domingo, 4 de agosto de 2013

A pressão

Nunca a tinha sentido. Não a senti para dar o primeiro beijo. Não a senti para namorar. Não a senti antes da primeira vez. Não a senti para casar. Nunca tinha sentido a pressão... Até ontem. E senti a pressão em força para ter filhos.

No baptizado - da filha duma amiga de infância, com quem partilhei tudo desde os 6 anos, menos a maternidade pelos vistos - era praticamente a única sem filhos. De repente, qual vírus implacável, tudo neste grupo de amigos tem filhos. E quem não tinha - nós e mais uns três ou quatro casais - estava de lado a ver os filhos dos outros serem pintados na cara, brincarem com balões, saltarem no insuflável, atirarem-se para a piscina ou brincarem à apanhada. Quem não tinha filhos ouvia os feitos dos filhos dos outros. Ouvia as queixas dos disparates dos filhos dos outros. Ouvia chamar o nome dos filhos dos outros. E ia intercalando com uns copos de vinho, gin ou martini, muito discretamente. Sim, porque no meio de tanta conversa sobre leite e dar de mamar até parecia mal beber outro tipo de bebida descaradamente. Portanto, os não-pais alternavam junto do bar a beber à socapa e a tentar conversar sobre viagens e projectos.

Eu? Não cedi à pressão. Se não posso vencê-los, junto-me a eles. Aos pais? Também, mas estou mesmo a falar das crianças. Não resisti ao insuflável. Afinal ainda sou só filha e não mãe, e o lugar dos filhos pareceu-me ser ali. ;)

7 comentários:

  1. looooool

    Fizeste muito bem :P

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  2. Adorei! Esse tipo de pressão é muito desagradável. Vivemos numa sociedade estereotipada,em que todos temos de namorar,casar e ter filhos de igual forma. Chega a ser constrangedor. Mas cada um sabe qual é o seu tempo e se tu ainda te apetece saltar e pular,pois que assim seja menina!

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  3. :) Fizeste bem em aproveitar o insuflável :D Mas devo acrescentar que o mundo também não acaba quando se tem filhos. Em doses mais recatadas continua-se a beber um vinho volta e meia e a ter vontade de boas conversas onde fraldas e birras não entram, etc. E saltar em insufláveis...só não quer isso que tem 80 anos mentais (e mesmo assim...). Acho que a vontade de fazer "parvoíces" não acaba nunca :)

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  4. Eu senti isso quando conheci os pais de um amigo do meu namorado. Logo a seguir a "prazer em conhecê-la" veio o "então e filhos... é para quando?"
    Na altura apeteceu-me dar uma resposta torta mas agora só me dá vontade de rir. As pessoas nunca estão contentes e assim que pusermos uma criatura no mundo vão querer saber se a criança já faz barulhos, depois se já fala, se já anda, se já lê, se tem boas notas, se vai para a faculdade, se tem namorado/a, quando casa, quando é que nos dá um neto... Nunca acaba.

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  5. Há quem sente chegar o momento certo para ter filhos; outros não. Mas nunca decidir por pressões.
    beijonhos

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  6. Ahah
    Estou ctg. Enquanto não é temos filhos, aproveito a criança que há "dentro de mim"
    E provavelmente qd os tiver, vou tentar ao maximo que ela nao desapareça. .. Afinal de contas ser criança é s melhor parte da vida

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  7. Boa, é assim mesmo, eu também ainda sou só filha mas olha que sinto a pressão por todos os lados.

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