segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Impossível

Ou o conflito "Loiros vs Morenos".

Vi, neste fim-de-semana, o filme "The Impossible". E vi-o não tanto pelos Óscares - confesso -, mas mais porque os nomes Ewan Mcgregor e Naomi Watts funcionam, para mim, como selo de qualidade e são, por si só, suficientes para me levar ao cinema. Quanto à história, confesso que me fazia lembrar o "Hereafter", do Eastwood, e não estava muito convencida quanto a assistir novamente a dramas que envolvessem tsunamis. Vivo demasiado os filmes, principalmente quando são baseados em histórias verídicas, e já sabia que ia ser uma choradeira pegada. No entanto, a curiosidade falou mais alto.
Ora, a primeira coisa que me fez confusão foi perceber que o filme era patrocinado pela Comunidad Valenciana, se não me engano. Admito que não fiz devidamente o trabalho de casa e apenas sabia que o filme era sobre uma família que sobreviveu ao tsunami que destruiu a costa tailandesa em 2004. Uma vez que os actores eram loiros, presumi que fosse uma família americana. Daí o meu espanto com aquele patrocínio.
Os nomes das personagens também não me levantaram suspeitas ao longo do filme: a família era com certeza americana, com uma Maria e um Henry loiros de olhos azuis e inglês carregado, e os seus filhos Lucas, Simon e Thomas.
Apenas no final do filme, com um breve resumo da história real, percebi que a família em que o filme se baseia é.... espanhola!
Pensei, de mim para mim: "hmm... se foram buscar uns loiros, são com certeza uma família de morenos atarracados com sobrancelhas fartas e demasiados pêlos faciais". mas eis que me deparo com estas imagens:
A família original.
Bem giros, hãan? Agora expliquem-me lá porque é que houve necessidade de contratar actores de raça ariana. Não haveria lá por Hollywood bons actores morenos disponíveis? Confesso que, enquanto feliz proprietária de cabelo castanho e tez morena, fiquei irritada em nome de todos os meus semelhantes. Quer dizer que, se um dia, a vida de um de nós for adaptada ao cinema, vamos ter sempre um loiro de olhos azuis com pronúncia british a representar-nos? Sinto-me injustiçada. Muito injustiçada. E com vontade de trazer já a debate um naipe de bons actores morenos (bons nos dois sentidos, entenda-se).
A família representada no filme.

8 comentários:

  1. Realmente! Não sei qual é a cena com as pessoas loiras.... E se queriam estes actores ao menos pintavam lhes o cabelo! Mas gostaste do filme? Muito ranho?ehehe
    Kiss
    Http://coisasquetaiseafins.blogspot.pt

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    1. Gostei, mas puxa muiiiiiiiiiito à lágrima!

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  2. Vendo bem, tens toda a razão :X Mas agora só os "loiros" são dignos para os filmes '?! E não só neste filme, mas em geral é o tipo de atores que encontramos.. eu esta semana vou ver faço questão, visto que parte do bilhete é para a Cruz vermelha..

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    1. Sim, temos um óptimo pretexto para ir ver o filme.

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  3. Essa questão já foi amplamente debatida. No entanto, a meu ver não faz sentido nenhum. Não se escolhem actores pela cor de cabelo, mas sim, pela competência nos papéis e de facto, loiros ou não, a prestação de qualquer um dos escolhidos, incluindo os miudos é absolutamente estrondosa. Por isso, quando se fala nessa questão de actores loiros para representar pessoas morenas, lembro-me sempre da questão das quotas para mulheres nos organismos do Estado ou quotas para negros pela Afirmative Action americana: são sistemas ridículos, de discriminação positiva e quem em nada valorizam as pessoas a quem se destinam. Se o Bardem ou o Clive Owen podiam ter desempenhado este papel? Claro que sim, agora, criar este ruído, acusar o realizador de racismo (como já li, não aqui) parece-me despropositado e desvirtua o que é realmente importante aqui: um filme sobre uma grande tragédia, que afectou loiros, morenos e ruivos.

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    1. Eu só acho é que não se devia esconder que a família era espanhola. Parece que nas entrelinhas se assume que vendem mais histórias sobre tragédias que envolvam ingleses ou americanos. Se fizessem um filme sobre a minha família achava natural que pelo menos se fizesse referência ao país de onde éramos. Não concordas, Sara? Mais que serem loiros, morenos ou ruivos, o que achei estranho foi isso. Até se deram ao trabalho de alterar os nomes...

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  4. Apesar da escolha aos atores loiros, brancos e de olhos claros ficou patente o que é solidariedade, amor e sorte. Muitos não tiveram chance de serem retratados são apenas números numa tragédia...

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  5. Anónimo17:58

    Peço desculpa mas há uma explicação para isso. O que aconteceu foi que a verdadeira María Belón sugeriu a atriz Naomi Watts para interpretar o papel dela própria. Logo, como ela era loira os outros membros da família supostamente também deveriam (ou podiam) ser loiros.
    Não houve nenhuma descriminação ou perseguição (a produção não era nazi).

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