzei. Hoje reflicto e sinto-me uma privilegiada por ter contactado com certos professores; não todos iguais, nem dotados da mesma excelência, pelo contrário, diferentes, mas inabaláveis na sua capacidade de nos colocar a pensar e fazer emergir de uma formatação que a própria sociedade nos tenta imputar. A maioria tinha gosto em ser professor, tinha amor aos alunos e dedicava-se de corpo e alma à tarefa do Ensino. Conheci verdadeiros professores, empenhados e esforçados, daqueles por Vocação (e só tenho 23 anos). Posso afirmar que foram mesmo poucos os que podiam demonstrar esta empatia e dedicação em menor escala. Nunca me senti insegura na Escola Pública, nem muito menos ostracizada, mas é óbvio que na adolescência, num período de formação de personalidade, haja um "estilo" a adoptar como forma de expressão interior, e que essa liberdade de opção se coadune na existência de "grupinhos". Mas acho isto perfeitamente normal e saudável,muito mais,do que a uniformização de padrões de gostos pessoais. A par disto, sempre senti exigência por parte dos docentes e nunca me deparei com facilitismos. As escolas Públicas têm igualmente actividades extra-curriculares para os alunos, gratuitas (como natação, orientação, escalada, clubes de artes, história, matemática) e apostam em conceder apoio aos alunos às unidades curriculares com maior insucesso. Por outro lado, de toda a gente que conheço que andou em escolas privadas e que depois veio a frequentar o público o que mais ouço é precisamente que o grau de exigência nestas últimas escolas é maior. Obviamente que as haverá exigentes, escolas privadas de excelência. Mas na verdade a maioria dos depoimentos que me chegam (zona Norte) cingem-se a isto. Aliás, pensando de uma forma ainda maior, sem me bastar a estes critérios, não acho mesmo que alguém vá ser melhor profissional e em última instância, melhor ser humano por ter andado numa escola privada ou pública. Apesar de todas estas condicionantes, o reflexo interior continua a nascer necessariamente daquilo que se aprende em casa e tudo o que vier, no matter what, dependerá da educação dada dentro dessas 4 paredes.

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